Convergências e diferenças entre religiões e a Maçonaria

Tradução José Filardo

Fabien Leone – Publicado em 25/04/2014

Em Lyon teve lugar a terceira edição do Salão do Livro da Maçonaria em 11 de abril. Conferências foram realizadas, principalmente sobre a espiritualidade maçônica e sua relação com as religiões. Entre pontes e fossos, a relação entre o percurso iniciático e a fé cristã pode variar de uma Igreja para outra.

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© Corbis

Jean-François Var, arcipreste da Igreja Ortodoxa da Europa e Capelão do Grão Priorado dos Gauleses por 20 anos, divide a Maçonaria em quatro tipos:

– A maçonaria ateia, agnóstica e muitas vezes anticlerical, onde o objetivo é melhorar os homens em seus condicionamentos sócio-políticos.

– A Maçonaria Simbólica onde existe uma transcendência marcada pela presença do Grande Arquiteto do Universo, mas onde se coloca o que se quer. Pode-se acreditar em um Deus revelado, um princípio superior, uma alma do mundo, ou uma lei da evolução.

– A Maçonaria Religiosa, que abrange a grande maioria das lojas em países anglo-saxões, onde o Grande Arquiteto do Universo é o Deus da Bíblia.

– A Maçonaria Cristã minoritária e elitista, onde o Grande Arquiteto do Universo é o Cristo-Deus Criador.

Apesar da existência de alvenaria ateia e agnóstica “por seus mitos, seus rituais e seus símbolos, a Maçonaria é de essência judaico-cristã. Isso pode ser lido em todos os seus rituais, seus graus, em sua constante referência aos mistérios bíblicos, na leitura simbólica do universo e do princípio criador que ela oferece aos seus adeptos”, diz Jean-Jacques Gabut, grão mestre honoris causa da Grande Loja De França.

Hoje, ainda tendemos a pensar que “a espiritualidade só pode ser religiosa e se alimenta do dogma religioso. Esquecemo-nos de Platão, o primeiro leigo espiritualista, ou dos espiritualistas da Idade Média e do Renascimento que não eram sempre os clérigos, inspirado pela Cabala, Hermetismo cristão ou alquimia”. Jean-Jacques Gabut citou principalmente Pico Della Mirandola, Robert Fludd ou ainda Ramon Lulle e os autores do Roman de la Rose. A maçonaria não reivindica qualquer doutrina religiosa, política e filosófica, ela quer ser, ao contrário, “um centro de união”. Um termo já utilizado pelo Pastor Anderson em suas Constituições, texto fundamental da Maçonaria moderna publicado em 1723, e respeitado por todas as potências.

Este “Centro de união” ilustra a espiritualidade maçônica, que acredita que “todos os caminhos que levam ao princípio supremo da transcendência contam”. Vínculo entre os homens, o maçom “é um humanista e, como tal, como dizia Terence, “nada do que é humano me é estranho”“. Um humanismo empanturrado principalmente de Iluminismo, “nessa via da espiritualidade, e pelo coração filha da luz e pela razão, filha do Iluminismo.”

Essa vontade de não sujeitar a espiritualidade “a nenhuma religião e a nenhuma filosofia, mas deve ser concebida no plano metafísico e como uma espiritualidade universal” é recebido de diferentes maneiras segundo as igrejas cristãs.

Maçonaria e Cristianismo

Depois de cartas anônimas evocando a sua filiação à Maçonaria, o padre Pascal Vesin precisou ter uma conversa com seu bispo. “A primeira vez que ele me questionou, eu queria ver o que ele “tinha na barriga”. Imediatamente percebi que eu tinha assumido um risco e eu queria continuar a usar discrição. Na segunda vez, um ano depois, ele me informou que ele poderia se envolver para declarar que era difamação. Neste momento, eu me senti pronto a assumir a minha escolha e eu lhe confessei. ” Esta participação na Maçonaria custou a Pascal Vesin sua suspensão desde maio de 2013.
Este não foi o caso de Jean-François Var. “Quando de minha ordenação diaconal, meu bispo perguntou sobre a minha filiação maçônica e não apresentou qualquer objeção. Onze anos depois, quando ele me ordenou sacerdote, a mesma pergunta surgiu, mas discutida de maneira mais insistente. Um membro do clero se levantou. Sendo um espírito rigoroso, eu estava um pouco assustado, mas estava completamente convencido por minha exposição.”

Se a Igreja Católica é categórica em sua recusa da dupla filiação, a maioria das Igrejas Ortodoxas a aceita. “Apenas quatro igrejas ortodoxas condenaram a Maçonaria em determinados contextos políticos, incluindo a Igreja Ortodoxa da Grécia, em 1933. Um século antes, pela independência da Grécia, os maçons e cristãos se deram a mão para lutar contra os otomanos. Em 1933, a Igreja Ortodoxa Grega alinhou-se com a posição católica ao ponto de retomar seus textos!” diz Jean-François Var.

Os dois homens pertencem a duas obediências diferentes.“Eu pertenço ao Grande Oriente da França, onde não é necessária a fé de tradição judaico-cristã. Eu pude assim encontrar irmãos budistas ou muçulmanos que eu não teria podido conhecer em outras religiões” alegra-se Pascal Vesin.

“Ao contrário do Padre Vesin, eu pertenço a uma obediência espiritualista, onde é necessária a crença em Deus. Nós juramos lealdade ao fato de que o Grande Arquiteto do Universo é Deus, o Deus revelado, o Deus da Bíblia.No interior dessa maçonaria, existe uma maçonaria devidamente Cristã. A pessoa que me trouxe para a ortodoxia é o chefe deste ramo. Padres da Igreja, principalmente gregos, falam de Cristo como o demiurgo, mas não é o Demiurgo de Platão diferenciado do princípio supremo. A Maçonaria, que se baseia no conceito de construção e de organização, está do lado da Palavra criador. Assim, não há consistência absoluta entre os dois, tanto que eu fui hospitaleiro dessa obediência por 20 anos” explica Jean-François Var.

Após a cobertura de mídia de sua suspensão Pascal Vesin lembra que “alguns sacerdotes que vivem esta associação dupla me contataram. Eu tive o apoio de padres em segredo por medo da hierarquia. Isso é lamentável: sejamos homens livres! ”

 

Publicado on maio 27, 2014 at 3:01 pm  Comments (2)  

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  1. ESPIRITISMO E MAÇONARIA

    Por – Gilberto L Tomasi

    Divaldo Pereira Franco, médium e orador espírita, em brilhante palestra, feita na Loja Maçônica Caldas Junior de Porto Alegre, a convite da Grande Loja Maçônica do Rio Grande do Sul no dia 09 de Novembro de 2006, com a presença dos Grão-Mestres da Grande Loja do Rio Grande do Sul, Grande Oriente do Rio Grande do Sul e da Maçonaria Unida do Rio Grande do Sul, faz uma profunda análise sobre os ideais da Maçonaria com ênfase às suas origens remotas na Babilônia, na Mesopotâmia, com seus rituais de iniciação realizados ao ar livre, nas margens do mar morto.
    Apresenta o famoso discurso de Voltaire na sociedade em que recebeu o grau 33 da ordem maçônica, com seu eloqüente testemunho do amor a Deus. Define as palavras maçom e maçonaria, apresentando vultos eminentes que se fizeram adeptos dessa Ordem em todas as épocas da história, principalmente no período das lutas pela independência do Brasil.
    Faz um paralelo com a Doutrina Espírita, salientando os pontos em comum de ambas as filosofias e traçando seus iluminados objetivos que anelam prezam pela dignificação humana. Divaldo reporta-se a alguns pontos básicos da maçonaria como a crença em Deus, a imortalidade da alma e, no seu cerne de solidariedade, o amor, a caridade, tal qual a Doutrina Espírita, que vem abrindo campo imenso à investigação nas questões do espírito, que sendo esta uma ciência de pesquisa, busca igualmente decifrar o enigma do existir. “caminhando ao lado da maçonaria, porquanto apóia os seus postulados e entende, na sua simbologia, o milagre dos acontecimentos disfarçados de mistérios, desde os tempos da idade média, preparando o ser humano para os grandes vôos do infinito”, como assim se referiu. Em uma bela citação, Divaldo destacou dois grandes espíritas maçons, Camille Flammarion e Leon Dennis, este, maçom emérito, grau 33, que afirmava ser a maçonaria um dos belos caminhos para a dignificação da criatura humana e o seu encontro com a plenitude Divina.
    Reina até hoje no movimento espírita uma séria dúvida em saber se Allan Kardec, codificador da Doutrina, teria ou não sido maçom, muito embora use em suas obras termos maçons, como “arquiteto” para se referenciar a Deus, pedra angular, prumo, etc. Não que isto tenha importância para esta ou aquela filosofia, mas permitiria conhecer melhor a opinião de Kardec sobre a instituição maçônica. André Morel, conceituado biógrafo de Kardec, parece inclinado a responder de forma positiva, dizendo que não sabe em que Loja ele foi iniciado. Kardec, foi discípulo de Mesmer que era Maçom, e Leon Dennis, seu discípulo, também era.
    Deixando de lado essa polêmica, a verdade é que o Espiritismo e a Maçonaria tem inegáveis pontos em comum, e juntos poderão acelerar o progresso da Humanidade e o estabelecimento da justiça social, sobretudo através da perfeição moral dos espíritas e maçons.
    A Maçonaria tem por fim a melhoria moral e material do homem, por princípios, a lei do progresso da humanidade, as idéias filosóficas de tolerância, fraternidade, igualdade e liberdade, abstração feita da fé religiosa ou política, das nacionalidades e das diferenças sociais.
    O espiritismo moral e social iria dizer justamente a mesma coisa. Os princípios filosóficos são absolutamente idênticos: a)Existência de Deus, b)Imortalidade da alma, c)Solidariedade humana.
    Em sessão da Sociedade Espírita de Paris do dia 25 de fevereiro de 1864, várias dissertações foram obtidas sobre o concurso que o Espiritismo poderia encontrar na Francomaçonaria, que depois foram publicadas na Revista Espírita de abril de 1864. Comunicaram-se naquela oportunidade os Espíritos Guttemberg (Médium: Sr Leymare), Jacques de Molé (Médium: Srta.Bréguet) e o francomaçom Vaucanson (Médium: Sr.D’Ambel.).
    Nestas comunicações, usando o método de perguntas e respostas, os espíritos comentam sobre a importância da Maçonaria, a afinidade existente em Maçonaria e o Espiritismo, o conhecimento dos Maçons sobre a Doutrina Espírita, a aceitação das idéias Espíritas. Vejamos um trecho: (…) Os homens inteligentes da Maçonaria vos bendirão por sua vez; pois a moral dos Espíritos dará um corpo a esta seita tão comprometida, tão temida, mas que tem feito mais do que se pensa. Tudo tem um parto laborioso, uma afinidade misteriosa; e se isto existe para o que perturba as camadas sociais, é muito mais verdadeiro para o que conduz o progresso moral dos povos. Ainda alguns dias, e o Espiritismo terá transposto o muro que separa a maioria das paredes do templo dos segredos, nesse dia, a sociedade verá florescer no seu seio a mais bela flor espírita que, deixando suas pétalas caírem, dará uma semente regeneradora da verdadeira liberdade . Agora, glória ao Grande Arquiteto do Universo.
    Fontes:
    Site: http://www.divaldofranco.com/noticias.php?not=33
    Palestra de Divaldo em 1994 na cidade de Americana (SP) pela Loja Maçônica Sublime Universo 125:http://youtu.be/1P6dpb6zD3g
    Revista Espírita – edição 04/1864
    Leon Dennis e a maçonaria – Eduardo Carvalho Monteiro
    Postado por JOILSON J G MENDES às 08:17

  2. desculpem-me a franqueza, mas desde a criação dos “LAND MARC” nós sofremos a influência das religiões ocidentais, principalmente a católica e a judaica que em meu conceito são a mesma coisa munida de disfarces.
    .


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