Expansão da Maçonaria – Países Baixos e Bélgica

Tradução José Filardo

Anterior à criação dos reinos dos Países Baixos e da Bélgica, a gênese da maçonaria é associada ali à luta pela independência conduzida pelos príncipes de Orange-Nassau. É assim que os maçons, sob a dominação austríaca, eram suspeitos de “orangismo”…

Gand, Tournai, Mons, Luxemburgo, Bruxelas… Nesta segunda metade do século XVIII, Charles Nicolas d’Oultremont, príncipe-bispo de Liège coloca seus rebanhos em guarda contra o “contágio maçônico”. A reunião de indivíduos que se opõem a tudo, nascimento e religião lhe parece suspeita. E por medida de precaução, o prelado impede esta sociedade no principado. Joseph II da Áustria, imperador romano germânico, compartilha sua prevenção e publica um edito visando interromper a proliferação de lojas em seus “países baixos”. A partir de 1772, ao contrário, sob o episcopado de François Charles de Velbrück, a garra se solta. Sua Alteza Reverendíssima, o novo príncipe-bispo iniciado na loja Perfeita Inteligência compartilha das visões esclarecidas de seus Irmãos…

No congresso de Viena, em 1815, as antigas Províncias Unidas obtêm a criação do reino dos Países Baixos, anexando os Países Baixos espanhóis, e depois os austríacos. Os maçons dessas regiões, “orangistas” teriam trabalhado ardentemente para este resultado. Guilherme de Nassau, príncipe de Orange, torna-se soberano do novo Estado, que se compõe do principado de Liège e das províncias belgas católicas ao sul, e das Províncias Unidas, de maioria protestante ao norte. O rei Guilherme I não pertence à maçonaria. Seu segundo filhos, o príncipe Frederico, por outro lado, é iniciado pela loja dos Três Globos em Berlim. E este se torna, em 13 de Outubro de 1817, o primeiro Sereníssimo Grão Mestre do Grande Oriente dos Países Baixos.

Seu irmão mais velho é o príncipe herdeiro – futuro rei Guilherme II dos Países Baixos, iniciado em maio do mesmo ano na loja Esperança de Bruxelas – declina o cargo de grão-mestre para as províncias belgas. As 28 lojas – 14 ao norte e 14 ao sul – vão coexistir sem efetivamente colaborar. O príncipe Frederico tenta reformar sua organização e decide por medida de equidade, que as reuniões serão realizadas alternativamente em La Haye e em Bruxelas. Mas ele enfrenta oposição cerrada e a revolução belga de 1830 coloca um fim às negociações. Finalmente, os irmãos do Norte e do Sul não se reencontrarão jamais!

Em Bruxelas, onde o Congresso proclama a independência, o princípio de uma monarquia constitucional é adotado. Seus representantes eleitos oferecem a coroa a um príncipe quarentão, luterano e maçom, Léopold de Saxe-Cobourt-Gotha. Filho mais novo do duque soberano de Saxe-Cobourg, um pequeno principado do centro da Alemanha, Leopoldo é iniciado na Maçonaria pela loja Esperança de Berna, na Suíça, com a idade de 23 anos. Casado em 1816 com a princesa Carlota da Grã-Bretanha, herdeira do futuro rei William IV do Reino Unido, ele enviúva um ano mais tarde, e entra então para a Grande Loja Unida da Inglaterra. Quando se torna rei dos Belgas em 1831, depois de ter recusado a coroa da Grécia, o Grande Oriente do reino da Bélgica se coloca naturalmente sob sua proteção.

Em 1832, a fim de assegurar o futuro da nova dinastia, o rei dos Belgas coloca termo à sua interminável viuvez e se casa com a princesa Louise d’Orleans, filha mais velha do rei dos Franceses, Louis Philippe I. O casal tem quatro filhos, dois quais dois sobrevivem e que, alunos na fé católica, não compartilharão as convicções maçônicas de seu pai. Leopold I, entretanto, tomará sempre “uma parte ativa em todas as atividades da Ordem”, recusando completamente o cargo de Grão Mestre assumido por seu amigo e conselheiro próximo, o barão Goswin de Stassart. E a morte de Leopoldo I, em dezembro de 1865 deixará os irmãos profundamente desamparados, como testemunha sua homenagem:

“A maçonaria acaba de sofrer uma perda cruel com a morte de um de seus mais ilustres membros, que chamado ao trono pelo sufrágio livre e esclarecido do povo belga, jamais abjurou de seu título de maçom, mas, ao contrário, estendeu sobre nós sua poderosa proteção. Perdemos um Irmão eminente que fiel a seus votos durante um reinado de trinta anos praticou com amor e sinceridade estes grandes princípios da humanidade que constituem a base de nossa Ordem, este que sobre adquirir a estima e a afeição de seus irmãos, a veneração do povo belga, e o respeito e admiração de seus contemporâneos. Leopold, rei dos Belgas que adquiriu o grau de cavaleiro do grau 30, morreu com a calma e a serenidade de um homem justo, e o estoicismo de um verdadeiro maçom. Nosso nobre Irmão nos deixou um nobre exemplo a seguir.”

Durante este tempo, nos Países Baixos, o príncipe Frederico prossegue com seu magistério e trabalha pela prosperidade do Grande Oriente Nacional. Ele lhe oferece 9000 florins por seu jubileu de prata em 1841. A biblioteca do doutor Georg Kloss, a maior coleção maçônica da época é incorporada aos arquivos da Ordem por ocasião de seu jubileu de Ouro em 1866. E Frederico prepara um sucessor de sangue real, no ano de seu jubileu de diamante. Em 26 de julho de 1876, seu sobrinho, o príncipe Alexandre, filho do rei Guilherme III é iniciado na loja da União real de La Haye. Três anos mais tarde, Alexandre se torna príncipe d’Orange, herdeiro da coroa e o Grande Oriente funda, em sua honra, um orfanato e uma instituição para cegos.

Quando o príncipe Frederico morre em 1881, seu sobrinho assume o cargo de grão-mestre. Mas, três anos mais tarde, o príncipe morre prematuramente, ainda solteiro, de uma febre tifoide. Com ele desaparecem as esperanças de perenidade em linha masculina da linhagem de Orange, assim como da tradição maçônica dos grão-mestres reais…

 Por Gabriel de Pencenade – Revista Histoire – Abril 2012 – www.journaux.fr
Publicado on maio 7, 2012 at 4:08 pm  Deixe um comentário  

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