Platão e o Ritual Maçônico

A INFLUÊNCIA DE “A REPÚBLICA” DE PLATÃO SOBRE A MAÇONARIA E O RITUAL MAÇÔNICO

 

Stephen Michalak

A Pergunta Tertuliana e sua relevância para a Moderna Maçonaria.

Pelo Irmão Stephen Michalak
Grande Instrutor Adjunto
Grande Loja do Sul da Austrália e Território do Norte

Publicado pela primeira vez em 2008

(publicado no excelente site http://www.freemasons-freemasonry.com/plato_freemasonry_book.html pelo Irmão Bruno Gazzo)

 

Tradução de José Antonio de Souza Filardo, M .`. I .`.

 

Dedicatória, Agradecimentos, Introdução

Não desistiremos de explorar
E o fim de toda nossa exploração será
Chegar onde começamos
E conhecer o lugar pela primeira vez.

T.S. Eliot
Lillle Gidding em Four Quartets (1942)

Dedicatória

A Jenny Michalak, minha esposa

Aqui está o prêmio em questão, bem diante de ti –
uma mulher que não tem igual em todo o país dos Aqueus
nem na santa Pylos, nem em Argos ou Micenas,
nem mesmo na própria Ítaca ou no continente barrento.

Homero, A Odisseia, Livro XXI
(Tradução livre)

Joseph Bacuriski, meu irmão

Ontem eu encontrei um homem íntegro… Custa tanto ser um ser humano calmo sendo que existem muito poucos que têm a iluminação para pagar o preço… É preciso abraçar o mundo como uma amante e ainda assim não exigir um rápido retorno de amor … É preciso cortejar a dúvida e a escuridão como preço do conhecimento. É preciso uma vontade obstinada no conflito, mas sempre apta a aceitar totalmente cada consequência do viver e morrer.

Morris West, As Sandálias do Pescador


Brian King, meu mentor

Meu guia e eu buscamos regressar ao claro mundo superior.
Sem jamais considerar, nem ele nem eu, em pelo caminho tomar descanso, formos subindo,
o Mestre à frente eu em segundo. Até que
por abertura circular pude enfim perceber,
do escuro céu as grandes maravilhas.
E, saindo, tornamos a ver as estrelas.

Dante Alighieri, Inferno (Canto XXXIV) de A Divina Comédia
(Hernani Donato, tradução)

Jim Beveridge e Max Atkinson, minhas inspirações

Foi o próprio César, que inspirou e cultivou esse espírito, essa paixão por distinção entre seus homens.

Plutarco, A Vida de César, (17)
(Rex Warner, tradução)

Agradecimentos

Eu gostaria de expressar minha gratidão aos Irmãos George Woolmer (Grande Bibliotecário, Grande Loja do Sul da Austrália e Território do Norte), por sua ajuda na localização de trabalhos relativos ao desenvolvimento do Ritual de Emulação na Inglaterra e ao Irmão Graham Bollenhagen FGIS, (Grão Mestre da Grande Loja do Sul da Austrália e Território do Norte), por sua gentil permissão para citar seu discurso de posse.

Introdução

Foi em um sábado à tarde, frio e chuvoso, em meados de 2004, que fiz a descoberta de pouca importância, acidental, que me levou a escrever este livro.

Cerca de oito ou nove anos antes, eu havia colocado uma série de livros em caixas acima do teto em nossa casa. Meu plano original tinha sido que isso serviria como uma instalação de armazenagem temporária. Pensando sobre isso, penso que eu deva ter dado à minha esposa Jenny, alguma garantia de que este acordo ia ser exatamente o que a palavra temporário realmente sugere. A razão de eu fazer esta observação é que naquela mesma manhã, Jenny  lembrou-me  aquela garantia certa de que ela se lembrava de que eu havia dado a ela tantos anos atrás. Cocei a cabeça e olhei fixamente para ela. Ela enfrentou meu olhar vazio com um olhar determinado. O subtexto mudo de sua expressão confirmou-me além de qualquer sombra de dúvida, que já era hora de começar a trabalhar acima do nosso teto. Em qualquer caso, aquela área precisava ser preparada para alguns dutos de ar condicionado que deveriam ser instalados dentro de algumas semanas.

Como as coisas acabaram acontecendo, limpar o espaço acima do teto foi uma tarefa bem adequada para aquele sábado em especial. Lá fora, uma chuva constante caía e continuou a cair até o início da noite.

Uma vez que o espaço acima do teto havia sido desocupado, eu classifiquei os livros dentro das caixas em três grupos.

De um lado, coloquei os livros que queria manter. De outro – livros que eu queria vender.

O último grupo foi dedicado às doações e marcados para serem doados a Lions Club local – um clube de serviço ao qual eu tinha pertencido antes de entrar para a Maçonaria.

Quando olho para trás para aquele sábado em especial, ele não  realmente muito diferente de tantos outros sábados que eu tinha aproveitado em minha vida. Houve, no entanto, uma coisa que o diferenciou de todos os outros, e isso ocorreu no exato momento em que eu peguei um único livro em particular, que tinha estado anonimamente entre todos os outros. Era um livro que eu havia estudado ao realizar um trabalho escrito sobre a história da educação. Isso foi em 1977, quando eu estava estudando no Murray Park Teachers College em Magill, Sul da Austrália.

A capa do livro mostrava a imagem de um painel de mosaico de vidro de um filósofo grego chamado Platão. O título  do livro era muito simples – A República, e ele tinha sido escrito mais de 2300 anos antes pelo mesmo filósofo grego cuja imagem aparecia na capa. Lembrei-me de que o trabalho escrito que eu tinha escrito há tantos anos detalhava como Platão tinha sido a primeira pessoa na sociedade ocidental a elaborar um projeto para um currículo de educação para um homem ou mulher, cujo produto final seria tornar-se um líder ideológico dentro da sociedade grega de seu tempo. Ele se referia à graduação de seu sistema de ensino – um sistema que tinha o título muito distinto de rei-filósofo. Seu aluno atingia esta distinção em estágios progressivos, através da abordagem revolucionária de Platão para a educação.

Platão propôs que a educação formal deveria visar dois aspectos importantes da natureza humana, a fim de que um indivíduo pudesse atingir a excelência. O primeiro aspecto era que a maioria dos sistemas de ensino é concebida (ainda hoje) para alcançar – o desenvolvimento do intelecto de uma pessoa. O segundo aspecto do seu sistema de ensino era muito mais revolucionário. Ele tratava do desenvolvimento do caráter de uma pessoa. Seu governante ideal demonstraria excelência em seu pensamento, ações e tomada de decisão através de um equilíbrio entre seu intelecto (que podemos chamar de pensamento certo) e seu caráter (que era demonstrado através do comportamento certo).

O livro que eu tinha em minha mão tinha sido traduzido para Inglês por Sir Desmond Lee e era uma reedição de 1976 de uma edição original Penguin Classics. Olhando para o livro, eu também notei que suas extremidades superiores estavam manchadas com tinta amarela desbotada, aguada – sem dúvida o resultado de um derrame acidental de realce que tinha ocorrido há muitos anos.

Fiz uma pausa e olhei para fora do vidro da porta deslizante traseira, imerso em reminiscências associadas aos meus tempos de estudante. Lá fora, raios fracos ocasionais de uma luz acobreada carregada de umidade se refletia no gramado, arbustos e árvores de uma forma que era tão típica de uma tarde de meados do inverno em Adelaide.

Voltando ao A República, comecei a folhear com curiosidade nostálgica. Momentos depois, fiquei surpreso ao ler as palavras de uma passagem que eu tinha destacado quase três décadas antes. Foi neste momento específico, que transformei uma tarde de sábado normal entre tantos sábados comuns em algo de maior significado pessoal para mim.

A linha de texto assinalada que prendeu meus olhos estava, sem dúvida, prenhe de significado maçônico. Foi uma coincidência muito curiosa. Eu olhei aleatoriamente para outra página. Também neste caso, havia um trecho de texto assinalado. Da mesma forma, este foi também era muito semelhante a uma outra parte do Ritual maçônico. Eu agora tinha duas coincidências muito curiosas. Respirando fundo, acomodei-me em uma cadeira e comecei a percorrer o texto. A esta altura, qualquer curiosidade sentimental que eu tinha, havia se transformado em concentração.

Muito rapidamente, tornou-se óbvio para mim que muitas dessas passagens tinham relação direta com o ritual com o qual eu tinha me familiarizado desde minha iniciação na noite de segunda-feira 8 de Novembro de 1999.

Devido ao grande número de paralelos, comecei a me perguntar se estas eram apenas coincidências, ou se havia alguma arquitetura, proposital prevista na estrutura do nosso ritual que poderia ter como base, a mais importante obra filosófica de Platão? Meu primeiro pensamento foi que havia semelhanças demais para simplesmente descartar o que eu tinha encontrado.

No decorrer da semana seguinte, li o livro – da capa à contracapa – estimulado por uma ânsia de entender por que era que parecia haver tantas correspondências com o ritual Maçônico praticado no sul da Austrália.

Compreendi que havia um problema central que eu tinha que superar. Platão tinha escrito A República em grego, e eu nunca tinha estudado a língua. Eu tinha frequentado a Escola St Paul aqui em Adelaide, que se orgulhava de ter uma estrita tradição de Irmãos Cristãos. Como consequência, cada um dos cinco anos do meu currículo do ensino secundário, tinha uma matéria de latim clássico – e não grego.

Como quase 30 anos haviam se passaram desde a minha última aula de Latim (e sem uso diário) o meu comando do Latim tinha, compreensivelmente, se tornado pouco cansado. Apesar disso, uma lembrança permaneceu tão nítida como sempre.  E eu sorrio ao pensar nela, entendendo-se que somente a distância no tempo que me separava dos tempos de estudante que me permitiu o luxo de um sorriso. Foi a lembrança do castigo que esperava qualquer estudante que falhasse em declinar um substantivo ou conjugar um verbo com o floreio de precisão que os Irmãos Cristãos exigiam.

Aqui estava minha principal preocupação – a tradução Penguin era fiel? Sem qualquer conhecimento do grego como eu poderia estar certo?  Porque tanto o idioma quanto os sentimentos em destaque no livro que eu estava segurando eram tão impressionante parecido com o ritual maçônico, que eu queria me convencer uma coisa em particular. Eu precisava de garantias de que esses paralelos não eram apenas uma peculiaridade desta tradução particular de Sir Desmond Lee. Mesmo assim – como eu poderia fazer um julgamento considerado neste contexto, dado que o grego era (em todos os sentidos da palavra) estranho para mim?

Foi então que eu decidi que a abordagem mais lógica seria para mim  comparar diferentes traduções modernas de A República.

Eu li a tradução de Robin Waterfield (Republic, Oxford World’s Classics 1993), seguido da tradução de C.D.C. Reeve (República, Hackett, 2004. Se alguma coisa aconteceu foi que essas traduções ampliaram (ao invés de diminuir) qualquer correspondência maçônica existente entre os escritos de Platão e o Ritual maçônico.

Neste ponto, no início de minhas investigações, comparar estas três traduções modernas confirmaram para mim, sem a menor dúvida, que A República de Platão tinha sido uma influência principal no desenvolvimento do moderno Ritual Maçônico.

O que eu não entendia era o motivo.  Supondo que eu estivesse correto – que a República de Platão foi o fundamento do Ritual Emulação, por que ele foi escolhido? Quais foram as influências operando na época em que escolha foi feita, uma escolha natural? Com o tempo, as respostas a todas essas perguntas vieram com facilidade e (felizmente) … grande clareza.

Significativamente, por meio desse processo, eu também tinha me satisfeito que a tradução de Lee não tinham sido singular em sua expressão de linguagem maçônica, princípios e sentimentos. Eu, então, comecei a ler outros diálogos de Platão. Quanto mais eu lia, mais convencido ficava de que o nosso Ritual Maçônico foi criado (sem qualquer dúvida ou qualificação) com base em princípios muito específicos da filosofia platônica.

Então, pensei sobre a rota que eu precisaria tomar para chegar a uma conclusão lógica, bem considerada quanto ao motivo por que os escritos de Platão tornaram-se bordados no tecido do moderno Ritual maçônico.

A abordagem que eu devia tomar foi longe de ser auto evidente para mim no começo. Ela se desenvolveu naturalmente e no seu próprio ritmo com o tempo. Minhas investigações conduziram-me por distintos vetores da investigação histórica.

O primeiro foi compreender a vida e os tempos em que Platão viveu.

A segunda via foi entender o que estava ocorrendo na Escócia e na Inglaterra nos anos que antecederam 1717, quando a Maçonaria foi revitalizada sob a égide da Grande Loja da Inglaterra até o ano de 1823 e depois. O que eu descobri foi que a Europa, a partir de meados dos anos 1700 (e mais particularmente a Inglaterra e a Alemanha), foi varrida por uma alavanca cultural que hoje é reconhecido pelo termo “filohelenismo”. O termo significa “amor por todas as coisas gregas”.

Em 1816, um ritual maçônico conhecido pelo nome de Emulação foi aprovado para uso, após décadas de controvérsias quanto ao correto e adequada ritual maçônico que deveria ser usado.

O ritual que usamos no sul da Austrália e Território do Norte é (apenas com variações pouco importantes), Emulação. O ponto crucial disso – os autores do Emulação – (escrito no início do século XIX), tinham decidido, por razões próprias tecer a tela do conceito de Platão de um rei-filósofo no corpo deste Ritual.

Quando eu completei minhas investigações, eu era capaz de articular um modelo significativo, estruturado e coeso de Maçonaria. Era um que era vibrante; ele era enérgico. Mais do que tudo, era algo que fosse fácil de entender e aplicar.  Sua aplicação podia ser demonstrada em uma loja, mas de significado ainda maior – ele poderia ser demonstrado nos aspectos do dia-a-dia de nossas próprias vidas.

Mais importante ainda, o caminho através da Maçonaria, não era mais uma macega de sistema discordantes díspares de símbolos, imagens e referências.

Aqui está o cerne do argumento que proponho neste livro:

Como maçom, quando você ou eu estamos presentes na Abertura ou Fechamento da Loja, sempre que você ou eu participamos de Iniciação, Elevação ou Exaltação de um irmão, então as palavras e os sentimentos que ouvimos (ou entregamos) ressoam com as palavras e sentimentos escritos por um filósofo grego chamado Platão – quase 400 anos antes da era cristã.

Existe um passo a mais – os símbolos e alegorias de nossos rituais estão impregnados de história e mitologia grega. Uma vez que entendamos os mitos específicos a que nossos símbolos e alegorias se referem, mais rico em significado nosso ritual se torna para nós.

Semanalmente, em conjunto com os Grandes Oradores de nossa jurisdição, eu apresento em toda a rede de lojas maçônicas metropolitanas do sul da Austrália e lojas do interior. Estas apresentações – abordando todos os aspectos da história e filosofia maçônicas são expressos (tanto quanto possível) em linguagem cotidiana. Com a base de filiação na Maçonaria em toda a Austrália mostrando uma tendência ascendente satisfatória, é importante ser capaz de continuar a expressar o que a Maçonaria é, assim como o que ela representa, a cada irmão em uma linguagem que seja inclusiva e não exclusiva.

Estou também consciente de que esta é uma oportunidade para compartilhar nosso patrimônio e os valores maçônicos com os leitores na comunidade em geral – uma direção que está sendo impulsionada energicamente no Sul da Austrália, e destacada no corpo do Discurso Inaugural de Graham Bollenhagen em sua Instalação em abril de 2006 como Venerabilíssimo Grão Mestre do sul da Austrália e Território do Norte:

Embora seja óbvio, certamente, nesta sociedade moderna, que tem havido uma tendência de foco em vender, parece haver um renascimento da compreensão de um propósito maior de vida, e alguns começam a buscar outros aspectos em suas vidas. Para a Maçonaria, precisamos de garantir que possamos ajudar nesta busca, proporcionando o conhecimento dos nossos ideais, mas é claro, como podemos apresentá-lo à outras pessoas, se nosso entendimento pessoal de tal conhecimento é formulada em termos e numa língua que não é facilmente compreendida pelos outros.

Permitam-me agora dar-lhe um retrato breve de algumas das questões discutidas neste livro:

Algumas coisas que você vai encontrar discutidas neste livro …

Platão foi o primeiro na tradição filosófica ocidental a propor as Virtudes Cardeais e as Artes Liberais e Ciências, como meio para se tornar um rei-filósofo. No Ritual da Maçonaria somos instruídos nas Virtudes Cardinais e nas Artes Liberais e Ciências como os caminhos pelos quais podemos atingir à Cadeira do Rei Salomão. Existe uma conexão entre a nossa instrução maçônica e o rei Salomão (como o rei filósofo ideal ou arquetípico)?

No Discurso do Canto Nordeste somos instruídos sobre a importância de não ter metais ou objetos de valor em nossa pessoa. Existe alguma relação entre essa instrução e a instrução dada a um dos reis-filósofos de Platão – não ter metais ou objetos de valor sobre a sua pessoa?

Se a mitologia, história e filosofia gregas são a base da Maçonaria moderna, é possível que a Sabedoria, a Força e a Beleza têm alusão simbólica a três principais cidades gregas que tipificavam cada característica no mundo antigo, a saber – Atenas (Sabedoria), Esparta (Força ) e Corinto (Beleza)?

Em Timeu, Platão descreve a criação do mundo por um Ser Supremo que ele chamou de “techton” do cosmos (Artesão do Universo). Este Artesão criou o universo a partir de cinco sólidos geométricos. Platão, (assim como aqueles sólidos geométricos vivos) é mencionado no Discurso da Segunda Cadeira (Palestra simbólica) no Ritual do Santo Real Arco de Jerusalém. O que isso nos diz sobre a evidente influência cruzada com relação a Platão na Maçonaria Simbólica e outros graus?

Em Timeu e Gritias, Platão desenvolve o mito de Atlântida – uma imensa superpotência vencida por uma aliança ateniense de cidades-estados vizinhos governados por (entre todas as coisas) – reis-filósofos. Qual a ligação filosófica da Maçonaria com o antigo mito da Atlântida?

Capítulo Um

A pergunta de Tertuliano e sua relevância para Maçonaria moderna.

“A Questão de Tertuliano” é, reconhecidamente, um estranho subtítulo para um livro que pretende lidar com a filosofia Maçônica, então agora é um momento tão bom quanto qualquer outro para explicar seu título e relevância. Tertuliano é a forma portuguesa do nome latino Quintus Septimius Florens Tertullianus – (… um nome que certamente tem o seu próprio floreio). Tertuliano nasceu na cidade de Cartago, no que é hoje a Tunísia, por volta do ano 158 d.C.

A história diz que Cartago era uma cidade fundada por colonos da cidade de Tiro, na Fenícia quase 1000 anos antes do nascimento de Tertuliano. Esta mesma cidade de Tiro, dois dos nossos lendário primeiros Grãos Mestres chamava de lar e foi também o lar de trágica rainha Dido. A Rainha Dido foi a amante do príncipe troiano Eneias, por quem tanto Júlio César quanto o imperador Augusto alegavam descendência linear e Virgílio explorou as aventuras lendárias de Enéias no poema épico, a Eneida.

Hannibal, o Grande, que empreendeu uma campanha militar de 16 anos contra Roma durante a Segunda Guerra Púnica (218-202 a.C.) também vinha da cidade de Cartago. Embora esta campanha militar não seja algo que venha facilmente à nossa mente, provavelmente cada um tem uma vaga lembrança de infância dos inimigos de Roma encenando uma ousada travessia dos Alpes usando elefantes. A vaga lembrança desta campanha é aquela que Aníbal havia arquitetado e executado.

Nascido cerca de 200 anos depois de Tertuliano, foi o grande Doutor da igreja cristã – Agostinho de Hipona, que também viveu em Cartago por um curto, mas significativo período de sua vida. Como vamos descobrir, Agostinho de Hipona reconheceu que era realmente a produção escrita de Platão que era a base da sua conversão ao cristianismo. Foi Agostinho quem injetou a filosofia de Platão no núcleo em desenvolvimento da teologia cristã, e foi o movimento protestante (cerca de mil anos depois) que redefiniu a teologia cristã, retornando novamente a filosofia platônica.

Então, o que sabemos da vida de Tertuliano? Na realidade, sabemos muito pouco. Ele nasceu de pais pagãos, que lhe forneceram um alto nível de educação, principalmente em direito, mas também em literatura e filosofia grega e romana. Em algum ponto de sua vida (e por razões que não são de todo claras), Tertuliano fez uma dramática conversão ao cristianismo. Apenas alguns anos depois, Tertuliano foi ordenado sacerdote. Durante sua vida, ele se tornou um escritor de enorme influência, desenvolvendo aspectos da teologia cristã.

Possivelmente, sua contribuição mais significativa foi o conceito de “trindade” – um conceito que, posteriormente, se desenvolveu como um dos grandes pilares do dogma cristão.

Por mais fervorosa e apaixonada que fosse sua conversão – sua associação com o Cristianismo era raramente harmoniosa. Ele decidiu romper com a igreja cristã estabelecida de Cartago e converter-se para uma seita herética conhecida como os Montanistas. Desiludindo-se com a sua marca do cristianismo, ele a deixou para fundar sua própria seita cristã, morrendo em algum momento em 255 d.C.

Se você tem alguma familiaridade com o idioma português você identificará a palavra tertúlia com “reunião”, “simpósio”, ou “discussão” ou até mesmo um “encontro de mentes”. Em um emprego anterior, tive a sorte de trabalhar com um colega chileno que me apontou esta associação de palavras que demonstra a maior influência de Tertuliano, não só no estudos “sérios” teologia e filosofia, mas também nos estudos mais “leves” como a linguística.

Embora o nosso conhecimento da vida de Tertuliano seja apenas breve e episódico, a principal característica recorrente de sua vida é uma predisposição para a conversão. Do paganismo, ele se converteu ao cristianismo. Do cristianismo, ele se converteu, em duas ocasiões separadas, para marcas heréticas de sua própria teologia principal.

Tendo isso em mente, a História está cheia de estórias a respeito de conversão, e uma das coisas que muitas vezes parecem acompanhar a conversão é uma forte aversão – uma forte afastamento de todos os aspectos da vida anterior de e crenças de uma pessoa. A este respeito, Tertuliano não foi estranho a esse fenômeno psicológico.

Um de seus escritos mais famosos é uma obra curta, que é chamada em latim, De Praescriptione haeretici. A tradução é muito simples, Sobre a Prescrição dos Hereges. Dado o que sabemos sobre Tertuliano e o caminho que sua vida tomou, ele escolheu um título intrigante. Neste curto trabalho e no espaço de apenas alguns parágrafos curtos, ele rejeitou todo o corpo da filosofia grega em que seus pais o haviam educado desde sua tenra infância. É neste trabalho que ele fez a famosa pergunta a partir da qual o título deste livro leva o seu nome. A pergunta de Tertuliano foi: O que tem, realmente, Atenas a ver com Jerusalém? Que concordância há entre a Academia e a Igreja?

Ao colocar esta questão, Tertuliano estava argumentando que a filosofia pagã (o que ele caracterizou como Atenas) tinha, em sua opinião, nenhuma influência ou mesmo relevância sobre o corpo em desenvolvimento da filosofia cristã ou da teologia revelada. Em contrapartida, ele caracterizava a filosofia cristã e sua teologia como Jerusalém. Então, com uma utilização escassa de palavras e um uso rico e elaborado de habilidade retórica, Tertuliano rejeitou totalmente todos os séculos de pensamento avançado que chegou até nós através de filósofos como Sócrates, Platão e Aristóteles (entre outros). Mas, ele atingiu mais que isso. Ele foi ainda mais fundo. Com o zelo fanático que acompanhou sua conversão, suas palavras também transmitiram a sua posição bombástica de que as posições mundanas ocupadas pelos antigos filósofos gregos eram totalmente incompatível com a perspectiva do mundo cristão. Para Tertuliano, esses dois universos eram totalmente incompatíveis. Estes eram em todos os sentidos do termo, mundos em rota de colisão.

Então, como está Tertuliano relacionado com nossa experiência Maçônica?

Entendendo o que ele estava tentando expressar, vamos reinterpretar sua pergunta em nosso meio maçônico e fazer a pergunta simples:

“Existem influências históricas filosóficas ou míticas gregas sobre nosso ritual”?

Bem… a resposta a essa pergunta surpreenderá muitos irmãos.

Sem até mesmo as menor qualificação, podemos dizer com confiança que em qualquer Ritual que se baseia no ritual e rubricas do Emulação Inglês – a resposta é – sim! Além disso, essas influências gregas não são nem pouco importantes, nem acidentais. Estas influências gregas foram cuidadosamente consideradas, cuidadosamente selecionadas e, em seguida, artisticamente bordadas dentro da história hebraica da construção do Templo do Rei Salomão, que é relatado nos Livros de Reis e Crônicas.

Então, quando Ritual de Emulação foi aprovado em 1816, foi lançado como um moderno re-trabalho (ou uma reinterpretação moderna) dos princípios de Platão sobre a liderança como ele os desenvolveu em vários de seus diálogos, mas principalmente em um diálogo conhecido como República. Com um entendimento de alto nível da história grega, mitologia e escrita platônica, os autores do Emulação criaram um ritual que (uma vez explicado) nos fala hoje com uma mensagem que é especialmente relevante para nossas vidas neste século XXI.

O que estou propondo pode parecer novo, mas isso está longe de ser o caso. Há evidências sugerindo que já há 150 anos atrás, estava bem claro e entendido que a filosofia de Platão era a orgulhosa espinha dorsal da Maçonaria moderna.

Henry Mildred, o Primeiro Grão-Mestre Provincial do Sul da Austrália fez um discurso no lançamento da pedra fundamental do Hospital Britânico e Alemão em Carrington Santa Adelaide em 24 de maio de 1851. Em suas próprias palavras, ele afirmou que “os princípios da maçonaria … brilhavam radiantes na filosofia de Platão”.

Com um sorriso irônico, podemos criticar a escolha de palavras de Mildred (o entendimento que Platão antecedeu a Maçonaria por apenas … alguns séculos). O que ele estava tropeçando na forma de se expressar, é que a filosofia de Platão brilhava radiantemente nos princípios da Maçonaria.

Quando este trabalho se afasta da pesquisa Maçônica estabelecida é o fornecimento de uma cartilha (ou em outras palavras) – uma primeira tentativa – de conciliar os nossos rituais com a filosofia platônica e a história e mitologia gregas. Espero que em algum momento no futuro, um irmão com uma habilidade considerável em grego possa ser capaz de adicionar cor à escala de cinza dessa primeira tentativa de uma reconciliação Maçônica platônica.

Se o meu argumento tem até mesmo o menor germe de verdade, então estamos diante do reconhecimento de que a partir do momento em que ficamos no Canto Nordeste – algo de extraordinária significância estava ocorrendo que nos conectava com a filosofia do rei filósofo de Platão. Naquele momento, nós nos tornamos participantes ativos em um modelo de envolvimento com o objetivo de sermos preparado para se nos tornarmos reis-filósofos em todas as áreas de nossas vidas.

O amálgama simples e sem esforço dos escritos platônicos com as escrituras hebraicas (conforme evidenciado no Ritual Emulação inglês), sempre esteve focado em alcançar nas vidas de cada um de nós, o mais alto potencial (ou em termos platônicos) o mais alto ideal de um ser humano que cada um de nós tem o potencial de alcançar nos breves anos de vida que nos foram dados.

Vamos voltar muito rapidamente ao nosso amigo Tertuliano … Tendo colocado a sua famosa pergunta, ele então passou a justificar sua posição. Sem discutir a sua posição de uma forma ou de outra, podemos notar que seu argumento não só é elegante, mas também vibra com ressonância maçônica:

… porque nossa instrução vem do pórtico de Salomão que tinha, ele mesmo, ensinado que o Senhor deve ser procurado na simplicidade do coração.

Capítulo 2: Maçonaria: Um breve resumo de sua história até o ano de 1823

Antes que possamos mesmo abordar qualquer compreensão de como o pensamento, história e mitologia gregas se tornaram incorporado ao ritual maçônico; precisamos ter alguma compreensão da história da Maçonaria – o seu próprio pano de fundo. Esta compreensão nos fornecerá um contexto no qual a seqüência de eventos que levaram à inclusão de um corpo tão profundo de tradição grega antiga em nosso Ritual poderá ser demonstrada em um processo muito natural e lógico de evolução.

É certo que um dos aspectos mais frustrantes do entendimento da Maçonaria moderna está chegando a um acordo com os seus primórdios. Parece haver tantas teorias inteligente relativas a esta questão e ainda assim parece que todas elas entram em conflito entre si. Para uma organização que tem sido tão influente na sociedade ocidental pela maior parte de últimos 300 anos, suas origens são irritantemente obtusas.

Será que a Maçonaria se originou como um braço reformado / reinventado da Ordem Católica Romana dos Pobres Cavaleiros do Templo (Cavaleiros Templários) – uma Ordem que, em Outubro de 2007, foi absolvida pelo Vaticano de acusações de heresia lançadas contra ela no século XIV? Será que a Maçonaria se originou de um desenvolvimento das corporações medievais de pedreiros? Será que a Maçonaria se originou como um broto da Royal Society? Será que a Maçonaria se originou na Escócia, ou foi na França, ou foi na Inglaterra?

Há um ou dois anos atrás, eu tinha feito uma apresentação sobre um aspecto da pesquisa que eu tinha feito sobre este livro em uma reunião de loja metropolitana, aqui em Adelaide. A apresentação estava relacionada a aspectos do Ritual de Emulação. Conforme afirmado anteriormente, o Ritual Emulação é (… apenas com pequenas variações), o ritual usado no sul da Austrália e Território do Norte desde 1884, e é um que foi desenvolvido na Inglaterra e aprovado para uso no ano de 1816. Na reunião, um irmão escocês atencioso e bem-intencionado  aproximou-se e repreendeu-me por uma falha que (na sua opinião) nós compartilhávamos em comum com outros  Instrutores da Grande Loja  da jurisdição. A falha que todos nós compartilhávamos era a crença de que a Maçonaria se originou na Inglaterra. Ele enfatizou com grande paixão, voz e convicção sincera de que ela não tinha. Ela se originou na Escócia. Ele me deixou na dúvida de seu entendimento da questão (ou por isso) – a real importância que desses aspectos da história  têm para os irmãos nesta jurisdição. Quanto à verdadeira origem da Maçonaria, há uma distinção que nos ajudará se a fizermos. É entre dois modelos distintos de Maçonaria.

O primeiro modelo é uma proto-Maçonaria cujos registros provam ter existido na Escócia, já ao final dos anos 1500. Por proto-Maçonaria, quero dizer uma primeira fase de organização. Nesta primeira fase, pode haver elementos que podemos reconhecer, ainda hoje, mas geralmente em um nível muito superficial. Em todos os sentidos do termo, este tipo de Maçonaria nada mais era que um precursor primitivo do que existe hoje.

O segundo modelo é o que podemos chamar (com alguma facilidade e precisão), pelo termo moderno Maçonaria. Isso nós podemos fixar o ponto como tendo uma data de início em 24 de junho de 1717. Os elementos que formam este tipo de Maçonaria (quer se trate de um, dois ou 300 anos de idade) são facilmente reconhecíveis no ritual e regras praticado hoje.

Traçar uma linha na areia entre esses dois modelos díspares de Maçonaria é vital para qualquer discussão inteligente sobre as origens da Maçonaria. É fundamental porque a partir das evidências que temos à mão, cada modelo tinha uma finalidade diferente em vigor na época.  Muito importante – o propósito da proto-Maçonaria era baseado em um modelo filosófico e religioso, que era muito diferente de seu descendente mais moderno.

Proto-Maçonaria

Nos últimos cem anos ou mais, houve pesquisa Maçônica considerável que foi aplicada a um grupo de documentos conhecidos como Old Charges (Antigas Obrigações). Como grupo, estes documentos históricos apontam para indícios circunstanciais de que a Maçonaria (como nós a conhecemos agora), teve seus antecedentes nas corporações (guildas) de pedreiros medievais. São aqueles pedreiros que realizavam rituais baseados no ofício (ou atividade) real e físico de construção no período medieval de formação e no final do período renascentista a que nos referimos com o termo maçom operativo. Eles também usaram as Antigas Obrigações como um guia para viver suas vidas.  O estudo de Maçônica Moderna aponta para (aproximadamente) seis “famílias” de documentos que compõem o cânon das Antigas Obrigações. As datas de autoria dessas famílias de manuscritos abrangem um período de 300 anos – de cerca de 1.390 até cerca de 1680. Os dois documentos mais antigos são os Manuscritos Poema Regius (c 1390) e Matthew Cooke (c 1450).

A característica distintiva destes dois manuscritos é que por padrão do período histórico em que foram escritos, eles eram católicos romanos na perspectiva religiosa e filosófica. Esta é uma faceta que é muitas vezes ignorada ou esquecida por alguns historiadores maçonicos. Entender esse ponto muito simples é crucial se quisermos entender por que, desde os primeiros anos dos século XVIII, o modelo filosófico proposto por Platão foi consciente adaptado para se adequar ao modelo maçônico que reconhecemos hoje … mas mais disso posteriormente.

Voltando ao Manuscrito Regius, ele é composto de 15 artigos com 15 pontos. Com poucas exceções, os sentimentos que aparecem nos artigos originais e os pontos que aparecem no corpo das Obrigações do Primeiro e Terceiro Grau e as Obrigações do Primeiro e Terceiro Graus do Ritual baseado em Emulação.

Uma característica importante do Poema Regius é que embora ele não especifique um código de conduta esperada de um pedreiro, e este código de conduta é, em muitos aspectos, semelhante ao que os maçons modernos estão acostumados, ele não menciona o rei Salomão, em absolutamente nenhum contexto.

Nossa experiência de vida normalmente confirma que as coisas ocorrem (em geral) de uma forma evolutiva. Sabemos que qualquer nível de sofisticação geralmente ocorre após um nível mais primitivo, mais básico. O desenvolvimento da proto-Maçonaria segue um caminho evolutivo idêntico.

Aproximadamente 60 anos após o Poema Regius ter sido composto, outro documento conhecido como o Manuscrito Matthew Cooke foi composto. O título “Matthew Cooke” refere-se à pessoa (um maçom), que publicou este documento pela primeira vez em 1861, e não ao seu autor. O Manuscrito começa com uma oração e passa a discutir as sete artes liberais e ciências. Aqui, o Manuscrito explica que as sete artes liberais e ciências foram preservados por um descendente de Caim chamado Lameque.

De acordo com este Manuscrito, Lameque inscreveu todo o conhecimento da humanidade em dois pilares – um era feito de pedra, enquanto o outro era feito de outra substância. A suposição era de que caso o mundo fosse destruído pelo fogo ou pela água, poder-se-ia esperar que um ou outro  sobrevivesse. Como resultado de sua sobrevivência, a vida e o desenvolvimento humano continuaria através de avanços evolutivos do conhecimento. Sem a sua sobrevivência, o conhecimento e avanço humano seria de esperar que houvesse regressão.

A história dos dois pilares contada no Manuscrito Matthew Cooke não se confunde com a história dos dois pilares que temos em nosso atual Ritual.

No Manuscrito Matthew Cooke, a história diz respeito a uma tradição judaica que é recontada por um sacerdote judeu / historiador romano chamado Flávio Josefo, em uma obra conhecida como “Antiguidades dos Judeus”. Este trabalho foi originalmente escrito para judeus de língua grega, no primeiro século da era cristã.

Já com o que discutimos até agora, podemos traçar uma linhagem evolutiva para o nosso atual Ritual, observando as seguintes semelhanças:

  • A história contida no proto-ritual (assim como a Maçonaria moderna), refere-se a dois pilares.
  • Ambos os conjuntos de pilares têm tradição judaica como sua base.
  • A função de ambos os conjuntos de pilares é a preservação do conhecimento. No moderno Ritual Maçônico, o conhecimento que contido nos pilares são os “rolos constitucionais da Maçonaria” … ou herança ancestral da Maçonaria.

O Manuscrito também menciona o seguinte:

  • Um artesão de metais, cujo nome era Tubalcain
  • A importância da ciência da geometria
  • Que os artesãos devem chamar uns aos outros Companheiro
  • Que o artesão mais especializado deve ser chamado de Mestre
  • . Que o Mestre deve ser apoiado por Vigilantes
  • Um breve menção ao rei Salomão e à construção de seu Templo
  • Uma breve menção do Rei Hiram de Tiro (que não é mencionado pelo nome)
  • Uma menção muito breve de alguém que associaríamos a Hiram Abif (.. ele não é mencionado por nome, mas apenas como “filho do rei de Tiro”).
  • Um “Livro de Obrigações” para a conduta de pedreiros.
  • Menção de um geômetra grego chamado Euclides.
  • Os 15 artigos originais e 15 pontos que aparecem no manuscrito Regius são reduzidos para nove artigos e 9 pontos.

Assim, nesta fase inicial do que podemos chamar de proto-Maçonaria, houve dois importantes documentos que oferecem indícios para o desenvolvimento de características que são reconhecidas em lojas maçônicas em todo o mundo. Ambos documentos estão originalmente em inglês. Ambos documentos apontam para o surgimento de um código filosófico de conduta referido como Obrigações, um sistema de ensino baseado nas artes liberais e ciências, a ênfase dada à ciência da geometria e uma estrutura de loja incorporando Companheiros, Mestres Maçons, Vigilantes e Mestres de Loja. Há também referência a personagens comuns ao nosso presente Ritual, tais como Tubalcain, Rei Salomão, Hiram, rei de Tiro e (possivelmente) Hiram Abif.  Por último, temos uma alusão a duas colunas, cujo propósito é simbolicamente preservar o conhecimento contra os elementos naturais de destruição cósmica.

E sobre a conexão escocesa?

Ainda há um debate significativo com relação à discussão se a Maçonaria surgiu da Escócia e infiltrou-se na Inglaterra (ou vice-versa).

Aqueles a favor da teoria da Maçonaria emergindo da Escócia muitas vezes citam uma conexão dos Cavaleiros Templários. Provavelmente o melhor defensor expresso desse argumento é  “O Templo e a Loja” de Baigent e Leigh. Neste trabalho, os autores explicam como (enquanto preparavam um documentário da BBC sobre os Cavaleiros Templários) eles começaram a investigar cemitérios no norte da Escócia para descobrir evidências de motivos templários em lápides de túmulos As lápides que eles encontraram eram datadas depois de 1307 quando a Ordem foi suprimida por decreto do Vaticano. Isso tendia a indicar que os sobreviventes da Ordem haviam migrado para a Escócia vindos da França para escapar da perseguição nas mãos de Filipe IV (1268 – 1314), Rei de França. A razão para a escolha da Escócia era muito lógica. Robert Bruce como o líder dos escoceses tinham sido recentemente excomungado pela Sé de Roma. Como líder dos Escoceses, seu excomunhão efetivamente significava a excomunhão da Escócia. Ao migrar para a Escócia, os Templários estavam fora do alcance de Roma. Mas, a lógica (por mais forte que seja) não é o argumento mais convincente. Este encontra-se nas mudanças que aparecem nas tumbas dos Templários no norte da Escócia, ao longo do tempo. Conforme os anos passavam, as lápides (ainda mostradas hoje), testemunharam uma mudança estranha e gradual. As lápides (sem discussão – Templárias), começaram a incorporar mais e mais motivos maçônicos … motivos que são claramente compreensíveis por todos os maçons que vivem hoje.

A mudança nos motivos de lápides fortemente sugeria uma reinvenção da Ordem dos Pobres Cavaleiros do Templo (Cavaleiros Templários) como Ordem dos Maçons Livres. As lápides eram apenas uma indicação da reinvenção da Ordem com uma identidade Maçônica. A verdadeira evidência foi a gama de temas que aparecem na Capela de Rosslyn. Estes eram temas ricos em simbolismo maçônico.

Sua conclusão é simples – os Cavaleiros Templários evoluíram para se transformarem em maçons livres.

Mesmo aqueles com um conhecimento mínimo dos Cavaleiros Templários apreciarão a largura e extensão do simbolismo que caracterizava sua Ordem. Qualquer um que abra os milhares de sites relacionados com os Cavaleiros Templários descobrirá a importância que o simbolismo desempenhava nos seus rituais, suas roupas e sua espiritualidade.

E se a conexão Cavaleiros Templários-Maçonaria com a Capela Rosslyn estiver errada, e se estiver equivocada?

Presumindo-se que os Cavaleiros Templários realmente migrar para a Escócia; presumindo-se que eles realmente se reinventaram como proto-maçons; presumindo-se que eles realizavam sessões em loja… com todos estes pressupostos, a única coisa que poderíamos esperar encontrar eram evidências de seu simbolismo nos documentos “maçônicos” que temos daquele período … e nós temos muitos documentos “maçônicos” escoceses daquele período. Os documentos em questão referem-se à maçonaria operativa. O problema é que falta a esses documentos qualquer conteúdo simbólico ou filosófico. A este respeito, a evidência é notável por sua ausência.

Rastrear a origem exata da Maçonaria até a Escócia não é uma tarefa fácil, apesar dos protestos em contrário.

Estes documentos escoceses “maçônicos” remontam a 1475. Naquele ano, o Selo de Causa incorporava os “Masons and Wright”. Mais de cem anos depois – em 1598 e 1599, respectivamente – duas peças de legislação conhecidas como o Estatutos Schaw regulamentaram a forma como os pedreiros deveriam  realizar seu ofício operativo. Elas também autorizavam a Loja de Kilwinning a supervisionar as lojas operativas no Oeste da Escócia. Conforme Bernard E. Jones (um dos mais respeitados estudiosos maçônicos) enfatizou – embora esses documentos efetivamente existam, nada há neles que sugeira alguma coisa esotérica ou de natureza filosófica de que a Maçonaria moderna é imbuída. A rede de lojas na Escócia nesta época parece ter sido marcada com um caráter que era totalmente diferente das lojas operando ao sul da Muralha de Adriano – as lojas que tinham suas próprias obrigações e os começos de suas próprias lendas e mitos.

Assim, a evidência em questão sugere fortemente que enquanto as redes de lojas estavam se desenvolvendo na Escócia e na Inglaterra durante o período medieval, as lojas escocesas estavam se desenvolvendo em termos de processos regulatórios regendo o funcionamento do trabalho físico (dimensão operativa) da atividade de cantaria. Isto está em nítido contraste com a experiência Inglesa que se caracterizada pelo desenvolvimento de um código de conduta pessoal pelo qual os pedreiros viveriam. O código de conduta também se estendia às suas relações profissionais, e eram expressos na linguagem da época como “obrigações”. As obrigações são as instruções para a vida e eram, muitas vezes, ilustradas através da adopção de lendas e mitos antigos e dando-lhes uma vitalidade dramática, fresca do tipo assuntos atuais.

Já dentro deste desenvolvimento proto-maçônico de um código de conduta conhecido como Obrigações, estavam germinando o núcleo de uma filosofia de liderança. Mas, nesta época, a filosofia de liderança, ainda era algo sombrio, ainda indistinto, ainda esperando para ser expresso em uma linguagem e símbolos mais claros. Era quase como algo esperando acontecer. Os ecos daquele algo já estavam sendo ouvidos no clamor distante do trovão que prenunciava a chegada da Reforma.

A Reforma

Até o Reforma Inglesa sob Henrique VIII (1491 -1547), o panorama religioso oficial das Ilhas Britânicas era predominantemente católico romano. Desde a conversão de Agostinho de Hipona a teologia católica romana havia sido impregnada com o pensamento platônico, mas durante o período de 300 anos antes da Reforma, a teologia católica romana tinha assumido uma característica muito distinta. Ela tinha adaptado sua teologia à filosofia de um grego que fora uma época estudante de Platão. O nome deste grego era Aristóteles e a forma como seus ensinamentos foram adotados (e adaptados) como a base da teologia católica romana medieval é conhecido hoje pelo termo Movimento Escolástico.

O defensor mais importante desta tendência em direção a Aristóteles foi um prior dominicano conhecido como Tomás de Aquino (c.1225 – 1274). A sua Summa Teológica (ou Resumo de Teologia) foi o veículo que deu a expressão mais convincente de uma fusão de pensamento aristotélico com a teologia católica romana.

Para os fins desta discussão, não há sentido em ampliar mais a investigação sobre esta questão, além de ter em mente que a força com que a revolução protestante se desenvolveu não se tratou apenas de um protesto relacionado com a venda de indulgências, nem foi apenas sobre a disputa quanto à salvação da alma somente ser alcançada por boas obras ou pela ação da graça de Deus.

O primeiro movimento protestante de grande sucesso aconteceu sob a liderança de um monge agostiniano católico e acadêmico chamado Martinho Lutero (1483-1546). O “Protesto” do movimento era fundamentalmente uma forte reação contra os resultados da prática dos 300 anos anteriores na adopção e adaptação da filosofia de Aristóteles à teologia católica romana.

Aqui há algo a considerar … Se há algo que marque a tendência filosófica do protestantismo, é a rejeição total da filosofia de Aristóteles e a re-adoção da filosofia de Platão dentro do corpo do pensamento protestante.

Podemos reafirmar o princípio de outra maneira para dar-lhe mais clareza. Enquanto o catolicismo romano (durante o período medieval) adotou a filosofia de Aristóteles na formulação de sua teologia, o movimento protestante trabalhou na direção oposta. Ele conscientemente adotou novamente a filosofia de Platão como a base da teologia protestante.

Será que este processo mostra alguma evidência em um contexto maçônico? Sem sombra de dúvida.

A única diferença é que em um contexto maçônico, este processo continuou em resposta a tensões políticas, ao invés de tensões religiosas. Mais especificamente, o processo continuou em resposta às tensões entre os escoceses e ingleses quanto ao direito de um homem  – o Rei James II (1633-1701)  – de governar a Inglaterra e a Escócia.

Porque ele era o segundo rei de Inglaterra a ser chamado James, mas o sétimo rei da Escócia com esse nome, seu título é geralmente representado como James II / VII).

Protestante de nascimento, James II / VII converteu-se ao Catolicismo Romano por volta do ano de 1668.

Esta conversão conseguiu evoluir de uma expressão de  espiritualidade pessoal para uma crise internacional, envolvendo uma série de cortes europeias no cataclismo que se seguiu. Até o momento em que todas estas tensões internacionais tinha sido resolvidas, nenhum católico romano era autorizado a se tornar Rei da Inglaterra e nenhum rei da Inglaterra era autorizado a se casar com uma católica romana.

Em sua própria maneira, a conversão de James também foi o catalisador que sustentava a própria reinvenção dramática que a Maçonaria realizou no início de 1700.

As Eras jacobina e Hanoveriana Os meandros das manobras políticas nos 150 anos seguintes à Reforma Inglesa podem ser constatados em qualquer livro confiável de história Inglesa. O aspecto que é de particular interesse para a história Maçônica refere-se a James II/VII da Inglaterra e as conseqüências de sua conversão ao catolicismo romano.

Quando James conversão foi exposta, seu irmão, o rei Charles II opôs-se publicamente, e certificou-se de que os filhos de James fossem educados como protestantes. A natureza humana é raramente tão previsível quanto, por vezes, acreditamos. Neste caso, quem teria previsto que Charles II – em seu leito de morte, em 1685 – teria se convertido, ele mesmo, à fé católica? Não é difícil ver que a situação geral era espinhosa de alguns pontos de vista. As tensões eram altas entre os seguidores da Igreja da Inglaterra, bem como aqueles fora dela. Dito isto, nem a Igreja da Inglaterra estava isenta de seu próprio elemento “protestante”. Havia grupos dentro da igreja que se opunham firmemente que a Igreja da Inglaterra estabelecia não tinha ido suficientemente longe em se distanciar do catolicismo romano. Esses grupos, cada um com seu próprio “protesto” específico eram conhecidos coletivamente como “dissidentes” e deste grupo, possivelmente um dos mais famosos foi o movimento puritano.

Um dos pontos que a maioria das facções dissidentes sustentavam em comum era a sua oposição à estrutura estabelecida na Igreja da Inglaterra de usar bispos. Na sua perspectiva, a instituição dos bispos era muito próxima ao paradigma católico romano. Havia ainda muitas áreas na Escócia que se opunham à instituição dos bispos. Nesses casos, sua objeção era politicamente motivada e como religião e política muitas andam de mãos dadas, eles viam os bispos como uma extensão indesejada da mão política inglesa nos assuntos escoceses.

Durante esse período, os católicos romanos estavam sujeitos a puniççoes por se oporem à Igreja da Inglaterra, mas este não foi o fim dela … A Igreja da Inglaterra estabelecida aplicava a mesma punição contra seus próprios dissidentes. Neste ambiente, James II/VII nadou contra a corrente ao emitir o que ficou conhecido como a Declaração de Indulgência em 1687. Esta Declaração oferecia a todos os seus súditos liberdade de consciência ao expressar suas crenças religiosas. A Declaração abriu caminho para os católicos romanos cultuar como católicos, os dissidentes como dissidentes e os seguidores da Igreja da Inglaterra como anglicanos – sem medo ou preconceito.

Esta legislação controversa, (bem como outras medidas que James II/VII instituiu) – o colocou em oposição direta com alguns protestantes ricos e politicamente conectados. Para eles, a única via para deixada a explorar foi arquitetra um plano para o seu afastamento do trono da Inglaterra. Isso eles alcançaram oferecendo o trono da Inglaterra ao genro de James II/VII – um holandês e protestante conhecido como Guilherme de Orange (1650-1702). Quando James II/VII fugiu para a França em Dezembro de 1688, esta “fuga” foi tratada como sua “abdicação” oficial. Na queda de dominós que se seguiu, o trono passou para Guilherme, que reinou como William III na Inglaterra e  William II na Escócia a partir de 1689. Morrendo em 1702, ele reinou por 21 anos.

Por mais tenso que esses tempos tenham sido para o ingleses, eles só foram agravados por uma tensão crescente entre os escoceses e ingleses sobre a matéria da conspiração através da qual William III chegou ao seu trono. Muitos escoceses, (embora se opondo ao catolicismo romano e a tudo que ele representava), tinham maior oposição à forma como os ingleses haviam conspirado para remover James II/VII. James II/VII era seu legítimo Rei da Escócia.

Por mais doloroso que essa ferida tenha sido para eles, o sal que os ingleses tinham consciente e propositadamente aplicado a ela foi igualmente desagradável. Os ingleses havia oferecido o trono para uma pessoa que não era nem nascida nas Ilhas Britânicas.

Eles haviam oferecido a um holandês – e este holandês em particular se opunha avidamente aos franceses. Sua oposição colocou uma dificuldade adicional. Como os franceses eram aliados dos escoceses, estes estavam determinados a demonstrar a sua lealdade para com seus aliados franceses. Neste ambiente político e religioso complicado, é mais provável que muitos escoceses (leais a James II/VIII) usaram a amplas linhas de comunicação disponíveis na rede de lojas operativas existentes em todo o país, para planejar o retorno dos seu legítimo rei Stuart escocês – James II/VII. O próximo projeto (em ordem de prioridade) era a deposição dos estrangeiro holandês – Rei William III/II.

Num contexto mais amplo, os partidários escoceses de James II / VII, que eram conhecidos como jacobitas (do latim Jacobus significando James), estavam interessados ​​em restaurar o trono aos descendentes da dinastia Stuart (de quem James II/VII era representante). Novamente por  extensão, a causa jacobita (como ficou conhecida) era para alguns clãs das Terras Altas, (… nem um pouco surpreendente) não só sobre religião. Sua motivação era também política. A causa jacobita se tornou o seu chamado às armas contra um clã Presbiteriano conhecido como os Campbells de Argyll, cujo exercício de poder era a aquisição de territórios pertencentes a outros clãs nas terras altas da Escócia.

Dizer que a política da época era fluida, confusa e não restrita a determinados territórios ou fronteiras culturais ou linguísticas específicas é um eufemismo.

Foi nesta altura dos acontecimentos políticos que agora apareceu língua de chama azul.

Em 1701, James II/VII morreu e seu filho – James Francis Edward Stuart (1688 -1766) foi imediatamente reconhecida como James III da Inglaterra e James VIII da Escócia, por uma série de cortes europeias, incluindo a própria corte papal. Estas cortes (tinham incidentalmente) todos sido politicamente alinhadas em não reconhecer William III/II como o sucessor legítimo e legal de James II/VII.

James Francis Edward Stuart – um católico era visto como o maior orgulho a esperança da renovação intensificada da Causa Jacobita.

Aqui estava o problema central – no mesmo ano em que o seu nascimento ocorreu, legislação foi aprovada que proíbia um católico romano de subir ao Trono. Como resultado, o Trono passou para Anne (cunhada de William II/III). Ela era elegível por direito sendo seu parente mais próximo vivo e tendo sido educada como protestante.

Uma das mais notáveis realizações ​​políticas do seu reinado foi o Ato de União (1707), através do qual a Inglaterra e a Escócia se uniram formando a Grã-Bretanha. Quando ela morreu sem filhos em 1714, o Trono passou para um segundo primo de Anne, que era conhecido pelo título de Eleitor de Hanover.

Ele era um protestante e nesta época – um alemão. Seu nome era George Louis (1660-1727) e em 1714 foi coroado como rei George I da Grã-Bretanha.

O ano seguinte testemunhou o início de uma série de sucessivas batalhas em nome da Causa Jacobita que continuaram até 1746 com a derrota dos escoceses na Batalha de Culloden. Depois desta batalha, a causa jacobita perdeu seu forte impulso e subsequentemente entrou em declínio.

O objetivo deste Resumo da história escocesa / inglesa depois da revolução protestante é lançar as bases para os eventos que ocorreram pouco depois. Estes eventos mudaram a maneira como a Maçonaria seria – a partir de então – reconhecida. Uma das mudanças mais significativas ocorreu apenas dois anos após a primeira rebelião jacobita de 1715.

Foi a fundação da Primeira Grande Loja da Inglaterra, em 24 de junho de 1717.

Em alguns aspectos, os eventos que levaram à formação da Primeira Grande Loja da Inglaterra podem ser vistos como uma manobra política muito calculada e astuta. Empregando uma perspectiva moderna, poderíamos até dizer que a partir de uma perspectiva de marketing, foi uma manobra muito inteligente. Ela foi uma manobra que usou um pastor presbiteriano escocês (que também era maçom) para reescrever sua própria história natural maçônica da Escócia seguindo instruções de seus próprios superiores maçônicos ingleses. Com intenção consciente, a versão da história maçônica que ele escreveu distanciou-se da Causa Escocesa / Católica / Jacobite, e alinhou-se plenamente com a Casa de Hanover Alemã e Protestante.

O homem por trás de tudo isso era alguém que na história Maçônica parece tocar “segundo violino” para os verdadeiros “músicos” por trás da formação da Primeira Grande Loja da Inglaterra -, mas com o tempo a história pode reavaliar a sua contribuição de ponta para a Ordem.

Seu nome era Reverendo Dr. James Anderson.

Dr. James Anderson: O arquiteto escocês de origem maçônica inglesa

Este homem foi um instrumento para reescrever a história inicial da Maçônica (e por razões muito políticas), estabelecendo um conjunto moderno de Constituições que regem a Ordem, e colocando em prática princípios do ritual maçônico moderno (baseado em linhas Gregas). A razão pela qual ele implantou todas estas coisas foi para conseguir um único objetivo – o alinhamento dos novos ideais da Maçonaria revivifa aos da nova era Hanoveriana. Ele nasceu por volta do ano 1680 e com 30 anos de idade em 1710, foi ordenado pastor da Igreja Presbiteriana. Nove anos mais tarde, ele se tornou ativamente envolvido em um debate acalorado sobre a posição que os presbiterianos sob a sua autoridade deveriam assumir sobre a aplicação do artigo primeiro dos Artigos de Religião da Igreja da Inglaterra. Quando olhamos sua vida, esta associação próxima, acalorada com o debate em 1719 pode ter sido um fator que ajudou a formar em sua mente o modelo de Obrigações de um Maçom que fizeram parte de sua Primeira Edição das Constituições publicadas em 1723, existem algumas semelhanças entre as Obrigações de um Maçom, e os artigos de religião anglicanos, que são mais que simples coincidência.

Se compararmos os Cabeçalhos Gerais das Obrigações de Anderson aos Artigos de Religião que podem ser encontrados em um Livro Anglicano comum de Oração, uma característica muito evidente é a formatação distinta de cada uma das rubricas que começa … “Da … etc “. Os 39 Artigos de Religião Anglicanos e 5 dos 6 Cabeçalhos  Gerais das Obrigações de um Maçom, cada um deles começa com o formato estilístico idêntico.

Em segundo lugar, o artigo XXXVII trata de assuntos relacionados ao Magistrado Civil. Curiosamente, o Cabeçalho II das Obrigações de um Maçom trata, de maneira semelhante, o Magistrado Civil.

Também é fácil perceber que a linguagem e o estilo tando dos Artigos de Religião Anglicana e as obrigações de um Maçom compartilham o tom semelhante e a qualidade religiosa da redação. Nesses casos, por clonagem deliberada do estilo, linguagem e tom dos Artigos de Religião Anglicana, Anderson estava estampando a moderna Maçonaria com uma associação direta com a Igreja da Inglaterra estabelecida da época. Ele estava declaradamente distanciando a Maçonaria de qualquer possível sugestão de associação com qualquer tipo de marca de sociedade subversiva jacobita católica romana .

Em 1730, apenas 13 anos após a formação da Primeira Grande Loja da Inglaterra, uma exposição pública dos segredos da Maçonaria foi publicada sob o título de Maçonaria Dissecada. Ela foi escrita por Samuel Pritchard.  Anderson publicou uma resposta à exposição pública de Pritchard e chamou-a Defesa da Maçonaria.

No seu panfleto de 1730, ele explicava que havia três graus praticado na Maçonaria moderna e que cada loja era governada por um Mestre “e dois Vigilantes”. Mais do que qualquer outro documento da época que está disponível para nós hoje ressoa o panfleto de Anderson com material que é comum no Ritual de Emulação.

É também evidente que Anderson estava muito bem familiarizados com as obras de clássicos gregos e romanos –  autores que eram (e ainda são) conhecidos por sua interpretação da história e mitologia gregas.  Em 1730, em sua defesa da Maçonaria, Anderson explicava o significado da lenda Hiramica recentemente desenvolvida através de referência ao historiador grego Heródoto, à Eneida de Virgílio e às Metamorfoses de Ovídio. As Metamorfoses de Ovídio foram sem dúvida a mais notável conquista romana na conversão de personagens mitológicos gregos para um ambiente cultural romano.

Em 1738, Anderson publicou a Segunda Edição das Constituições, e neste trabalho ele elaborou uma história da Maçonaria que se estendia muito além das Antigas Obrigações originais. Anderson foi ainda mais longe – ele incluiu em sua lista de Grãos Mestes anteriores a 1717, o Cardela Católico Romano Wolsey, Moisés e até mesmo Nabucodonosor da Babilônia. A única característica singular da sua versão de 1738 das Constituições é que, neste colorido bordado (embora altamente imaginativo) de pseudo-história maçônica, ele descurou completamente de qualquer influência escocesa no desenvolvimento da história maçônica, traçando a sua ascendência inglesa de volta aos tempos bíblicos.

No entanto, existe uma outra questão muito importante com que Anderson estava conectado que se tornou um ponto crucial da história Maçônica.

Na primeira edição de seu Obrigações de um Maçom (1723), dentro do Cabeçalho Geral – Quanto a Deus e a Religião, aparece a seguinte linha:

Mas, embora em tempos antigos os maçons fossem obrigado em cada País a ter a Religião daquele país ou nação, qualquer que fosse ela, ainda assim pensa-se ser agora mais conveniente obrigá-los a ter apenas aquela religião na qual todos os homens concordam, deixando suas opiniões particulares para si ; isto é, serem homens bons e verdadeiros, ou Homens de Honra e Honestidade, quaisquer que sejam as Denominações ou Obediências que os possa distinguir; dessa forma a Maçonaria se torna o centro da União, e os meios de conciliar a verdadeira amizade entre pessoas que de outra forma permaneceriam perpetuamente separados.

Inócuo como este parágrafo possa parecer aos nossos olhos e ouvidos modernos, naquele preciso momento, ele teve o efeito de polarizar a Fraternidade Maçônica. Este único parágrafo mudou o mérito intrínseco do que havia sido a proto-Maçonaria e trouxe-a até um ponto em consonância com os tempos. O que este simples parágrafo fez foi alterar a antiga definição de maçônica de “irmão”; ele ampliou sua definição para a um ponto que cortou todos os laços que poderiam ter permanecido com o proto-Maçonaria. Ele fez mais do que apenas sugerir uma nova definição de “irmão” – ele a redefiniu de forma inequívoca para incluir não apenas os cristãos (que eram os membros originais da proto-Maçonaria), mas os homens de qualquer religião que valorizam a verdade e a honra. O ano de 1723 marcou provavelmente o ano mais distinto em sua história até nossos dias. Ela se tinha reinventado, rejeitado qualquer identidade com o Catolicismo Romano, que ainda pudesse ter permanecido e viajou até mesmo além dos limites do protestantismo para ver homens de todas as religiões – igualmente. Onde uma vez havia uma divisão entre homens de diferentes religiões – uma divisão que se manifestava sob várias formas de preconceito – a Maçonaria teve uma visão muito esclarecida da fé religiosa e reconheceu que não havia motivos para discriminar entre um homem e outro com base em suas inclinações religiosas.

Para melhor compreender as implicações deste parágrafo, uma analogia exata pode ser imaginar a resposta de maçons em todo o mundo, se a redação de cada Constituição e conjunto de Regulamentos fossem alterados para permitir que as mulheres (que reconhecem a existência de um Ser Supremo) entrassem para as fileiras da maçonaria regular. A grande variedade de respostas e uma gama de emoções que poderíamos esperar fossem expressos não é diferente das respostas que foram associados com a redefinição do termo “irmão” para incluir homens de religiões (diferentes da fé cristã), nos idos de 1723.

Em 1751, apenas 28 anos depois que as portas da Maçonaria foram abertas aos homens de outras religiões diferentes da cristã  –  uma nova Grande Loja foi formada diretamente em oposição à Primeira Grande Loja.

Não surpreendentemente, a principal entre a lista de queixas da nova Grande Loja contra a Primeira Grande Loja era a redefinição de “irmão” de 1723 para incluir os homens de religiões não-cristãs.

As Grandes Lojas “Moderna” e “Antiga”

A nova Grande Loja que foi formada em 1751 referia-se a si mesma como a “Antiga” Grande Loja e se referia (com um tom sarcástico) à Primeira Grande Loja de 1717 como a Grande Loja “Moderna”.

Eles fizeram isso com base em que eles se viam como preservando as antigas e ortodoxas tradições da Maçonaria, em oposição à Primeira Grande Loja, que tinha “modernizado” a Maçonaria seguindo linhas heterodoxas.

Tão importante quanto a influência de Anderson tinha sido  para a Primeira Grande Loja, a Antigo Grande Loja de 1751 tinha sua própria “usina de força” na pessoa de Laurence Dermott.

Dermott nasceu na Irlanda em 1720.  Aos 20 anos de idade, ele foi iniciado e instalado como Mestre da Loja de Dublin em 1746. Dois anos mais tarde, ele se estabeleceu na Inglaterra, assumindo a posição de Secretário da Antigo Grande Loja por um período de 19 anos – de 1752 a 1771. Dermott escreveu uma obra que provoca comparações ás Constituições de Anderson, mas que tem o título muito estranho de Ahimon Rezon. Não está claro o que realmente significa o título, mas acredita-se que signifique vagamente parecido com “ajuda a um irmão” em hebraico.

As relações entre as Grandes Lojas “moderna” e “antiga” eram tensas para dizer o mínimo. Fora a hostilidade que a abertura da adesão aos homens de religiões não- cristãs havia provocado, havia muitas outras questões controversas, e a maioria delas estava relacionada com a forma como o Ritual era interpretado e executado. Para garantir que um irmão da Grande Loja adversária não pudesse entrar em suas reuniões de loja para ver seus rituais, modos de reconhecimento (como apertos de mão e senhas) foram mudados. O ponto sobre o qual os antigos eram enfáticos era que o  ritual dos Modernos era exatamente isso -moderno – no sentido de Liberal. Ele se afastava significativamente das tradições antigas e ortodoxas.

Para negociar uma solução amigável para os conflitos que vinham dividindo a Maçonaria nos 50 e poucos anos anteriores, a Grande Loja dos “Modernos” autorizou a formação de uma loja com uma única finalidade especial – a solução dos conflitos entre as Grandes Lojas Moderna e Antiga. Esta loja conhecida como Loja de Promulgação foi formada em 1809, e conduziu as negociações sobre cada aspecto da disputa até 1813. Em dezembro daquele ano, um documento conhecido como os Artigos da União foi assinado pelos Grãos Mestres tanto da Grande Loja Moderna quanto da Grande Loja Antiga. Com a assinatura deste instrumento, ambas Grandes Lojas adversárias foram amalgamadas como a Grande Loja Unida da Inglaterra.

1813 a 1823: O desenvolvimento do Ritual de Emulação

Após a assinatura dos Artigos da União, a primeira prioridade foi o desenvolvimento de um Ritual que incorporasse todos os elementos extraídos do funcionamento das Grandes Lojas Moderna e Antiga, que tinham sido acordados, nos termos da unificação das duas Grandes Lojas.

Este foi um projeto delicado que exigiu homens de visão, um entendimento superior de Maçonaria, um aguçado senso de diplomacia e habilidade de negociação de alto nível. Para supervisionar este projeto, outra loja especial desse grupo de elite de maçons foi formada. Ela era conhecida como a Loja de Reconciliação, e como o próprio nome sugere, sua principal finalidade era a racionalização ou a reconciliação dos diferentes rituais praticados naquele momento. Como não era permitido imprimir o ritual em 1813, ele era ensinado somente por um meio o boca a boca. Todos conhecemos as dificuldades que a transmissão boca a boca pode produzir – os problemas relacionados ao que foi dito, como é interpretado e que é lembrado … entre outros. Em todo caso, três anos mais tarde, em 1816, o resultado desta colaboração foi a aprovação oficial do que ficou conhecido como Ritual Emulação – o ritual praticado na jurisdição do sul da Austrália e Território do Norte. A fim de assegurar que o mais elevado padrão de Ritual (usando Emulação como base) fosse praticado, a Loja Emulação de Perfeição foi formada em 1823.

No centro deste Ritual repousa a melhor expressão da filosofia platônica, bem como a melhor expressão da mitologia grega. Ele foi propositalmente concebido desta forma para articular uma mensagem específica – um significado específico. Sua mensagem e significado estão ressoando com pertinência em nossas vidas hoje.

Nossa tarefa agora é entender por que foi que muitos aspectos da cultura grega foram incorporados ao Ritual Emulação.

Uma vez que tenhamos entendido as razões que influenciam  este aspecto, então passaremos algum tempo examinando os aspectos específicos da filosofia, história e mitologia grega que aparecem em nosso ritual, com muito mais detalhes.

Capítulo 3: A Conexão Grega: A Inglaterra do século XIX

É hoje um fato bem estabelecido que, na Europa, mas mais particularmente na Inglaterra e na Alemanha, um fenômeno cultural conhecido como filohelenismo surgiu no final do século XVIII e se estendeu por mais de uma centena de anos durante o século XIX. O Filohelenismo é um termo de uso acadêmico para descrever um “amor por todas as coisas gregas”.

A primeira evidência de filohelenismo foi no campo da literatura.

Estamos acostumados a pensar em entrar numa livraria e comprar traduções de obras literárias em outros idiomas. É um lugar comum da vida moderna. Mas, nos primeiros anos de 1700, isto estava longe de ser um lugar comum. Se você ou eu quiséssemos ler os Comentários de César, histórias de Lívio, ou o Anabasis de Xenofonte, teríamos que conhecer latim ou grego.

Nós compraríamos ou pediríamos emprestado um livro contendo o texto original e o leríamos, o traduziríamos nós mesmos.

Acadêmicos como o Dr. James Anderson estariam muito bem familiarizados com as obras de Platão e seus contemporâneos no original grego.

A primeira tradução notável de um texto grego para inglês foi aquele de Josefo, Antiguidades dos Judeus. Ele foi traduzido por William Whiston (1667-1752) e publicado em 1732, em Londres. As Antiguidade é um documento importante do ponto de vista maçônico. A data da sua publicação é justamente na época do desenvolvimento do Terceiro Grau e mais visivelmente – entre a primeira e a segunda edição das Constituições de Anderson (1723 e 1738) – ambas as obras significativas no cânon de literatura Maçônica (e algo que voltaremos a discutir em breve).

Outra questão importante – há aspectos de nosso Ritual, que aos olhos não treinados parecem ter sido tomados das escrituras sagradas, no entanto – não há dúvida de que eles realmente originavam-se do Antiguidades. Um exemplo é o da escada em caracol encontrado no Segundo Grau. Embora nenhuma escada exista em qualquer narrativa nos livros de Reis ou Crônicas, a referência a uma escada em caracol do piso térreo até o terceiro nível do Templo aparece em Antiguidades. Ela estava posicionada entre as paredes exterior e interior do Templo.

A primeira pessoa a traduzir o corpo completo das obras de Platão e Aristóteles para Inglês foi Thomas Taylor (1758 – 1835). Taylor era o filho de um ministro dissidente que tinha esperanças que seguiria os passos de seu pai. Embora a carreira de Taylor não tenha seguido a de seu pai, ele desenvolveu um interesse pelo estudo das línguas antigas – especialmente a grega.

O conjunto de suas traduções gregas é vasto e até o ano de 1800, ele havia traduzido não só as obras completas de Aristóteles, mas também as obras completas de Platão e mais particularmente – a República. Pela primeira vez na história, homens e mulheres que não liam grego podiam ler República em uma tradução em inglês. De repente, o mistério e intriga dos clássicos gregos originais estavam disponíveis para qualquer um ler em inglês razoavelmente simples.

Isso abriu uma nova dimensão de filosofias, ideias, teorias e histórias que somente tinham estado disponíveis para um grupo de elite de acadêmicos. O escopo material grego que estava agora disponível em tradução inglesa (filosofia, teologia, história, poesia, teatro e mitologia) sugeria fortemente que os antigos gregos eram muito parecidos com você e eu. Os problemas que eles enfrentavam, as perguntas que faziam sobre a vida e a morte – essas não eram diferentes das perguntas que fazemos hoje.

No espaço de menos de 10 anos após a primeira publicação da República, o interesse por todas as coisas gregas desenvolveu-se em outros campos. A primeira expressão fora da literatura foi a arte.

Thomas Bruce, o sétimo conde de Elgin (1766-1841), arrebatado pelas ondas da moda grega, e aproveitando-se das tensões entre os gregos e turcos na época, convenceu as autoridades de Atenas para autoriza-lo a derrubar os frisos que adornavam o Parthenon (dentro e fora), corta-los, encaixota-los e despacha-los para a Inglaterra. (Ele os tinha persuadido que este seria o melhor de todas as vias possíveis para preservar a arte, no caso de uma invasão turca). A intenção era que a medida fosse temporária, mas permaneceram na Inglaterra nos últimos 200 anos, apesar dos protestos do Governo grego exigindo seu retorno.

A Importância da República de Platão na estrutura de classe britânica do século XIX… O estudo do grego… Tinha a vantagem de não ter qualquer função útil… por isso servia aos propósitos de continuar o isolamento de uma classe superior, cujos membros não tinham de ganhar a vida, do resto da comunidade que tinha.

Charles Freeman,- The Greek Achievement, (2000), pp. 9-10.

É impossível separar a instituição dos estudos gregos nas escolas públicas inglesas da determinação de manter o sistema de classes britânico. Os gregos forneceram, através da República de Platão, por exemplo, um modelo para uma classe dirigente ociosa, cujo direito de governar depende de uma formação especializada negada à maioria que não era considerada digna dela.  Charles Freeman, The Greek Achievement, (2000), pp. 10.

A atriz grega Melina Mercouri (1920-1994) defendeu ativamente o retorno desses frisos que são mais comumente chamados hoje como Os Mármores de Elgin. Quando Lord Elgin inicialmente retirou os frisos, eles eram ricamente coloridos. Personagens e animais esculpidos na pedra tinham roupas de diversas cores, e até mesmo detalhe de tons de pele.

Enquanto guardados no Museu Britânico, essas cores foram metodicamente removidas usando produtos químicos e escovas – uma prática que terminou poucos meses antes da Segunda Guerra Mundial. O que resta agora dos frisos – uma austera pedra branca – é uma interpretação inglesa do que eles acreditavam devesse a arte ateniense ser olhada.

Enquanto em exposição no Museu Britânico, estas obras de arte atraíram uma nova geração para os estudos antigos gregos. Foi também durante essas primeiras décadas do século XIX que a poesia inglesa experimentou uma nova interpretação do estilo poético grego antigo conhecido como ode ou hino. Os principais expoentes dessa nova forma poética conhecida como a Ode Inglesa foram Wordsworth, Shelley e Keats. No capítulo intitulado Mitologia e História Grega: Sua Relação com Ritual maçônico, atenção específica é dada à forma como o Ritual Emulation adaptou a ode grega.

A única coisa intrigante a se notar por enquanto, é que o momento da composição do ritual de emulação coincidiu com o ápice do desenvolvimento da ode inglesa. O momento ocorreu com precisão exata.

Relacionada a estes poetas estava a figura romântica de Lord Byron (1788-1824). Ele estava tão envolvido no fenômeno do filohelenismo que lutou ao lado dos gregos contra os turcos durante a Guerra da Independência Grega (1821-1829). Enquanto se preparava para um ataque contra a fortaleza turca de Lepanto, ele contraiu uma doença e, posteriormente, morreu alguns dias depois. Seu coração foi enterrado debaixo de uma árvore na cidade grega de Messolonghi e seus restos foram preservados e devolvidos para enterro na Inglaterra. A participação britânica na Guerra da Independência Grega era vista em termos muito clássicos como a luta contínua dos antigos gregos contra seus opressores Turcos – opressores contra quem tinham lutado desde a época das Guerras Persas.

Lord Byron também foi contundente em sua oposição ao “vandalismo” de Elgin dos frisos do Parthenon em seu poema – Peregrinação de Childe Harolds.

Cold is the heart, fair Greece! That looks on thee

Nor feels as lovers o’er the dust they lov’d;

Dull is the eye that will not weep to see

Thy walls defac’d, thy moldering shrines remov’d

By British hands, which it had best behov’d

To guard those relics ne’er to be restor’d

Curst be the hour when from their isle they rov’d

And once again thy hopeless bosom gor’d

And snatch’d thy shrinking Gods to northern climes abhorr’d.

Lord Byron, o extrato de Peregrinação de Childe Harolds (1812-1818).

Até 1830, dentro do sistema escolar público inglês, o grego se tornou a linguagem da moda. Tornou-se moda porque o estudo dessa língua tornou-se um importante instrumento político para assegurar que em um mundo que estava passando por tantas mudanças, como resultado da Revolução Industrial, o sistema de classes inglês sobrevivesse sem mudanças.

Este fenômeno filohelênico não ficou confinado apenas à Inglaterra. Ele também incluiu termos muito amplos e apaixonados na Alemanha. Até 1870 em um local chamado Hilarsik na Turquia, o empresário alemão chamado Heinrich Schliemann (1822-1890) satisfez uma ambição de longa data – descobrir o verdadeiro local da cidade que tinha sido povoado pelos heróis de Homero – Helen, Paris, Aquiles, Heitor, Agamenon, Menelau e Príamo … a cidade de Tróia.

E assim, foi neste ambiente cultural muito exclusivo (que se estendeu por quase 100 anos), que a Maçonaria Inglesa (refletindo as tendências sociais, intelectuais, históricas e filosóficas da época), veio a adotar o modelo grego clássico proposto por Platão como a plataforma definitiva para o seu ritual novo, dinâmico e inovador.


Capítulo 4: Liderança – A conexão da Maçonaria com Platão

Em cada casa em cada país e continente do nosso pequeno planeta, todos nós nos recordamos de assistir em nossas telas de televisão, dois aviões da United Airlines realizarem uma rota de colisão muito consciente e direta contra as Torres Norte e Sul do World Trade Center. Em todo o mundo, assistimos em total incredulidade.

Isso ocorreu em uma manhã memorável, em setembro de 2001.

Olhando para trás, para aquele dia, como as torres desabaram parecia simbolizar uma transição na história humana. O evento, pareceu traçar uma linha entre eventos da história humana que tenham ocorrido antes daquele dia e eventos ocorridos na história humana depois daquele dia. Nos poucos anos que se passaram desde aquele dia trágico, esse entendimento foi capturado em nossa linguagem cotidiana. Referimo-nos aos acontecimentos através expressão que é totalmente um americanismo – a saber – pré ou pós 11/9.

Então nesta era pós-11/09, estamos indiscutivelmente mais empenhados que em qualquer outro momento na história humana em querer ver uma verdadeira liderança devidamente demonstrada. Poluição, guerra, genocídio, terrorismo, aquecimento global – bem como a proliferação e armas nucleares nos afetaram a todos.

Eles nos fizeram sentir menos confortáveis sobre nossa sobreviência em médio e longo prazo como raça humana, sem o benefício do correto exercício da liderança disciplinada.

A nossa é uma era essencialmente trágica, por isso nos recusamos a aceitá-lo tragicamente. O cataclismo aconteceu; estamos entre as ruínas; começamos a construir novos pequenos habitats pouco, a ter novas poucas esperanças.

Com estas palavras, D.H. Lawrence descreveu a percepção sombria de que não só o modo de vida (mas o modo de pensar que tinha existido há muito tempo) tinha desaparecido entre as ruínas da Grande Guerra.

Estas palavras são igualmente adequadas para nós, hoje.

Então, agora, estamos mais exigentes dos que nos lideram tanto em nível local quanto em nível global.

Nós queremos ver nossos políticos, nossos líderes religiosos, nossos CEOs demonstrar ética na maneira como conduzem suas vidas e ilustrar a humanidade na forma como eles lidam com as complexidades crescentes da vida humana. Ferver e reduzir tudo isso a um princípio – esperamos que nossos líderes desempenhem; exibam um calibre de pensamento e comportamento que suporte o seu direito de servir. Servir é uma palavra antiga que está ganhando terreno rapidamente, uma vez mais como um termo que descreve a atitude que um líder forte demonstra em sua vida quando seu principal princípio motivador na vida é estar a serviço de outros.

Sobre este ponto, Platão foi excepcionalmente claro. Sobre este ponto que ele foi enfático. Quando a bússola a mente do líder aponta para o serviço… estar de serviço dos outros, é nesse momento que vemos a diferença entre um verdadeiro líder e um falso líder. Aqui está o que Platão escreveu sobre o assunto:

Ninguém jamais será um mestre recomendável, sem ter sido primeiro um servo deve-se estar orgulhosos, não tanto de governar bem, mas de servir bem.

E uma vez mais:

Ser um servo de Deus é a medida exata da servidão; o excesso consiste em ser o servo dos homens.

Você e eu entendemos que o verdadeiro problema é que as falhas de liderança nem sempre são fáceis de detectar imediatamente. As deficiências podem se disfarçar para trás de palavras e chavões vencedores. Embora estas deficiências de liderança geralmente sejam descobertas e tratadas ao longo do tempo, às vezes, essas deficiências podem ter catastróficas – mesmo efeitos fatais – se não for identificada a tempo.

Platão entendeu isso. Se alguma vez houve um momento em sua vida em que ele poderia marcar como o momento em que se tornou a única paixão permanente em sua vida a ser tratado, foi exatamente quando o sol nasceu sobre Atenas em uma manhã de 399 a.C. Naquele momento, seu amigo e mentor Sócrates foi executado por ordem das leis de Atenas.

O Último Dia de Sócrates

Um funcionário da prisão trouxera-lhe uma taça cheia de cicuta venenosa. Uma vez que Sócrates tinha bebido a cicuta, ele se deitou.

O penúltimo gesto dos 70 anos de sua vida foi cobrir o rosto com seu manto.

A este sinal o carcereiro começou a apertar seus pés, perguntando se ele conseguia sentir qualquer sensação.

Quando Sócrates respondeu que não podia, o guarda continuou beliscando as pernas de Sócrates e movendo-se para cima sobre seu corpo. O objetivo deste estranho exercício era (conforme Platão o descreveu) verificar o avanço da cicuta, que Platão explicou – era caracterizado pela sensação de dormência se espalhando através de seu sistema. Quando a dormência chegou à sua cintura, Sócrates afastou a capa de seu rosto e falou suas últimas palavras

Críton, devemos um galo a Esculápio; faça esta oferta a ele; não se esqueça.

A última instrução de Sócrates a seu amigo Críton foi oferecer um sacrifício de ação de graças a Esculápio, o deus da medicina para libertá-lo desta vida mortal para uma vida eterna.

Embora o último dia de Sócrates (conforme descrito por Platão) fosse cheio de uma ternura dramática, filosófica e nobre, ela também deixou uma impressão duradoura sobre a vida de Platão. Platão não foi capaz de reconciliar a morte de Sócrates com um sistema justo de governo – especialmente – com um sistema justo de liderança.

A partir desse dia, até ao final de sua vida, Platão pensou sobre, discutiu, e tentou colocar em prática um método de treinamento de um homem ou uma mulher para se tornar um verdadeiro líder, para que as circunstâncias que levaram ao veredicto de culpabilidade contra Sócrates jamais voltasse a se repetir.

Uma das coisas mais importantes que aconteceram como resultado de tudo isso foi a escrita de um livro que nos é conhecida como República de Platão.

Antes de investigar a República, daremos um breve olhar sobre a vida de Platão, para que possamos entender por que ele pensava e sentia da maneira como ele fez. Compreendendo isso, teremos uma base sólida para avaliar como as suas palavras e sentimentos ressoam em todo o nosso ritual.

Capítulo 5: Platão: Uma breve biografia.

Embora os escritos de Platão sejam vastos e girem em torno de pouco menos de 1.800 páginas em uma edição de Trabalhos Completos, nosso conhecimento do próprio homem talvez não seja tão abrangente. Ainda assim, se tivermos uma compreensão das principais influências em sua vida e seus efeitos sobre os seus escritos, isso nos ajudará a compreender sua contribuição para o nosso Ritual ainda mais.

Primeiros Anos:

Platão nasceu por volta do ano 428 ou 427 a.C. em Atenas, a uma família aristocrática de alguma influência nos assuntos políticos.

Sabemos que o nome de seu pai era Ariston e que o nome de sua mãe era Perictone. Em geral, a história tem presado pouca atenção ao pobre Ariston. Na verdade, o sobrinho de Platão (Speusippus) foi um passo além na marginalização total do significado de Ariston na vida de Platão, afirmando que o deus Apolo quem era o pai de Platão, e não como algumas pessoas erroneamente afirmavam – Ariston.

Em contraste, os antecedentes de Perictone são muito mais desenvolvidos. Uma fonte antiga enfatiza que Perictone tinha fama de ter tanto um belo rosto quanto um corpo incrivelmente atraente.

O irmão de Perictone chamava-se Cármides. Este Cármides é o personagem central do diálogo de Platão de mesmo nome – um diálogo que trata especificamente do estudo da Virtude Cardeal da temperança.

Platão também tinha dois irmãos, cujos nomes eram Glaucus e Adeimantes. Estes dois irmãos aparecem como personagens principais da República.

Ariston morreu quando Platão ainda era muito jovem e bela Perictone se casou novamente. O resultado de seu novo casamento foi o nascimento de Antífone um meio-irmão de Platão.

Platão também tinha uma irmã chamada Petone. Quando Platão faleceu, foi o filho de Petone – Speusippus quem (juntamente com outro membro da Academia chamado Xenócrates) assumiu a liderança da Academia, que tinha sido originalmente fundada por Platão. Foi nessa época que Speusippus começou a divulgar a versão da concepção de Platão, por Perictone através do deus Apolo.

Seu Nome:

Durante séculos, tem havido um debate sobre seu verdadeiro nome. Desde os tempos antigos, havia argumentos de que “Platão” simplesmente pode não ter sido seu verdadeiro nome! Uma das principais fontes que temos da vida de Platão nos chegou a partir de uma biografia escrita no século terceiro d.C. por um romano chamado Diógenes Laertius. Tendo em mente que Laertius viveu cerca de 600 anos depois de Platão, ele compôs uma biografia de Platão (entre outros filósofos), baseando seus “fatos” em histórias que corriam durante sua própria vida ou que tinham sido transmitidas pela tradição. Laertius alega que o verdadeiro nome de Platão era Aristocles – o nome de seu avô paterno cujo nome ele recebeu. Presumindo-se por um momento que este seja o caso, por que nós o conhecemos pelo nome de Platão?

Laertius sugeriu que Platão era realmente seu apelido, mas ao longo do tempo e, por convenção, o nome pegou. A raiz grega do nome Platão é platon e significa alguma coisa parecida como “Largura”. Laertius nos fornece as três variações tradicionais da história sobre como surgiu o apelido. A primeira é que Platão tinha ombros largos. A segunda era que ele tinha uma testa larga, enquanto que a última foi em homenagem à largura de sua eloquência.

Os comentaristas modernos estão longe de serem convencidos pelas alegações de Laertius.

Um aspecto que podemos ter em mente é que “Platão” era um nome muito comum nos séculos 4 a 5 a.C. em Atenas. Na mesma linha, o nome grego de Jesus (ou a sua forma aramaica Yehoshua) era um nome muito comum no primeiro século d.C. na Palestina. Independentemente da forma como olhamos para ele, Platão é o nome que temos ao longo dos séculos para conhecer o homem, e seria pedante para nós, depois de todo esse tempo para começar a chamá-lo de Aristócles (… só com base na palavra de Laertius).

Outro argumento que Laertius levantou é de que em sua juventude, Platão foi um pintor, um poeta, e também um dramaturgo. Estas alegações podem ser mais confiáveis. Se lermos seus diálogos, logo fica evidente como os diálogos em si assumem uma forma dramática, juntamente com um elenco de personagens (e até mesmo indicações de palco). A prosa de Platão é, por vezes, poética e faz bom uso dos jogos de palavra gregos em nítida distinção com os escritos de Aristóteles nos quais os principais são pouco mais que “anotações de aulas”.

A Era da Guerra do Peloponeso:

A época de seu nascimento e início da vida coincide com um período da história grega conhecido como a Guerra do Peloponeso. Estas guerras foram uma série de hostilidades travadas pelos fortes e disciplinados espartanos contra Atenas. O significado militar de travar estas guerras destinava-se a por fim às tentativas cada vez maiores de Atenas de construir um império.

Há, no entanto, uma outra perspectiva.

Por enquanto, tudo o que precisamos ter em mente é que os atenienses eram descendentes de um grupo cultural conhecido como o Jônios. Os costumes, tradições e dialetos eram muito diferentes dos espartanos. Espartanos eram descendentes de um grupo cultural conhecido como o Dórios. Então, na verdade, essas hostilidades pode muito bem ter sido marcado por crenças na superioridade racial e cultural de um sobre o outro.

Retornaremos a uma discussão mais detalhada das culturas Jónica, Dórica e Coríntia um pouco mais tarde. Nesse ínterim, tudo o que nós precisamos ter em mente é que, num contexto maçônico, a coluna do Venerável Mestre (que representa a sabedoria), é conhecida como a coluna jônica, enquanto que a coluna do Primeiro Vigilante (que representa a força), é conhecida como a coluna Dórica.

As Guerras do Peloponeso duraram de 431 a.C. até 404 a.C. – um período de 27 anos e terminou com a derrota total de Atenas por Esparta. Colocando Platão neste contexto, ele nasceu cerca de quatro anos depois do início da guerra e era um jovem adulto de aproximadamente 23 ou 24 anos, quando ela acabou. O resultado dessas guerras foi uma influência significativa sobre o seu pensamento – tanto político quanto mítico – e sua importância para o desenvolvimento do seu mito da Atlântida é algo que afeta a Maçonaria a partir de uma perspectiva filosófica e será discutido no Post-scriptum a este livro.

Aproximadamente com a idade de 20 anos (c. 408 a.C.), tornou-se discípulo de Sócrates e manteve-se dedicado a ele nos últimos 10 ou 11 anos – até a execução de Sócrates em 399 a.C. Apesar da forte ligação de Platão com o homem (assim como sua filosofia), é um dos aspectos muito peculiares da história que Platão não era um membro do grupo em companhia de Sócrates no momento de sua morte. (Na manhã de execução de Sócrates, Platão estava em casa, doente na cama).

Enquanto Platão estava doente, presente com Sócrates naquela manhã estavam pelo menos 15 pessoas (incluindo Xantipa – esposa de Sócrates), além de um grupo anônimo de “outros”, incluindo o filho sem nome de Sócrates que se sentou no colo de Xantipa.

Na verdade, nem Xantipa, nem o filho de Sócrates estiveram presentes em seu momento final. Sócrates providenciou isso organizando através de Crito que ela fosse levada à sua casa pois ela estava “chorando histericamente”.

Meio da vida:

Após a execução, Platão decidiu aprofundar seus próprios estudos filosóficos. Ele fez isso viajando muito (por vários anos) em todo o Mediterrâneo. Laertius afirma que durante esta época, ele absorveu os ensinamentos das três principais escolas de pensamento – a de Euclides, a de um matemático chamado Teodoro em Cirene e acima de tudo – a de Pitágoras no sul da Itália.

Por sua própria admissão, os escritos de Platão foram a principal influência que levou Agostinho de Hipona a se tornar um cristão. Ele escreveu sobre essas influências em duas grandes obras que a maioria de nós terá ouvido falar (… mesmo que apenas de passagem). São as Confissões e a Cidade de Deus. Devido à sua dívida para com Platão, Agostinho fez uma série de menções biográficas relatando a vida de Platão em Confissões e Cidade de Deus, entre elas:

Percebendo, porém, que nem seu gênio nem o treinamento socrático era adequado para desenvolver um sistema perfeito de filosofia, ele viajou para longe e extensamente para onde quer que houvesse alguma esperança de ganhar algum acréscimo valioso para o conhecimento. Assim, no Egito, ele dominou a lei que lá era estimada. Dali ele foi para a baixa Itália, famosa pela Escola Pitagórica e lá ele se abeberou com sucesso com eminentes professores de tudo o que estava então em voga na filosofia italiana.

Anteriormente, quando discutimos a Reforma, argumentamos que foi Agostinho de Hipona, quem tinha introduzido a filosofia platônica na teologia cristã. A influência de Platão aparece através dos escritos filosóficos e teológicos de Agostinho.

Platão na Sicília:

Foi por volta de 388 a.C. que Platão que visitou a Sicília pela primeira vez e observou os resultados do governo tirânico de um déspota conhecido como Dionísio I (c 432-367 a.C.). Dionísio tinha atingido o seu alto cargo através de alguns sucessos militares em impedir os avanços de Cartago pelo controle da Sicília.

Embora ele fosse incapaz de manter um nível constante de sucesso contra os cartagineses ao longo de sua vida, ele foi capaz de manter a autoridade total sobre os gregos da Sicília até sua morte. Se sua morte foi resultado de causas naturais ou assassinato é algo até hoje contestado por historiadores.

A única coisa importante que emergiu dessa visita à Sicília foi Platão ter-se encontrado com um jovem chamado Dion – filho de uma das esposas de Dionísio I. Atraído pela filosofia de Platão, Dion convidou Platão para voltar à Sicília, 20 anos após a primeira visita de Platão. O objetivo de Dion neste convite foi permitir a Platão a oportunidade de colocar em prática o seu ideal de um rei-filósofo governante, treinando Dionísio II (filho de Dionísio I) para se tornar um líder ideológico. Este filho tinha assumido o trono após a morte de seu pai em 367 a.C.

Mas, por mais que Platão esperasse que isso viesse a ser uma aplicação bem sucedida de seus princípios do filósofo-rei, em bem pouco tempo, ficou óbvio para Platão que esta tentativa seria pouco menos que desastrosa. Segundo seu relato dos acontecimentos na Carta VII, Platão afirma que Dionísio II tinha ciúmes, o tempo todo, da amizade íntima entre Platão e Dion. Era um ciúme que se colocava no caminho de Platão no desenvolvimento de uma disposição filosófica em Dionísio II. Desenvolver uma disposição filosófica era fundamental na concepção de Platão para o líder ideológico. O plano de Dionísio II para acabar com a amizade entre Platão e Dion foi quase maquiavélico. Dionísio II enviou Dion ao exílio com base em falsas acusações. As tentativas de Platão para colocar em prática os princípios da República se desmoronaram rapidamente. Tudo o que restava a fazer era, para Platão, convencer Dionísio II a deixá-lo regressar a Atenas. Ele fez isso convencendo Dionísio II, que seu foco seria melhor costurado lidando com outra ameaça emergente dos cartagineses contra a Sicília.

Voltando a Atenas, derrotado em suas tentativas de transformar Dionísio II em um governante-filósofo, as circunstâncias se tornaram um outro ponto decisivo em sua vida. Mais tarde, ele refletia:

Se ele tivesse realmente unido a filosofia e o poder político na mesma pessoa, ele poderia ter dado uma luz para o mundo inteiro, tanto grego quanto bárbaro …

Com o tempo, porém, Platão voltou à Sicília para continuar a sua experiência em uma aplicação prática de seus princípios de liderança com Dionísio II.

Na Sétima Carta de Platão, ele registra que Dion o tinha incitado a voltar para a Sicília, alegando que tinha recebido relatórios de que Dionísio II tinha “mudado de foco” e se tornado entusiasmado com a aplicação das ideias de Platão ao governo da ilha. Platão afirma que ele resistiu os primeiros dois convites. O terceiro concurso foi encenado de maneira tão elaborada que a recusa era quase impossível.

Dionísio II enviou uma trirreme a Atenas, com instruções para buscar Platão. Ao encontrar-se com Platão o embaixador lhe deu uma carta pessoal de Dionísio II, assegurando-lhe que caso ele aceitasse o convite, todos os assuntos relativos à Dion seriam resolvidos para satisfação de Platão. Mas, havia uma cláusula adicional… A cláusula dizia que Platão recusasse, Dion sofreria as consequências. Podemos esperar que a natureza ameaçadora do “convite” provavelmente teria sido uma indicação a Platão de uma previsão de missão fracassada, apesar de sua decisão de ir.

Na chegada á corte de Siracusa, Platão foi mordaz sobre as “noções filosóficas de segunda mão” e “ideias de segunda mão” que ocupavam a mente de Dionísio II. Em particular, Dionísio II havia escrito um tratado explicando as ideias filosóficas que Platão lhe havia ensinado. Platão ficou furioso. Ele argumentou firmemente que isso nada mais era que uma expressão de vaidade pessoal de Dionísio II. O que realmente deixou Platão furioso foi que, em sua apresentação, o livro de Dionísio II se colocava como uma tentativa de expressar a verdade. Platão retornou a Atenas, para nunca mais visitar a Sicília.

Talvez essas pessoas que criaram iniciações religiosas não estejam tão longe da marca, e todo o tempo, tem havido um significado oculto sob a alegação de que quem entrar no próximo mundo leigo e ignorante estará atolado na lama, mas quem chega lá purificado e iluminado habitará entre os deuses. Você sabe quantos envolvidos nas iniciações dizem “Muitos carregam o emblema, mas os devotos são poucos”. Bem, em minha opinião esses devotos são simplesmente aqueles que viveram a vida filosófica da maneira certa. Platão: Fédon: (69 c-d)

A Academia:

De volta a Atenas, Platão fundou a famosa Academia. Muitas vezes pensamos na Academia como um edifício. A Academia não era um edifício, mas sim um simples bosque de árvores onde os discípulos de Platão se sentavam e discutiam assuntos de interesse filosófico. Em muitos aspectos, ficou evidente que a rede de Lojas que existe em todo o mundo se baseia nos princípios da Academia original. Mais ou menos nesta época, ficou claro que Platão também era membro de uma misteriosa fraternidade. Sua identidade é desconhecida. Em sua Vida de Dion, Plutarco escreve:

Um dos companheiros de Dion era um homem chamado Callippus, um ateniense que, segundo Platão, tinha sido um amigo íntimo dele, (não como um colega estudante de filosofia), mas aconteceu dele ser iniciado em alguns dos mistérios e estava, portanto, regularmente em sua companhia.

Embora Platão não tenha expressamente escrito qualquer coisa a respeito de sua participação em qualquer misteriosa Fraternidade – (que era provavelmente a fraternidade pertencente aos Mistérios de Elêusis), ele sugere em República que a adesão a tal fraternidade pode envolver condições de silêncio.

Ajuda em nosso entendimento, se nos lembrarmos de que “mistério” deriva de uma palavra grega que significa – “lábios cerrados”.

… É melhor ficar calado, e se for absolutamente necessário falar, transformá-los em segredos esotéricos, contados ao menor número de pessoas possível.

No que diz respeito aos discípulos que frequentavam a Academia, Laertius enumera alguns, incluindo Speusippus (seu sobrinho, co-executor de sua vontade e co-sucessor na Presidência da Academia), Xenócrates e Aristóteles (tutor de Alexandre, o Grande), mas também os nomes de duas mulheres – Lasthenea de Mantinéia e Axiothia de Phlius (que, ele observa, chegavam até a vestir roupas masculinas).

A morte de Platão:

Ele morreu com a idade de 81 anos, e foi sepultado nos bosques da Academia. Laertius observa que a lápide foi inscrita com o seguinte epigrama:

Aqui, o primeiro de todos os homens famosos por pura justiça,

E virtude moral, Aristocles jaz:

E se aqui houvesse vivido um verdadeiro sábio,

Este homem seria ainda mais sábio; grande demais para inveja.

 

Capítulo 6: República de Platão – sua relevância para a Maçonaria

Anteriormente, quando expliquei como tinha topado acidentalmente com seções destacadas da República que se relacionavam diretamente com o ritual maçônico, a única coisa que imediatamente ficou evidente para mim, foi que me pareceu que nosso ritual era uma condensação magistral do tema principal da obra de Platão, A República.

Então, qual é o tema principal de A República? Qual é a sua premissa? A República propõe que, para que você e eu para levemos uma vida feliz e plena, precisamos levar vidas que sejam intrinsecamente morais. É isso.

O termo grego que Platão para moral é dikaiosune.

Os primeiros tradutores de A República, como Jowett, Rieu e Grube, traduziram dikaiosune como “justiça”. Tradutores modernos, tais como Waterfield e Reeve reconhecem que a palavra grega está mais próxima em significado de “correção ética” ou, mais especificamente, “moralidade”.

O argumento levantado em A República é que a moralidade é definida como um alinhamento de nosso pensamento, nossos sentimentos e nosso comportamento. Especificamente – quando o que pensamos, o que sentimos e o que fazemos não estão em conflito entre si, mas estão em perfeita harmonia e concórdia, é nesses momentos expressos de nossas vidas que nos aproximamos de nosso objetivo de assimilar nossas vidas a Deus.

A República não é uma obra de teoria política, mas uma alegoria do espírito humano individual.

W.K.C. Guthrie, citado por Robin Waterfield na Introdução à sua tradução da República, pg. xvii

A finalidade de Platão em A República, então, é fornecer uma espécie de teoria de campo unificado, na qual todos os elementos que tornam a vida humana boa são agrupados em uma visão de eterna união, ordem e estabilidade… Seu propósito era levar seus leitores a mudar suas vidas; realizar a busca de assimilação a Deus.

Robin Waterfield na Introdução à sua tradução de A República, pg. xxi

Então, a primeira coisa que precisamos notar é isso – A República é um estudo detalhado do conceito de moralidade e a definição clássica de Maçonaria é sempre dada como “um sistema peculiar de moralidade”. A particularidade não é o tipo de moralidade, mas o sistema ou método pelo qual a moralidade é ensinada. Dentro da Maçonaria, nosso sistema de moralidade é ensinado através de um processo chamado ritual. Tendo compreendido esta premissa geral, a questão lógica da tradução a ser colocada é esta – como vamos realmente nos educar para nos tornarmos morais?

O corpo de A República fornece a resposta a esta pergunta. Felizmente, ele o faz de uma forma que eu e você (enquanto maçons) não teremos qualquer dificuldade em compreender. A razão para isto é que tudo – dentro do nosso ritual suporta isso.

Permitam-me enfatizar este ponto – tudo – suporta isso. Platão recomenda que os reis-filósofos precisam se submeter a um curso de educação que tem como principal meta o treinamento da mente para atingir dois objetivos distintos. O primeiro é pensar com clareza, enquanto que o segundo é agir de uma maneira que esteja de acordo com o princípio grego de excelência. A palavra grega para excelência é “arete” e, tradicionalmente, ela é traduzida em Inglês como a palavra que comumente reconhecemos como virtude.

O primeiro curso na educação de um rei-filósofo proposto por Platão – (a saber, aquele do treinamento da mente para pensar com clareza), era um curso de assuntos com os quais estamos familiarizados. Nós nos referimos aos temas deste curso como artes e ciências liberais.

O segundo curso na educação de um rei-filósofo – (aquele que lida com o treinamento da mente para agir em consonância com o princípio da excelência), ele dividiu em quatro campos distintos. Estes campos são: Prudência, Fortaleza, Temperança e Justiça. Discutiremos cada um deles separadamente, mas no momento, podemos definir esses termos com uma linguagem mais moderna, referindo-nos a eles como senso comum (ao invés de Prudência), equilíbrio de vida (ao invés de Temperança), pensamento calmo (ao invés de Fortaleza) e agir de forma adequada para a situação (ao invés de Justiça).

Embora os elementos desses princípios possam ter existido de alguma forma antes de Platão, este tem o mérito de ser a primeira pessoa na cultura ocidental a sintetizá-los em um todo estruturado, coerente e lógico.

Neste ponto inicial de nossa análise, (somente por uma questão de simplicidade), reduzirei todo o nosso Ritual para dizer que ele é uma destilação dos princípios de A República – ou seja, que nosso Ritual é um sistema peculiar de ensino de moralidade que usa como o seu arcabouço, dois estudos primários – aqueles das Artes Liberais e Ciências, e também as Quatro Virtudes Cardeais. Seu objetivo ao fazer isso é desenvolver em um candidato à entrada na Maçonaria os atributos intelectuais e de caráter necessários em um rei-filósofo.

Em seu nível mais básico, este é um ponto muito conveniente para começar; então, vamos iniciar nossa discussão revelando a ligação fundamental entre o conceito de Platão do filósofo-rei e o Venerável Mestre de nossa loja.

 

Capítulo 7:  A ligação entre o rei-filósofo de Platão e o Venerável Mestre de uma Loja

Uma das razões mais fortes de que A República foi a pedra fundamental da filosofia ocidental é que o livro apela e nos fala em muitos níveis. Ele pode ser lido e utilizado como um manifesto político, como um comentário sociológico, como uma exposição psicológica, ou como um tratado educacional. Além disso, (depois de mais de 2000 anos), em qualquer nível que o lemos, sua mensagem é ainda vibrante e ele ainda nos fala sobre as preocupações que temos, enquanto homens e mulheres vivendo no século XXI.

O único nível que não foi explorado em qualquer grau é o nível que estamos explorando no momento – A República como o fundamento do ritual maçônico moderno. Portanto, neste ponto, daremos uma olhada mais de perto nos paralelos mais importantes entre sua filosofia e nosso Ritual.

A República é um trabalho grande e complexo por vezes (apesar de sua aparente discussão direta diária). Então, agora pode ser um momento tão bom quanto qualquer outro para nos familiarizarmos rapidamente com as semelhanças que existem entre este livro e nosso Ritual. Isto simplificará o processo de leitura de A República, porque podemos retirar dele todos os elementos supérfluos e nos concentrarmos apenas nos elementos que foram escolhidos pelos compositores do Ritual Emulação entre os anos de 1813 e 1823. Estes foram os elementos que eles acreditavam ser importante para cada um de nós, para desenvolver competência como líderes ideológicos ou “reis-filósofos” de nossos dias.

Nos negócios, muitas vezes nos referimos a conceitos conhecidos como “modelos de negócio”. Em termos simples, modelos de negócios são plataformas para desenvolver resultados muito específicos. A título de exemplo, esses resultados podem ser metas financeiras, ou podem ser projetados para capturar uma participação especial no mercado ou podem até mesmo ser baseados em desenvolver e aperfeiçoar as relações desejadas. O que os modelos de negócio abrangem são meios pelos quais esse objetivo será alcançado.

Se nos aproximarmos de A República a partir deste ângulo fácil de entender, a única coisa que ficará evidente é que o “modelo de negócios” que Platão projeta é, de maneira semelhante, simples. Seu objetivo é desenvolver um líder pensante (ou para usar sua própria terminologia) – um rei-filósofo. E como ele propõe fazer isso? Seu método é a simplicidade em seu mais alto grau. Ele argumenta que a educação é a chave. Nada mais, nada menos.

Analisando mais profundamente, ele diz que o homem ou a mulher escolhida para receber esse ensino especializado deve ser treinado, disciplinado, aconselhado e encorajado durante muitos anos – fundado – em duas vias distintas; porém complementares de estudo.

A primeira é o desenvolvimento da capacidade intelectual do candidato. A segunda é o desenvolvimento do caráter do candidato.

Em seu nível mais básico (mas com grande precisão), a fórmula de A República pode ser expressa como:

Intelecto + Caráter = Rei-filósofo

Neste exato momento, é inevitável que estaremos nos perguntando como esta fórmula se aplica à Maçonaria. A resposta também é simples. Ela é tão simples que compartilha muitas semelhanças com um processo com o qual eu e você provavelmente estamos muito familiarizado, mas que de todo modo os compositores do Ritual Emulação podem não ter sido incomodados por ele em 1816.

Deixe-me explica-lo através desse exemplo muito fácil de acompanhar: Em 1816 – ano em que foi aprovado o Ritual Emulação, não tenho a certeza se as meias eram qualquer outra cor que não fosse preta. O resultado disso é que estes homens estavam provavelmente desconectados do fenômeno diário que enfrentamos no século XXI – o problema de encontrar um par específico de meias na pressa de ir ao trabalho todas as manhãs. Eu chamo minha esposa de manhã: “Jenny – onde estão as minhas meias pretas com listras brancas”? Ela está na cozinha, preparando sanduíches para o nosso filho mais novo. Como Jenny não tem a capacidade de ver através das paredes (até onde eu sei), ela sempre é capaz de saber onde elas estão. Ela vai gritar: “Você já tentou olhar bem na parte da frente de sua gaveta de meias?” Eu faço e sempre me surpreendo ao encontrar o par de meias exato que corresponda ao meu terno naquele dia.

O que eu estou procurando está sempre em baixo do meu nariz.

Exatamente este princípio aplica-se aqui.

Em primeiro lugar – Platão montou um currículo que incluía os temas que compõem a parte “intelecto” da equação. Nós discutidmos o termo coletivo para este grupo de indivíduos. Nós os conhecemos como as artes liberais e ciências.

Ele, então, foi um passo adiante. Ele concebeu um currículo que incluía os temas que compõem a parte “caráter” da equação. Isoladamente, esses temas são – prudência, temperança, fortaleza e justiça. Coletivamente, nós nos referimos a eles como Quatro Virtudes Cardeais e as exploraremos com mais detalhes um pouco mais tarde.

Então, vamos rever a equação. Agora, podemos expressá-la como:

A Artes Liberais e Ciências + As Quatro Virtudes Cardeais = Rei-filósofo.

Há ainda uma questão importante que não superamos, e ela se refere ao termo Rei-filósofo na equação acima.

Colocando a filosofia de lado por enquanto, vamos voltar à simples tarefa de encontrar nossas meias de manhã a que me referi anteriormente. Lembre-se – a resposta está bem em baixo de nossos narizes.

Precisamos ter em mente que os homens que compuseram o Ritual de Emulação eram altamente versados nos clássicos. Lá em 1816, quando o Ritual Emulação foi finalmente concluído e aprovado, “os clássicos” cobriam uma gama de literatura que ia da Bíblia, passava pelos escritos gregos e romanos até Jonathan Swift. O que estamos dizendo é que a bússola da literatura clássica foi e continua a ser, felizmente, … ampla.

Então … vamos olhar para os nossas meias mais uma vez …

Nosso ritual é baseado em que? A resposta simples é: Ele é baseado nas circunstâncias relacionadas com a construção do Templo do Rei Salomão.

Ele é baseado na construção de um templo que pertence ao Rei Salomão!

Esta personagem bíblica é famosa por dois motivos. O primeiro é que ele era um rei. O segundo é que ele era famoso por ser um rei amante da sabedoria. A este respeito, está longe de ser acidental que o termo grego para “amante da sabedoria” seja filósofo.

Então … o rei Salomão (do ponto de vista maçônico) é o rei-filósofo!

Agora, vamos avançar mais um passo …

Em uma loja maçônica, é o Venerável Mestre quem se senta na Cadeira do Rei Salomão. É o Venerável Mestre que representa o Rei Salomão. É o Venerável Mestre, que representa aquela característica de Sabedoria.

Então, vamos reduzir os termos da fórmula platônica para um uma significativamente Maçônica:

As Artes Liberais e Ciências + As Quatro Virtudes Cardeais = Rei-filósofo = Venerável Mestre.

Embora possamos ter resolvido um pequeno mistério maçônico, ainda não explicamos adequadamente o mistério de como a sua esposa (e a minha) sabe a localização exata de nossas meias pretas (com as listras brancas ) – Todas as manhãs.

… mesmo estando na cozinha!

 

Capítulo 8: Desenvolvendo o Intelecto do Rei-filósofo – As Artes Liberais e Ciências

No capítulo anterior, examinamos uma fórmula simples, que reduziu a substância da obra de Platão A República a uma equação que é a fórmula idêntica ao modelo que usamos na Maçonaria… uma fórmula que foi adaptada por maçons classicamente treinados, bem versados em filosofia grega, que foram encarregados ​​de enquadrar o Ritual de Emulação inglês nos primeiros anos do século XIX.

Mas, antes de avançar, vamos nos certificar de que estamos entendidos sobre o que discutimos até agora…

Do ponto de vista de Platão, a formação de um líder pensante (Um rei-filósofo), envolvia dois passos importantes… a formação de seu intelecto e a formação de seu caráter.

Seleções da vida de Dion por Plutarco

Dion acreditava que esta situação resultou da falta de educação do tirano, e por isso tentou interessá-lo em estudos liberais… na esperança de formar seu caráter. (9)

Com Platão em Siracusa, Dionísio se submeteria aos seus ensinamentos, e assim ajudado, seu caráter poderia aceitar a disciplina imposta pela virtude… em obediência à qual o universo se move do caos à ordem… em suma, ele se tornaria um rei, ao invés de um tirano. (10)

Platão convenceria o jovem a desmantelar seus dez mil seguranças, dissolver sua frota de quatro mil cavaleiros e a multidão inumerável de infantes, e tudo isso a fim de buscar o bem inefável nas escolas da Academia, para fazer da geometria de seu guia para a felicidade e entregar as bênçãos do poder… (14)

Traduções por: Rex Warner

Outra coisa que temos de ter claro sobre isso é que Platão acreditava que o acidente de gênero não tinha relevância se o rei-filósofo era realmente um homem ou uma mulher. Sua ênfase estava na competência, não no sexo.

O objetivo de Platão era criar um líder ideal – Alguém que fosse versátil e multi-dimensional – alguém que fosse capaz de harmonizar os diferentes aspectos da inteligência (assim como da emoção) para realizar julgamentos que fossem sólidos e que realmente lidasse com a situação com a qual houvesse necessidade de enfrentar.

Com esse entendimento, neste capítulo vamos explorar a dimensão intelectual do currículo de Platão. Estes são aqueles que se referem especificamente às Artes e Ciências Liberais. No próximo capítulo examinaremos as Virtudes Cardeais e sua aplicação em nosso Ritual e, igualmente importante, em nosso dia-a-dia.

As artes liberais e ciências (como as conhecemos hoje) compreendem sete assuntos. O número 7 tem um significado maçônico específico e algo a que nós retornaremos mais tarde.

No entanto – o curriculum original de disciplinas em A República de Platão não é composto por sete, mas por cinco assuntos. Eles eram:

1 – Aritmética

2. Geometria Platão dividiu a geometria em duas correntes separadas. A geometria plana tratava de modelos bidimensionais, enquanto que a geometria sólida tratava modelos tridimensionais.

3. Música

4. Astronomia

5. Dialética.

A dialética era a arte de construir, expressar e defender argumentos. Ela envolvia as habilidades de gramática, lógica e retórica. Credita-se ao estadista romano e filósofo Cícero (106 a.C. – 43 a.C.) a divisão do campo da dialética em três correntes de gramática, lógica e retórica.

Até o momento em que a Idade Média havia chegado, o currículo original de Platão, de artes e ciências tinha se desenvolvido na estrutura que conhecemos hoje, e à qual nos referimos cada vez que assistimos a uma reunião de loja. Também é interessante notar que Cícero escreveu duas obras famosas que têm os mesmos títulos que os dois escritos mais famosos de Platão, – República e As Leis.

Como um breve aparte, se olharmos para qualquer de suas representações em belas artes, notaremos que cada uma das artes e das ciências é retratada como uma mulher. A razão por detrás disso decorre do fato de que em Latim (e também em vários outros idiomas) os substantivos são classificados pela sua terminação de gênero – se o final da palavra é tipicamente masculino, feminino ou neutro. Em suas formas latinas, grammatica, Logica, Rhetorica, Arithmetica, Geometrica, Musica, e Astronomica, cada uma delas tem um final feminino. Em latim, isso é mais comumente representado pela letra “a”.

Vamos agora olhar para cada uma destas artes e ciências em separado para entender o que elas estão destinadas a nos ensinar, assim como considerar as possibilidades que existem para nós de expressá-las significativamente em nossas vidas hoje.

As três artes:

As três artes da lógica, gramática e retórica se relacionam com a nossa capacidade de nos comunicar usando a linguagem. Simplificando – estas são as artes que precisamos aprender e dominar, a fim de comunicar nossas ideias e visões, nossos desejos, nossas vontades e nossas necessidades eficientemente a outras pessoas por meio de palavras.

Gramática: Seu uso e importância

As regras da gramática determinam como as palavras são posicionadas em uma frase, de modo que a sua lógica seja clara e inequívoca. Cada idioma tem suas regras para a construção de frase (ou sintaxe) e é importante entender que as regras que governam a forma como as palavras aparecem em uma frase em inglês tem pouca correspondência com as regras quando elas aparecem nas frases de outras línguas.

Quando você ou eu construímos frases e sentenças e as colocamos em uma ordem correta, para que possamos fazer sentido para outros, quer por escrito, discussão particular, ou apresentação pública, estamos demonstrando competência na arte da gramática.

Um líder pensante precisa ser capaz de se comunicar de forma clara e com o mínimo de ambiguidade. Essa capacidade de usar a gramática de forma eficaz é sem dúvida o aspecto mais essencial para sermos capazes de apresentar o que somos aos outros. Neste contexto, a gramática constitui os blocos de construção de nossa própria auto expressão. Quando nos expressamos de forma clara, estamos expressando quem somos e o que defendemos. Importante, também expressamos contra o que nos posicionamos.

Devido ao poder desta forma de arte, é crucial, então, que desenvolvamos a capacidade de fazê-lo com precisão e eloquência.

Lógica: Seu uso e importância

Na sua forma mais simples, a lógica a capacidade de construir um argumento sólido, ao invés de um argumento pobre.

Um dos traços distintivos de um líder de pensamento é a sua capacidade de pensar com clareza, encapsular a essência do argumento e trabalhar para a resolução do problema em questão. Ser capaz de fazer isso e argumentar de forma convincente com o pensamento claro, fundamentado e sequencial é uma forma de excelência intelectual e constitui a base das decisões políticas corretas e eficazes.

Retórica: Seu uso e Importância

Se você tem um dom natural para falar, vai se tornar um orador famoso, desde que você melhore seu dom de conhecimento e prática; mas se alguma destas condições não se concretiza, você vai ficar aquém da sua meta naquela medida.

Platão, Fedro, 269 Trad: Hamilton

Pergunte a qualquer número de pessoas qual é seu maior medo (e pondo de lado a morte e os impostos), a resposta universal (independentemente da cultura) parece ser falar em público. Surpreendentemente, a maioria das pessoas ficaria feliz em passar pela dolorosa experiência de um tratamento de canal dentário, que ficar de pé e de modo articulado e convincente dirigir-se a um grupo de pessoas. No entanto, esta capacidade de se comunicar com segurança e eficiência em um fórum público é uma das marcas que muitas vezes são utilizadas para identificar um líder.

Espera-se que um líder use o poder de sua voz para levar uma audiência a fazer alguma coisa – agir, apelando para o seu pensamento e envolvê-la emocionalmente. Ele incorpora uma série de habilidades de boa comunicação. Mais importante ainda, exige-se o uso da voz (não só o volume, mas o tom e a projeção). Também exige uma compreensão da linguagem corporal para expressar emoções (assim como as ler) e respostas emocionais de forma mais eficaz. Na verdade, isso está longe de uma proeza fácil de conseguir. Ela exige uma capacidade de “sentir” as diferenças na forma como o público responde durante uma apresentação. Isso exige versatilidade de se adaptar e se ajustar ao “humor” do público a qualquer momento.

Coletivamente, essas habilidades compreendem a competência da retórica.

Platão tinha um aluno fabuloso, que atendia pelo nome de Aristóteles. Aristóteles escreveu uma obra chamada Sobre a Retórica que lida especificamente com o uso correto da retórica. Nos parágrafos de sua abertura, ele tradou dos casos em que a retórica era usada incorretamente. Ele os descreveu como casos onde “raiva, piedade e emoções semelhantes” são despertadas quando elas “nada têm a ver com os fatos”.

Em sua essência, a retórica trata com ser capaz de falar com o que o Ritual descreve como eloquência persuasiva. Na terminologia moderna, a eloquência persuasiva provavelmente se aproxima mais da expressão mais comum de habilidade de vendedor. De um ponto de vista maçônico, é interessante trazer à mente que, durante a Cerimônia de Instalação do Venerável Mestre Eleito, tanto o Venerável Mestre quanto seu segundo vigilante são investidos com as palavras que orientam esses dois oficiais para o uso eloquência persuasiva em todas as suas relações com os outros.

O termo eloquência persuasiva parece resumir (em um uso bastante econômico de palavras) o que o uso correto da retórica, na verdade, exige!

Os Quatro Ciências

Enquanto as Artes se referem às habilidades de comunicação usando palavras, as Ciências se referem à habilidade de ser capaz de comunicar com os outros por meio de números e cálculos.

Aritmética: Seu uso e importância

A primeira das ciências, é precisamente a ciência do cálculo.

Do ponto de vista de um líder, é importante saber como somar, subtrair, multiplicar e dividir. Serva da lógica, é uma ferramenta que você e eu consideramos uma matéria que nos é ensinada desde nossos primeiros dias na escola. Platão entendeu que a aritmética tinham aplicações muito práticas (especialmente para um general implantando suas tropas ou um comerciante para ganhos comerciais).

Ele também observou que as pessoas que são boas em aritmética têm uma tendência natural para demonstrar agilidade da mente também em outras disciplinas. De uma perspectiva prática, Platão até mesmo sugeriu que uma pessoa que carece de agilidade natural da mente pode utilizar a aritmética como meio para treinar sua mente a pensar com maior flexibilidade.

Embora um líder reconhecerá as aplicações práticas da aritmética, ele ou ela também será treinado para usar a aritmética como um instrumento específico de filosofia… como uma forma de compreender a verdadeira realidade ou dito de outra forma – Deus.

Devemos… convencer as pessoas que vão realizar as tarefas mais importantes da nossa comunidade a aprender aritmética. Eles não devem praticá-la como diletantes, mas devem manter-se nela até chegar ao ponto em que possam ver em suas mentes que os números realmente são… a fim de facilitar as mentes a se afastar cada vez em direção à verdade e a realidade.

Geometria:

A segunda ciência é a ciência de cálculo espacial, de ângulos, distâncias e áreas. Platão dividiu este assunto em duas correntes separadas, e identificou-as como a geometria sólida e geometria plana.

Novamente, Platão reconheceu os aspectos práticos dessa ciência, mas seu propósito em um currículo para o desenvolvimento de líderes pensantes, era alinhar mente do líder com realidade máxima que ele expressa como a divindade. Como a ciência da geometria faz isso? Ela o faz por meio de um processo de disciplina mental, da mesma forma que a aritmética é uma disciplina mental projetada para despir os aspectos ilógicos e inúteis do trabalho ou da apresentação de um cálculo. A plataforma de Platão foi no sentido de treinar a mente – disciplinar a mente para ver a verdade por trás da ilusão da existência cotidiana.

O que temos a considerar é se os aspectos mais avançados da geometria que constituem o cerne do assunto têm alguma relevância no contexto da regularização do caminho para se vislumbrar o caráter de bondade. E o que estamos dizendo é que tudo é relevante no contexto, se obriga a mente a se voltar para o reino onde a parte mais abençoada da realidade pode ser encontrada; que a mente deve fazer o possível para ver… portanto… a geometria pode atrair a mente para a verdade. Ela pode produzir o pensamento filosófico…

Algo que tem profundo significado para nós enquanto maçons é a língua adaptamos a partir dos escritos de Platão, especificamente em relação à divindade.

Por exemplo, em “Timeu”, Platão criou o primeiro mito grego da criação do universo por um único deus (ao invés de uma multiplicidade de deuses). Neste mito, Platão descreve que este deus criou o mundo usando formas geométricas. Nesse sentido, ele é o Geômetra do Universo.

Platão foi de fato o primeiro a usar esta imagem de deus como o Geômetra do Universo. Da mesma forma, Platão foi o primeiro a usar a imagem de deus como o arquiteto do universo. O próprio termo grego do qual deriva a palavra arquiteto é arche-techton e significa – (arche) e grande e (techton) artesão.

Platão propôs que o Geômetra do Universo criou o mundo a partir de quatro elementos básicos: Terra, fogo, ar e água.

À Terra ele designou o cubo; 

ao ar – o octaedro; 

ao fogo – a pirâmide 

e à água o icosaedro. 

Toda a matéria foi formada pela coesão desses elementos em diferentes proporções, um ao outro. Uma vez que o universo fora criado, ele assumiu a forma que foi a própria imagem de si mesmo, de perfeição:

Portanto, ele o transformou em uma forma arredondada esférica, com os extremos equidistantes em todas as direções a partir do centro, uma figura que tem o maior grau de perfeição e uniformidade, pois ele julgava que a uniformidade era incalculavelmente superior ao seu oposto.

Astronomia:

A terceira ciência – Astronomia – é a ciência da medição dos corpos celestes. Era também a ciência, através da qual o tempo era medido, não apenas as proporções do dia e da noite, mas também a maneira que as estações eram determinadas a partir de observações da chegada dos solstícios e equinócios.

… as sete Artes Liberais… eles são os resumos da verdade e, como Platão afirmava, as etapas do todo universal.

Laurence Gardner, A Sombra de Salomão, Cap 2, pg. 24.

As artes liberais não eram ensinada tanto como meio de preparar os alunos para ganhar a vida, mas para aumentar o seu conhecimento nas ciências filosóficas.

Laurence Gardner, A Sombra de Salomão, Cap 2, pg. 22.

Agora, quando o Pai que tinha gerado o universo observado o colocou em marcha e vivo… ele estava bem contente… Porque antes do céu existisse não havia dia ou noite, nem meses ou anos.

Na época de Platão, a ciência da astronomia incorporava passos das questões universais tão diversos quanto o movimento dos planetas, astrologia e (estendendo um pouco), possivelmente até a previsão do tempo. Observando as cores do céu em diferentes pontos do dia, chegamos a regra prática que diz “…céu vermelho à noite, o deleite de marinheiro… céu vermelho de manhã, um aviso ao marinheiro”. Mais do que qualquer coisa, a astronomia era para Platão o método pelo qual um rei-filósofo seria capaz de deduzir a existência de um criador por trás do universo. Em sua própria maneira, ele constituía a base de um argumento primitivo do Design Inteligente. Platão argumentava que o saber intelectual e a admiração que sentimos quando olhamos para o céu, foi a origem da filosofia:

Como ela é, no entanto, nossa capacidade de ver os períodos do dia e da noite; dos meses e dos anos; dos equinócios e solstícios levou à invenção do número e nos deu a ideia de tempo e abriu o caminho para investigação sobre a natureza do universo. Essas atividades nos deram a filosofia…

Investigando a filosofia, não é de se admirar que o astrônomo encontrará aspectos do divino.

Um verdadeiro astrônomo… certamente pensa que o artista dos céus o construiu e tudo o que ele contém para ser tão bonito quanto tais obras podem ser…

Voltando brevemente ao nosso próprio ritual, achamos que a Palestra sobre a Primeira Prancha de Traço reflete um sentimento idêntico:

O Universo é o templo da Divindade… e a Beleza brilha através de toda a Criação, em simetria e ordem:

A simetria e a ordem justa mencionada era ressaltada de maneira semelhante por Platão ao estabelecer paralelos entre as ciências da astronomia e a música e os sentidos humanos de visão e audição:

Os olhos são feitos para a astronomia… e pela mesma razão, as orelhas são supostamente feitas para o tipo de movimento que constitui a música. Se assim for, esses ramos do conhecimento são aliados um do outro. Isto é o que afirmam os pitagóricos.

Música / Harmonia:

A quarta ciência é a medida de intervalos de som e frequências. Quantas vezes usamos na linguagem comum a imagem de estar “em harmonia” – uma imagem que evoca a noção de operar na mesma frequência / largura de banda que alguém ou alguma coisa? A frase nos fala em um nível subconsciente da harmonia que existe quando o que pensamos, o que sentimos e como nos comportamos estão perfeitamente alinhados.

… E a harmonia, cujos movimentos são semelhantes às órbitas dentro de nossas almas, é um dom das Musas… para servir como um aliado na luta para trazer a ordem a qualquer órbita em nossas almas que se tornou desarmonizadas e torná-lo concordante consigo mesma

Do ponto de vista de Platão, a música era um método que nos ajudava (da mesma forma que a astronomia) a intuitivamente discernir a presença de um criador.

O que Platão defendia na concepção de um ciclo de estudos nas artes liberais e ciências, eram as ferramentas do oficio filosófico. Isso reflete o cuidado que nos é pedido em cada uma das Palestras sobre as Ferramentas de Trabalho. Em cada grau, nossa atenção é atraída para essas ferramentas de trabalho, não como ferramentas do ofício, mas como ferramentas especulativas (significando filosóficas) de vida.

Estas ferramentas intelectuais foram concebidas para ajudar uma pessoa a pensar – e não apenas nas aplicações prática do dia-a-dia desses campos do conhecimento, mas o mais importante – como um meio de alcançar um melhor entendimento mais satisfatório da relação entre Deus e a humanidade.

E esta é justamente a interpretação que aparece em nossa Exortação do Terceiro Grau:

… vocês foram levados no segundo grau a contemplar a faculdade intelectual e traçar seu desenvolvimento através dos caminhos da ciência celeste, até mesmo ao próprio trono de Deus.

Abaixo está uma tabela de algumas outras correlações entre as ciências em A República de Platão e o Ritual de Emulação.

Aritmética, Música, Geometria, Astronomia
Cerimônia do Ritual da Maçonaria Simbólica página nº Constituição do Sul da Austrália 13 º Delton, 2004 Escritos Platônicos  

Diálogo / Paginação de Stephanus/ Tradução

Sete era uma alusão às sete Artes Liberais e Ciências, ou seja, Gramática, Retórica, Lógica, Aritmética, Geometria, Música e Astronomia. 

Segundo Grau. Pg. 149

Agora, o cálculo e a aritmética são inteiramente relacionados com o número… e eles claramente guiam a pessoa para a verdade… Então, a aritmética é um dos temas que estamos aparentemente procurando. 

Republic/525b / Waterfield

Portanto, Glauco, a geometria pode atrair a mente para a verdade. Ela pode produzir pensamentos filosóficos…

Republic/527b / Waterfield

E você não acha que a terceira deva ser a astronomia? Você não acha que um verdadeiro astrônomo… sente… que o artista dos céus os construiu… para serem tão bonitos quanto essas obras jamais poderiam ser?

Republic/527d e 530a/Wakefield Os olhos são feitos para a astronomia… e pela mesma razão, as orelhas são supostamente feitas para o tipo de movimento que constitui a música. Se assim for, esses ramos do conhecimento são aliados um do outro. Isto é o que afirmam os pitagóricos.

Republic/530d/ Waterfield.

 

 

Capítulo 9: Desenvolvendo o Caráter do Rei-filósofo – As Quatro Virtudes Cardeais

Essencial para o Ritual maçônico é o estudo das Quatro Virtudes Cardeais. Platão não as chamava “virtudes cardeais”. Este termo foi algo que surgiu muito mais tarde desenvolvendo-se a partir da interpretação cristã durante a Idade Média.

Vamos dar uma olhada para o que o termo realmente significa.

A palavra cardeal é derivada do latim cardo. Cardo significa simplesmente uma dobradiça ou uma articulação. A idéia de usar esta palavra foi para enfatizar que, para uma vida humana ter qualquer significado ou valor, aquela vida tem de ser articulada e centrada nessas quatro virtudes.

A palavra virtude é derivada da palavra latina Vir. Vir é latim para homem e, por extensão, virilidade ou força. Os gregos, porém, tinham uma interpretação muito diferente do ideal de virtude e é essa interpretação grega que mais nos interessa neste momento.

O termo grego para a virtude era arete. Arete significa excelência – possivelmente alguma coisa mais – a excelência habitual. É importante notar que do ponto de vista grego, a virtude não tem qualquer inflexão de gênero como tem sua congênere latina. Também era mais ampla em significado e aplicação.

Qualquer que seja o campo da atividade humana em que estejamos envolvidos, cada um de nós tem a capacidade de desenvolver excelência em todo o seu potencial.

As virtudes cardeais são conhecidas em inglês pelas palavras Prudência, Temperança, Coragem e Justiça. Teremos de olhar para cada virtude no seu contexto inglês, latino e grego para melhor apreciar o que Platão estava tentando incutir em nós quando enfatizou repetidamente, que ninguém tem a capacidade de se desenvolver em um filósofo-governante a menos que estas virtudes estejam claramente demonstradas em suas vidas.

Antes de fazermos isso, porém, vamos dar uma olhada na maneira como essas virtudes são exibidas graficamente no espaço da loja.

Acreditava-se em geral… que o número quatro tinha algum tipo de significado especial. Existiam quatro pontos cardeais, quatro ventos, quatro fases da lua, quatro estações, quatro letras da palavra Adão e quatro era o número constitutivo do tetraedro de Platão, que correspondia ao fogo… Quatro foi o número da perfeição moral e os homens com experiência na luta pela perfeição moral eram chamados “tetragonais”.

Umberto Eco, Arte e beleza na Idade Média, pp35-36.

Quando entramos em uma loja, uma das primeiras coisas para a qual nossos olhos serão atraídos é algo que está no centro da sala. É o que é conhecido como o Pavimento Mosaico. Este Pavimento é de forma retangular e as peças que compõem o Pavimento em si são negras contra brancas. Em cada um dos cantos deste Pavimento está a figura de um pendão simples. Em um contexto maçônico, cada um destes quatro pendões representa cada uma das quatro virtudes cardeais.

Não é um simples acidente que o Pavimento Mosaico situa-se no centro da loja. Não é um simples acidente que o Pavimento tenha forma retangular. Não é um simples acidente que as Virtudes Cardeais sejam retratadas como ocupando cada um dos quatro pontos do retângulo onde o ângulo reto é formado.

O projeto em si é medieval e representa a natureza espiritual do ser humano.

O filósofo italiano, linguista e escritor Umberto Eco levantou um argumento significativo em seu livro Arte e Beleza na Idade Média, quando explicou que, durante o século XII, as ideias da teoria pitagórica do universo foram adaptadas e desenvolvidas em um conceito conhecido pelo termo latino, homo quadratus (ou o homem ao quadrado).

Este “homem ao quadrado” é o símbolo da retidão moral e que assim é o próprio conceito que o pavimento mosaico ilustra.

Tendo isso em mente, podemos interpretar o Pavimento Mosaico como ilustração dos meios para atingir uma perspectiva moral sobre a vida e a maneira de fazê-lo – é por meio das Quatro Virtudes Cardeais! Vamos agora examinar cada uma dessas virtudes em mais detalhes para ver quais lições podemos tirar delas, para que possamos aplicá-las em nossas vidas para alcançar maior realização pessoal.

Prudência:

O primeiro Virtude Cardeal é a Prudência. A palavra latina é prudentia e é fácil ver a relação linguística entre estas duas palavras. A palavra grega é escrita assim: jronhsis. Ela é pronunciada, fronesis.

Existe um livro de termos filosóficos gregos que leva o simples título de Definições. Embora tenha sido anteriormente atribuído a Platão, a opinião moderna diverge fortemente dessa alegação. Independentemente disso, ele virá a calhar para nós nos referirmos a ela, alegando que as definições aplicadas aos termos eram correntes no mundo grego antigo. Esta será então a nossa linha de base para entender o que os termos significavam quando foram desenvolvidos pela primeira vez.

A definição dada a fronesis (prudência) é:

sabedoria prática; o conhecimento do que é bom e ruim; a disposição com que julgamos o que deve ser feito e o que não deve ser feito.

A definição enfatiza o caráter muito prático do que se entende pela palavra. Em termos do dia-a-dia, poderíamos sugerir que prudência se refere à arte de aplicar o senso comum em nossas atividades rotineiras. Sendo este o caso, Platão estava enfatizando a importância de um líder ponderado ser capaz de usar o bom senso. A este respeito, o senso comum não é apenas um “palpite” ou um “pressentimento”. Ela é uma habilidade que cada um pode desenvolver como uma forma de excelência habitual.

Temperança:

A segunda virtude cardeal é a temperança. A palavra latina é temperantia e é o equivalente grego é svjrosmnh. Pronuncia-se, sofrosunai.

Autocontrole é a mais valorizada das virtudes e significa não desejar desejar. Significa, também, controlar a própria infelicidade, tanto quanto possível quando e se o lamentável acontece e o desejo incontrolável aparece.

Simon Goldhill, Amor, Sexo e Tragédia: A importância dos Clássicos

Em um contexto do idioma inglês, a palavra temperança tem um sabor muito vitoriano. As Uniões de Temperança (que tinham grande destaque durante a era vitoriana) eram organizações cujo objetivo era a abolição das bebidas alcoólicas. Com efeito, eles diziam “não beba gin”. A palavra também pode significar algo na linha de “contenção”. Em sua própria maneira, a temperança realmente não se sustenta muito bem sob uma luz positiva.

A definição da Grécia antiga era muito diferente e muito positiva:

Autocontrole; moderação da alma… boa disciplina da alma; concórdia da alma em relação a governar e ser governado.

As ideias operativas aqui são o equilíbrio e autocontrole. Em vez de dizer “não beba gin”, sugere-se que o gin pode ser uma coisa boa para beber – com moderação. Isso sugere que o excesso de qualquer coisa não é realmente desejável.

E ainda sugere que virtude demais pode ser um vício.

Em termos práticos, poderíamos até dizer que esta seria uma boa característica de se ter, se quisermos perder peso… a ideia aqui é que levemos uma dieta balanceada, não exageremos nossa ingestão de calorias e tomemos cuidado com o consumo de álcool. O aspecto positivo desta definição é uma vez mais a sua praticidade. Ela não nos obrigando a sermos ascetas… muito pelo contrário. Ela enfatiza qualidades como equilíbrio, ordem, estabilidade. Nesta luz, o nosso foco na vida diária é atingir o equilíbrio nas coisas que pensamos, as coisas que sentimos e nas coisas que fazemos. É nada menos que o alinhamento harmonioso.

Coragem:

A terceira é a virtude cardeal é a coragem. A palavra latina é fortitudo e a palavra grega é escrita assim: andreia. É pronunciada andraia.

Termos como força e coragem têm aplicações diretas em um campo de batalha ou algum teatro de hostilidades, e muitas vezes é nas situações extremas em que manifestações dessas qualidades são geralmente observadas.

A definição do grego antigo é um pouco mais sutil do que esta que acabamos de discutir. A definição grega diz simplesmente:

… Autocontenção na alma sobre o que é temível e terrível; ousadia, em obediência a sabedoria; a calma na alma sobre o que o pensamento correto considera assustador.

Mas, as pessoas que mais merecem ser julgadas de espírito forte são aquelas que sabem exatamente o quais terrores e prazeres estão à frente, e não se afastam do perigo por aquele conhecimento.

Tucídides, A guerra do Peloponeso, 40 (Extraído da Justiça, Poder e Natureza Humana: Seleções da História da Guerra do Peloponeso, Traduzido por Paul Woodruff.

Aqui, a definição enfoca mais uma vez o princípio do equilíbrio. Desta vez, o equilíbrio está associado à capacidade de acalmar a rápida sucessão de pensamentos que nos alarma ou nos assusta. Isso é mais sugestivo de ser um chamado à ação calma mas decisiva quando as circunstâncias o exigem – independentemente dos perigos presentes. Nessas situações, eliminamos os aspectos emocionais de excesso de reação normalmente associados a situações de perigo. Nós vemos o perigo pelo que ele realmente é, e não por aquilo que nossa imaginação hiperativa dá impressão que seja.

Fora estarem envolvidas em um teatro de guerra, a seguinte situação que a maioria de nós tem que enfrentar em algum momento de nossas vidas expressa como podemos demonstrar firmeza em uma situação cotidiana.

Imagine ter ido a um médico especialista e ser submetido a uma série de exames. Estamos aguardando os resultados na área de recepção do consultório do especialista. Estamos preocupados que talvez os resultados sejam terminais. Pensamos que uma rápida sucessão de pensamentos ligados à morte e o morrer. Como as pessoas reagem? Que medidas deverão ser tomadas para o descarte de nosso corpo? Existe vida após a morte? Se for o caso, como seria ela?

Sentimos nosso coração disparar, a respiração tornar-se superficial e rápida. Justificadamente – nos sentimos fracos.

A única coisa positiva a fazer é realizar uma cirurgia em nossos pensamentos… cortar aqueles pensamentos que são uma elaboração baseada nas circunstâncias que estamos enfrentando, agora, hoje, neste exato instante. Precisamos descobrir que um ponto em nosso espírito; aquele ponto fixo em um universo que está girando loucamente fora de controle, e depois ficar com a cabeça erguida quando formos chamados à sala da especialista para ouvir o veredicto, qualquer que seja o que o veredicto possa reservar para nós.

Justiça:

A quarta virtude cardeal é a justiça. A palavra latina é iustitia e a palavra grega é escrita assim: dikaiosmnh. É pronunciado dikaiosuna.

Anteriormente, abordamos a tradução moderna da palavra, dizendo que dikaiosuna era traduzida geralmente como a justiça, ao passo que a tendência hoje é traduzir a palavra como “moralidade” ou “retidão ética”. De qualquer maneira, a palavra em inglês é temperada com um tom jurídico de punição por má conduta.

Em nossa discussão das três virtudes cardeais anteriores, notamos que a definição grega original se afasta significativamente do uso comum das palavras em inglês. A situação não é diferente quando se trata da palavra justiça.

A definição grega antiga é: o estado que distribui a cada pessoa de acordo com o que é merecido. A definição é simples, sem qualquer elaboração.

Neste sentido, os gregos enfatizavam que a moralidade, ou a justiça ou demonstrações de ética tinham mais a ver com a resposta a situações de forma adequada. Por exemplo: se uma pessoa faz bem alguma coisa, a coisa apropriada é elogia-la. Se uma pessoa faz mal a uma tarefa, o mais apropriado é aconselhá-la, ou treina-la e orienta-la (ou se todas estas coisas falharem), possivelmente até mesmo puni-la.

Sua importância para nós é aplicar o princípio de tal forma que damos uma resposta adequada a nós mesmos, a cada pessoa que encontramos e a cada evento na vida em que estamos envolvidos.

O ponto é que os deuses nunca negligenciaram qualquer pessoa que esteja disposta a se dedicar a se tornar moral e praticar a virtude para assimilar-se a deus, tanto quanto seja humanamente possível.

Platão: República 613e Trad. Robin Waterfield

Neste sentido, é significativo que na Cerimônia de Encerramento da Loja, um pouco antes do Primeiro Vigilante bater o malhete para fechar a loja, ele comenta a todos os presentes a sua função específica. É para zelar que cada irmão tenha tido o que é devido e o que lhe deve.

Após discutir cada uma das quatro Virtudes Cardeais, podemos entender que, enquanto maçons, somos convocados a demonstrar equilíbrio em tudo de nossas vidas e em nenhum lugar esta instrução tão claramente explicada quanto no Segundo Grau

…observar uma média devida entre a avareza e a profusão, manter a balança da justiça com igual equilíbrio; fazer suas paixões e preconceitos coincidir com a linha justa de sua conduta…

O objetivo por trás dessa afirmação é simples. O objetivo por trás disso ilustra a razão por trás uma vida moral que Platão enfatizava de diferentes maneiras ao longo de A República. É assimilação a deus, ou como nosso ritual poeticamente nos lembra, sempre temos a eternidade em vista.

Capítulo 10: Comparando Temas Platônicos e Maçônicos

Tendo entendido a maneira como a Maçonaria se desenvolveu a partir do modismo cultural do filohelenismo – uma moda que era moeda corrente ao longo do século XIX, estamos agora em melhor posição para estudar temas paralelos emergentes dos escritos de Platão e o nosso próprio ritual.

Mérito

Um dos temas mais duradouros que percorremos três graus da Maçonaria Simbólica e até mesmo no ritual de instalação do próprio Venerável Mestre é o de atingir qualquer das distinções que conseguimos na vida como um resultado de nossos próprios esforços, habilidade e aplicação … em outras palavras – por nossos próprios méritos.

A República tem como a base de sua plataforma – uma crença permanente em que ninguém – homem ou mulher – tem qualquer direito a nomeação, promoção ou avanço dentro de sua sociedade, exceto como resultado de seus talentos, habilidades, indústria exclusivos e, mais importante de tudo, seu caráter.

Reis-filósofos representam o maior pool de talentos em qualquer sociedade e, portanto, recebem o mais alto nível de treinamento para incentivar o mais alto padrão de pensamento e comportamento.

Esse mesmo princípio está impregnado em todo o nosso ritual, conforme demonstram os exemplos a seguir.

Mérito
Cerimônia Ritual Maç. Simb. / Número da página Constituição Sul-Australiana 13ª Edição, 2004 Escritos platônicos Diálogo / Paginação de Stephanus / Tradução
… elevado a eminência por mérito … 

A Cerimônia de instalação do Mestre-Eleito / pág. 23

… o incentivo discriminador de mérito …

A Cerimônia de instalação do Mestre-Eleito / pág. 41

… Não temo dúvidas de que o sua futura conduta será tal a merecer a estima dos irmãos.

A Cerimônia de instalação do Mestre-Eleito / pág. 43

Estes Segr., no entanto, são comunicados aos candidatos, não indiscriminadamente, mas de acordo com mérito e capacidade.

Primeiro Grau / pg. 81

Você deve incentivar a indústria e premiar o mérito …

Segundo Grau/Pg. 144

… mérito tem sido o seu título aos nossos privilégios…

Terceiro Grau / pg. 194

Homens e mulheres que demonstraram o mérito visível devem se qualificar para todas estas homenagens, sem distinção de sexo. 

As Leis/802a/Saunders

E se queremos uma descrição breve e moderna de seu tipo de sociedade, meritocracia gerencial é talvez o mais próximo que conseguimos chegar.

A verdadeira questão é que o que ele (Platão) quer é uma aristocracia de talento.

EM Rieu, Introdução à sua tradução de A República – (edição Penguin Classics).

Preparação para a Morte

As lições do primeiro e do segundo graus nos preparam para disciplinar nossas mentes para manter a perspectiva da morte como uma influência moderadora sobre nosso comportamento. Ela nos ajuda a conseguir uma perspectiva equilibrada sobre a vida, enquanto que nos permite viver a vida com paixão animação e entusiasmo.

Preparação para a Morte
Cerimônia Ritual Maç. Simb. / Número da página Constituição Sul-Australiana 13ª Edição, 2004 Escritos platônicos Diálogo / Paginação de Stephanus / Tradução
Ela prepara você através de contemplação, para a hora de fecho da existência e quando, por meio daquela contemplação, ela o conduziu através dos intrincados meandros desta vida mortal e, finalmente, ela instrui você sobre como deve morrer. 

Terceiro Grau / pg. 175

As pessoas comuns parecem não perceber que aqueles que real e verdadeiramente aplicam-se no caminho certo para a filosofia estão diretamente e por conta própria, preparando-se para morrer e para a morte. 

Phaeton/64a/Tredinnick

Os verdadeiros filósofos fazer de morrer a sua profissão.

Phaeton/67e/Tredinnick

Você está enganado meu amigo, se acha que um homem que vale alguma coisa, deveria gastar seu tempo pesando as perspectivas de vida e morte. Ele só tem uma coisa a considerar ao realizar qualquer ação; é se ele está agindo justa ou injustamente; como um homem bom ou um homem mau.

Apology/8b/Tredinnick

Pois, deixe-me dizer aos senhores que ter medo da morte é apenas outra maneira de pensar que se é sábio quando não se é; é pensar que se sabe o que não se sabe. Ninguém sabe no que se refere à morte, se não é a maior bênção que pode acontecer a um homem, mas as pessoas a receiam, como se fosse o maior mal…

Apology/29a/Tredinnick

Nosso Dever para com Nossos Pais

Nós já discutimos a importância do conceito de mérito em A República de Platão. Por extensão, nossos pais, ou aqueles que nos proporcionaram nossa educação, ou aqueles que são predominantes em nosso desenvolvimento pessoal são merecedores de manifestações especiais de respeito. Por seu comportamento, eles mereceram o nosso respeito. Do ponto de vista de Platão, esta demonstração de respeito é um dos principais blocos construtivos de uma sociedade bem-ordenada e, da mesma forma, é um bloco de construção principal do ensino maçônico.

Nosso Dever para com Nossos Pais
Cerimônia Ritual Maç. Simb. / Número da página Constituição Sul-Australiana 13ª Edição, 2004 Escritos platônicos Diálogo / Paginação de Stephanus / Tradução
Seu dever para com seus pais é suportar o calor e o cansaço do dia, do qual eles, por sua idade, devem ser isentos; auxiliá-los na hora da necessidade e, assim, tornar os seus dias finais felizes e confortáveis. .. 

Primeiro Grau / pg. 109

 

Devemos considerar que o objeto mais precioso de adoração de um homem pode ter é seu pai … frágil com a idade, ou sua mãe em situação semelhante, porque quando ele os honra e os respeita, Deus está encantado. 

As Leis/913d/Saunders

Ele deve servi-los … e assim dar aos idosos o que eles precisam desesperadamente em virtude de sua idade …

As Leis/717o/Saunders

… depois de uma era gasta em obediência às leis, o curso da natureza o levará ao fim de sua vida.

As Leis/958d/Saunders

Os jovens também devem ceder seus assentos aos mais velhos, levantar-se quando eles entram em uma sala e cuidar de seus pais.

República/425b/ Waterfield.

Fidelidade à Nossa Terra Natal

O papel principal do rei-filósofo de Platão é o de defesa. O filósofo-governante defende não só as leis, mas os costumes, cultura, história, língua, ideais e princípios da comunidade na qual eles servem em uma função de liderança. Estendendo este tema para além das páginas de seus escritos, os autores do Ritual de Emulação tomaram o pensamento de Platão e o transformaram na pedra angular da filosofia maçônica.

Fidelidade à Nossa Terra Natal
Cerimônia Ritual Maç. Simb. / Número da página Constituição Sul-Australiana 13ª Edição, 2004 Escritos platônicos Diálogo / Paginação de Stephanus / Tradução
E, acima de tudo, por nunca perder de vista a fidelidade devida ao soberano de sua terra natal, sempre lembrando que a natureza implantou em seu peito um apego sagrado e indissolúvel a esse país onde você nasceu e recebeu sua nutrição infantil. República/503a/Waterfield Primeiro Grau / pg. 98 

 

… Eles precisam demonstrar o amor de sua comunidade enquanto são testados tanto em circunstâncias agradáveis quanto penosas, e deixar claro que não vão deixar de lado o seu patriotismo qualquer que sejam as provas ou medos com que se deparem…
Ao nunca propor ou absolutamente não tolerando qualquer ato que possa ter uma tendência para subverter a paz e a boa ordem da sociedade; dedicando a devida obediência às leis de qualquer Estado que possa, durante algum tempo, se tornou o lugar de sua residência ou estendeu-lhe sua proteção … 

Primeiro Grau / pg. 98

Todo homem que é bom deve denunciar o conspirador às autoridades e levá-lo ao tribunal sob a acusação de violência e ilicitamente derrubar a Constituição As Leis/856o/Saunders

Viver Respeitado e Morrer Lamentado

Se um dos princípios pelos quais vivemos nossas vidas é fazer das realizações de nossa vida, um monumento eterno (mesmo na morte), então este foco nos dará um sentido de equilíbrio que não só nos ajudará a navegar em nosso caminho por momentos de teste na vida, mas também nos fornecerá uma boa base para uma partida confiante desta vida.

Viver respeitado e Morrer lamentado
Cerimônia Ritual Maç. Simb. / Número da página Constituição Sul-Australiana 13ª Edição, 2004 Escritos platônicos Diálogo / Paginação de Stephanus / Tradução
… chegando à eminência por mérito, você viverá respeitado e morrerá lamentado. 

A Cerimônia de instalação do Mestre-Eleito / pág. 28

… Ele está contente se puder encontrar uma maneira de viver a sua vida aqui na terra, sem se tornar manchado por atos imorais ou injustos, e partir dessa vida com confiança e sem raiva e amargura. 

Republica/496d-e/ Waterfield.

O Autoconhecimento e Auto entendimento

A base da filosofia de Sócrates não era nada mais ou nada menos que uma verdadeira compreensão de nós mesmos. Esse entendimento leva em consideração a amplitude da nossa personalidade, incluindo nossos pontos fortes e talentos (mas não ignorando nossos pontos fracos e áreas de autodesenvolvimento). Do ponto de vista grego antigo, você e eu somos um reflexo do próprio grande cosmos; portanto, cada ação das nossas vidas afeta o equilíbrio do cosmos – tanto o universo maior do qual os planetas, estrelas e galáxias existem, mas bem no universo interior do nosso coração, mente e carne. O autoconhecimento é o cabresto através do qual refreamos nossos apetites e restauramos o foco e o equilíbrio. O autoconhecimento é o meio pelo qual contemos nossos defeitos de caráter.

Autoconhecimento
Cerimônia Ritual Maç. Simb. / Número da página Constituição Sul-Australiana 13ª Edição, 2004 Escritos platônicos Diálogo / Paginação de Stephanus / Tradução
Deixe os emblemas da mortalidade que se encontram diante de você levá-lo a contemplar seu destino inevitável e orienta-lo em suas reflexões para aquele que é o mais interessante de todos os estudos humanos, o estudo de si mesmo. 

Terceiro Grau / pg. 180

 

Estou refletindo, respondi, e descobrir que a temperança ou a sabedoria, se é uma espécie de conhecimento deve ser uma ciência e uma ciência de alguma coisa. 

Sim, ele disse, a ciência do próprio homem. Charmides/1650/Jowett

Porque eu diria que o autoconhecimento é a própria essência da temperança, e nisso eu concordo com quem dedicou a inscrição: “Conhece a ti mesmo” em Delphi. Essa inscrição, se não me engano, está lá como uma espécie de saudação que o deus dirige àqueles que entram no templo …

Charmides/165a/Jowett

O Conhecimento do Bem e do Mal

Em seu nível mais básico, a moralidade é a realização de um equilíbrio na vida, entre os extremos da escuridão e luz, entre a dor e o prazer, entre o bem e o mal.

Mas, em muitas situações da vida, nossas decisões não são tão fáceis como aquelas entre extremos. Nossas decisões são mais difíceis – elas também são associadas a zonas cinzentas de sombra e penumbra. Muitas vezes, não temos o luxo de fazer escolhas entre o bem e o mal, mas entre o menor entre dois (ou mais males) ou a maior entre dois ou mais bens. A capacidade de tomar essas decisões com confiança e bem, exige mais que uma mera compreensão superficial da moralidade. Ela exige algo mais profundo – uma compreensão da natureza humana.

Bem e Mal
Cerimônia Ritual Maç. Simb. / Número da página Constituição Sul-Australiana 13ª Edição, 2004 Escritos platônicos Diálogo / Paginação de Stephanus / Tradução
Tendo definido para a nossa instrução, os limites do bem e do mal… 

Terceiro Grau / pg. 191

Para realizar uma investigação rigorosa sobre a natureza, tanto do bem quanto do mal. 

Republica/368c/Waterfield

… A competência e conhecimento com que distinguimos uma vida boa de uma ruim.

Republica/618c/Waterfield

A vida (… expressa como uma viagem náutica)

Desde as primeiras histórias de Jasão e seus Argonautas, assim como Ulisses (e seus 10 anos de jornada para casa depois da Guerra de Tróia), uma das imagens mais impressionantes que apelam à nossa mente é o da vida como uma viagem náutica. Quer se trate de um timão de retidão ou uma quilha do caráter, a imagem é clara. É uma imagem de foco ou talvez (mais apropriadamente), uma de manutenção de um rumo preciso em nossas vidas.

A vida como uma viagem náutica …
Cerimônia Ritual Maç. Simb. / Número da página Constituição Sul-Australiana 13ª Edição, 2004 Escritos platônicos Diálogo / Paginação de Stephanus / Tradução
Manobrar o barco dessa vida pelos mares da paixão sem abandonar o timão da retidão é a maior perfeição que a natureza humana pode alcançar … 

Segundo Grau/Pg.

Estou dando a devida atenção à forma como devemos tentar viver – à “quilha do caráter” que precisamos estabelecer se vamos navegar através desta viagem da vida com sucesso. 

As Leis/803b/Saunders

Metais e Valores

O termos aristocracia significa literalmente “governo dos melhores”. Os “melhores” eram muitas vezes julgados pelo padrão da riqueza – por quantos metais finos ou objetos de valor eles possuíam. Para Platão, a riqueza não era o fator determinante dos melhores. De sua perspectiva, “os melhores” eram (como já compreendemos) aqueles com o melhor nível de competência. Os “melhores” eram aqueles que eram disciplinados na forma como pensavam e que demonstravam a moralidade vivendo as Virtudes Cardeais.

A partir desta perspectiva, era importante selecionar o novo tipo de líder-filósofo através da total ausência de metais e objetos de valor – aqueles antigos padrões de determinação de quem era melhor para liderar a comunidade.

Um dos primeiros princípios que regem a norma pela qual um governante-filósofo deveria viver, era criar um tabu contra a posse de metais e objetos de valor. É, portanto, de se admirar então que a primeira instrução que um Iniciado ouve quando ele se coloca no canto nordeste, é demonstrar que ele não tem metais ou objetos de valor em seu poder?

A importância com a qual isso é tratado em nosso Ritual é incrível. Esta é a única ocasião em que uma sanção real (e não simbólica), seria utilizada. Nosso Ritual nos lembra que se o Candidato à Iniciação tiver metais ou objetos de valor em sua posse, ele seria obrigado a ser retirado do recinto da loja e a cerimônia recomeçaria desde o início somente depois desses metais e objetos de valor terem sido descartados enquanto durar a cerimônia.

Se repensarmos o nosso ritual a partir da perspectiva de ser ele uma expressão da filosofia de Platão, então, sem dúvida – de todas as lições, instruções, encargos e exortações que um Iniciado ouve – certamente não há símbolo mais elevado do nascimento de um novo filósofo-rei, do que este que ocorre no Canto Nordeste.

Metais e Valores
Cerimônia Ritual Maç. Simb. / Número da página Constituição Sul-Australiana 13ª Edição, 2004 Escritos platônicos Diálogo / Paginação de Stephanus / Tradução
Você estava despido de tudo valioso antes de entrar na loja? 

Primeiro Grau / pg. 89

Em segundo lugar, demonstrar aos irmãos que você não tinha nem metais, nem objetos de valor consigo, porque se você tivesse a cerimônia de sua iniciação até então deveria ser repetida.

Primeiro Grau / pg. 90

Você foi despojado de todos os metais e objetos de valor. Isto se referia ao fato de que na construção de Templo do Rei Salomão, (pois é sobre as circunstâncias relacionadas com a construção daquela magnífica estrutura que a maioria de nossas cerimônias são baseados), não se ouviu nenhum som de martelo ou implemento de ferro .. .

Primeiro Grau / pp. 92 – 93

Assim, diferentemente de alguns de nossos concidadãos, não se lhes permite ter qualquer contato com o ouro e a prata; eles não devem estar sob o mesmo teto que o ouro ou a prata, ou usá-los sobre seus corpos … Esses preceitos garantirão a sua própria integridade… 

República/418a/ Waterfield.

Tendo sido educado assim, eles nunca devem olhar para ouro ou prata ou qualquer outra coisa como sua propriedade particular.

Timaeus/18/Lee

Nós não temos nenhum uso para ouro e prata; é tabu para nós (isto é, reis-filósofos), embora não seja para você.

Republica/422d/ Waterfield.

Agora, nossas observações, há pouco tempo atrás, não nos convenceram de que o ouro e a prata, os deuses da riqueza não deviam ter nem templo, nem casa em nosso Estado?

As Leis/801b/Saunders

 

Inovação

Na filosofia de Platão, o curso de educação para um aspirante a “filósofo-rei” usando as artes liberais e ciências para aumentar as faculdades intelectuais, e as Quatro Virtudes Cardeais para traçar os limites do comportamento adequado e realmente honrado aceitável era o ideal. Ele não exigia qualquer outra inovação. O que era necessário dizer tinha sido dito. Nenhum filósofo-governante tinha autoridade para fazer inovações sob seu próprio capricho.

Da mesma forma, durante a Cerimônia de Instalação de um Venerável Mestre, este novo rei-filósofo é lembrado da mesma coisa. Existem métodos pelos quais as mudanças podem ser incorporadas aos Regulamentos, mas isso não pode acontecer por um capricho ou por ações de uma facção ou grupo particular.

Inovação
Cerimônia Ritual Maç. Simb. / Número da página Constituição Sul-Australiana 13ª Edição, 2004 Escritos platônicos Diálogo / Paginação de Stephanus / Tradução
Você admite que não está no poder de qualquer homem ou grupo de homens fazer a inovação no corpo da Maçonaria. 

Obrigações de um Maçom / Maio 1995/pg.

Eles devem estar em guarda contra inovações que transgridam nossos regulamentos… 

República/424b/ Waterfield.

Submissão e obediência

Um dos princípios definidores comuns tanto dos ensinamentos de Platão quanto da Maçonaria é que o mundo (ou o cosmos) é estruturado sobre o governo e liderança corretos, e sua ordem é colocada em equilíbrio delicado pela habilidade das pessoas que são julgadas competentes para governar com justiça.

Este equilíbrio no cosmos é o oposto do conceito grego de caos (ou em termos modernos) anarquia.

Submissão e obediência
Cerimônia Ritual Maç. Simb. / Número da página Constituição Sul-Australiana 13ª Edição, 2004 Escritos platônicos Diálogo / Paginação de Stephanus / Tradução
Irmãos, tal é a natureza da nossa Constituição que, como alguns têm necessidade de governar e ensinar, outros devem, naturalmente, aprender a se submeter e obedecer … 

A Cerimônia de Instalação do Mestre-Eleito / pág. 52

Agora entendo que os estados devem conter algumas pessoas que governam e outras que são governadas? 

As Leis/6890/Saunders

… o que temos em mente é a educação desde a infância em virtude, uma formação que produz um profundo desejo de se tornar um cidadão perfeito – que sabe como governar e ser governado como a justiça exige.

As Leis/6430/Saunders

 

Luz

A imagem da luz como um símbolo de conhecimento e compreensão é universal. É somente durante parte da Cerimônia de Iniciação em que o candidato está com os olhos vendados, simbolizando “seu estado de escuridão”. Uma vez que a venda tenha sido removida, ela nunca mais é reaplicada em qualquer outro Grau da maçonaria simbólica. Platão usa a imagem da luz no que é, sem dúvida o seu mito mais celebrado. Ele é conhecido como O Mito da Caverna. Nesta história, os homens estão acorrentados abaixo do nível do solo e incapazes de virar suas cabeças, compreender que a “realidade” nada mais é do que as sombras projetadas nas paredes da caverna pela luz por trás deles. Depois de terem entendido que as suas noções de “realidade” eram falhas, eles nunca mais podem voltar a viver suas mesmas vidas novamente. Eles foram iluminados. Esta é a base da iniciação, mas possivelmente podemos também dedicar algum pensamento que o processo de iniciação não é apenas algo que acontece em uma noite. Ele pode ser algo que continua durante todo o restante dos dias que nos foram reservados.

Luz
Cerimônia Ritual Maç. Simb. / Número da página Constituição Sul-Australiana 13ª Edição, 2004 Escritos platônicos Diálogo / Paginação de Stephanus / Tradução
VM. Tendo sido mantido por um tempo considerável em um estado de escuridão, qual é o desejo predominante em seu coração? 

Candidato A Luz

VM. Irmão Segundo Diácono, ao meu sinal, deixe aquela bênção ser restaurada para o candidato.

Primeiro Grau / pg. 79

A reorientação de uma mente de uma espécie de crepúsculo para a verdadeira luz do dia – e esta orientação é uma ascensão da realidade, ou em outras palavras – verdadeira filosofia. 

Republica/512c/Waterfield

 

Sabedoria e Força da Mente

Em ambos os trechos citados abaixo, fica evidente que a compreensão e saber o que fazer nos ajudam a chegar só até certo ponto. Na verdade, ter a força da mente para superar as barreiras mentais que às vezes se colocam em nosso próprio caminho é que nos pode ajudar a atingir nossos objetivos.

Estas barreiras mentais são, na maioria das vezes, nossos preconceitos naturais que Platão caracteriza como desejos e apetites.

Sabedoria e Força da Mente
Cerimônia Ritual Maç. Simb. / Número da página Constituição Sul-Australiana 13ª Edição, 2004 Escritos platônicos Diálogo / Paginação de Stephanus / Tradução
… No governo da loja, você deve combinar a sabedoria, a força da mente e as belezas da persuasão eloquente. 

A Cerimônia de instalação do Mestre-Eleito / pág. 28

.. e deve manter a virtude como um todo em mente, mas sobretudo e por excelência, a virtude que encabeça a lista – o julgamento, a sabedoria e a força da mente de tal forma que os desejos e apetites sejam mantidos sob controle. 

As Leis/688b/Saunders

 

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As Vantagens da Educação Social

Educação não é só “saber” coisas. A maior parte da educação é a capacidade de se adequar e contribuir significativamente para a comunidade da qual fazemos parte.

Compreender e ser capaz de demonstrar competências sociais, tais como boas maneiras, etiqueta e respeito pelos outros, nos ajuda a nos expressar e aceitar a expressão dos outros – (mesmo quando os outros pensam de forma totalmente diferente do ponto de vista que temos).

Vantagens da Educação Social
Cerimônia Ritual Maç. Simb. / Número da página Constituição Sul-Australiana 13ª Edição, 2004 Escritos platônicos Diálogo / Paginação de Stephanus / Tradução
O cinzel aponta as vantagens da educação, que cultiva nossas mentes e nos torna melhores membros da sociedade 

Primeiro Grau / pg. 95

Não é a extrema importância da educação cultural, devida ao fato de que o ritmo e a harmonia afundam-se mais profundamente na mente do que qualquer outra coisa? Para alguém a quem é dada uma educação correta, o produto é a graça; mas na situação oposta, é deselegância. 

República/ 401 d /Waterfield

Regulando nossos Amores e Ações

De acordo com Platão e nosso ritual, a finalidade de se levar uma vida moral, é tornar-se equiparado a Deus.

Embora nunca possamos nos tornar semelhantes a Deus, podemos nos esforçar para fazer o nosso melhor para nos aproximarmos da essência que é Deus.

Regulando nossos Amores e Ações
Cerimônia Ritual Maç. Simb. / Número da página Constituição Sul-Australiana 13ª Edição, 2004 Escritos platônicos Diálogo / Paginação de Stephanus / Tradução
O esquadro nos ensina a regular nossas vidas e ações de acordo com a linha e regra maçônicas, e assim harmoniza nossa conduta nesta vida, para nos tornar aceitáveis ​​àquele Ser Divino, de quem toda fluem toda a bondade e a quem devemos prestar contas de nossas vidas. 

Segundo Grau/Pg. 139

 

O ponto é que os deuses nunca negligenciaram qualquer pessoa que esteja disposta a se dedicar a se tornar moral e praticar a virtude para assimilar-se a deus, tanto quanto seja humanamente possível. República/613e/ Waterfield.

Preservando Nossa consciência

Ambas as passagens abaixo estão relacionadas com uma coisa – os meios que precisamos usar para apoiar-nos em nossas relações com Deus, assim como todas as pessoas que encontramos em nossas vidas diárias.

Somos instruídos a guardar nossos pensamentos e palavras. Estes dois são o assunto a partir dos quais nossos hábitos se desenvolvem.

Nosso objetivo na vida é desenvolver a arete ou excelência habitual em nossos pensamentos, sentimentos, palavras e ações.

Preservando Nossa consciência
Cerimônia Ritual Maç. Simb. / Número da página Constituição Sul-Australiana 13ª Edição, 2004 Escritos platônicos Diálogo / Paginação de Stephanus / Tradução
Irmãos, simbolicamente, a espada nos ensina a colocar uma vigilância sobre a nossa língua e observar a entrada de nossos pensamentos, excluindo todo pensamento, palavra e ação desqualificada, e se esforçando para preservar uma consciência livre de ofensa a Deus e ao homem. 

A Cerimônia de instalação do Mestre-Eleito / pág. 52

Hábitos sólidos e ideias verdadeiras… as sentinelas e guardiães que melhor protegem o espírito dos homens que encontram a graça diante dos olhos de deus. 

República/560b/ Waterfield.

… você não percebeu como se a representação repetida contínua muito depois da infância ela se torna habitual e arraigada e tem um efeito sobre o corpo, voz e mente de uma pessoa “?

República/395d/ Waterfield.

Nossa Conduta

A instrução que nos é dada é clara: quando estamos envolvidos em assuntos sérios, precisamos adotar uma atitude séria.

Isso não é nada fora de uma resposta adequada.

Nossa Conduta
Cerimônia Ritual Maç. Simb. / Número da página Constituição Sul-Australiana 13ª Edição, 2004 Escritos platônicos Diálogo / Paginação de Stephanus / Tradução
Como a solenidade de nossas cerimônias exige uma postura séria, você deve estar particularmente atento ao seu comportamento em nossas reuniões. Segundo Grau/Pg. 143 Mas, se temos a intenção de adquirir virtude, mesmo em pequena escala, não podemos ser sérios e também cômicos , e isto é a razão pela qual devemos aprender a reconhecer a palhaçada … 

As Leis/816e/Saunders

 

Os Ensinamentos de Pitágoras

Os ensinamentos de Pitágoras foram o pano de fundo para a filosofia de Platão. Sabemos disso por meio dos escritos de Platão, assim como dos escritos de Agostinho de Hipona.

Nosso ritual deixa bem claro que ele está em dívida também com Pitágoras.

Os Ensinamentos de Pitágoras
Cerimônia Ritual Maç. Simb. / Número da página Constituição Sul-Australiana 13ª Edição, 2004 Escritos platônicos Diálogo / Paginação de Stephanus / Tradução
O sistema de Pitágoras era baseado em um princípio semelhante. 

Primeiro Grau / pg. 102

Isto é o que aconteceu com Pitágoras; ele não só era tido em grande conta por seus ensinamentos durante sua vida, mas seus sucessores mesmo hoje chamar seu modo de vida de Pitagoreano e, de alguma forma, parece, se destacar de outras pessoas. 

República/600b/ Waterfield.

 

A Bênção de Deus sobre nossos Empreendimentos

Nossas reuniões maçônicas seguem a prática adoptada por Sócrates e Platão, em que a bênção de Deus deve ser buscada em tudo que fazemos na vida.

A Bênção de Deus sobre nossos Empreendimentos
Cerimônia Ritual Maç. Simb. / Número da página Constituição Sul-Australiana 13ª Edição, 2004 Escritos platônicos Diálogo / Paginação de Stephanus / Tradução
VM. O loja estando devidamente composta antes que seja declarada aberta; invoquemos a benção do GADU em todos os nossos empreendimentos. Primeiro Grau / pg. 41 Sim, Sócrates, é claro que todos com o mínimo de senso apela a Deus no início de qualquer empresa, grande ou pequena. 

Timaeus/27/Lee

Os Céus

Tanto na filosofia grega quanto em nosso ritual, entendemos que a imensidão do universo é um reflexo do seu Criador.

Não é uma prova da existência de um Ser Supremo, mas é algo que fala à nossas mentes e corações sobre algo por trás do ato de criação.

Os Céus
Cerimônia Ritual Maç. Simb. / Número da página Constituição Sul-Australiana 13ª Edição, 2004 Escritos platônicos Diálogo / Paginação de Stephanus / Tradução
Os céus Ele estendeu um teto, a terra que Ele plantou como escabelo aos seus pés. Ele coroa Seu templo com estrelas assim como como um diadema e as Suas mãos ampliam seu poder e glória. 

Primeiro Grau / pg. 104

Ele acreditará que esse Artesão dos céus as colocou e tudo o que neles há, da forma mais bonita possível para tais coisas. 

República/530a/ Waterfield.

O supervisor do universo organizou tudo com um olho em sua preservação e excelência.

As Leis/903b/Saunders

 

Auto Disciplina

Uma das imagens que Platão usou em um diálogo chamado Fedro foi a de um cocheiro dirigindo seus cavalos. Os cavalos pode querer ir em direções diferentes, mas o papel do cocheiro é orientá-las em uma única direção.

O cocheiro é um símbolo de nossa mente racional e os cavalos são símbolos das nossas paixões e desejos. Através da aplicação de um som, a mente bem-educada sobre nossos desejos e apetites, nós os colocamos sob nosso controle.

Auto Disciplina
Cerimônia Ritual Maç. Simb. / Número da página Constituição Sul-Australiana 13ª Edição, 2004 Escritos platônicos Diálogo / Paginação de Stephanus / Tradução
E para si mesmo, por tal prudente e bem regulado curso de disciplina que possa melhor conduzir à preservação de suas faculdades corporais e mentais em sua máxima energia. 

Primeiro Grau / pg. 98

Em vez disso, ele regula bem o que é realmente seu, regula a si mesmo, coloca-se em ordem, torna-se seu próprio amigo e harmoniza os três elementos …então e só então ele deve voltar-se para a ação … nessas áreas, ele considera e solicita apenas ação justa e fina que preserve a harmonia interior e ajude a alcançá-la, e o conhecimento e a sabedoria que fiscalizam tal ação; e ele considera injusto e chama de injusta tal ação que destrói esta harmonia. 

Republica/443d-e/ Waterfield.

A convicção de que nos impele em direção à excelência é racional e o poder através do qual a dominamos, chamamos de auto controle …

Fedro/238/Hamilton

Boa Gestão

Comum aos ensinamentos de Platão e aos da Maçonaria é o princípio de que o bom governo / gestão / liderança é a expressão externa de uma mente bem ordenada.

É por essa razão que Platão coloca tanta ênfase na educação correta.

Boa Gestão
Cerimônia Ritual Maç. Simb. / Número da página Constituição Sul-Australiana 13ª Edição, 2004 Escritos platônicos Diálogo / Paginação de Stephanus / Tradução
A honra, reputação e utilidade desta loja dependerá substancialmente da habilidade e da assiduidade com que você gerencia suas preocupações … 

A Cerimônia de instalação do Mestre-Eleito / pág. 37

 

Portanto, a gestão e autoridade inevitavelmente serão tratadas mal por um espírito ruim, enquanto que uma boa mente fará bem todas essas coisas. República/353d/ Waterfield.

O Centro e o Círculo

Sobre o pavimento mosaico de qualquer loja que pratique o Ritual Emulação (ou uma variante dele) está um dispositivo ou representação de um “ponto dentro de um círculo”. Um volume da Lei Sagrada repousa sobre um travesseiro, que é suportado por este dispositivo e o conjunto é uma representação simbólica de Deus.

Na filosofia de Platão, a forma geométrica mais perfeita é a esfera do círculo.

É por este motivo que Deus criou o mundo como uma esfera (… sim… acreditava-se nisso e foi provado cientificamente pelos antigos gregos, séculos antes de Colombo). Como toda a criação é uma expressão externa de Deus, Platão via a esfera circular como um símbolo, vital e pulsante do Ser Supremo.

O Centro e o Círculo
Cerimônia Ritual Maç. Simb. / Número da página Constituição Sul-Australiana 13ª Edição, 2004 Escritos platônicos Diálogo / Paginação de Stephanus / Tradução
VM. O que é um centro? 

SV. Um ponto dentro de um círculo a partir do qual cada parte do círculo é equidistante.

Terceiro Grau / Pág. 162

Por isso, Ele a transformou em uma forma arredondada esférica, com os extremos equidistantes em todas as direções a partir do centro. 

Timaeus/33/Lee

… e “círculo”, a definição seria “a coisa cujas extremidades, em todas as direções são equidistantes de seu centro”.

A Sétimo Letra/342/Hamilton

Porque, desde que o universo é esférico todos os pontos de extremas distâncias do centro são equidistantes dele, e assim todos “extremos” igualmente, enquanto que o centro, sendo equidistante dos extremos é igualmente “oposto” a todos eles.

Timaeus/62/Lee

Que todos os homens de boa vontade devem colocar Deus no centro de seus pensamentos.

As Leis/803c/Saunders

A Responsabilidade da Alma

Um dos ensinamentos fundamentais da Maçonaria é que você e eu somos totalmente responsáveis e totalmente responsabilizáveis ​​por nossos pensamentos, sentimentos, palavras e ações.

Em uma expressão muito poética da filosofia de Platão, nosso ritual se baseia na imagem de nossa alma (ou “princípio vital”), tendo que prestar contas de suas ações durante a nossa vida breve, após a morte.

A Responsabilidade da Alma
Cerimônia Ritual Maç. Simb. / Número da página Constituição Sul-Australiana 13ª Edição, 2004 Escritos platônicos Diálogo / Paginação de Stephanus / Tradução
…e harmonizar nossa conduta nesta vida, para nos tornar aceitáveis ​​àquele Ser Divino, de quem toda fluem toda a bondade e a quem devemos prestar contas de nossas vidas. 

Segundo Grau/Pg. 139

…mesmo neste quadro perecível reside um princípio vital e imortal…

Terceiro Grau / pg. 180

 

O nosso verdadeiro eu – nossa alma imortal, como é chamada – se afasta, como a lei ancestral declara, para os deuses para prestar conta de si mesma. 

As Leis/959b/Saunders

A Crença em um Ser Supremo

A primeira pergunta ao candidato com os olhos vendados para a Iniciação na Maçonaria é que ele confirme sua crença em um Ser Supremo. A crença em um Ser Supremo é a base da Maçonaria.

Se Deus é nosso Pai, você e eu somos irmãos.

A crença em um Ser Supremo é (coincidentemente) o alicerce dos ensinamentos de Platão, em suas duas obras mais importantes – República e As leis.

A crença na existência de um Ser Supremo
Cerimônia Ritual Maç. Simb. / Número da página Constituição Sul-Australiana 13ª Edição, 2004 Escritos platônicos Diálogo / Paginação de Stephanus / Tradução
VM. Em todos os casos de dificuldade e perigo, em quem você coloca sua confiança? 

Candidato Em Deus.

VM. Estou feliz em descobrir que sua fé é tão bem fundamentada.

Primeiro Grau / pg. 74

É extremamente importante ter em conta … a existência dos deuses e a medida óbvia de todos os seus poderes. 

As Leis/967b/Saunders

Nunca devemos escolher como Guardião das Leis qualquer um que… não tenha trabalhado duro na teologia, ou permitir que a ele sejam concedidas distinções por virtude.

As Leis/967d/Saunders

A Importância da Iniciação

Uma das marcas da iniciação, comum tanto aos escritos platônicos quanto ao Ritual maçônico é uma valorização maior da beleza. A beleza é o reflexo e imagem de Deus em toda a criação e em todos os eventos de nossas vidas.

A Importância da Iniciação
Cerimônia Ritual Maç. Simb. / Número da página Constituição Sul-Australiana 13ª Edição, 2004 Escritos platônicos Diálogo / Paginação de Stephanus / Tradução
Concede Tua ajuda Pai Todo-Poderoso e Supremo Governador do Universo conceda este candidato à Maçonaria que ele possa assim dedicar e dedicar sua vida ao Teu serviço, e se tornar um irmão verdadeiro e fiel entre nós. Reveste-o com tal competência da Tua Divina Sabedoria que assistida pelos Segredos de nossa Arte Maçônica, ele possa desdobrar melhor as belezas da verdadeira Divindade, para honra e glória do Teu Santo Nome. 

Cerimônia de iniciação, pp. 73-74

Agora o homem que não teve sua iniciação recentemente, ou que tenha sido corrompido não faz rapidamente a transição da beleza na terra para a beleza absoluta … 

Fedro/250/Hamilton

Mas, o recém-iniciado que teve uma visão celestial completa, quando contempla um rosto com face de deus ou uma forma física que verdadeiramente reflete a beleza ideal, antes de tudo ele treme e experimenta algo do temor que a visão em si inspirou …

Fedro/250/Hamilton

 

 

 

Capítulo 11: Mitologia e História Grega – Sua relação com o Ritual maçônico

Na primeira parte deste trabalho, identificamos a importante posição que os escritos de Platão tem no Ritual Emulação. Por mais significativo que seja este aspecto, esiste outra influência importante em nosso ritual. É a importância que a história e a mitologia grega desempenham como pano de fundo para o nosso ritual e falas.

Entendendo que o filohelenismo era uma constante ao longo do século XIX na Europa e, especificamente, (a partir de nossa perspectiva) – na Inglaterra, seria estranho se a história e mitologia grega não tivessem sido tecidas em nosso Ritual.

O que vamos fazer agora é investigar brevemente alguns amplos temas temas históricos e mitológicos gregos que são facilmente aparentes no Ritual Emulação.

A importância do número 9:

Você e eu estamos conscientes de que certos números têm importância significativa em nossa cultura maçônica em particular. Alguns exemplos são:

O número 3: Existem três graus na Maçonaria Simbólica, três batidas pertencentes a cada grau, 3 oficiais principal em uma loja.

O número 4: Há quatro virtudes cardeais, 4 pontos cardeais em uma loja.

O número 7: Há os sete dias da criação, 7 dias da semana, 7 Artes Liberais e Ciências, 7 membros que fazem uma loja perfeita.

O número 9 tem seu próprio significado peculiar que está diretamente ligado à mitologia grega. Antes de avançar mais, vamos parar para relembrar o contexto em que o número 9 aparece no ritual maçônico.

Esse número tem significado apenas para o cargo de Grão-Mestre. Quando saudamos o Grão-Mestre, nós o fazemos com um sinal conhecido como Grandes Honras e o fazemos por 9 vezes. No colar do Grão-Mestre, aparecem 9 links. A questão é: como explicar isso?

A primeira coisa que podemos notar é o significado especial que tem o número 9 na mitologia grega. O número 9 aparece com tanta regularidade que não podemos descartar isso somente como uma coincidência. Aqui estão alguns exemplos:

  • Na mitologia grega, o cosmos (o universo) é medido em altura e profundidade por uma explicação muito interessante: se fôssemos jogar uma bigorna para fora no espaço habitado pelos deuses antigos, seriam necessários nove dias para chegar à Terra.
  • Esta mesma bigorna levaria dias outros 9 dias para cair da terra até a casa de Hades – senhor do Submundo.
  • Por nove dias e nove noites, Leto experimentou a gama de dores do parto (tendo ficado grávida ao deus Zeus).
  • Quando Mnemósine subsequentemente deu à luz, sua prole foram as 9 Musas.
  • Com o tempo, estas 9 Musas se juntaram em uma competição contra 9 “irmãs estúpidas” que elas venceram.
  • Os Mistérios de Deméter exigiam que as mulheres se abstivessem de relações sexuais com seus maridos durante 9 noites.
  • Smyrna – (tendo sido descoberto que enganava seu pai e tendo tido relações sexuais com ele), vagou em exílio durante 9 meses.
  • A criatura mítica conhecida como a Hidra tinha nove cabeças.

A lista acima é (para os fins deste exemplo) – apenas um instantâneo.

No pressuposto de que a cultura grega antiga está no cerne dos rituais maçônicos modernos, é possível que o motivo para o número 9 ter um significado especial para o cargo de Grão-Mestre, pode estar no fato de que, como o Grão-Mestre se senta na Cadeira do Rei Salomão (que era muito conhecido pela sua sabedoria) recorda uma alusão ao deus grego Zeus (que é o Pai da Sabedoria).

Mas, para Calliope a mais velha das Musas e sua próxima irmã Urania eles se referem àqueles que passam a vida em filosofia e honram o exercício do que deve a sua inspiração a essas deusas; entre as Musas são aqueles que se ocupam dos céus e toda a história da existência divina e humana, e seu tema é o melhor de todos eles.

Platão, Fedro/259/Hamilton

Segundo o mito, Zeus deu à luz Atena (a deusa da Sabedoria) através de sua cabeça. Tendo dado à luz a ela dessa maneira muito incomum, ele se tornou o Pai da Sabedoria. No entanto – há mais uma reviravolta na história.

Suas nove filhas naturais são as Musas. Essas musas controlam as Artes, através das quais a humanidade dá expressão eloquente à sua história, poesia, dança e drama. Em essência, as Musas englobam todos os estilos de expressão artística que nos dão habilidades de persuasão eloquente.

As 9 Musas são:

Euterpe que rege a expressão da poesia de existência lírica, divina e humana

Calíope que rege a expressão da poesia heróica

Polyhymnla wue rege a expressão da poesia divina (hinos)

Thalia que rege a expressão da poesia da comédia

Erato que rege a expressão da poesia do amor

Cada uma dessas 5 irmãos supervisiona elementos da expressão poética. As 4 irmãs restantes supervisionam aspectos da expressão artistica que não são classificados como poéticos

Clio que rege a expressão da história

Melpomene que rege a expressão da tragédia

Terpsícore que rege a expressão da dança coral

Urânia que rege a expressão de estudos astronômicos De sua própria maneira, podemos sugerir que a razão pela qual o Grande Mestre é homenageado 9 vezes, é simbólica em sinal de que em sua pessoa é levada a expressão das artes da persuasão eloquente.

Atenas, Esparta e Corinto:

Desde a noite de minha iniciação, eu sempre fiquei intrigado com as características que cada um dos três principais dignitários representa. O Venerável Mestre, como chefe da Loja senta na cadeira do Rei Salomão e representa a Sabedoria. Mas, como podemos explicar as características da força (Primeiro Vigilante) e beleza (Segundo Vigilante)?

Em um contexto maçônico, é através da combinação dos três oficiais que a loja é governada e que atinge a propriedade da – estabilidade. O que eu sempre achei intrigante é o conceito de que o bom-governo de uma loja é alcançado pela operação das três características que representam os Principais Oficiais – Sabedoria (Venerável Mestre), Força (Primeiro Vigilante) e Beleza (Segundo Vigilante). Eu comecei a procurar pistas. As respostas a estas pistas (. como as minhas meias pretas com listras brancas ) estavam bem em baixo do meu nariz.

Supondo que eu estava certo e os autores do Ritual de Emulação tomaram como base a história grega, a mitologia grega e os escritos de Platão, a resposta teve que estar bem à minha frente para que eu visse (uma vez eu tinha conseguido trabalha-la).

As três principais cidades do mundo grego eram Atenas, Esparta e Corinto. Sabemos que Atenas sempre foi o símbolo da sabedoria. Atenas é até mesmo o nome da deusa da sabedoria – Atena. Esparta tinha reputação por sua força, seu poder, a sua disciplina.

Devido a esses fatores que destacam a sua característica de força, ela conseguiu o sucesso sobre Atenas na Guerra do Peloponeso. Por último, temos Corinto. No mundo grego, Corinto era conhecida por duas coisas – luxo e beleza. Suas exportações mais importantes eram seus perfumes e vasos. Da mesma forma que Esparta lutou contra Atenas utilizando forças terrestres, no momento mesmo, Corinto era inimigo de Atenas sobre os mares. Nestas circunstâncias, temos um triângulo composto pelas principais cidades da Grécia antiga -, Atenas, Esparta e Corinto.

Diz-se que os Corintos foram os primeiros a alterar o design dos navios … e de ter construído as primeiras trirremes na Grécia … e Corinto … os Corinthos com a sua cidade situada no istmo, estavam sempre envolvidos no comércio desde os primeiros tempos … … Corinto era poderosa através de afluência, como os antigos poetas confirmam ao chama-la “rica”.

Todas as citações são de Tucídides, A Guerra do Peloponeso 13. Trad. Lattimore

Estabilidade na região era uma questão de reunir esses três poderes. De muitas formas, isso é uma alusão à composição grega do ser humano individual – um ideal que era composto por uma pessoa de sabedoria, assim como uma pessoa que mostrava não só a força física, mas também mental.

E é sobre estas bases que uma pessoa culta tem o luxo de desenvolver as artes e de apreciar não apenas a beleza física, mas a beleza que acompanha as belas artes, a poesia, o teatro e a prosa. E é sobre estas bases que cultura civilizada humana social pode desenvolver e florescer.

Em nosso ritual, o Segundo Vigilante, que representa a característica humana de beleza é instruído durante a sua Instalação a usar eloqüência persuasiva; é o Segundo Vigilante, como modelo da cultura cortês, que convida os visitantes da loja ao banquete após a reunião da loja; é o Segundo Vigilante, enquanto modelo de hospitalidade e de etiqueta social, quem propõe um brinde aos visitantes da lodge o jantar; e é o Segundo Vigilante enquanto modelo de humor culto, quem injeta descontração no jantar.

Se esses indícios não foram suficientes, havia uma parte ainda mais poderosa das provas que sustenta a teoria.

Fizemos menção anteriormente, de passagem, à descendência cultural dos atenienses e espartanos. Os atenienses eram descendentes de uma raça conhecida como jônios, enquanto os espartanos eram descendentes de um grupo étnico distinto conhecido como o dórios.

Compreendendo isso, é simplesmente óbvio que deveríamos usar a Coluna Jônica para representar a Sabedoria (Atenas), a Coluna Dórica para representar a Força (Sparta) e a Coluna Coríntia para representar Beleza (Corinto).

Aquelas meias pretas com listras brancas foram encontradas novamente.

O Uso do Malhete

Nos protocolos para direção de uma pousada, um Venerável Mestre tem ao seu lado um malhete. Este malhete é o símbolo da sua autoridade para governar a sua loja. Ele mantém o controle desse malhete em todos os momentos, exceto quando um oficial Instalador (de grau superior) comparece à sua loja e precisa sentar-se na cadeira do Venerável Mestre para conduzir um aspecto da Cerimônia.

Neste caso, o procedimento é o seguinte: o Venerável Mestre entregará ao Instalador o seu malhete e usará palavras que indicam que este gesto cerimonial transfere a autoridade sobre a loja para o Oficial Instalador.

À primeira vista este aspecto da cerimônia pode parecer ser qualquer coisa, menos de origem grega antiga, mas na realidade é uma cerimônia que se parece com uma das primeiras peças da literatura ocidental – A Odisséia de Homero.

O Símbolo da Romã

Nas culturas onde a romã é cultivada, o fruto é usado frequentemente como um símbolo de abundância, exuberância e riqueza. Nosso ritual (quando se refere ao fruto) usa o mesmo simbolismo. Havia fileiras de romãzeiras que adornavam os capitéis dos pilares existentes ao longo do Templo de Salomão.

Peisenor, o arauto, past-master por experiência de conduta pública coloca nas mãos dele (Telêmaco) o malhete que lhe dava o direito de falar.

Homero, A Odisséia, Livro II – Traduções de TE Lawrence (Lawrence da Arábia)

Conforme notamos, os autores do Ritual de Emulação era bem versado nas escrituras sagradas e na literatura grega e era perfeitamente capaz de mesclar as duas. No caso em destaque, onde a romã aparece na mitologia grega, ela não aparece como um símbolo de abundância.

Ela aparece como um símbolo de morte, quase da mesma maneira que a “maçã” (ou mais exatamente – o fruto proibido) que Eva deu a Adão trouxe para a humanidade – a mortalidade. No mito grego, o sentimento é idêntico apenas com um pequeno toque de inversão de papéis.

Quando Deméter (Deusa do Grão e da Fertilidade), mãe de Perséfone entendeu que sua filha tinha sido raptada por Hades, que era o Senhor do Submundo, ela ficou tão triste que como resultado o mundo entrou em fome devido à sua intensa angústia. Nenhuma plantações crescia e a humanidade começou a passar fome. Ela pediu a Zeus para organizar a libertação de sua filha do Submundo. Então ela (como Orfeu) desceu ao Submundo e encontrou sua filha, que ficou tomada de felicidade ao ver a mãe. Deméter disse a Perséfone que Zeus tinha concordado em libertá-la do Submundo, sob a condição de que ela não tivesse comido coisa alguma. Perséfone vacilou, mas acabou dizendo a ela que tinha. Perséfone explicou que Hades a tinha presenteou com uma romã quando quando ele a tinha levado pela primeira vez até o Submundo. Quando ela resistiu, ele pediu a ela que provasse só um pouco da fruta. Contra sua melhor inclinação, ela o fez. Deméter chorou. Ter comido a romã, Perséfone tinha comido do fruto do Submundo e, portanto, já não podia retomar a sua vida anterior ao seu seqüestro.

Com frequencia, a Maçonaria explica como um sistema de moralidade velada em alegorias e ilustrado por símbolos. Para aqueles que ouviram e conduziram o Ritual Emulação a candidatos nos primeiros anos do século XIX, as palavras e rubricas eram ricas em sutilezas de alegoria e simbolismo gregos.

Esperamos que possamos ser capazes de restaurar a compreensão da riqueza, majestade e poesia de Ritual para os membros da Maçonaria que vivem no Século XXI.

O Cajado dos Diáconos

Para um novo membro da Ordem, uma das realidades mais desconcertante do trabalho ritual é assistir à conduta dos Primeiro e do Segundo Diácono é seus movimentos rituais solenes levando em suas mãos direitas o cajado que parecem notavelmente semelhantes a tacos de bilhar. Essas varas cerimoniais são chamados pelo termo antigo “cajado”.

Estes “cajados” têm um pedigree muito antigo – de fato sua genealogia vem desde os cultos dos mistérios da Grécia antiga. Um dos cultos de mistério mais importante era conhecido como os mistérios de Elêusis. Esses mistérios parecem ter tido alguma relação com o mito de Deméter e Perséfone. Uma das coisas que unem os dois é que Elêusis era entendido como sendo o lugar onde Demeter se sentou e chorou diante do seqüestro de sua filha por Hades.

O que sabemos é que neste culto de mistério, havia oficiais que carregavam consigo um cajado ritual que atendia pelo nome de um thyrsos. Este thyrsos é mais comumente associado ao deus Hermes.

Na mitologia grega, Hermes detinha a principal distinção de ser o mensageiro dos deuses. Ele era o canal de comunicação não apenas entre os deuses, mas também entre os deuses e a humanidade em geral. Em sua mão direita ele segurava o thyrsos. O thyrsos parece ter tido uma série de usos, inclusive ser usado como arma, como instrumento mágico e, sobretudo, um instrumento pelo qual as almas eram conduzidas por Hermes ao Submundo.

Os paralelos entre o mito de Hermes e o ritual maçônico são facilmente perceptíveis. O principal papel dos Primeiro e Segundo diáconos está na capacidade de serem mensageiros. O Primeiro Diácono é o mensageiro entre o Venerável Mestre e o Primeiro Vigilante, enquanto que o Segundo Diácono é o mensageiro entre o Primeiro e o Segundo Vigilante. Durante a Cerimônia de Iniciação, o Segundo Diácono conduz o candidato em trabalho ritual. Durante as Cerimônias de Elevação (Segundo Grau) e Exaltação (Terceiro Grau), o Primeiro Diácono conduz o Canditado em todo o trabalho ritual.

Existe uma última correspondência que é merecedora de nossa atenção. No Grau de Mestre Maçom de Marca, o nome que é dado para o emblema dos cajados dos Primeiro e Segundo Diáconos era conhecido como um “mercúrio”.

Esta é uma indicação muito reveladora de que estamos no caminho certo. Mercúrio era o nome dado ao deus romano cujo homólogo grego era conhecido como Hermes.

Serpentes (em aventais maçônicos)

A serpente era uma criatura importante na mitologia grega, por uma razão muito importante. Os cidadãos de duas cidades gregas – Atenas e Tebas – acreditavam que elas eram autóctones. Esta não é uma palavra que encontramos facilmente. Ela significa que eles acreditaram que nasciam diretamente do solo. O símbolo que eles usaram para mostrar que nasciam do solo era a serpente – uma criatura que tem uma relação muito estreita com o solo. Além disso, em mitologia, dizia-se que o primeiro rei de Atenas tinha a forma de um homem da cabeça à cintura e de uma cobra da cintura para baixo.

A ligação entre Atenas (cidade da Sabedoria) e uma serpente (símbolo de Atenas) é traduzido em nosso meio maçônico, quando consideramos que nosso objectivo nos tornarmos reis-filósofos, produtos da Atenas mítica.

Que melhor símbolo para nós que amarrar o avental sobre a nossa cintura do que a figura da serpente?

Jerusalém e Delfos

Fundamental para o nosso ritual é a construção do Templo de Salomão em Jerusalém. Se olharmos para os mapas medievais de Jerusalém, uma coisa é clara. Para a mente medieval, Jerusalém estava posicionada no centro da terra.

Para os gregos antigos, Delfos era o centro da terra.

Delfos é uma cidade situada cerca de 15 quilômetros de Atenas. Na cidade havia uma pedra conhecida como a omphalos (ou pedra-umbigo) que marcava o centro da terra. O mito por trás disso era explicado de maneira muito simples. Zeus tinha enviado duas aves de extremos opostos da terra e do local onde os pássaros cruzaram foi marcado pelo omphalos. Era ali, no Templo de Delfos que os deuses se comunicavam com os gregos. Assim, nas culturas tanto de gregos quanto de hebreus, sua cidade sagrada marcava não apenas o centro do mundo, mas o local onde o divino e a humanidade se comunicavam.

O Simpósio, a Câmara festiva e Xênia

Uma das características da vida social grega era um encontro ao qual compareciam somente os homens. Em seu nível mais básico, que era um banquete onde o vinho era bebido, comida era servida, músicas (em forma de um tocador de lira ou cantor) seriam apresentadas, histórias contadas e onde a filosofia e negócios atuais eram discutidos. A reunião tinha um protocolo próprio e era conhecida como symposion. Nós a chamamos pelo seu equivalente latino, symposium. Em um nível básico compartilha muitas semelhanças com o banquete que ocorre após uma reunião formal da loja. É uma oportunidade para se sentar com os outros membros da loja, comer e beber juntos, dividir a mesa, conversar e desfrutar da companhia de homens de espírito semelhante. Ela também tinha um protocolo próprio e é conhecida pelo termo de Câmara Festiva.

Uma das características mais importantes do protocolo é a extensão da hospitalidade. Um visitante à loja é tratado com a maior extensão de hospitalidade que espelhava o conceito grego de xenia. Xenia ou “amizada com o convidado” é a convenção de se estender o mais alto nível de hospitalidade a estranhos. Por convenção, um hóspede está sob a proteção de Zeus.

Um paralelo com o Santo Arco Real do Grau de Jerusalém

O Grau do Santo Real Arco de Jerusalém é uma extensão do Terceiro Grau, da mesma forma que o grau de Mestre Maçom de Marca é uma extensão do Segundo Grau. No sul da Austrália e Território do Norte, os Três Primeiros Graus de Aprendiz, Companheiro e Mestre Maçom, juntamente com o Mestre Maçom de Marca e Graus do Real Arco são o único conjunto de graus reconhecidos pela sua Constituição.

Sobre sólidos platônico … … e quando reduzidos à sua quantidade em ângulos retos, será encontrado igual a cinco corpos regulares platônicos, que representam os quatro elementos e a esfera do universo.

Discurso à Segunda Cadeira: Palestra simbólica, Ritual do Grau Superior de Santo Real Arco de Jerusalém

Mencionamos anteriormente que no Timeu de Platão, ele explica a criação do mundo por um Divino Geômetra do Universo, que utiliza cinco formas geométricas para criar tudo o que compõe o cosmos. Estas formas geométricas são conhecidas como “sólidos platônicos” e são discutidas no Discurso à Segunda Cadeira: Palestra simbólica.

Odes

Em qualquer cerimónia maçônica, não cantamos hinos.

O termo que usamos para qualquer canção dentro de um contexto maçônico é uma Ode A primeira ode foi composta pelos antigos gregos com o representante mais importante dessa classe sendo o poeta Píndaro (c. 522-443 a.C.).

Como viemos a entender, na Inglaterra e na Alemanha durante os primeiros anos do século XIX, tudo que era grego estava em voga. Grego era o estado de alta moda. Uma das formas mais artisticamente expressivas de adaptar a arte gregaa uma forma inglesa é representada pelo desenvolvimento da Ode Inglesa, que tinha como sua base o original grego e seu desenvolvimento romano posterior.

A característica que é muito peculiar sobre essa transformação da composição da ode grega para o inglês é o tempo. O auge de seu desenvolvimento coincidiu exatamente com o período durante o qual o Ritual Emulação estava sendo criado (1813-1823). Indiscutivelmente, as cinco mais importantes odes inglesas foram todos escritas no ano de 1819 e elas eram Ode ao Vento Oeste por Percy Bysshe Shelley, juntamente com quatro odes de John Keats – Ode à Psyche, Ode sobre uma urna grega, Ode to um Rouxinol e Ode sobre Melancolia. A Ode a Psique e a Ode sobre uma Urna Grega são ricas em sabor de Grécia antiga.

As Colunas Vestibulares no estilo do Templo do Rei Salomão

Nas evidências mais antigas que temos do início da Maçonaria, não temos qualquer referência nas tradições orais aos dois pilares na entrada do Templo do Rei Salomão. Há uma boa razão para isso. Os primeiros documentos que temos sobre ritual estruturado são sobre o Patriarca bíblico, Noé – e não o Rei Salomão. O ritual baseado no Rei Salomão é uma variante muito mais tardia. No entanto, em lugar dos dois pilares do rei Salomão, os antigos rituais se referem a outros dois pilares. Estes pilares não aparecem na Bíblia, mas nos escritos de um sacerdote judeu que nasceu logo após a crucificação de Jesus, o Nazareno. O nome do padre era Josefo e ele escreveu sobre eles em um comentário que escreveu sobre as histórias do Velho Testamento e relacionados com os judeus de língua grega, que viviam na Palestina no primeiro século da era cristã.

Os pilares a que ele se refere destinavam-se a abrigar todo o conhecimento da humanidade no caso de uma catástrofe natural causada exclusivamente por dois elementos – fogo e água.

O conhecimento de que estava inscrito nestes pilares era efetivamente as artes liberais e as ciências. Aqui estava a preocupação – da mesma forma que estamos sendo disciplinados para fazer discos de backup do nosso trabalho no temor de que um vírus ou worm possa destruir as imagens, documentos, planilhas e outros assuntos de interesse pessoal para nós, os antigos temiam catástrofes naturais que tinham historicamente eliminoado não só o conhecimento em si, mas civilizações inteiras.

Isso é algo que revisitaremos no Postscriptumg a este livro. O “disco de backup” que eles concebera, eram os dois pilares. Um deles foi construído de material que resistia ao fogo, enquanto o outro foi construído de material concebido para resistir a água, mais especificamente, inundações. A memória cultural do Grande Dilúvio é algo que não aparece apenas nos escritos hebraicos, mas em Babilônios e de maior importância para nós – antigos escritos gregos.

Em Timeu, Platão relata uma história relacionada com a destruição do conhecimento por dois elementos naturais. Estes são idênticos àqueles citados por Josefo e que aparecem nos primeiros documentos relativos à Maçonaria – o fogo e a água. A história continua para relatar como os gregos não registraram seus conhecimentos para preservá-lo para as gerações futuras, mas foram os antigos egípcios que preservaram esse conhecimento em caracteres hieroglíficos sobre as paredes de seus templo.

No ritual de emulação, temos uma alusão muito artística a esta história de Timeu e à narrativa de Josefo dos dois pilares. Aqui, os autores adaptaram a essas duas correntes lietrárias com a história bíblica de construção pelo Rei Salomão do Templo para aludir à presença destes dois pilares abrignando os “rols constitucionais” da Maçonaria – uma outra maneira de dizer que estão protegendo as leis e regulamentos da Maçonaria da destruição pelas forças físicas.

A ligação de Platão com a memorização do Ritual

Embora proibição contra a leitura ritual durante reuniões de loja não apareçam na Constituição ou nos Regulamentos da Grande Loja do Sul da Austrália e Território do Norte, essa proibição já existia desde os primeiros dias por uma convenção que aparece no manual de nossa Loja, que é um guia sobre como ritual deve ser conduzido.

Você é o pai da escrita (… o deus egípcio Thoth), por afeição à sua prole atribuiu a ela bem o oposto de sua real função. Aqueles que a adquirirem vão parar de exercitar suas memórias e se tornarão esquecidos; eles confiarão na escrita para trazer coisas à sua lembrança por sinais externos, em vez de seus próprios recursos internos … E quanto à sabedoria, seus alunos terão a reputação por ela sem a realidade … porque eles estão cheios com o conceito de sabedoria em vez da verdadeira sabedoria; eles serão um fardo para a sociedade.

Platão, Fedro, 275 Trad: Hamilton

Uma das habilidades mais importantes que Platão enfatiza que um governante filósofo deve desenvolver é a arte da memória. Lembramos que na mitologia grega, Mnemosyne (ou Memória) é a mãe das Nove Musas por meio das quais a arte da eloqüência persuasiva é demonstrada. Similarmente, em uma obra conhecida como Fedro, Platão aborda explicitamente a importância de aprender a sabedoria, interagindo com os outros pelo simples esforço de falar com eles, ao invés de escrevê-la. No trecho citado, Platão estava enfatizando este ponto simples que parece ser a base para a convenção que é instilada no Manual de Funcionamento da Loja e que praticamos nos graus da Maçonaria Simbólica, que em uma reunião, nenhum irmão (que não seja o Mestre de Cerimônias), deveria ter uma cópia do Ritual em sua posse.

Conforme Platão nos lembrou:

Então talvez fosse melhor contar o esquecimento como um fator que impede a mente de ser bastante boa em filosofia. Deveríamos tornar a boa memória um prérrequisito.

República 486d Trad. Waterfield

E agora para algo completamente diferente …

Não olhando pra trás …

No terceiro grau do belíssimo Ritual Schroeder – um ritual alemão praticado pela Loja Concordia (sob a jurisdição da Grande Loja do Sul da Austrália e Território do Norte), o Candidato é proibido de olhar para trás quando é conduzido pela loja antes de assumir sua Obrigação do Terceiro Grau. Esta proibição de olhar para trás parece sem sentido, sem uma explicação de sua possível base mítica.

Dentro do corpo da mitologia grega são três expressões muito significativas da importância de não se olhar para trás.

A primeira aparece no mito de Orfeu e Eurídice. Orfeu era muito apaixonado por Eurídice. Quando tinha levantado a saia e corria descalça por um campo, ela foi mordida por uma serpente e morreu tragicamente. Orfeu foi tomado por tanto remorso, que descu ao submundo pedir Hades que a ressuscitasse. Orfeu (como Deméter antes dele) tinha feito esta viagem ao Submundo para pleitear o retorno à vida de um ente querido. Hades ficou tão dominado pela dor de Orfeu que ele permitiu que Eurídice voltasse com uma condição:

Orfeu devia conduzi-la de volta à vida, mas durante a viagem para cima através do Submundo, não lhe foi permitido olhar para trás.

Tudo estava indo bem até que ele estava quase ao nível da nossa existência terrena. Ele se voltou e olhou para trás para ter certeza de que Eurídice o estava seguindo. No momento em que ele fez isso, Eurídice foi conduzida de volta por espíritos ao Submundo, para nunca mais voltar para Orfeu.

A segunda aparece na história de Deucalião e Pirro. Estas personagens são a versão grega de Noé e sua esposa. Quando o Grande Dilúvio tinha abrandado e toda a humanidade (excepto Deucalião e Pirro) tinha morrido, cada um deles pegou pedaços de barro e sem olhar para trás jogaram esses pedaços de barro por cima de seus ombros. Os torrões de barro de Deucalião se transformaram em homens, enquanto que os de Pirro se transformaram em mulheres. Esta foi a forma como a vida humana recomeçou após o Grande Dilúvio.

Na mitologia grega, há também o mito das três Parcas. Estas três Parcas eram as deusas que determinavam os nossos destinos individuais. Seus nomes eram Cloto, Lacheis e Átropos. Clotho fiava fio de nossas vidas, Lacheis media seu comprimento e Átropos era a deusa cuja tarefa era cortar o fio de nossas vidas. A coisa intrigante sobre Atropos é que seu nome significa não voltar atrás.

Em A República (617c-17e), Platão refere-se às Três Parcas in seu próprio mito. Aqui, as Parcas acompanhar as Sereias cantando. Lacheis canta o Passado, Cloto canta o Presente e Atropos canta o Futuro. (Dickens fez bom uso ao adaptar esse mito ao seu conto Uma História de Natal).

Mas, no mito padrão, a única constante é a referência à vida e à morte; por isso, é apropriado incluir esta no ritual do Terceiro Grau, quando somos confrontados com a certeza de que seremos incapazes de escapar da morte.

Em algum momento definido no tempo, Átropos cortará o fio de sua vida, assim como da minha.

 

Pós-escrito: A Conexão da Atlântida com a Maçonaria

Fui muito bem definido em minha escolha de deixar este capítulo como um pós escrito. Meu motivo é simples. Sem ter esgotado as discussões anteriores, que precederam este capítulo, receio que seria muito fácil simplesmente verificar o título do capítulo e rejeitar seu conteúdo como um disparate com muito pouco esforço. No entanto, a seu próprio modo, minha intenção é que este capítulo realmente junte os fios do argumento que defendi e desenvolvi nos capítulos anteriores, em uma conclusão adequada.

Em primeiro lugar – ligação da Maçonaria com a Atlântida ocorre através de uma discussão filosófica não histórica. Antes de irmos mais longe, deixe-me enfatizar que eu pessoalmente não acredito que o continente insular da Atlântida jamais tenha existido fora da mente de Platão.

Sim! Para aqueles que podem não saber, Platão foi a primeira pessoa a escrever uma descrição detalhada desta ilha-continente lendária. Estudiosos ao longo dos séculos têm argumentado (às vezes de forma convincente e em outras menos convincente) a favor e contra a existência da ilha-continente perdida de Atlântida. Na verdade, ele escreveu dois diálogos que tratam da Atlântida.

O primeiro deles é conhecido como Timeu. Se você olhar atentamente para o quadro A Escola de Atenas, de Rafael verá que Platão está carregando em suas mãos uma cópia de Timeu. O segundo trabalho é realmente só um diálogo fragmentado de menos de 20 páginas que é conhecido como Critias.

A interpretação moderna de uma velha história…

Orfeu parecia ler sua mente.

“Por exemplo, eu tenho um pressentimento forte sobre este lugar. Algumas vezes, talvez centenas de anos a partir de agora, os homens de longe desembarcarão aqui – de navios de metal – para serem cortados, como talos de grama por uma foice. Mas eu não posso dizer quando exatamente. Eu nem mesmo sei o nome dos estreitos por onde estamos navegando agora”.

Jasão deu de ombros. “Eu posso dizer-lhe que … Nós estamos no Dardanelos. Ali existe um lugar que eles chamam de Galipoli. Mas Orfeu, fala sério – os navios de aço – você não está brincando?

“Nigel Spivey,” Jasão e os Argonautas” de Canções de Bronze: Os mitos gregos tornados realidade (2005)

Vamos agora abordar duas questões que ficam frequentemente intocados em qualquer discussão da Atlântida. O primeiro ponto é que sempre que Platão discute sua utópica civilização da Atlântida, seu objetivo é sutilmente trabalhar no desenvolvimento de seu conceito do filósofo-rei. No contexto destes dois diálogos apenas, a história da Atlântida não tem sentido sem vincula-la à sua própria criação do rei-filósofo. Ele nos apresentou ao rei-filósofo em A República e em Sétima e Oitava Cartas, finalmente repensando a sua aplicação original do conceito em As Leis.

A meu ver, em ambos, Timeu e Critias, Platão estava usando suas habilidades criativas como dramaturgo, aproveitando ao máximo as pitorescas Histórias que Heródoto tinha escrito alguns anos antes e depois apresentou uma história que falava com entusiasmo motivador a uma audiência ateniense que estava sofrendo de uma derrota esmagadora nas mãos de Esparta. Este era o ambiente cultural no qual Platão teceu sua história da Atlântida.

Outro ponto que vale a pena ressaltar neste momento é que Platão inventou três civilizações utópicas das quais Atlântida é apenas uma delas. Em A República, (onde pela primeira vez, discutiu o conceito do filósofo-governantes), esses filósofos-governantes eram um componente fundamental de um experimento mental que ele nos convidou para dividir com ele – um experimento mental funcioonando em uma cidade a que ele deu o nome de Kallipolis – uma palavra grega que significa cidade bela e nobre). Como um aparte, (aos leitores da Austrália e Nova Zelândia, em particular) o nome Kallipolis deve ter um significado especial. Kallipolis era o nome dado a uma cidade situada no Dardanelos, que foi palco de um assalto a cabeça de praia pelo corpo de exército de ambas as nações, na manhã de 25 de abril de 1915. Como o nome era difícil de pronunciar foi reduzido para Gallipoli.

Em seu maior trabalho (inacabado) – As Leis, Platão descreveu ainda outra cidade utópica que ele chamou de Magnésia. Estas cidades platônicas representaram estágios no desenvolvimento de seu próprio pensamento ao longo de sua vida. Sempre que nos referimos a uma cidade como “utópica”, estamos geralmente nos referindo a ela como uma cidade “ideal” (e mais comumente a partir de uma perspectiva sociológica ou política). A palavra utopia é uma palavra grega que significa “lugar nenhum”. Aliás, Samuel Butler, em sua obra de 1871, Erewhon, fez uma brincadeira com a palavra utopia em seu significado em Inglês em seu título. (Erewhon é a palavra “nowhere” – nenhum lugar -, soletrada ao contrário)! Feitas estas observações preparatórias, vamos começar a trabalhar nosso caminho através da discussão filosófica ligando a Maçonaria moderna a uma ilha-continente que existiu (segundo Platão), cerca de 9.000 anos antes de seu tempo e que era chamada Atlântida.

A guerra entre Atenas e a Atlântida: Sua relação com a guerra entre Atenas e Esparta

Nos ajudará a compreender o contexto em que Platão elaborou a história da Atlântida, se pararmos por um instante para pensar que em alguns aspectos, a época em que Platão viveu, compartilhava muitas semelhanças com nosso próprio tempo nestes primeiros anos do século XXI.

As primeiras décadas do século V a.C. tinha visto reviravoltas tumultuadas de eventos nas arenas política, sociológica, religiosa e intelectual. Atenas (uma cidade-estado relativamente pequena) tinha liderado uma coligação de cidades-estados vizinhos para repelir as forças do Império Persa – o maior que o mundo já conhecera até aquele ponto no tempo. Atenas conseguira derrotar os persas não em uma, mas em duas tentativas de invadir o que hoje reconhecemos como o continente grego. A primeira invasão foi liderada por Dario I em 490 a.C., enquanto a segunda invasão persa ocorreu dez anos mais tarde, sob Xerxes em 480-479 a.C. A primeira invasão persa terminou com a derrota dos persas na Batalha de Maratona. Esta batalha é memorável devido à história que a maioria das pessoas já escutou – a história de como um jovem chamado Pheidippides (antes dos dias de telefonia) correu a distância de Maratona a Atenas para confirmar a derrota da Pérsia, morrendo poucos momentos depois de anunciar a notícia. O evento olímpico moderno chamado a maratona presta homenagem a essas circunstâncias.

O ponto decisivo para a derrota da Pérsia em sua segunda tentativa de invasão foi a batalha naval ao largo da costa de Salamina. Heródoto registra que as forças de Xerxes na Segunda Invasão persa atingiu uma massa crítica de 5.283.220 – uma força de invasão como o mundo nunca tinha visto antes. Diante desses números, nunca se esperou que Atenas tivesse qualquer esperança de derrotar os persas. Gerenciando uma aliança frouxa entre cidades-estados gregas, isso não era fácil. Muitos realmente desertaram para o lado persa acreditando que a coalizão liderada por Atenas só terminaria em desastre. Essas defecções alteraram não só as alianças militares mas também as alianças comerciais necessárias para Atenas para marcar uma vitória decisiva. O fato de que Atenas alcançou realmente a vitória diante de todas essas chances só aumentou seu auto-orgulho e inchou sua confiança na capacidade de expandir seus próprios interesses coloniais. O próximo passo de Atenas foi mandar tropas para restaurar a liberdade de outras cidades jônicas localizada na Turquia moderna que estavam sujeitas à tirania persa. Atenas, assim como aquelas cidades jônicas compartilhavam, todas, as mesmas origens étnicas e culturais – algo que já discutimos anteriormente.

De 460-429 a.C., o estadista Péricles (ca. 495-429 a.C.) conduziu Atenas enquanto embarcava em uma série de programas de obras ambiciosos (incluindo a construção do Partenon na Acrópole). Péricles era um líder astuto. Estas obras de construção revitalizaram a economia de Atenas, melhoraram sua taxa de emprego e fortaleceram a confiança da comunidade ateniense na sua base de poder, bem como em seus planos de expansão. Em muitos aspectos, este período vibra com o mesmo ânimo econômico e político confiante desfrutado pelos EUA após a Segunda Guerra Mundial (1939-45). A outra “super-potência” que tinha ajudado Atenas em suas campanhas contra a Pérsia tinha sido Esparta. Após a derrota da Pérsia, Esparta observou com crescente alarme os indícios de campanhas imperialistas agressivas e intrusivas de Atenas. Uma “guerra fria” entre os dois se desenvolveu em um paralelo com a época que se seguiu à Segunda Guerra Mundial até que a República Soviética foi dissolvida em 1991. As tensões entre Atenas e Esparta continuaram a crescer até que as duas potências chegaram a um acordo em 446 a.C., com a assinatura de um tratado que ficou conhecido como Paz dos Trinta Anos. No entanto, o tratado de paz não durou mais de 15 anos – terminando abruptamente em 431 a.C., com hostilidades em escala total irrompendo entre Atenas e Esparta.

Até o final do segundo ano da guerra, em 430 a.C., um terrível surto de peste irrompeu em todo Atenas. A principal razão para isto foi atribuída a um inchaço da população de Atenas, devido às incursões de Esparta nas regiões rurais circundantes. Tucídides, um general ateniense que tomara parte na luta contra os espartanos, registrou seus eventos em uma obra conhecida como A História da Guerra do Peloponeso. Além da praga, a cidade também entrou em extremos da anarquia e desordens. Péricles, contaminado pela peste, reuniu o pouco de sua força se restava, para fazer um discurso animador aos atenienses, instando-os a mostrar coragem diante destas calamidades.

Em 421 a.C., um segundo tratado de paz (conhecido como a Paz de Nícias) foi assinado entre Esparta e Atenas. Mais uma vez, esta paz foi de curta duração. Novos conflitos entre as cidades-estado da Grécia continental que tinham se aliado ao lado dos atenienses ou dos espartanos, levaram a questão a um final conclusivo, com a derrota de Atenas por Esparta em 404 a.C. Atenas – o que por um breve meio século antes, era uma super-potência de proporções quase míticas estava agora quebrada, humilhada (na arena da política e relações internacionais), um poder de influência insignificante.

As Guerras Persas: Sua influência sobre a escrita da história da Atlântida

Tendo coberto rapidamente os principais eventos do século V a.C. que impactaram a escrita de Platão sobre a história da Atlântida, vamos tomar um pequeno desvio e da mesma forma investigar a influência dos escritos do historiador grego chamado Heródoto.

O ponto que vou sublinhar é o seguinte: na criação de seu mito da Atlântida, Platão conscientemente tomou um episódio relatado por Heródoto em suas histórias e o bordou para servir como pano de fundo para o seu princípio dos reis-filósofos.

Por razões de clareza, vou listar cinco itens que resumem a história da vitória grega sobre os persas que Heródoto relatou em suas Histórias:

  1. A super potência maior e mais agressiva do mundo (Pérsia) tenta invadir todo o continente grego.
  2. Atenas – uma pequena cidade-estado lidera uma coalizão militar com outras cidades-estado da Grécia, em uma luta de morte contra as forças persas.
  3. Uma série de cidades-estados gregas que fazem parte da coalizão militar deserta para ajudar os persas. Ao fazer isso, elas traem Atenas.
  4. Contra todas as possibilidades imagináveis – a coalizão militar grega (sob a liderança de Atenas “) repele e derrota os persas.
  5. Atenas restaura a liberdade para as cidades gregas ao longo da costa turca, que estavam sujeitas ao controle da Pérsia.

Estes foram os acontecimentos que ocorreram nos primeiros anos do século V a.C. na região.

Estes foram os acontecimentos que ajudaram a formar a visão ateniense que, como descendentes dos jônios originais, eram (efetivamente) donos do mundo. Estes foram os acontecimentos que ajudaram os atenienses a acreditar que eram muito superiores aos espartanos – descendentes dos colonos originais Dóricos e seus aliados – o Corintos que buscavam o luxo. Estes foram os acontecimentos que tornaram tão humilhante a derrota dos Atenienses para os espartanos e Corintos ao final da Guerra do Peloponeso.

Tendo isso em mente, podemos moderar nossa “abordagem” da Atlântida, incluindo uma diferença sutil, mas poderosa. Precisamos ter em mente o público original para o qual se destinava a história de Atlantis inicialmente. Era uma audiência ateniense.

Seus ouvidos e sensibilidades eram rápidos para pegar os pontos que destacamos. Precisamos também lembrar que eles eram um povo orgulhoso, que tinha derrotado a Pérsia e, em seguida, viram-se subjudagos por Esparta. Desmotivados e humilhados, quando ouviram a história da Atlântida, eles se lembraram o que tinham realizado apenas duas ou três gerações antes, contra a Pérsia. Quando ouviam a história de Atlântida, era algo que agradava seus corações, mentes e sentidos. Quando ouviam a história de Atlântida, ela falava de uma esperança para o futuro. Quando ouviam a história de Atlântida, eles eram inspiradas por sua narrativa. Quando eles liam a história de Atlântida, estavam muito próximos dos acontecimentos de seu próprio tempo para entender o conto a não ser como fábula baseada na história das Guerras Persas – as mesmas histórias que Heródoto havia apresentado nos teatros e praças de mercado de Atenas.

Tendo definido o cenário intelectual, Platão agora embelezou o conto com uma dimensão emocional para sua aceitação de seu conceito do rei-filósofo.

A Influência de Heródoto:

Nas páginas iniciais do romance Criação de Gore Vidal, Heródoto está apresentando uma história das Guerras Persas para uma audiência no Odeon em Atenas. O que Vidal captura aqui é a essência do que provavelmente aconteceu nas praças e teatros de Atenas no século V aC.

Podemos especular que um jovem Platão pode ter estado entre o público ouvindo com intenso interesse o drama de eventos como Heródoto os narrava. Não temos qualquer registro histórico de que Platão jamais estivesse presente em uma apresentação “ao vivo” de Heródoto, mas parece pouco discutível que Platão tinha sido inspirada pelo tema heróico que Heródoto desenvolvey e ao qual tinha acesso para seu trabalho. Mais particularmente, Platão parece ter presado atenção específica à descrição que Heródoto deu da capital excêntricamente visual dos Medos – uma cidade conhecida como Ecbatana e descrita por Heródoto no livro I.98 de suas Histórias.

Heródoto nasceu por volta do ano 485 a.C. junto ao porto de Halicarnasso – uma cidade agora conhecida como Bodrum, no sudoeste da Turquia moderna. A época de seu nascimento coincidiu com as primeiras incursões persas em território grego, e podem ter sido a chave para seu interesse em escrever a sua história das Guerras Persas. O consenso geral é que as Histórias de Heródoto foram escritas em 430 a.C. e terminadas em cerca de 425 a.C. – colocando sua composição nos primeiros estágios da Guerra do Peloponeso. Pouco se sabe sobre a data da morte de Heródoto, mas acredita-se comumente que ele tenha morrido por volta de 420 a.C. – bem antes da derrota de Atenas por Esparta. Sua vida, então, transcorreu diretamente no tempo das grandes revoluções intelectuais, políticas e religiosas que varreram Atenas, significando sua proeminência entre as cidades-estados gregas após a vitória sobre os persas.

Lendo suas Histórias, podemos entender o quão bem-viajado que ele era. Ele afirma ter viajado para o Egito e descreve com algum pormenor, a cultura e as práticas dos egípcios no Livro II. Ele alega também ter viajado à Cítia (grosso modo, a moderna Ucrânia) – mais uma vez explorando a cultura deste povo no Livro IV. A tradição diz que ele eventualmente se estabeleceu (e provavelmente morreu) na colônia grega de Thurii no que é hoje a província da Calábria, Itália.

Embora não fosse filósofo ou teólogo, Heródoto era imbuído de seu trabalho com um tema que o equilíbrio do mundo é trazido de volta à ordem por um processo de retribuição por injustiças realizadas – algo que observa Robin Waterfield na introdução à sua tradução de As Histórias e similarmente observado por Charles Freeman em seu recente estudo, A Conquista Grega.

Heródoto não descartou as ações dos deuses inteiramente em assuntos humanos (ele acreditava que eles punem aqueles que, como Xerxes, são culpados de orgulho excessivo, para, ao que parece, levar o cosmos a um equilíbrio ordenado). ..

Ao longo da História, Heródoto interpreta os acontecimentos históricos a partir da interação da intervenção humana e divina … uma perspectiva que foi desmentida por seu contemporâneo Tucídides ao escrever a História da Guerra do Peloponeso:

Esta história pode não ser o mais delicioso de ouvir, pois não há mitologia nela. Mas, aqueles que querem olhar para a verdade do que foi feito no passado, que, dada a condição humana, se repetirão no futuro, na mesma forma ou de forma quase igual – aqueles leitores acharão esta história bastante valiosa. ..

Em todo caso, Heródoto fez a sua declaração de propósito por escrito Histórias clara na segunda frase de seu trabalho – que era “evitar que os traços de acontecimentos humanos sejam apagadas pelo tempo”. O tema heróico de sua obra foi a inspiradora história de sucesso de uma pequena cidade-estado grega contra a maior força de invasão conhecida no mundo naquele momento.

Este tema estava na vanguarda da mente de Platão quando escreveu “Timeu e Crítias”. Aqui ele contou uma história paralela de uma outra vitória ateniense de sucesso – era novamente a maior e mais culta nação que o mundo já conheceu. Era a história de uma guerra contra as políticas expansionistas do continente insular da Atlântida.

Com a nossa compreensão dos eventos das Guerras Persas, podemos agora entrar nos detalhes que Platão deu desta cidade, combinando as descrições encontradas tanto em Timeu quanto em Crítias.

Qual era a aparência da Atlântida?

Conforme indicamos anteriormente, ela era um continente-ilha maior em tamanho que a África e a Ásia combinados, situado no Oceano Atlântico logo depois do estreito de Gibraltar. Era uma ilha rica em minerais (particularmente um metal precioso conhecido como oreichalkos – “que agora é apenas um nome para nós … (mas) … na época só tinha menos valor que o ouro”. A ilha em si foi um “Eden auto-sustentável”, plantas aromáticas, pastagens, uma variedade de cereais e madeira era abundante assim como outros habitats para sustentar uma ampla diversidade de vida animal (incluindo elefantes).

A peculiaridade mais evidente sobre a ilha era sua excentricidade visual. Ela era composta por três anéis circulares de terra, dividido por três canais circulares de água, com pontes que ligavam cada anel da ilha ao próximo. Uma muralha interior e outra exterior rodeavam cada anel de terra. Isto significa que no total eram cinco muralhas e cada uma era feita de pedra escavada especificamente para a sua cor característica. A partir da mais distante muralha externa e movendo-se para dentro, suas cores eram branco, em seguida, em ordem seqüencial – preto, e então vermelho. A quarta muralha era revestida de um verniz de bronze, enquanto que a quinta e mais interna muralha (em torno da Acrópole, as fontes de Água quente e fria e o Palácio) eram fundidas em latão. A própria Acrópole era coberta de oreichalkos que “brilhava como fogo dardejante”.

Para dizer o mínimo, esta é uma descrição muito fantasiosa de uma cidade. Na verdade, caso encontrássemos essa descrição nos escritos de Jules Verne ou de Robert Heinlein, dificilmente pareceria fora de lugar. Ela aparece, por seu valor nominal, ser uma descrição de uma cidade que é o produto orgulhoso da imaginação humana.

Sabemos que a verdade é mais estranha que a ficção. Demonstramos como Platão usou Heródoto para fornecer uma estrutura esquelética para a vitória ateniense contra a Atlântida. Também vimos como Platão adaptou a preocupação de Heródoto, que os feitos dos homens e mulheres que viveram no período das guerras persas seriam apagados pelos efeitos do tempo, a menos que eles fossem gravados. Para Platão, este tornou-se o argumento que ele usou para explicar por que nenhum ateniense estava familiarizado com a história da derrota da Atlântida por Atenas. Mas, por mais importantes que elas sejam, não são as únicas influências que Platão deve a Heródoto. A principal influência literária que Platão deve a Heródoto é o uso de sua descrição da capital mediana de Ecbátana como modelo para a Atlântida.

Em Histórias l.98, Heródoto descreve a majestosa cidade de Ecbátana com uma semelhança notável por sua excentricidade visual. Por uma questão de conveniência, relacionei suas principais características:

  • Uma fortaleza inexpugnável de círculos concêntricos de muralhas defensivas
  • Havia sete muralhas que rodeavam a cidade.
  • As paredes mais internas abrigavam o palácio e os tesouros.
  • As cinco primeiras paredes eram pintadas em cores específicas sendo – branco, em seguida preto, vermelho, azul e laranja.
  • As duas muralhas mais internas eram cobertas de prata e a última de ouro.

Por mais intrigantes que sejam essas correspondências, há uma última peça no quebra-cabeça que ajuda a argumentação. Ela é encontrada em uma obra conhecida como Epigramas. Por tradição, a obra é atribuída a Platão. Se cada um destes curtos epigramas foi composto pelo próprio Platão é duvidoso, mas, no contexto do que já discutimos, não podemos descartar o Epigrama XIII como sendo totalmente falso. Se assumirmos, por enquanto, que ele veio diretamente da pena de Platão, então este epigrama funções como o tecido conjuntivo, no âmbito do argumento anterior. O epigrama diz:

Certa vez, deixamos as sonoras ondas do mar Egeu para ficar aqui no meio das planícies de Ecbátana. Adeus a ti, conhecida Eretria, nosso antigo país. Adeus a ti, Atenas, vizinha Euboeais. Adeus a ti, querido mar.

Embora existam semelhanças suficientes entre as descrições da Ecbatana de Heródoto com o relato da Atlântida de Platão, a questão central a partir da perspectiva do argumento proposto neste livro, é o desenho da conexão entre o ritual maçônico moderno e a prática da filosofia grega antiga – em particular – da filosofia de Platão. Se a Atlântida nunca existiu na realidade ou apenas como uma idéia, é algo que espero continuará a ser uma busca para cientistas e historiadores, para os séculos vindouros.

A Configuração para o Mito da Atlântida:

Quando se abre o diálogo em Timeu, Sócrates reúne-se com Timeu, Crítias e Hermocrates. Timeu é um homem rico de Locris no sul da Itália – uma área conhecida como a terra da Escola Pitagórica de Filosofia. A personagem conhecida como Crítias é na realidade o tio de Platão, enquanto a quarta pessoa neste diálogo é Hermocrates – um sobrevivente rico e educado da Guerra do Peloponeso. Embora aparentemente escrito alguns anos após A República, Timeu começa com Sócrates querendo resumir os pontos principais que pertencem ao tema da sociedade ideal, discutido pela primeira vez em A República. Mais que tudo, ele quer dar-lhe substância, respirar alguma vida nesta visão de seu modelo utópico. Ele quer entender melhor como o seus reis-filósofos governariam tal cidade em tempos de guerra (assim como na paz). O ponto de ele desenvolve aqui é que a personagem do rei-filósofo precisa ser multi-dimensional – capaz de dimensionar o alcance intelectual e emocional entre a sensibilidade emocional profunda para foco, objetivo e dureza mental. Estes são os requisitos mínimos para um líder em tempos de paz como de guerra.

… as almas dos guardiães deveriam ter uma natureza que é ao mesmo tempo alegre e filosófica no mais alto grau, para que eles possam ser adequadamente suaves ou duros conforme seja o caso.

Critias interrompe aqui e ali e se oferece para contar uma história que pode atingir o objetivo de Sócrates. Ele alega que é uma história que ouviu de seu bisavô – uma pessoa conhecida como Sólon, o legislador, quando o próprio Critias era apenas uma criança pequena. É a história de uma vitória ateniense épica sobre a maior potência militar já conhecida do homem que ocorrera milhares de anos antes.

Nem Sócrates, nem Timeu ou Hermocrates ouviram esta história antes, e ficaram surpresos ao ouvir que ser uma história tão grandiosa e épica como Crítias pretende que ela seja não tem qualquer registro histórico que a sustente. Nesse ponto, Platão (com inteligência sutil) tece um ponto que Heródoto criou nas primeiras linhas do sus Histórias – a saber, que o triunfo épico é desconhecido para os atenienses porque esses traços dos acontecimentos humanos já tinham sido apagados pelo tempo, muitos e muitos anos atrás:

A história é que nossa cidade (Atenas) realizou grandes e maravilhosos feitos na Antiguidade, que, devido à passagem do tempo e a destruição da vida humana, desapareceram.

…e uma vez mais:

…uma conquista que merece ser conhecida muito melhor do que qualquer outra de suas realizações. Mas, devido à marcha do tempo e o fato de que os homens que a realizaram morreram, a história não sobreviveu até o presente.

Preâmbulo de Crítias Resumo da Vitória de Atenas sobre a Atlântida:

Critias relata como Sólon, uma vez viajou para a cidade egípcia de Sais no Delta do Nilo e foi recebido pelos sacerdotes que o envolveu em uma série de debates animados sobre uma série de temas – um deles em particular sendo uma tentativa de calcular o tempo decorrido entre a criação do primeiro homem (Foroneu) e o Grande Dilúvio (relacionados no mito grego de Deucalião e Pirra).

Além disso, quanto à sabedoria, eu tenho certeza que você pode ver quanta atenção nosso modo de vida dedicou a ele, desde o início. Em nosso estudo da ordem mundial, rastreamos todas as nossas descobertas … das realidades divinas aos níveis humanos, e adquirimos todas as outras disciplinas relacionadas. Isto é, na verdade, nada menos do que o próprio sistema de ordem social que a deusa (Atena) planejou primeiramente para vocês quando fundou sua cidade …

Timeu, 24b-c (Trad: Hamilton)

Sólon foi surpreendido pela resposta do sacerdote, rápida, porém irônica. O sacerdote observou que os gregos têm uma clara falta de profundidade histórica. Especificamente, eles exibem uma forma daquilo que podemos chamar de amnésia histórica, porque sempre lhes faltou disciplina para registrar suas histórias. Na falta disso, eles substituiram por mitos para explicar fenômenos naturais. Aqui, o sacerdote explicou algo desconhecido para Sólon. Ele lhe disse que não tinha acontecido uma só grande inundação, mas que tinha havido muitas. A destruição completa, total e absoluta da raça humana tinha ocorrido não apenas uma vez, mas a humanidade foi destruída em intervalos regulares ao longo da história por duas causas principais – o fogo e a água. Cada ciclo de destruição foi acompanhado por uma mudança no curso do sol através do céu – um fenômeno que em linguagem científica seria explicada como uma mudança na polaridade da terra.

O sacerdote então continua a explicar que, embora os gregos pareçam considerar a civilização egípcia como mais antiga que a deles, Atenas é, na verdade, a civilização mais antiga. Como justificativa, ele afirma que os egípcios têm documentos históricos que remontam a 8.000 anos. O sacerdote explica que, quando ambas as civilizações, egípcia e ateniense, foram fundadas, cada uma delas tinha o mesmo sistema social. Durante todo esse tempo, o sistema social ateniense tem estado em decadência, enquanto que os egípcios o mantiveram em seu estado original.

O curioso sobre este sistema social é que, no modelo egípcio, as pessoas mantiveram competências especializadas e estavam proibidas de se envolver, obter formação ou educação em áreas em que o seu próprio comércio ou profissão não estava relacionado.

Primeiro, você descobrirá que a classe de sacerdotes é demarcada e separada das outras classes. Em seguida, no caso da classe operária, você verá que cada grupo – os pastores, os caçadores e os agricultores – trabalha de forma independente, sem se misturar com os outros.

O próximo ponto exposto pelo sacerdote é que a lei egípcia sublinha a importância de todas as disciplinas do conhecimento – um ponto que Platão elaborou no currículo educacional que ele criou para reis-filósofos da República – algo que entendemos como as artes liberais e ciências .

Se dermos um pequeno passo para trás, podemos apreciar as habilidades que Platão demonstrou como propagandista e marqueteiro de suas próprias teorias. Aqui está um sacerdote egípcio falando de uma ordem mundial ideal (ou a estrutura social), onde o conhecimento é usado para nos levar a realidade divina ou ao próprio trono de Deus. Usando o artifício artístico de um terceiro expressando a mesma coisa que Platão estava promovendo, ele dá ao seu argumento uma vantagem extra de credibilidade, bem como uma justificação histórica convincente.

Podemos ver os primórdios das origens ideológica real das uma super-raça – por exemplo – Atenas sobre Esparta – tomando sua forma, nas próximas palavras ditas pelo sacerdote:

…ela (Athena) tinha escolhido a região em que seu povo tinha nascido (Atenas) e percebido que o clima temperado ao longo das estações produziria homens de sabedoria insuperável. E, sendo um amante tanto da guerra quanto da sabedoria, a deusa escolheu a região que mais provavelmente produziria homens com ela mesma, e a fundou primeiro … na verdade, suas leis melhoraram ainda mais, de modo que você veio a superar todas as outras pessoas em toda a excelência, como se poderia esperar daqueles cuja geração e nutrição eram divinos.

A vitória de Atenas sobre a Atlântida:

Combinando as narrativas dadas em Timeu e Crítias, a história da Atlântida segue…

Crítias explica que os eventos da guerra entre Atenas e a Atlântida ocorreram 9.000 anos antes de seu tempo (em outras palavras por volta de 9400 a.C.). Ele descreve a Atlântida como uma ilha situada no Oceano Atlântico, em frente as Colunas de Hércules (Estreito de Gibraltar). Era uma ilha “maior que a Líbia e a Ásia juntas”. (Líbia era o nome dado à área da África explorada na época). Seu império se estendia por toda a África até as fronteiras do Egito, e se estendiam por toda a Europa até a Itália. A Atlântida, então, decidiu expandir o seu império ainda mais para incorporar a Grécia e o Egipto e que é hoje é a Espanha. Atenas, então, mostrou sua força e coragem a comandar uma ofensiva que consistiu em “… uma aliança entre os gregos” contra as legiões da Atlântida. Mesmo quando foi abandonada pelos membros desta aliança grega, Atenas resistiu à agressão Atlante sozinha e conseguiu o triunfo incontestável depois liberar todos os países que haviam sido subjugados sob a tirania dos Atlantis.

É fácil ver hoje como Platão adaptou os seis pontos que ele escolheu cuidadosamente nas Histórias de Heródoto para construir um mito da Atlântida, que serviu para atingir um fim (e somente um) – apoiar sua visão do rei-filósofo.

A conclusão do conto é o melhor em matéria de narração de histórias. Platão relata através de Crítias que no meio dessa euforia da vitória e dentro de somente um período de 24 horas, terremotos e enchentes de intensidade sem precedentes engoliram não apenas todo o continente-ilha da Atlântida, mas também todas as legiões de Atenas.

Essa catástrofe natural, Ele enfatizou, foi a terceira antes do Grande Dilúvio.

Por que Atenas foi capaz de derrotar a Atlântida?

A resposta a esta pergunta é a base da ligação filosófica entre a história da Atlântida e a Maçonaria moderna.

Proeminente entre todas as outras em nobreza de seu espírito e na sua utilização de todas as artes da guerra, ela (Atenas) subiu primeiro à liderança da causa grega. Mais tarde, obrigada a ficar sozinho, abandonada por seus aliados, ela chegou a um ponto de extremo perigo. No entanto, ela venceu os invasores … (e) impediu a escravização daqueles ainda não escravizados e, generosamente, libertou todo o resto de nós que viviam dentro dos limites das Colunas de Hércules.

Timeus 25 b-c (Trad: Lee)

Crítias (relatando ainda mais a história do sacerdote egípcio) argumenta que o deus Hephaestos e sua irmã Atena receberam o controle da Grécia e a impregnaram com o selo do seu caráter – com conhecimento e habilidade, tornando a Grécia, o berço natural de excelência e sabedoria. Os sobreviventes da catástrofe natural que envolveu a Atlântida foi “um povo de montanha analfabeto” a quem faltavam os dons intelectuais para apreciar e transmitir os valores e virtudes praticados pelos atenienses. Além disso – os sobreviventes que escaparam tiveram que enfrentar a tarefa de domar um ambiente hostil – uma ocupação que não contribuiu para a gravação de eventos históricos:

É no trem do lazer que a Mitologia e a Investigação sobre o passado chega às cidades, uma vez … que as necessidades da vida tenham sido garantidas, mas não antes.

Ele, então, descreve as virtudes que levaram a uma vitória ateniense. Em primeiro lugar, eles praticavam todas as normas estabelecidas em A República. É importante ressaltar que seguiram uma das restrições mais importantes aplicáveis ​​a reis-filósofos – que é a primeira lição ensinada a um Iniciado durante o Discurso no Canto Nordeste:

Eles não faziam uso de ouro ou prata… . mas seguiam ma média entre a ostentação e servilismo…

O argumento que Platão levanta, com uma habilidade de habilidade artística e floreio filosófico, foi que na prática dos princípios preconizados em A República, (que de acordo com o sacerdote de Sais eram de origem divina), Atenas foi capaz de derrotar Atlantis:

… Eles eram os guardiões de seus próprios cidadãos e líderes do resto do mundo grego .. . tal era o caráter deste povo … pois eles dirigiam a vida de sua cidade e da Grécia com justiça. Sua fama pela beleza de seus corpos e a variedade e diversidade das suas qualidades mentais e espirituais espalhou-se por toda a Ásia e toda a Europa. E as considerações em que eram tido e sua fama era a maior de todas as nações da época.

O triunfo de reis-filósofos:

O que importa para você e eu, enquanto maçons, é que o mito da derrota da Atlântida por Atenas ocorreu porque eles seguiram os princípios dos reis-filósofos.

Em sua própria maneira, é um modelo que devemos ter em mente quando circunstâncias aparentemente intransponíveis golpeiam nossas vidas. Nesses momentos, podemos optar por usar um equilíbrio entre o intelecto e emoção, cuidadosa e sabiamente direcionar nossa vida através de mares tempestuosos da vida, mantendo a nossa própria credibilidade de caráter.

O triunfo de um rei filósofo …

Você pode encontrá-los de qualquer falha, então, em uma profissão como esta, que para ser praticada com competência exige as seguintes propriedades inerentes a uma pessoa: boa memória, rapidez na aprendizagem, abrangência de elegância, visão e amor e filiação à verdade, à moral, à coragem e à auto-disciplina?

Platão: República 487a (Trad. Robin Waterfield)

Nosso objetivo ao fazer isso é alcançar um triunfo. É atingir o mais alto nível de excelência humana que a nossa própria natureza individual alguma vez possa alcançar.

… E esse é o propósito da filosofia por trás da Maçonaria.

Finis

 

Referência

Citações de Little Gidding são retiradas de TS Eliot, Collected Poems 1909-1962, Harcourt Brace and Company, New York, 1991

Dedicatória:

Cada citação é originária das seguintes obras: Homero, A Odisséia, Penguin Books, Victoria Ringwood, Austrália, 1996. (Trad. por Robert Fagles, introdução e notas por Bernard Knox); West, ML, As Sandálias do Pescador da trilogia do Vaticano, William Heinemann Austrália, Melbourne, Port, Vitória, 1993, Dante, A Divina Comédia  , Everyman’s Library, Londres, 1995, (Trad por Mandelbaum Allan); Plutarco, A Queda da República Romana, Penguin Classics, Victoria Ringwood, Austrália, 1974 (Trad. por Rex Warner).

Introdução:

Pg. 11        Plato, The Republic, Penguin Classics, Ringwood Victoria, Australia, 1974, (Trans by Desmond Lee).

Pg. 14         A edição atual (e do qual as citações são tomadas neste trabalho) é o ritual dos três graus da Maçonaria Simbólica e endereços de investidura, Décima Terceira Edição, 2004. Ele foi emitido sob a autoridade do irmão R.W. Bro Max Atkinson, Grande Secretário – na época.

Pg. 15         Para o texto completo do discurso de posse do Grão-Mestre MW Bro L. Graham Bollenhagen FCLS, consulte http://www.freemasonrysaust.org.au/glbapril2DD6.html

A Pergunta de Tertuliando e Sua Relevância para a Moderna Maçonaria:

Pg. 19        Há alguns sites na Internet que tratam de Tertuliano. Eu usei http://www.tertullian.orglreadfirst.htm e http://www.newadvent.org/cathenl14520c.htm como as principais fontes gerais desta breve introdução à sua vida.

Pg. 20        Para os textos completos online consulte http://www.newadvent.org/fathers/0311.htm. Esta tradução pelo Rev. Peter Holmes, D.D.

Pg. 22        A citação de Henry Mildred foi retirada de Glover, C.R.J., History of Freemasonry In South Australia 1834-1884, R.M.Osborne, Adelaide, 1915, pg. 29

Pg. 23        Consulte o Cap 7 de De praescriatione Haeretici: https//www.hewadvent.org/fathers/0311.htm. (confoem citado acima) Freemasonry – A very brief overview of Its history up to the Year 1823:

Pg. 26        Todas as Citações de Bernard E. Jones são retirdas do The Freemason‘s Guide and Compendium, Harrap and Co, London, 1963.

Pg. 27        B.E. Jones define a estrutura de “família” nas pags. 80. Para uma perspective ligeiramente diferente (mas interessante, consulte Pick and Knight, The Pocket Book of Freemasonry, Hutchinson, London, 1992, (especially Chap 3: The Old Charges) Pg. 27 Ambos textos do Poema Regius Poem e dos Documentos Matthew Cooke estão disponíveis online emhttp://wvvw.freemasons-freemasonry.com/regius.html e http://freemasonry.bcy.ca/agc/cooke.html respectivamente.

Pg. 28        A associação de Matthew Cooke com o documento é explicada em http://freemasonry.bcy.ca/texts/cooke.html

Pg. 29        para uma versão online das Antiguidades dos Judeus de  Josephus consulte http://www.interhack.net/pro`ects/libraylantiguitiesiewsi

Pg. 30        Baigent and Leigh, The Temple and the Lodge, Arrow Books, London, 1989

Pg. 33        Para um entendimento claro do que o escolasticismo provocou, veja: http://uk.encarta.msn.com/encyclopedia 761573538/Scholasticism.html Pg. 34 Nietzsche, F., Beyond Good and Evil, Oxford World’s Classics, Oxford, 1998. (Traduzido por Marion Faber).

Pp. 35-39     Para uma interessante perspectiva maçônica do resultado dos eventos da conversão de James II/Vii para o catolicismo, consulte Gardiner, L., The Seal of Solomon Harper Element, London, 2005 (Chaps 3-5) e compare com Baigent and Leigh, The Temple and the Lodge, Arrow Books, London, 1989, (Chap 10).

Pg. 40        Wright, England’s Masonic Pioneers, George Kenning & Son, London, 1925, pp. 89-97 oferece percepções de Anderson que não aparecem nos textos padrão como Jones ou Pick & Knight.

Pg. 41        Eu descobri estas semelhanças ao comparar os Articles of Religion que aparecem no Book of Common Prayer, The Syndics of the Cambridge University Press, Cambridge, 1968 com The Charges of a Freemason, Masonic Centre, Adelaide, 1995.

Pg. 43        para o texto de 1723 (First Edition, Charges of a Freemason) consulte http://freemasonrybcy.ca/histoq/anderson/charges.html

Pg. 44        Introdução das Cerimônia Perfeitas da Maçonaria Simbólica, conforme ensinado na Loja de Perfeição de Emulação Unions aos MMS, edição privada por A. Lewis Londres, 1884, p. viii-ix

Pg. 45        Consulte B.E. Jones’ Compendium (pp. 200-202) para os principais motivos da disputa entre as Grandes Lojas Antiga e Moderna.

Pg. 46        Para um entendimento perceptivo da história por tra´s do desenvolvimento do Ritual Emulação, consulte Sadler, H., Notas sobre a Cerimônica de Instalação, George Kenning, London, 1889

The Greek Connection: 19th Century England

Pg. 49        O conceito de filohelenisto e exemplos de sua demonstração são dados em Freeman, C., The Greek Achievement: The Foundation of the Western World, Penguin Books, Ringwood Victoria, Australia, 2000 and Goldhill, S., Love Sex and Tragedy: Why Classics Matters, John Murray, London, 2005.

Pg. 52        para um texto onlind de Childe Harolds Pilgrimage, consulte http://www.gutenberg.org/etext/5131

Leadership: Freemasonry‘s Link with Republic

Pg. 55        Ours is essentially…. little hopes is the first line to: Lawrence, D.H., Lady Chatterley‘s Lover, Sandstone Publishing, Australia, 1999.

Pg. 56        No one…serving well. Plato, The Laws (726e); Penguin Classics, Ringwood Victoria, Australia, 2004. (Traduzido com uma Introdução e Notas de Trevor Saunders).

Pg. 56        To be…of men. Platão, Seventh Letter (354); de Phaedrus and Letters VII and VIII, Penguin Classics, Ringwood Victoria, Australia, 2003 (Traduzido com uma instrodução de Walter Hamilton).

Pg. 57        Crito…do not forget. Plato, Phaedo (118a); from Plato:
Complete Works, Hackett Publishing Company, Indianapolis, 1997. Esta tradução de Phaedo é de G.M.A. Grube.

Platão: Uma breve biografia.

The principal texts that l have used as sources to compile this summary of Plato’s life are:

Blackburn, S., Plato’s Republic-A Biography, Allen and Unwin, Crows Nest, Australia, 2006.

Annas, J., Plato: A Very Short Introduction, Oxford University Press Oxford 2003.

Moor, Donald R., Coffee with Plato, Duncan Baird Publishers, London, 2007

Profitt, B., Plato – Within Your Grasp, Wiley Publishing Inc., Hoboken, NJ., 2004

Robinson, D. And Groves, J., Introducing Plato, lcon Books, Cambridge, 2003

Texts of a more general field that I have consulted in writing this chapter are:

Freeman, C., The Greek Achievement: The Foundation of the Western World, Penguin Books, Ringwood Victoria, Australia, 1999

Simon Goldhill, Amor, Sexo e Tragédia: Why Classics Matters, John Murray Publishers, London, 2004

Nelson, E.D. and Allard Nelson, S.K., The Complete ldiot’s Guide to Ancient Greece, Alpha Books, New York, 2004

Rubinstein, R.E., Aristotle’s Children: How Christians, Muslims and Jews Recovered Ancient Wisdom and illuminated the Middle Ages, Harcourt Books, Orlando Florida, 2003

All quotations from Laertius’ Life of Plato from his Lives and Opinions of Eminent Philosophers (translated by C.D. Yonge) were sourced from: http://classicpersuasion.org/pwldiogenes/dlplato.htm

Pg. 64        Realizing however…Italian philosophy from City of God (Vlll.4) Augustine of Hippo, City of God, Image Books, 1958. (Translated by Gerald G. Walsh, Demetrius B. Zema, Grace Monahan and Daniel Honan; Abridged by Vernon Bourke).

Pg. 65        The…barbarian alike from Seventh Letter (335). Plato, Phaedrus and Letters VII and VIII, Penguin Classics, Ringwood Victoria, Australia, 1973. (Translated with Introductions by Walter Hamilton).

Pg. 66        One of Dion’s…in his company from Life of Dion (54). Plutarch, The Age of Alexander, Penguin Classics, Ringwood Victoria, Australia, 1973. (Translated by lan Scott »Kilvert)

Pg. 67        …it’s better…as possible from Republic (378a). Plato, Republic, Oxford World’s Classics, Oxford University Press, Oxford, 1993.

A República de Platão: Seu Relacionamento com a Maçonaria

Pg. 69        For a justification of using the term “morality” or “ethics” as opposed to the standard “justice” for dikaiosune, refer to Water Held’s Introduction to Republic: “Republic is about morality — what it is and how it fulfills one’s life as a human being…” (pg. xii) and C.D.C. Reeve’s Glossary of Terms: “Justice (dikaiosune). The topic of Republic. Often broader in scope than our notion of justice and more nearly equivalent to ethical rightness in general” (pg. $32 Plato, Republic, Hackett Publishing Company, Indianapolis, 2004. (Translated with an Introduction by C.D.C. Reeve).

A ligação entre o rei-filósofo de Platão e o Venerável Mestre de uma Loja

Pg. 75        Refer Reasons for Preparation, Ritual of the First Degree, pg. 92 of SAC 13′” Edition.

Desenvolvendo o intelecto do Rei-Filósofo: As Artes Liberais e as Ciências

Pg. 79        Life of Dion from Plutarch, The Age of Alexander, Penguin Classics, Ringwood Victoria, Australia, 1973. Translation by Rex Warner.

Pg. 79        The passages relating to these five subjects appear between 521c and 541a of Republic.

Pg. 81        Platão, Seventh Letter (354); de Phaedrus and Letters VII and VIII, Penguin Classics, Ringwood Victoria, Australia, 2003 (Traduzido com uma instrodução de Walter Hamilton).

Pg. 82        Aristotle, Rhetoric (1.1) from Rhetoric and On Poetics, The Franklin Library, Pennsylvania, 1981. (Translated by W. Rhys Roberts and Ingram Bywater)

Pg. 83        We ought…and reality.  República/ 526b-c (Water Held translation).

Pg. 84        What we…philosophical thought.  República/ 526d (Water Held translation).

Pg. 85        Therefore he turned…its opposite. Timaeus. 33 (Lee translation).

Pg. 85        Now when…or years. Timaeus. 371. (Lee translation) Pg. 86 As it is…us philosophy.

Pg. 86        A genuine astronomer…worIds can be… República/530a/ Waterfield.

Pg. 86        The Universe…and order. Lecture on the First Tracing Board, pg. 104

Pg. 87        The eyes…Pythagoreans claim.  República/ 530d (Waterfield translation).

Pg. 87        And harmony…with itself

Pg. 88        You were led…God himself Exhortation: Third Degree, pg. 175

Pg. 92        Practical wisdom…to be done. Definitions (Hutchinson trans)

Pg. 93        Self-control…being ruled. Definitions (Hutchinson trans)

Pg. 94        Self-restraint…to be frightening. Definições. (Hutchinson trans)

Pg. 95        The unanimity…is descended. Definições. (Hutchinson trans)

Comparando Temas Platônicos e Maçônicos

Henri Estienne (c 1528-1598) era um pintor franês que padronizou em 1578 a maneira de citar os escritos de Platão dividindo-os em páginas e subsecções de páginas pertencentes a uma edição das obras completas de Platão à qual ele tinha acesso na época. Dessa forma, quando nos referimos a, digamos, República  352d, podemos comparar diferentes traduções desta seção específica. It is (…in a sense) an equivalent of quoting a chapter and verse. He also was responsible for Plutarch’s complete works to be “paginated” for ease of reference.

Estienne is French for Stephen or Stephens and as a result his Latin name is given as Stephanus.

Refer http://encyclopedia.`rank.org/HEG HIG/HENRI ESTIENNE 15311598 .html for additional information.

The translations quoted are abbreviated in this section, but are given in full within the body of the bibliography.

The version of Freemasonic (Craft) Ritual used in this essay is the 13‘” Edition of the workings used in the Jurisdiction of South Australia and Northern Territory, issued in 2004.

Pg. 111       The Myth of the Cave appears in Republic 514a — 517a

Mitologia e História Grega – Sua relação com o Ritual maçônico

I researching material for this chapter I have referred to the following works:

Anthology of Classical Myth: Primary Sources In Translation, Edited and Translated by Stephen M. Trzaskoma, R. Scott Smith, and Stephen Brunet (with an Appendix on Linear B Sources by Thomas G. Palaima), Hackett Publishing Company, Indianapolis, 2004

Day, M., 100 Characters from Classical Mythology, ABC Books, Sydney NSW, 2007

Calasso, R., The Marriage of Cadmus and Harmony, Vintage, Sydney NSW, 1993, (Translated from the Italian by Tim Parks)

Martin, R.P., Myths of the Ancient Greeks, New American Library, London England, 2003

Spivey, N., Songs on Bronze: The Greek Myths Made Real, Farrar Strauss, Giroux, New York, 2005

Vernant, J-P., The Universe, the Gods and Men: Ancient Greek Myths, Perennial, 2002, (Translated from the French by Linda Asher).

Pg. 140       Schroder Ritual is practiced in South Australia by Lodge Concordia, 214 (SAC). The Ritual was devised by a German Freemason known as Ludwig Schroder (1744-1816) and appears to have as its origins a ritual practiced in the West Indies in the 1760’s. Its ritual and rubrics stem from a vastly different tradition to the antecedents of Emulation Ritual.

Um Pós-escrito: Mitologia Grega, História e Platão se juntam – Conexão da Maçonaria à Atlântida

My older brother Joe introduced me to the classics when I was a very young boy. He would sit and tell me stories (in words that I could understand) from the myths of ancient Egypt, Greece and Rome.

Without his very personal interest in the classics and active encouragement in developing my own interest in them, this essay could never have been written.

The theory of the link between Atlantis and Ecbatana can be found discussed in the article The Genre of the Atlantis Story by Christopher Gill Classical Philology, Vol. 72, No. 4 (Oct., 1977)

Pg. 147       Refer Herodotus’ Histories Vll.186 (for this estimate of the Persian military strength).

Pg. 151       Herodotus did not…ordered balance. Freeman, pg. 81

Pg. 152       This history…valuable enough. Thucydides, l.22 (Woodruff translation)

Pp. 152-153      The most complete description of Atlantis is found in Critias 108-118.

Pg. 154       Epigrams, (13) from Plato: Complete Works, Hackett Publishing Company, Indianapolis, 1997 (Translation J.M. Edmonds, revised by John Cooper).

Pg. 155       The guardians’ souls…case may be. Timaeus 18. from Plato: Complete Works, Hackett Publishing Company, Indianapolis, 1997 (Translation by Donald J. Zeyl)

Pg. 156       The story is…have vanished.

Pg. 156       But in our temples many where else. Timaeus 18-19 (Zeyl translation)

Pg. 157       First, you7I…with others. Timaeus 24 (Zeyl translation)

Pg. 158       She, (Athena)…were divine. Timaeus 24 c-d (Zeyl translation)

Pg. 160       It is…not before. Critias 110 from Plato: Complete Works, Hackett Publishing Company, Indianapolis, 1997 (Translation by Diskin Clay)

Pg. 160       They made…and servility. Critias 112c (Clay translation)

Pg. 160       They were…that age. Critias 112d-e (Clay translation)

 

Bibliography

Escritos de Platão citados no texto

Platão: Complete Works, Hackett Publishing Company, Indianapolis/Cambridge, 1997 (Edited with Introduction and Notes by John M. Cooper).

The Last Days of Socrates, Penguin Classics, Ringwood Victoria 2003 (Translated by Hugh Tredennick and Harold Tarrant, with an introduction and notes by Harold Tarrant).

Tlmaeus and Critias, Penguin Classics, Victoria 1977 (Translated with an Introduction by Desmond Lee)

11 Plato, The Republic, Penguin Classics, Ringwood Victoria, Australia, 1974, (Trans by Desmond Lee).

Republic, Oxford World Classics, Oxford, 1993 (Translated with an Introduction by Robin Waterfield)

Republic, Hackett Publishing Company, Indianapolis/Cambridge, 2004, (Translated from the New Standard Greek Text with Introduction by C.D.C. Reeve)

Early Socratic Dialogues, Penguin Classics, Victoria 2005, Edited with a General Introduction by Trevor J. Saunders.

Phaedrus, Oxford World Classics, Oxford, 1993 (Translated with an Introduction by Robin Waterfield)

Platão, Seventh Letter (354); de Phaedrus and Letters VII and VIII, Penguin Classics, Ringwood Victoria, Australia, 2003 (Traduzido com uma instrodução de Walter Hamilton).

Selected Myths, Oxford World’s Classics, Oxford, 2004. (Edited by Catalin Partenie)

The Laws, Penguin Classics, Ringwood Victoria 2004 (Translated with an introduction and notes by Trevor J. Saunders)

Essential Thinkers: Socrates Selected Writings- Plato Charmides, Lysis, Laches, Symposium,

Apology, Crito, Phaedo; Aristophanes — The Clouds; Xenophon -Symposium, Collector’s Library, London, 2004.

Introdução a Platão e seus escritos

Annas, J., Plato: A Very Short Introduction, Oxford University Press, Oxford, 2003

Blackburn, S., Plato’s Republic: A Biography, Allen Unwin, Crows Nest, 2006

Moor, Donald R., Coffee with Plato, Duncan Baird Publishers, London, 2007 (Foreword by Robert M. Pirsig)

Profitt, B., Plato Within Your Grasp: The First Steps to Understanding Plato, Hoboken, NJ, 2004

Robinson, D & Groves, J., Introducing Plato, icon Books, Cambridge, 2000

Mitologia Grega:

Anthology of Classical Myth: Primary Sources In Translation, Hackett Publishing Company, Indianapolis, Cambridge, 2004. (Edited and translated by Stephen m. Trzaskoma, R. Scott Smith and Stephen Brunet with an Appendix on Linear B Sources by Thomas G. Palaima).

Calasso, Roberto, The Marriage of Cadmus and Harmony, Vintage Books, London, 1994 (Translated from the Italian by Tim Parks)

Spivey, Nigel, Songs on Bronze: The Greek Myths Made Real, Farrar, Straus and Giroux, New York, 2005

Vernant, Jean-Paul, The Universe, the Gods and Men: Ancient Greek Myths, Perennial, New York, 2002. (Translated from the French by Linda Asher)

Escritos Antigos citados no Texto

Aristotle, Rhetoric and On Poetics, The Franklin Library, Pennsylvania, 1981 (Trans by W. Rhys Roberts and Ingram Bywater).

Augustine of Hippo (St), Confessions, Oxford World Classics, Oxford, 1991. (Translated by Henry Chadwick).

Herodotus, The Histories, Penguin Classics, Victoria, 1970 (Translated by Aubrey De Selincourt, Revised with an Introduction by A.R. Burn)

Herodotus, The Histories, Oxford World Classics, Oxford, 1998 (Translated by Robin Waterfield)

Homer, The Odyssey, Penguin Books, USA, 1996. Translated by Robert Fagles with an Introduction by Bernard Knox

Homer, The Odyssey, Collector’s Library, London, 2004. Translated by T.E. Lawrence with an Afterword by Ben Shaw.

Josephus, Josephus – The Essential Writings: An Illustrated Delton of Jewish Antlquities and The Jewish War, (Translated and Edited by Paul L. Maier), Kregel Publications, Grand Rapids, Ml. 194

Josephus, The Jewish War, Penguin Classics, Ringwood Victoria, 1981 (Translated by G.A Williamson and Revised by E. Mary Smallwood)

Josephus, The Works of Josephus: New Updated Delton, Hendrikson Publishers, Massachusetts, 1987 (Translated by William Whiston)

Plutarch, The Fall of the Roman Republic, Penguin Classics, Ringwood Victoria Australia, 1974

Plutarch, The Rise and Fall of Athens, Penguin Classics, Ringwood Victoria Australia, 1974

Tacitus, The Histories, Penguin Classics, Ringwood Victoria, 1995 (Translated with an Introduction by Kenneth Wellesley)

Thucydides, On Justice, Power and Human Nature: Selections from The Peloponnesian War, (Translated with Introduction and Notes by Paul Woodruff), Hackett Publishing Company, Indianapolis/Cambridge, 1993

Thucydides, The Peloponnesian War, Hackett Publishing Company, Indianapolis/Cambridge, 1998. (Translated, with Introduction and Notes by Steven Lattimore)

Comentários históricos citados no texto

Copleston, F., A History of Philosophy: Greece and Rome Vol I Part ll, Image Books, New York, 1962

Freeman, C., The Greek Achievement: The Foundation of the Western World, Penguin Books, New York, 2000

Gardner, L., The Shadow of Solomon, Harper Element, London, 2005

Glover, C.R..J., History of Freemasonry In South Australia 1834-1884, R.M. Osborne, Adelaide, 1915

Simon Goldhill, Amor, Sexo e Tragédia: Why Classics Matters, John Murray, London, 2005

Lomas, R., The Invisible College: The Royal Society, Freemasonry and the Birth of Modern Science, Headline Book Publishing, London, 2002

Nelson E.D. & Allard-Nelson, S.K., The Complete Idiot’s Guide to Ancient Greece, Alpha Books, New York, 2004

Nicholson, A., Power and Glory: Jacobean England and the Making of the King James Bible, Harper Perennial, Hammersmith London, 2004

Rubinstein, R.E., Aristotle’s Children, Harcourt Books, Florida, 2004

Escritos maçônicos citados no texto

The Perfect Ceremonies of Craft Masonry, (Privately printed for A. Lewis, London), 1884

The Ritual of the Three Craft Degrees of South Australian Constitution, (Privately printed), 13‘” Ed. 20.

The Charges of a Freemason, (Privately printed), 1995

Jones, B.E., Freemason‘s Guide and Compendium, Harrap & Co, London, 1963

Pick, F & Knight, N., The Pocket History of Freemasonry, (Revised by Frederick Smyth), Hutchinson London 1992

Sadler, H., Notes on the Ceremony of installation, George Kenning, London, 1889

Wright, D., England’s Masonic Pioneers, George Kenning and Son, London, 1925

Fontes das Escrituras:

The Jerusalem Bible: Standard Delton, Darton Longman and Todd, London, 1966

The Holy Bible, (King James Version), Nelson Regency, London, 2003

Fontes Suplementares:

The Book of Common Prayer, University Printing House, Cambridge, 1968

Dante, The Divine Comedy, Everyman Library, (Translated by Allan Mandelbaum)

 


Publicado on março 13, 2011 at 12:34 pm  Deixe um comentário  

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