SABORES DE MAÇONARIA

Ir. J. Filardo, M. ‘. I.’.

 

A Escócia deu ao mundo mais do que bom uísque e música de gaitas de fole. Deu-nos a Maçonaria …

Já em 1250, a primeira Grande Loja de Franco Maçons foi criada em Köln, Alemanha. Mas estes eram os construtores, como empresas empregadas pela Igreja Católica e as cabeças coroadas da época.

Mas estamos, na verdade, falando sobre a instituição que hoje conhecemos como a Maçonaria.

Em última análise, tudo se resume a política e religião.

Leia mais em https://bibliot3ca.wordpress.com/sabores-de-maconaria/

Anúncios

Freemasonry Flavours

Bro. J. Filardo, P.´.M.´.

sept pratiques

Scotland has given the world more than good usquebaugh and uilleann music. It has given us Freemasonry…

And as early as 1250, the first Grand Lodge of Freemasons was established in Köln, Germany. But these were builders, like companies employed by the Catholic Church and the Crowned heads of the time.

However, we are, in fact, talking about the institution that we know today as Freemasonry.

Ultimately, everything boils down to Politics and Religion.

Read further 

A Letra G Maçônica, uma interpretação

Paul Foster Case

Tradução de S. K. Jerez

 

Introdução

Paul Foster Case (1884-1954), autor deste tratado, é conhecido por estudantes de ocultismo como uma proeminente autoridade de Tarot, Cabala, Alquimia e assuntos relacionados da Tradição Oculta Ocidental. Suas outras publicações, incluindo a Ordem Rosacruz Verdadeira e Invisível; Tarot, chave para a sabedoria dos tempos; O grande selo dos Estados Unidos, a linguagem mágica; O Livro de Tokens, testemunham a sua profunda visão e sua abordagem maravilhosamente compreensível para esses assuntos.

O presente trabalho deixa claro que seus conhecimentos incluiam um domínio profundo da tradição maçônica. Nele, ele desenvolve a ligação inconfundível que existe entre os graus e rituais maçônicos e a tradição cabalística. Mostra que a Maçonaria não pode ser plenamente apreciada ou compreendida sem o conhecimento da Árvore da Vida cabalística e sua visão sobre a verdadeira natureza do homem e do cosmos. Um dos notáveis conceitos que ele explora é a relação entre a geometria, na qual o edifício e o simbolismo arquitetônico da Maçonaria estão baseados, e a Gematria dos cabalistas, que é um sistema de correspondências numéricas para palavras e frases que revela os significados subjacentes aos números, medidas e proporções geométricas que ocorrem tanto no Antigo como no Novo Testamento.

As contribuições de Paul Case para os estudantes da espiritualidade vai além das obras mencionadas acima. Ele fundou a Builders of the Adytum[1], uma organização religiosa sem fins lucrativos, que divulga um sistema de formação espiritual com base em suas obras, sob a forma de lições graduais por correspondência. É um sistema que permite aos aspirantes sinceros dos dias de hoje receberem treinamentos que em épocas passadas estavam disponíveis apenas para os poucos que podiam entrar em uma escola de mistério e se retirar, pelo menos temporariamente, da sociedade e das preocupações do mundo exterior.

Um Mestre da Escola Oculta deu a Paul Case a incumbência de preservar, ampliar e atualizar a Sabedoria Antiga que existe desde o início do mundo. Sua notável contribuição é ter-nos deixado um sistema claro e gradual para desenvolvimento espiritual, que nos permite manter totalmente nossas relações e responsabilidades no mundo moderno, enquanto gradativamente nos revela uma visão sobre o que há de mais elevado.

Leia mais: https://bibliot3ca.wordpress.com/a-letra-g-maconica/

As Quatro Borlas

Tradução: S.K.Jerez

As Quatro Borlas pendentes nos cantos da loja são símbolos operativos importantes raramente explicados adequadamente na maçonaria especulativa.

Um antigo símbolo operativo

Os Quatro Borlas, que são mencionadas perto do final da instrução sobre o painel do primeiro grau em vários rituais, são ornamentos importantes do loja. Eles são de grande antiguidade e seu simbolismo merece mais explicações. Na verdade, o simbolismo das Quatro Borlas, que tem suas origens na maçonaria operativa, é de grande importância e sua omissão de muitos rituais, ou apenas uma breve referência a ele em outros rituais, é surpreendente. Em épocas anteriores, freqüentemente eram dadas explicações sobre a origem e o significado simbólico profundo dos Quatro Borlas, mas hoje em dia elas são mencionadas tão raramente que muitos maçons, se não a maioria, não têm conhecimento de seu significado.

 

 

Leia mais em: https://bibliot3ca.wordpress.com/as-quatro-borlas/

Por que a Maçonaria nada faz?

Por José Filardo, Mestre Maçom

Invariavelmente, um irmão pede a palavra durante a sessão para dizer que as coisas estão indo cada vez pior e que “alguém precisa fazer alguma coisa”, implicando que a maçonaria precisa fazer alguma coisa. Essa manifestação, contudo, revela o desconhecimento dos irmãos sobre a instituição a que pertencemos, a Maçonaria.

Seu nascimento, em 1717, respondeu a uma necessidade de fundo político, é verdade, mas não havia proposta de intervenção direta na sociedade.

Leia mais: https://bibliot3ca.wordpress.com/por-que-a-maconaria-nada-faz/

SIMBOLOGIA MAÇÔNICA

O TRIÂNGULO DE SABEDORIA

Tradução José Filardo

O tema genérico do triângulo já foi tratado em profundidade por muitos autores que agregaram elementos históricos, geométricos, de arquitetura e esotéricos. Às vezes, esse triângulo tem uma função ocultas ou secretas e diante das muitas perguntas sobre os detalhes específicos dessas formas triangulares, é útil resumir sua presença nos símbolos que permeiam todos os Ritos “maçônicos” ou correntes exotéricas e ocultas referindo-se a outras “Vias Iniciáticas”… Esse lembrete, publicado sobre a evolução do triângulo não pretende ser exaustivo, pelo contrário, é simplesmente um olhar sobre algumas maneiras de abordar o “Triângulo” para que ele seja ativo…

DO PONTO AO TRIÂNGULO

Nesse local: “Você pode ver ali a construção do Triângulo de nossa Sabedoria antiga! Muitas longas tarefas esperam por você para fazer nascer a luz em você, a luz que você está procurando!…”

Tendo recebido esse símbolo nos primeiros momentos da cerimônia de Iniciação, o questionamento é particularmente mais vivo em descobrir que essa forma representa a figura geométrica primitiva sucedendo ao ponto isolado e uma linha reta traçada; as duas primeiras expressões desenhadas sobre uma superfície plana. Assim, esse triângulo tem suas origens nos primeiros estágios da humanidade e se torna rapidamente a base de vários traçados, planos, principalmente transpostos para edifícios que foram projetados pelos construtores dessas civilizações distantes. Já na Mesopotâmia desenhos de triângulos são visíveis sobre cerâmica perto de 7.000 anos a.C. Em seguida, os sumérios usaram com frequência triângulos que faziam parte de seus costumes.

O auge da devoção aos triângulos floresceu no Egito, onde representa praticamente a seção vertical da construção das pirâmides, assim como de suas faces. Esse traçado é então elevado ao grau de divindade e sua forma responde a dimensões precisa. A importância desse símbolo contribuiu para carregar significados divinos até lhe impor o valor de “criação do mundo.”

LEIA MAIS EM: https://bibliot3ca.wordpress.com/o-triangulo-de-sabedoria/

ALBION E PARIS, duas visões da mesma realidade.

Por José Filardo, M.´. I.´.

Não é fácil admitir, mas a Maçonaria é uma instituição retrógrada, reacionária e conservadora. A própria motivação para a sua invenção é uma prova dessa natureza. Diante de uma crise moral e política, em face da mudança, um grupo olha para o passado para resgatar e recuperar valores que representavam estabilidade. Essa tentativa de trazer os “velhos tempos” ao presente é, caracteristicamente, reacionária e conservadora.

No entanto, a invenção da Maçonaria em 1717 foi uma contradição em termos. Era, ao mesmo tempo, a manifestação daquele espírito reacionário, mas continha posições revolucionárias dentro da mesma construção.

Leia mais: https://bibliot3ca.wordpress.com/albion-e-paris-duas-visoes-da-mesma-realidade/

A verdadeira Maçonaria Operativa sobreviveu?

Artigo publicado na – Revista Franc-Maçonnerie – http://www.fm-mag.fr/

Por Pierre Mollier

 

Depois de uma longa gestação ao longo do século XVII, a Maçonaria especulativa adotou a sua forma moderna em Londres, em 1717. Ela, então, conquistou a Europa e o mundo e estava fadada a ter um destino extraordinário. No entanto, desde o século XVIII, a legitimidade da Primeira Grande Loja do sistema maçônico que ela difundiu é contestada. A última dessas contestações aconteceu no coração da antiga Inglaterra, em 1909, em uma região de área de pedreiras, perto da antiga cidade medieval de Leicester. O depoimento e as declarações do irmão Clement Stretton estão na origem de um dos mitos maçônicos que fez correr grande quantidade de tinta … e de um sistema de altos graus bastante interessante.

Leia mais: https://bibliot3ca.wordpress.com/a-verdadeira-maconaria-operativa-sobreviveu/

Reflexões sobre a Missão da Maçonaria

José Filardo M.´. M.´.

Imaginemos que uma bela manhã a Policia Militar decidisse assumir a seguinte posição:

Os soldados deveriam dirigir-se aos seus respectivos quarteis onde passariam a polir suas botas, limpar suas armas, fazer a faxina, exercitar-se, fazer ordem unida, estudar a constituição e as leis penais, preparar trabalhos escritos que seriam lidos diante da tropa reunida no pátio do quartel. Ah, e o rancho. Todos os soldados e oficiais passariam a ter o rancho em conjunto.

Vez por outra, um soldado ou oficial seria homenageado com uma medalha, por exemplo, a melhor faxina das latrinas, ou a melhor manobra de ordem unida do mês. Eventualmente, a população seria convidada para ir ao quartel assistir exercícios de ordem unida.

Ao final do dia, o soldado ou oficial retornaria à sua casa para retornar ao quartel na manhã seguinte e repetir a rotina diariamente, por anos a fio, sem sair às ruas, naturalmente.

Pois é. Isso me parece familiar na vetusta instituição conhecida como Maçonaria. Mais ou menos como acontece nas Forças Armadas em geral. Muito quartel, muito salamaleque, muitas manobras, medalhas e só… Ah! E belas paradas organizadas em Sete de Setembro, garbosos oficiais decorados com dezenas de medalhas brilhantes e coloridas, espadas, continências, marchas hieráticas…

As tropas da Maçonaria, porém,  perderam o gosto pela luta, perderam o gosto pelas ruas, perderam o gosto pela política. Limitam-se a polir seus compassos e esquadros, lustrar os malhetes, fazer seus salamaleques, comer o rancho e voltar para casa.

Perdemos a noção de missão. As forças armadas têm a missão de proteger o país contra o inimigo externo (vez por outra esquecem disso e atacam o próprio povo, mas isso é exceção à regra), já a Polícia Militar tem a missão de fazer a proteção interna da população, preventivamente e fazer cumprir mandados do judiciário.

O treinamento em quarteis, em ambos os casos é a preparação para ter condições de cumprir suas missões.

E a Maçonaria? Qual a missão da Maçonaria?

Opinião: O cerne da crise da maçonaria no Brasil nos grandes centros.

José Filardo, M.´. M.´.

Qualquer análise da crise da Maçonaria precisa levar em conta que ela não é a única instituição que está perdendo membros ou que perdeu o apelo às novas gerações. Mas, no que nos concerne, é preciso discutir essa crise para tentar, senão resolvê-la, pelo menos reduzir sua intensidade ou interromper suas consequências.

Um problema de natureza geral afeta a Maçonaria e, particularmente o GOB, por sua pluralidade de ritos e rituais. Mister que seja dito que a pluralidade de ritos e rituais, em que pese seu caráter distrativo em relação à ação que se espera dos maçons, tem um caráter cultural importantíssimo, vez que sua existência nos diferencia de outras associações, ou seja, sem ritual e rito não existe maçonaria. O problema reside na metodologia de recrutamento de novos membros que precisaria ser revista no GOB especificamente. Cada rito tem suas características e que apelam a diferentes personalidades. Assim, o ideal seria que o candidato tivesse a opção de escolher aquele que melhor se ajusta aos seus interesses. Ele deveria passar por um seminário sobre os ritos, definir sua preferência e só então ser encaminhado a uma loja daquele rito mais próxima do endereço de sua residência.

Do ponto de vista geral, como instituição, entendo que as origens da presente situação remontam à crise criada pelo Renegado em 1927, quando a cisão dos supremos conselhos do REAA (que diga-se de passagem, em minha opinião nada têm a ver com Maçonaria) fraturou o edifício da maçonaria e provocou seu desabamento. Por falta de tato e excesso de paixão, aquela crise poderia ter sido resolvida simplesmente com a separação entre o Simbolismo e os Altos Graus, entregando o Supremo Conselho ao Renegado e retendo o controle do GOB sobre o Simbolismo. Isso teria evitado a divisão que se seguiu e que acarretou nas funestas consequências que testemunhamos hoje.

Lemos na excelente “Pequena História da Maçonaria no Brasil” do Ir.´. William de Carvalho (https://bibliot3ca.wordpress.com/pequena-historia-da-maconaria-no-brasil-william-almeida-de-carvalho/):

“Até a primeira cisão de 1927, a história da Maçonaria brasileira se confundia com a história do Brasil. A partir de então, ou seja, no momento em que a Maçonaria deixa de ser um grupo estratégico, a história se bifurca, seguem rumos paralelos, com alguns contatos ocasionais. A partir da gestão de Jair Assis Ribeiro (1983-1993) no GOB assistiu-se a um ponto de inflexão do desenrolar da Maçonaria brasileira. Atualmente cresce a taxas chinesas, mas ainda não voltou a ser um interlocutor estratégico do país, como fora no passado”.

Qual é, portanto, a diferença da Maçonaria de então e a Maçonaria atual?

Vamos abstrair nesse exercício a mudança cultural ocorrida em todos esses anos em relação ao exercício da política. Não podemos esquecer que no século passado estivemos submetidos a duas ditaduras, com suas polícias brutais e suas lamentáveis ações no sentido de matar a militância política e evitar o surgimento de lideranças. Ou seja, o brasileiro tinha muito mais gosto pela política antes da década de 30 do que tem agora.

A meu ver, na Maçonaria, a diferença está na mudança de foco – da realidade social e ação política na sociedade, para o rito, a loja e a política interna. A mudança de enfoque foi provocada, principalmente, pelo deslocamento de ritos que outrora eram marginais para o centro do palco, ritos que por sua riqueza simbólica e elaborada distraem os maçons da ação política e social que caracterizava a maçonaria pré-1927 e que, ausente nos dias atuais, leva os novos membros da ordem ao desencanto e à decepção, vez que são atraídos pela imagem pública criada pela ação daquela Maçonaria, cantada em prosa e verso, e descobrem – depois de suas iniciações e um curto prazo no primeiro grau – que se trata de uma imagem apenas, sem o conteúdo correspondente.

Até 1927, o rito do GOB por sua estrutura enxuta e despojada, quase ascética, servia aos propósitos dos maçons, ou seja, com ele abria-se a loja, lia-se a ata para informação de eventuais ausentes à reunião anterior, e partia-se para uma ordem do dia significativa, em que eram discutidos (geralmente em família), por vezes, até os destinos da nação, e a loja era fechada. Não havia distrações, o rito não era encarado como um exercício em si e privilegiava-se a ação fora de loja. A Maçonaria era um meio de se atrair e congregar lideranças políticas, empresariais, sociais, etc., não a prática de rituais.

Desde 1927, porém, vem-se tentando reconstruir o edifício da Maçonaria, mas perdeu-se de vista aquele objetivo original. Nessa nova construção, os maçons se perdem enfeitando capitéis (ou rituais), volutas, decorando suas “alas” ou “capelas” como se fossem sistinas e o edifício, na falta de um partido arquitetônico único vai assumindo a feição de um Frankenstein. Um grupo quer construir em forma de pirâmide, outro em forma de castelo medieval, outro em estilo “nyemariano”, outro em forma de catedral gótica ou neogótica, mais um em estilo expressionista, e outro em estilo bizantino. No final temos um edifício onde todos estes estilos são usados e o resultado não é nada estético.

Conversando com um irmão que agora é meu parente, no sábado, eu dizia: você é escocista, grau 33 eu sou modernista grau 3. Agora, tirando tudo: rito, parentesco, filiação política, cosmovisão, raça, credo, nacionalidade, o que sobra entre nós se chama maçonaria. Maçonaria, portanto, é aquele relacionamento, aquele elo invisível criado na iniciação e a vontade de realizar alguma coisa em prol da sociedade juntos, usando nossa força combinada, nossos conhecimentos, nossas relações para alavancar essa ação. Não é um visitar a loja do outro apenas. Não é ficar batendo martelo, discutindo sexo dos anjos e comendo pizza. Os maçons estão perdidos nos corredores labirínticos desse monstrengo arquitetônico, distraídos com aventais coloridos, colares vistosos, medalhinhas e homenagens, jogos de poder, enfim, com os detalhes da decoração, enquanto lá fora há um enorme trabalho de arar a terra, semear valores e com eles alimentar a humanidade; defender os injustiçados, defender a comunidade. Assim, eu atribuo a crise da maçonaria à falta de objetivos fora de loja. O novo edifício rococó e disforme não tem apelo entre os jovens.

Isso posto, gostaria agora de abordar a questão específica da crise da maçonaria nos grandes centros.

Tomemos como exemplo uma loja de uma pequena cidade onde praticamente todas as autoridades e lideranças podem ser encontradas na loja. A capacidade de intervenção e ação política e social da loja é exponencialmente incrementada. O risco – e isso acontece com maior frequência do que seria ideal – é o “aparelhamento” da loja por grupos políticos. Sou caipira, e no interior não temos adversários políticos, sempre temos inimigos políticos. A terminologia é importante. Em um caso que conheço, uma facção partidária da cidade assumiu o controle da única loja das Grandes Lojas, passando a iniciar somente os “nossos” e alienando as outras, ou a outra facção partidária na política local. Muito como Montechios e Capuletos. O curioso é que existe uma loja do GOB na cidade, que não conta com membros residentes nela. Foi criada por uma “canetada” de algum Grão Mestre, com o objetivo de demonstrar publicamente uma “expansão” no número de lojas, e essa loja – composta de irmãos de cidades vizinhas e que se reúne em uma terceira cidade – falhou em atrair lideranças na própria cidade, que poderiam ser os membros da facção alienada da loja das Grandes Lojas. Caso isso tivesse ocorrido, poderia ocorrer também uma “maçonização” da política local, vez que em determinados momentos a irmandade poderia prevalecer sobre divergências políticas. No mínimo, teríamos uma disputa mais ética.

Em centros maiores onde existem muitas lojas, eu atribuo o problema à heterogeneidade do quadro das lojas, uma heterogeneidade em sentido espacial. O ideal seria que o “padrinho” encaminhasse o candidato ao Grande Oriente ou Grande Loja e ali fosse realizado o processo de admissão e, se aprovado, o encaminhamento do candidato ao rito mais ajustado à sua personalidade e à loja mais próxima de sua residência. Ironicamente, esta é uma regra que, lembremos, existia nos primórdios da maçonaria especulativa em Londres.

Diferentemente das comunidades menores, onde os problemas existentes afetam a todos os irmãos da loja, nos grandes centros, diferentes regiões das cidades têm problemas que afetam os cidadãos de maneiras e em graus diferentes. Se os candidatos fossem admitidos em lojas próximas à sua residência, todos os irmãos da loja teriam motivações comuns para atuar na comunidade, aumentando assim a probabilidade de restabelecimento do espírito pré-1927. Nas comunidades menores existem resquícios desse espírito. Infelizmente, as distrações dos rituais e ritos embotam os irmãos e os desviam de uma ação maçônica efetiva.

Se escolhermos aleatoriamente uma loja de São Paulo, por exemplo, e plotarmos a localização da residência dos irmãos daquela loja no mapa da cidade, as chances são de que teremos alfinetes coloridos distribuídos por toda a região metropolitana e, em alguns casos até mesmo fora dela.

Ora, os únicos problemas que aqueles irmãos terão em comum serão questões fora do alcance da loja, ou seja, para a solução dos quais as lojas isoladamente pouco podem fazer. São coisas como violência, transporte público, políticas estaduais e metropolitanas, etc.

Porém, se as lojas tivessem como regra a admissão de irmãos dentro de um espaço geográfico delimitado, por exemplo no caso de São Paulo, em nível de sub-prefeitura ou de bairro, os membros da loja teriam problemas e questões em torno dos quais se mobilizar, visto que todos seriam afetados mais ou menos igualmente por aqueles problemas e questões.

As lojas assim constituídas criariam uma associação local nos moldes da ASSOVIO http://assovio.wordpress.com/ através da qual atuariam em seu espaço geográfico. Essa associação seria totalmente desvinculada da loja, em todos os sentidos, exceto quanto ao apoio e orientação legal, financeira, coordenação, troca de experiências com outras Assovios, etc. Serviria ainda para congregar a comunidade expandida da loja e, com base no networking dos irmãos atuaria com grande eficiência.

Não preconizamos aqui a dissolução das lojas atuais. Seriam criadas lojas especiais para as quais seriam convidados irmãos residentes no “distrito” daquela loja. O problema do rito seria contornado com o retorno ao rito tradicional do GOB, o rito sobre o qual nos fala o Ir.´. Joel Guimarães de Oliveira em seu trabalho: https://bibliot3ca.wordpress.com/ritual-da-r%E2%88%B4l%E2%88%B4-de-s-joao-commercio-e-artes-na-idade-de-ouro-1822/. Irmãos de potências diferentes poderiam atuar juntos através da Assovio.

Dessa forma, resgataríamos a Maçonaria brasileira e ofereceríamos uma perspectiva de retorno ao papel que desempenhou na sociedade brasileira e, naturalmente, alterações no processo de recrutamento, em que a ênfase seja colocada no grau de liderança do candidato, na sua capacidade de influenciar a sociedade, muito mais do que se ele acredita ou não em um ser supremo.