Um Panorama da Maçonaria no Mundo (2012)

Por: Ir.´. Kennyo Ismail      (contribuição do Ir.´. Sergio Ruas)

INTRODUÇÃO

O presente estudo foi realizado com base nos dados informados pelas Obediências e publicados no “List of Lodges 2012”, publicação anual de âmbito internacional que divulga dados das Obediências que são reconhecidas por Grandes Lojas norte-americanas. A intenção é compreender quantitativamente a Maçonaria no Mundo, tratando os dados fornecidos pela publicação.

MAÇONARIA NOS CINCO CONTINENTES

Atualmente, 185 Obediências constam no List of Lodges, abrangendo os cinco Continentes. O Continente Americano atualmente concentra 71% das Obediências reconhecidas internacionalmente, 56% das Lojas Maçônicas do mundo, e 78% dos maçons regulares.

CONTINENTE AMERICANO, O CONTINENTE MAÇÔNICO

Um olhar mais detalhado sobre a Maçonaria no Continente Americano mostra que os números do Continente são impulsionados pelos EUA, onde está concentrado mais da metade das Lojas e mais de ¾ dos maçons de todo o Continente.

O Brasil vem em 2º lugar no ranking do Continente, com 26% das Lojas e 11% dos maçons. Essa diferença deve-se a uma maior média de membros por Loja nos EUA, 116 membros por Loja, enquanto que a média no Brasil é de 36. Essa também é a razão de Cuba, apesar de ter menos Lojas do que o México, possuir mais membros: sua concentração média é de 92 membros por Loja, ficando atrás apenas dos EUA.

 Outros países não foram considerados por apresentarem índices inferiores a 1%.

VISÃO MUNDIAL

Os EUA, Inglaterra e Brasil são os três grandes nomes da Maçonaria Mundial, ocupando o pódio em número de Lojas e de membros. Se o estudo levasse em consideração os números dos Grandes Orientes Independentes, filiados à COMAB, provavelmente o Brasil ultrapassaria a Inglaterra, postando-se como a segunda maior nação maçônica do mundo.

A inversão de posições que se vê entre França e Canadá ocorre por conta da média de membros por Loja. Enquanto o Canadá está entre os 10 países com melhores médias de membros por Loja do mundo, de 72 membros por Loja, a França encontra-se entre as 15 piores, com uma média de apenas 26 membros por Loja. O Brasil, infelizmente, parece ter herdado esse baixo índice da França, apresentando média de 36, a mesma do vizinho Paraguai e abaixo de outros países sul-americanos como Venezuela (43), Uruguai (50), Chile (51) e Bolívia (60).

Cuba, 4º lugar no ranking do Continente, aparece em 7º lugar no ranking mundial, entre as maiores nações maçônicas do planeta. A Escócia, apesar de informar o número de Lojas, não declara o número de membros filiados, o que impossibilita sua participação no ranking de membros.

MEMBROS POR LOJA

O impacto da média de membros por Loja nos ranking chama a atenção para esse dado e um estudo sobre esse índice nos diversos países foi realizado:

A Noruega ocupa o 1º lugar, com extraordinários 300 membros por Loja, seguido do Japão, com 130 e Haiti com 125. É interessante observar que um grupo dos 10 melhores está concentrado próximo dos EUA (Cuba, República Dominicana, Canadá), enquanto que outro grupo é do norte da Europa (Noruega, Islândia e Dinamarca).

 Algumas Grandes Lojas norte-americanas apresentam médias superiores ao do Japão, mas nada próximo à média apresentada pela Noruega: Pensilvânia, com 263 membros por Loja; Ohio, com 201; New Jersey, com 200. Um total de 17 Grandes Lojas Norte-Americanas apresentam médias de membros por Loja superiores ao Japão, mas muitas Grandes Lojas da região Meio-Oeste e Oeste dos EUA puxam sua média geral para baixo.

BLOCOS MAÇÔNICOS

É comum a união de Grandes Lojas de uma mesma nação em blocos com fins de fortalecimento institucional, padronização de procedimentos, união fraternal e organização de relações exteriores. Isso ocorre em países cujas Grandes Lojas adotaram formato similar ao modelo norte-americano, com uma Grande Loja por Estado, Distrito ou Província (EUA, Canadá, México, Austrália), ou mesmo no caso de diferentes tipos de Grandes Lojas dividindo um mesmo território, mas que se unem em prol de um bem comum (Ex.: Alemanha).

Esses blocos podem receber diferentes tipos de nomes e adotar diferentes formatos, como Confederação, Grandes Lojas Unidas ou mesmo Conferência. Tais blocos maçônicos têm discursos em uníssono de seus integrantes e por isso é importante compreender suas dimensões, em contraste com Obediências Nacionais que trabalham de forma federativa, seguindo modelo similar ao inglês.

Nessa visão por quantidade de membros por bloco, o Brasil ocupa dois lugares entre os 05 maiores blocos nacionais, com a CMSB, a Confederação das Grandes Lojas Estaduais, em 3º lugar, e o GOB, uma Federação, em 5º lugar. Importante observar que, se os Grandes Orientes Independentes fossem considerados no List of Lodges, provavelmente a COMAB estaria em 7º lugar, acima de Cuba, dando três posições ao Brasil entre os 10 maiores blocos maçônicos nacionais do mundo.

 Apesar da Confederação das Grandes Lojas Prince Hall constar em 11º lugar, esse número não corresponde com a verdade, visto que apenas 04 Grandes Lojas Prince Hall (Califórnia, Connecticut, New York e Carolina do Norte) constam no List of Lodges de um total de mais de 40. A estimativa é que as Grandes Lojas Prince Hall englobem mais maçons que a Grande Loja Unida da Inglaterra, perdendo apenas para as Grandes Lojas convencionais norte-americanas.

Em 15º lugar têm-se as Grandes Lojas Unidas da Alemanha, um caso de sucesso, em que 05 Grandes Lojas de origens distintas e de abrangência nacional se uniram em uma única Obediência, porém, mantendo suas autonomias. Essa nova instituição (Grandes Lojas Unidas da Alemanha) administra as relações públicas e exteriores da Maçonaria Alemã e funciona como um “Senado Maçônico”.

LIMITAÇÕES DO ESTUDO

O List of Lodges apenas publica dados das Obediências Regulares que possuem reconhecimento de Grandes Lojas norte-americanas, não abrangendo muitas Obediências Regulares e expressivas, como a maioria das Grandes Lojas Prince Hall, várias Grandes Lojas Mexicanas e os Grandes Orientes Independentes filiados à COMAB, por exemplo.

A soma de membros dessas Grandes Lojas Prince Hall ainda não presentes no List of Lodges é superior ao total de membros da Grande Loja Unida da Inglaterra, que ocupa o 2ºlugar no ranking de país com maior número de maçons. Isso é um exemplo do quanto o List of Lodges, apesar de útil nas questões de relações internacionais, não reflete a realidade daMaçonaria Regular no mundo.

Além disso, muitas Grandes Lojas não informam ou atualizam seus dados, algumas delas históricas e expressivas, como é o caso da Grande Loja da Irlanda. As Grandes Lojas da Irlanda, da Grécia, da Suécia e do Equador não informaram número de Lojas e número de membros. Outras tantas como a Grande Loja da Escócia informam o número de Lojas, mas não o de obreiros. Essas omissões prejudicam a avaliação.

Há ainda os dados que precisam ser revistos. Exemplos claros podem ser vistos no Brasil, mais precisamente nas Grandes Lojas do Amazonas e do Ceará que, pelos números publicados, apresentam uma média superior a 100 membros por Loja, números esses que não seguem o padrão brasileiro, mas que podem corresponder a uma realidade local.

CONCLUSÕES

Apesar das limitações verificadas, o presente estudo colabora para o entendimento da Sublime Ordem Maçônica em âmbito mundial. Os números levam à compreensão de que a Maçonaria Regular possui atualmente menos de 3 milhões de membros, apesar de algumas fontes ainda divulgarem números de 4 a 6 milhões, reais nas décadas de 60 e 70, mas distantes da realidade atual.

Outra percepção interessante evidenciada pelos dados é a de diferentes realidades de tamanho de Lojas nos diversos países, variando de uma média de incríveis 300 membros por Loja (Noruega) a poucos 15 membros por Loja (Espanha). Tais disparidades indicam diferentes conceitos da filiação maçônica, pois se sabe que em alguns países não há a exigência e cobrança de presença como ocorre na tradição maçônica inglesa, alemã e latina de uma forma geral.

Este estudo também serviu para mostrar o destaque que a Maçonaria Brasileira tem no cenário maçônico mundial, apresentando-se como uma das grandes nações maçônicas do mundo. Espera-se que essa evidência sirva para conscientizar os maçons brasileiros da relevância do Brasil no meio maçônico, em especial aqueles que, talvez pelo famoso “complexo de vira-lata”, costumam enxergar alguma supremacia ou autoridade moral em Obediências estrangeiras.

CRÉDITOS

“Daí a César o que é de César”. Com esse ditado popular, de origem bíblica, credito a ideia de realização desse estudo ao Irmão João Guilherme da Cruz Ribeiro, Deputado do Real Arco Internacional para a América Latina.

BIBLIOGRAFIA

List of Lodges (2012). Ed. Pantagraph. Illinois, USA.

Publicado on novembro 9, 2012 at 10:40 am  Deixe um comentário  

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