X de Xenofobia

 

 Tradução José Filardo

Por Ir.´. John Hayes

Xenofobia é “medo e ódio de estranhos ou estrangeiros, ou de qualquer coisa que seja estranha ou estrangeira,” de acordo com o Merriam-Webster Medical Dictionary, © 2002 Merriam-Webster, Inc.

“Preconceito contra as mulheres não pode ser considerado xenófobo no sentido que ele ‘implica uma crença, precisa ou não, de que o alvo é de alguma forma estrangeiro ‘,” entona a Wikipedia sobre xenofobia, “exceto no caso limitado do clubes ou instituições exclusivamente masculinas.” Opa! isso significaria nós?

Eu estava fazendo um pouco de pesquisa sobre xenofobia para este artigo e dei de cara com esta frase enterrada entre as referências a “racismo”, “estrangeiros”, “genocídio” e “expulsão de massa,” que nos dá uma ideia do fim último de xenófobo, talvez. Mas ela também me preocupa, pois se a Maçonaria é em alguns sentidos importantes xenófoba, e se ela também pode ser descrita usando o restante das palavras acima, como é ela um “sistema de moralidade”? Ou, pelo menos, como podemos ser acusados de “tornar melhores os homens bons” enquanto somos, ao mesmo tempo, xenófobos?

Xenofobia é, obviamente, uma palavra grega (acenos e piscadelas para O Casamento Grego, bem como vários irmãos muito conhecidos), xenos significando estrangeiro e phobos significando medo. Isso eu pude deduzir da minha própria cabeça. Também é uma palavra que não se desviou de suas raízes. Ainda, de certa forma, significa medo de estrangeiros.

O elemento fobia, no entanto, merece alguma discussão. No jargão moderno, -fobia não é usado apenas para descrever algo temido. Homofobia não é, francamente, o medo de homem. Ele se transformou para significar uma antipatia ou ódio aos homossexuais, que não é insinuado na raiz da palavra. Assim funciona a xenofobia, pois nós a vemos em toda parte, transformando medo em ódio.

Onde em Maçonaria encontraremos um “medo e ódio a estranhos ou estrangeiros, ou qualquer coisa que seja estranha ou estrangeira”? Onde, realmente.

Poderíamos começar em qualquer lugar que diz de um irmão em potencial que ele estaria mais confortável “com os seus iguais”. Nós poderíamos começar no Sul do Estados Unidos e em outras partes da América e em outros lugares igualmente em negação.

Mas podemos também olhar para qualquer lugar que fala sobre “não fazê-lo dessa forma,” pois isso é simplesmente um medo ou ódio a tudo que é estranho ou estrangeiro. Se um irmão de 30 anos acostumou-se fazê-lo de uma maneira e somente de uma maneira, que é sua reação quando ele diz “esta não é a maneira como é feito nessa loja” senão a reação de um xenófobo?

E que tal os sobre lugares onde não podemos considerar certas ideias ou práticas porque elas são muito francesas, muito Inglesas, muito Europeias ou demasiadamente americanas, todas as nacionalidades que inspiram antipatia ativa e aguda em algumas áreas? Esta é uma simples reação xenófoba, mas ela leva ao ódio ou no mínimo a antipatia. E, se é encontrada pelo “outro lado,” é rapidamente correspondida, acredite em mim.

Qualquer lugar que rejeita ideias ou pessoas porque elas pertencem a um grupo identificável que não somos nós, este é um lugar onde eles precisam se conformar em ser xenófobos. Tenho a certeza de que você pode pensar em situações semelhantes, mas acho que eu identifiquei três que poderíamos passam muito bem sem eles na Maçonaria.

Número 1: Racismo

O primeiro é, naturalmente, racismo puro e simples. “Não na Maçonaria!” você exclama, mas podemos assegurar-lhe que ele está lá, e predomina em alguns lugares.

É fácil apontar para o Alabama ou o Texas, então vou evitar fazê-lo. O racismo não está limitado à antiga Confederação, embora você vai encontrá-lo mais generalizado e abertamente lá do que em outros lugares. No entanto, isso não é uma anedota localizada no Sul; é completamente verdade.

Conheço um homem que se mudou para Washington, DC, há alguns anos e tornou-se amigo de um Afro-americano em seu local de trabalho. O primeiro homem é caucasiana e é um Maçom. Seu amigo se interessou pela Maçonaria, e o homem levou seu nome à atenção dos irmãos da loja à qual ele havia se filiado na área de DC. Sua sugestão de que ele tinha um candidato foi saudada inicialmente com entusiasmo – os membros são a força vital da organização, etc. etc…. Somente quando ele deu os detalhes – que o peticionário potencial er um afroamericano – a música mudou. “Ele estaria mais confortável dentro das paredes da Prince Hall,” disseram ao padrinho. “Tenho certeza ele é um homem bom, mas ele teria mais em comum com os irmãos de lá.” Tudo direito e correto, exclusivamente sobre o bem-estar do novo irmão.

Mas também baseado em nada, a não ser a cor da sua pele. Sua raça. Isso não seria tolerado em outro aspecto do mundo, tal como a práticas de contratação , ou elegibilidade para bolsas de estudo, moradia ou algo parecido. Certamente não em Washington. Mas aparentemente está tudo bem em Maçonaria.

Você consegue ver alguém dizendo que o garoto de um bom estudante, mas que ele iria se sentir mais confortável em uma Universidade somente para negros, ao invés daquela grande na cidade, então ele deveria frequentar lá? Você consegue ver alguém dizendo que a família é muito agradável, mas que eles estariam muito mais confortáveis lá no subúrbio Afro-americano, e que eles realmente não devem comprar uma casa neste bairro somente de brancos?

Talvez você possa, mas este seria em um filme em preto e branco (se vocês me perdoam o trocadilho), não em política organizacional do século XXI.

Entre as notas de rodapé tristes de tudo isso está que o irmão que eu conheço que não teve qualquer problema em controlar esta linha. Ele recomendou ao seu amigo que ele solicitasse o ingresso nos maçons Prince Hall e ignorou o racismo subjacente que tornou quase impossível para alguém de fora – definido como tal pela cor da sua pele – ser admitido em uma loja de maçons livres e aceitos. Embora o sistema com que ele estava lidando precise ser alterado, ele também deixou de lado.

Vimos a xenofobia em ação.

Número 2: Medo da Mudança

Um oficial na minha loja era cuidadoso sobre seu ritual, e ele lia e relia o livro, de modo que ele estava muito familiarizado com ele. Ele se tornou tão sólido que apenas depois de alguns anos ele podia responder perguntas que homens buscando obter suas joias de 50 anos não conseguiam, e isso influenciava seu trabalho.

Um dia em uma sessão, ele fez o que era literalmente exigido no ritual e não se levantou quando bateu para abrir a loja (ele era um vigilante). Na abertura, o Venerável bate uma vez, seguido pelo Primeiro Vigilante e, em seguida, o Segundo Vigilante. O livro nada diz sobre se levantar até a linha seguinte, quando todos, exceto o Venerável devem se levantar. Assim, ele não se levantou quando bateu, apesar de ele tivesse visto feito dessa forma em nossa loja, ate onde ele podia se lembrar.

Um PM mais antigo estava acenando-lhe para se levantar depois de ter batido, mas ele não achava que estava certo fazer algo que não estava no ritual, então ele continuou sentado.

“Você tem que se levantar quando bate o malhete”, disse o PM, em uma voz amável.

“Eu olhei no ritual, e você não deve ficar de pé até que o Venerável golpeie para o conjunto da loja”, ele respondeu.

“Deixe-me ver,” disse o velho PM bastante friamente, antes de folhear as páginas de seu ritual. “Bem,” ele disse, “Tenho certeza que está aqui em algum lugar.”

O maçom mais jovem tinha certeza de que não estava lá e disse isso de uma forma educada. Ele disse que achava que não era a forma certa de fazê-lo, pois não estava especificado.

O PM mais antigo, em seguida, levantou-se e trovejou, “Você vai fazê-lo dessa forma nesta Loja. Nós sempre o fizemos dessa forma.”

Agora eu sei que o velho PM fora ensinado que esta era a maneira que tinha que ser feito, quando ele passou pelas cadeiras. E ele ensinou muitos outros a fazer o mesmo, assim de certa forma sugerir-lhe que o homem mais jovem saberia mais sobre o ritual não seria um comentário, mas uma afronta em seus olhos.

Além disso, não há nada de errado em ficar de pé quando você bate para abrir a loja. Como eu disse, o ritual é omisso sobre o assunto. Alguém poderia ter feito progressos dizendo “É uma tradição da loja, mesmo que não esteja no ritual”. Mas essa não foi a maneira como aconteceu.

O velho PM tinha pensado que ele estava seguindo o ritual, e quando ele descobriu que ele não estava, ao invés de dizê-lo, ele latiu uma ordem de que seria assim. Porque “Nós sempre o fizemos dessa forma”.

Bem, este é um tremendo bom motivo. A gente se pergunta como foi que conseguimos ter luzes elétricas nas salas de loja.

Mas isso é xenofobia em ação, de acordo com nossa definição acima. A ideia de não ficar de pé que levou à ofensa do velho PM é um exemplo de algo que “é estranho ou estrangeiro.” Sua reação indicaria que ele tem um “medo e ódio dele” bastante sólido.

Meu comentário sobre isso é que a xenofobia está em toda parte, e nem sempre é algo tão significativo quanto o racismo. Mas, o ódio e o medo são ódio e medo, e enquanto Maçons somos intimados ser contemplativos e ter a mente aberta, buscando compreender e tentar construir, ao invés de derrubar. Se ignoramos a xenofobia de que podemos ser vítima, nós acharemos difícil superá-la e realmente viver de acordo com os princípios exigidos de nós.

Número 3: Insularidade

A palavra “insular” vem do latim insula, ou ilha. Vamos descobrir que aqueles que vivem em conchas auto-impostas pelas quais todo mundo de fora se torna estranho de alguma forma grave, rapidamente se torna insular – isolado tanto física quanto intelectualmente. Encontraremos esta forma de xenofobia predominante em toda a Maçonaria, e é um aspecto pernicioso dela.

“Nós não seremos capazes de levá-los a fazê-lo dessa forma,” escreveu um homem sobre uma boa ideia para melhorar a sua loja. “É francês demais para os irmãos, e quando eles descobrem que a ideia surgiu na França, eles vai rejeitá-la”. E, assim, uma loja é empobrecida.

Por que isso é o que a insularidade contribui para a loja: pobreza. Geralmente, a pobreza é intelectual, mas também pode provocar pobreza monetária real. Vamos olhar para este tipo de xenofobia e examinar de onde ela vem.

Você verá na maioria das lojas muitas armadilhas de patriotismo. Há bandeiras do país, do estado ou da província, ou muitas vezes são. Há um juramento à bandeira, às vezes, o hino nacional é cantado. Estas são geralmente positivos, pois celebrarmos os princípios de lealdade ao país. Mas eles podem se tornar chauvinista e negativo se não nos policiarmos, como fizeram com a loja acima, rejeitando uma boa ideia, só porque alguns caras poderiam descobrir que os franceses fizeram aquilo primeiro.

O que isto cria é uma incapacidade permanente de introduzir mudanças na loja. Vemos isso em nossa jurisdição, não nas celebrações intermináveis de como somos ultra-patriotas que vemos em alguns lugares, mas em uma polinização cruzada entre os dois ritos praticados aqui. Nós temos os ritos Canadense e York Antigo ou Americano, e nós temos lojas que trabalham neles, e irmãos que se visitam regularmente. Isso traz alguma mistura nos ritos, como quando uma loja é fechada no Rito Canadense, mas a formulação utilizada é a do Antigo Rito de York. “Muito daquela influência americana,” você pode ouvir, geralmente dito em tom de brincadeira amigável. Não estou certo se um americano ouvir isso, e existem muitos americanos aqui, ele achasse isso muito positivo, mas talvez ele o fizesse.

Há um movimento em andamento nos círculos maçônicos para retornar a um enfoque mais tradicional para suas lojas, e isso é chamado de movimento TO ou EC. TO designa “Observância Tradicional.” EC significa “Conceito Europeu.” O uso dessas palavras tem feito tanto para prejudicar este movimento nos Estados Unidos como qualquer outra coisa. Há uma crença real de que adotar qualquer coisa que pudesse ser chamada “Conceito Europeu” seria rejeitar a “American Way”, e fazer isso seria antipatriótico. Com todo o patriotismo exigido dos maçons americanos em suas lojas, este é um problema e poderia muito bem prejudicar o Ritual Inglês nos Estados Unidos devido a alguma falta de vontade de usar conceitos maçônicos perfeitamente legítimos, conceitos que as lojas americanas seguiram quando foram fundadas há 200 anos. Só porque eles são agora chamados “Europeus”.

E assim, podemos ver que a xenofobia sobre algo pequeno pode levar a danos significativos e limitações à instituição da Maçonaria baseado em que? Um rótulo? Um equívoco? Um excesso de ênfase em elementos patrióticos do Craft e uma deficiência de ênfase nos elementos internacionalistas, no “universalismo” do Craft.

Mas tudo não é assim fácil, apenas linhas retas entre questões e reações xenófobas. Enquanto maçons, devemos nos ater a um padrão mais elevado. Quantas vezes ouvimos isso?

E quantas vezes nos dizem sobre o trivial e sobre o significativo que não precisamos de conselhos de “estranhos”? “Fique fora dos nossos assuntos,” “vocês, caras da cidade não entendem de lojas do interior”, ou vice-versa, “nós não precisamos que qualquer nortista venha nos dizer o que fazer,” etc. E, com isso, mudança de vestimenta, questões de raça e interstícios de grau, álcool nos recintos das lojas, rifas, pronúncia de palavras importantes, qualquer número de questões, é adiado, deixado de lado, e a discussão é movida da questão para uma onde são os estranhos nos dizendo como agir.

Já vi muitos maçons dizer que “Toda Maçonaria é local”. Embora este às vezes seja um conceito muito bom, ele também se presta aos piores de nossos impulsos xenófobos.

Como chegamos a um acordo com isso?

Liderança deve se pronunciar fortemente contra a xenofobia sempre que ela ergue sua cabeça. Educação expande a mente e quebra o tipo de padrão de pensamento que torna tudo como é feito no Vale local ou no morro local a maneira como deveria ser feito em nível mundial.

Um maçom online, cerca de três anos atrás, quis saber por que as lojas da Grande Loja Unida da Inglaterra “não fazem isso da maneira certa.” Eu me esqueci qual era a questão efetiva. Eu suspeito que tinha a ver com os requisitos de vestimenta um pouco mais formais na Inglaterra e a apropriação indébita da ideia que não são as qualidades externas, mas as qualidades internas de um homem que a Maçonaria valoriza. No entanto, para que qualquer um reivindique que a GLUI faz errado e sua própria loja local faz certo, que as tradições locais se impõem sobre a Grande Loja Matriz do mundo, bem, isso é o máximo em desinformação e xenofobia a que se pode chegar. Mas o fundamental é que é desinformada. Pode-se argumentar que a GLUI (ou qualquer outra loja) está errada, mas é preciso explicar. Simplesmente recitar alguns slogan contra 250 anos de prática, bem, isso apenas não é suficiente.

Educação é a solução para o pensamento xenófobo. Não a educação em catecismos maçônicos, que absolutamente não é educação, mas prática ritual. Educação: Política em países estrangeiros. Maçonaria na história. Ciência através dos tempos e especialmente hoje. Diferenças de fé ao longo do tempo e lugar. Etc. Etc.

Xenofobia é simplesmente a fonte das áreas mais deterioradas do mundo maçônico. Se há um problema grave que não está sendo tratado, você certamente pode culpar a xenofobia, pelo menos em parte. Cabe-nos fazer todo o possível para eliminá-lo, hoje e todos os dias. Aqui e em todos os lugares.

– Fonte: Knights of the North Masonic Dictionary

Publicado originalmente em: http://www.masonicdictionary.com/xenophobia.html

 

Publicado on dezembro 14, 2012 at 3:51 pm  Comments (1)  

The URI to TrackBack this entry is: https://bibliot3ca.wordpress.com/x-de-xenofobia/trackback/

RSS feed for comments on this post.

One CommentDeixe um comentário


Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: