Racismo na Maçonaria

Tradução José Filardo

 por Ven. Irmão Fred Milliken

Primeiro é preciso admitir que há racismo na Maçonaria. Para muitos, isso vai ser difícil. O racismo na Maçonaria ocorre em bolsões por todo o país, mas raramente em toda uma jurisdição. Embora algumas lojas locais estejam barrando Afro-americanos, outras os estão acolhendo. Se você ainda não assistiu a episódios de racismo na Maçonaria, então você pode negar que ele existe.

Uma medida da atitude racial é o reconhecimento da Prince Hall pelas Grandes Lojas americanas. Hoje, todos, exceto treze Estados, reconhecem a Prince Hall. Aqueles que não reconhecem são os onze estados originais da Confederação menos a Virgínia, mais o Kentucky, Virgínia Ocidental e Delaware. Nsses Estados existe uma minoria considerável pressionando pelo reconhecimento. E justamente porque a Prince Hall realiza o ritual e promulga landmarks ou princípios de crença que são uma cópia espelhada da Maçonaria tradicional, apenas com pequenas diferenças que ocorrem hoje de uma jurisdição tradicional para outra. Na verdade a maioria das jurisdições maçônicas declara regular a Maçonaria Prince Hall. Alguns dizem regular, mas clandestina. Então, como se pode ser regular mas clandestina? Deixo a dedução ao leitor.

Alguns dizem que o não reconhecimento da Prince hall é um “problema de jurisdição”.  Não acredite neles. É uma cortina de fumaça racista. Desde o seu início e por um longo período a Hall pediu para ser incluída nas tradicionais Grandes Lojas. Repetidamente, a resposta foi não. Agora que as lojas tradicionais mantiveram a  Prince Hall separada, obrigando-a a formar seu próprio sistema e Grandes Lojas, ao invés de incorporá-las, elas agora dizem que se a Prince Hall não fosse uma grande loja separada nós a reconheceríamos.

Naturalmente, atos de racismo não tão sutis são relatados frequentemente. Depois de uma Loja ter dado bola preta a cada candidato negro que jamais pediu sua admissão nos últimos cinquenta anos, é claro que existe um histórico de exclusão. Também a falha em oferecer a qualquer negro um formulário de solicitação de ingresso, falha até mesmo em sugerir que eles seria uma adição muito boa à loja é igualmente excludente. Muitos negros interessados em aderir a uma loja tradicional são instruídos a solicitar o ingresso na  Prince Hall, não aqui. A prática do voto secreto para a aprovação da admissão de irmãos visitantes é uma maneira costumeiras em algumas áreas manter Mestres Maçons negros de outra jurisdição fora da Loja. Outra prática é admitir um visitante negro, mas se recusar a abrir a loja, substituindo-a por  uma palestra de educação maçônica. O Grão-Mestre do Texas, em 2004 expulsou a Sociedade Philalethes do estado porque seu Capítulo de Dallas pediu a um maçom Prince Hall que fizesse uma palestra ali.

Para aqueles que ainda gostam de negar a acusação de racismo na Maçonaria, vamos olhar para o número de Mestres Maçons negros em uma jurisdição. Agora, alguns estados têm uma população negra muito baixa, portanto olhar para essa estatística não teria sentido no caso deles.  Vamos olhar apenas os cinco primeiros em população negra. Nova York tem 3,5 milhões de negros. Flórida, Texas, Califórnia e Geórgia têm um pouco mais de 2 milhões.  895.000 negros foram adicionados à população da Flórida, entre 1 de julho de 2003 e 1 de julho de 2004. Este é o maior aumento numérico de qualquer estado da nação. A Geórgia e o Texas adicionaram 61.800 e 45.000, respectivamente, no mesmo período. (1) Esses cinco Estados representam cerca de 30% da população total de negros no país que estão em uma média estatística de 13,4% do total da população dos EUA. Se tomamos esse número de 13,4%, poderíamos supor que as Grandes Lojas tradicionais deveriam  refletir 13,4% de seus membros como negros? Realmente não, porque precisamos colocar a Prince Hall na equação. Por isso, vamos dizer para fins arbitrários que 75% daqueles negros que seriam maçons optaram automaticamente por Prince Hall. Isso nos deixa 25% de 13,4% ou seja, 3,35% que deveríamos encontrar em lojas tradicionais. Isso é uma suposição razoável e racional, e porque é um palpite que permitirá uma grande divergência. O único destes cinco Estados em que eu não tenho qualquer experiência é o Texas. Já visitei várias lojas, assim como uma Comunicação de Grande Loja. No ano passado, tenho números de adesão para a Grande Loja do Texas de 2003 quando havia 112.977 Mestres Maçons. 3,35% seriam 3.784. Seria bom se as Grandes Lojas mantivessem estatísticas de participação de minorias. Talvez eles o façam, mas não os estão compartilhando com os soldados rasos. Então, deixo isso para vocês. Você acredita que existem 3.784 maçons negros na Grande Loja do Texas? Eu não.

Nós fizemos o melhor estudo que podemos fazer. Mas como chegamos a isso? Historicamente, Rosa Parks e Martin Luther King com a ajuda de tropas federais e da Lei de Direitos Civis de 1964 não apagaram o “separados mas iguais” e instituíram a integração civilmente há anos? O que aconteceu com a Maçonaria?  Por que estamos testemunhando esta batalha 40 anos depois?

A hipótese recorrente é que depois de a Ku Klux Klan perder seu apelo maciço na década de 1930, ela passou à clandestinidade e se infiltrou e se acoplou à Maçonaria. A Klan era muito enfática em que era uma organização cristã, daí a queima da Cruz. Suas vestes brancas com capuz, dizia-se, imita, os Cavaleiros Templários, seus apertos de mão secretos e juramentos – Maçonaria. Ela também era anunciado como uma organização fraternal, que defendia a supremacia branca, contra os direitos dos homossexuais e era antissemita, anticatólica e anti-imigrante. Assim a KKK era cristã e fraterna e acostumada ao segredo.

Na década de 20, a Klan tinha perto de 4 milhões de membros; 15% da população elegível eram membros. A Maçonaria no mesmo período tinha cerca de 3 milhões de membros e em seu auge nos anos 50 e 60, apenas mal chegou a 4 milhões. Em meados da década de 30, a associação na KKK caíra para milhares. Para onde eles foram todos? Não é possível que eles entraram direto na Maçonaria para se legitimar? O que seria mais atraente para eles do que uma organização altamente conceituada que fazia pleno uso do escrutínio secreto permitindo-lhes realizar sua missão de uma sociedade somente de brancos, cristãos protestantes e falando Inglês. E não é isso em que a Maçonaria americana tornou-se? – Branca, cristã protestante e falando inglês. E a maneira como ela continue assim que vocês dão bola preta a todos os outros.

Alguém não tem sido estado guardando o Portão do Ocidente. A tolerância maçônica foi reformada para tolerar a intolerância.

Cada tentativa de uma solução é enfrentada  com “você não pode fazer isso”. Você não pode dizer a outra Grande Loja o que fazer, pensar, como agir. Nem qualquer instituição maçônica maior foi jamais criada para fazer exatamente isso. Depois, há aqueles que dizem “espere mais 40 anos até que todos os racistas velhos morram. Ah sim, há uma solução brilhante. Não fazer nada e o problema desaparecerá por si só.  Talvez o problema é a falta de uma identidade maçônica nacional americana e os abusos do escrutínio secreto. Para uma discussão mais detalhada das soluções veja a edição no. 4 da Revista Maçônica.

(1) Todas as estatísticas são do governo norte-americano, Bureau do Censo em relação a 2004.

– Fonte: Knights of the North Masonic Dictionary

Publicado originalmente em:  http://www.masonicdictionary.com/racism.html

Publicado on dezembro 14, 2012 at 8:23 am  Comments (1)  

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