O DNA da Maçonaria – Os Clubes Hell-Fire (fogo do inferno)

Duque de Wharton – o Primeiro Grão Mestre da Grande Loja de Londres de 1717

Philip, o duque de Wharton parece ter criado o primeiro Hell-Fire Club no início do século 18, quando ele não tinha mais que 23 anos de idade. Dizia-se que a selvageria do Duque “não conhecia limites.” Havia, aparentemente, três clubes Hell-Fire em Londres compostos por um total de 40 membros tanto homens quanto mulheres. Os clubes eram chamadas “Sociedades de blasfemos” cujos membros se dedicavam à profanação, imoralidade e libertinagem.
Parece que uma atividade favorita dos membros do Hell Fire era chegar a uma reunião vestidos como personagens bíblicos ou da Igreja e, em seguida, ridícularizar o cristianismo e as suas diversas doutrinas, em especial a da Trindade, já um tema controvertido na Igreja da Inglaterra. Como a maioria dos membros do Hell Fire eram destacados ingleses, está claro por que eles aviltavam o cristianismo somente em particular.
Outra atividade de alguns membros parece ter sido embebedar-se e depois passear pela cidade tarde da noite perturbando as pessoas em seu sono. É possível que os membros também se envolvessem em atividades sexuais, orgias, se não totalmente, porém, não há nenhuma documentação para comprovar essa afirmação.
Diz-se que o clube de Wharton, foi criado principalmente para chocar a sociedade londrina. Perturbar o status quo é algo que muitos de vinte e poucos anos, em qualquer época gostam de fazer. O presidente do Clube Hell-Fire de Wharton era apelidado como o próprio Satã, mas os membros do Hell Fire alegavam que era apenas uma piada e que eles não tinham intenções de atacar a religião organizada [Cristianismo].
Em 1721, após as “horríveis blasfêmias do Hell-Fire Club terem se tornado tão escandalosas, o rei George I falou contra os clubes. Ele disse que qualquer pessoa envolvida em clubes receberia suas “marcas de desagrado.”
Era um “segredo aberto” entre os membros do Parlamento que o decreto do rei era dirigido ao Duque de Wharton. Na verdade, o duque defendeu seu estilo de vida no Parlamento e até mesmo usou a Bíblia em defesa de sua própria “liberdade religiosa”. No entanto, a proclamação do rei pôs fim aos clubes de Wharton. O próprio Wharton foi expulso do Parlamento e se tornou maçom. Em meados do século, seu Hell-Fire Club foi ressuscitado.

Sir Francis Dashwood

A aristocracia inglesa durante o século 18 era conhecida por seus excessos e irreverência. Por volta de 1750, outro inglês proeminente chamado Sir Francis Dashwood reviveu o Hell-Fire Club em sua casa em Wycombe. Era chamado de “Irmandade de São Francisco de Wycombe.” “São Francisco” refere-se a Dashwood ao bom monge. Como veremos, Dashwood estava muito longe do que foi o venerável São Francisco.

Em Roma

Dashwood foi considerado por muitos de seus contemporâneos um homem de “mente depravada”. Ele desdenhava a Igreja, devido, como ele acreditava, às suas muitas hipocrisias. Em uma visita a Roma, Dashwood entrou na Capela Sistina, durante um culto na Sexta-Feira Santa. Em memória dos sofrimentos de Cristo, cada fiel trazia consigo um pequeno “flagelo” (chicote).
Quando as luzes foram diminuídas, os participantes desnudariam seus ombros e começariam a fingir se chicotear. Dashwood, no entanto, consciente da tradição, tinha trazido com ele um chicote de cocheiro. Quando o cerimonial do chicoteamento começou, Dashwood passou a chicotear os presentes. Dashwood fugiu junto com a multidão de autoridades papais em seu encalço. Ele teve de deixar Roma imediatamente.
Para sua “religião de blasfêmia” Dashwood escolheu a dedo doze colaboradores mais próximos de igual pensamento como seu círculo íntimo. Diz-se que Dashwood escolheu 12 homens para imolar Cristo e seus 12 discípulos. Os 13 formaram o primeiro clube,, mas a sua adesão aumentou significativamente além dos treze originais.
Monges de Medmenham
Em pouco tempo a “Irmandade” de Dashwood reuniu-se em uma antiga abadia, às margens do rio Tâmisa, em Buckinghamshire. Porque a abadia em si era chamada Medmenham eles se chamavam de “Os Monges de Medmenham”. Dashwood mandou decorar o interior da abadia com diversos símbolos pagãos de natureza sexual.
Uma adega na propriedade foi ampliada por escavação de uma série de túneis até a adega original. As cavernas também foram decoradas com símbolos fálicos e outros símbolos sexuais. Diz-se que sobre a entrada no “clube” havia uma placa com a inscrição Fays Ce Que Voudras (Faça o que tiver vontade).

Clube Hell-Fire

Qual era a finalidade do Hell-Fire Club? O objetivo era se envolver em atos Hedonisticos, tais como embriaguez, orgias sexuais, e, dizia-se, rituais satânicos, tais como a Missa Negra que eles realizavam sobre os corpos nus dos suas associadas do sexo feminino. Os membros masculinos vestiam-se em trajes de monge. As reuniões eram realizadas duas vezes por mês, com uma delas, dizia-se que teria uma semana inteira.

Dois membros estimados do círculo íntimo de Dashwood era John Wilkes, um membro radical do Parlamento e John Montagu, 4 º Conde de Sandwich, o “inventor” do sanduíche. Enquanto assistia a uma missa em Medmenham com Montagu e possivelmente Dashwood, Wilkes soltou um pequeno macaco. Escusado será dizer que o primata interrompeu o serviço e fez com que muitos membros da Igreja fugissem espavoridos. Diz-e que Montagu não sabia sobre o plano de Wilkes e que ficou tão assustado que, no início, ele acreditou que o próprio Diabo tinha aparecido. Rumores neste sentido espalharam-se pela cidade.
O Hell-Fire Club de Dashwood chegou ao fim por volta de 1765. Acredita-se que Benjamin Franklin compareceu a pelo menos uma das sessões do clube antes de seu falecimento. Dashwood morreu em 1781 aos 73 anos de idade. As adegas de Medmenham são, hoje, atrações turísticas.

Notas:
1. A natureza exata das atividades do clube não é conhecida. Os escritores contemporâneos não divulgaram detalhes.
2. Narrativas do episódio do macaco variam

Fontes:

David Weeks, Jamie James, Eccentrics: A Study of Sanity and Strangeness
George Lillie Craik, Charles MacFarlane, Charles Knight, Harriet Martineau The pictorial history of England Volume 4
Lewis Saul Benjamin, The life and writings of Philip, duke of Wharton
William Fraser Rae, Wilkes, Sheridan, Fox: the opposition under George the Third
Architectural and Archaeological Society for the County of Buckingham, Records of Buckinghamshire
Horace Walpole, Peter Cunningham, The letters of Horace Walpole: fourth earl of Oxford, Volume 1

Publicado on abril 28, 2011 at 11:22 am  Comments (5)  

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5 ComentáriosDeixe um comentário

  1. Muito bom conteúdo meu Ir.’.

  2. Um dia conheci um Maçon meu Amigo, Ele era Adevogado em Canoinhas Santa Catarina, fui convidado por ele para participar do Salão Maçon, ele faleceu e não consegui ser Maçom. moro na cidade de São francisco do Sul Santa Catarina. Meu nome é Clodoaldo.

    • Procure ficar em contato com maçons de sua cidade.

  3. Gostei muito. Gostaria de receber leituras sobre maçonaria para melhor conhece-la e evoluir.
    Agradeço.

    • As informações são disponibilizadas no site. Basta seguir o blogue via email e receberá informações toda vez que for atualizado.


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