Rito Escocês nos Estados Unidos

pelo irmão S. BRENT MORRIS 33° G.C.

Tradução José Filardo

OS ALTOS GRAUS NOS ESTADOS UNIDOS: 1730–1830

A Maçonaria nos Estados Unidos da América teve uma história inicial fora do comum. Importada da Europa – Inglaterra, Escócia, Irlanda, França e Alemanha – tornou-se rapidamente uma das mais importantes organizações coloniais. “Na geração da revolução [americana], a capacidade da Maçonaria de encarnar as diferentes demandas culturais do período deu-lhe um enorme poder.” (1) Ela tornou-se uma organização exclusiva durante a revolução e, em seguida começou a expandir sua base de filiação entre a classe média. É irônico que a Maçonaria Simbólica fosse atacada por sua perceptível influência de elite à medida que começou a aumentar os seus quadros.

Em 1826, em Nova York, William Morgan publicou uma exposição pública de rituais maçônicos. (2) Mais tarde, ele foi raptado por maçons em Canandaigua, Nova Iorque, e em seguida desapareceu. Acreditava-se amplamente que ele tinha sido assassinado como parte de uma conspiração maçônica. O clamor público levou à criação do primeiro “terceiro partido” mais importante na política americana, o Partido Antimaçônico. Em 1830, a Maçonaria estava morta ou adormecida na maior parte dos Estados Unidos. Como Pompéia após o Vesúvio, quase tudo relacionado com maçonaria foi destruído pela erupção da antimaçonaria. Só em 1840 que a fraternidade começou a se recuperar daquele golpe quase fatal.

Assim, podemos perfeitamente enquadrar a época inicial da Maçonaria norte-americana entre dois eventos: a abertura da primeira loja, cerca de 1730 e a quase destruição da Maçonaria cerca de 1830. A Maçonaria cresceu e se desenvolveu nos Estados Unidos durante este período, principalmente através da importação de ritos e graus. As inovações que ocorreram foram refinamentos, não fabricação de graus no atacado. Os maçons americanos pareciam bem conscientes de que sua fraternidade era uma criação europeia e olhavam para aquele continente como a fonte e a origem de tudo o que era “regular” em Maçonaria. Há pouca evidência de criatividade ritual americana naquela época.

Ler mais: O Rito Escocês nos Estados Unidos

Associações Voluntárias e Religião Civil: O Caso da Maçonaria

Tradução J. Filardo

Por JOHN WILSON
Departamento de Sociologia
Duke University
Review of Religious Research, Vol. 22, bro. 2 (Dezembro 1980)

Uma pesquisa de amostra aleatória de Maçons em um estado do Meio-Oeste americano mostra que eles vêm principalmente de extratos socioeconômicos mais altos, embora menos que há 20 anos atrás. A maioria dos membros se descreveu como inativos e não familiarizados com os procedimentos de loja, mas mostraram fidelidade direta à Ordem e um compromisso firme com seus ideais. Este paradoxo é resolvido com a ajuda de ideias extraídas dos escritos de Bellah sobre religião civil.

Nos Estados Unidos, as associações voluntárias desempenham diversas funções. Para o indivíduo, elas proporcionam suporte afetivo e uma sensação de Solidariedade com outros que têm interesses semelhantes. Para a sociedade como um todo, elas podem ser “consideradas como entidades integradoras em nível de comunidade, estado, regional ou nacional “(Babchuk e Edwards, 1973: 265, ver também, Cutler, 1573:135; Rose, 1967: 229-233). Talvez nenhuma outra associação preencha os interstícios entre a família e a comunidade melhor que a ordem fraternal, com sua mistura especial de prazeres privados e serviço público. A fraternidade é ao mesmo tempo um refúgio, em que os interesses e gratificações particulares podem ser realizados e um grupo de ação social, através do qual os compromissos públicos podem ser expressos. Este duplo papel das fraternidades é de especial interesse para mim neste trabalho.

O epítome do fraternalismo nos Estados Unidos é a Maçonaria. Ela serve de modelo para a maioria das outras ordens fraternais. É de se esperar que ela também funcionará como um elo entre as esferas privada e pública. Mas a Maçonaria é até certo ponto um caso especial entre as fraternidades. Muito mais que qualquer outra ordem, ela enfatiza a aprendizagem esotérica e a promulgação de um sistema moral fundado em crenças religiosas. Sua natureza quase religiosa é testemunhada pela hostilidade com que ela tem sido tratada por muitos dos corpos religiosos mais ortodoxos (Myers, 1960).

Leia Mais em: Associações Voluntárias e Religião Civil

Constituições de Anderson – Análise do primeiro artigo

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James Anderson 

(Ir.´. Alain F. Marti / Fidelidade e Prudência, esta conferência foi apresentada no Congresso da LUF em setembro de 2003).

Tradução J. Filardo M.´. I.´.

De acordo com o uso do Grande Oriente de França, foi feita a leitura do primeiro artigo das Constituições de Anderson, carta fundamental da Maçonaria especulativa. A sobre essas Constituições que eu quero lhes falar agora.

Vejamos novamente este Artigo Primeiro:

“Um maçom é obrigado por seu mandato a obedecer à lei moral e, se compreende bem a arte, nunca será um ateu estúpido nem um libertino irreligioso. Embora nos tempos antigos os maçons fossem obrigados em cada país a praticar a religião daquele país, qualquer que fosse ela, agora é considerado mais conveniente apenas obrigá-los a seguir a religião com a qual todos os homens concordam, isto é, ser homens bons e verdadeiros, ou homens de honra e probidade, quaisquer que sejam as denominações ou confissões que ajudam a diferenciá-los, de forma que a Maçonaria se torne o centro de união e o meio para estabelecer uma amizade sincera entre homens que de outra forma permaneceriam separados para sempre”.

Há certamente muito a dizer sobre este texto e muita tinta já correu sobre ele. Ele exige realmente desenvolvimento.

Leia mais em: Constituições de 1717 – Análise do Artigo Primeiro

Published in: on julho 21, 2017 at 10:27 am  Deixe um comentário  
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O esoterismo dos construtores de catedrais.

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Tradução J. Filardo

Por Jean van Win

A frase composta para o título consiste em três conceitos distintos: primeiro, o de esoterismo, em seguida, o de construtores e, finalmente, o das catedrais que são os monumentos mais grandiosos do catolicismo romano.

Estes três elementos justapostos refletem uma crença compartilhada por certos maçons: os construtores de catedrais praticavam entre eles, e gravavam nas pedras das igrejas, colégios e catedrais, mensagens e sinais de esoterismo, que para alguns autores do final do século XIX, se tornam pura heresia ou anticlericalismo se não ateísmo.

Vejamos rapidamente cada um desses conceitos separadamente, antes de compreender, porque é muito mais uma questão de compreender que de aderir.

O esoterismo.

O esoterismo é uma maneira de pensar sobre a vida interior e que se manifesta na discrição, mesmo em segredo. Assim como o símbolo, de que só alguns podem entender o significado, escreve Marie-Madeleine Davy em sua indispensável “Introdução ao simbolismo romano”, publicado pela Editora Flammarion.

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Published in: on julho 17, 2017 at 5:48 pm  Comments (1)  
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Arte e Maçonaria: Mitos Solares e Cinema

 Por José Filardo – M.´. I.´.

 

Oceanos de tinta foram gastos na polêmica entre Criacionistas e Evolucionistas.

O Grande Arquiteto (William Blake)

Os Criacionistas, por um lado, trazem à discussão a posição do Cristianismo centrada no Livro Gênesis da Bíblia, defendendo a idéia de que o mundo foi criado por um Deus onipotente, onisciente e onipresente, em sete dias, e que o Homem foi por Ele criado a partir do barro, e a Mulher a partir de uma costela do Homem. Ao ceder à tentação de ter acesso à árvore do conhecimento, o Homem e a Mulher caem em desgraça e são expulsos do Paraíso.

Os Evolucionistas, com base na teoria de Charles Darwin, sustentam ter o homem, assim como todas as espécies, passado por um processo de evolução, a partir do denso caldo de cultura criado nos mares, quando se amenizaram as condições da Terra, milhões de anos atrás.

Segundo a teoria, tudo o que existe na Terra, que se possa chamar de vida, é o resultado possível das condições existentes.

A condensação de elementos químicos e sua organização em sistemas mais complexos somente foi possível devido ao resfriamento da terra até o ponto em que a sobrevivência daqueles sistemas complexos fosse viável. Daí, a necessidade forçou sua evolução, em organismos progressivamente mais complexos, sempre balizados pela possibilidade, dentro das condições existentes. Mutações acontecem aos milhões, mas somente as mutações possíveis sobrevivem.

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Published in: on julho 13, 2017 at 10:12 am  Comments (3)  
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A verdadeira identidade do Irmão Ancião de Rudolf Steiner Revelada

Descobrindo o segredo de “M”, o Adepto por trás da Tradição Ocidental

Tradução J. Filardo


Por Richard Cloud

Muitas especulações foram gastas para descobrir a verdadeira identidade de M de Steiner De acordo com uma Ordem Rosacruz na Alemanha, eles conhecem a identidade deste “Mestre” desconhecido.

Por que isso é tão significativo? De acordo com os ensinamentos de Steiner, “o M” deve ter sido a atual encarnação de Christian Rosenkreutz durante aquela época. Aqui eu revelo o nome dessa pessoa e compartilho a jornada do que encontrei. Essas descobertas foram surpreendentes para dizer o mínimo.

Rudolf Steiner

Em primeiro lugar, deve ser dito que recorreremos a materiais publicados para avaliar essa alegação. Qualquer um pode cruzar referências a estas declarações e observar os fatos. Como estudante de Rudolf Steiner, sempre fui fascinado pela identidade de quem era o Mestre e queria saber mais. Minha pesquisa aqui, de forma alguma, tenta diminuir o trabalho do Dr. Steiner. Pelo contrário, é meu amor por este grande professor de humanidade que me levou a realizar essa tentativa de esclarecimento.

Em 1907, Rudolf Steiner escreveu um breve esboço autobiográfico conhecido como “Documento Barr”. Neste famoso documento, Steiner menciona seu primeiro encontro com “o M”. Desde então, a especulação girou em torno da identidade desse indivíduo, o que não é de se admirar. Ao contrário de outros fundadores rosacruzes como Harvey Spencer Lewis ou Max Heindel, que fizeram alegações de herdar a tradição Rosicruciana, os seguidores da Antroposofia realmente acreditam que Steiner encontrou C.R.C. face a face!

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Arquitetura Sagrada – Brasília

BRASÍLIA
CIDADE SAGRADA

José Antonio de Souza Filardo M.´. I.´.

Catedral de Brasília – Proj. Oscar Niemeyer (1958)

2007

“Existem mais coisas entre o céu e a terra, Horacio,
do que sonha a nossa vã filosofia.”
(William Shakespeare, Hamlet)

A primeira reação ao se ler ou ouvir este título é “lá vem outro idiota falar da profecia de Dom Bosco…”

Alega-se que este padre italiano, que fundou os Colégios Salesianos, teria previsto o surgimento de uma “Terra da Promissão, fluente de leite e mel” entre os paralelos 15 e 20 da América do Sul.

Pois bem, esta profecia nada mais é que a prova do grau de informação que a Igreja tinha sobre os fatos do mundo. Dom Bosco nasceu em 1815, foi ordenado padre em 1841 e teve o famoso sonho em 1883.

Ora, já em 1809 defendia-se a criação de uma Nova Lisboa no interior do Brasil. Logo a seguir, nosso Irmão Hipólito José da Costa, em repetidos artigos de seu Correio Braziliense, reivindicava com veemência (a partir de 1813) “a interiorização da capital do Brasil, próximo às vertentes dos caudalosos rios que se dirigem para o norte, sul e nordeste“. E se não bastasse esta publicação de 1813, em 1822 é publicado o “Aditamento ao projeto de Constituição para fazê-lo aplicável ao reino do Brasil”, estipulando, logo no primeiro artigo, que “no centro do Brasil, entre as nascentes dos confluentes do Paraguai e Amazonas, fundar-se-á a capital desse Reino, com a denominação de Brasília”. Esta posição geográfica, paralelo 15, corresponde ao local onde, setenta anos mais tarde, o bom padre “sonhou e previu” que surgiria alguma coisa…

A constituição republicana de 1891 contém, expressamente, no seu art. 3o.: “Fica pertencente à União, no Planalto Central da República, uma zona de 14.000 km2, que será oportunamente demarcada, para nela estabelecer-se a futura Capital Federal”. Floriano Peixoto (segundo presidente da república) deu objetividade ao texto, constituiu a Comissão Exploradora do Planalto Central do Brasil (1892), sob a chefia do geógrafo Luís Cruls, que apresentou substancioso relatório, delimitando, na mesma zona indicada por Varnhagen, uma área retangular que ficou conhecida como Retângulo Cruls.

Retângulo Cruls

Não resta a menor dúvida de que Dom Bosco, ou era leitor do Correio Braziliense, ou ávido leitor do arquivo sobre o Brasil nos porões do Vaticano…

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Rito Moderno Francês Restaurado: Sistema Maçônico Em Três Graus e Quatro Ordens

Tradução J. Filardo

compasso esquadro piso

AS ORIGENS HISTÓRICAS DO RITO MODERNO

Nunca houve Lojas de maçons na Idade Média. Os pedreiros, assentadores e canteiros eram agrupados em guildas e corporações a que se chamava o Ofício (Craft).

Eles estavam em barracas provisórias chamadas de lojas na França e “Bauhütte” na Alemanha.

As diferentes profissões agrupadas sob o título genérico de Maçons entravam na Guilda prestando um juramento sobre as Sagradas Escrituras. Este juramento santificava seu compromisso com seus deveres para com seus empregadores, colegas e suas mulheres, nada mais. Os sapateiros, açougueiros, serralheiros prestavam um juramento idêntico e não há segredo esotérico em tudo isso.

Nenhuma Loja de maçons – no sentido de assembleia de homens existia antes do Renascimento, período em que o poder da igreja começa a diminuir, tanto no plano espiritual quanto material.

É então, no século 17, e exclusivamente no Reino Unido, composto pela Escócia, Inglaterra e Irlanda, que aparecem as Lojas de maçons no sentido que as entendemos.

Conglomerado heterogêneo de antigos trabalhadores da construção, burgueses e notáveis, vagamente federados em Grandes Lojas locais ou provinciais. Esta instituição com princípios religiosos e morais articulados em torno da alegoria do Templo de Salomão permaneceu profundamente católica, anglicana, apesar das inovações anglicanas de Henrique VIII.

Documentos provenientes desses séculos antigos existem. Estes são as muito católicas “Antigas Obrigações”: Antigos Deveres.

Até o nascimento da Grande Loja de Londres, nunca houve iniciação ou simbolismo, mas sim emblemas e uma cerimônia de recepção, cujo ponto essencial era a comunicação secreta da palavra do Maçom (Mason’s word).

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Por que James Joyce teve que sair de Dublin para se encontrar

Tradução J. Filardo

Por Ian Walker

James Joyce (1882-1941)

Ulysses é a história de um lugar – Dublin – tanto quanto qualquer outra coisa. Então, por que James Joyce teve que sair da cidade para escrever sua obra-prima?

Em 10 de junho de 1904, James Joyce, enquanto caminhava pela rua Nassau em Dublin, viu uma jovem chamada Nora Barnacle. Ele se apaixonou instantaneamente. Ele era um escritor talentoso, mas empobrecido que apesar da falta de sucesso publicado, fazia parte da vida cultural e artística da cidade. Ela era uma jovem camareira de Galway. Eles eram um casal improvável.

No início, Barnacle ignorou os avanços de Joyce, mas ele persistiu e, quase uma semana depois, eles saíram juntos para a praia em Sandymount, nos arredores de Dublin. Uma vez lá, as coisas ficaram um pouco íntimas, o que não foi realmente uma grande coisa para ninguém além dos dois jovens amantes – mas foi uma grande coisa para Joyce que escolheu essa data, 16 de junho de 1904, como o dia em que os eventos em sua novela modernista Ulisses ocorreram.

Ao longo daquele dia, a novela segue seus dois principais protagonistas, Leopold Bloom e Stephen Dedalus, enquanto percorrem Dublin resolvendo seus negócios do dia-a-dia.

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Sir Christopher Wren, Arquiteto e Maçom

Tradução J. Filardo

de René Desagulier e Harold DORN & Robert MARK

Sir Christopher Wren

Se Isaac Newton é, sem dúvida, o mais famoso cientista da junção dos séculos XVII e XVIII, há um outro menos conhecido entre nós, mas que, no entanto, teve a honra de dois artigos na revista Renaissance tradicional, ele é Sir Christopher Wren.

Quem foi esse homem que o próprio Newton descrevia como “o maior geômetra do nosso tempo” e que Robert Hooke [i] colocava no mesmo nível de Arquimedes? Cientista de um lado, dissemos, pois era professor de astronomia e presidente da Royal Society [ii] e e geômetra, por outro, pois Arquiteto, e até mesmo: Arquiteto Geral da Inglaterra nomeado por Charles II. Ele faz parte dessa categoria de cientistas da segunda metade do século XVII que pensavam que a mecânica influenciava a arquitetura, e aos quais eram confiados grandes projetos que exigiam importante estrutura mecânica, uma lista onde encontramos entre outros Guarino Guarini [iii] na Itália, Claude Perrault [iv] na França e, é claro, Hooke, na Inglaterra.

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