Maçonaria na Literatura: “O Cemitério de Praga”

Umberto Eco

“Um dos problemas que enfrentamos foi como caracterizar o general Pike, o grão-mestre da Maçonaria Universal que, de Charleston, dirigia o destino do mundo. Porém, não existe nada mais inédito do que aquilo que já foi publicado.

Assim que iniciamos a publicação de Le Diable, saiu o esperado volume do monsenhor Meurin, arcebispo de Port-Louis – onde diabos ficava isso? – La Franc-Maçonnerie Synagogue de Satan; e o doutor Bataille, que mastigava o inglês, havia encontrado durante suas viagens The Secret Societies, um livro publicado em Chicago em 1873, de autoria do general John Phelps, inimigo declarado das lojas maçônicas.

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A “Tradição dos Antigos”: um mito historiográfico francês

Tradução J. Filardo

Por Roger Dachez

Um ensaio de desconstrução das lendas urbanas que ainda persistem em alguns círculos maçônicos franceses …

À luz do que acabamos de ver, uma realidade simples aparece: o que separava os Antigos e os Modernos na Inglaterra, sobre o plano estritamente maçônico e ritual, representava muito pouco, e esta diferença foi diminuindo rapidamente, ao ponto de que foi muito fácil remover completamente os obstáculos que ainda os separavam no final do século XVIII.

É provável que o caso da lei sobre sociedades ilegais (Unlawful Societies Act) em 1799, tenha levado os dois Grandes Mestres das duas Grande Lojas “rivais” a fazer uma abordagem conjunta junto às autoridades para isentar toda a maçonaria dos rigores da lei, o que marcou uma etapa importante na reconciliação – embora não tenha tido origem em iniciativa das próprias Grandes Lojas! É preciso também refletir, sem dúvida, sobre a eliminação da geração fundadora, fortemente envolvida no período mais violento do conflito, incluindo o próprio Lawrence Dermott, que morreu em 1791.

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Rito Escocês nos Estados Unidos

pelo irmão S. BRENT MORRIS 33° G.C.

Tradução José Filardo

OS ALTOS GRAUS NOS ESTADOS UNIDOS: 1730–1830

A Maçonaria nos Estados Unidos da América teve uma história inicial fora do comum. Importada da Europa – Inglaterra, Escócia, Irlanda, França e Alemanha – tornou-se rapidamente uma das mais importantes organizações coloniais. “Na geração da revolução [americana], a capacidade da Maçonaria de encarnar as diferentes demandas culturais do período deu-lhe um enorme poder.” (1) Ela tornou-se uma organização exclusiva durante a revolução e, em seguida começou a expandir sua base de filiação entre a classe média. É irônico que a Maçonaria Simbólica fosse atacada por sua perceptível influência de elite à medida que começou a aumentar os seus quadros.

Em 1826, em Nova York, William Morgan publicou uma exposição pública de rituais maçônicos. (2) Mais tarde, ele foi raptado por maçons em Canandaigua, Nova Iorque, e em seguida desapareceu. Acreditava-se amplamente que ele tinha sido assassinado como parte de uma conspiração maçônica. O clamor público levou à criação do primeiro “terceiro partido” mais importante na política americana, o Partido Antimaçônico. Em 1830, a Maçonaria estava morta ou adormecida na maior parte dos Estados Unidos. Como Pompéia após o Vesúvio, quase tudo relacionado com maçonaria foi destruído pela erupção da antimaçonaria. Só em 1840 que a fraternidade começou a se recuperar daquele golpe quase fatal.

Assim, podemos perfeitamente enquadrar a época inicial da Maçonaria norte-americana entre dois eventos: a abertura da primeira loja, cerca de 1730 e a quase destruição da Maçonaria cerca de 1830. A Maçonaria cresceu e se desenvolveu nos Estados Unidos durante este período, principalmente através da importação de ritos e graus. As inovações que ocorreram foram refinamentos, não fabricação de graus no atacado. Os maçons americanos pareciam bem conscientes de que sua fraternidade era uma criação europeia e olhavam para aquele continente como a fonte e a origem de tudo o que era “regular” em Maçonaria. Há pouca evidência de criatividade ritual americana naquela época.

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Os Graus Azuis do REAA – Gênese e Evolução

Tradução: Sergio K. Jerez

Por Pierre Nöel[ii], 33, CBCS

Em 1804, os altos graus do REAA foram (re) introduzidos na França por IIr\ que haviam voltado dos EUA, onde o primeiro Supremo Conselho de Grandes Inspetores Gerais havia sido criado, não muito tempo antes, na Carolina do Sul. Esta organização não havia previsto graus azuis específicos e só conhecia os rituais tipicamente anglo-saxões, codificados por Thomas Smith Webb e regidos pelas Grandes Lojas locais.

De volta a Paris, os ex-emigrantes encontraram uma situação confusa, marcada por lutas internas que opunham o Grande Oriente da França às lojas ditas “escocesas”, porque estas não praticavam altos graus reconhecidos por ele. O apoio incondicional dos “Escoceses” permitiu que os recém-chegados estabelecessem uma Grande Loja central escocesa e um Supremo Conselho independentes do GODF[iii]. Indo além de seus inspiradores americanos, eles não se contentaram em conferir os altos graus do Rito, mas redigiram também os chamados cadernos dos graus azuis, que eles apresentaram como os únicos autênticos dos “antigos”. Assim, nasceram as primeiras versões dos graus azuis, chamadas de REAA, que eram praticadas nas lojas contrárias ao GODF. Muito naturalmente, os redatores se apossaram do que seus antecessores haviam criado, e deram à luz rituais sincréticos, misturando tanto elementos da maçonaria francesa clássica, quanto do chamado “Rito Escocês” e, especialmente, contribuições anglo-saxônicas de estilo “antigo”. O REAA azul original foi, portanto, um conglomerado pouco praticável de várias, e, por vezes, contraditórias, influências. A reaproximação subsequente destas lojas com o GODF nada mudou nesta questão até o final do Primeiro Império.

A Restauração viveu, com a independência do Supremo Conselho, um redesenho destes rituais, visando torná-los mais consistentes com o gosto da época. A contribuição britânica foi minimizada, o exemplo do Rito Francês trouxe empréstimos significativos, e a lenda de Hiram foi relida sob uma perspectiva naturalista que ocultava o seu significado original. O positivismo em moda …

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O Rito Francês, oficial em 1802, depois combatido e desaparecido renasce em Portugal

Tradução do Espanhol – José Filardo

Filipe Frade

Primeiramente adotado pelo jovem Obediência Portuguesa, o Rito Francês foi vítima das rivalidades políticas que marcaram o REAA e assim começou o adormecimento do RF. A obstinação dos seus defensores, fieis aos valores adogmáticos e republicanos, e o apoio do Grande Oriente da França (GODF) garantiram seu renascimento.

As primeiras lojas maçônicas apareceram em Portugal por volta de 1735 e imediatamente foram ameaçados pela Inquisição. Em 1801-1802 o Irmão Hipólito da Costa Furtado de Mendonça foi para Londres e obteve uma Patente da Grande Loja. Em seu retorno ele passa por Paris, e também obtém uma patente do Grande Oriente de França (GODF). E foi assim que o Grande Oriente Lusitano (GOL) foi fundado em Portugal em maio de 1802, com um primeiro rito oficial que seria o Rito Francês ou Moderno. Infelizmente sabemos que em julho de 1802, o Irmão Costa foi preso pela Inquisição, da qual fugiria em 1805) e supõe-se que as referidas Patentes foram destruídas.

 

 

Em 1804 foi assinado um tratado de amizade entre a GOL e o GODF e ao nosso conhecimento esse é o mais antigo tratado maçônico existente entre as duas Obediências. A Constituição do GOL de 1806 reconhece o Rito Francês como Rito Oficial. E nos capítulos III e XIII fala-se claramente da formação de diferentes Capítulos e Ordens de Sabedoria do Rito Francês. Uma nova Constituição do GOL reafirma isso em 1821 no mesmo sentido. O REAA somente foi introduzido no GOL em 1837 e o Conselho Superior do REAA em 1844.

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O Rito Escocês Antigo e brasonado …

Tradução José Filardo

por Pierre Mollier

Brasão do grau de “Príncipe do Tabernáculo,” grau 24 do REAA, por Jean-Nicolas Bouilly, 1837 al. SC-GCREAA-GODF PM Foto P.M.

Da Idade Média até o século XIX, a heráldica – a “ciência das armas” – é um forte ramo da iconografia europeia. Além disso, ela não está alheia à questão do símbolo. Portanto, não é surpreendente encontrá-la muito presente na história da Maçonaria. No século XVIII, as lojas tomam as armas como emblemas distintivos e certos sistemas maçônicos, por exemplo, o Rito Escocês Retificado, dotam os titulares dos seus altos graus com brasões. No século XIX, o romantismo e seu gosto “trovador” suscitam a criação de uma heráldica maçônica neo-gótica das mais surpreendentes.

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História da criação do RITO BRASILEIRO

Irm Hercule Spoladore *

Fala-se que o Rito Brasileiro teria tido uma origem aparentemente romântica em Pernambuco, quando comerciante e maçom José Firmo Xavier, pertencente à Grande Loja Provincial de Pernambuco provavelmente pertencente ao Grande Oriente do Passeio, no século XVIII segundo alguns autores em 1878 e segundo outros em data muito anterior ou seja, mais ou menos em 1848, o qual com um contingente além dele e mais 837 maçons, elaboraram uma Constituição Especial do Rito Brasileiro, colocando o mesmo sob a tutela de D. Pedro II e do Papa. Existem depositados na Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro, dois documentos que pertenceram a D. Pedro II que nos dão informações sobre esta entidade e que tem o seguinte enunciado:

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Published in: on novembro 18, 2016 at 9:24 am  Comments (2)  
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O Real Segredo na América antes de 1801

por Brent Morris, 33°, Grã-Cruz
Tradução: S.K.Jerez

Trinta e um de maio de 1801 é a data mais significativa na história dos altos graus da Maçonaria nos Estados Unidos. Naquele dia, o Supremo Conselho Mãe do Mundo foi aberto por John Mitchell e Frederick Dalcho em Charleston, Carolina do Sul, e no decorrer do ano “todo o número de Grandes Inspetores Gerais foi completado agradavelmente com as Grandes Constituições”. Por este ato, a Ordem do Real Segredo, de vinte e cinco graus (muitas vezes chamado de Rito de Perfeição) foi transformada no Rito Escocês Antigo e Aceito, de trinta e três graus.

Antes da criação do Supremo Conselho Mãe, os altos graus foram espalhados por meio de um sistema inconsistente de inspetores, cada um dos quais poderia nomear também um número ilimitado de inspetores, com autoridade ilimitada. Os registros são escassos, mas dois inspetores parecem ter vindo trabalhar no hemisfério ocidental antes de 1761: “Lamolere de Feuillas, feito adjunto antes de 1750, na França, e Bertrand Berthomieu, feito adjunto por Feuillas, em 1753, nas Índias Ocidentais.” Não se sabe se Feuillas ou Berthomieu nomearam novos inspetores.

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Published in: on outubro 8, 2016 at 9:38 am  Deixe um comentário  
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Egrégora – Visão Esotérica (Resposta ao autor do “falso culto”)

 Alfredo Roberto Netto M.'. M.'.

A palavra Egrégora: Esta palavra traz em seu bojo uma peculiar representação plenamente compreendida e assimilada por diferentes linhas esotéricas e/ou espiritualista, inclusive pela Maç.’.

Observa-se, no entanto, alguns IIr\ a questionar a origem desta nomina, refutando sua existência apenas por não a encontrarem nos dicionários de referência da língua portuguesa.

Motivados pela celeuma, optamos por pesquisa mais acurada trazendo para a prancha o resultado deste estudo.

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Published in: on novembro 7, 2015 at 8:44 am  Comments (4)  
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Uma Breve História dos Rituais Maçônicos “egípcios” (1)

Tradução José Filardo

Por Roger Dachez

Os rituais dos graus egípcios têm diferentes fontes, de modo que poderiam ser os conhecimentos de múltiplos fundadores ou refundadores da própria maçonaria egípcia. Sua aparição tardia porém obrigou os autores a incluir, incorporar e reconhecer os numerosos graus que a tradição maçônica já havia produzido durante todo o século XVIII, para lhes adicionar novos, causando um aumento piramidal inexorável até alturas vertiginosas de 90 ou 95 graus.

  1. Os textos fundadores

Se nos ativermos aos três primeiros graus, dois textos são referência: um manuscrito de 1820 para o Rito de Mizraim [1] e o ritual publicado por Marconis de Nègre em Paris em 1839, no O Hierofante, desenvolvimento completo dos mistérios maçônicos para o Rito de Memphis.

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