Desilusão com a Maçonaria

Tradução J.Filardo

Ir.’. Greg Stewart

O seguinte foi compartilhado comigo com muita apreensão e preocupação com sua reação. Ironicamente, ouvi as mesmas palavras de outros nos últimos meses, e ocorreu-me que elas não eram vozes isoladas ou meramente dissidentes clamando no deserto – em vez disso, elas eram um mal-estar real que está tomando aqueles anteriormente engajados. Desencanto, privação de direitos, desapontamento, não importa em que saco você coloca, estou ouvindo sobre esses sentimentos cada vez mais.

Sempre olhando para o lado bom, este seria um bom salto para longe do ponto, para explorar o sentimento à medida que prosseguimos na busca de suas raízes. Vocês compartilham essa mesma sensação?

 

Desilusão com a Maçonaria

(Anônimo)

 

Depois de servir à Fraternidade por mais de dez anos, parei de olhar para trás, para o quanto eu realizei e como a Maçonaria mudou. Eu já passei pelos cargos e servi fielmente a minha Loja, participando de várias festas de trabalho, angariações de fundos e outros eventos. Fui considerado eficiente no trabalho de grau e reconhecido por trabalho em Educação Maçônica. Também já participei de várias funções distritais e estaduais. Graças à Internet, correspondi-me com maçons de todo o mundo, ouvindo seus problemas, bem como os seus conselhos. Sempre que um irmão pediu ajuda, seja perto ou longe, eu ofereci uma mão amiga. Meu conhecimento e experiência maçônicos me levaram a uma posição em que eu era frequentemente consultado para aconselhamento e liderança. Ela também me levou à politicagem onde fui confrontado por aqueles ciumentos de minha notoriedade e que teimosamente minaram qualquer esforço para atualizar a Loja e a fraternidade. Eu agora olho para trás e pergunto: “Eu fiz alguma diferença? A fraternidade ou a Loja está melhor do que quando fui iniciado? ” Eu cheguei pouco a pouco à conclusão de que a resposta é “Não”

Penso que a razão para isso é porque eu sofria de uma falsa percepção do que fosse Maçonaria. Quando entrei na fraternidade, estava sob a impressão de que um verdadeiro Mason era um homem de caráter, integridade, honra, que possuía uma curiosidade intelectual sobre a vida, uma pessoa cuja palavra é sua obrigação. Em outras palavras, eu percebia os maçons como o alicerce da sociedade.

Infelizmente, não foi isso que eu descobri. Tenho viajado por ai um pouco e encontrado muitos maçons, a maioria dos quais não corresponde a este estereótipo. Na verdade, eu estimaria que menos de 1% do total de nossos membros pode ser caracterizada dessa forma. E aí é onde a bolha estourou para mim.

Com exceção daqueles Irmãos tentando estabelecer lojas da Observância tradicional (TO), eu percebi que a grande maioria dos maçons não são pessoas sérias. Eles estão mais preocupados em trocar tapas nas costas, ao invés de fazer alguma coisa de substância. Um monte de maçons arranhará e brigará apenas para obter seu próximo avental ou título. Eu tendo a acreditar que isso ocorre porque eles nunca fizeram nada digno de nota em suas carreiras profissionais e almejam atenção. Em outras palavras, eles estão tentando construir a sua autoestima à custa de suas Lojas, uma espécie de fenômeno “Enquanto Nero tocava violino, Roma ardia” . Eu acho que é por isso que eu acho divertido ouvir teóricos da conspiração tentando alertar o público sobre como a Maçonaria está tentando dominar o mundo. Engraçado demais.

A fraternidade está morrendo e ninguém está fazendo coisa alguma sobre isso, e muito menos em nível de Grande Loja. A Maçonaria é uma instituição que teimosamente se apega ao passado e resiste a qualquer tentativa de mudança e modernização. Ele está se deteriorando diante dos nossos olhos.

A desilusão vem quando as expectativas não são atendidas, quando as crenças não se realizam. A desilusão leva à frustração que muitas vezes leva à ira. Em algum momento, porém, você tem que lidar com isso. A meu ver, há apenas algumas opções disponíveis:

  1. Ficar e aceitar passivamente o status quo – representando a rendição total.
  2. Ficar e continuar a tentar mudar o sistema internamente – impossível devido ao estrangulamento político que as Grandes Lojas detêm sobre a fraternidade.
  3. Tirar uma licença – em que os problemas ainda estarão esperando por você quando você voltar.
  4. Demitir-se e começar um novo tipo de Maçonaria – que é muito tentador, mas difícil de fazer em larga escala.
  5. Renunciar, lamber suas feridas e seguir em frente com sua vida.

Esta última opção, infelizmente, é o que muitos homens optam por fazer, ao invés de lutar contra os poderes constituídos.

Consideremos, por exemplo, o declínio em queda livre no número de membros da Ordem. Além da morte e transferências, pense sobre aqueles membros suspensos por falta de pagamento das taxas que, em algumas grandes jurisdições estão aumentando. Não se pode deixar de perguntar por que isso está ocorrendo. Por causa da economia? Talvez. É mais provável que eles não estejam recebendo nada de significativo da Maçonaria. Mesmo quando Grãos Mestres oferecem programas de anistia para incentivar os membros a retornar ao rebanho, muito poucos o fazem.

Aqueles homens que normalmente assumiriam um papel ativo na Maçonaria estão sendo afastados em massa devido à complacência, apatia e política, três palavras feias que infelizmente caracterizam a Maçonaria atual e provocam a desilusão.

Maçonaria tornou-se mais uma filantropia que uma fraternidade, um teatro político em oposição a uma verdadeira fraternidade. É triste ver uma instituição, que já foi nobre desmoronar diante de nossos olhos em uma instituição irrelevante.

O que você acha?

 

 

Publicado originalmente aqui.

 

Publicado on julho 15, 2015 at 5:26 pm  Comments (6)  

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6 ComentáriosDeixe um comentário

  1. TENHO ACOMPANHADO O CAMINHAR DA MAÇONARIA EM DIVERSOS ESTADOS BRASILEIROS ATRAVÉS DE ARTIGOS E NOTÍCIAS.

    SEI QUE EM TOCANTINS A SITUAÇÃO TEM SIDO MAIS GRAVE DO QUE NA BAHIA, MOTIVO PELO QUAL NÃO DESISTO DE LUTAR PELA DEFESA DA ORDEM, RESISTINDO ÀS ILEGALIDADES E COMBATENDO AS INJUSTIÇAS, PARA, EFETIVAMENTE, NÃO DEIXAR A MAÇONARIA DESMORONAR.

    AINDA ACREDITO NELA. TANTO QUE, JUNTAMENTE COM IIR QUE PREZAM PELA RETIDÃO DE CARATER, PARTICIPO DE UMA COMISSÃO, RECENTEMENTE FORMADA, DENOMINADA “MORALIDADE E RESISTÊNCIA”, CUJO BLOG RECOMENDO AOS IIR.’.:
    moralidadeeresistencia.blogspot.com.br

    TFA

    IR.’. ZÉU BARBOSA

  2. O trabalho disponível no endereço eletrônico: está disponível trabalho que o Irmão anônimo deveria ler e que Bibliot3ca está autorizada a publicar se entender conveniente. Na apresentação consta:
    “O resgate da missão permanente da Maçonaria a qualifica como instituição a serviço da humanidade e a inscreve como representante atual de uma tradição milenar de Escolas de Mistério. A Maçonaria do século XXI está sendo beneficiada por conquistas culturais que lhe facultam levar a cabo o sonho acalentado pelos grandes iniciados de todos os tempos: disponibilizar um método racional capaz de libertar a mente humana da caverna platônica das ilusões. Obtém-se esse resultado, articulando as “doutrinas não escritas” de Platão, as conquistas culturais da modernidade e o saber esotérico cultivado na Maçonaria. Aqui, tentamos justificar essa tese.”
    O título é A Missão permanente da Maçonaria – Um sacerdócio maçônico.

  3. Caro Ir.’. Filardo.

    Acompanho teu trabalho neste blog, de pouco tempo. Entretanto percebo a mais elevada intenção, nos textos desta biblioteca. Haja visto o que me trás comentar, sobre o texto intitulado “Desilusão com a Maçonaria”, e que independente deste ser um blog Maçônico é aberto aos simpatizantes, não necessariamente obreiros. Desta forma, este assunto nada simpático mas verdadeiro ao Maçon., traz a observância real do que vivem as L.’. M.’. quanto ao Quadro de Obreiros regulares.
    A menos de um mês, fiz apresentação de um T.’. em L.’. que tratava exatamente esta situação, considerando que em novembro de 2014, recebi um e-mail, que me foi repassado pelo V.’.M.’. de nossa L.’.M.’. cujo texto era proveniente do GOB, e questionava este assunto de caráter Nacional .
    Não fui bem sucedido quando opinei, sob ponto de vista pessoal, que a Maçonaria desvirtuou-se dos propósitos mais elevados quando da sua constituição, perdendo sua condição e atuação “secreta” para a condição “discreta” e hoje atuando como “escandalosa”. Mesmo que feita sem espalhafatos, mas permitindo demonstrações exageradas em protestos pelas Ruas, ostentando em nome da Fraternidade, opiniões alheias aos propósitos da Ordem e seus princípios, assim como inobservada pelos seus Obreiros, quanto ao caráter que norteia os princípios Maçônicos.
    Não resta a menor dúvida que a Maçonaria tem de evoluir. Ajustar-se na atualidade, mas sem perder as suas raízes, seus propósitos, isto é o relevante. É necessário se ter a consciência que a “Verdade” é conduzida por três caminhos paralelos e concomitantes, sejam estes o Caminho da Consciência, o da Natureza e o do Conhecimento. Todos interligados e consequentes queiramos ou não. Vivemos em teia!
    Os propósitos Maçônicos, conta a história, surgiram como única oportunidade, da época, para fazer a “cunha” entre a política e a religião ambas, dominadas pelas Realezas e a Igreja Católica, respectivamente.
    As associações formadas pelas profissões e os profissionais daquela época Medieval, denominadas “Guildas” e “Hansas”, organizavam o povo com suas profissões e permitiu o uma nova classe social reconhecida como Burguesia, que tornou-se influente para o surgimento da era “industrial”.
    Abruptamente, em pouco tempo, uma explosão de transformações sociais, e por decorrência, oportunizaram a ampliação do conhecimento, através da alfabetização, popularizando informações antes mantidas pelas classes dominantes. Abriu-se um leque de informações, conhecimentos, ampliando o grau cultural, despertando o racional em artes e filosofias.
    Surgia a filosofia “Humanista” distanciando os humanos das dependências Divinas.
    O Homem, passou a assumir-se como responsável pelo seu destino, usufruindo conscientemente do seu livre arbítrio.
    A Maçonaria, organizada nesta época, mantida de suas raízes firmadas nos meios sociais/religiosos daquela contemporaneidade, abria as portas das oportunidades para as múltiplas segmentações racionais dos humanos pensantes e já manifestava contestações, quando tal prova nos deixou Friedrich Ludwig Schroder, mentor do Rito Schroder, no qual fui iniciado e sou praticante. Um Rito mais simples, mais implícito, surgido como contestatório aos demais.
    Nas últimas décadas do Século XIX, surge o estudo sobre a Teosofia organizado por Helena Petrovna Blavatsky.
    Me referendo à Ela, porque faz jus neste assunto atual, dita observação, em que mencionada Organizadora desenvolveu seu pensamento. Separou a Autora, o Homem de sua Alma e de seu aspecto mais elevado e denominou o estudo nesta abrangência como “esoterismo” e disse, este tratado ser o “conteúdo” do Homem como Criatura. O Homem, quanto a sua natureza humana e referente aos seus atos consequentes, todos decorrentes da mente racional, foram por Ela, denominados “exoterismo” e referiu-se como sendo o “invólucro” do “conteúdo” que cada um de nós, representamos, nesta Obra Divina, sobre a Terra. Se reporta esta Escritora em Obras Teosóficas à algumas pinceladas críticas ao que tinha Ela conhecimento, sobre a Maçonaria praticada naquela época. Percebe-se que era a Maçonaria tida como uma Escola de Iniciação, Ocultista, Filosófica, Esotérica. As oportunidades floresciam às mentes mais elevadas pela qualificação do múltiplo conhecimento. A Maçonaria, como tal, era respeitada
    A Mente Humana, limitada na individualidade de cada Entidade que representamos, oportuniza ao ego pessoal sua manutenção, bem como a manutenção das virtudes inversas, das mentes dos baixios.
    A mente mais elevada, requer o conhecimento, o entendimento e a constante auto-observação, preservadora da vontade transmutante, do pretenso obreiro sobre sua evolução virtuosa.
    Requer portanto, que em L.’. M.’. todos os interesses da junção entre os obreiros, sejam discorridos sobre os propósitos de distinguir o Maçon. dos demais, socialmente falando assim como conscientiza-lo da busca incessante do conhecimento e entendimento da sua espiritualidade para que ocorra a evolução e o preparo do retorno ao Paramos da Criação.
    O Homem, como Criatura é fruto e expectativa da igualdade do seu Criador, por nós Obreiros invocado como G.’.A.’.D.’.U.’.
    Não podemos pretensiosamente nos isolarmos numa L.’.M.’. e sentirmo-nos privilegiados de por ali frequentarmos, pensando sermos próximos do Divinal. Muito pelo contrário, estamos assumindo karmicamente a responsabilidade de “estarmos, sem sermos”, caso não tenhamos a assunção dos compromissos da iniciação.
    Desta forma pensante, opino que as L.’. M.’. perderam suas conduções quando divididas e administradas com mentes “exotéricas” e/ou “esotéricas” por excelência, e em separadas, bem como deixam de buscar o equilíbrio dos conhecimentos e tratados para suas discussões e entrosamentos, perdendo a sensibilidade que estas correntes intercedidas formam, fazem e mantém os elos da Fraternidade entre os Homens.
    Vivemos dias de egoísmos, vaidades, prepotências, disputas de poder, ganância e outras tantas condições que degradam e individualizam as pessoas. Os adeptos mais levam e por lá mantém seus instintos profanos do que trazem das L.’. o caráter M.’.
    Ainda é tempo de acordarmos, sairmos da individual indolência, e fazermos a “mea-culpa”, daquilo que ainda não iniciamos fazer, bem como excluirmos o que devemos deixar de fazer sob repetição. Nos reeducarmos socialmente é nosso reconhecido “dever” para termos por consequência nossa elevação e distinção que é o propósito Maçônico.
    O cimento de ligação desta Fraternidade deve ser o “Amor impessoal” que provem do Espírito Criador. Sem este Divino Sentimento fecundo na individualidade de cada Obreiro, é quase impossível manter a Grandeza do ideal Maçônico. Precisamos da ciência e do conhecimento plural, mas devemos humildemente implorar ao G.’.A.’.D.’.U.’. sua condução sobre todo Universo, como recitamos na única Oração Universal que é manifestada e intitulada O Pai Nosso. Nos versos lembramos…..”que SEJA FEITA A TUA VONTADE ASSIM NA TERRA COMO NO CEU”….!!!
    Então, dependemos Dele e não da pretensão que nos mantém sob o desequilíbrio exotérico.
    Hermes Trismegisto , em seus Princípios Herméticos, nos afirma no Princípio da Correspondência que “assim como é encima é embaixo e assim como é embaixo é em cima”. Desta forma, parece-me que o Homem quer conduzir o Céu quando o inverso é que é o Verdadeiro propósito.
    Estamos no caos, na contramão e nos encontramos suscetíveis ao abandono e suas consequências.
    Se meditarmos sob esta ótica, poderemos evitar a extinção Maçônica.
    Do contrário, provavelmente até eu assine o pedido de quite placet, porque da forma como está, a Ordem tornou-se um engodo. Daí as decepções, e os consequentes abandonos que se vê. A Ordem perdeu o respeito da Sociedade. Pouco desperta o interesse dos ainda não ingressados.
    Nem mais a curiosidade se faz para estes, despertada.
    E não percebe-se qualquer movimento de contornos contensivos ao abandono da Ordem.
    A resiliência, vencida de seu máximo limite, converte-se em conivência.
    As responsabilidades ainda me mantém em pé e à Ordem!
    Mas não quero ser o Guarda do Templo no encerramento da LL.’.MM.’.
    Com altivas considerações externo minha pessoal opinião!

    T.’.F.’.A.’.

    M.’.M.’. Claudio I. da Rosa
    L.’.M.’. Plátanos da União nº4289
    Federada ao GOB

  4. […] Desilusão com a Maçonaria […]

    • O processo da cura começa quando se admite que esta doente. O Espirito vivifica e a letra mata, entramos na maçonaria porem o espirito maçônico esta aprisionado na pedra bruta do adormecimento da consciência e esse Espirito jamais entrou em nós, poucos ouviram seus gemidos de dores! Ou entendemos que a Maçonaria é uma Ordem que tem suas raízes em uma Fraternidade Universal além da mesquinharia humana e começamos a buscar a conexão com essa Ordem Universal ou nos afundamos no caos que queremos ordenar! Enquanto houver lágrimas nos olhos dos pobres animais intelectuais buscando pela gema preciosa, Nós os duas vezes nascidos não cessaremos de os ajudar! Palavras da Sereníssima Grande Loja Branca a Bem da Ordem e da Humanidade!
      Sempre em P.´. e a O.´. para servir.

  5. […] Desilusão com a Maçonaria […]


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