O esoterismo dos construtores de catedrais.

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Tradução J. Filardo

Por Jean van Win

A frase composta para o título consiste em três conceitos distintos: primeiro, o de esoterismo, em seguida, o de construtores e, finalmente, o das catedrais que são os monumentos mais grandiosos do catolicismo romano.

Estes três elementos justapostos refletem uma crença compartilhada por certos maçons: os construtores de catedrais praticavam entre eles, e gravavam nas pedras das igrejas, colégios e catedrais, mensagens e sinais de esoterismo, que para alguns autores do final do século XIX, se tornam pura heresia ou anticlericalismo se não ateísmo.

Vejamos rapidamente cada um desses conceitos separadamente, antes de compreender, porque é muito mais uma questão de compreender que de aderir.

O esoterismo.

O esoterismo é uma maneira de pensar sobre a vida interior e que se manifesta na discrição, mesmo em segredo. Assim como o símbolo, de que só alguns podem entender o significado, escreve Marie-Madeleine Davy em sua indispensável “Introdução ao simbolismo romano”, publicado pela Editora Flammarion.

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Published in: on julho 17, 2017 at 5:48 pm  Comments (1)  
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O GRAU de MARCA

Tradução José Filardo

Por Craig Gavin

Publicado na Revista Square – vol 25, setembro 1999

 O Avental do Maçom de Marca

A Marca é uma das ordens mais bem sucedidas ‘além do Craft ou Simbolismo’. Na Inglaterra e País de Gales, ele é considerado um grau completamente separado, devido ao confuso compromisso que criou a Grande Loja Unida da Inglaterra em 1813, e que, na verdade, alienou todos os graus fora do Craft, com exceção do Arco Real. No resto do mundo, ele retém a ligação tradicional com os Antigos, na medida em que faz parte de uma estrutura dentro da Maçonaria em geral. Este é certamente o caso na Escócia (onde é administrada por Grande Capítulo), Irlanda; e nos EUA (onde é administrado dentro do grupo do Arco Real) ele é parte integrante do rito de York.

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Published in: on agosto 12, 2015 at 3:11 pm  Deixe um comentário  
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O que olha o olho que tudo vê?

Tradução José Filardo

Por Guy Chassagnard

Do antigo Egito, muito antes de os autores do Antigo Testamento escrevessem suas primeiras linhas. O olho que tudo vê, é principalmente o Olho de Hórus, também chamado de Olho Oujdat (completo). Vamos dar uma olhada na história.

Enciumado com de seu irmão, Seth mata Osíris a quem decepa em pedaços; mas Isis, a esposa do Faraó, consegue restaurar seu corpo e devolver-lhe a vida, em tempo de conceber Hórus. Mais tarde, durante uma luta pelo poder, Seth arranca o olho esquerdo de Hórus. Daí a intervenção do deus Thoth para restaurar a integridade física do filho de Osíris.

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ANAIS DO COLÉGIO INVISÍVEL-II

JOSCELYN GODWIN

Tradução: S.K.Jerez

IV

Pitágoras

Podemos duvidar que Pitágoras tinha uma coxa de ouro e que podia ouvir a música das esferas. Mas, contrariamente aos nossos temas anteriores – Hermes Trismegisto, Zoroastro e Orfeu – não podemos questionar sua existência. Nasceu no princípio do século sexto a. C. na ilha Egéia de Samos; passou anos no Egito e na Caldéia e a última parte de sua vida em Crotona, na costa sul da Itália. Ali tinha sua família e fundou uma escola de filosofia, morrendo em idade avançada.

Com a chegada de Pitágoras, aquilo que é místico e misterioso em Orfeu se aproxima mais da realidade concreta, e o Colégio Invisível começa a tomar forma. A lira de Orfeu, que encantava tudo, desde as pedras até os deuses, se converteu nas mãos de Pitágoras em um instrumento científico utilizado para atuar sobre as emoções humanas.

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ANAIS DO COLÉGIO INVISÍVEL – I

 

Por JOSCELYN GODWIN

Tradução: S.K.Jerez

I

A Tradição Hermética

http://www.symbolos.com/s11godwin_tradicion_hermetica.htm

De todas as tradições espirituais conhecidas em Ocidente, a de Hermes, o três Vezes Grande, pode vangloriar-se de ser a mais antiga. Exposta a alterações pelo transcurso do tempo, a Tradição Hermética se arraiga no passado egípcio mais remoto. Ali cai a máscara de Hermes para revelar Thot, o da cabeça de íbis, o primeiro doador do conhecimento à humanidade. Este conhecimento ainda perdura entre nós conservado através de séculos por uma invisível comunidade de adeptos conhecidos e desconhecidos.

Um Deus doador de conhecimento difere muito de um Deus salvador sofredor como Osíris, ou de uma deusa-mãe amante como Ísis. Cada aspecto da divindade apela a um tipo psico-espiritual diferente e cada um deles pode conduzir, por diferentes caminhos, para o mesmo objetivo. O caminho que leva ao conhecimento tem um duplo propósito. Primeiro, ensinar técnicas e práticas para superar as limitações humanas como o trauma da morte e, segundo, estudar a ordem cósmica e trabalhar dentro dela. Quando estes dois objetivos coincidem, temos uma forma de hermetismo.

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Published in: on fevereiro 7, 2014 at 9:55 am  Deixe um comentário  
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A Letra G Maçônica, uma interpretação

Paul Foster Case

Tradução de S. K. Jerez

 

Introdução

Paul Foster Case (1884-1954), autor deste tratado, é conhecido por estudantes de ocultismo como uma proeminente autoridade de Tarot, Cabala, Alquimia e assuntos relacionados da Tradição Oculta Ocidental. Suas outras publicações, incluindo a Ordem Rosacruz Verdadeira e Invisível; Tarot, chave para a sabedoria dos tempos; O grande selo dos Estados Unidos, a linguagem mágica; O Livro de Tokens, testemunham a sua profunda visão e sua abordagem maravilhosamente compreensível para esses assuntos.

O presente trabalho deixa claro que seus conhecimentos incluiam um domínio profundo da tradição maçônica. Nele, ele desenvolve a ligação inconfundível que existe entre os graus e rituais maçônicos e a tradição cabalística. Mostra que a Maçonaria não pode ser plenamente apreciada ou compreendida sem o conhecimento da Árvore da Vida cabalística e sua visão sobre a verdadeira natureza do homem e do cosmos. Um dos notáveis conceitos que ele explora é a relação entre a geometria, na qual o edifício e o simbolismo arquitetônico da Maçonaria estão baseados, e a Gematria dos cabalistas, que é um sistema de correspondências numéricas para palavras e frases que revela os significados subjacentes aos números, medidas e proporções geométricas que ocorrem tanto no Antigo como no Novo Testamento.

As contribuições de Paul Case para os estudantes da espiritualidade vai além das obras mencionadas acima. Ele fundou a Builders of the Adytum[1], uma organização religiosa sem fins lucrativos, que divulga um sistema de formação espiritual com base em suas obras, sob a forma de lições graduais por correspondência. É um sistema que permite aos aspirantes sinceros dos dias de hoje receberem treinamentos que em épocas passadas estavam disponíveis apenas para os poucos que podiam entrar em uma escola de mistério e se retirar, pelo menos temporariamente, da sociedade e das preocupações do mundo exterior.

Um Mestre da Escola Oculta deu a Paul Case a incumbência de preservar, ampliar e atualizar a Sabedoria Antiga que existe desde o início do mundo. Sua notável contribuição é ter-nos deixado um sistema claro e gradual para desenvolvimento espiritual, que nos permite manter totalmente nossas relações e responsabilidades no mundo moderno, enquanto gradativamente nos revela uma visão sobre o que há de mais elevado.

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SIMBOLOGIA MAÇÔNICA

O TRIÂNGULO DE SABEDORIA

Tradução José Filardo

O tema genérico do triângulo já foi tratado em profundidade por muitos autores que agregaram elementos históricos, geométricos, de arquitetura e esotéricos. Às vezes, esse triângulo tem uma função ocultas ou secretas e diante das muitas perguntas sobre os detalhes específicos dessas formas triangulares, é útil resumir sua presença nos símbolos que permeiam todos os Ritos “maçônicos” ou correntes exotéricas e ocultas referindo-se a outras “Vias Iniciáticas”… Esse lembrete, publicado sobre a evolução do triângulo não pretende ser exaustivo, pelo contrário, é simplesmente um olhar sobre algumas maneiras de abordar o “Triângulo” para que ele seja ativo…

DO PONTO AO TRIÂNGULO

Nesse local: “Você pode ver ali a construção do Triângulo de nossa Sabedoria antiga! Muitas longas tarefas esperam por você para fazer nascer a luz em você, a luz que você está procurando!…”

Tendo recebido esse símbolo nos primeiros momentos da cerimônia de Iniciação, o questionamento é particularmente mais vivo em descobrir que essa forma representa a figura geométrica primitiva sucedendo ao ponto isolado e uma linha reta traçada; as duas primeiras expressões desenhadas sobre uma superfície plana. Assim, esse triângulo tem suas origens nos primeiros estágios da humanidade e se torna rapidamente a base de vários traçados, planos, principalmente transpostos para edifícios que foram projetados pelos construtores dessas civilizações distantes. Já na Mesopotâmia desenhos de triângulos são visíveis sobre cerâmica perto de 7.000 anos a.C. Em seguida, os sumérios usaram com frequência triângulos que faziam parte de seus costumes.

O auge da devoção aos triângulos floresceu no Egito, onde representa praticamente a seção vertical da construção das pirâmides, assim como de suas faces. Esse traçado é então elevado ao grau de divindade e sua forma responde a dimensões precisa. A importância desse símbolo contribuiu para carregar significados divinos até lhe impor o valor de “criação do mundo.”

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Opinião: O cerne da crise da maçonaria no Brasil nos grandes centros.

José Filardo, M.´. M.´.

Qualquer análise da crise da Maçonaria precisa levar em conta que ela não é a única instituição que está perdendo membros ou que perdeu o apelo às novas gerações. Mas, no que nos concerne, é preciso discutir essa crise para tentar, senão resolvê-la, pelo menos reduzir sua intensidade ou interromper suas consequências.

Um problema de natureza geral afeta a Maçonaria e, particularmente o GOB, por sua pluralidade de ritos e rituais. Mister que seja dito que a pluralidade de ritos e rituais, em que pese seu caráter distrativo em relação à ação que se espera dos maçons, tem um caráter cultural importantíssimo, vez que sua existência nos diferencia de outras associações, ou seja, sem ritual e rito não existe maçonaria. O problema reside na metodologia de recrutamento de novos membros que precisaria ser revista no GOB especificamente. Cada rito tem suas características e que apelam a diferentes personalidades. Assim, o ideal seria que o candidato tivesse a opção de escolher aquele que melhor se ajusta aos seus interesses. Ele deveria passar por um seminário sobre os ritos, definir sua preferência e só então ser encaminhado a uma loja daquele rito mais próxima do endereço de sua residência.

Do ponto de vista geral, como instituição, entendo que as origens da presente situação remontam à crise criada pelo Renegado em 1927, quando a cisão dos supremos conselhos do REAA (que diga-se de passagem, em minha opinião nada têm a ver com Maçonaria) fraturou o edifício da maçonaria e provocou seu desabamento. Por falta de tato e excesso de paixão, aquela crise poderia ter sido resolvida simplesmente com a separação entre o Simbolismo e os Altos Graus, entregando o Supremo Conselho ao Renegado e retendo o controle do GOB sobre o Simbolismo. Isso teria evitado a divisão que se seguiu e que acarretou nas funestas consequências que testemunhamos hoje.

Lemos na excelente “Pequena História da Maçonaria no Brasil” do Ir.´. William de Carvalho (https://bibliot3ca.wordpress.com/pequena-historia-da-maconaria-no-brasil-william-almeida-de-carvalho/):

“Até a primeira cisão de 1927, a história da Maçonaria brasileira se confundia com a história do Brasil. A partir de então, ou seja, no momento em que a Maçonaria deixa de ser um grupo estratégico, a história se bifurca, seguem rumos paralelos, com alguns contatos ocasionais. A partir da gestão de Jair Assis Ribeiro (1983-1993) no GOB assistiu-se a um ponto de inflexão do desenrolar da Maçonaria brasileira. Atualmente cresce a taxas chinesas, mas ainda não voltou a ser um interlocutor estratégico do país, como fora no passado”.

Qual é, portanto, a diferença da Maçonaria de então e a Maçonaria atual?

Vamos abstrair nesse exercício a mudança cultural ocorrida em todos esses anos em relação ao exercício da política. Não podemos esquecer que no século passado estivemos submetidos a duas ditaduras, com suas polícias brutais e suas lamentáveis ações no sentido de matar a militância política e evitar o surgimento de lideranças. Ou seja, o brasileiro tinha muito mais gosto pela política antes da década de 30 do que tem agora.

A meu ver, na Maçonaria, a diferença está na mudança de foco – da realidade social e ação política na sociedade, para o rito, a loja e a política interna. A mudança de enfoque foi provocada, principalmente, pelo deslocamento de ritos que outrora eram marginais para o centro do palco, ritos que por sua riqueza simbólica e elaborada distraem os maçons da ação política e social que caracterizava a maçonaria pré-1927 e que, ausente nos dias atuais, leva os novos membros da ordem ao desencanto e à decepção, vez que são atraídos pela imagem pública criada pela ação daquela Maçonaria, cantada em prosa e verso, e descobrem – depois de suas iniciações e um curto prazo no primeiro grau – que se trata de uma imagem apenas, sem o conteúdo correspondente.

Até 1927, o rito do GOB por sua estrutura enxuta e despojada, quase ascética, servia aos propósitos dos maçons, ou seja, com ele abria-se a loja, lia-se a ata para informação de eventuais ausentes à reunião anterior, e partia-se para uma ordem do dia significativa, em que eram discutidos (geralmente em família), por vezes, até os destinos da nação, e a loja era fechada. Não havia distrações, o rito não era encarado como um exercício em si e privilegiava-se a ação fora de loja. A Maçonaria era um meio de se atrair e congregar lideranças políticas, empresariais, sociais, etc., não a prática de rituais.

Desde 1927, porém, vem-se tentando reconstruir o edifício da Maçonaria, mas perdeu-se de vista aquele objetivo original. Nessa nova construção, os maçons se perdem enfeitando capitéis (ou rituais), volutas, decorando suas “alas” ou “capelas” como se fossem sistinas e o edifício, na falta de um partido arquitetônico único vai assumindo a feição de um Frankenstein. Um grupo quer construir em forma de pirâmide, outro em forma de castelo medieval, outro em estilo “nyemariano”, outro em forma de catedral gótica ou neogótica, mais um em estilo expressionista, e outro em estilo bizantino. No final temos um edifício onde todos estes estilos são usados e o resultado não é nada estético.

Conversando com um irmão que agora é meu parente, no sábado, eu dizia: você é escocista, grau 33 eu sou modernista grau 3. Agora, tirando tudo: rito, parentesco, filiação política, cosmovisão, raça, credo, nacionalidade, o que sobra entre nós se chama maçonaria. Maçonaria, portanto, é aquele relacionamento, aquele elo invisível criado na iniciação e a vontade de realizar alguma coisa em prol da sociedade juntos, usando nossa força combinada, nossos conhecimentos, nossas relações para alavancar essa ação. Não é um visitar a loja do outro apenas. Não é ficar batendo martelo, discutindo sexo dos anjos e comendo pizza. Os maçons estão perdidos nos corredores labirínticos desse monstrengo arquitetônico, distraídos com aventais coloridos, colares vistosos, medalhinhas e homenagens, jogos de poder, enfim, com os detalhes da decoração, enquanto lá fora há um enorme trabalho de arar a terra, semear valores e com eles alimentar a humanidade; defender os injustiçados, defender a comunidade. Assim, eu atribuo a crise da maçonaria à falta de objetivos fora de loja. O novo edifício rococó e disforme não tem apelo entre os jovens.

Isso posto, gostaria agora de abordar a questão específica da crise da maçonaria nos grandes centros.

Tomemos como exemplo uma loja de uma pequena cidade onde praticamente todas as autoridades e lideranças podem ser encontradas na loja. A capacidade de intervenção e ação política e social da loja é exponencialmente incrementada. O risco – e isso acontece com maior frequência do que seria ideal – é o “aparelhamento” da loja por grupos políticos. Sou caipira, e no interior não temos adversários políticos, sempre temos inimigos políticos. A terminologia é importante. Em um caso que conheço, uma facção partidária da cidade assumiu o controle da única loja das Grandes Lojas, passando a iniciar somente os “nossos” e alienando as outras, ou a outra facção partidária na política local. Muito como Montechios e Capuletos. O curioso é que existe uma loja do GOB na cidade, que não conta com membros residentes nela. Foi criada por uma “canetada” de algum Grão Mestre, com o objetivo de demonstrar publicamente uma “expansão” no número de lojas, e essa loja – composta de irmãos de cidades vizinhas e que se reúne em uma terceira cidade – falhou em atrair lideranças na própria cidade, que poderiam ser os membros da facção alienada da loja das Grandes Lojas. Caso isso tivesse ocorrido, poderia ocorrer também uma “maçonização” da política local, vez que em determinados momentos a irmandade poderia prevalecer sobre divergências políticas. No mínimo, teríamos uma disputa mais ética.

Em centros maiores onde existem muitas lojas, eu atribuo o problema à heterogeneidade do quadro das lojas, uma heterogeneidade em sentido espacial. O ideal seria que o “padrinho” encaminhasse o candidato ao Grande Oriente ou Grande Loja e ali fosse realizado o processo de admissão e, se aprovado, o encaminhamento do candidato ao rito mais ajustado à sua personalidade e à loja mais próxima de sua residência. Ironicamente, esta é uma regra que, lembremos, existia nos primórdios da maçonaria especulativa em Londres.

Diferentemente das comunidades menores, onde os problemas existentes afetam a todos os irmãos da loja, nos grandes centros, diferentes regiões das cidades têm problemas que afetam os cidadãos de maneiras e em graus diferentes. Se os candidatos fossem admitidos em lojas próximas à sua residência, todos os irmãos da loja teriam motivações comuns para atuar na comunidade, aumentando assim a probabilidade de restabelecimento do espírito pré-1927. Nas comunidades menores existem resquícios desse espírito. Infelizmente, as distrações dos rituais e ritos embotam os irmãos e os desviam de uma ação maçônica efetiva.

Se escolhermos aleatoriamente uma loja de São Paulo, por exemplo, e plotarmos a localização da residência dos irmãos daquela loja no mapa da cidade, as chances são de que teremos alfinetes coloridos distribuídos por toda a região metropolitana e, em alguns casos até mesmo fora dela.

Ora, os únicos problemas que aqueles irmãos terão em comum serão questões fora do alcance da loja, ou seja, para a solução dos quais as lojas isoladamente pouco podem fazer. São coisas como violência, transporte público, políticas estaduais e metropolitanas, etc.

Porém, se as lojas tivessem como regra a admissão de irmãos dentro de um espaço geográfico delimitado, por exemplo no caso de São Paulo, em nível de sub-prefeitura ou de bairro, os membros da loja teriam problemas e questões em torno dos quais se mobilizar, visto que todos seriam afetados mais ou menos igualmente por aqueles problemas e questões.

As lojas assim constituídas criariam uma associação local nos moldes da ASSOVIO http://assovio.wordpress.com/ através da qual atuariam em seu espaço geográfico. Essa associação seria totalmente desvinculada da loja, em todos os sentidos, exceto quanto ao apoio e orientação legal, financeira, coordenação, troca de experiências com outras Assovios, etc. Serviria ainda para congregar a comunidade expandida da loja e, com base no networking dos irmãos atuaria com grande eficiência.

Não preconizamos aqui a dissolução das lojas atuais. Seriam criadas lojas especiais para as quais seriam convidados irmãos residentes no “distrito” daquela loja. O problema do rito seria contornado com o retorno ao rito tradicional do GOB, o rito sobre o qual nos fala o Ir.´. Joel Guimarães de Oliveira em seu trabalho: https://bibliot3ca.wordpress.com/ritual-da-r%E2%88%B4l%E2%88%B4-de-s-joao-commercio-e-artes-na-idade-de-ouro-1822/. Irmãos de potências diferentes poderiam atuar juntos através da Assovio.

Dessa forma, resgataríamos a Maçonaria brasileira e ofereceríamos uma perspectiva de retorno ao papel que desempenhou na sociedade brasileira e, naturalmente, alterações no processo de recrutamento, em que a ênfase seja colocada no grau de liderança do candidato, na sua capacidade de influenciar a sociedade, muito mais do que se ele acredita ou não em um ser supremo.