Desdobramentos do escândalo da Santa Sé

Por LEXPRESS.fr – Tradução José Filardo

Vazamentos no Vaticano: uma pessoa presa com documentos secretos

O suspeito preso pelo Vaticano é uma vítima da vontade dos investigadores de encontrar rapidamente um culpado?

Informações ou contrainformação? A Santa Sé disse ter prendido o alegado autor dos vazamento de informações confidenciais que envergonham o Vaticano desde janeiro.

O Vaticano tem sua toupeira? Uma pessoa foi presa no Vaticano, em posse ilegal de documentos secretos, parte de uma investigação do da polícia do Vaticano em uma série de vazamentos embaraçosos , anunciou sexta-feira o reverendo Federico Lombardi, porta-voz da Santa Sé.

Questionado pelos jornalistas, este padre jesuíta disse que “o inquérito instaurado pela polícia do Vaticano, segundo instruções da Comissão de Cardeais e liderado pelo Promotor de Justiça do Vaticano (Procurador) permitiu localizar uma pessoa em posse ilegal de documentos confidenciais”.

“Esta pessoa está atualmente à disposição do judiciário do Vaticano para investigações mais profundas”, disse ele.

O Padre Lombardi não deu detalhes sobre sua identidade, função da pessoa e data da prisão.

Segundo o jornal Il Foglio, o autor do vazamento poderia ser o administrador dos apartamentos papais, mas acrescenta o mesmo jornal, que poderia ser também uma vítima da vontade dos investigadores de encontrar um culpado rapidamente e não seria necessariamente o verdadeiro ou o único culpado.

O anúncio da prisão ocorreu um dia depois da demissão surpresa de Ettore Gotti Tedeschi, presidente do Instituto para Obras de Religião (IOR), o Banco do Vaticano.

Cartas ultra secretas publicadas em um livro

Um mês atrás, o Papa instituiu uma comissão formada por três cardeais – Julian Herranz, Josef Tomko e Salvatore De Giorgi – para investigar vazamentos repetidos de documentos desde janeiro. No sábado passado, um livro intitulado Sua Santitá (“Sua Santidade”) foi lançado nas livrarias, reproduzindo dezenas de faxes e cartas ultra secretas das quais o Papa é o destinatário ou teve conhecimento, e que as “gargantas profundas” em seguida, entregaram ao autor, o jornalista Gianluigi Nuzzi.

Estes documentos ilustram muitos debates internos, por exemplo sobre as relações com as autoridades italianas (pressões do Vaticano sobre questões sociais, questões fiscais, finanças dos institutos católicos), os escândalos sexuais entre os Legionários de Cristo ou, ainda, as negociações do Vaticano com os fundamentalistas.

Tempestade no IOR

O Banco do Vaticano, já repetidamente acusado de práticas fraudulentas está novamente na mira da justiça italiana.

http://archives.24heures.ch/actu/monde/tempete-ior-banque-vatican-2009-12-08.

É com base em uma denúncia do Banco da Itália que o Ministério Público de Roma abriu uma investigação sobre Instituto para as Obras de Religião (IOR), conhecido como o Banco do Vaticano. O caso surgiu depois da descoberta de uma conta de titularidade do IOR e aberta em 2003 em uma filial romana da do Banco UniCredit . Nesta conta, 60 milhões de euros transitaram anualmente. Os investigadores suspeitam que o IOR a utilize para repatriar na Península, capitais de origem nebulosa nos cofres do Vaticano. Ou seja, uma operação clássica de lavagem de dinheiro.

Acostumado com os escândalos é assim que o Instituto para Obras de Religião aparece na encruzilhada dos maiores escândalos financeiros transalpinos das últimas décadas. Na década de 70, o Instituto bancários do Vaticano se aliou ao Banco Ambrosiano e lançou-se em especulações fraudulentas. A falência do Banco Ambrosiano deixou um buraco de um trilhão e cento e cinquenta milhões de dólares. No rescaldo do caso, os banqueiros Michele Sindona, que era um membro da Cosa Nostra, e Roberto Calvi foram assassinados.

E há muitos que acreditam que a vontade de João Paulo Primeiro de lançar luz sobre a bancarrota do Ambrosiano não é estranha à sua morte “prematura”. Durante o caso “mãos limpas”, a Procuradoria de Milão descobriu que 54 milhões de euros em subornos destinados aos partidos políticos vieram do IOR. O sulfuroso Banco Ambrosiano trafica dinheiro sujo? http://fr.wikipedia.org/wiki/Banco_Ambrosiano O Banco Ambrosiano é um banco italiano que foi objeto de um das falências mais retumbantes do pós-guerra …

Quem é o mordomo do papa que foi preso?

O Vaticano confirmou a identidade do homem preso sexta-feira no inquérito sobre os vazamentos de documentos confidenciais: é o mordomo do Papa Benedito XVI.

Paolo Gabriele, 46 anos, faz parte da guarda pessoal do Papa Bento XVI desde 2006. Suspeita-se que ele seja um dos autores dos vazamentos de documentos confidenciais que envergonham o Vaticano desde janeiro.

Retrato.

O homem preso sexta-feira pela polícia do Vaticano é o mordomo do Papa Bento XVI, Paolo Gabriele. Suspeita-se que ele seja um dos autores dos vazamentos de documentos confidenciais.

A notícia de sua prisão abalou o papa. À noite, uma fonte próxima a Bento XVI o descreveu como “triste e chocado”, acrescentando que este é um “caso doloroso” para o pontífice.

O que se deve lembrar dos “Vatileaks”

“Esta pessoa está atualmente à disposição do judiciário do Vaticano para futuras investigações”, disse o Padre Lombardi, porta voz da Santa Sé.

O Padre Lombardi não tinha dado qualquer da identidade, função ou data da detenção da pessoa. Segundo várias fontes, incluindo a agência I.Media especializada em Vaticano, é, de fato, o mordomo do papa, Paolo Gabriele.

“Paoletto”

Quem é Paolo Gabriele? Ele faz parte desde o início de 2006 da pequena equipe destacada permanente para os apartamentos papais e o atende o dia todo.

Se a culpa deste tão perto de Bento XVI deve ser provada, muitos se perguntam ao Vaticano sobre seus motivos. Alguns asseguram que o papa deve estar profundamente abatido.

Apelidado de “Paoletto”, Paolo Gabriele, 46, Romano, sempre vestido com esmero, vive com sua esposa e dois filhos em um edifício dentro do Vaticano do qual ele tema nacionalidade, e é um dos muito poucos leigos a ter acesso aos aposentos do Papa.

Detido dentro do Palácio do Tribunal, sede da Polícia, situado atrás da Basílica de São Pedro, Paolo Gabriele foi interrogado esta manhã pelo Promotor de Justiça Nicola Picardi.

Sua silhueta é conhecida. No papamóvel, ele geralmente está sentado à frente do Papa, ao lado do motorista.

Gabriele ajuda Bento XVI a vestir suas vestes pontifícias, participa da missa em sua capela particular, o segue em suas audiências públicas e privadas, serve o almoço, senta-se para comer com o papa e prepara seu quarto à noite.

Os guardas próximos do Papa

Ao redor do papa gravitam diariamente, além do mordomo, quatro irmãs “Memores Domini” do movimento católico italiano Comunhão e Libertação, e os dois secretários de Bento XVI, Georg Gänswein e Alfred Xuereb.

Documentos  secretos vazam desde Janeiro no Vaticano.

Depois da demissão do chefe do Banco do papa, o mordomo do papa, suspeito de ser um espião, foi preso nesta sexta-feira. L’Express faz o balanço.

Este fim de semana é colocado sob o signo da celebração de Pentecostes. Mas, no Vaticano, as festas podem ser marcadas por mais um enésimo desenvolvimento no caso de vazamentos repetidos de documentos oficiais com o selo da Santa Sé. No menor país do mundo, a tensão estava no auge.

Os registos confidenciais tornados públicos

Desde o mês de janeiro, arquivos confidenciais do Vaticano estão nas manchetes dos jornais italianos. No cardápio: corrupção na gestão do Vaticano, pagamentos e lavagem de dinheiro de seu banco, trama contra o papa, tensões entre cardeais … Em referência ao “Wikileaks”, o caso foi batizado “Vatileaks”.

O que mais preocupa a Cúria Romana? Que várias pessoas bem colocadas na estrutura tenham decidido trair para entregar estes documentos segredos.

A fim de encontrar a “toupeira”, o Papa Benedito XVI criou, há pouco mais de um mês, uma comissão de investigação sobre a fonte desses vazamentos. Se alguém acredita no que diz a Santa Sé, esta estratégia surtiu efeito: um homem foi detido sexta-feira pela Polícia do Vaticano na posse ilegal de documentos confidenciais. Segundo o Vaticano – que oficializa amanhã a prisão – trata-se do mordomo do Papa, Paolo Gabriele.

O mordomo preso

Paolo Gabriele, apelidado de “Paoletto” faz parte da guarda pessoal do Papa desde 2006. Ele vive com sua esposa e dois filhos em um edifício dentro do Vaticano. Entre suas funções: ajudar o Papa a vestir suas vestes pontificais, assistir à missa em sua capela particular, segui-lo em suas audiências públicas e privadas, servir o almoço, sentar-se à mesa com o papa e preparar seu quarto à noite. A sua silhueta é conhecida. No Papamóvel, ele está normalmente sentado na frente do Papa, ao lado do motorista.

Segundo o jornal Il Foglio, Gabriele poderia ser vítima da vontade dos investigadores de encontrar um culpado rapidamente e não seria necessariamente o verdadeiro e único culpado .

A demissão do banqueiro do Papa

Quinta-feira, véspera de sua prisão, o banqueiro do Papa Ettore Gotti Tedeschi foi demitido após um voto dramático de falta de confiança pelo Conselho de Administração do Instituto para Obras da Religião (IOR). Como explicar a demissão deste “especialista financeiro”, cuja nomeação em 2009 para a direção do IOR tinha deixado esperar o saneamento das finanças do Vaticano?

Oficialmente, ele é acusado de “não ter sido capaz de cumprir algumas funções de primeira importância” apesar das repetidas advertências à medida que a situação se deteriorava. Informalmente, ele teria tomado, ele mesmo, conhecimento de alguns documentos de trabalho fora da Santa Sé.

Um livro reproduz os muitos documentos confidenciais

Apesar destes esforços de transparência, o IOR ainda está sujeito a críticas dos meios de comunicação italianos, e principalmente do jornalista Gianluigi Nuzzi, autor do best-seller de sucesso Vaticano SPA. Sua segunda obra, Sua Santitá, publicada no sábado na Itália, reproduz dezenas de faxes e cartas ultra secretas das quais o Papa é o destinatário ou teve conhecimento.

Estes documentos ilustram muitos debates internos, por exemplo sobre as relações com as autoridades italianas (pressões do Vaticano sobre questões sociais, questões fiscais, finanças de institutos católicos), os escândalos sexuais entre os Legionários de Cristo ou ainda as negociações do Vaticano com os fundamentalistas.

Segundo Gianluiggi Nuzzi, os anônimos que lhe forneceram estes dossiês cobrindo os anos de 2009 até 2012 sofrem “por ter violado seu dever de confidencialidade”. E de garantir que eles estavam desinteressados e não tinham recebido nada em troca dessas revelações.

A teoria da conspiração

Suas fontes se dizem, de acordo com o jornalista, animadas pelo único desejo de tornar mais transparente o Vaticano e de servir ao papa. Uma tese fortemente contestada por algumas vozes da Santa Sé que gritam por conspiração. “Eles querem eliminar Bertone,” solta o teólogo de esquerda Vito Mancuso fazendo referência a Tarcisio Bertone, número dois do Vaticano. O Secretário de Estado é considerado honesto, mas a sua gestão é visto como desastrada.

Esta teoria de uma conspiração contra o papado circula desde o início do caso “Vatileaks”. Várias fontes confirmaram a Agência France-Presse que Tarcisio Bertone tem a confiança de Benedito XVI, mas sólidas inimizades dentro da estrutura. Uma “velha guarda” de cardeais próximos a João Paulo II, com saudades de uma época menos preocupada com a transparência, poderia assim querer fazer uma limpeza.

Foco sobre o Instituto para Obras de Religião

– Fundação: 27 de junho de 1942 pelo Papa Pio XII.

– Nome fantasia: Banco do Vaticano.

– Missão: gerenciar as contas das ordens religiosas e associações católicas.

– Clientes: padres, freiras, Conferências Episcopais, fundações e ministérios

– Patrimônio: cinco bilhões de euros

Ver também:

Banco do Vaticano: Escândalos em série

 

http://www.lexpress.fr/actualite/societe/religion/fuites-au-vatican-ce-qu-il-faut-retenir-du-vatileaks_1118878.html

Publicado on maio 26, 2012 at 2:25 pm  Comments (3)  

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3 ComentáriosDeixe um comentário

  1. quem te viu e quem te ve em batinados,o tempo passou já a vinte seculos, e onde esta a humildade do mestre, que nao era carregado em liteira, como voce de papa movel e tudo mais///.

  2. depois dessa, B16 só tem duas saídas: ou te nomeia de plano pra Prefeitod o Sto. Ofício ou vc o derruba logo logo …

    • Salve, Cangaceiro

      Não precisa, ele cai de maduro. E quando eu começar a insinuar que o Paoletto fazia mais coisas do que só vestir a cuequinha no Bene?


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