O DNA da Maçonaria – Os Clubes de Cavalheiros

Tradução José Antonio de Souza Filardo

http://en.wikipedia.org/wiki/Gentlemen%27s_club

Um clube de cavalheiros é um clube privado só para membros de um tipo originalmente criado por e para a classe alta Inglesa no século XVIII, e popularizada pelos homens e mulheres ingleses de  classe média-alta no final do século XIX. Hoje, alguns são mais abertos sobre a questão de gênero e status social dos seus membros. Muitos países fora do Reino Unido têm clubes de cavalheiros de destaque.

Nos Estados Unidos, o termo clube de cavalheiros é frequentemente utilizado como um eufemismo para clubes de strip tease, uma tendência cada vez mais comum também no Reino Unido, tais como as cadeias Stringfellows e Spearmint Rhino que usam o termo neste sentido.

Conteúdo

História

Os clubes originais eram estabelecidos na região West End de Londres. Ainda hoje, a área de St. James’s ainda é, por vezes, chamada ‘clubland”. Os Clubes assumiram o papel ocupado pelas casas de café no século 18 em Londres até certo ponto, e chegaram ao auge de sua influência no final do século 19. Os primeiros clubes, tais como o White e o Boodle’s eram altamente aristocráticos, e proporcionavam um ambiente privado, onde se realizavam jogos, que ainda era ilegal fora de estabelecimentos exclusivos para membros.

O século 19 trouxe uma explosão na popularidade dos clubes, especialmente em torno da década de 1880. Em seu auge, Londres tinha mais de 400 estabelecimentos. Essa expansão pode ser explicada em parte pela grande amplitude da emancipação nos Atos de Reforma de 1832, 1867 e 1885. A cada vez, centenas de milhares de homens tornavam-se capazes para o voto, e era comum que sentissem que haviam sido elevados ao status de cavalheiro – assim, eles procuravam um clube. Os clubes existentes, com limites rígidos em relação ao número de membros e longas listas de espera, eram geralmente cautelosos com estes membros potenciais recém-emancipados e, assim, essas pessoas começaram a formar seus próprios clubes. Cada um dos três grandes Atos de Reforma corresponderam a uma expansão ainda maior dos clubes, assim como expansão da emancipação 1918.

Muitos desses novos clubes mais “inclusivos” se provaram tão relutante quanto seus antecessores ao admitir novos membros, quando a liberação foi ainda mais ampliada.

Um número crescente de clubes se caracterizava pelo interesse dos seus membros na política, literatura, esporte, arte, automóveis, viagens, países em particular, ou alguma outra atividade. Em outros casos, a ligação entre os membros era pertencerem ao mesmo ramo das forças armadas ou ter uma história na mesma escola ou universidade. Assim, o crescimento dos clubes oferecia um forte indicador do que era considerado uma parte respeitável do ‘Establishment’ da época.

No final do século 19, qualquer homem com uma reivindicação idônea do status de “cavalheiro” podia eventualmente encontrar um clube disposto a admiti-lo, a menos que seu caráter fosse desagradável de alguma forma, ou ele era “unclubbable”, ou seja, indigno de pertencer a um clube (aliás, uma palavra usada pela primeira vez por Samuel Johnson).  [1]  Este passou a incluir os profissionais que tinham de ganhar o seu rendimento, tais como médicos e advogados.

A maioria dos cavalheiros tinham apenas um clube, que correspondia estreitamente ao seu comércio ou identidade política e social que ele sentia ser mais definida dele, mas algumas pessoas pertenciam a diversos; membros da aristocracia e os políticos eram particularmente susceptíveis de pertencer a vários clubes. O número recorde de adesões, acredita-se ter sido com Earl Mountbatten, que tinha dezenove anos na década de 1960.

Espetáculos públicos, tais como apresentações musicais e afins, não eram uma característica desse tipo de clube. Os clubes eram, de fato, “segundas casas”, no centro de Londres, onde os homens podiam relaxar, misturar-se aos amigos, jogar salão de jogos, comer alguma coisa e, em alguns clubes podia até pernoitar. Eles permitiram que homens de classe alta e da alta classe média com rendimentos modestos gastassem seu tempo em ambientes imponentes; os clubes mais ricos eram construídos pelos mesmos arquitetos que construíam as melhores casas de campo da época, e tinham os mesmos tipos de interiores. Eles também eram um retiro conveniente para os homens que desejavam fugir de suas relações femininas. Muitos homens passaram grande parte de suas vidas em seus clubes, e era uma característica comum a jovens recém-formados que se mudavam para Londres pela primeira vez, viver em seu clube durante dois ou três anos, antes que pudessem dar-se o luxo de alugar uma casa ou apartamento.

As mulheres também começaram a estabelecer seus próprios clubes no final do século XIX, por exemplo, o Ladies’ Institute e o Ladies’ Athenaeum. Eles se provaram muito populares na época, mas apenas um, The University Women’s Club sobreviveu até nossos dias como um estabelecimento de mesmo sexo.

Até a década de 1950, os clubes também eram fortemente regulamentado nas salas abertas para não-membros. A maioria dos clubes continha uma única sala em que os membros podiam jantar e receber não-membros; presumia-se muitas vezes que todo o círculo social deveria estar dentro do mesmo clube.

Os requisitos da classe relaxaram-se gradualmente ao longo dos séculos 19 e 20. Além disso, a partir dos anos 70 algumas clubes de sexo único abriram-se para ambos os sexos, como convidados e como membros, em parte para ajudar a manter os níveis de adesão.

Status Atual

Embora os clubes de cavalheiros tradicionais já não sejam tão populares e influentes como eram originalmente, muitos tem visto um ressurgimento significativo de popularidade e status nos últimos anos. Alguns clubes mais importantes ainda mantêm as distinções que são muitas vezes indefinidos e raramente explicadas àqueles que não preenchem os seus requisitos de adesão. Depois de alcançar o topo de uma longa lista de espera, há uma possibilidade real de receber bola preta; espera-se que o proponente se demita, uma vez que ele não conseguiu retirar o pedido de seu candidato indesejável.

Os clubes de cavalheiros hoje existem em todo o mundo, principalmente na Comunidade de Países britânicos e nos Estados Unidos. Muitos clubes oferecem hospitalidade recíproca a membros de outros clubes quando estes viajam.

Na Grã-Bretanha e em particular em Londres, há uma continuidade entre os clubes de cavalheiros originais e os clubes mais modernos, mas, ao contrário, são clubes de membros privados tais como o Groucho Club, Soho House e Home House. Todos oferecem serviços semelhantes, tais como comida, bebida, ambiente confortável, aluguel de espaço e acomodação em muitos casos. No entanto, nos últimos anos, o advento de trabalho móvel (usando telefone e e-mail) colocou pressão sobre os clubes tradicionais de Londres, que desaprovam e, muitas vezes proíbem o uso de celulares e desencorajam laptops. Uma nova raça de clubes privativos orientados para negócios, por exemplo, o One Alfred Place e o Eight em Londres, ou o Guild em Barcelona, ​​combinam o estilo, comida e bebida de um clube privado contemporâneo com as conveniências de negócios de um escritório.

Reino Unido

Há, talvez, cerca de 25 clubes de cavalheiros tradicionais em Londres, notadamente do The Arts Club até o White’s. Muitos outros clubes estimáveis ​​(tais como os iate clubes) têm um carácter específico que os coloca fora do normal, ou pode ter sacrificado sua individualidade em favor do interesse comercial de atrair um número suficiente de membros, independentemente de seus interesses comuns. (Veja o artigo no clube para uma discussão mais aprofundada dessas distinções.) O clube de cavalheiros mais antigo em Londres é o White’s, que foi fundado em 1693.  [2]

Em Londres, a discussão de comércio ou negócio não é normalmente permitida em clubes de cavalheiros (outros clubes são projetados especificamente para negócios e permitem celulares e laptops), mas um número cada vez maior de pessoas na política e nos negócios aluga instalações de clubes no Reino Unido e em todo o mundo para debates e conferências sobre assuntos atuais. Por exemplo, o Commonwealth Club em Londres conta com o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, o ex-presidente nigeriano Olusegun Obasanjo e o ex-primeiro-ministro australiano John Howard como pessoas influentes que ali falaram. A utilização desses estabelecimentos para a discussão e debate público, no entanto, está em sua infância, pois muitos dos maiores e mais estabelecidos clubes fazem cumprir rigorosamente as suas normas sobre tais matérias.

Clubes semelhantes existem em algumas cidades mais importantes fora de Londres, nomeadamente o Liverpool Athenaeum, The Clifton Club, Edimburg’s New Club, o St. James’ Club em Manchester e o Ulster Reform Club de Belfast. O Athenaeum Club de Liverpool, na Church Alley, foi fundado em 1797 pelo colecionador de arte e reformador social William Roscoe e amigos. Sua famosa biblioteca contém muitos livros raros e fascinantes. Proprietários (sócios) e convidados também relaxam-se na sala de imprensa e no restaurante. Há muitos grupos de interesse que se reúnem no clube. O Clifton Club, em Bristol foi fundado em 1818 e ocupa um imponente edifício em uma das ruas mais exclusivas da cidade. Ele continua a ser um dos clubes mais prestigiados e socialmente exclusivos fora de Londres. Guernsey nas Ilhas do Canal tem um clube de cavalheiros fora do Reino Unido, The United Club fundado em 1870.

Índia

A Índia tem vários clubes de cavalheiros na maioria das principais cidades, incluindo Nova Delhi,  Mumbai, Shimla, Calcutá, Chennai, Hyderabad, Bangalore, etc. Tal como no Reino Unido, estes foram iniciados por agentes do Raj britânico e também pela aristocracia e intelectuais indianos. Embora a maioria destes clubes, incluindo o Gymkhana, o India International Centre e os clubes de campo agora aceitem legalmente membros de ambos os sexos, há alguns clubes que mantêm uma política de associação exclusiva do sexo masculino. A maioria dos clubes está localizadas em áreas antigas e caras de velhas cidades e têm listas de espera de 20 a 30 anos e mais para a adesão. Ganhar a adesão a um desses clubes é considerado um sinal de “ter chegado lá” pela elite indiana, uma vez que isso mostra a riqueza, as conexões políticas e sociais e, muitas vezes um pedigree familiar. A maioria dos clubes de cavalheiros na Índia são instituições de caridade registradas ou empreendimentos sem fins lucrativos, mas desde a década de 90, vários clubes iniciados por promotores imobiliários e empresas com sucesso social limitado.

Estados Unidos

Artigo principal: Lista dos clubes de cavalheiros americanos

A maioria das grandes cidades nos Estados Unidos tem pelo menos um clube de cavalheiros tradicional. Os clubes de cavalheiros são mais presentes, porém, nas cidades mais antigas, como  New Orleans e em toda a Costa Leste em New York City (que tem o maior número de clubes de destaque), Filadélfia, Boston e Washington, DC. Alguns clubes americanos têm relações recíprocas com os clubes mais antigos de Londres, entre si e com outros clubes ao redor do mundo. Os mais antigos clubes americanos datam do século 18, o State em Schuylkill, na Filadélfia, fundado em 1732, é sem dúvida o mais antigo clube na América do Norte,  [2] o Old Colony Club, em Plymouth, Massachusetts, fundado em 1769, é também um dos mais antigos clubes de cavalheiros na América do Norte. O Yale Club of New York City compreende uma sede de 22 andares e mais de 11.000 membros do mundo inteiro é o maior clube de cavalheiros em todo o mundo.  [3]

Austrália

A Austrália tem diversos clubes de cavalheiros, incluindo o Commonwealth Club (Canberra), Australian Club – um separado em Sydney e outro em Melbourne, o Melbourne Club, o Adelaide Club, o Union, University & Schools Club (Sydney), o WA Club, o Weld Club (Perth), o Athenaeum Club (Melbourne; recebeu o nome em homenagem ao seu correspondente em Londres), o Savage Club (Melbourne), The Tasmania Club (Hobart), o Newcastle Club (Newcastle), Tattersalls Club (Brisbane), o Brisbane Polo Club (sediado na tradicional sede Naldham House no centro do bairro financeiro central), o Royal Automobile Club of Australia (Sydney) e o Royal Automobile Club of Victoria (Melbourne). O Canberra Club, Newcastle club, Brisbane Polo Club, o Kelvin Club em Melbourne, o Royal Automobile Club da Austrália  (Sydney) e os Royal Automobile Club de Victoria (Melbourne) permitem que mulheres sejam membros plenos.

África do Sul

A África do Sul é o lar do Rand Club no centro da cidade de Johanesburgo, o Cape Town Club  [1]  o  Owl Club em Cape Town e o Durban Club, fundado em 1852 e que vem funcionando ininterruptamente desde a sua criação.  [2]

Peculiaridades da condição de membro

Alguns clubes têm exigências para adesão altamente específicas. Por exemplo, o Caledonian Club  em Londres exige “ser de ascendência escocesa direta, isto é, traçar a descendência de pai escocês ou mãe, avô ou avó” ou “ter, na opinião do Comitê, a associação mais próxima possível com a Escócia.” O Travellers Club, desde sua fundação em 1819, excluiu qualquer membro que não tenha cumpriu um requisito muito específico de viagens. A Regra 6 do estatuto do clube declara que “Ninguém pode ser considerado elegível para o Travellers Club, que não tenha viajado fora das ilhas britânicas, até uma distância de pelo menos 500 milhas de Londres, em uma linha direta”.  [4]  O  Yale Club é típico de clubes universitários: é aberto a todos que tenham uma conexão com a sua universidade, neste caso a Universidade de Yale. O Reform Club impõe aos seus membros em potencial atestar que teria apoiado a Lei da Reforma de 1832, enquanto alguns membros do East India Club devem ter frequentado uma de suas escolas públicas filiadas.

Veja também

Referências

  1. ^ Oxford English Dictionary Provelmente 1764
  2. ^  a  b  Whitaker’s Almanack  2008 . A & C Black. 2008. p. 649. ISBN 9780713685541.
  3. ^ Yale Club of New York City – About the Club
  4. ^ Peter Cunningham, Hand-Book of London, 1850

Outras Leituras

Publicado on abril 18, 2011 at 1:05 pm  Deixe um comentário  

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