Teia de Mentiras – 11 de Setembro

Áudio Recém Publicado Oferece Visão dos Ataques de 11/09 em Tempo Real

Por  JIM DWYER  

Por um instante na manhã do dia 11 de setembro, um avião que havia desaparecido de todos os dispositivos de monitoramento da aviação moderna, de repente tornou-se visível em seus segundos finais para as pessoas que tinham estado tentando encontrá-lo.

Foi logo depois de nove da manhã, 16 minutos após um avião ter atingido a torre norte do World Trade Center, quando uma transmissão de rádio entrou no centro de radar do controle de tráfego aéreo de New York. “Ei, você pode olhar pela janela agora?”, disse o interlocutor.

“Sim”, disse o gerente de controle de radar.

“Você pode… você pode ver um cara cerca de 4.000 pés, cerca de 5 graus a leste do aeroporto, agora, parece que ele está…”

“Sim, eu o vejo”, disse o gerente.

“Você viu aquele cara, olha, ele está descendo para o edifício também?” perguntou o interlocutor.

“Ele está descendo realmente rápido demais, sim”, disse o gerente. “Quatro mil e quinhentos agora, ele simplesmente caiu 800 pés em algo como, uma varredura”.

“Que tipo de avião é aquele, alguém podem dizer?”

“Eu não sei, vou ler em um minuto”, disse o gerente.

Não houve tempo de lê-lo.

No fundo, as pessoas podiam ser ouvidas gritando: “Outro acaba de atingir o edifício. Puxa vida! Outro acaba de atingi-lo com força. Outro acaba de atingir o World Trade”.

Disse o gerente.

“O prédio inteiro simplesmente desmoronou”, disse ele.

Esse momento faz parte de uma crônica recém publica das respostas da aviação civil e militar aos sequestros que originalmente havia sido preparada por investigadores da Comissão 9/11, mas nunca foi concluída ou lançada.

Encadeada em narrativas vivas que cobrem cada um dos quatro aviões de passageiros, o documento multimídia contém 114 gravações de controladores de tráfego aéreo, oficiais da aviação militar, companhias aéreas e pilotos de caças, bem como dois dos sequestradores, que se estende por duas horas da manhã de 11 de setembro de 2001.

Embora parte do áudio tenha surgido ao longo dos anos, principalmente através de audiências públicas e um julgamento criminal federal, o relatório oferece uma rara visão de 360 ​​graus de acontecimentos que se desenrolavam em alta velocidade em todo o Nordeste dos Estados Unidos nos céus e na terra. Esta semana, o documento completo, com as gravações, está sendo publicado pela primeira vez pelo  Rutgers Law Review , e trechos dele  estão disponíveis online em nytimes.com .

“A história do dia, do próprio 11/09, é mais bem contada nas vozes de 11/09”, disse Miles Kara, um coronel do Exército aposentado e investigador para a comissão  que estudou os eventos  daquela manhã.

A maioria dos trabalhos realizados sobre o documento – que membros da equipe da comissão chamaram de “monografia de áudio” – foi concluída em 2004, não a tempo de passar por uma longa revisão legal antes que a comissão fosse dissolvida em agosto.

O Sr. Kara rastreou os arquivos eletrônicos originais no início deste ano no Arquivo Nacional e terminar sua revisão e transcrição com a ajuda de estudantes de direito e de John J. Farmer Jr., o reitor da Rutgers Law School, que trabalhou como consultor sênior para a comissão.

Em audiências em 2003 e 2004, a Comissão 9/11 ouviu algumas das gravações e disse que os controladores civis e militares improvisaram ​​respostas aos ataques para os quais eles nunca tinham sido treinados. Às 9 da manhã, um gerente de controle de tráfego aéreo em Nova York telefonou para a  Federal Aviation Administration  com sede em Herndon, Virgínia, tentando descobrir se os funcionários da aviação civil estavam trabalhando com os militares.

“Você sabe se alguém lá fez qualquer coordenação para lançar caças”, o gerente perguntou, continuando: “Temos várias emergências acontecendo, acontecendo aqui, está crescendo muito, muito mesmo, e precisamos ter os militares envolvidos com a gente.”.

Um avião já havia se chocado contra a torre norte do World Trade Center. Outro tinha sido sequestrado e estava a segundos de bater contra a torre sul. Na sede da FAA, ninguém tinha pressa.

“Por que, o que está acontecendo?” perguntou o homem em Herndon.

“Simplesmente consiga alguém que tenha autoridade para colocar os militares no ar, agora”, disse o gerente.

Em seu relatório de 2004, a comissão elogiou os funcionários de linha de frente da aviação. Mas, ela então desmantelou completamente as narrativas de altos funcionários do governo, que nas semanas após o 11 de setembro, e por mais de um ano depois disso, asseguravam ao público que os pilotos de caça tinham estado em perseguição aos sequestradores suicidas. Durante essas perseguições, de acordo com narrativas do vice-presidente Dick Cheney, a FAA e o Departamento de Defesa, os pilotos foram descritos como prontos para realizar uma ordem violenta do presidente George W. Bush para derrubar aviões.

A comissão descobriu que pouco disso era verdade: dos quatro voos, os comandantes militares foram avisados com nove minutos de antecedência sobre um deles, antes que ele voasse contra o World Trade Center, e não soube que os outros três tinham sido sequestrados até depois que eles tivessem caído. Os comandantes militares, diante de uma ordem fora da cadeia de comando para abater aviões sequestrados, não a passaram aos pilotos de caça, mas os instruíram, ao invés, a identificar os números de cauda de qualquer avião suspeito. O que acabou por ser uma jogada prudente porque até então, não havia mais sequestradores no ar em quem atirar.

Os documentos de multimídia recém-publicados explicam exatamente como as gravações contradizem as narrativas dos altos funcionários.

Ao longo das gravações, os ouvintes também obtêm uma sensação visceral da corrida desesperada por informações, bem como a confusão e falta de coordenação entre as autoridades da aviação civil e militar. Um exemplo é um diálogo que começou às 9:34 da manhã.

Um oficial da aviação militar contatou o centro de Washington da FAA para discutir a situação, e ficou sabendo, para sua surpresa, que o voo 77 da  American Airlines  tinha desaparecido mais de 30 minutos antes. Ninguém havia contado aos militares.

“Eles perderam contato de radar com ele, eles perderam contato com ele, eles perderam tudo, e eles não têm nenhuma ideia ele está ou o que aconteceu”, disse um funcionário não identificado da FAA. O avião era um 767, ele disse, explicando que ele havia obtido suas informações do centro da FAA de Indianápolis.

“Tudo que eu preciso é latitude e longitude, última posição conhecida do 767”, pediu o oficial militar.

“Bem, eu não sei”, respondeu o funcionário da FAA. “Isso foi Boston, isso foi Indy Center. Mas, eles disseram algum lugar, que era, da última vez que falei com eles, eles disseram que era a leste de York. E eu nem sei em que estado é. ”

O Voo 77 se chocou contra o Pentágono, três minutos depois.

Quase ao mesmo tempo, um comandante militar, o Major Kevin Nasypany descobriu que alguns dos pilotos de caça haviam sido enviados para leste de Washington, sobre o oceano, em busca do Voo 11 da American Airlines – que havia caído se chocado uma hora antes contra a torre norte do World Trade Center.

O Major Nasypany ordenou-lhes que seguissem em direção a Washington em alta velocidade. “Eu não me importo quantas janelas você quebrem”, disse ele.

No relato publicado esta semana estão faltando duas peças essenciais que permanecem restritas ou classificadas, de acordo com o Sr. Kara. Uma deles é sobre os 30 minutos da gravação da cabine do voo 93 da United Airlines, que caiu depois que os passageiros tentaram invadir a cabine quando os sequestradores voavam através da Pensilvânia em direção a Washington, DC. As famílias de algumas dessas à bordo se opuseram à liberação da gravação , disse o Sr. Kara.

A outra gravação ainda secreta é de uma teleconferência de alto nível que começou às 09:28 e cresceu, naturalmente, ao longo da manhã, para incluir figuras importantes como o Sr. Cheney, o secretário da Defesa Donald H. Rumsfeld e o vice-presidente da Joint Chiefs of Staff, General Richard B. Myers.

A gravação foi entregue ao Conselho de Segurança Nacional. Não foi permitido à Comissão 9/11 manter uma cópia dele ou da transcrição, disse o Sr. Kara, e os investigadores foram cuidadosamente monitorizados quando a escutaram. O Sr. Kara disse que acreditava que o único material realmente sensível sobre as gravações eram pequenas partes que diziam respeito às disposições sendo feitas para continuar as operações do governo se os ataques matassem algumas lideranças nacionais ou destruíssem instalações.

“Havia um funcionário que foi designado para se sentar conosco, que iria parar e reiniciar a fita, na minha opinião para mascarar a continuidade de operações”, disse o Sr. Kara.

No entanto, observou ele, a comissão acabou por ficar com horas e horas de gravações a que ela inicialmente não teve acesso ou que lhes tinha sido dito que não existiam, um ponto que o Sr. Farmer ecoou no prefácio ao artigo da Rutgers Law Review.

Quando a comissão começou a tomar depoimentos, funcionários da aviação civil e militar disseram que “nenhuma gravação havia sido feita, e nos foi dito em um determinado momento que uma avaria técnica nos impediria de ouvi-los”, escreveu o Sr. Farmer. “Se não tivéssemos pressionado forte como fizemos – em última análise, convencendo a comissão a usar seu poder de intimação para obter os registros – muitos dos diálogos críticos naquela manhã poderiam ter sido perdidos para a história.

http://see.sc/jJ57J3

 

Publicado on setembro 8, 2011 at 11:36 am  Deixe um comentário  

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