Família social ou família totalitária?

Tradução José Filardo

por Didier Vernet

Totalitarismo, não é privar uma criança de suas origens e seu direito de saber de onde vem a confiá-la a um pai A e mãe B. Totalitarismo, é chamar isso de progresso.

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A família tradicional e natural é um lugar de educação e autoridade, o último bastião capaz de opor uma resistência politicamente correta que formate lentamente nossos cérebros. Ela tornou-se o inimigo prioritário do governo, muito antes do desemprego, da recessão, dos déficits ou da insegurança. Nunca a Assembleia conheceu tanta agitação do que quando foi necessário impor o casamento homossexual.

Há alguns anos, sob a inspiração dos maçons, o Partido Socialista decidiu que era preciso ‘mudar de civilização’ e a família ‘social’ devia substituir a família «natural» Para isso, não é necessário, obviamente, a opinião do povo.  A Maçonaria nada tem de secular ou democrático, é uma religião discreta, mas uma religião como as outras, com seus sacerdotes, seus ritos e seus dogmas. Dogma é o que não é discutido.  O mais antigo dogma maçônico é que é preciso erradicar a herança judaico-cristã. Eles erradicam.

Um estado não é um filósofo, ele não defende a liberdade do indivíduo, ele quer sua obediência.  Assim, tudo é feito para que a informação se transforme em formação, para que o indivíduo se assemelhe, ou seja assimilado por um grupo, para que a consciência individual se torne consciência coletiva. Quando se fala de adicionar cursos de moral ‘seculares’ à escola, trata-se de ensinar as crianças como elas devem pensar para que seu pensamento não seja delinquente. O ministro Peillon não resolve os problemas de ortografia (escrita correta), mas de ortodoxia (pensamento correto). Conhecer as palavras, é saber pensar e saber pensar, é pensar livremente. É suspeito.  Da mesma forma, o ministro Valls não quer resolver os problemas da delinquência (ataques a trens), ele quer resolver os problemas do pensamento delinquente (ocupação de canteiro de obra de mesquita).

Por definição, ‘família’ e ‘sociedade’ se opõem. A família ‘social’ é uma invenção linguística, a única coisa que foi capaz de produzir o socialismo (um socialista não produz, ele desconstrói). Do mesmo tipo que “casamento para todos. Orwell chama a isso Novilíngua (newspeak). Palavras que não querem dizer a realidade, mas para ofuscar a realidade. A palavra da moda “enfumaçar” é perfeita para caracterizar quase todos os discursos de François Hollande e de seus Ministros: quando o desemprego aumenta, quando os déficits aumentam, quando a violência aumenta, eles nos explicam que está melhor.

A família ‘social’ é uma família gerenciada pelo Estado: é o estado que forma os casais, institui a paternidade, decide quem ele vai confiar esta ou aquela criança adoptada ou possivelmente fabricada em tubo de ensaio e barriga de aluguel, etc. A filiação torna-se administrativa e ideológica: a criança não nasce mais de pais biológicos (parere, parir) mas de progenitores autorizados pelo estado com a ajuda de intermediários autorizados pelo Estado. O estado é o verdadeiro pai.  O livreto de família não transcrito mais as origens, ele as substitui: a realidade é apagada, a ficção se torna realidade, estamos bem no mundo de Orwell. O poder da vida e da morte total do Estado: não é coincidência, se uma das primeiras leis aprovada pelo Senado foi para autorizar a pesquisa em embriões e que a próxima no catálogo dos saldos da herança cristã será a eutanásia. Nascimentos sob controle, sindicatos sob controle, mortos sob controle.

O estado socialista, que não é mais nacional a muito tempo, na melhor das hipóteses europeu, mas mais provavelmente internacionalista e não e, evidentemente, nem republicano – reler os artigos 2 e  da nossa Constituição – nem democrático. Nenhum socialista afirma hoje que o povo é soberano e não pedirá sua opinião para legalizar o casamento homossexual. A Constituição é substituída por um programa socialista de 60 pontos que seria legitimado por eleições presidenciais: procurar-se á em vão na constituição esta nova forma de funcionamento da República. Lembremo-nos que o povo elegeu para presidente um cidadão entre outros e que tem apenas uma única função: garantir justamente que ninguém a não ser o povo – nem mesmo um programa – se aproprie da soberania nacional.

Vontade de poder do estado socialista, totalizante e portanto totalitário. Nós preferimos uma boa e velha ditadura. Em uma ditadura, não há mais liberdade na esfera pública. No totalitarismo, não ha mais liberdade na esfera privada, porque não há mais esfera privada. O déspota, já não é um tirano que possa ser assassinato, é uma ideologia que penetra nas casas. Não se trata de reinar sobre os súditos,  mas sobre os cérebros. A ditadura suprime os indivíduos, o totalitarismo suprime a individualidade.

O totalitarismo, não é privar uma criança de suas origens e seu direito de saber de onde vem a confiá-la a um pai A e mãe B. O totalitarismo, é chamar isso de progresso.

A ditadura suprime os revolucionários, o totalitarismo suprime o espírito de revolta.

http://www.agoravox.fr/actualites/societe/article/famille-sociale-ou-famille-131008

 

Publicado on fevereiro 19, 2013 at 10:55 am  Comments (1)  

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