O Rito Francês, oficial em 1802, depois combatido e desaparecido renasce em Portugal

Tradução do Espanhol – José Filardo

Filipe Frade

Primeiramente adotado pelo jovem Obediência Portuguesa, o Rito Francês foi vítima das rivalidades políticas que marcaram o REAA e assim começou o adormecimento do RF. A obstinação dos seus defensores, fieis aos valores adogmáticos e republicanos, e o apoio do Grande Oriente da França (GODF) garantiram seu renascimento.

As primeiras lojas maçônicas apareceram em Portugal por volta de 1735 e imediatamente foram ameaçados pela Inquisição. Em 1801-1802 o Irmão Hipólito da Costa Furtado de Mendonça foi para Londres e obteve uma Patente da Grande Loja. Em seu retorno ele passa por Paris, e também obtém uma patente do Grande Oriente de França (GODF). E foi assim que o Grande Oriente Lusitano (GOL) foi fundado em Portugal em maio de 1802, com um primeiro rito oficial que seria o Rito Francês ou Moderno. Infelizmente sabemos que em julho de 1802, o Irmão Costa foi preso pela Inquisição, da qual fugiria em 1805) e supõe-se que as referidas Patentes foram destruídas.

 

 

Em 1804 foi assinado um tratado de amizade entre a GOL e o GODF e ao nosso conhecimento esse é o mais antigo tratado maçônico existente entre as duas Obediências. A Constituição do GOL de 1806 reconhece o Rito Francês como Rito Oficial. E nos capítulos III e XIII fala-se claramente da formação de diferentes Capítulos e Ordens de Sabedoria do Rito Francês. Uma nova Constituição do GOL reafirma isso em 1821 no mesmo sentido. O REAA somente foi introduzido no GOL em 1837 e o Conselho Superior do REAA em 1844.

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Já no Brasil a Maçonaria é surda e muda…

Arnaut quer Maçonaria ativa contra «capitalismo opressivo»

A Maçonaria «devia ter uma palavra e tem estado calada»

António Arnaut, antigo grão-mestre do Grande Oriente Lusitano (GOL), exortou esta quinta-feira a Maçonaria a rejeitar o «capitalismo opressivo» em Portugal e no mundo, lamentando o seu silêncio.

«Todos aqueles que sentem o povo e a Pátria não podem ficar calados, sob pena de serem cúmplices do drama social que estamos a viver», declarou António Arnaut à agência Lusa, a propósito de dois livros da sua autoria que vão ser apresentados no sábado, em Coimbra.

Na sua opinião, a ordem maçónica, que integra há várias décadas, «devia realmente intervir» e condenar publicamente «este capitalismo opressivo», tanto no país, como a nível global.

«A Maçonaria devia ter dito aquilo que disse o Papa Francisco: o neoliberalismo faz os fortes mais fortes, os fracos mais fracos e os excluídos mais excluídos», disse.

Para António Arnaut, escritor, advogado e um dos fundadores do PS, «trata-se, aqui, de intervenção no plano dos direitos humanos, da dignidade do homem e da própria defesa da identidade e da soberania da Pátria».

A Maçonaria «devia ter uma palavra e tem estado calada».

«Devia fazer alguma coisa. Devia realmente utilizar os instrumentos do ofício: a régua e o esquadro, que significam a retidão e a justiça, e o compasso, que significa o livre pensamento e a liberdade», acrescentou.

Os dois últimos livros de António Arnaut – «Alfabeto íntimo e outros poemas» e «Iluminuras – Adágios, incisões e reflexões» – serão apresentados no sábado.

Numa das reflexões, na segunda obra, o «maçon» e antigo grão-mestre do GOL – Maçonaria Portuguesa questiona o papel da instituição «perante as chagas de pobreza e sofrimento que assolam o mundo e cobrem de desespero o corpo exausto de Portugal».

Defendendo que, num tempo «de tantas desigualdades e injustiças evitáveis, não basta proclamar os princípios», afirma que, «se a Maçonaria não tiver lugar na consciência coletiva, não está na consciência individual dos que juraram lutar pelos seus valores».

A política, o socialismo e a solidariedade são conceitos que motivam outras das reflexões do autor, que disserta ainda sobre o Serviço Nacional de Saúde, do qual foi o principal impulsionador, e o atual líder da Igreja de Roma, o papa Francisco, entre diversos assuntos.

«Chegámos a este ponto mais por culpa dos socialistas, dos social-democratas e democratas-cristãos do que propriamente dos neoliberais», disse à Lusa.

António Arnaut acusou aqueles «que passaram para o neoliberalismo, que se venderam», dando os exemplos de Tony Blair (antigo primeiro-ministro britânico) e Gerhard Schroeder (ex-chanceler alemão), «que hoje são administradores de grandes empresas».

Os dois novos livros «são formas de intervenção poética, cívica e ética nos momentos nublados que vivemos, em que o sol não aparece ou só brilha para alguns», sintetizou.

Publicado originalmente aqui

 

Published in: on dezembro 13, 2013 at 3:17 pm  Comments (3)  
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