O Olho da Providência [1] no simbolismo maçônico

Sérgio Koury Jerez

Diferentemente de alguns dos símbolos adotados na maçonaria, como o compasso, o esquadro e outros que notadamente são artefatos criados pelo homem e de uso corrente na maçonaria operativa, o Olho da Providência contido dentro de um triângulo é, em si mesmo, um símbolo de símbolos, que procura, de um modo peculiar, nos transmitir a ideia de onisciência do Grande Arquiteto do Universo.
Para entendê-lo – e nesse particular ele se comporta como os demais símbolos – é preciso que empreendamos uma longa viagem ao passado, embora saibamos que sua origem real estará sempre além, nos confins do tempo, da capacidade humana de documentar ideias.
Egípcios, acádios, assírios e babilônios
Começamos, como qualquer pesquisador que queira entender a simbologia adotada pelas sociedades ocidentais, a procurar as raízes do Olho da Providência nas civilizações antigas, em especial na egípcia e suas contemporâneas da Mesopotâmia. E, na nossa caminhada, vamos acabar por constatar que em todas as culturas originárias daquela região, como as dos assírios, babilônios e acádios, além dos próprios egípcios, reverenciava-se um deus que era representado por um anel alado.

Anel alado Assírio (foto tirada no Museu Britânico por Robin Edgar)

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Published in: on fevereiro 25, 2017 at 11:18 am  Deixe um comentário  
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Huzzé e a Barca de Ra

Por: Reinaldo Ramirez & Sérgio K. Jerez

 

A mitologia egípcia

Dos povos da antiguidade, os egípcios certamente são os mais estudados. Mesmo antes da descoberta da Pedra da Roseta, em 1799, a cultura egípcia já desafiava a curiosidade dos exploradores europeus. Riquíssima em personagens que possivelmente provêm de períodos anteriores ao dinástico (c. 3.100 a.C.), a mitologia egípcia sempre foi pródiga na criação de divindades, heróis, vilões e lendas para explicar não só acontecimentos corriqueiros do dia-a-dia, mas também para dar uma dimensão mágica às questões religiosas e espirituais.

Nas dezenas de séculos que durou sua civilização, tanto os personagens mitológicos quanto os relatos em que estes estavam envolvidos sofreram diversas mutações, adaptando-se às questões sociais e aos valores dos períodos históricos nos quais estavam inseridos. Assim, os mesmos deuses, semideuses e entes mágicos adquiriram personalidades, nuances e contornos diversos, tornando quase impossível uma descrição única de suas características ao longo das diversas dinastias. Horus, por exemplo, uma das divindades mais antigas, assume tantos papéis e desempenha funções tão diferentes ao longo dos séculos, que se tentássemos montar um painel dos traços comuns a todas as suas versões, talvez acabássemos apenas com seu nome.

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