Arte e Maçonaria: As viagens alquímicas de Hergé – autor de As Aventura de Tintim

Tradução J. Filardo

por Bertrand Portevin

Em uma entrevista realizada por Benoît Peeters e Patrice Hamel, 29 de abril de 1977, Hergé declarava: “Eu acho que há uma maneira, sobre Tintin, de ir mais longe do que temos feito até agora. Você sabe, e eu digo isso com desapego real, quando algo assim é bem-sucedido por tanto tempo, é que há uma razão”.

Quando está acontecendo esta entrevista, Tintin e os Pícaros já foi publicada, a obra está concluída. Ela compreende 22 álbuns em cores, todos em formato de 64 páginas. Estes dois números estão falando para o espírito, o levando a olhar ali várias vezes e usar caminhos discretos, dissimulados. Assim, ele coloca duas questões fundamentais. Esta obra contém mais do que aventuras divertidas, muitas vezes edificantes? Deveríamos estar procurando escondidas as razões para o seu sucesso?

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Published in: on julho 7, 2017 at 11:03 am  Deixe um comentário  
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Os Pais do Rito Moderno Francês

Tradução J.Filardo

Em 1786, o Grande Oriente propõe um texto de referência para os três graus azuis, transmitido em forma de cópias manuscritas.

Passada a Revolução, em 1801, os Rituais são impressos sob o título de Regulador do Maçom.

Em 1858, uma nova versão do Rito Francês, dita de Murat, em homenagem ao Grão-Mestre, é publicada. “Ideologicamente”, o texto não é muito diferente do texto do Regulador.


O pós-Convento de 1877 levou a retoques mais ousados. Em 1879, o Grande Colégio dos Ritos, encarregado pelo Conselho da Ordem do Grande Oriente, faz desaparecer dos rituais as fórmulas abertamente religiosas em excesso.

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Rito Moderno Francês Restaurado: Sistema Maçônico Em Três Graus e Quatro Ordens

Tradução J. Filardo

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AS ORIGENS HISTÓRICAS DO RITO MODERNO

Nunca houve Lojas de maçons na Idade Média. Os pedreiros, assentadores e canteiros eram agrupados em guildas e corporações a que se chamava o Ofício (Craft).

Eles estavam em barracas provisórias chamadas de lojas na França e “Bauhütte” na Alemanha.

As diferentes profissões agrupadas sob o título genérico de Maçons entravam na Guilda prestando um juramento sobre as Sagradas Escrituras. Este juramento santificava seu compromisso com seus deveres para com seus empregadores, colegas e suas mulheres, nada mais. Os sapateiros, açougueiros, serralheiros prestavam um juramento idêntico e não há segredo esotérico em tudo isso.

Nenhuma Loja de maçons – no sentido de assembleia de homens existia antes do Renascimento, período em que o poder da igreja começa a diminuir, tanto no plano espiritual quanto material.

É então, no século 17, e exclusivamente no Reino Unido, composto pela Escócia, Inglaterra e Irlanda, que aparecem as Lojas de maçons no sentido que as entendemos.

Conglomerado heterogêneo de antigos trabalhadores da construção, burgueses e notáveis, vagamente federados em Grandes Lojas locais ou provinciais. Esta instituição com princípios religiosos e morais articulados em torno da alegoria do Templo de Salomão permaneceu profundamente católica, anglicana, apesar das inovações anglicanas de Henrique VIII.

Documentos provenientes desses séculos antigos existem. Estes são as muito católicas “Antigas Obrigações”: Antigos Deveres.

Até o nascimento da Grande Loja de Londres, nunca houve iniciação ou simbolismo, mas sim emblemas e uma cerimônia de recepção, cujo ponto essencial era a comunicação secreta da palavra do Maçom (Mason’s word).

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O Rito irlandês

Tradução J. Filardo

por Philip Crossle

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Philip Crossle foi bibliotecário da Grande Loja da Irlanda, é um historiador brilhante que nos ilumina ainda hoje, graças ao seu livro co-escrito com John Herron Lepper: “História da Grande Loja dos Maçons Antigos e Aceitos da Irlanda” 1 publicada em Dublin em 1925 e reeditada em 1987. O artigo de Renaissance Traditionnelle retoma em síntese as suas pesquisas, e desde o início Crossle afirma que a Maçonaria irlandesa não é simplesmente originária da maçonaria inglesa, e que ela foi capaz de se desenvolver em solo irlandês em paralelo com o seu desenvolvimento em outros países e a exemplo do ofício de pedreiro nos tempos medievais, que se desenvolveu um pouco por toda parte. A prática da Maçonaria irlandesa se efetua em harmonia com a Maçonaria Mundial, mas sempre quis ficar mais perto das “Old Charges”, as “Antigas Constituições”. Existe uma noção de que esta Maçonaria irlandesa fora importada por volta de 1725 da Inglaterra. Na verdade, estas são as “Constituições dos Maçons Francos” de 1730 em Dublin que semeiam a dúvida e isso se você acredita na dedicatória do autor John Pennell a Lord St Georges, e que diz: “Estas Constituições, meu senhor, têm origem primariamente na compilação dos antigos arquivos dos Franco-maçons, e elas foram adaptadas para uso das Lojas na Grã-Bretanha, pelo mui sábio James Anderson, M.A.” Claro, estas são as Constituições de Anderson de 1723, de que fala Pennell, mas ele vai se aplicar em modificar e até mesmo melhorá-las, a fim de se ajustar à prática irlandesa, mas também em um esforço para esclarecer a história do ofícios, bem como as obrigações e os regulamentos. Como não se conhecia claramente o número de lojas que tinha a Irlanda em 1725, a partir de 1731 o Grão-Mestre, Lord Kingston pede por meio de correspondência às Lojas, sem dúvida muito numerosas, que reclamem oficialmente suas patentes.

Leia mais em: O Rito Irlandês

Por que James Joyce teve que sair de Dublin para se encontrar

Tradução J. Filardo

Por Ian Walker

James Joyce (1882-1941)

Ulysses é a história de um lugar – Dublin – tanto quanto qualquer outra coisa. Então, por que James Joyce teve que sair da cidade para escrever sua obra-prima?

Em 10 de junho de 1904, James Joyce, enquanto caminhava pela rua Nassau em Dublin, viu uma jovem chamada Nora Barnacle. Ele se apaixonou instantaneamente. Ele era um escritor talentoso, mas empobrecido que apesar da falta de sucesso publicado, fazia parte da vida cultural e artística da cidade. Ela era uma jovem camareira de Galway. Eles eram um casal improvável.

No início, Barnacle ignorou os avanços de Joyce, mas ele persistiu e, quase uma semana depois, eles saíram juntos para a praia em Sandymount, nos arredores de Dublin. Uma vez lá, as coisas ficaram um pouco íntimas, o que não foi realmente uma grande coisa para ninguém além dos dois jovens amantes – mas foi uma grande coisa para Joyce que escolheu essa data, 16 de junho de 1904, como o dia em que os eventos em sua novela modernista Ulisses ocorreram.

Ao longo daquele dia, a novela segue seus dois principais protagonistas, Leopold Bloom e Stephen Dedalus, enquanto percorrem Dublin resolvendo seus negócios do dia-a-dia.

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Mais uma loja do Rito Moderno em São Paulo

Inaugurada no dia 3 de Junho de 2017, a ARLS Alvaro de Campos no Oriente de São Paulo, Capital.

Published in: on junho 22, 2017 at 2:03 pm  Comments (7)  

Sir Christopher Wren, Arquiteto e Maçom

Tradução J. Filardo

de René Desagulier e Harold DORN & Robert MARK

Sir Christopher Wren

Se Isaac Newton é, sem dúvida, o mais famoso cientista da junção dos séculos XVII e XVIII, há um outro menos conhecido entre nós, mas que, no entanto, teve a honra de dois artigos na revista Renaissance tradicional, ele é Sir Christopher Wren.

Quem foi esse homem que o próprio Newton descrevia como “o maior geômetra do nosso tempo” e que Robert Hooke [i] colocava no mesmo nível de Arquimedes? Cientista de um lado, dissemos, pois era professor de astronomia e presidente da Royal Society [ii] e e geômetra, por outro, pois Arquiteto, e até mesmo: Arquiteto Geral da Inglaterra nomeado por Charles II. Ele faz parte dessa categoria de cientistas da segunda metade do século XVII que pensavam que a mecânica influenciava a arquitetura, e aos quais eram confiados grandes projetos que exigiam importante estrutura mecânica, uma lista onde encontramos entre outros Guarino Guarini [iii] na Itália, Claude Perrault [iv] na França e, é claro, Hooke, na Inglaterra.

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Amiable e Wirth diante da reforma dos rituais do GOdF

Tradução José Filardo

O trabalho de Amiable e oposição de Wirth diante da tendência dominante.

Oswald Wirth é um dos opositores claros à tendência dominante do Grande Oriente de França. Ele aborda a preparação de um relatório que foi levado ao GODF, no qual propõe um retorno ao termo e ao conceito do Grande Arquiteto do Universo (GADU) que para ele é a parte central de todo o edifício maçônico, sendo o pilar que sustenta, inclusive dentro da renovação do simbolismo tradicional que se propunha.

Nessa época, Wirth começa a se interessar pelo ocultismo; ainda não é o ocultista em que se transformará depois de 1890. Em todo caso, seu relatório, finalmente bastante moderado, foi aprovado por sua loja, embora isso não pareça preocupar muito o Grande Oriente, já que ele deve passar por outros filtros.

Em 1887, Wirth novamente aborda a questão de simbolismo em uma palestra feita na loja parisiense “Les Amis Triomphants” sob o título “Estudos sobre o simbolismo” que o irmão Hubert publicou na Revista A Cadeia de União. Um pouco mais tarde ocorreria o rompimento entre os dois estudiosos maçons.

Hubert, que em 1877 não tinha desaprovado o desaparecimento do Grande Arquiteto da terminologia maçônica, agora havia se tornado hostil, pelo menos diante dos inovadores (que o haviam eliminado do Grande Colégio) e escreveu: “Acreditamos que é preferível melhorar, e não sob pretexto de melhorá-lo, destrui-lo completamente. Para aqueles que sabem incluir os símbolos maçônicos e explica-los criteriosamente, têm eles uma fonte de ensinamentos e evolução útil e interessante”.

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Published in: on junho 14, 2017 at 10:48 am  Comments (2)  
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Rito Francês: Comparação Entre O Rito Moderno Belga e o Rito Moderno Francês

Tradução José Filardo

Excelente conferência de nosso Ilustre Irmão Jean van Win da Bélgica

Pequenos lembretes básicos.

Vou me esforçar para produzir apenas fatos objetivos e históricos, e quando eu lhes der uma opinião pessoal e, portanto, subjetiva, eu informarei.

Para começar por um paradoxo provocativo, digamos que não existem ritos da Maçonaria.

O que existe sob este termo são roupagens diferentes de uma mesma realidade. Em certas obediências europeias, que não são nem a Grande Loja da Bélgica, nem o Grande Oriente da Bélgica praticam-se em loja uma dezena de ritos diferentes: o Rito Moderno Belga, Rito Moderno Francês, Rito Escocês Antigo e Aceito, Rito Escocês Retificado, Rito Escocês Filosófico, o Rito dito de Emulação, o Rito de Iorque, o Rito Californiano, o Rito Operativo de Salomão e, ocasionalmente, o Rito de Memphis Mizraim.

Roupagens diferentes, é certo, mas cobrindo uma estrutura básica bastante idêntica. Tomemos o exemplo da Recepção no Grau de aprendiz, que é muitas vezes chamada de “Iniciação”: o profano é sucessivamente confrontado com:

Leia mais em: Comparação do Rito Moderno Belga e o Rito Moderno Frances

Published in: on junho 12, 2017 at 12:38 pm  Deixe um comentário  
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A EVOLUÇÃO DA LENDA HIRÂMICA NA INGLATERRA E FRANÇA. (Parte 2)

Tradução José Filardo

Palestra ditada pelo próprio Ir.’. Snoek no Freemason’s Hall patrocinada pela Cornerstone Society em 13 de maio de 2001.

  1. O DESCOBRIMENTO DE HIRAM

Passemos agora para a terceira parte da Lenda de Hiram, a descoberta do corpo de Hiram.

Pritchard disse que quinze amados irmãos, por ordem do Rei Salomão, saíram pelo portão Oeste do Templo (em busca de Hiram), e que se separaram da direita para a esquerda dentro do alcance um do outro; e que concordaram que se não se achasse a Palavra nele ou sobre ele, a primeira palavra seria a Palavra do Mestre.

Diante dos recentes desenvolvimentos, devemos notar duas coisas: em primeiro lugar, não é especificado quem são esses quinze irmãos, e, em segundo lugar, que eles que decidem mudar a Palavra do Mestre não tinham nenhuma razão para suspeitar que Hiram tinha morrido e, menos ainda que ele fora assassinado e por quê.

Leia mais em: A Evolução da Lenda de Hiram (parte 2)

Published in: on junho 10, 2017 at 1:52 pm  Comments (1)  
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