Os Cátaros no Santo Graal – A construção de um mito moderno

 Tradução José Filardo

por Jean-Moise Braitberg

Sete séculos depois de combater os cátaros nas condições que conhecemos, a Igreja Católica acaba de pedir perdão. Além da ideia muitas vezes mitificada e tingida de esoterismo que temos dessa heresia medieval atualmente, este ato de arrependimento reflete a permanência do sentimento de que, todas as identidades, incluindo aquela que se atribuem os maçons repousa sobre a ideia de que o inferno é sempre o outro.

Foi em 16 de outubro na igreja da vila de Ariege, Montségur, muito pequena para acomodar as centenas de pessoas, a maioria nunca indo à missa, que chegaram para participar de um evento que em outros séculos revolucionaria a cristandade. Mas neste dia de outono, este ato solene de “arrependimento” passava apenas pelo que era: uma cerimônia folclórica destinada a acomodar um “occitanismo” que criara raízes no solo fértil de uma identidade religiosa “cátara” construída na era moderna. No entanto, o catarismo tocou igualmente o norte da França e foi lá também tão cruelmente reprimido quanto no Languedoc (ver caixa).

Evento de âmbito folclórico, portanto, vez que limitado aos católicos da região de Ariége. Não era, de fato, a Igreja universal, quem pedia perdão, mas, como foi dito durante a cerimônia, os representantes dos católicos de Ariége: “Nós, os fiéis católicos que estamos em Ariège pedimos perdão de nosso Senhor, mas também a todos aqueles que perseguimos (…)” palavras emocionantes! Compreende-se mal, no entanto, o significado de um perdão formulado por uma igreja cuja legitimidade contemporânea é baseada em uma história que ela renega. Ainda mais que não se pode entender como, sete séculos mais tarde, o ato de arrependimento da igreja de Ariège pode aliviar o sofrimento daqueles que ela perseguiu. A menos, é claro, que se acredite em fantasmas e fantasmas que através do culto da lembrança e do dever de lembrar, parecem assombrar muito mais a consciência dos povos que a necessidade de fraternidade entre os vivos. “Este perdão, eu apoio, mas é uma história interna dos católicos. Isso lhes dá prazer, para que se sintam melhor por ter perpetrado um massacre” devia declarar no final da cerimônia em 16 de outubro, Eric Delmas, secretário da associação “Cultura e Estudos Cátaros”, apresentando-se ele mesmo como um cátaro do século XXI.

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Os cátaros

Tradução José Filardo

Introdução

Entre os séculos X e XII, uma “heresia” misteriosa emergiu no sul da França. Logo, a sua expansão e sua ameaça são tais que a Igreja Católica é forçada a empreender uma guerra para erradicar esta religião. Duas Cruzadas serão conduzidas pelo reino da França; trata-se principalmente de o rei da França dominar toda a Languedoc e Aquitania. A luta contra os cátaros vai acabar com a queda da fortaleza de Montsegur em 1244.

O Contexto

A civilização Occitana

No século XII, no sudoeste da França é uma região muito diferente daquela do norte do Loire.

Alí se fala uma língua distinta (langue d’oc e não d’oil) e uma civilização brilhante e refinada floresce. Movendo-se de castelo em castelo, os trovadores, poetas e músicos cantam o amor, mas também a honra e a negação do direito do mais forte. Estas ideias e valores estão presentes em uma região onde as pessoas educadas, especialmente nas cidades, mantinham vivas as memórias da civilização romana. Regras, leis e códigos limitam o poder dos grandes e regem as relações que os unem a seus vassalos e seus súditos. Enquanto que na Ile de France, o rei luta a cavalo e se impõe de várias maneiras a seus vassalos recalcitrantes, nas cidades do Midi languedociano e na Aquitaine, os habitantes elegem cônsules ou conselheiros que governam e falam de igual para igual com os senhores de quem dependem. Mais livres, as cidades do Sul também são mais acolhedores às ideias estrangeiras: sua importante atividade comercial (Toulouse é a terceira cidade da Europa) os coloca em contato com muitos países. Os comerciantes que trocam mercadorias e bens, desenham ideias então eles espalham em seguida pela Occitânia.

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Navegar é preciso… viver não …

bandeira italiana peq

(Originalmente Pompeu, depois Camões, depois Fernando Pessoa, depois Caetano Veloso, agora eu…)

CARAVELA

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