Rito Escocês nos Estados Unidos

OS ALTOS GRAUS NOS ESTADOS UNIDOS: 1730–1830

pelo irmão S. BRENT MORRIS 33° G.C.

Publicado originalmente em inglês em http://www.freemasons-freemasonry.com/brentmorris3.html

Tradução José Antonio de Souza Filardo M .´. I .´.

A Maçonaria nos Estados Unidos da América teve uma história inicial fora do comum. Importada da Europa – Inglaterra, Escócia, Irlanda, França e Alemanha – tornou-se rapidamente uma das mais importantes organizações coloniais. “Na geração da revolução [americana], a capacidade da Maçonaria de encarnar as diferentes demandas culturais do período deu-lhe um enorme poder.” (1) Ela tornou-se uma organização exclusiva durante a revolução e, em seguida começou a expandir sua base de filiação entre a classe média. É irônico que a Maçonaria Simbólica fosse atacada por sua perceptível influência de elite à medida que começou a aumentar os seus quadros.

Em 1826, em Nova York, William Morgan publicou uma exposição pública de rituais maçônicos. (2) Mais tarde, ele foi raptado por maçons em Canandaigua, Nova Iorque, e em seguida desapareceu. Acreditava-se amplamente que ele tinha sido assassinado como parte de uma conspiração maçônica. O clamor público levou à criação do primeiro “terceiro partido” mais importante na política americana, o Partido Antimaçônico. Em 1830, a Maçonaria estava morta ou adormecida na maior parte dos Estados Unidos. Como Pompéia após o Vesúvio, quase tudo relacionado com maçonaria foi destruído pela erupção da antimaçonaria. Só em 1840 que a fraternidade começou a se recuperar daquele golpe quase fatal.

Assim, podemos perfeitamente enquadrar a época inicial da Maçonaria norte-americana entre dois eventos: a abertura da primeira loja, cerca de 1730 e a quase destruição da Maçonaria cerca de 1830. A Maçonaria cresceu e se desenvolveu nos Estados Unidos durante este período, principalmente através da importação de ritos e graus. As inovações que ocorreram foram refinamentos, não fabricação de graus no atacado. Os maçons americanos pareciam bem conscientes de que sua fraternidade era uma criação europeia e olhavam para aquele continente como a fonte e a origem de tudo o que era “regular” em Maçonaria. Há pouca evidência de criatividade ritual americana naquela época.

1730: Os Primórdios da Maçonaria Americana

Como tantos eventos maçônicos, a primeira aparição da Maçonaria não é precisamente conhecida. Jonathan Belcher (1681-1757), um nativo de Cambridge, Massachusetts e mais tarde Governador das Colônias de Massachusetts e New Hampshire de 1730-41 e da Colônia de Nova Jersey de 1747-57, foi iniciado maçom em Londres por volta de 1704. Ele é um dos poucos maçons conhecidos que entraram para a Maçonaria antes de 1717. (3) É possível que ele tenha abrigado Lojas particulares em sua residência antes de tempos imemoriais ou que as lojas estatutárias de tivessem aparecido. Em 05 de junho de 1730, a primeira Grande Loja nomeou Daniel Coxe (1673-1739) Grão-Mestre Provincial para Nova York, Nova Jersey e Pensilvânia, dando o primeiro reconhecimento oficial maçônico das colônias Inglesas. O Irmão Coxe não parece ter exercido a sua autoridade, embora tenha morado em Nova Jersey de 1731 a 1739. (4) A Grande Loja da Pensilvânia possui um livro marcado “Liber B”, que contém os registros das primeiras lojas americanas conhecidas da Pensilvânia. O primeiro registro é de 24 de junho de 1731, e naquele mês Benjamin Franklin (1705-1790) é lançado como pagando quotizações com atraso de cinco meses. O lançamento de Franklin implica em atividade da Loja a partir de, pelo menos, Dezembro de 1730 ou Janeiro de 1731. (5)

Não há registros de Loja anteriores nos Estados Unidos, embora existam comentários sugestivos em jornais. (6) Assim, estamos seguros ao definir 1730 como a data para o início da Maçonaria norte-americana. (7) Qualquer reunião maçônica que possa ter sido realizada antes de 1730 não foi registrada, e a atividade depois de 1730 aumentou rapidamente e está documentada.

À medida que avançamos a partir de 1730, vemos um aumento da presença maçônica nas colônias inglesas. A primeira loja de Boston foi constituída em 30 de julho de 1733, na casa de Edward Lutwych, uma pousada chamada Bunch of Grapes em King Street. Em 1736, a Loja Solomon N º 1 de Charleston, Carolina do Sul, realizou sua primeira reunião. Até 1738, há indícios de maçonaria em Savannah, Georgia e New York City, e em 1739 ocorreu uma reunião de loja em Portsmouth, New Hampshire. Grão-mestres Provinciais adicionais foram nomeados depois de Daniel Coxe, de 1733 até 1787: vinte e dois pelos modernos, seis pelos antigos, e quatro pela Escócia.

A maioria das lojas americanas se originou de uma das Grandes Lojas britânicas – Inglaterra, Escócia e Irlanda, embora outras Grandes Lojas da Alemanha, França e outras também tenham emitido cartas constitutivas. Lojas militares britânicas itinerantes espalharam a Maçonaria por boa parte da América do Norte, à medida que iniciavam civis nas cidades onde estavam estacionados. Também foi importada da Inglaterra a rivalidade entre as Grandes Lojas Antiga e Moderna. Muitos estados tinham Grandes Lojas concorrentes, que com o tempo se fundiram depois da União de 1813 em Londres, apesar de a South Carolina ter visto a unidade maçônica somente em 1817. Maçons Modernos tendiam a serem conservadores na promoção da fraternidade, eram prósperos e legalistas, enquanto que os maçons Antigos eram agressivos na expansão de lojas, eram da classe trabalhadora e revolucionários. Após a Revolução Americana, a maçonaria dos Estados Unidos era fortemente Antiga em sua organização e prática.

Prince Hall e a Loja Africana No. 459

Em 1775, John Batt iniciou quinze Afro-Americanos libertos, em Boston. Batt era Sargento no Regimento 38 da Infantaria do Exército britânico e Venerável Mestre da Loja n º 441 de Constituição irlandesa. Quando o Regimento e a Loja partiram em 1776, os quinze novos maçons foram deixados com uma autorização para se reunir, desfilar no dia de São João, e enterrar seus mortos, mas não para iniciar maçons. Eles, por sua vez, solicitaram filiação à Grande Loja dos Modernos e receberam uma carta constitutiva como African Lodge nº 459 em 29 de setembro de 1784 com Prince Hall como primeiro Venerável. (8)

Em 1792, quando a Grande Loja de Massachusetts foi formada, A African Lodge não participou, mas permaneceu ligada à Inglaterra. Isto pode ser devido à lealdade à primeira Grande Loja ou ao racismo da recém-formada Grande Loja. No entanto, a Grande Loja de Massachusetts também não reconheceu a St. Andrews Lodge, que tinha uma carta constitutiva escocesa. (9) Há evidências de que maçons brancos visitavam a African Lodge e que a Inglaterra dependia de Prince Hall para obter informações sobre lojas de Boston. (10) Em todo caso, a African Lodge continuou sua existência separada até 1813, quando ela e todas as outras lojas americanas patrocinadas pelos ingleses foram apagadas das listas da recém-constituída Grande Loja Unida da Inglaterra. Então, em 1827, oficiais da African Lodge declararam-se independentes e constituíram-se como uma Grande Loja. A partir destas origens cresceu a grande organização maçônica paralela conhecida hoje como “Maçonaria Prince Hall”.

A Influência dos Conferencistas Maçônicos Itinerantes

As primeiras formas de ritual maçônico nos Estados Unidos são ainda menos conhecidas que as da Inglaterra e da França. Nós não temos o grande número de documentos do século XVIII – constituições góticas, catecismos manuscrito, auxiliares de memória – que podem ser encontrados na Europa. Presumivelmente, os primeiros rituais foram transmitidos de boca a boca, e as Lojas pode ter modelado suas cerimônias de acordo com algumas das exposições públicas, sejam importadas ou impressas internamente. A primeira exposição pública americana foi a reimpressão de Benjamin Franklin de 1730 de O Mistério da Maçonaria, mas não parece ter havido qualquer exposição pública de práticas rituais americanos até o período antimaçônico, por volta de 1826-1840.

Com uma grande diversidade de fontes de ritual, o trabalho em Lojas Maçônicas Americanas deve ter sido variado durante os anos 1700s. Isso começou a mudar em 1797 quando Thomas Smith Webb (1771-1819) publicou o Monitor do maçom ou Ilustrações de Maçonaria. Ele reconheceu que “As observações sobre os três primeiros graus são muitas delas retiradas de “Ilustrações da Maçonaria” de Preston, com algumas alterações necessárias” para torná-las “agradáveis ao modo de trabalhar na América.” (11) Por exemplo, na cerimônia da pedra angular, Preston diz: “Nenhum membro privado, ou o oficial inferior de uma loja privada está autorizado a participar da cerimônia.” Web é muito mais democrático e permite a participação de “tais membros e oficiais de lojas particulares conforme possam convenientemente comparecer”. (12)

Webb foi o primeiro e mais proeminente dos muitos Conferencistas Maçônicos que percorreram o país ensinando um ritual uniforme às Lojas, Capítulos, e qualquer outro corpo que eles pudessem convencer a pagar seus honorários. Esses conferencistas, muitas vezes tinham “graus laterais” disponíveis para venda ou como presentes. Webb treinou Jeremy Ladd Cross (1783-1861) que sucedeu Webb como principal ritualista geralmente reconhecido. A grande contribuição de Cross foi seu The True Masonic Chart ou Hieroglyphic Monitor de 1819. Ele era amplamente o Monitor de Webb Monitor com algumas pequenas alterações textuais e uma grande adição visual: quarenta e duas páginas de gravuras de autoria do Irmão Amos Doolittle.

As gravuras de Doolittle fizeram mais que ilustrar o texto de Cross, elas forneceram um mapa de memória para os estudantes que aprendem o ritual. Cada imagem em uma página era um marco nas palestras. Ao associar uma imagem com uma parte do ritual, era possível rever mentalmente uma aula inteira, folheando algumas páginas do Cartaz de Cross. O livro foi um enorme sucesso e influenciou a obra de arte em quase todos os Monitores Maçônicos americanos posteriores.

Outros palestrantes Maçônicos treinados por ou com Webb e Cross incluem John Barney (1780-1847), James Cushman (1776-1829), David Vinton (m. 1833), e John Snow (1780-1852). Cada um deles parecia concentrar-se em uma parte diferente do país, um pouco como os vendedores têm territórios definidos. Havia alguma cooperação entre os conferencistas e muita concorrência. Estes professores, com o auxílio do Gráfico de Cross e livros semelhantes, ajudaram a padronizar rituais e difundir cerimônias, tais como os Graus de Mestre Seleto e Real.

O Arco Real

O primeiro “alto grau” a aparecer na América foi o Grau do Arco Real. Na verdade, a primeira atribuição registrada deste grau em qualquer lugar ocorreu em dezembro de 1753 na Loja Fredericksburg, na Virgínia, onde George Washington (1731-1799) foi iniciado Aprendiz em 1752. O Ritual Norte-americano do Arco Real é baseado na história de Josué, Zorobabel, e Hagai e a reconstrução do Segundo Templo em Jerusalém. O grau começou a se espalhar de forma constante pelas colônias:

1758-organização do Capítulo Jerusalém na Filadélfia;

1769-organização do capítulo St. Andrew’s, em Boston;

1790-organização de Capítulo Cyrus em Newburyport, Massachusetts;

1792-organização de um capítulo em Charleston, Carolina do Sul;

1794-organização do Capítulo Harmony na Filadélfia.

Outros graus e capítulos não registrados ou esquecidos, sem dúvida, ocorreram. Em 1795, o Primeiro Grande Capítulo foi formado na Pensilvânia, e em 1797 a primeira organização nacional americana foi criada – o Grande Capítulo Geral dos Estados da Nova Inglaterra, que é hoje o Grande Capítulo Geral dos Estados Unidos. Grand Capítulos adicionais rapidamente se seguiram em Massachusetts, Connecticut, Nova York e Rhode Island, em 1798. Até 1830, existiam 21 Grandes Capítulos nos Estados Unidos. (13)

A atribuição inicial do Grau do Arco Real parecia estar baseada na autoridade inerente ao regulamento de uma Loja. Não foi surpresa que forma as Lojas Antigas que estavam mais propensas a ver essa autoridade de alto grau inerente às suas cartas constitutivas. O Capítulo do Arco Real nos Estados Unidos, em contraste com os seus homólogos ingleses, rapidamente se organizou em Grandes Capítulos estaduais e, com exceção da Pensilvânia e Virgínia, rapidamente se colocaram sob a autoridade do Grande Capítulo Geral. Esta forma federal de governo Maçônico equivalia à forma do governo federal adotado com a Constituição dos EUA em 1789.

Uma distorção divertida da Maçonaria Americana do Real Arco é digna de nota: nosso presidente não é o Rei, representando Zorobabel, mas o Sumo Sacerdote, representando Josué. A explicação geralmente aceita é que os patriotas americanos não poderia suportar ter um “Rei” os governando, mesmo em um contexto maçônico. Assim, os oficiais do Capítulo do Arco Real foram reorganizados para dar a posição de governo ao Sumo Sacerdote.

Como as Lojas tinha um “grau de cadeira” – o Grau de Past Master – fazia todo sentido que o Arco Real deve também tivesse um e, por isso, a Ordem do Sumo Sacerdócio nasceu. Ele não é mencionado no Monitor de Webb de 1796, mas ele está em sua edição de 1802, bem como no Gráfico de Cross de 1819. É geralmente conferido a Sumos Sacerdotes antes que eles possam assumir a Cadeira Oriental de Salomão. O grau, ainda trabalhado hoje, pode ter tido ancestrais europeus, mas a sua genealogia é incerta. Ele também é conhecido como a Ordem de Melquisedeque, e não há menção de tal ordem conferida em Massachusetts em 1789. Não é certo que os graus estejam ligados por qualquer outra coisa que não seja o nome.

O crescimento dos Graus de Capítulo

Tal como ocorre na Inglaterra, o Grau de Arco Real nos Estados Unidos só podem ser conferidos a Mestres Instalados. A prática americana logo exigiu a cerimônia de conferência de cadeira para qualificar os candidatos como “Mestres Instalados Virtuais”. O grau de Capítulo parece ter contido os elementos essenciais do grau de Loja, mas o candidato passava por divertidos testes e atribulações. O mais antigo registro do Grau de Marca é de 1783, no Capítulo do Arco Real, em Middleton, Connecticut. Logo, o Marca foi adotado pelos Capítulos do Arco Real como o primeiro em sua sequência de graus. Isso está em contrato para a maioria das jurisdições europeias, onde a Marca é independente e controlado por sua própria Grande Loja.

O Grau de Excelentíssimo Mestre, um grau exclusivamente americano em sua origem apareceu pela primeira vez com este nome no Capítulo Middleton com o Grau de Marca em 1783. Sua lenda gira em torno da conclusão do Templo de Salomão e da colocação da pedra angular no Arco Real. Ele pode conter elementos de graus europeus mais antigos, mas a sua atual organização é exclusiva dos Estados Unidos. Thomas Smith Webb publicou uma descrição deste grau em seu monitor de 1797 como o terceiro de três graus que levavam ao Arco Real, e ele se manteve nessa posição até hoje. A sequência de graus conferidos em Capítulos do Real Arco americanos, desde então (com exceção de Virgínia e Virgínia Ocidental) é

1. Mark Master Mason,

2. Past Master,

3. Most Excellent Master,

4. Royal Arch Mason,

5. Order of High Priesthood for High Priests.

Os Graus Crípticos

Os Graus de Mestre Real e Seleto parecem ter se originado como graus laterais disponibilizados por conferencistas maçônicos itinerantes. Eles são conhecidos coletivamente como “Graus Crípticos” ou o “Rito Críptico”, porque suas lendas lidam com a câmara ou cripta secreta sob o Templo do Rei Salomão. O Grau de Mestre Seleto foi conferido em Charleston, SC, em 1783, e o de Mestre Real em Nova York em 1804. Em 1810, os graus se tornaram permanentemente associados com a formação do Grande Conselho de Columbia dos Mestres Seletos e Reais em Nova York. (14) (Embora tenha “Grande” em seu nome, o corpo era local).

Cross incluiu estes dois graus em seu popular monitor ilustrado de 1819, produzindo um sistema de nove graus que se estendia de Aprendiz até Mestre Seleto. Os graus eram atribuídos algumas vezes em Capítulos do Arco Real, mas lentamente emergiram como órgãos maçônicos independentes, regidos pelos Grandes Conselhos estaduais de Mestres Reais e Seletos e um Grande Conselho Geral em nível nacional. Os primeiros Conselhos independentes foram formados em

1810—New York City,

1815—New Hampshire,

1817—Massachusetts, Virginia e Vermont,

1818-Rhode Island e Connecticut.

Em 1830 havia Grandes Conselhos em dez estados. Sob a influência do Gráfico de Cross e outros monitores, o Grau de Mestre Seleto veio a ser visualizado como no ápice da “Antiga Maçonaria”, mesmo que Conselhos fossem encontrados apenas em algumas áreas metropolitanas e seus graus disponíveis apenas para alguns poucos. Este é provavelmente o início do “Rito de York” americano, que consiste no Capítulo dos Maçons do Arco Real, do Conselho de Mestres Reais e Seletos e Comandaria de Cavaleiros Templários.

Cavaleiros Templários e o Rito de York americano.

A primeira referência a um grau Templário Maçônico é encontrada nas atas da Loja St. Andrews, em Boston, uma Loja dos Antigos, quando em 09 de abril de 1769, William Davis recebeu os graus de Excelente, Super Excelente, Arco Real e Cavaleiro Templário. A Carolina do Sul tem um selo com data de 1780, Maryland tem um diploma templário datado de 1782 e Nova York registra o grau em 1783. Em 1796, a primeira Comandaria (ou Acampamento ou Priorado) foi criada em Colchester, Connecticut, e acabou por receber uma carta constitutiva da Inglaterra em 1803. (15)

Hoje na América, uma Comandaria de Cavaleiros Templários confere a Ordem da Cruz Vermelha, Ordem de Malta e a Ordem do Templo a maçons Cristãos. Em 1816, a Ordem de Malta foi colocada como o último grau na série até 1916, quando ela retornou ao segundo lugar. A lenda da Cruz Vermelha é semelhante à do Cavaleiro do Oriente e Príncipe de Jerusalém detalhando o retorno de Zorobabel da Babilônia para Jerusalém para reconstruir o Templo. Ela conta uma história interessante e fornece antecedentes importantes na compreensão das lendas Maçônicas do Templo, mas está totalmente fora de lugar entre as ordens cristãs de cavalaria. Não obstante, ela permanece e fornece uma parte importante das lendas do Rito de York.

Tomados em conjunto, a Loja da Maçonaria Simbólica, o Capítulo do Arco Real e a Comandaria de Cavaleiros Templários constituem o “Rito de York” americano. O nome é inexato, pois os graus não são originários de York, Inglaterra, mas, também, o Rito Escocês não se originou na Escócia. As Lojas se generalizaram nos estados, Capítulos eram encontrados em cidades maiores, e Comandarias eram menos comuns. A ampla base do Rito de York e seu governo democrático tornaram muito populares nos Estados Unidos. Refletindo a crença generalizada de que o Rito de York era a forma mais pura e mais antiga de Maçonaria, algumas Grandes Lojas Americanas originalmente se intitulavam “Antigos Maçons de York” (A.Y.M. por suas iniciais no original em inglês).

O Rito Escocês Antigo e Aceito

O evento mais notável de alto grau nos Estados Unidos ocorreu em 31 de maio de 1801, quando John Mitchell (ca. 1741-1816) elevou Frederick Dalcho (1770-1835) ao Grau 33, e, em seguida, elevou outros sete até que houvesse um número constitucional para constituir um Supremo Conselho. Suas ações foram anunciadas ao mundo em uma circular datada de 04 de dezembro de 1802. A abertura do primeiro Supremo Conselho do Grau 33 foi precedida por uma considerável atividade “escocesa”.

Etienne Morin (1693? -1771) recebeu autorização em 1761 de Paris ou Bordéus para promover a Maçonaria em todo o mundo. Isto incluía a propagação de um rito de 25 graus, às vezes conhecido como o Rito de Perfeição. Morin mudou para San Domingo e logo nomeou seis Inspetores Gerais. (16) O mais bem sucedido deles foi Andrew Henry Francken (d. 1795), dos quais descenderam cinquenta e dois inspetores, embora ele mesmo só tivesse nomeado seis. Após a chegada de Edgar Morin à América, os corpos de seu rito logo se estabeleceram:

1764-Loge de Parfaits de Écosse, Nova Orleans, Louisiana;

1767- A Inefável Loja de Perfeição, Albany, Nova York,

1781-Loja de Perfeição, Filadélfia, Pensilvânia;

1783 – Loja de Perfeição, Charleston, Carolina do Sul;

1788 – Grande Conselho, Príncipes de Jerusalém, Charleston, Carolina do Sul;

1791- Loja de Perfeição do Rei Salomão, Martha’s Vineyard, Massachusetts;

1792 – Loja de Perfeição, Baltimore, Maryland;

1797 – Sublime Grande Conselho, Príncipes do Real Segredo, Charleston, Carolina do Sul;

1797- La Triple Union, Capítulo Rosa Cruz, de Nova York. (17)

Inspetores propagaram os graus desse rito com pouca organização, muitas vezes pelas taxas que puderam negociar. O lema do Conselho Supremo, Ordo ab Chao, é realmente pouco adequado à situação. O Monitor de Webb continha instruções para os graus inefáveis, que serviram para conscientizar os maçons americanos de que havia mais do que o Rito de York. Assim, quando o Supremo Conselho Geral formou-se em 1801, ele não funcionava em um vácuo.

Em agosto 1806, Antoine Bideaud, membro do Supremo Conselho das “Ilhas das Índias Ocidentais Francesas” visitou Nova York e encontrou uma oportunidade de fazer um pouco de dinheiro extra. Ele conferiu os graus do Rito Escocês a quatro Maçons por US$ 46 cada e, em seguida, criou um “Sublime Grande Consistório dos Graus 30, 31 e 32.” A autoridade Bideaud era somente para as ilhas e certamente não se estendia a Nova York, que estava sob a jurisdição do Supremo Conselho de Charleston. (18)

Em Nova Iorque, em Outubro de 1807, Joseph Cerneau (d. 1827?), um joalheiro de Cuba constitui um “Soberano Grande Consistório de Sublimes Príncipes do Real Segredo”. Cerneau era um “Grande Inspetor Adjunto, para a parte Norte da ilha de Cuba”, sob rito de Morin. Sua patente o limitava a conferir os graus 4 até 24 a oficiais de Loja, e o grau 25 uma vez por ano. Os primeiros registros são suficientemente vagos e não permitem determinar se os membros originais do Consistório de Cerneau achavam que tinham os graus 25 ou o 32. Com menos autoridade ainda que Bideaud, Cerneau lançou sua incursão aos altos graus da Maçonaria em Nova York. (19)

A organização de Bideaud foi “curada” por Emmanuel de la Motta, Grande Tesoureiro do Supremo Conselho Geral em 24 de dezembro de 1813. Esse grupo assumiu o controle do que é hoje conhecido como Jurisdição Maçônica do Norte. O Consistório de Cerneau ignorou as ações de De la Motta, mas decidiu que eles tinham que expandir seus graus para trinta e três, para “acompanhar a concorrência.” Eles acabaram alegando jurisdição sobre os “Estados Unidos, Seus Territórios e Dependências.” Assim, em 1830 havia três Supremos Conselhos competindo nos Estados Unidos. Todos os três tornaram-se adormecidos durante o período antimaçônico.

Graus laterais

A última categoria dos graus anteriores a 1830 é “graus laterais”, atribuídos em circunstâncias irregulares, com pouca autoridade formal. Às vezes, eles eram comunicados por conferencistas itinerantes; às vezes por Maçons que possuíam o grau, às vezes mediante uma taxa, às vezes de graça. Alguns destes graus poderiam ter-se unido em um rito se a antimaçonaria não os tivesse esmagado. Há poucas informações sobre eles, algumas vezes, pouco mais de um título mencionado de passagem. Uma busca em todas as atas de Lojas Americanas antes de 1830 poderia render mais alguns nomes, mas provavelmente nenhum outro ritual.

Algumas das nossas informações vêm de duas revelações públicas do período antimaçônico, a Luz sobre a Maçonaria de David Barnard em 1829 e Um Ritual de Maçonaria de Avery Allyn de 1831. Ambos autores pareciam inicialmente motivados por “salvar” o público americano, expondo os “males” da Maçonaria. Mas, o interesse geral pela Maçonaria foi estimulado pela atribuição pública dos graus por trupes antimaçônicas. Este interesse, por sua vez, aumentou a demanda por revelações, especialmente aquelas completas com senhas e apertos de mão. Bernard atendeu a essa demanda, adicionando o trabalho secreto Thuileur de Delaunaye, sem levar em conta se ele correspondia aos graus que ele descreveu. (20) Muitas vezes, é difícil saber se os graus descritos eram amplamente utilizados. De todos esses muitos graus apenas as Heroínas de Jericó parece ser um original norte-americano. Ela sobreviveu e hoje é trabalhado por maçons Prince Hall.

Outra fonte de graus laterais pré-830 é uma série de artigos de jornal, “Lembranças de um Maçom Veterano” por Robert Benjamin Folger (1803-1892). Publicado em 1873-74, estes artigos descrevem seus cinquenta anos na Maçonaria com alguns comentários sobre graus laterais. Finalmente, há evidências de que a Loja Zorobabel No. 498, em Nova York trabalhava no Rito Escocês Retificado e pode ter conferido o quarto grau, Mestre Escocês. (21)

Graus Laterais Maçônicos Americanos anteriores a 1830

Knight of the Christian Mark (Bernard, Allyn)

Knight of the Holy Sepulchre (Bernard, Allyn

Holy and Thrice Illustrious order of the Cross (Bernard, Allyn)

Knight of the Three Kings, (Allyn)

Knight of Constantinople (Allyn, Folger)

Secret Monitor (Allyn, Folger)

Ark and Dove (somente RAMs), (Allyn)

Mediterranean Pass (Folger)

Knight of the Round Table (grau de diversão), (Folger)

Aaron’s Band (similar ao High Priesthood), (Folger)

Master Mason’s Daughter (para mulheres), (Folger)

True Kindred (para mulheres), (Folger)

Heroine of Jericho (RAMs, esposas e viúvas, (Allyn)

1830: O Fim da Primeira Era da Maçonaria Americana

Já em Março de 1826 um maçom de Nova York chamado William Morgan começou planos para publicar os “segredos da Maçonaria.” Isto criou uma grande celeuma em sua pequena cidade de Batavia, New York. Nem Morgan, nem seus leitores em potencial, ou a Loja local pareciam estar cientes que revelações de ritual estavam disponíveis nos Estados Unidos pelo menos desde 1730, quando Benjamin Franklin republicou O Mistério da Maçonaria. Os maçons tentaram comprar o manuscrito doa editor de Morgan, David Miller, um ex-Aprendiz Maçom. Quando isto falhou, empresa de impressão de Miller foi incendiada duas vezes, presumivelmente por maçons, mas outros afirmam que era um golpe publicitário de Miller.

Morgan, um patife que devia dinheiro a todos, foi preso em Canandaigua, New York, devido a uma dívida de US$ 2,00 atribuída a Nicolau G. Chesbro, Venerável Mestre da Loja em Canandaigua. No dia seguinte, 12 de Setembro de 1826, Chesbro apareceu na cadeia com vários outros maçons e retirou sua queixa contra Morgan. Eles escoltaram Morgan para fora e o colocaram em uma carruagem que esperava. Antes de entrar no carro, Morgan foi ouvido gritando durante uma briga, “Socorro! Assassinos!” Ele foi levado para o norte ao Condado de Niágara e mantido no antigo depósito de pólvora do Forte. Niágara, até 19 de Setembro. Morgan nunca mais foi visto depois disso. (22)

O sequestro, desaparecimento e assassinato presumível de Morgan desencadearam uma crise social e política nos Estados Unidos. Muitos passaram a acreditar que a Maçonaria era um poder secreto por trás do governo, contrariando a vontade do povo e assassinando aqueles que ousavam desafiá-la. Os líderes religiosos denunciaram a fraternidade como anticristã. Logo, o medo da Maçonaria se manifestou com a criação do primeiro “terceiro partido” importante na política americana: o Partido Antimaçônico. O partido atraiu reformadores abolicionistas e idealistas, mas seu objetivo principal era a destruição da Maçonaria e outras “sociedades secretas”. De cerca de 1826 a 1840 o movimento antimaçônico varreu o país, destruidor em alguns lugares, pouco notado em outros. Em 1826, Nova York tinha 480 Lojas e até 1835 restavam apenas 75. A Grande Loja de Vermont encolheu a tal ponto que só o Grão Mestre, o Grande Secretário e o Grande Tesoureiro participavam da Grande Loja, e os Supremos Conselhos do Rito Escocês estavam adormecidos. Os estados do nordeste, onde a Maçonaria Simbólica era mais próspera, sofreu a pior destruição, mas em algumas partes do país foi poupada. Quando o Partido Antimaçônico desmoronou como força política em 1840, a Maçonaria começou a ressurgir, mas como uma organização mais conservadora e de orientação religiosa.

1998 Blue Friar Lecture

BIBLIOGRAFIA

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NOTAS

1. Steven C. Bullock, Revolutionary Brotherhood (Chapel Hill and London: University of North Carolina Press, 1996), p. 275.

2. William Morgan, Illustrations of Masonry (Batavia, N.Y.: David Miller, 1826).

3. David Crockett, First American Born (Bowie, Md.: Heritage Books, Inc., 1992).

4. Henry W. Coil et al., Coil’s Masonic Encyclopedia (New York: Macoy Masonic Publishing and Supply Co., Inc., 1961), s.v. “Coxe, Daniel.”

5. Coil, s.v. “America, Introduction of Freemasonry into.”

6. Melvin M. Johnson, The Beginnings of Freemasonry in America (Kingsport, Tenn.: Southern Publishers, Inc., 1924).

7. Vale a pena notar que Massachusetts, Virginia, e alguns outros estados têm tradições de reuniões maçônicas anteriores à Pennsylvania. Declarar dogmaticamente que a Pensilvânia é a fonte e a origem da maçonaria americana é correr o risco de desacordo inentos, mas amigável, com outras Grandes Lojas.

8. Charles H. Wesley, Prince Hall: Life and Legacy, 2nd ed. (Washington: United Supreme Council, 33°, S.J., P.H.A., 1983), pp. 34–35; Joseph A. Walkes, Black Square and Compass, 3rd printing (Ft. Leavenworth, Kans.: Walkes Book Co., 1980), pp. 21

9. Charles H. Wesley, pp. 99–100.

10. Charles H. Wesley, p. 91.

11. Thomas Smith Webb, The Freemason’s Monitor or Illustrations of Masonry, new and improved ed. (Salem, Mass.: John D. Cushing, 1821), p. 1.

12. S. Brent Morris, Cornerstones of Freedom (Washington: Supreme Council, 33°, S.J., 1993), p. 140.

13. Coil, s.v. “Royal Arch Masonry.”

14. Coil, s.v. “Rites, Masonic, II, Cryptic Rite.”

15. Coil, s.v. “Knights Templar (Masonic).”

16. Harold van Buren Voorhis, The Story of the Scottish Rite of Freemasonry (New York: Press of Henry Emmerson, 1965), p. 15.

17. Kent Walgren, “An Historical Sketch of Pre-1851 Louisiana Scottish Rite Masonry,” Heredom, vol. 4, 1995, pp. 190; Samuel H. Baynard, Jr., History of the Supreme Council, 33°, 2 vols. (Boston: Supreme Council, 33°, N.M.J., 1938), pp. 97–100.

18. Baynard, p. 152.

19. Baynard, pp. 155–156; Joseph Cerneau, Patent of Authority, 15 July 1806, Baracoa, Cuba, Manuscript in the hand of Mathieu Dupotet(?), Archives, Supreme Council, 33°, S.J., Washington, D.C.

20. Walgren, p. 98.

21. S. Brent Morris, The Folger Manuscript (Bloomington, Ill.: Masonic Book Club, 1993), pp. 4, 26, 27, 31.

22. Coil, s.v. “Morgan Affair.”

 

Publicado on março 24, 2011 at 11:54 am  Comments (1)  

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  1. Parabéns pela iniciativa em traduzir tão importantes informações históricas.
    A cultura e o conhecimento são elementos basilares para o crescimento do Maçom e da instituição.
    Um TFA


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