Maçonaria na Itália 1993

Tradução José Filardo

Por V.´. Irmão Jack Buta MPS
PM Paradise Valley Silver Trowel Lodge #29
Arizona Grand Lodge, EUA
Maçom Grau 32 do Rito Escocês

Extrato do Artigo “A CONSPIRAÇÃO DE DEUS”

Em 1859, o Supremo Conselho /Grande Oriente da Itália foi fundado em Turim. Em 1860, Giuseppe Garibaldi ao aceitar o título de Grão-Mestre da autoridade siciliana escreveu: “Eu de bom grado assumo o cargo de chefe supremo da Maçonaria Italiana constituída de acordo com o Rito Escocês Reformado e Aceito. Eu continuo porque ele foi conferido a mim pelos votos livres de homens livres, a quem devo minha gratidão, não só pela confiança que me foi mostrado ao elevar-me a uma posição tão alta, mas também pela ajuda que me deram de Marsala a Volturno, na grande tarefa de libertar as províncias do sul. Minha nomeação como Grão-Mestre é a interpretação mais solene das tendências da minha alma, dos meus votos, dos objetivos pelos quais eu trabalhei toda a minha vida. Garanto a vocês que com a sua misericórdia e com a cooperação de todos os nossos irmãos, a bandeira italiana, que é a da humanidade será o farol do qual a luz do verdadeiro progresso será derramado por todo o mundo “.

No segundo semestre de 1862, a expedição para a libertação de Roma estava sendo preparada. Mas ela seria interrompida no dia vinte e nove de agosto, quando ele foi ferido na coxa em uma troca de tiros em Aspromonte. Garibaldi, ao aceitar o papel que lhe foi oferecido pela obediência Escocesa siciliana demonstrou que, nessa fase, ele identificava a Maçonaria com o programa nacional e pretendia usá-la como um meio de organização e ponto de encontro dos diferentes movimentos democráticos. Não foi por acaso que, quando chegou à Sicília, ele participou da iniciação de seu filho Menotti (primeiro de julho) e ele, pessoalmente assinou (em três de julho) a proposta de filiação de toda a sua equipe (Pietro Ripari, Giacinto Bruzzesi, Francesco Nullo, Giuseppe Guerzoni, Enrico Guastalla e outros). No longo prazo, uma vez que a luta pela independência nacional estava concluída, o plano político da maçonaria era identificar-se com um objetivo mais amplo e ambicioso, o da libertação e da emancipação de toda a humanidade.

“Foi o fracasso do empreendimento de agosto 1862”, observou Aldo Alessandro Mola “, que levou Garibaldi a assumir uma postura anticlerical intransigente”. A partir daquele momento o General estava cada vez mais convencido de sua identificação com a posição da Maçonaria, que era o principal defensor na península de um secularismo inflexível opondo-se ao Vaticano, à medida que a Igreja Católica lutava para manter o controle sobre Roma e os Estados do Vaticano.

Os maçons, sob a liderança de Garibaldi havia liderado a luta pela unificação. Foi em maio de 1867, na véspera da Assembleia Constituinte maçônica em Nápoles, que ele fez um apelo famoso a todos os irmãos da península, “Da mesma forma que ainda não temos um país, porque não temos Roma, então não temos uma maçonaria porque ela está dividida… Sou de opinião que a unidade maçônica levará à unidade política da Itália. Vamos, em Maçonaria, fazer com que fasces romanos sejam feitos, de modo que não obstante os grandes esforços ainda não realizados sejam obtidos na política. Acredito que os maçons são uma parte eleita do povo italiano. Deixe-os colocar de lado suas paixões profanas e com a consciência da alta missão que a nobre instituição maçônica lhes confiou, criar a unidade moral do país. Ainda não temos a unidade moral, deixemos a Maçonaria alcançá-la e a outra (unidade da nação) imediatamente será atingida… Abstenção é inércia, é morte. Eu peço a compreensão, e na unidade de entendimento, teremos a unidade de ação. ”

No curso do movimento pela unificação italiana, a existência dos Estados Pontifícios provou ser um obstáculo à união nacional, tanto porque eles dividiam a Itália em duas e porque as potências estrangeiras intervieram para proteger a independência papal. Ela sobreviveu porque eles eram protegidos por tropas francesas. Com a eclosão da guerra franco-prussiana em 1870, os franceses se retiraram e as forças italianas ocuparam Roma. Os Estados Pontifícios tinham finalmente chegado ao fim. O Papa Leão XIII revidaria contra os Maçons emitindo sua Humanum Genus, em 20 de abril de 1884, exortando os católicos em toda parte a rejeitar a Maçonaria.

Qualquer dúvida persistente sobre a atitude antimaçônica do Vaticano foi removida em 1929, após a criação de um Estado do Vaticano muito menor no meio de Roma. A Igreja Católica, em conjunto com os fascistas italianos removeu do calendário de feriados nacionais no dia 20 de setembro, um feriado que se tinha se tornado o símbolo de um país finalmente construído em nome da democracia e do secularismo, ao qual tanto Garibaldi e a Maçonaria tinham dado uma contribuição determinante. Foi também nesse ano a GLUI adoptou as suas normas de regularidade revistas.

O Irmão Kent Henderson nos dá um resumo dos eventos que resultaram em a GLUI retirar o reconhecimento do Grande Oriente da Itália em 9 de novembro de 1993, “Em 1993, o Grão-Mestre titular do Grande Oriente da Itália, Irmão Giuliano Di Bernardo, citando supostas irregularidades nas operações do Grande Oriente, separou-se e formou a Grande Loja Regular da Itália. As Grandes Lojas da Inglaterra, Irlanda, Escócia, e algumas outras Grandes Lojas, retiraram o reconhecimento do Grande Oriente da Itália, e ao invés dele reconheceram a nova Grande Loja Regular da Itália. Entretanto, praticamente sem exceção, as Grandes Lojas da América, Canadá, Austrália, e a maioria das outras em outros lugares recusaram-se a imitar a Inglaterra, e desde então mantiveram relações fraternais com o Grande Oriente. Esta situação infeliz permanecia inalterada em 2001.

Em dezembro de 1997, quinze lojas sob a Grande Loja Regular da Itália retiraram-se e formaram a Grande Loja da União (Gran Loggia Dell Unione). Desde então, ela consagrou mais seis lojas. Em 1998, um outro grupo de lojas retirou-se da Grande Loja Regular da Itália para criar a Grande Loja Unida da Itália (Gran Loggia d’Italia Unita).

Em junho de 1999, a Grande Loja da União patrocinou a criação de um órgão conhecido como A Federação das Grandes Lojas da Itália (Gran Loggia Federale Italiana), e tornou-se seu membro fundador. Subsequentemente, a Grande Loja Unida da Itália filiou-se a ela. Os estatutos da Federação permitem a adesão recíproca para Grandes Lojas na Itália que, em sua opinião, possam provar a sua regularidade de origem. Cada Grande Loja mantém a sua autonomia, e parece ter tomado como exemplo as Grandes Lojas Unidas da estrutura Alemã. O objetivo da Federação é unir todas as Grandes Lojas regulares funcionando na Itália.

Em resumo, existem atualmente duas Grandes Lojas ‘regulares’ e ‘reconhecidas’ na Itália (o Grande Oriente da Itália e da Grande Loja Regular da Itália), dependendo da perspectiva e reconhecimento fraterno de qualquer Grande Loja não italiana.

A Grande Loja Regular da Itália foi fundada em Roma em 17 de abril de 1993 com o Prof. Giuliano Di Bernardo como seu primeiro Grão-Mestre, e 107 membros fundadores. Pelos três anos anteriores ele tinha sido Grão-Mestre do Grande Oriente da Itália, do qual ele renunciou logo após a reunião anual do Grande Oriente da Itália no final de Março de 1993. A Grande Loja Unida da Inglaterra, a Grande Loja da Escócia e a Grande Loja da Irlanda atualmente a reconhecem. Muitas outras Grandes Lojas continuam a reconhecer o Grande Oriente da Itália “.

A fim de proporcionar um olhar mais aprofundado em alguns dos eventos que antecederam as medidas da GLUI tomadas contra o Grande Oriente da Itália em 1993, recolhi os seguintes detalhes de artigo do irmão Pete Normand, “O Dilema italiano”, impresso na Primavera de 1994 na Revista Maçônica Americana.

Em Março de 1993, logo depois de ter recebido um voto esmagador de confiança no cargo de Grão-Mestre, o Professor Giuliano DiBernardo surpreendeu o mundo maçônico ao renunciar ao seu cargo, deixando o Grande Oriente e, com um pequeno grupo de seguidores maçons italianos, criar sua nova Gran Loggia Regolare, em seguida, fundi-la com a Gran Loggia Generalle Italiana. Os críticos da nova Gran Loggia Regolare acreditam que o Grão Mestre DiBernardo não devia teria feito um movimento tão drástico sem primeiro obter, pelo menos, a aprovação tácita da liderança da GLUI. Na sua reunião seguinte, realizada em junho, a GLUI suspendeu temporariamente o seu reconhecimento dos 15.000 membros do Grande Oriente da Itália, abrindo assim o caminho para o reconhecimento da nova Grande Loja, em dezembro.

Na sua grande comunicação trimestral realizada em 9 de dezembro de 1993, a GLUI, movendo-se com velocidade incomum, concedeu reconhecimento à recém-formada Gran Loggia Regolare d ‘Italia. Essa ação acontece apenas nove meses após a formação da nova Grande Loja, e apenas três meses após a retirada do reconhecimento do antigo Grande Oriente da Itália, levando muitos a especular que os ingleses podem ter tido mais que um papel passivo na criação da nova Gran Loggia Regolare.

A GLUI retirou o reconhecimento assacando quatro acusações contra o Grande Oriente da Itália. Essas acusações, resumidas em seu “papel de negócios” e publicadas antes de sua comunicação trimestral de setembro de 1993, afirmava que existiam “provas suficientes” das seguintes irregularidades relacionadas: 1) deixar de registrar todas as suas lojas e membros junto ao governo italiano, 2) laços com grandes lojas não reconhecidas e irregulares, 3) práticas irregulares, e 4) a interferência junto a ordens anexas. No entanto, a correspondência subsequente disponibilizada aos grandes secretários de todo o mundo discutindo essas acusações em maior detalhe revelam que muitas das acusações eram ou não comprovadas ou menos graves do que e pareciam à primeira vista. Alguns observadores expressaram sua dificuldade em compreender como a GLUI podia condenar o Grande Oriente da Itália por não seguir escrupulosamente os regulamentos deste tipo emitidos pelo governo, especialmente quando a GLUI, que nem sequer mantém registros de adesão para suas lojas, tem recusado repetidamente as demandas expressas de antimaçons de tornar públicos os nomes de seus membros.

Esta primeira acusação serve para ilustrar a velha diferença entre maçonaria inglesa e maçonaria continental. Onde, por um lado, a natureza historicamente liberal da sociedade Inglês e do governo britânico, combinado com o bom relacionamento da fraternidade com a família real tem permitido que o Craft na Inglaterra permaneça muito apolítico, por outro lado, a natureza muitas vezes opressiva os governos dos países predominantemente católicos romanos criou um tipo muito mais secreto de maçonaria no continente.

Se laços com entidades não reconhecidas consideradas irregulares pela GLUI garantem a retirada do reconhecimento, então a Inglaterra deve estar preparada para retirar o reconhecimento de muitas outras Grandes Lojas no mundo. A maioria das Grandes lojas americanas mantém relações fraternas com outras grandes lojas e entidades anexas consideradas irregulares pela GLUI.

A terceira acusação refere-se a “práticas irregulares” pelo Grande Oriente da Itália, que por muitos anos permitiu certas funções com finalidades especiais, onde não maçons e mulheres eram admitidos. Especificamente mencionados são serviços de funerais maçônicos, um Ágape ritual (ou cerimônia de loja de mesa), e uma cerimônias de casamento maçônico. Embora a cerimônia de casamento maçônico certamente mereça investigação, essas acusações devem ser vistas à luz do fato de que a GLUI, que não tem cerimônia de funeral maçônico, tradicionalmente se opôs à presença de mulheres e não-maçons em qualquer cerimônia maçônica que não seja o lançamento de pedras fundamentais.

Esta quarta acusação contra o Grande Oriente aborda alegações de interferência indevida ou influência junto aos Ritos Escocês e de York. As alegações feitas contra o Rito Escocês parecem lidar principalmente com a opinião da Inglaterra de que é impróprio para oficiais do Grande Oriente servir como membros do Supremo Conselho. No entanto, os críticos dessa opinião destacam que que não é incomum para grandes oficiais de grandes lojas americanas servir também como oficiais do Rito Escocês. Mais uma vez, a opinião da Inglaterra sobre esta impropriedade pode decorrer de seus próprios preconceitos em relação à Maçonaria continental do Rito Escocês em oposição ao tratamento peculiar da Inglaterra ao rito.

Em uma carta datada de 29 de de Novembro de 1993 e dirigida ao Grande Secretário Alfredo Diomede do Grande Oriente, o Grande Secretário Michael Higham da Inglatera referiu-se a um discurso feito em Maio de 1992 por Alberto Banti, chefe do Grande Capítulo do Royal Arch, criticando a invasão de sua jurisdição pelo Royal Arch inglês. Nesse discurso, Banti acusa as duas lojas de ritual Inglês de recrutar candidatos do Real Arco fora de suas próprias lojas. Membros do Grande Capítulo do Real Arco da Itália, como todos maçons do Rito de York (American Rite) em todo o mundo, não concordam com a noção da Inglaterra de que o Grau do Real Arco é uma oficina para complementar o terceiro grau, mas sim consideram o Grau de Mestres Maçom completo, ou sublime, em si e por si. Banti indica corretamente que o Grau do Real Arco inglês foi “inserido nas Constituições da nova Grande Loja Unida (da Inglaterra), apenas como um compromisso” na fusão das Grandes Lojas dos Antigos e dos Modernos em 1813. Ele ainda lembrou que foi o Grão Mestre Salvini, quem permitiu aos Ingleses trabalhar seu Grau do Real Arco na Itália, em violação direta de um acordo anterior que concedia jurisdição exclusiva sobre o Grande Capítulo do Real Arco da Itália e o Grande Capítulo Geral.

Este discurso ao Grande Capítulo do Real Arco da Itália produzido pelo Grande Secretário Higham como evidência de interferência por ordens anexas, serve mais como uma medida de até que ponto a GLUI está disposta a ir para proteger o seu Grau do Real Arco, mesmo em uma jurisdição maçônica onde existem acordos prévios com as ordens anexas.

Publicado on agosto 30, 2013 at 8:50 am  Comments (1)  

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