A EVOLUÇÃO DA LENDA HIRÂMICA NA INGLATERRA E FRANÇA. (Parte I)

Tradução José Filardo

Por Joannes Snoek.

(Palestra ditada pelo próprio Ir.’. Snoek no Freemason’s Hall patrocinada pela Sociedade Cornerstone em 13 de maio de 2001.)

O Mistério de Hiram Abiff. (Resumo)

Seguindo uma veia revisionista, o próximo a falar foi o Irmão Dr. Jan Snoek das Universidades de Heidelberg e Leyden, que é um especialista em história das religiões e rituais maçônicos. Em um trabalho profundo e provocativo intitulado “O que se perdeu no Terceiro Grau?

O Dr. Snoek afirmou que os ritos maçônicos que conhecemos hoje sofreram muitas mudanças. A primeira delas foi a ampliação de dois para três graus na década de 1720, e em segundo lugar a introdução da Lenda de Hiram, exposta pela primeira vez por Samuel Pritchard em outubro de 1730.

Em seguida, ele se referiu a algo muito curioso: Pritchard e todas as Divulgações subsequentes do século XVIII, declaravam que Hiram foi enterrado no Sanctum Santorum do Templo de Jerusalém. No entanto, tal coisa teria sido proibida por contaminar o Santuário.

O Dr. Snoek explicou que os maçons do século XVIII identificavam Hiram com o próprio Yahveh que teria ditado as dimensões do Templo ao Rei David antes que o trabalho fosse realizado por seu filho Salomão.

Ele apresentou uma série de ilustrações que mostram como as Divulgações continentais tinham o nome de Yahveh sobre o ataúde de Hiram no Terceiro Grau.

Segundo o Dr. Snoek, esta identificação do candidato com o Construtor do Templo e, portanto, por analogia com Yahveh é familiar aos historiadores da religião como uma “união mística“, onde o praticante tenta se unir misticamente à divindade. Em seguida passou à revista dos acontecimentos de 1813, quando o nosso ritual atual foi criado, e concluiu que as práticas modernas romperam o funcionamento dos trabalhos das duas Grandes Lojas, Antiga e Moderna.

Esta alteração fundamental para os três graus, removeu os aspectos místicos da Maçonaria do século XVIII, em uma aparente tentativa de tornar as cerimonias mais aceitáveis aos membros não-cristãos e um sabor mais adequado ao gosto do século XIX.

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Maçonaria Adonhiramita

Tradução José Filardo

Das inúmeras controvérsias que surgiram de meados até perto do final do século XVIII no continente da Europa, e especialmente na França, entre os estudantes de filosofia maçônica, e que tão frequentemente resultaram na invenção de novos Graus e no estabelecimento de novos Ritos, não menos importante foi aquele relacionado com a pessoa e caráter do Construtor do Templo. A pergunta: “Quem foi o arquiteto do Templo do Rei Salomão?” foi respondida de forma diferente por diferentes teóricos, e cada resposta deu origem a um novo sistema, um fato de nenhuma maneira surpreendente naqueles tempos, tão férteis na produção de novos sistemas maçônicos. A teoria geral era então, como é agora, que este arquiteto foi Hiram Abif, o filho da viúva, que tinha sido enviado ao rei Salomão por Hiram, rei de Tiro, como um presente precioso e, como um operário curioso e astuto.

Esta teoria era sustentada pelas declarações das escrituras judaicas, na medida em que jogavam alguma luz sobre a lenda maçônica.

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Rito da Maçonaria Brasileira à época da fundação do GOB

Com a contribuição preciosa do Brother William de Carvalho, em https://bibliot3ca.wordpress.com/quadro-historico-da-maconaria-no-rio-de-janeiro-1822/ surgiu a dúvida quanto ao rito praticado pelos maçons na Colônia, antes da fundação do Grande Oriente Brazílico.

Segundo os Annaes Fluminenses,

“Já os maçons fluminenses trabalhavam com alguma regularidade no antigo rito dos doze graos quando, feita a paz de Amiens, entrou n’este porto a corveta de guerra franceza Hydre com destino a ilha de Bourbon e porque Mr. Laurent e mais alguns officiaes eram maçons, pediram visitar a Loja e, cheios de admiração á vista do zêlo com que debaixo de tantos perigos se trabalhava, dera’n attestados do seu reconhecimento e acceitaram contentes a prancha que se lhes offereceu para filiarem á Loja /Reunião/ no circulo do Oriente da /Ilha de França/, o que se effectuou, recebendo-se d’ali, por intervenção do mesmo Mr. Laurent, a carta de Reconhecimento e Filiação, os Estatutos e Reguladores que se costumam dar em taes casos.”

Depois de algumas dúvidas, o preclaro irmão Ricardo Vidal nos enviou esse texto esclarecedor:

ILLUMINATI

O Rito da Estrita Observância foi sepultado oficialmente no ano de 1783, sete anos após a morte do seu fundador, Karl Gotthelf von Hund und Altengrotkau, e seis anos antes da eclosão da Revolução Francesa. As lojas que pertenciam à organização ou mudaram de bandeira, reformaram seus rituais, abateram colunas, ou retornaram ao sistema inglês antigo, como é o caso da Grande Loja de Hamburgo e da Liga Eclética de Frankfurt. A possibilidade deste rito ter vindo parar no Brasil e inspirado algum movimento político de vulto enfrenta não só a oposição das datas em discussão, mas também o fato de suas cerimônias terem forte conteúdo católico e monarquista, quer dizer, elementos contrários à mentalidade independentista da maioria dos maçons brasileiros da época, próceres da Inconfidência Mineira (1789-1792), supostamente iniciados em Montepellier, França.

Teria a Ordem dos Illuminati – a segunda mais poderosa organização maçônica alemã após a Estrita Observância – fundado uma sucursal no Brasil nesta época? Bem, esta organização teve o funcionamento proscrito no ano de 1787, indo o seu fundador, Adam Weishaupt, refugiar-se na cidade de Gotha, onde morreu em 1830. O escritor Gustavo Barroso tenta provar em sua “História Secreta do Brasil” que a organização foi trazida para cá por um cidadão alemão chamado Júlio Frank (1808-1841), que a introduziu na Faculdade de Direito do Largo São Francisco (São Paulo) com o nome de Burschenchaft. O pomposo – e misterioso – túmulo de Frank acha-se instalado em um páteo que fica na entrada da instituição). Circundam-lhe quatro pequenas corujas, ave adotada como símbolo dos Illuminati.

Eu particularmente não creio nesta possibilidade avançada por Barroso, que, ao que tudo indica, baseou-se em datas fictícias e supostamente na obra de René Forestier que ele cita como fonte. O ódio infundado com que Barroso, defensor da monarquia, ataca a Maçonaria me impede de conferir credibilidade à sua obra.

Os 11 graus do Rito dos Illuminati:

Noviço

Minerval

Minerval Iluminado (ou Esclarecido)

Aprendiz

Companheiro

Mestre

Iluminado Maior

Noviço Escocês

Iluminado Dirigente ou Cavaleiro Escocês

Sacerdote

Regente

Passemos os olhos agora na ata de iniciação de D.Pedro I, lavrada no dia 2 de agosto de 1822, extraída de um livro cujo título eu desconheço qual seja e que segue em anexo:

Ponderou o Irmão Presidente por parte da comissão nomeada para conferir os altos graus, que havendo a Grande Loja acordado a conceder o grau de Eleito Secreto aos Irmãos filiados nos nossos quadros, constituídos nos graus de Mestre Perfeito, Primeiro, Segundo e Terceiro Eleitos, pela Maçonaria dos 13 … porque tendo a Maçonaria dos 7 reduzido os graus de Mestre Perfeito até Eleito dos 15 ao de Eleito Secreto

Nenhum dos graus citados acima corresponde aos da Estrita Observância ou aos dos Illuminati: Eleito Secreto, Mestre Perfeito, Eleito dos Nove, Eleito dos Quinze. Pelo que entendi, o rito praticado na época era constituído por 13 graus (Maçonaria dos 13), mas que, por um motivo qualquer, foi reduzido para 7 (Maçonaria dos 7).

Se a lista do irmão Roland Müller estiver certa e completa, coisa que eu não duvido, o Rito Adonhiramita é o que mais se ajusta ao texto acima, uma vez que possui os graus mencionados.

 

 

A Bucha e o túmulo de Julio Frank

blogdodelmanto.blogspot.com.br/2012/08/bucha-sociedade-secreta-na-sao-francisco.html

 

Illuminati

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ADAM WEISHAUPT

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RITO DA ESTRITA OBSERVÂNCIA