História da Maçonaria Francesa no final do Século XVIII

Tradução José Filardo

Panorama da França pré-revolucionária

Para capturar os eventos que se seguem e tentar entender o comportamento muitas vezes chocante daquele que se tornou Philippe Egalité, Grão-Mestre dos Maçons é necessário fazer uma constatação do estado da França pré-revolucionária da década de 1770.

Naquele momento, a renovação demográfica permite que uma população de quase 28 milhões de habitantes  levasse a França à vanguarda da Europa. Em comparação, a Rússia imensa só tem 23 milhões, a Espanha onze e a Inglaterra nove. Os “jovens”, aqueles que terão vinte anos em 1789, ano da Revolução Francesa, aumentaram em dez vezes.

A expectativa de vida passa, finalmente a vinte e oito anos. A população é 85% rural. Isto não impede o desenvolvimento das grandes cidades. Lyon supera 120 000 habitantes, Marselha 100 000, Bordeaux 70 000. Metz, Nîmes, Strasbourg, Orleans, Amiens oscilam entre 50.000 e 35.000 almas.

Quanto a Paris, esta é uma população de 600.000 pessoas o que a tornam uma metrópole do seu tempo, superada apenas por Londres, com perto de 800 000 londrinos. Paris é o centro do mundo civilizado, tanto literário quanto científico. Uma rede de trinta e duas academias provinciais que se comunicam permite comentar e divulgar as mais recentes descobertas e, muitas vezes as idéias mais inovadoras.

A economia do país continua extremamente frágil após a falência do sistema Law. Uma colheita pobre em consequência de mudança climática provocada pela erupção vulcânica na Islândia  faz aumentar dramaticamente o preço do pão e paralisa a atividade, e vem a gerar um “movimento social”. A tributação continua a ser “um labirinto inextricável” no qual mesmo os historiadores atuais ainda se perdem. A única certeza é que, apesar dos melhores esforços de alguns poucos financistas, ela permanece pesada, ineficiente e, acima de tudo terrivelmente injusta. O Estado, portanto, o rei, vivia da coleta de impostos diretos e indiretos. Para simplificar, consideremos que a maioria dos impostos diretos é paga pelos plebeus. A nobreza paga o “imposto de sangue” lutando pelo país e alimentando as tropas. O clero considera que sendo encarregado da educação e da caridade pública, ele não tem que pagar impostos. A Igreja condescende a uma participação voluntária, puramente benevolente, a “doação gratuita” que ela realiza de três em três anos e ainda assim não sem discutir. Os impostos indiretos, cuja coleta é vendida a empresas privadas são ainda mais mal recebidos. No que poderíamos chamar de campo da cultura temos de ver que tudo cresce. Se nos anos 1685 apenas 29% dos homens e 14% das mulheres sabiam ler, a taxa sobe para 47% e 27% um século mais tarde.

A grande evolução dita filosófica é a passagem ao desenvolvimento de idéias modernas em oposição ao costume e à tradição. O “Iluminismo” vem causar desordem em uma sociedade que adorava tudo o que era antigo “apenas por causa de sua origem imemorial.”

Os princípios orientadores do Iluminismo  são:

– crença em um progresso infinito da ciência e da humanidade, empurrando para trás as trevas da ignorância,

– confiança na observação e na experiência,

– desejo de felicidade individual,

– preocupação com um novo sistema de educação para crianças (Rousseau, Madame de Genlis),

– apologia da razão contra a fé e a revelação bíblica,

– luta contra a “superstição” da religião, especialmente Católica,

– apelo à tolerância contra o “fanatismo” da Igreja,

– regeneração da sociedade.

É imperativo perceber que em seu conjunto, o público do Iluminismo permanece limitado. A província rural e a classe camponesa (mais de 85% da população) continuam fiéis à Igreja. A prática religiosa é assídua para 98% dos habitantes do reino. Essas idéias não tornarão um sentido premonitório a não ser em retrospecto. Não devemos nos esquecer de que, se Voltaire nega o direito divino dos reis, ele continua a ser um defensor da monarquia absoluta. Ele apoiará, ao contrário do Duque de Chartres, o “golpe de estado” de Maupeou. Não nos esqueçamos de que a palavra absolutismo só viria a ser cunhada em 1797, oito anos após o desaparecimento do Antigo Regime.

Louis Philippe Joseph d’Orléans, duque de Chartres, então duque de Orleans, par de França. 

Entramos agora na Maçonaria moderna. Quero dizer com isto que a maçonaria tradicional francesa contemporânea que praticamos agora é a descendente direta da organização administrativa e a síntese ritual que vão surgir a partir do trabalho do Grande Oriente da França deste final de século XVIII.

Louis Philippe Joseph d’Orléans nasceu em 13 de abril de 1747, no castelo de Saint-Cloud, duque de Montpensier. Ele é, sobretudo, um príncipe de sangue. Penúltimo filho do Regente, ele descendia por parte de sua mãe de uma filha de Luís XIV e de Madame de Montespan, Mademoiselle de Blois. Como muitos de seus antepassados, desde cedo mostrou um gosto pronunciado pela carreira militar recompensado com o posto de coronel do regimento de Infantaria de Chartres em março de 1752, quando tinha apenas cinco anos.

Devemos mencionar que a morte de seu avô fez dele o novo duque de Chartres.

O novo Grão-Mestre é um “príncipe de sangue.”

Ele continuou sua carreira fabulosa, tornando-se coronel de cavalaria de Chartres em 1764. Em 05 de abril de 1769 ele se casou em Versalhes com Louise Marie Adelaide de Bourbon-Penthièvre neta do Conde de Toulouse, este mesmo um filho bastardo legitimado de Luís XIV e Madame de Montespan, que recebe a herança fabulosa do Duque de Penthievre. Sua fortuna combinada com a de sua esposa fez dele um dos mais ricos príncipes do reino. Em seu casamento ele choca os antigos cortesãos por seu desprezo pela etiqueta. Ele alia as opiniões filosóficas do século XVIII à moral degenerada da Regência. Sua oposição ao chanceler Maupeou lhe custa o exílio em suas propriedades por Louis XV, o que não impede que, graças ao apoio do duque de Montmorency-Luxembourg suceda em Junho de 1771 ao duque d’Antin especialmente porque sua atitude rebelde atrai a simpatia de muitos grandes.

Após o grão-mestrado do Conde de Clermont é mais uma vez um príncipe real, melhor ainda, este é o primeiro príncipe real que se torna Grão Mestre. Mas, voltaremos a isso.

Com a ascensão de Luís XVI, Chartres reaparece na corte. Logo a jovem Marie Antoinette tem a ele uma aversão e ódio que não o afetou, mas vai irritá-lo. Ele espera que seu sogro, o Duque de Penthièvre, solicite para ele, a reversão de seu cargo de grande almirante da França. Ele se prepara para abraçar uma carreira de oficial da Marinha.

Embarca assim no navio Alexandre como guarda-marinha (treinamento) em 1772. Em 1776 ele é promovido a tenente-general das forças navais (contra almirante, líder de esquadrão). Ele então embarca no Espírito Santo em 27 de julho de 1778 quando da Batalha ao largo de Ouessant onde ele demonstra coragem e se mostra um fino manobrista, mas os navios ingleses conseguem escapar. Este sucesso parcial lhe atrairá a estima de alguns e as críticas de outros. Continua em sua carreira como oficial da Marinha, mas seu sogro está convencido de que Chartres quer despojá-lo de seu cargo de Grande Almirante;  escreve então, com o objetivo de apaziguar, a Louis XVI que ele renuncie à sua carreira no mar, ao mesmo tempo em que lhe pede para criar para ele um cargo de coronel-general dos hussardos e das Tropas ligeiras em 18 de novembro de 1778. Esta função é puramente honorária, o Rei aceita e assim terminou a sua carreira militar.

Profundamente ofendido, então ele deixa de comparecer à corte e parte para a Inglaterra. Como Voltaire ele se apaixona por este país e por seus costumes. Ele liga-se ao Príncipe de Gales, mais tarde George IV, ainda mais libertino que ele. Em seu retorno à França, ele introduz a moda das corridas de cavalos e a da simplicidade das roupas.

Depois da carreira militar, a vida pública.

A fortuna, quando seu dono se dedica não desaparece e aqui o Duque de Chartres foi significativamente dedicado. Uma manutenção de casa mais que dispendiosa, um gosto pronunciado pelas coleções mais caras, uma extravagância ímpar, uma falta crônica de habilidade administrativa são o motivo da maior parte de seu patrimônico. Com a morte de seu pai em 1785, ele herdou o título de duque de Orleans. A sucessão sobrecarregada com muitas dívidas e a especulação imobiliária não lhe permite recuperar a sua fortuna de antigamente. Mesmo a construção das galerias do Palais Royal muito bem sucedida em termos monetários não é suficiente, tamanha a sua prodigalidade e generosidade, para fins políticos. A corte se indigna mais por ciúme e para agradar a rainha que por um senso de probidade.

Em 1787, Chartres, agora Orleans torna-se membro da Assembleia de Notáveis. Ele aproveita a oportunidade para interpelar o rei, em audiência, em 19 de Novembro. Ele lhe declara que o direito de votar impostos não cabe aos Estados Gerais.

Ele é imediatamente exilado em 21 de novembro, em sua propriedade de Villers-Cotterets. Ele só retornará em 23 de março de 1788 exatamente com as mesmas disposições. Como se anunciam os Estados Gerais, ele se faz nomear pela nobreza de três “circunscrições”, Paris, Villers-Cotterets e Crespy-en-Valois. Ele escolheu a última porque é ela que está buscando mais reformas. Em 4 de maio, em Versalhes, uma procissão antecede a abertura dos Estados Gerais. Uma boa oportunidade para Orleans provocar o regime. Ele desfila com o terceiro estado. A multidão o aclama. Só faltou a rainha desmaiar de raiva. Ele espera que as três ordens sejam aliadas em uma única câmara e, seguido por 46 deputados da nobreza ele se reúne em 25 de junho com o terceiro estado que acaba de se constituir em Assembléia Nacional. O povo carrega seu busto em triunfo, o que é particularmente apreciado pela rainha!

Os jardins do Palais Royal, onde se reuniam os oradores populares, torna-se um centro de agitação. Essa agitação é sustentada, se não orquestrada por um novo agente do duque de Orleans. Este oficial da artilharia, da recente pequena nobreza tem promoções dignas da marcha de um caracol (ele permanecerá capitão por 17 anos) compartilha as idéias do príncipe e coloca-se ao seu serviço em 1788, após deixar o exército. Ele se destaca na invenção e organização do que poderíamos chamar atualmente de truques sujos. Ele é um maçom. Ele participa ativamente no desenvolvimento da marcha do povo de Paris sobre Versalhes em 5 e 6 de Outubro, escreve com Brissot a petição na origem do tiroteio do Champ de Mars e muito mais! A posteridade reconhece nele o homem de letras mais do que o político ou o militar porque seu nome é Pierre Choderlos de Laclos, autor de Ligações Perigosas.

Philippe Egalité.

Nos primeiros tempos da Revolução, o Duque de Orleans está, sem dúvida, à frente de um partido que não recua frente a nada para lhe facilitar o acesso ao trono. Seu ódio por Maria Antonieta e pela corte é real. Ele reencontra Mirabeau que procura um pretendente que personificar a revolta. Ele último está desapontado com a reunião. Lamartine informa que ele exclama: “Este inútil não merece que alguém se dedique a ele. »

Ele continua em sua escalada revolucionária. Membro do Clube dos Jacobinos, ele foi eleito para a Convenção Nacional e deve mudar seu nome e escolheu, com desagrado, a de Philippe Egalité. Sob pressão da Montanha ele votou a favor da morte de Louis XVI, esta covardia desgosta até Robespierre que exclama: “Ele era o único que podia se permitir não votar pela morte” Ele não está em uma negação mais próxima do que lhe falta para negar a Maçonaria. E em breve, ele o fará.

Os eventos que perturbam o reino desde 1789 não podem poupar a Maçonaria.

Os espíritos estão perturbados e a perturbação aumenta com o tempo. Leais ao rei que reina ainda, os maçons doam à Assembleia Nacional para ajudar a pátria. Mas desde 1790, o Grande Oriente se pergunta se “enquanto todos respiram igualdade, enquanto se gosta de espalhar os princípios, a Maçonaria não têm do que reclamar por ter sido negligenciada.” As dívidas do G.O. se agravam. As lojas esquecem o compromisso solene de sustentar suas necessidades. Em 1792, a correspondência entre o G.O. e suas lojas diminui. Em uma circular datada de 24 de janeiro de 1793, onde figura ainda o selo decorado com os três flores de lis enquanto o rei era guilhotinado no dia 21, a Ordem pede aos seus membros que conservem os ritos, os documentos dos quais elas são depositárias e não entregar ao abandono os seus arquivos.

Sente-se neste momento, nas poucas lojas que permanecem, a diferença agora existente entre os irmãos plebeus e irmãos aristocratas, especialmente em lojas militares. O duque de Montmorency-Luxembourg emigrou desde 15 de julho de 1789 e morreu em Portugal, em sua cama. Ele foi substituído na direção da ordem pelo Presidente da Câmara de Administração, Tassin de l’Etang guilhotinado com seu irmão, maçom como ele em 3 de Maio de 1794. O Duque de Orleans, sempre Grão-Mestre em título não se manifesta mais há um longo tempo.

Philippe, o Apóstata.

Mais uma vez eu cito Pierre Chevallier:

No domingo, 24 de fevereiro de 1793 o Journal de Paris publica em um suplemento de seu número 55 a carta do regicida Egalité ao jornalista Milcent:

Paris, neste 22 de fevereiro de 1793, ano II da República”.

“Eu vi, cidadão Milcent, em seu boletim do dia 20 deste mês, as preocupações trazidas por seu correspondente de Toulouse com o fato de que três ou quatro lojas de maçons terem retomado ali os seus trabalhos, e terem iniciado maçons uma parte do estado maior. Eu não pude, apesar da minha dignidade de Grão-Mestre dar-lhe qualquer informação sobre esses fatos que me são desconhecidos, mas quero colocá-lo em condição de responder às reflexões e considerações relativas a mim que seu correspondente misturou com suas histórias verdadeiras ou falsas.

Você sabe, diz ele que correu um boato em toda a França, que o cidadão Egalité, Grão-Mestre de todas as Lojas, tinha um grande partido em Paris.

De fato, desde julho de 1789, o partido da Corte espalhou este boato que ele aparentemente acreditava ser útil para seus pontos de vista. Um pacote de caluniadores contrarrevolucionários se reuniu em outubro daquele ano, e desde então um grupo de intrigantes tentou rejuvenescê-lo, eu não sei com que propósito […].

[…] Enfim, aqui está minha história maçônica. Em uma época onde, certamente, ninguém previa nossa Revolução, eu estava ligado à maçonaria, que oferecia uma espécie de imagem de igualdade; como eu estava ligado aos parlamentos que me ofereciam uma espécie de imagem de liberdade e desde então eu abandonei o fantasma pela realidade. Em dezembro passado, o secretário do Grande Oriente tendo se dirigido à pessoa que ocupava junto a mim as funções de secretário do Grão-Mestre para me enviar um pedido relacionado aos trabalhos desta sociedade, eu respondi a ele em 05 de janeiro:

Como não conheço a forma como o Grande Oriente é composto e, além disso, eu acho que não deve haver nenhum mistério e nenhuma reunião secreta em uma República, especialmente no início de seu estabelecimento eu não quero intrometer-se de forma alguma com o G:. O:. nem as Assembleias de maçons …”

Eu volto ao seu correspondente; ele disse: ‘Correu por aqui um boato, que pode ser falso de que este Egalité foi a Toulouse para visitar os departamentos.‘ Como desde o início da Convenção Nacional, eu nunca estive três dias sem frequentar as suas reuniões, ficará claro até mesmo para o correspondente, que eu jamais fiz uma viagem a Toulouse; eu não direi mais nada sobre este assunto.

Mas ele acrescentou: ‘ Você sabe também, talvez, que os aristocratas dizer em voz alta que eles querem Liberdade … e IGUALDADE, e esta palavra igualdade impressa em letras minúsculas, me designa … obviamente, com a ajuda de um trocadilho.

Certamente, […] se sou eu que os aristocratas […] querem designar os seus desejos […] estou contente de ter esta oportunidade de avisá-los publicamente que se eles querem a mim, eu não os quero, e devo acrescentar que eu não quero mais nenhum partido, sociedade, reunião, intriga ou conspiração que tenha o projeto de me fazer ter ou compartilhar qualquer poder.

Eu vos imploro, cidadão Milcent, transmitir esta resposta ao vosso correspondente através de seu jornal.

Seu concidadão … “

Com tal sentimento de negação, o bom príncipe merece também o título de Philippe, o apóstata”!

O papel do duque de Montmorency-Luxembourg.

Descubramos agora sua verdadeira “história maçônica.” Esta história poderia ser chamada “Os Talentos desperdiçados.”

Conforme vimos, todos sorriram quando o jovem duque de Montpensier tornou-se duque de Chartres em 1752. O cisma de 1758, a proibição em 1767 tornam obrigatória uma reação que somente o desaparecimento do Grão-Mestre autoriza, porque até 1814 ele era eleito para toda a vida. É ali que vemos aparecer o Duque de Montmorency-Luxembourg. Anne-Charles-Sigismond de Montmorency, Marquês de Royan, Duque d’Olonne, de Chatillon-sur-Loing, Duque de Piney-Luxemburgo, primeiro barão cristão da França, Par do Reino, marechal de campo.

Ele nasceu em 1737 e por obrigação de nobreça começou em 1748, ele tem 11 anos, uma carreira militar como segundo tenente, que ele completará em 1780 aos 43 anos como marechal de campo. Se seus gostos pessoais não o levam para essa atividade ele sabe se adaptar. Seduzido pelo “Iluminismo” e pelos filósofos lhe é concedida pela Grande Loja da França as patentes necessárias para a constituição de uma loja em seu regimento de Hainaut, St. Jean de Montmorency-Luxembourg. Ele é iniciado em 12 de junho de 1762 e assume o controle dela. Ali ele passa a vida feliz das lojas de província, longe das Assembléias de Paris. Ele não tem outro título maçônico além de Mestre de Loja; mas não tem qualquer dificuldade em abordar o conde de Clermont, com quem compartilha a posição e as idéias políticas de oposição ao governo de Luís XV. A ambos querem mais rigor no recrutamento de irmãos.

A história imperfeita da fundação do Grande Oriente não poderia determinar seu grau de conivência com Clermont, em seu desejo de salvar a Grande Loja da anarquia. Clermont o tornou responsável por iniciar e formar Louis Philippe d’Orleans? Não se sabe. Ainda assim, ele foi eleito Administrador Especial em 24 de junho de 1771 e continuará, apesar de sua demissão recusada em 1784 e 1788 até à sua emigração em 15 de julho de 1789. Ele reconstrói, pessoalmente, sua loja de São João de Montmorency-Luxembourg com irmãos que em agosto de 1773, forneceriam a maioria dos grandes oficiais e oficiais honorários do Grande Oriente. Ele tem sua guarda reunida, ele pode então construir. Ele vai usá-los sem grande conflito com o futuro Grão-Mestre que mostra um desinteresse crescente pela Alta administração do G:. O:. .

Os primórdios da GODF

Após sua eleição, em 24 de junho de 1771, oito dias após a morte do conde de Clermont, o duque de Chartres mostra apenas um interesse cauteloso por seu mandato que, lembremos, nesta época era vitalício. A cerimônia de instalação está prevista para final de novembro daquele mesmo ano, mas o Duque assina a ata de aceitação somente em 05 de abril de 1772. Sua eleição só é confirmada por todos os membros das lojas de Paris e das províncias em 8 de março de 1773. O Duque é instalado em 22 de outubro.

Para ser justo é preciso dizer que estes atrasos não se devem apenas ao “temperamento errático e versátil” de Sua Alteza, porque assim como os outros príncipes de sangue, que se opuseram à “reforma” Maupeou, ele estava proibido de comparecer à corte e a proibição só seria levantada no final de dezembro de 1772.

Os estatutos tornam o cargo de Grão-Mestre um encargo mais honorário do que ativo. Tudo é feito em seu nome, ele preside as assembleias e nomeia os oficiais de honra. O poder efetivo é mantido pelo administrador, o Duque de Luxemburgo. E para os assuntos maçônicos, um secretário particular cujo trabalho mais difícil é obter e passar a palavra semestral reservada somente aos maçons regulares. Encontramos nesta posição os soldados vindos dos hussardos. Ele também tem suas lojas particulares, uma no Palais Royal, reduto dos Orleans. Ele funciona em 1772. Sua loja oficial é São João de Chartres, no oriente de Monceau, que entra em funcionamento em 20 de dezembro de 1773.

Criação de lojas de adoção.

Foi sob seu mandato que em 10 de junho de 1774, por proposta do Grande Orador, Irmão Bacon de la Chevalerie, o Grande Oriente decidiu “considerar” as mulheres ” que não eram admitidas na Maçonaria Regular. O professor de história Henry Felix Marcy explica que elas são agregadas a uma “maneira obliqua”, que permite não violar um dos princípios fundamentais de Anderson. Ele acrescenta: “As lojas de adoção do século XVIII são apenas grupos para maçônicos formados por irmãos regulares para satisfazer a curiosidade das mulheres, para silenciar as calúnias e dar às festas maçônicas, ao mesmo tempo em que uma sessão de bom tom imposta pela presença das senhoras, um recurso que não poderia ter em uma reunião puramente masculina. “Ele lhes impôs, então, regras e um ritual que nada tem a ver com a arte de um construtor. Os três graus são – Aprendiz, Companheira, Mestra – e as alegorias bíblicas sobre a maçã de Eva, Noé e sua arca, a Torre de Babel… são frequentadas principalmente pelas senhoras da alta nobreza que ali “fazem maçonaria”. A maçonaria de adoção desaparece com a Revolução para renascer timidamente com a imperatriz Josefina. O Duque de Chartres, sempre cercado por um bando de beldades não está imune a esta reforma. Sua própria esposa, Louise Marie Adelaide de Bourbon-Penthièvre é afiliada. Sua irmã, a duquesa de Bourbon foi proclamada Grã-Mestra das Lojas de Adoção em 1777 e em 1781 foi a vez da princesa de Lamballe, sua cunhada que experimentara um destino tão funesto.

Visita à província.

Em abril de 1776, ele visitou as províncias do sul acompanhado de sua esposa e de Madame Genlis. Nós temos os detalhes desta viagem nos Arquivos do G:. O:. da França de 1777 sob o título “Viagem do SGM às províncias do sul da França’.’ Em Bordeaux o Visconde de Noé, prefeito da cidade e maçom como quase todos os que contam na cidade recebe o príncipe. Ele é apoiado pelas duas lojas do Grande Oriente de Bordeaux, Amizade da qual é membro e a Francesa. Estas duas lojas se entendem apenas moderadamente e sobretudo ignoram a Inglesa. Em uma correspondência do venerável da Francesa responde a Paris: “Quanto ao que vocês escrevem sobre uma loja sob o título distintivo de A Inglesa, tudo o que podemos vos responder até o momento é que o Grande Oriente conhece e confraterniza somente com as duas lojas que lhe são reunidas por meio de constituições ou de agregação. Ele criou uma comissão para lidar com esse assunto com os Grandes Orientes estrangeiros. ». A visita se desenrola com alegria, as festas se sucedem. Durante o banquete de um beneditino mundano, Dom Galleas membro da loja A Francesa lê uma ode de sua autoria. Ela não termina diante da hilaridade dos convidados e, ofendido, retira-se. Em 13 de maio, o Duque de Chartres assenta a pedra fundamental do novo Teatro está sendo construído por Victor Louis, um membro da loja A Francesa. O príncipe continua sua inspeção. A Obediência lhe agradece por esta viagem, verdadeira promoção da Arte Real no sul da França.

O momento do divórcio.

Ele se afasta gradualmente da maçonaria, embora participasse ocasionalmente de outras de suas cerimônias. A partir de 1787, a política acelera este movimento, mas os irmãos mantiveram seu apego a ele, reagindo às suas tomadas de posições de acordo com seus próprios ideais e suas próprias consciências.

Não podendo ignorar o artigo de 23 de fevereiro, o Grande Oriente reage em 13 de maio de 1793 em assembleia extraordinária que decide aceitar a renúncia do Grão-Mestre e de suspender sua substituição “até que tenhamos examinado se convém diante das circunstâncias conservar esta dignidade e sua inamovibilidade.”

O papel essencial de Roettiers de Montaleau

O tempo é mais de especulação sobre a fraternidade, a liberdade, a igualdade. Entramos na fase de Terror absoluto onde o filho denuncia o pai, onde o irmão acusa o irmão.

As lojas desaparecem ou adormecem. Algumas sobrevivem graças a irmãos excepcionais como Alexandre-Louis Roettiers de Montaleau que preserva e mantém os registros do Grande Oriente. Ele não aceita o título de Grande Mestre que lhe é oferecido em pleno terror e assume o cargo de Grão-Venerável da Maçonaria Francesa. Em 1799 ele é eleito Presidente da Câmara de Administração. Em 1804, o novo Grão-Mestre, Joseph Bonaparte o nomeou seu Principal Representante particular. Ele permaneceu ali até sua morte, em 30 de janeiro de 1808. Seu funeral religioso teve lugar em Saint-Sulpice e as lojas multiplicam as cerimônias fúnebres em sua honra. Ligou conclui: “A dívida dos maçons para com ele após 1793 não pode ser comparada à dos maçons de 1773 em relação a Montmorency-Luxembourg. ».

Dupla marca histórica.

O essencial do que resta no século XXI do balanço da história da Maçonaria em suas primeiras décadas na França antes da revolução podem ser resumidas a duas conclusões.

– Os maçons são legalistas e respeitosos da religião instituída.

“Que a Maçonaria, na véspera da Revolução era decididamente apolítica e plenamente respeitadora da religião estabelecida transparece com perfeita evidência dos documentos de autoria dos dignitários, seja d Grande Oriente ou da Grande Loja chamada de Clermont, ou mesmo a Loja-Mãe Escocesa do Contrato Social. »

– Os maçons assumiram o direito de associação.

“Uma das características marcantes da história da ordem sob o Antigo Regime, é de ter feito triunfar de fato o direito de se associar livremente sem a permissão do rei, nem da Igreja. »

Pierre Menvielle Tichadel. Bordeaux, 2010.  http://bit.ly/Lqd3Qq

Publicado on maio 23, 2012 at 11:40 am  Deixe um comentário  

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