O Rito Francês, “Antigo ou Moderno”?

Tradução José Filardo

Por Roger Dachez

Templo Groussier – GODF

UM RETORNO ÀS FONTES HISTÓRICAS DA MAÇONARIA

No início da Maçonaria o Rito não era nem “Moderno”, nem “Francês”, nem sequer “Antigo”. Esta unidade ou qualidade ritual foi quebrada em 1751, ao se criar a Grande Loja em Londres que se chamou “dos Antigos”, em oposição à primeira “dos Modernos” criada em 1717. Novos usos rituais foram adotados, mas somente na Inglaterra.

De um lado está a legitimidade da Maçonaria que vem através de rituais sem idade, atemporais, são tempos que poderíamos dizer estão suspensos em usos rituais imemoriais; e que por sua vez são a negação de toda a história: o universo e a decoração familiar da maçonaria que se desdobra dentro de uma ahistoricidade permanente, onde apenas conta o significado perene dos símbolos e dos ritos. Essa é a ambivalência da Maçonaria.

Mais realidade é inevitável, teimosa e, em parte, vem para roubar o ideal que nós expressamos. É inútil, e até mesmo vão, negar que a Maçonaria é uma instituição social que ao longo de toda a sua história foi se compondo e construindo com os valores de seu tempo, integrando as preocupações humanas e as especificidades culturais que pululam nas lojas que a compõem. Tudo isso, por outro lado, muito confrontado com questões de poder e os discursos de legitimação que não se relacionam apenas ao Templo de Salomão, ou às antigas tradições ambíguas, mas também em acreditar que ela tem uma autenticidade jurídica que justifica sua autoridade perante as instâncias que pretende assumir. Em uma palavra, ela se faz política.

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A Maçonaria britânica a serviço da monarquia

Tradução José Filardo

por Cécile Révauger

A Maçonaria é filha do iluminismo inglês e escocês. Sem o espírito tolerante de Locke e Newton, sem a Revolução Gloriosa, que pôs fim à monarquia por direito divino e emancipou os protestantes dissidentes, ela nunca teria visto a luz do dia sob a forma que conhecemos hoje. Isso ocorre porque o contexto religioso e político dos anos 1717 anos foi-lhe favorável, de modo que a Grande Loja da Inglaterra foi capaz de decolar, precedendo em vinte anos a Grande Loja da Escócia (1736). Conceder liberdades aos homens é uma coisa, mas ainda é necessário que eles possam fazer bom uso dela. As lojas maçônicas, ao contrário dos clubes ingleses muito aristocráticos são as únicas estruturas de abrigo para esses dissidentes que estão fora da Igreja anglicana da Inglaterra e até ainda privados de direitos civis (que eles obterão somente em 1828). Porque Anderson inscreveu a tolerância religiosa em suas famosas Constituições, esses Dissidentes, provenientes das classes médias em ascensão, pequenos artesãos e comerciantes, que não têm acesso ao governo e ao Parlamento, compostos exclusivamente por elites fundiárias até 1832, podem se acotovelar nas lojas com aristocratas anglicanos que estão no poder em toda a Inglaterra.

Maçonaria e sociedade britânica

A Maçonaria reflete perfeitamente esta tensão entre a aristocracia rural, as elites fundiárias de um lado e a burguesia ascendente de outro, que vive do comércio e finanças, e especialmente este modus vivendi entre estes dois componentes, esse compromisso social tão característico da sociedade britânica. O surgimento da Grande Loja dos Antigos na década de 1750 corresponde a evoluções sociológicas significativas: um grande número de imigrantes escoceses e irlandeses, de meio social mais humilde, foram recusados pela Grande Loja da Inglaterra e fundam sua própria Grande Loja, a dos Antigos. Ironicamente, eles farão conhecer a primeira Grande Loja sob o nome de “Moderna”. Antigos e Modernos cerram novamente fileiras durante a Revolução Francesa e as guerras napoleônicas, apoiando a monarquia britânica contra qualquer ameaça reformista.

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