Ritos e Potências na História…

Tradução José Filardo

arte

Desde a perspectiva da conferência de Roger DACHEZ de quinta-feira, 21 de fevereiro na Rua Cadet, aqui está uma breve apresentação histórica.

As datas são abundantes e esta ciranda acaba por provocar vertigem. 1717, 1723, 1728, 1751, 1773, 1786, 1799, 1821, 1894, etc. Já não sabemos de que estamos a falar, e esta confusão é o deleite dos amantes de declarações sensacionais sobre as origens.

Torna-se urgente colocar um pouco de ordem e dizer que a história não é, às vezes, aquilo que gostaríamos que fosse… Mesmo que possa existir interpretação, os fatos são e permanecerão sólidos! E as datas assim como os fatos são os marcos que permitem compreender a formidável aventura humana que é a Maçonaria. Mas isso significa não tentar fazê-los dizer qualquer coisa!

Em primeiro lugar, é um fato infelizmente estabelecido, que se legitime pela anterioridade! Certamente. Mas não à custa de uma manipulação. Ela aparece pela primeira vez em 1751, com a rivalidade chamada ‘Antigos e Modernos’.

Do que se trata? De um passe de mágica onde os mais recentes querendo realizar um retorno às fontes, atribuem-se o nome de “Antigos”, batizando ao mesmo tempo seus adversários como “Modernos” para retirar sua legitimidade!

Nesta epopeia, o que se observa?

Primeiro, um princípio de ação onde justificar que se seja o mais antigo garantiria a legitimidade histórica, portanto, a autoridade moral mais do ponto de vista de potência que de rito. Perspectiva bem triste, mas uma jogada que não é sem consequências sobre os comportamentos!

Em seguida, para continuar, é preciso retomar alguns conceitos, por vezes, confusos.

O escocismo. Ele ocupa o século XVIII, em um momento em que o REAA ainda não existe, porque ele somente aparecerá em 1804 (de Grasse-Tilly)! Portanto, é preciso evitar ver no escocismo um nome derivado deste rito. É um sistema de altos graus no qual encontramos uma enorme criatividade (!) mesmo em termos concorrenciais, é o mínimo que podemos dizer. Este sistema vai dinamizar a Maçonaria francesa deste século. E sob a liderança de Roettiers de Montaleau, ela dará origem aos Altos Graus do Rito Francês a partir de 1786.

O Rito Francês, que só é chamado de “Francês” porque o Grande Oriente é ‘da França’, é um sistema de viagem iniciática que se constrói logicamente a partir dos três primeiros graus, aos quais foram adicionados em 1786 os altos graus (4 ordens mais uma), permitindo assim um processo iniciático contínuo e lógico.

O REAA, (Rito Escocês, Antigo e Aceito), já mencionado aqui. Este rito apresenta a especificidade histórica de ter, ao contrário do Rito Francês, acrescentado os três primeiros graus ao sistema de altos graus já existente, baseado naquilo que os “Antigos” tinham acrescentado ao ritual dos “Modernos”, aqueles da disputa mencionada acima.

Daí surge uma primeira conclusão que estabelece ser o rito francês muito anterior ao REAA, em toda a sua estrutura.

A organização maçônica.

Para cada um de seus sistemas, a história da Maçonaria nos ensina que os maçons constituíam entidades e jurisdições, para gerenciar esses sistemas iniciáticos. A partir de 1821, as seguintes denominações são constantemente repetidas.

É chamado Supremo Conselho, a ‘jurisdição’, que administra os “altos graus”, os graus acima dos 3 primeiros e Grande Loja, aquela que administra os três primeiros graus, chamados também de lojas “azuis”.

Mas, antes de 1821, o Supremo Conselho da França (SCDF), que gerenciava o REAA incluía lojas “azuis” (lojas dos três primeiros graus). Em 1821 é reativado um Supremo Conselho independente, de um lado, e de outro é criada uma “Grande Loja Central Escocesa” do SCDF.

A Grande Loja da France, atual, é derivada diretamente dessa Grande Loja. É esta situação que pode apresentar alguns problemas de regularidade em relação aos critérios de Grande Loja Unida da Inglaterra! Mas, ao mesmo tempo, ela pode legitimamente fazer remontar suas origens até aquela data. Enquanto sua criação oficial esteja situada exatamente em 7 de novembro de 1894.

Grande Oriente de França. A Maçonaria é organizada na França a partir de 1724 e assume a forma em 1728, sob o nome de “Grande Loja de França”. Esta Grande Loja de França “primitiva” tinha como grão-mestre o Duque de Wharton. Ela viria a se transformar em 1773 em Grande Oriente de França, com a adoção de uma reforma capital que se deve a Montmorency-Luxembourg e que consistiu em fazer eleger os presidentes de Loja (Veneráveis) e em fixar uma duração para seus mandatos. Acabou com as transmissões de cargos! Essa transformação não tem outra filiação que não seja a do GODF, pois a Grand Lodge de Clermont, fruto de uma cisão, se uniu, sem derramamento de sangue, ao GODF em 1799. De forma que a única linhagem que remonta a 1728 é a do GODF.

O Direito Humano. Maria Deraismes foi iniciada em 14 de janeiro de 1882 na loja “Les Libres Penseurs” de Pecq, filiada à Grande Loja Simbólica Escocesa. A Grande Loja Simbólica Escocesa foi fundada em 1880 a partir de 12 lojas do Supremo Conselho da França. Ela se extinguirá permanentemente em 1911.

Assim, a Loja de Pecq violou a regra e a saiu desta potência. Com Georges Martin, Maria Deraismes criaria, em Paris, em 4 de abril de 1893 a primeira oficina mista, e em janeiro de 1894, eles criam a Grande Loja Simbólica Escocesa Mista da França, a Droit Humain. É a primeira obediência mista no mundo. Ela se tornaria uma potência internacional por ocasião de um Convento Internacional em agosto de 1920. Ela trabalha quase que exclusivamente no REAA.

Então, esta pequena rememoração pode iluminar alguns dos debates atuais. Principalmente aquele que consistem em buscar a verdadeira filiação histórica das Potências.

Estamos, assim, diante da seguinte problemática:

1 / Ou retemos apenas as datas oficiais de criação efetiva das potências e o GODF assume a data de 1773 e a GLDF em 1894,

2 / Ou examinamos os fatos, suas datas e procuramos elementos indiscutíveis de suas filiações. Neste caso, o GODF tem suas origens em 1728 e a GLDF as dela em 1821.

De fato, é sempre possível tentar torcer os fatos, mas isso tem consequências sobre a credibilidade do processo…

Mais uma vez, e concluindo, precisamos colocar nossos esforços para dissipar a mistura e a confusão; e particularmente nas captações do patrimônio histórico que, uma vez promulgada, devia ser comum a todos os irmãos e irmãs…

-O Escocismo não é o termo qualificativo que corresponde ao REAA, pois ele corresponde a uma tradição do século XVIII!

-Os ‘Antigos’ são mais recentes que os “Modernos” na disputa de 1751

-O Rito Francês (1730) é pré-existente ao REAA (1804), incluindo seus Altos Graus (1786)

-A anterioridade histórica pertence ao GODF (1728), e a da GLDF remonta a 1821.

Aqui estão algumas ferramentas para compreender.

Ir.´. Gérard Contremoulin

 

Publicado on fevereiro 27, 2013 at 4:34 pm  Deixe um comentário  

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