Grande Oriente Lusitano – Rompimento com a Grande Loja da Irlanda (1892)

Tradução José Filardo

Narramos em “Quando o GODF abandona a questão do Gadu”  o episódio do descarte do gadu.  Agora, lendo o AQC  encontramos esse texto:

 

“A atenção já foi chamada para a nova Grande Loja de Portugal nestas páginas (AQC Vol. VII, p.209). A Grande Loja solicitou reconhecimento às Grandes Lojas da Alemanha e apoiou sua petição com uma carta circular datada de 15 de Novembro de 1894, da qual condensamos os seguintes detalhes.

O Grande Oriente Lusitano foi formado em 30 de Outubro de 1869, por meio da fusão dos rivais Grande Oriente de Portugal e Grande Oriente de Lusitânia. Naquela época existiam em Lisboa quatro Lojas sob a Grande Loja da Irlanda, ou seja Nos. 338, 339, 341 e 344, que formavam a Grande Loja Provincial e eram os únicos corpos maçônicos em Portugal naquela época reconhecidos por Grandes Lojas estrangeiras. Em 1872. O Grande Oriente Lusitano Unido emitiu um manifesto em que solenemente assumiu em nome da Maçonaria Portuguesa abandonar a discussão de questões políticas em que ela tinha se envolvido em anos anteriores. Dessa forma, a Grande Loja da Irlanda reconheceu o Grande Oriente Unido e aconselhou suas quatro lojas de Lisboa a se filiar ao referido Grande Oriente e, dessa forma, acabar com as divisões na Maçonaria Portuguesa.  Sob estas circunstâncias, as quatro Lojas abandonaram o título de Grande Loja Provincial e fundiram-se em uma única Loja a que deram o nome de Regeneração Irlandesa. Uma tratado foi então celebrado entre o Grande Oriente Unido e a Loja Regeneração   Irlandesa, onde a cláusula 13 era a seguinte: – “Caso, a qualquer tempo, o Grande Oriente Unido se afaste dos princípios fundamentais da Maçonaria, a Loja Regeneração se retirará, com tudo o que lhe pertence, de sua jurisdição.” Este tratado foi assinado em Março de 1872 e igualmente ao manifesto já mencionado, publicado no mesmo ano no Boletim Oficial do Grande Oriente Lusitano Unido.

Mas, sob a data de 2 de Novembro de 1892, o então Grão Mestre do Grande Oriente Lusitano Unido, Irmão Visconde de Ouguella publicou o seguinte decreto:

“Nós, Visconde de Ouguella, Grão-Mestre, etc. Chefe da Maçonaria em Portugal, declaramos por meio deste que o Conselho da Ordem tendo representado a nós as dificuldades que experimenta na interpretação da parte final da primeira cláusula do Artigo 2 da constituição, e em conformidade com o referido conselho,

Decretamos o que segue:

Art. I – A última parte da primeira cláusula do Artigo 2 da Constituição que reza “Portanto, toda discussão sobre política e religião é proibida em nossas assembleias” será eliminada, por ser condicionada por uma regra que não e encontrada no Artigo I da referida Constituição.

Art. II – Uma cópia do decreto será comunicada imediatamente pelo Secretário Geral da Ordem a cada Loja sob sua jurisdição para imediata execução.

Dado e traçado no Conselho do Grão Mestrado

neste 2 de Novembro de 1892

O Grão Mestre (assinado) Visconde de Ouguella

Pelo Presidente do Conselho da ordem

(assinado) A. Resenando Marques

O Secretário Geral da Ordem

(assinado) André Joaquim de Bastos

Além disso, a Loja Regeneração, como as outras lojas, recebeu em 5 de Novembro de 1892 um comunicado do Secretário Geral aludindo à eliminação da cláusula em questão, em que o Grão Mestre “seguindo o conselho de todos os Veneráveis Mestres, convida à discussão dos seguintes temas em Loja, pois em consequência de sua importante natureza, eles são de grande importância para a vida econômica, social e política de nosso país”.  Os assuntos que se seguiam eram diversos e é impossível negar sua natureza política: por exemplo – Franquia Universal – Independência Comunal – Supressão de Títulos Nobiliárquicos e Feudais e sua substituição por títulos honorários cívicos – Reforma da Lei das Hipotecas – Substituição do sistema prisional por um sistema de colônias penais agrícolas, etc.  A carta conclui com “Toda loja nomeará um Relator que ao final do debate comunicará ao Conselho da Ordem a resolução adotada, e quaisquer outros pontos dignos de atenção, de modo que o sentimento e convicção de Fraternidade Maçônica possam ser conhecidos.”

A Loja Regeneração achou que dessa forma, a cláusula 13 do tratado de aliança fora quebrada pelo Grande Oriente Lusitano Unido; chamou a atenção do Grande Oriente para isso em uma carta datada de 29 de Dezembro de 1892 e acrescentou que a Loja tinha, em sua sessão do dia anterior, decidido romper suas relações com o Grande Oriente e retirar-se de sua jurisdição, de acordo com as estipulações do referido tratado. Ela constituiu-se como Grande Loja independente, recuperou para sua jurisdição a Loja Obreiros do Trabalho de Lisboa, fundou novas lojas e forneceu-lhes cartas constitutivas. O restante pode ser encontrado na página 209 de nosso volume VII.  – G. W. Speth.

(publicado em AQC – Vol 8 – p.24)

Publicado on dezembro 27, 2012 at 10:28 am  Comments (3)  

The URI to TrackBack this entry is: https://bibliot3ca.wordpress.com/grande-oriente-lusitando-rompimento-com-a-grande-loja-da-irlanda-1892/trackback/

RSS feed for comments on this post.

3 ComentáriosDeixe um comentário

    • O título do texto é “Os franceses descartaram o gadu, os portugueses descartaram a proibição de discussão política… progressos na Ordem”, no entanto nada se fala sobre os franceses terem descartado do Gadu…


Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: