Chateando Nossos Membros Até a Morte

Tradução José Filardo

Por Christopher Hodapp
autor de Maçonaria para Idiotas

Em pé no meio dos túmulos, o espírito designava-lhe um túmulo. Scrooge caminhou para ali a tremer Embora o aspecto do fantasma não tivesse mudado, Scrooge receava ver, em sua forma espectral, uma nova e terrível significação

“Antes de aproximar-me desta pedra que me apontais, – disse ele, – respondei, Espírito, à minha pergunta: Estas imagens representam o que deve ou o que poderia acontecer? “

O fantasma continuava a indicar o túmulo perto do qual se achava.

“A conduta de um homem pode fazer prever o seu fim, – disse Scrooge, . – mas se ele muda de vida, também o seu fim não será modificado? Dizei-me se assim é que devo entender tudo o que me tendes mostrado.

O espírito continuou imóvel.

-Charles Dickens – Um Conto de Natal

Sente-se e converse por cerca de dez minutos com um agente de seguros e deixe-o contar tintim por tintim sobre a taxa de mortalidade entre a geração da Segunda Guerra Mundial. OK, posso garantir que há um certo aspecto macabro nisso. Estou trazendo isso à baila porque, como o portentoso espectro de Scrooge, os maçons passaram os últimos quinze anos apontando uma manga vazia para o túmulo e culpando pelo declínio no número de nossos membros os 4 milhões de maçons que eram membros durante nossos anos de boom, e que tiveram o péssimo senso de oportunidade de passar para o Oriente Eterno em ondas recordes nos últimos dez ou doze anos.

Assim que você estiver suficientemente aborrecido pelo seu cara do seguro, telefone ao seu Grande Secretário e pergunte a ele como se compara a taxa de óbitos de membros de cada ano, em relação às perdas por demissão ou falta de pagamento de taxas. E prepare-se para um choque. Na maioria das jurisdições nos EUA e no Canadá, as perdas de membros devido a óbitos vêm estatisticamente declinando, enquanto as perdas devido aos maçons se afastando da fraternidade vêm aumentando a um ritmo alarmante. Ah, nós estamos iniciando uma dose muito saudável de novos maçons cada ano; tudo bem. Mas os homens quem iniciamos, elevamos e exaltamos estão decidindo em números crescentes dizer não, obrigado, graças ao que a sua loja local oferece. As listas de associação Maçônica ainda estão caindo, mas não devido a causas naturais. A verdade é que estamos chateando nossos membros até a morte.

Por muito tempo entendeu-se que a geração do Baby Boom não se juntou aos maçons. Como resultado, há uma diferença de cinco décadas entre a geração de homens, que mantiveram viva a Maçonaria para nós, e os homens que agora estão se movendo para posições de liderança em toda a fraternidade. Em qualquer outro momento na história da Maçonaria, cada nova geração vinha aproximadamente em intervalos de vinte e cinco anos, fazendo alterações em suas lojas e na Maçonaria como um todo, para refletir suas necessidades e desejos. A Maçonaria sempre se adaptou para servir as sociedades em que ele residiu. Até recentemente. Agora, ao invés de um ajuste de vinte e cinco anos na direção, a Maçonaria está sofrendo de cinquenta anos de hábito e endurecimento das artérias.

Não faz muito tempo, visitei uma loja que passou por tempos difíceis – tempos realmente muito difíceis. Em uma certa época, suas listas continham os nomes de mais de 1800 Membros. Hoje, elas caíram para 200. Esta não é uma situação incomum para uma fraternidade que inchou artificialmente em tamanho após a II Guerra Mundial, mas para homens que veem o sucesso e o fracasso apenas nos termos estreitos das estatísticas numéricas, é uma emergência de proporções épicas. Havia membros dessa loja que lembravam daqueles dias inebriantes, como se fossem ontem. Eles se lembram das noites de grau com 150 maçons nas colunas. Eles se recordam dos bailes e festas de Natal e as viagens em grandes grupos. Eles se recordam dos jantares quando o salão estava lotado até o teto, com seus filhos, subindo e descendo pela sala, enquanto algum membro bem sucedido do mundo cívico ou dos negócios tentava fazer um discurso. Eles olham para aqueles dias com carinho e ficam perplexos com o fato de que não mais de oito membros aparecem para a reunião normal hoje. Eles não tiveram candidatos em quatro anos, e eles literalmente imploraram aos seus membros para vir e participar. Ninguém veio nem participou.

Os homens que mantiveram aquela loja ainda viva tentaram fazer as coisas da maneira que elas tem sido feitas quando a maioria deles entrou meio século atrás. Os mesmos oito homens reuniram-se para uma refeição parca antes de sua reunião mensal. Eles abriram a loja com o ritual perfeito. Eles leram as atas e o expediente. Quase não havia qualquer assunto, novo ou velho. Eles fecharam e abandonaram o edifício e foram para casa por volta de 07:30, antes que começasse o horário nobre da programação da noite. Nos últimos cinco anos, os mesmos oito membros vem se alternando nos cargos da loja, e eles simplesmente se cansaram. Eles estavam fartos. Então, eles decidiram fundir-se com outra loja e fechar a deles.

Como ocorre em qualquer momento crucial desta magnitude, todos os 200 ou mais membros tinham que ser notificados da reunião. Apenas doze deram-se o trabalho de aparecer e votar para sacrificar sua loja. Eles não tinham qualquer vontade de salvar a sua loja. Eles queriam simplesmente escorregar para as fileiras de outra, desistir de sua carta constitutiva e de seus 140 anos de história e desaparecer da memória. Eles mataram sua própria loja com sua própria incapacidade de abraçar qualquer mudança, e de fato, muitos deles ficaram enfurecidos porque alguns irmãos de fora da sua loja tinham vindo tentar ressuscitá-los na undécima hora e interferir em seus planos para um suicídio tranquilo.

Eles nada fizeram para atrair novos membros. Mas nem eles estavam servindo aqueles já existentes. Eles faliram. Estes eram filhos da Depressão. Eles tinham quase $200.000 no banco. Então por que eles nada fizeram para interessar seus membros envelhecidos? Viagens de ônibus até Branson. Cruzeiros de $100 ao Caribe. Passeios de barco de Casino. Visitas a sites maçônicos na Grã-Bretanha. Viagens à Terra Santa. Jantares servidos. Noites de cinema patrocinadas. Montes de prêmios públicos. Apresentações de programa anti-drogas do Medicare. Seminários de planejamento imobiliário. Computadores na loja para enviar e-mails aos netos. Corridas de cadeira de rodas nos salões. Em suma, dar a seus membros existentes uma razão para continuar a vir à loja , continuar a apreciá-la, a amá-la.

Nem fizeram eles qualquer coisa para atrair novos membros. Eles alugam a sala da loja no grande edifício do Templo no centro, assim como a maioria dos relacionamentos entre inquilino/proprietário, eles concluíram que não tinham que colocar um tostão no lugar, se ele não fosse propriedade deles. Esse é o trabalho de outra pessoa. Realmente? Se pelo menos eles tivessem tentado a investir em sua loja. Colocar nova iluminação para que membros pudessem enxergar três metros à frente deles. Estofar as cadeiras e bancos desgastados que ainda têm o couro original da I Guerra Mundial sobre eles. Arrancar o tapete mofado e desgastado e substituí-lo – talvez por um daqueles tapetes quadriculados em preto e brancos nos EUA de que falamos em nosso ritual, mas quase ninguém parece ter. Em suma, fazê-la parecer com algo a que vale a pena vir. Fazê-la parecer com alguma coisa em que valha a pena ingressar.

Então começa a cutucar os membros para participar da loja – não se preocupando com quem vai ser o oficial ou memorizar qual parte do ritual. Realmente falar sobre a Maçonaria, sua história, seu simbolismo, sua filosofia. Visitar ativamente outras lojas e a ajudar com seus graus. Conseguir membros interessados em outras atividades no edifício, ou voluntariar para ajudar alguns dos grupos comunitários que têm se reunido ali com frequência cada vez maior. Falamos de uma grande linha de caridade e ajuda à comunidade, então vamos começar a dedicar tempo e não apenas generosidade de talão de cheques. E se eles ainda não têm uma linha completa de indivíduos dispostos a ser oficiais, apenas apoiadores, não importa.

Porque, uma vez que o lugar dê a impressão de que habitantes vivos ocasionalmente aparecem por ali e o que ela foi realmente uma loja vibrante, ativa, talvez, apenas talvez, alguns de seus netos possam ficar interessados em Maçonaria, porque eles estavam vendo a Maçonaria em ação, em vez da inação da Maçonaria. O autor de negócios James O’Toole diz, “As pessoas que não pensam bem de si mesmas não agem para mudar sua condição.” Mesmo uma loja que só tenha oito participantes regulares tem nas suas fileiras ativas os recursos para acordar, fazer coisas que as tornem verdadeiramente felizes por estar lá e às vezes até mesmo surpreendê-los.

Liderança não tem idade, e não existem limites à imaginação. Mas uma loja tem de significar algo para seus membros. Ela tem que continuar a fazer parte de suas vidas, cada dia, cada semana, cada mês. Porque a partir do momento que é mais divertido, ou menos trabalhoso ficar espremido confortavelmente no sofá, enrolado em uma manta, com um controle remoto do que ir à loja, nós os perdemos. Ninguém voluntariamente aderiria a um clube de memorização, e ninguém quer se juntar à mais antiga, maior e mais lendária organização fraternal do mundo só para ser condenado a uma vida inteira de sanduíches frios feitos com carne suspeita, refrigerante genérico e reuniões mensais de nada mais que leitura de atas, pagamento de contas e choramingos petulantes sobre por que ninguém vem mas às reuniões. Seja honesto consigo mesmo. Qual ser humano racional sério vai dar-se o trabalho de deixar sua casa para ir e ouvir alguém gastar vinte minutos informando que nada aconteceu na reunião do mês passado?

Serão as lojas que oferecem programação para seus membros ativos – qualquer que seja a idade deles – que sobreviverão e prosperarão no futuro. Mas aqueles que teimosamente se agarram à noção que loja é nenhum evento, que loja é apenas um encontro a ser suportado, essa loja é a mais terrível das coisas, em geral – essas são as lojas que literalmente os chatearão até a morte. Essas são as lojas que vão escorregar silenciosamente dentro da noite. E as sombras das coisas que podem vir a ser terão se extinguido na realidade concreta de uma sala de loja deserta.

“Fantasma do futuro!” exclamou Scrooge, “temo mais a você do que qualquer fantasma que jamais vi. Mas, como eu sei que seu objetivo é fazer-me o bem, e como eu espero viver para ser outro homem diferente do que eu era, estou preparado para suportar a sua companhia e fazê-lo com um coração agradecido.”

– Fonte: Knights of the North Masonic Dictionary

Publicado em http://www.masonicdictionary.com/boredom.html

Publicado on dezembro 12, 2012 at 6:42 pm  Comments (2)  

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