Maçonaria Relevante – Parte II

Tradução José Antonio de Souza Filardo

Revista Nouvelle Observateur – Agosto 2011

SER OU NÃO SER?

Os mistérios do Sr. Guéant

Por Carole Barjon

O ministro do Interior é chegado às redes maçônicas. Em sua longa carreira, ele sempre as favoreceu. Mas não lhe peçam que admita ser um deles!

Ele negou várias vezes, mas de nada valeu! No governo, no UMP ou no Parlamento, todos aqueles que o conhecem, sem exceção, estão convencidos de que Claude Guéant é maçom. “Historicamente não há dúvida”, assegura um iniciado que conviveu com ele por muitos anos. Claramente, se hoje ele não é mais, com certeza um dia ele foi. Que Guéant seja um católico praticante não muda coisa alguma.

O ministro do interior seria ou teria sido membro Grande Loja Nacional Francesa (GLNF) – mais à direita que o Grande Oriente de França (GODF) – que tem muitos seguidores fervorosos da Santa Madre Igreja.

Argumento número um: considerando-se o poder da Maçonaria nos sindicatos da polícia, todos os ministros do Interior, tanto de direita quando de esquerda, teriam sido, exceto… Nicolas Sarkozy. Mas, quando trabalhava na Praça Beauvau, Sarkozy tinha mesmo assim tomado a precaução de recorrer ao conselho do criminologista Alain Bauer, antigo Grão-Mestre do Grande Oriente de França, que ele nomeou Presidente do Conselho de Orientação do Observatório Nacional da Delinquência, e depois presidente da Comissão Nacional de Vídeo vigilância. Bauer ainda ocupa essas duas funções depois que Guéant tornou-se ministro do Interior. Quando ele era secretário-geral do Eliseu, muitos se lembram de que Guéant tinha reuniões regulares com Bauer dedicadas à inteligência econômica.

“Ser maçom permite ter relações com líderes sindicais fora das reuniões formais”, explica outro iniciado que assegura, também, que é difícil fazer uma longa carreira no Ministério do Interior, sem “ser”. Após iniciar na prefeitura até deixar o ENA, Guéant ingressou no gabinete de Charles Pasqua, que o nomeou em 1994 Diretor Geral da Polícia. É nesta época que ele forja as relações com os sindicatos de policiais, hoje muito úteis. No ano passado, Claude Gueant pressionado bastante pela candidatura de Bruno Beschizza, então secretário-geral do sindicato de oficiais de polícia Synergie, nas eleições regionais. Investido no topo da lista em Seine-Saint-Denis, Beschizza havia admitido em fevereiro de 2010 no “l’Express” ser membro da Grande Loja da França.

Mesma confraria ou apenas um boa entente? Muitos viram um sinal nessa promoção meteórica. A participação em uma obediência maçônica também se mostrou muito útil para melhorar os laços com os responsáveis pelas coletividades territoriais, particularmente nos departamentos e territórios ultramarinos, colocados sob a supervisão do Ministro do Interior. Lembramos que Michel Rocard tinha se apoiado nos irmãos, particularmente em Roger Leray, antigo Grão Mestre do Grande Oriente para conduzir os acordos da Nova Caledônia com Jacques Lafleur e Jean-Marie Tjibaou. “Não é possível se sair bem politicamente com o Ultramar ignorando as redes da Maçonaria”, assegura um senador que fez vários gabinetes ministeriais. Os irmãos são, de fato, muito numerosos nesta área por razões históricas: a abolição da escravatura foi obra de Victor Schoelcher, um maçom que era deputado pela Martinica e Guadalupe. Antes de aterrissar no gabinete Pasqua, Claude Gueant também havia sido secretário-geral para assuntos econômicos de Guadalupe.

Quando Nicolas Sarkozy hesitava no verão passado em trocar o primeiro-ministro, o forte apoio do antigo secretário-geral do Eliseu a Jean-Louis Borloo para o cargo de primeiro ministro não passou despercebido. Borloo, presidente do Partido Radical valoisiano, abrigo de maçons desde a Terceira República…

Certamente, ele não foi o único, no Palácio do Eliseu, a apoiar essa opção. Henri Guaino, por exemplo, não estava na briga.

Mas, o ativismo de Guéant surpreendeu muitos. Sua ojeriza por François Fillon não era a única explicação. Especialmente considerando que Guéant também está muito próximo ao Diretor Geral do EDF, Henri Proglio ou de Yazid Sabeg, Comissário da Diversidade e da Igualdade de Oportunidades, que teria interesse em se instalar na direção da Areva.

Desde o tempo em que ele estava no Palácio do Eliseu, enfim, Guéant se interessou muito pela renovação do mandato do Presidente do Conselho econômico e Social. Ele considerava então que somente Jean-Paul Delevoye, um Maçom tinha chance de ser eleito. Outro candidato, que eventualmente renunciou disse a ele, meio que questionando, meio que irônico, que a sua única verdadeira deficiência em relação a Delevoye era, sem dúvida, não “pertencer ao grupo certo”. Guéant não o contradisse…

O número dois do Eliseu se ocupava também das nomeações feitas pelo presidente que ele selecionava antecipadamente. É ele quem foi sondar Jean-François Cordet, o ex-prefeito de Seine-Saint-Denis, que então suscitou a cólera de Sarkozy por ter escrito em 2006, uma nota alarmista sobre a situação explosiva do departamento. Em 2010, Guéan propôs e obteve sua nomeação como diretor do 1’Ofpra (Office Français de Protection des Réfugiés et Apatrides), uma organização que depende dos ministérios dos Negócios Estrangeiros e do Interior.

Hoje na Place Beauvau, encontramos, em sua constelação ministerial, além de Jean-François Cordet, que era membro do gabinete de Olivier Stirn no Ministério do Ultramar; Patrick Gaubert, presidente da Licra e do Conselho Superior para Integração, um veterano dos gabinetes Pasqua, Alain Bauer e Dominique Paul Mason, maçom assumido, Diretor do Escritório de Imigração e Integração.

“No meu trabalho, eu encontro muitos interlocutores”, explicava Claude Gueant em uma entrevista em setembro de 2010 à l’Express. “Alguns são conhecidos por serem maçons. Outros provavelmente o são, sem dúvida sem que eu saiba”. E ele acrescentou: “É honroso ser um maçom. Se eu fosse, eu diria”. Se ele assim diz…!

Publicado on agosto 25, 2011 at 2:45 pm  Deixe um comentário  

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