O Cavaleiro de Ramsay

Tradução José Filardo
DISCOURS3

A primeira Edição do Discurso de Ramsay

A.M. de Ramsay (1686 – 1743)

André-Michel Ramsay nasceu em Ayr, em 09 de junho de 1686. Seu pai era protestante e sua mãe anglicana. Uma tradição muito incerta pretende que seu pai era um padeiro, o que não o fará esquecer Voltaire mais tarde na Ramsayde. Ramsay foi educado em Ayr, depois em Edimburgo e tornou-se, muito jovem, tutor do filho do conde de Wemyss. Ele assim permaneceu até 1706, quando foi para a Holanda, onde conheceu Pastor Pierre Poiret (1646-1719), que publicou as obras de Mme Guyon e de Antoinette Bourignon. A influência de Pierre Poiret ” deve ter sido considerável em toda a Europa; na Inglaterra ele será lido assiduamente pelos Philadelphes e por William Low… (ele foi) um teósofo muito original, cujo sistema, um vasto afresco da Criação, da Queda e da Redenção do mundo não é desprovido de grandeza”.

Em 1709, Ramsay estava em Cambrai junto ao Arcebispo Fenelon. Ele se tornou secretário do prelado que o batiza. Mais tarde, Ramsay foi o executor do testamento de Fenelon, o que comprova a confiança nele depositada pelo autor de Telêmaco. Fenelon enviou Ramsay a Blois, à casa de Madame Guyon onde ele se tornou seu secretário (1714). Tutor do Duque de Bouillon, então de 1717 a 1724 na casa do Conde de Sassenage, ” cunhado dos Duques de Luynes e Chevreuse, por recomendação deste último, um amigo de Fenelon. Ele acolherá o duque de Sully casado com uma filha de M me Guyon… ”. Ramsay, em seguida, foi enviado pelo Ministro Cardeal Fleury, até o Pretendente James II Stuart, para ser o tutor de seu filho. Antes de partir para Roma, onde se encontrava James II, o Regente da França o nomeou Cavaleiro de Saint-Lazare e lhe deu uma pensão de duas mil libras a serem recebidas da abadia de Signy. Ramsay estava em Roma em 1724 e seu contato com James II é breve. No final do mesmo ano, vamos encontrá-lo na Escócia, na casa do Duque de Argyle. No entanto, em 1730, James II nomeará Ramsay, baronete escocês. Sabemos que em 1730, Ramsay, apesar de ser católico, é recebido como Doutor na Universidade de Oxford. Nós o veremos especialmente viajar muito. Parece que um desses misteriosos passantes mal notados pela história oficial, mas de quem podemos perceber, às vezes, a importância e o papel profundos nas correntes de pensamento subterrâneas que atravessam os séculos e os povos. Ramsay permanece em Sedan na casa do Prince de Turenne, agora duque de Bouillon. Em Paris, ele frequenta Louis Racine e JB Rousseau.

Os últimos anos de sua vida são menos conhecidos. Parece que Ramsay foi iniciado antes de 1728, mas a data da sua entrada na Maçonaria continua a ser muito incerta. G. Bord – sem qualquer prova, como ocorre muitas vezes – relatou que ele tentou entrar na Grande Loja da Inglaterra para introduzir ali os graus irlandeses de noviço e cavaleiro do Templo, ” que eram praticados desde longo tempo na Loja de Santo André da Escócia ”. Menosprezado como católico Jacobita, Ramsay veio a Paris para ali desenvolver nas lojas ”o sistema de altos graus que antes dele não eram conhecidos na França, a não pelos graus irlandeses ”. […]

Ramsay havia se casado, já com certa idade (49 anos), com a filha de um barão jacobita escocês refugiado na França, Marie de Nairne. A esse respeito, Voltaire, com sua malícia habitual escreveu em seu Ramsayde, aludindo à profissão de preceptor exercida por Ramsay ao longo de sua vida:

“Querendo que deste himeneu

Sai uma numerosa linhagem,

Para ser para os burgueses e senhores

Um berçario de Tutores. ”

Na segunda-feira, 6 de maio de 1743, o Cavaleiro Ramsay morreu em Saint-Germain-en-Laye, nesta cidade real se refugiaram em seu exílio, os príncipes Stuarts, seus mestres. Ele foi sepultado na igreja paroquial de Saint-Germain-en-Laye, onde não resta nenhum traço, esta igreja tendo sido demolida em 1766.

A carreira literária de Ramsay fora proveitosa […]: um Ensaio sobre o Governo Civil (1721), uma boa História da vida de Fenelon (1723) …, uma História do Visconde de Turenne (1730), e especialmente em 1727, As Viagem Cyrus. A maioria dos autores se mostra severa e muito injusta sobre o cavaleiro Ramsay. […]

Antes de mais nada, Ramsay é o autor de um documento importante sobre a História da Maçonaria, este “discurso tão frequentemente invocado e tão pouco conhecido”, que é a ‘primeira exposição doutrinária da Maçonaria francesa” e também um plano original e corajoso de renovação da Ordem. […] Esse Discurso contém algumas páginas de uma história da Ordem Maçônica, “um programa ideal preciso para um desenvolvimento ao mesmo tempo racional e espiritual da Maçonaria. É uma espécie de plano diretor e detalhado para realizar um humanismo maçônico, válido não só para o século XVIII, mas ainda para os séculos a vir. ” […]

 

… há especialmente que se notar a afirmação ” Nossos ancestrais, os Cruzados” a respeito da Maçonaria. Nunca foi observado até agora que Ramsay era um amigo do príncipe de Bouillon e a primeira Cruzada foi precisamente conduzida por Godefroy de Bouillon, ancestral do Duque de quem Ramsay era protegido. Além disso, ao longo de todo o século XVIII, trata-se de uma Maçonaria de Bouillon. Quem não vê esta é a Maçonaria própria de Ramsay, isto é, a corrente escocesa, stuartista e católica opondo-se à Maçonaria originária da Grande Loja de Londres, aquela de Desaguliers e Anderson? […] não é menos importante ressaltar o que diz Ramsay: ” James, Lord Steward da Escócia, era Grão-Mestre de uma Loja estabelecida em Kilwin no oeste da Escócia no ano de 1286, logo após a morte de Alexander III Rei da Escócia, e um ano antes que John Balliol ascendesse ao Trono… ‘[…]

Mas como não se insurgir diante da negação do Stuartismo imposta a Ramsay por todos esses chamados historiadores, de Lantoine a Marcy. Por que, então, os reis Stuart no exílio, em Saint-Germain-en-Laye teriam querido que o cavaleiro dormisse o seu último sono com eles em sua própria sepultura? Insigne honra que, sob o antigo regime, tão hierarquizado, não era conferida senão aos servos mais fiéis. Sabemos sobre esses plebeus de então que se dedicavam a seus senhores e que dormiam na paz dos túmulos armoriais em paróquias rurais humildes. O destino não quis que os restos do Cavaleiro Ramsay descansassem nas tumbas dos Stuarts em Saint-Germain-en-Laye. As cinzas desse homem misterioso foram dispersas. Estava, sem dúvida, inscrito no plano divino que Ramsay, que este grande viajante, este enigmático transeunte da história ” secular ” e da história maçônica não tivesse nenhuma sepultura. Mas sua alma sensível e antiga está muito presente em todos aqueles que souberam ler entre as linhas de seu Discurso…

O texto acima foi extraído do livro de John Palou (Editions Payot – abril de 1989),”La Franc-Maçonnerie ”, 95 ff.

 http://www.glfriteecossaisprimitif.org/?page_id=184

Publicado on abril 29, 2016 at 4:34 pm  Comments (1)  

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