Landmarks no Rito Moderno

Ir.´. Antonio Onias Neto (+ 2013)

 Como o nome já diz: LANDMARQUES, aportuguesado do inglês “Landmarks”, significa marca de terra, lindeiro. Em Maçonaria significa limites entre o que seja Maçonaria e aquilo que não se pode intitular como tal. A prática de se relacionar, de se classificar os Landmarques só teve início a partir do século XIX. Anteriormente só se refere a landmarque num sentido genérico, utilizando – se mais o termo regra (rule), como fez a Grande Loja da Inglaterra em seu princípio.

Mas, o que seria efetivamente um Landmarque se os autores Maçons os classificam desde 3 até 54? Quem seria o correto coletor desses landmarques? A maioria deles relacionam problemas simplesmente administrativos de uma Potência Maçônica como se Landmarque fosse.

A classificação mais aceita pelos brasileiros é daquelas a que mais fere o princípio evolutivo da Maçonaria, aceita universalmente. Além de relacionar como se Landmarque fosse problemas administrativos, exigências recentes, a classificação de Mackey, feita em 1858, relativamente nova, afirma em seu último item a inalterabilidade de sua redação, numa atitude evidentemente papal. Teria sido Mackey o ungido de Deus?

A própria Grande Loja Unida da Inglaterra nunca relacionou ou citou uma determinada classificação de Landmarque. Ela aceita como Landmarque os Antigos Deveres citados na Constituição de Anderson. O que ela fez foi citar os oito pontos que exige para reconhecimento de uma Potência Maçônica, que nós aceitamos, pois o Grande Oriente do Brasil tem Tratado de Amizade e Reconhecimento com ela..

O Rito Moderno, coerente com seus princípios aceita como mais concernente a compilação de Findel, que é a seguinte:

1. – A obrigação de cada Maçom de professar a religião universal em que todos os homens de bem concordam. (praticamente transcrevendo as Constituições de Anderson, primeiro documento oficial da moderna Maçonaria)

2. – Não existem na Ordem diferenças de nascimento, raça, cor, nacionalidade, credo religioso ou político.

3. – Cada iniciado torna – se membro da Fraternidade Universal, com pleno direito de visitar outras Lojas.

4. – Para ser iniciado é necessário ser homem livre e de bons costumes, ter liberdade espiritual, cultura geral e ser maior de idade.

5. – A igualdade dos Maçons em Loja.

6. – A obrigatoriedade de solucionar todas as divergências entre os Maçons dentro da Fraternidade.

7. – Os mandamentos da concórdia, amor fraternal e tolerância; proibição de levar para a Ordem discussões sobre assuntos de religião e política.

8. – O sigilo sobre os assuntos ritualísticos e os conhecimentos havidos na iniciação.

9. – O direito de cada Maçom de colaborar na legislação maçônica, o direito de voto e o de ser representado no Alto Corpo.

Como vemos, dificilmente poderemos fazer alguma ressalva a respeito desta relação, razão porque a aceitamos como a que mais se coaduna com aquilo que possamos efetivamente chamar de LANDMARQUE.

Publicado on novembro 14, 2013 at 5:29 pm  Comments (8)  

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8 ComentáriosDeixe um comentário

  1. acho que os irmãos estão esquecendo que a maçonaria não é uma instituição publica. E como instituição privada pode ter suas regras.Caso assim não fosse, deveria abolir as sindicâncias ou acabar com a faculdade do sindicante emitir parecer próprio.O candidato preencheria um formulário de acordo com a Constituição federal e seria imediatamente admitido .Convém também lembrar que não existe a faculdade de inscrição. O ingresso na Ordem se da a partir de convite de um maçom que apadrinhará o pretendente.Esta avaliação ainda estará sujeita a aprovação do plenário da Loja. Isto, por se tratar de instituição privada.Por que permitem que instituição privada tenha regimento interno?. Se não houvesse as restrições em pauta, mas nenhum maçom convidasse profanos enquadrados nas exceções descritas, como é que ficaria?.

  2. A tradição milenar não pode afrontar a Carta Magna das Nações democráticas, a exemplo do Brasil, cuja Constituição nivela em direitos homens e mulheres. Razão por que a Maçonaria que prossegue fiel a este anacronismo absurdo de que todo candidato deve ser do sexo masculino, não mutilado, livre de nascimento e de idade madura, próprio do raciocínio rasteiro da Idade Média, está flagrantemente descumprindo e ultrajando a Constituição cidadã.

    Urge denunciar, não só o impedimento de iniciação de mulheres na Ordem Maçônica, mas também a determinação de vedar-se o ingresso de qualquer portador de necessidades especiais, com pleno domínio de suas faculdades mentais. Ninguém deve submeter, permitir submeter-se ao processo de exclusão que há anos reina na sociedade brasileira.
    É cláusula pétrea da nossa Constituição. A Instituição que impedir ou o cidadão que argumentar favorável ao descumprimento da inclusão em qualquer segmento da sociedade, estará sujeito a penalidades, a condenações graves e inafiançáveis.(CB-Capítulo do Direitos Individuais 1988, e Lei No.8546/2009).
    Cumpre obedecer e ser fiel aos Landmarks que não firam as solenidades estabelecidas na Carta Magna das Nações.
    Os Landmarks maçônicos foram instituídos antes da constituição de Potências Maçônicas. Quaisquer dispositivos de Códigos Maçônicos de Grandes Lojas ou de Grandes Orientes ou de quaisquer outras Potências Maçônicas que os tenham como Instituição imutável, incorporados à sua estrutura, são inválidos, nulos, inexistem, não podem ser invocados.

  3. Vide item No. 18.

    CÓDIGO MAÇÔNICO
    Landmarks Universais da Maçonaria
    Regras que determinam a regularidade Maçônica:

    1. A existência de modos de reconhecimento;
    2. A divisão da Maçonaria Simbólica em três (3) graus;
    3. A lenda do 3º grau;
    4. O governo da Fraternidade por um Grão-Mestre eleito;
    5. O Grão-Mestre tem a prerrogativa de presidir a toda reunião Maçônica de sua jurisdição;
    6. A faculdade do Grão-Mestre de conceder dispensa de interstícios para conferir graus;
    7. O direito do Grão-Mestre de conceder licença para fundação e funcionamento das Lojas;
    8. A prerrogativa do Grão-Mestre de conferir grau por deliberação própria;
    9. A obrigação para os Maçons de se reunirem em Lojas;
    10. O governo da Loja pelo Venerável Mestre e dois Vigilantes;
    11. O dever da Loja de trabalhar a coberto;
    12. O direito para todo Maçom de participar das
    Assembléias Gerais da Ordem;
    13. O direito para todo Maçom de apelar, para a Grande Loja, de uma decisão de sua Loja;
    14. O direito de todo Maçom de visitar uma Loja;
    15. A obrigação do telhamento para o visitante desconhecido;
    16. A autonomia de ação de cada Loja; destarte nenhuma Loja pode se imiscuir nos assuntos de outra Loja, nem conferir graus a Irmãos pertencentes a outras Oficinas;
    17. O Maçom deve se submeter à Jurisdição Maçônica do local de sua residência;
    18. Todo candidato deve ser do sexo masculino, não mutilado, livre de nascimento e de idade madura;
    19. A crença em Deus, Grande Arquiteto do Universo;
    20. A crença em uma vida futura;
    21. A presença, em cada Loja, do volume da Lei Sagrada;
    22. A igualdade entre todos os Maçons;
    23. O segredo;
    24. A superposição de uma ciência especulativa sobre uma operativa e a utilização do simbolismo a título explicativo, notadamente extraído do Templo de Salomão, berço simbólico da Maçonaria;
    25. Os Landmarks supracitados são inalteráveis. Tais como recebemos, assim devemos transmiti-los à posteridade.

  4. Respondendo ao comentarista que pergunta “onde diz que a mulher não pode ser iniciada” Peço-lhe ler meu comentário a seguir.

    A exclusão de mulheres e negros em segmentos da sociedade organizada é manifesta ofensa à inteligência das cidadãs e cidadãos

    No Brasil, como em países refratários ao reconhecimento aos direitos humanos, a cultura da exclusão da mulher prossegue poderosamente forte nas Instituições. Na Maçonaria, por exemplo, para fazer parte de uma loja considerada reconhecida e regular, “todo candidato deve ser do sexo masculino, não mutilado, livre de nascimento e de idade madura”, conforme define o Código da referida Instituição, no ítem No. 18 dos Landmarks Maçônicos. Entenda: 1. Ser do sexo masculino; 2. Não ser mutilado = não ser portador de defeito físico, não ser efeminado, não ser homossexual ou uranista. 3. Ser livre de nascimento = não ser preto, não ser ex-escravo nem da linhagem da referida ancestralidade. 4. No item No. 25, o último dos Landmarks maçônicos, a exigência sustenta serem determinações inalteráveis. Tais como as receberam, assim devem transmiti-las à posteridade.

    A manutenção das determinações supramencionadas é manifesta ofensa a Carta Magna das nações democráticas, qual é o caso do Brasil.

    Com exceções, é claro, cobra-se por cada iniciação na Maçonaria Tradicional em torno de R$2.500,00. Pode ser mais ou um pouco menos. Os compromissos pecuniários mensais, obrigatórios e jurados no alterado ritual de iniciação, estão entre R$250,00 a R$300,00, cujo montante difere de loja para loja, para mais ou para menos. Razão por que alguns homens de cor negra, de renda e patrimônio estáveis, raros portadores de algum defeito físico, homossexuais, reconhecidos uranistas, são aprovados para receber a iniciação e passarem a integrar o quadro de membros de Lojas Maçônicas reconhecidas como regulares pelas Potências Maçônicas dominantes, entretanto, resistem aprovar ou a reconhecer a iniciação das senhoras. Chamam de espúrias as organizações maçônicas emergentes, femininas e mistas, com que ofendem e humilham integrantes de seus quadros, transgredindo cláusulas pétreas da Carta Magna da Nação, cujos termos igualam homens e mulheres com os mesmo direitos.

    Recentemente, o presidente do Rotary Internacional, o indiano K.R. Ravidran, em sua mensagem publicada na Revista Rotary Brasil, edição de maio de 2016, dirigida aos rotarianos de todos os países do planeta, assim se pronunciou: “As normas do Rotary sobre igualdade de gênero são absolutamente claras. Mesmo assim, 20% dos nossos clubes ainda se recusam a admitir mulheres, freqüentemente alegando que é difícil encontrar candidatas qualificadas. Para mim, um rotariano que usa esse argumento não possui as duas qualificações mais importantes de um associado do Rotary: honestidade e bom senso. Um clube que se recusa a admitir mulheres conta apenas com metade do talento, habilidades e conexões que poderia ter. Ele não tem acesso a perspectivas essenciais que podem aumentar ainda mais a eficácia dos seus serviços. Além de prejudicar a si mesmo, o clube prejudica o Rotary como um todo quando confirma este estereótipo limitador. Como resultado, enfraquecemos nossa imagem pública e deixamos de atrair associados em potencial, especialmente jovens, que são cruciais para nosso futuro. Tolerar a discriminação contra as mulheres é condenar a nossa organização à irrelevância. Não podemos continuar fazendo de conta que vivemos no tempo de Paul Harris (fundador do Rotary Internacional), pois nem mesmo ele concordaria com isso. Em suas palavras, “A história do Rotary terá que ser reescrita muitas e muitas vezes.” Cabe a nós garantir que a história que escrevermos sobre do Rotary seja motivo de orgulho para nosso fundador.”

  5. Querido Irmão

    Preciso de orientação, tens um e-mail pelo qual podemos nos comunicar em reservado, dúvidas sobre estudos.

    Edylson Ribeiro

  6. […] autores compreendem sobre a regularidade da prática maçônica), o Rito Francês tem adotado os de J.G. Findel, marcados evidentemente pelos ideias de liberdade de pensamento, igualdade de oportunidades e […]

  7. Acredito eu, que no item 4.
    “4. – Para ser iniciado é necessário ser homem livre e de bons costumes, ter liberdade espiritual, cultura geral e ser maior de idade.”
    Jobson Brito

  8. lendo essa peça, me pergunto:
    onde diz que a mulher não pode ser iniciada ?
    TFA


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