Maçonaria na Literatura: “O Homem que queria ser Rei”, de Rudyard Kipling

Por Edgard Costa Freitas Neto

Resumo

O presente trabalho busca demonstrar a influência da filosofia e do simbolismo maçônico presentes no conto “O homem que queria ser Rei”, de Rudyard Kipling, ressaltando as lições maçônicas que se podem extrair daquela obra.

Introdução

A literatura, arte milenar, oferece ao autor múltiplas oportunidades de se fazer entender e ao leitor, múltiplas vias de entendimento. São exemplos dessas obras “A Divina Comédia”, de Dante Alighieri, “O Livro de Jó”, de William Blake, “Paraíso Perdido” de John Milton e a presente obra, o conto “O Homem que queria ser Rei”, de Rudyard Kipling.

Lei mais em: O Homem que queria ser rei

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Maçonaria na Literatura: O “Ulisses” de James Joyce

José Filardo, M .´. I .´.

james joyce

James Joyce ( * 2/2/82 + 13/01/41)

Em Maçonaria, o ritual é o esqueleto, a simbologia é a carne e a fraternidade é a alma. Tudo isso para desfrutar a liberdade e promover a igualdade.

Respiramos simbologia, e o maçom precisa desenvolver a capacidade de interpretar o que lê ou visualiza em termos do código que aprendemos em nosso dia-a-dia nas lojas.

Aprendemos, desde o momento de nossa iniciação, que tudo à nossa volta está envolto pelo véu do simbolismo, que tudo tem um significado, que tudo é passível de interpretação. Pouco a pouco, o pesado véu vai sendo afastado e adentramos um mundo totalmente diferente daquela rotina a que estamos habituados.

Naturalmente, novos véus, mais diáfanos se apresentam diante de nós em nossa senda, mas, aparelhados com o ferramental adequado, progredimos e refinamos nossa capacidade de interpretação.

Temos que a interpretação da simbologia deve ser uma segunda natureza do maçom. E considerando a presença dos símbolos em todas as manifestações culturais e em seus “produtos”, realizamos um exercício de análise literária com enfoque maçônico.

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Published in: on agosto 24, 2017 at 9:57 am  Comments (1)  
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Maçonaria na Literatura: “O Cemitério de Praga”

Umberto Eco

“Um dos problemas que enfrentamos foi como caracterizar o general Pike, o grão-mestre da Maçonaria Universal que, de Charleston, dirigia o destino do mundo. Porém, não existe nada mais inédito do que aquilo que já foi publicado.

Assim que iniciamos a publicação de Le Diable, saiu o esperado volume do monsenhor Meurin, arcebispo de Port-Louis – onde diabos ficava isso? – La Franc-Maçonnerie Synagogue de Satan; e o doutor Bataille, que mastigava o inglês, havia encontrado durante suas viagens The Secret Societies, um livro publicado em Chicago em 1873, de autoria do general John Phelps, inimigo declarado das lojas maçônicas.

Leia mais em: Cemitério de Praga

Maçonaria, uma crônica…

A Questão Religiosa

Por Machado de Assis

10 janeiro de 1884

Hão de ter paciência; mas, se cuidam que a bala hoje é de quem a assina, enganam-se. A bala é de um finado, e um velho finado, que é pior; é de Drummond, o diplomata. Se o leitor pode desviar os olhos das graves preocupações de momento para algumas coisas do passado, venha ler dois ou três pedaços da memória inédita que a Gazeta Literária está publicando. A memória, realmente, trata de coisas antediluvianas, coisas de 1822, mas, em suma, 1822 existiu como este ano de 1884 há de um dia ter existido; e se qualquer de nós fala de seu avó, que os outros não conheceram, falemos um pouco de Drummond, José Bonifácio, D. João VI e D. Pedro.

Diabo! Mas, pelos modos, não é uma bala de estalo, é uma bala de artilharia! Não, não; tudo o que há mais bala de estalo. Eu só extraio de Memória aquilo que o velho Drummond escreveu prevendo a Gazeta de Notícias e os autores desta nossa confeitaria diária. Não é que a Memória não seja toda curtíssima de anedotas do tempo…

Leia mais em : A Questão Religiosa por Machado de Assis

Auto sinalização:  como nossas ações podem mudar quem somos

Tradução J. Filardo

por Charles Chu  (Ensaísta e japanófilo seminômade  https://www.patreon.com/charleschu )

O ladrão astuto (Wikimedia Commons)

 

A maioria de nós pensa que fazemos escolhas por causa de quem somos.

Mas poucos de nós entendemos que o contrário também é o caso - nós somos quem somos, em parte, devido às escolhas que fazemos.

Em Isso Explica Tudo, o psicólogo Timothy Wilson faz uma pergunta:

“As pessoas agem do jeito que elas fazem por causa de seus traços de personalidade e atitudes, certo?  Eles devolvem uma carteira perdida porque são honestos, reciclam seu lixo porque se preocupam com o meio ambiente e pagam R$ 15 por um café com caramelo brulée porque eles gostam de beber cafés caros”.

Isso parece sensato, mas o que “parece” certo ou faz sentido não é necessariamente a verdade. Somos criaturas sociais, e muitas vezes o contexto (e não a personalidade) pode desempenhar um papel importante nas nossas decisões.

“Muitas vezes, nosso comportamento é moldado por pressões sutis à nossa volta, mas não conseguimos reconhecer essas pressões.  Assim, acreditamos erroneamente que nosso comportamento emanava de alguma disposição interior. … inúmeros estudos mostraram que as pessoas são altamente suscetíveis à influência social, mas raramente reconhecem toda a extensão dessa suscetibilidade, devendo assim atribuir sua conformidade aos seus verdadeiros desejos “.

Agora, é aqui que as coisas ficam interessantes.

Não é só que o ambiente afeta nossas ações. Nossas ações, por sua vez, também afetam como nos vemos.

“Talvez não sejamos particularmente confiáveis e, em vez disso, devolvemos a carteira para impressionar as pessoas que nos rodeiam. Mas, ao não perceber isso, inferimos que somos limpos e honestos. Talvez nós reciclemos porque a cidade facilitou isso (dando-nos uma lixeira e recolhendo todas as terças-feiras) e nosso cônjuge e vizinhos desaprovariam se não o fizéssemos. …É evidente que o comportamento emana de nossas disposições internas, mas … o contrário também é válido. Se devolvemos uma carteira perdida, há um tique ascendente em nosso medidor de honestidade. Depois de arrastar a lixeira de reciclagem para a calçada, nós inferimos que nos preocupamos realmente com o meio ambiente. E depois de comprar o café, assumimos que somos apreciadores de café”.

Isso é uma coisa poderosa.

Uma grande parte do bem-estar é como nós nos percebemos e o mundo que nos rodeia. Se minhas ações mudam a forma como eu me vejo então, bem, como eu ajo pode ter tremendo efeito sobre a minha qualidade de vida.

As ações podem literalmente mudar quem somos.

Auto sinalização

Em seu livro A verdade honesta sobre a desonestidade, o autor e psicólogo australiano Dan Ariely apresenta o que os cientistas sociais chamam de “auto sinalização”:

A ideia básica por trás da auto sinalização é que, apesar do que tendemos a pensar, não temos uma noção muito clara de quem somos.  Nós geralmente acreditamos que temos uma visão privilegiada de nossas próprias preferências e caráter, mas, na realidade, não nos conhecemos tão bem (e definitivamente não tão bem como pensamos que conhecemos). Em vez disso, nos observamos da mesma forma que observamos e julgamos as ações de outras pessoasinferindo quem somos e o que gostamos de nossas ações.

Embora a introspecção seja uma ferramenta poderosa, parece que a maioria de nós não é tão bom nisso.

O livro contém todo tipo de experiências fascinantes, mas uma série em particular se destacou para mim.  As pessoas a quem se pediu que usassem uma bolsa Prada falsificada foram então convidadas a fazer um teste. As pessoas que usavam bolsas falsificadas (em média) na verdade trapaceavam mais:

“… uma vez que, conscientemente, usamos um produto falsificado, as restrições morais se afrouxam até certo ponto, tornando mais fácil para nós dar mais passos no caminho da desonestidade”.

Então, essa sensação de que somos desonestos, realmente nos leva a fazer coisas mais desonestas no futuro.

Mas ainda há mais. Tome passos suficientes na direção errada, e (como todos nós já fizemos antes), encolhemos os ombros e dizemos: “Ah, foda-se”. Simplesmente paramos de nos preocupar.

Ariely chama isso de efeito foda-se:

“… para muitas pessoas houve uma transição muito acentuada onde, em algum momento do experimento, eles gradualmente evoluíram de um pouco de trapaça para trapacear em todas as oportunidades que eles tivessem. … quando se trata de trapacear, nós nos comportamos praticamente da mesma forma que fazemos nas dietas. Uma vez que começamos a violar nossos próprios padrões (digamos, com trapaças em dietas ou por incentivos monetários), ficamos muito mais propensos a abandonar novas tentativas de controlar nosso comportamentoe, a partir desse ponto, há uma boa chance de sucumbir à tentação de se comportar ainda pior”.

Eu senti isso muitas vezes. Na academia, se eu trapacear uma vez em repetições (“Bem, eu perdi a conta em três, mas senti como se eu fizesse oito, então digamos que eram oito …”), é mais fácil ser preguiçoso no dia seguinte também. Em breve, começo a pular exercícios inteiros. E, logo em seguida, eu simplesmente deixo de ir à academia.

Há aqui um círculo vicioso - quando trapaceamos, nos vemos como trapaceiros. E, depois de trapacear o suficiente, existe o risco de desistir de nossas regras e padrões. Uma única trapaça na refeição pode afetar hoje, amanhã, a próxima semana e até mesmo como quem você se vê para o resto de sua vida.

Agora, a boa notícia. Funciona na outra direção.

Uma única ação desonesta pode nos tornar mais desonesto, mas uma única ação positiva também pode nos tornar melhores.

Nós sabemos que apenas fingir um sorriso nos faz sentir melhor. E fazer uma melhor escolha hoje - seja se nós escolhemos comer uma refeição saudável, telefonar para um amigo apenas para dizer olá, ou doar dinheiro para uma causa em que acreditamos - afeta o nosso amanhã tanto no que nós fazemos quando na maneira como nos vemos.

Às vezes, fingir é a forma de fazê-lo.

 

 

Https://medium.com/the-polymath-project/self-signaling-how-our-actions-can-change-who-we-are-d7ab9ef6bc45

A Natureza da Maçonaria

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José A. Filardo M.´. I.´.

Em nossa série de artigos e pesquisas publicadas na Revista, procuramos esclarecer as influências e antecedentes da formação da Instituição que conhecemos hoje como Maçonaria.

Primeiro, em https://bibliot3ca.wordpress.com/a-verdadeira-primeira-grande-loja/ procuramos mostrar o que era a Maçonaria Operativa na Europa, como o principal elemento que informa nossa estrutura e simbologia.

Depois, mostramos o que eram as Guildas inglesashttps://bibliot3ca.wordpress.com/607-2/ também chamadas Companhias de Libré.

Depois, particularizamos uma das guildas – A guilda dos Stonemasonshttps://bibliot3ca.wordpress.com/o-dna-da-maconaria-a-companhia-dos-macons/ vez que tudo indica ter sido nela que nossos fundadores se basearam para estruturar a nova instituição.

Em nossas pesquisas, entretanto, topamos com uma informação crucial sobre o ambiente político da época que pode ter determinado a constituição da primeira grande loja e sua difusão a partir dai – O Riot Act de 1715. https://bibliot3ca.wordpress.com/dna-da-maconaria-por-que/

LEI MAIS EM:

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A Natureza da Maçonaria

Capítulos de História Maçônica – H.L. Haywood

Tradução J.Filardo

Este trabalho destina-se a cobrir, capítulo por capítulo, os períodos mais importantes e características da história maçônica. Condensei e simplifiquei até o limite da minha capacidade, mas mesmo assim, sei que os novatos podem achar difíceis algumas passagens.

Esta dificuldade reside no assunto, que é teimoso e complicado até certo ponto e, portanto, significa que os próprios leitores devem cooperar por meio de uma vontade de ler, reler e estudar. Certamente o assunto vale a pena!

H.L. Haywood.

PARTE I – A MAÇONARIA E OS CONSTRUTORES DE CATEDRAIS

PARTE II – MAÇONARIA E A CASA DOS HOMENS

PARTE III – MITRAÍSMO: MAÇONARIA E OS MISTÉRIOS ANTIGOS

PARTE IV – A MAÇONARIA E OS COLLEGIA ROMANA

PARTE V – AS ANTIGAS OBRIGAÇÕES DA MAÇONARIA E O QUE ELAS SIGNIFICAM PARA NÓS

PARTE VI – A MAÇONARIA E OS MESTRES COMACINE

PARTE VII – A MAÇONARIA E O SISTEMA DE CORPORAÇÕES

PARTE VIII – OS MAÇONS OPERATIVOS

PARTE IX – COMO A MAÇONARIA OPERATIVA SE TRANSFORMOU NA MAÇONARIA ESPECULATIVA: O PERÍODO DE TRANSIÇÃO

PARTE X – A PRIMEIRA GRANDE LOJA

PARTE XI – O GRANDE CISMA NA MAÇONARIA: UM RELATO DA GRANDE LOJA DOS “ANTIGOS”

PARTE XII – DIVERSAS GRANDES LOJAS: YORK, IRLANDA, ESCÓCIA ETC.

PARTE XIII – DIVERSAS GRANDES LOJAS, FRANÇA, ALEMANHA, ETC.

Leia mais em: Capítulos de História Maçônica

GOB revisa direito de Intervisitação

O Grão-Mestre Geral (em exercício) do Grande Oriente do Brasil, Ir.’. Euripedes Barbosa Nunes emitiu o decreto # 1.551 de 02 de Agosto de 2017:

“CONSIDERANDO que as potências maçônicas regulares reconhecidas mundialmente são relacionadas na publicação List of Lodges, e que de acordo com informações verbais obtidas junto à empresa editora do List of Lodges, nele figurarão a partir da edição de 2018, o Grande Oriente do Rio Grande do Sul, o Grande Oriente de Santa Catarina e o Grande Oriente de Mato Grosso, e ainda, que apenas por perda de prazo, o Grande Oriente do Paraná somente figurará a partir da edição de 2019. não se constituindo impedimento de ordem legal.

………

Artigo 1 – Fica oficialmente estabelecida a intervisitação entre os maçons e as Lojas jurisdicionadas ao Grande Oriente do Brasil e os Grandes Orientes do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso.

Veja a íntegra do decreto em: Decreto 1551 de 2/8/2017

A “Tradição dos Antigos”: um mito historiográfico francês

Tradução J. Filardo

Por Roger Dachez

Um ensaio de desconstrução das lendas urbanas que ainda persistem em alguns círculos maçônicos franceses …

À luz do que acabamos de ver, uma realidade simples aparece: o que separava os Antigos e os Modernos na Inglaterra, sobre o plano estritamente maçônico e ritual, representava muito pouco, e esta diferença foi diminuindo rapidamente, ao ponto de que foi muito fácil remover completamente os obstáculos que ainda os separavam no final do século XVIII.

É provável que o caso da lei sobre sociedades ilegais (Unlawful Societies Act) em 1799, tenha levado os dois Grandes Mestres das duas Grande Lojas “rivais” a fazer uma abordagem conjunta junto às autoridades para isentar toda a maçonaria dos rigores da lei, o que marcou uma etapa importante na reconciliação – embora não tenha tido origem em iniciativa das próprias Grandes Lojas! É preciso também refletir, sem dúvida, sobre a eliminação da geração fundadora, fortemente envolvida no período mais violento do conflito, incluindo o próprio Lawrence Dermott, que morreu em 1791.

Leia mais em: A Tradição dos Antigos: Um mito

Rito Escocês nos Estados Unidos

pelo irmão S. BRENT MORRIS 33° G.C.

Tradução José Filardo

OS ALTOS GRAUS NOS ESTADOS UNIDOS: 1730–1830

A Maçonaria nos Estados Unidos da América teve uma história inicial fora do comum. Importada da Europa – Inglaterra, Escócia, Irlanda, França e Alemanha – tornou-se rapidamente uma das mais importantes organizações coloniais. “Na geração da revolução [americana], a capacidade da Maçonaria de encarnar as diferentes demandas culturais do período deu-lhe um enorme poder.” (1) Ela tornou-se uma organização exclusiva durante a revolução e, em seguida começou a expandir sua base de filiação entre a classe média. É irônico que a Maçonaria Simbólica fosse atacada por sua perceptível influência de elite à medida que começou a aumentar os seus quadros.

Em 1826, em Nova York, William Morgan publicou uma exposição pública de rituais maçônicos. (2) Mais tarde, ele foi raptado por maçons em Canandaigua, Nova Iorque, e em seguida desapareceu. Acreditava-se amplamente que ele tinha sido assassinado como parte de uma conspiração maçônica. O clamor público levou à criação do primeiro “terceiro partido” mais importante na política americana, o Partido Antimaçônico. Em 1830, a Maçonaria estava morta ou adormecida na maior parte dos Estados Unidos. Como Pompéia após o Vesúvio, quase tudo relacionado com maçonaria foi destruído pela erupção da antimaçonaria. Só em 1840 que a fraternidade começou a se recuperar daquele golpe quase fatal.

Assim, podemos perfeitamente enquadrar a época inicial da Maçonaria norte-americana entre dois eventos: a abertura da primeira loja, cerca de 1730 e a quase destruição da Maçonaria cerca de 1830. A Maçonaria cresceu e se desenvolveu nos Estados Unidos durante este período, principalmente através da importação de ritos e graus. As inovações que ocorreram foram refinamentos, não fabricação de graus no atacado. Os maçons americanos pareciam bem conscientes de que sua fraternidade era uma criação europeia e olhavam para aquele continente como a fonte e a origem de tudo o que era “regular” em Maçonaria. Há pouca evidência de criatividade ritual americana naquela época.

Ler mais: O Rito Escocês nos Estados Unidos