Não, a Maçonaria nunca trabalhou nas sombras para afundar o Estado francês

Tradução José Filardo

Por Laurent Kupferman

Os maçons fazem seu retorno às “manchetes” das revistas Nouvel Observateur e Le Point. Tema recorrente ou dirigentes reais a partir das sombras? Laurent Kupferman, ensaísta e membro do GODF, dá uma visão interna da Maçonaria, com suas sutilezas, seus valores e seu peso real.

groussier

Inauguração do templo Arthur Groussier (A.DELPEY/MAXPPP)

Depois das férias, dos votos, vem ai a temporada de matérias jornalisticas para completar pautas sobre a Maçonaria que provocam um sentimento ambivalente entre as irmãs e os irmãos. De um lado, há algo de lisonjeiro no fato de ser continuamente objeto de “capa” de revistas sérias e respeitáveis. Não se pode, de toda forma, evitar achar que é preciso ver nisso mais uma preocupação em aumentar as vendas e as tiragens do que um verdadeiro tributo.

Além deste aspecto das coisas, as irmãs e os irmãos podem às vezes ficar incomodados com essa chuva de informações que veiculam mais os clichês que a realidade da prática maçônica.

Alguns esclarecimentos

Em primeiro lugar, é um termo impróprio falar da Maçonaria, quando se quer ater à realidade. Deve-se dizer as Maçonarias. Não se veja aqui uma vontade de dividir, mas sim a de ser consistente com as duas principais rotas tomadas pelos maçons. Há o caminho primitivo e o caminho liberal.

A título de comparação, os protestantes e católicos são todos cristãos. Eles não são menos diferentes, apesar de muitos vínculos que compartilham. O mesmo acontece com os maçons.

De maneira muito esquemática, os defensores do caminho primitivo, que respeita integralmente os “Landmarks” (princípios) de origem, querem seguir uma prática que enfatiza questões esotéricas, simbólicos e espirituais. Além disso, eles não iniciam mulheres.

O caminho liberal aplica o método da reflexão e de construção maçônica a fins mais sociais. E ali se iniciam as mulheres.

Que não haja nenhum erro, os maçons tradicionais não vivem desligados do mundo. E aqueles do GODF (Grande Oriente de França) podem trabalhar – se quiserem – sob os auspícios do GADU (grande arquiteto do universo), ou seja, de uma forma bastante tradicional.

Posições sociais

Este longo preâmbulo para dizer que os maçons vivem a Maçonaria como uma aventura individual e coletiva. Estas diferentes rotas podem às vezes procurar briga… com toda fraternidade é claro!

Mas estas objeções são estéreis porque elas têm o mesmo objetivo: libertar o homem de suas cadeias e paixões.

As vias e os meios que eles usam correspondem, na verdade, às diferentes sensibilidades da natureza humana. Assim como vai o seu compromisso na vida da cidade.

A via liberal participa mais de bom grado dos assuntos sociais pois ela considerar que certos princípios fundamentais estão envolvidos (cf. o comunicado do GODF sobre o casamento para todos). Às vezes estas tomadas de posições desagradam alguns irmãos e irmãs. Eles esquecem que o Obediências não assume posições de princípios os quais elas não estão relacionadas de alguma forma. Em todas as maçonarias, a liberdade de consciência é absoluta.

Em nosso último livro (“O que a França deve aos maçons e o que ela não deve”, Edições First, 2012), listamos e explicamos a contribuição concreta dos maçons à França.

Esquematicamente, seu trabalho consistiu em passar as ideias desenvolvidas pelos filósofos do Iluminismo para o concreto. Nós nos esquecemos facilmente, hoje, que a escola estava nas mãos das congregações há pouco mais de um século, e que os Bispos tinham o direito de revogação sobre os professores que se desviassem da linha de conhecimento aceito pelas igrejas.

Divórcio, cremação…

Quem se lembra que o divórcio por mútuo consentimento era impossível, ou reservado a uma elite? Nós esquecemos que a cremação, em nome do princípio da Ressurreição do corpo, era proibida pela Igreja. Quem sabe o que foram principalmente as lojas que levaram o mutualismo, que protege de acidentes da vida (sem esquecer a ação real, mas sufocada pelo conservadorismo da Igreja, de pensadores católicos como o Conde de Villeneuve-Bargemont, partidário e criador de um catolicismo social progressista).

Correndo o risco de decepcionar os amantes das conspirações, a Maçonaria nunca trabalhou nas sombras para afundar o Estado, e muito menos para sugar o seu sangue. Mesmo sob a Terceira República, um período durante o qual as relações entre as Obediências e a ação política era intensa, a Maçonaria nunca trabalhou de outra forma, a não ser para melhorar a Humanidade de maneira material e moral.

É obviamente mais tentador em tempos de crise, ver a mão negra da conspiração, ao invés de enfrentar certas realidades sociais e outros lapsos éticos, em que se encontraria respostas justas de uma maneira mais relevante.

Publicado originalmente em 7/01/2013  em http://leplus.nouvelobs.com/contribution/754957-non-la-franc-maconnerie-n-a-jamais-oeuvre-dans-l-ombre-pour-faire-sombrer-l-etat.html

Publicado on janeiro 8, 2013 at 1:15 pm  Comments (1)  

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