Sete Práticas de Gestão Inspiradas na Maçonaria

Tradução José Filardo

Filosofia de vida, ferramenta de autoconhecimento… o “método” maçônico transposto para a gestão da empresa podem também ser muito eficaz para aumentar a produtividade nas reuniões, gerenciar os conflitos entre pessoas e fazer melhores “brainstorms”! E se a Maçonaria não fosse mais que uma escola de negócios?

Por Etienne Gless

“Se todos estão de acordo em uma reunião, não se vai produzir grande coisa. As ideias devem se opor para gerar ideias maiores”, diz Philippe Benhamou. Um bom maçom sabe que ele se constrói por meio do atrito com as asperezas dos outros. “Em uma reunião de criatividade, é esta tensão que eu tento implementar.”

sept pratiques

ilustração: clementine rocolle

“Lausanne, Harvard, o MIT… “Como qualquer DRH de uma multinacional, envio meus talentos e meus funcionários com elevado potencial a estágios de formação em gestão nas melhores universidades do mundo: estes estágios nada são em comparação com o que você pode aprender em loja!” Daniel D., 52 anos, trabalhando para um grande grupo de BTP. Sua área abrange 70 000 funcionários! Maçom há cinco anos, este membro de uma loja da Droit Humain admite ter adquirido através do método maçônico, uma pacificação pessoal e uma verdadeira  organização de trabalho para aumentar a sua eficácia profissional e a sua gestão. E se o método maçônico trouxesse mais à sua gestão que qualquer escola de negócios?

1. Ouvir melhor

A escuta é a primeira ferramenta dada ao maçom a partir de sua iniciação. “Dadas as minhas altas responsabilidades e também meu temperamento, eu sou mais inclinado a falar que a escutar, admite Christian N., diretor de um grupo de serviços para as comunidades. Na maçonaria, somos todos posicionados em pé de igualdade. Quando se entra, é preciso ficar calado pelo menos um ano!” Para ele também, a iniciação começou com o “silêncio perfeito”.

“Sou responsável pela Ásia e Europa Oriental, tenho sob meu comando  milhares de funcionários.” Quando eu tomo a palavra no meu mundo profissional onde a hierarquia é muito vertical e muito “animal”, todo mundo se cala. E se digo disparates, muito poucas pessoas, para não dizer ninguém ousa  me contradizer.” Christian foi obrigado ao silêncio durante 18 meses. Quando ele recuperou a palavra, ele tinha aprendido a não a desperdiçar: “Ter o direito de falar é um recurso escasso.  Para protegê-la adequadamente, temos de aprender a falar na hora certa e não sobre tudo”. A palavra do gerente maçom tem maior peso que a do gerente comum,  porque ele calcula quando tomá-la. “Quando você sabe que não pode falar várias vezes na Loja, isso exige que você resuma seu pensamento, para distinguir o supérfluo do essencial, explica José Gulino, atual grão-mestre do Grande Oriente (GODF). Não se dialoga diretamente, então isso limita os conflitos e as relações de poder.”

2. Recrutar e gerenciar de forma mais humana

Os maçons cultivam o humanismo. Eles não gostam de extremos. Eles temem, por exemplo, a infiltração de membros da Frente Nacional. Mesmo se os negócios continuam a ser negócios, alguns patrões maçons  confiam em dar uma oportunidade a pessoas em dificuldade para entrar no mundo do trabalho. “Eu acabo de recrutar um cientista da computação de 57 anos. Ele oferece aos jovens uma serenidade e um know-how extraordinários, diz Thierry Ehrmann, Presidente da Artprice e do Grupo Serveur. Eu tento dar uma visão humanista à empresa, o que não é fácil no que diz respeito a negócios e a conjuntura econômica. Nós somos um grupo controlado, sujeito a regulamentações, com rigidez. Desde 1987, eu contratei dezenas de funcionários, no entanto não sofri qualquer ação trabalhista!”

Atento aos idosos na empresa, o patrão e artista originário de Lyon  também dá uma mãozinha às pessoas expulsas do mercado. Ele sabe como dar uma oportunidade a uma pessoa desempregada há mais de cinco anos. “Mesmo se for preciso levar mais tempo para integrá-la! Eu tiro meu chapéu de empregador para ouvir o sofrimento dos outros. É importante ir além do contrato de trabalho, para compreender as dificuldades de um colaborador”.  Mesmo quando o colaborador em questão é rejeitado pelo conjunto da comunidade de trabalho por suas palavras ou seu comportamento imperdoáveis: “A Maçonaria me ensinou a não impor a dupla pena: ele já é rejeitado no trabalho;  não sou eu quem vou, além disso rejeitá-lo da empresa!” Eu tento fazê-lo entender que ele deve se comportar de outra forma para não se colocar em um risco suplementar.” Vemos aqui que o método maçônico pode ser valioso para gerir as personalidades difíceis.

3. A triangulação para melhor facilitar uma reunião

“As reuniões maçônicas chamadas “sessões de loja”, ensinam o valor da palavra,” analisa Philippe Benhamou. Para falar, é preciso pedir a palavra um vigilante da loja que vai perguntar ao venerável que dirá ao vigilante se ele a concede… ou não! Cada vez que pedimos a palavra, ocorre então uma triangulação. “Imagine reuniões de trabalho onde se possa fazer uso do palavra apenas uma vez!” Imagine as consequências sobre a qualidade da palavra ou a escolha de sua intervenção”, diverte-se Philippe Benhamou.

“O método maçônico torna você mais capaz de ouvir as pessoas que dispõem de riqueza. Ele também permite fazer sair deles esta riqueza”, revela Denise Oberlin, grã mestra da Grande Loja Feminina da França (GLFF). Em uma reunião, as pessoas pouco à vontade em falar se calam, embora tenham ideias e a solução para um problema. Um bom gestor maçom será capaz de lhes dar a confiança para que eles ousem expressar seus pontos de vista e impedir que oradores natos e os impenitentes tagarelas monopolizem o diálogo. O método maçônico tem muito da maiêutica, a arte de dar à luz à consciência, em que Sócrates se destacou. “Ela promove um olhar diferente,” diz Patrick B., Diretor de RH de um grupo importante, também membro da Droit Humain. “É como acontece com o “dan” em judô. Em maçonaria, quanto mais velho e mais alto na escala, mais você desenvolve a capacidade de ter um olhar diferente, para ver as coisas de um ângulo inesperado. Com o método maçônico, eu encorajo as pessoas inibidas na tomada da palavra a se exprimir. Vou colocá-las à vontade, dar-lhes tempo, fazer com que passem a mensagem de que o que elas dizem é interessante.’

4. Cultivar a arte de “expor pranchas” em equipes

“Eu que pensava ingenuamente que os pesquisadores eram grandes pessoas que sabiam escutar!” Em seu trabalho, Philippe Benhamou deve animar redes de potenciais pesquisadores no domínio da pesquisa aeronáutica. Este pesquisador da Onera, um centro de pesquisas em aeronáutica em Palaiseau (Essonne), usa ferramentas maçônicas para fazer  funcionar  equipes de engenheiros de diferentes culturas. Sua frequência à Grande Loja da France o educou para escutar e reformular.

“O método maçônico me ajuda a facilitar o diálogo de engenheiros vindos de mundos diferentes: o especialista em aerodinâmica não sabe o que faz o seu alter ego nos materiais de propulsão e, no entanto, é preciso fazer essas pessoas coexistir em um grupo de trabalho.” Como na loja maçônica, devemos expor nossas pranchas juntos.” “Expor pranchas”? Mais um verbo do vocabulário maçônico: as pranchas são as apresentações feitas em loja por um irmão sobre um determinado assunto…

Mais amplamente, na vida profissional, para ganhar eficácia, deve-se obedecer a certos rituais. Ora, é o que não falta na Maçonaria! As sessões de loja, por exemplo, obedecem aos rituais de abertura e fechamento da loja para criar um espaço-tempo diferente… Assim, trabalha-se em loja “de meio-dia à meia-noite”… mesmo que a reunião não dure mais que três horas no tempo “secular”! Antes de ir jantar (estes famosos “ágapes” de que o maçom tanto gosta!). Estes rituais são perfeitamente transponíveis ao mundo do trabalho para organizar uma reunião ou injetar o convívio no escritório.

5. Animar as sessões de criatividade

“Se todos estão de acordo em uma reunião, não se vai produzir grande coisa. As ideias devem se opor para gerar ideias maiores”, diz Philippe Benhamou. Um bom maçom sabe que ele se constrói por meio do atrito com as asperezas dos outros. “Em uma reunião de criatividade, é esta tensão que eu tento implementar.”  Este membro da GLDF é ex-venerável na arte de escutar e fazer coexistir as contradições quando ele conduz reuniões de criatividade e grupos de prospecção. Exatamente como em loja o Venerável conduz a discussão, ele domina esta  arte de trabalhar em conjunto as “oposições necessárias e fecundas”. Historicamente, era preciso encontrar um lugar onde protestantes e católicos pudessem falar sem puxar a espada! A maçonaria se esforça para criar este “centro de união” onde se pode falar sem brigar. Philippe Benhamou, ao anúncio de uma ideia, não hesita em jogar aos ingênuos e perguntar se a ideia contrária não seria melhor. “Todo mundo ri e se diverte às minhas custas:” “É estúpido este Benhamou, ele não entendeu nada!” E, ao mesmo tempo, isso gera, por reação, novas ideias!” Patrick B., chefe de uma subsidiária de um grande grupo, confirma: “Aplicando as técnicas maçônicas, eu construo um ninho que permitirá criar mais novas ideias e inovações técnicas.”

6. Saber resolver conflitos

“Quando pedimos a palavra em loja, ela é concedida por meio de um determinado ritual, lembra Denise Oberlin, grã-mestra da Grande Loja Feminina França.” Isso acalma as paixões.” Christine N., assistente de diretoria e  maçom há vinte anos usa as ferramentas da maçonaria para acalmar as tensões em seu universo de trabalho: “Eu escuto com empatia as secretárias, mas eu tento colocar a razão nas paixões. Para manter o senso de proporção e recolocar as coisas em equilíbrio. Eu escuto aquela que se queixa de uma colega, mas eu lhe mostro também  algo que ela não viu na outra. Quando um conflito eclode entre duas pessoas, em que uma descarrega negativamente sobre a outra, eu reconheço que a pessoa em questão certamente cometeu um erro, mas lembro que ela passa por dificuldades na sua vida pessoal.”

Escola de ponderação, a Maçonaria convida a ver pelo menos dois aspectos de cada coisa. “É verdade, gostamos de procurar um terceiro termo para evitar o confronto, sorri Marc Henry, grão-mestre da Grande Loja da França.” Um maçom não lhe corta a palavra, tem um comportamento ético, não  coloca o tempo todo o seu seu umbigo à frente. “Ele escuta os pontos de vista e tenta fazer alguma outra coisa: ele constrói.” Um “irmão” não gosta de oposições binárias, ele procurará uma terceira via para avançar. Não é de se admirar que o triângulo seja um dos símbolos maçônicos!

7. Ganhar em serenidade e em autocontrole

Esta pode ser a ferramenta mais importante! “Desde que me tornei maçom, eu sou mais feliz. Sinto-me muito melhor na minha pele.  Eu me afastei bastante em minha vida de todos os dias e quando surgem dificuldades no trabalho, elas me afetam menos. E isso reflete na minha gestão, necessariamente”, diz Daniel D., membro da diretoria da BTP.

“Aprendi a lidar melhor com meus medos e tenho muito menos explosões emocionais em meu trabalho, diz este membro da Droit Humain, maçom há cinco anos. Eu tinha a reputação de “explodir” facilmente, de ficar irritado. Eu estou muito mais calmo.  Lá quando eu tinha, antigamente, dez conflitos por mês no trabalho, eu não tenho mais que cinco!” “Aprendemos a não nos deixar vencer pelas emoções,” diz igualmente Christine N., manter o autocontrole, a arte de escutar, a capacidade de gerenciar os opostos e (se) construir… Todas essas ferramentas maçônicas não são tão misteriosas.  “Mas, não há qualquer segredo em maçonaria! O único segredo é a sua experiência”, afirma Marc Henry com um sorriso. Palavra de grão-mestre!

Publicado originalmente em http://lentreprise.lexpress.fr/manager-et-organiser/sept-pratiques-de-management-inspirees-des-franc-macons_37238.html?p=3

Publicado on janeiro 4, 2013 at 5:38 pm  Comments (6)  

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6 ComentáriosDeixe um comentário

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  3. Gostei muito, bem profundo! E de muita praticidade em nossas vidas.

  4. Na dúvida se consegui enviar a minha opinião há instantes, repriso.
    Excelente material, muito útil e prático.
    Pessoalmente, também digo que muito aprendi com a Arte Maçônica e seus princípios como também com a Doutrina Espírita.
    Tenho usado, com a maior discrição, estes ensinamentos e digo que já colhi frutos por ter lapidado, ao menos em parte, a minha pedra bruta da impaciência, do centralismo, do perfeccionismo e sobre tudo da aceitação das pessoas como elas são e não como gostaria que fossem.

  5. Excelente texto. Parabéns Mano. TFA


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