Droit Humain: uma história corsa bem sombria

Tradução José Filardo

20/6/ 2012

François Koch 

A primeira obediência mista o Droit Humain realmente não tinha o hábito de fazer falar de si para assuntos internos sulfúreos. Trata-se, portanto, de uma exceção entre as exceções. Esta é a história da loja Archipé d’Ajaccio. De tranquila ela se tornou explosiva? Um verdadeiro imbróglio foi iniciado em torno da irmã Marie-Paule Mancini-Neri, hoje diretora da Associação l’Europe en Corse.

Marie-Paule Mancini-Neri tinha, com seu marido, Michel Mancini, um escritório de oficiais de Justiça em Ajaccio que ao final da década de 90, enfrentava dificuldades, principalmente junto à Urssaf (União para a Recuperação de Seguridade Social e Benefícios Familiares). Uma investigação judicial foi aberta em 2000. Ela duraria oito anos.

Em 28 de novembro de 2008, o Tribunal Correcional de Ajaccio condena cada um dos cônjuges a dois anos de prisão, 30000 € de multa e cinco anos de privação de direitos civis. Para não mencionar 77 000 € a serem pagos à Urssaf. “Um erro de cálculo obscuro,” comenta o interessado que informa não ter pago ao final coisa alguma.

4 anos de prisão suspensa e € 100.000 de multa

Em 17 de fevereiro de 2010, o Tribunal de Recurso de Bastia os condena a 4 anos de prisão suspensa e €100.000 de multa cada uma por “quebra de confiança por funcionário público ou ministerial devido à sua qualidade ou sua função, contrafacção ou falsificação de cheques, uso de cheques falsificados ou forjados“. Decisão final.

Finalmente, em 9 de julho de 2010, a pedido do procurador, o TGI de Ajaccio “decreta a remoção da qualidade de meirinho de Michel Mancini e de Marie-Paul Neri, esposa de Mancini, os proíbe de se valer no futuro da qualidade de oficial de justiça e ordena a execução provisória da presente decisão.”  “Remoção que parece teórica, uma vez que o interessado afirma ter deixado a profissão de oficial de justiça desde 2000. E que uma decisão publicada em 2004 indica sua retirada do escritório de oficiais de Justiça, posteriormente dissolvida.

Normalmente, quando um maçom é processado e mais ainda condenado pela Justiça leiga, ele se retira ou é suspenso da obediência afim de não lhe causar problemas. Mas, eis que, todas as informações sobre a irmã Mancini-Neri permaneceram confinadas à loja Archipé, sem que qualquer autoridade Maçônica tenha sido informada. E tudo estaria ainda no mesmo estado, se um aprendiz da loja não tivesse decidido colocar um grão de areia nesta mecânica discreta.

Um aprendiz informou os líderes nacionais

Em 9 de outubro de 2011, este Aprendiz escreveu à futura Venerável da loja Archipé, Marie-Paule Teillaud-Muraccioli futuro informá-la que ele “reservava-se o direito de informar as instâncias superiores, antes de se desligar.” O aviso não teve qualquer efeito. A irmã 2o Vigilante Mancini-Neri, iniciada vinte e seis anos atrás, sabia que podia contar com “o afeto, amizade e apoio infalíveis de um certo número de pessoas, incluindo membros da Archipé e de outras oficinas“. Ela escreveu isso em 20 de outubro de 2011 em um comunicado interno à loja.

Aviso sem efeito, porque o aprendiz alertou as autoridades maçônicas nacionais. É oficial em 9 de novembro de 2011, data em que o conselheiro nacional da 12a. região Monique Grandjean informou a Venerável da Archipé que as autoridades nacionais da Federação francesa do DH estavam ao corrente.

É ai que intervém o Grande Orador da FFDH, em nome do Conselho nacional. Michel Meley, cirurgião de 65 anos, é acostumado a gerenciar conflitos no seio da obediência. Geralmente, eles se acalmam, depois de ouvir as partes. Mas, ali ele depara com um osso duro de roer. “Eu entrei em contato direto com a irmã Mancini-Neri, em uma longa conversa telefônica.” Eu lhe propus demitir-se da obediência enquanto durasse sua sentença de quatro anos.  Ela respondeu-me que isso estava fora de questão, exceto se os irmãos e irmãs da Archipé o solicitassem.

Dois representantes do Conselho Nacional viajam para Ajaccio

Em 11 de Janeiro de 2012, Michel Meley e Monique Grandjean visitam, assim, a Loja Archipé, em Ajaccio, em nome do Conselho Nacional. “Nos nos reunimos com a irmã Mancini-Neri que nos acusou de nos deixarmos manipular por um delator.” Eles recebem cerca de vinte irmãos e irmãs da loja. Separadamente. E constatam que a irmã Mancini-Neri conta com o apoio de uma maioria dos membros da loja Archipé. Alguns até mesmo ameaçam deixar a loja se ela for punida. ” Eu finalmente lhe pedi se licenciar por um ano, conta Michel Meley.O que ela aceitou com grande dificuldade.

Esta versão é radicalmente contestada pela interessada. “Eu decidi entrar em licença contra a opinião de todos os outros membros da Loja, afirma Marie-Paule Mancini-Neri à L’Express . Ninguém me obrigou a entrar em licença.

No entanto, em uma carta ao Presidente da FFDH, Jacques Samouélian, a Venerável Maire-Paule Teillaud-Muraccioli informou que “conforme a decisão tomada pelos delegados do Conselho Nacional na quarta-feira, 11 de Janeiro de 2012, a Irmã Marie-Paule Mancini-Neri apresentou um pedido de licença da Respeitável Loja Archipé“. A colocação em licença de um ano foi votada em sessão solene em 10 de fevereiro de 2012.

Fechar o banco? De forma alguma. Porque apesar de colocada em licença, a irmã Mancini-Neri solicitou e obteve o direito de visitar a loja Archipé. Ela assiste, portanto, às sessóes, às comissões e às reuniões de trabalho. Em 5 de Junho de 2012, a Venerável Maria-Paule Tellaud-Muracciol informa Jacques Samouélian, aconselhando-lhe que os irmãos e irmãs estão preocupados com o novo comportamento da irmã Mancini-Neri, que se tornou um desafio, depois das sessões. Samouélian pede então, por escrito, à Venerável explicações sobre esta autorização de visitas. A própria interessada reconhece o caráter bastante simbólico de sua licença: “Ela não tem qualquer impacto.”Desde que ela permaneça em silêncio durante as sessões de que participa. Como uma aprendiz?

Qual é a moral?

O que me choca mais, é que fomos avisados em novembro de 2011 enquanto a condenação à prisão acontecera três anos antes! “É visível, este caso irrita o Presidente Samouélian de forma prodigiosa. O alto dignitário parece descobrir com horror que a famosa lei do silêncio da Córsega também existe em sua obediência.

A decisão em colocar em licença de um ano, com direito a visita silenciosa é adequada? Em todo caso ela não satisfaz realmente qualquer um. “Neste caso, não havia qualquer boa decisão a tomar, conclui Michel Meley. Um processos em Justiça Maçônica teria sido longo, pesado e gerador de efeitos colaterais.

Marie-Paul Mancini-Neri, que encontrei em 20 de Junho, durante uma hora inteira em l’Express, não acredita no que os dignitários nacionais do DH dizem: “Estou certa de que o Conselho Nacional sabia; havia um artigo no Le Monde.” Quando se faz uma busca de seu nome no Google, vem em segundo lugar um artigo no Corse-Matin e em sexta posição outro do Figaro, baseado em um despacho da Agência France Presse. Mas, os dignitários do DH procuram todos os membros da obediência no Google?

Por que me perseguir ? repete incansavelmente Marie-Paul Mancini-Neri.  Esta é uma história de loucos!

Publicado on junho 21, 2012 at 2:50 pm  Deixe um comentário  

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