Diferentes versões da Lenda dos “QUATUOR CORONATI”

Tradução José Filardo

Comunicação  do Ir. A. Woodford – AQC – Vol 1. p 59.

A Lenda dos Quatuor Coronati é muito interessante para os maçons porque na lenda, conforme o Manuscrito Arundel, — do qual transcrevemos as partes mais importantes, — os Quatuor eram originalmente quatro artesãos de nomes Cláudio, Castório, Sinfrônio e Nicostráto, “ mirificos in arte quadrataria” que embora seja traduzida a “arte de escultura,” é literalmente “a arte da quadratura da pedra”ou a arte de enquadrar pedras. Eles são chamados distintamente  “ artífices “, embora como a lenda nos mostra, juntam-se aos quatro artífices quatro milites; enquanto um Simplício, convertido ao cristianismo pelos quatro durante o andamento dos eventos narrados pela lenda, é adicionado para os pedreiros, perfazendo nove ao todo. Declara-se que eles eram  cristãos “occulte” secretamente. Diocleciano ordenou que uma imagem de Esculapius fosse feita e depois de um concurso e diálogo com “quinque philosophi” Sinfrônio, que parece ser o líder e porta-voz, acrescenta Simplício ao número, — agora cinco, — e recusa-se, em nome deles e com seu consentimento, a fazer a imagem. Eles são trazidos diante de Lampadius, o tribuno, que, após consultar Diocleciano, ordena que eles sejam despidos e açoitados com um látego chamado escorpião, “scorpionibus mactari” e, em seguida, por ordem de Diocleciano, eles foram colocados e, caixões de chumbo “loluli plumbei” e lançados no Tibre.

Diz-se que um certo Nicodemos içou os caixões e os levou para sua casa; levavit diz a lenda.

Dois anos mais tarde, Diocleciano ordenou que os soldados prestassem homenagem a uma estátua de Esculápio, mas quatro “Cornicularii” ou líderes de ala da milícia da cidade se recusaram. Eles foram condenado à morte em frente a imagem de Esculápio por golpes de Plumbata,uictu plumbatarum” e seus corpos lançados nas ruas para os cães, onde eles permaneceram por cinco dias.

Então, diz-se que Sebastianus, com o Papa Melchiades, pegaram os corpos e os enterraram no cemitério na estrada para Lavica. Pelo uso da palavra “Arenaria” é feita alusão aos bancos de areia  em que escravos e criminosos eram enterrados, mas nunca os cristãos. Mas, a fim de esconder as catacumbas de seus perseguidores, aberturas e entradas eram feitas e usadas na Arenaria para depositar os corpos dos mártires e similares nas catacumbas. Aqui eles parecem ter permanecido até o século IX.

Embora Melchiades tenha indicado o dia 08 de novembro, no século IV e é reconhecido como tal no Sacramental de Gregório 200 anos mais tarde, e o Papa Honório no século VII construiu uma igreja em especial homenagem a eles, não foi senão no século IX, aparentemente, que o Papa Leão trasladou as relíquias dos nove bravos para a Igreja restaurada e embelezada na colina Coelian, agora chamada Igreja do “Cuatro Santi Incoronati,” — Incoronati em italiano moderno sendo idêntico a Coronati em latim medieval e clássico.

Será visto que os nomes se tornaram confusos com o tempo , e várias denominações foram dadas aos quatro e aos cinco. Originalmente, a lenda dá Cláudio, Castório, Sinfrônio e Nicostráto, e   Simplício é adicionado a eles. Diz-se que os quatro restantes em um das primeiras lendas são Severo, Severiano, Carpóforo e Vitorino. Isso faz com que sejam nove ao todo — nove bravos, — em relação a quem não  há qualquer motivo para se negar, nenhuma objeção a priori à verdade perfeita da lenda. Está claro que ao longo do tempo, os fatos da história tornaram-se um pouco confusos e os nomes se misturaram, mas há sem dúvida desde muito cedo que os quatro ou cinco vêm sendo comemorados no mesmo dia. Em uma martirologia, 08 de novembro é assim comemorado: “Senas ornantes idus merito atque cruore, Glaudi, Castori, Simplicius, Simphoriani et Nichostrate pari fulgetis luce coronae”. Um escritor dos primeiros tempos os chama de fratres, mas se ele quer dizer fratres de sangue, de confissão, ou fratres collegii não parece claro.

Como é bem conhecido o Missal Sarum do século XI dá os nomes conforme aparece na Hagiologia Arundel, mas os nomes variam muito em diferentes lendas e livros de serviço. Algumas destas diferenças são, sem dúvida, erros de escribas e algumas atestam notavelmente a variabilidade e a incerteza da tradição. Por exemplo, encontramos Castulus, Semphorianus, Christorius, Significanus, Clemens e Cortianus, todos aplicados a alguns dos nove. Em alguns manuscritos,  encontram-se cinco, não quatro; em alguns,  os quatro são mencionados, não os cinco. Nada pode ser decidido a partir de tal mutabilidade da lenda, ou mesmo argumentado com segurança.

Em uma das Constituições dos Steinmetz eles sao simplesmente  descritos como Cláudio, Cristório e Significante, enquanto na bela iluminura do Missal Isabella somente quatro aparecem,— com os emblemas da Maçonaria um e todos, o Esquadro, o nível de chumbo, a trolha e o malhete, — embora cinco sejam mencionados na oração  comemorativa: Sinfrônio, Cláudio, Castório, Simplício e Nicostrato. Isto é explicado na lenda Arundel, pelo fato de que Simplício não era um dos quatro originais, mas sendo um companheiro-trabalhador e desejando secretamente tornar-se cristão, ele foi batizado por Quirillus, o bispo e então sofreu o martírio com os outros quatro.

Pode-se observar aqui, que a lenda é, em si, puramente italiana em seu início, embora ela tenha se espalhado provavelmente com as lojas maçônicas  pela Alemanha, Gália e Britânia.

Existem diversas velho Acta et Gesta Quatuor Coronatorum e vários lendas especiais, Martiriologias e Hagiologias dos Coronati, e o assunto ainda requer estudo e ilustração, pois sem dúvida  muitos manuscritos valiosos semelhante permanecem desconhecidos e não agrupadas na biblioteca do Vaticano e nas maiores bibliotecas e coleções privadas de Manuscritos. Para o Sr. J. 0.  Halliwell Philips, a maçonaria Inglesa deve sua introdução a esta antiga lenda  e valiosa ligação entre a Maçonaria do passado e a Maçonaria do presente, tal como consta do “Poema Maçônico”.

A lenda Arundel é tirada de um manuscrito excelente do século XII, encontrado no Museu Britânico. Sua referência adequada é Ar: MSS, 91, f 2186.  -Existe uma outra cópia da lenda no Museu Britânico, MSS. Harleian, 2802, f 99. Existe também uma pequena nota dos Quatuor Coronati no MS Regius., 8, c, 7 f 165, do século XIV.

No MS Harleian, 2082, Simphorianus é dado como Simphronius; no MSS Regius os nomes são iguais ao Arundel, mas em sequência diferente.

Em As Vidas dos Quatro Mártires Coroados de Alban Butler são nomeados Severo, Severiano, Carpóforo e Vitorino; e ele acrescenta, “cinco outros mártires, chamados Cláudio, Nicóstrato, Sinfrônio, Castório e Simplício, que tinham sofrido na perseguição a mesma perseguição estão enterrados no mesmo cemitério”.

Publicado on dezembro 29, 2012 at 1:05 pm  Comments (1)  

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