O Galo, o Pelicano e a Águia – Simbólicos ou reais – Estes animais que nos interrogam sobre nos sa condição humana

Tradução José Filardo

Publicado 17 de maio de 2017 – por John Moses Braitberg

Do galo do gabinete de reflexão à águia de uma ou duas cabeças, passando pelo pequeno povo do Livro da selva de Kipling, os animais, embora raros, estão simbolicamente presentes na Maçonaria. E assim eles nos lembram que a observação da natureza é instrutiva sobre a nossa condição humana. Tomemos cuidado, entretanto, de não humanizar demais a natureza, sob risco de distorcer o humanismo.

Devemos admitir que, entre os maçons, os animais estão mais presentes na mesa do banquete, que em seu simbolismo. Se existe, o bestiário maçônico inclui apenas animais de penas. Animais aéreos, relacionados, portanto, com a respiração, o espírito, o céu. Embora o primeiro deles, o galo, mesmo se ele tem asas para voar, tem as duas pernas bem colocadas sobre a terra e se manifesta principalmente por seu canto matinal, chamando ao despertar, à iluminação, ao renascimento. Razão pela qual o galo está presente no gabinete de reflexão, por vezes associada a esta frase: “Vigilância e perseverança. Ele vela na escuridão e anuncia a luz”.

O galo anuncia a chegada da luz e, portanto, da iniciação. Seu significado simbólico é tão antigo quanto universalmente distribuído. Anteriormente, os companheiros construtores utilizavam o galo para exorcizar suas construções. Sua cor era importante porque correspondia a um dos três cantos que o galináceo canta ao alvorecer. O primeiro galo é preto, porque o seu canto acontece durante a noite; o segundo é vermelho como a cor da aurora e simboliza a luta entre a escuridão e a luz; o terceiro é branco, porque a luz conquistou a escuridão. Cabia ao mais jovem aprendiz ir colocar o frango, o catavento em forma de galo, no topo da torre da igreja.

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Published in: on maio 26, 2017 at 12:46 pm  Deixe um comentário  
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O Rito Francês, “Antigo ou Moderno”?

Tradução José Filardo

Por Roger Dachez

Templo Groussier – GODF

UM RETORNO ÀS FONTES HISTÓRICAS DA MAÇONARIA

No início da Maçonaria o Rito não era nem “Moderno”, nem “Francês”, nem sequer “Antigo”. Esta unidade ou qualidade ritual foi quebrada em 1751, ao se criar a Grande Loja em Londres que se chamou “dos Antigos”, em oposição à primeira “dos Modernos” criada em 1717. Novos usos rituais foram adotados, mas somente na Inglaterra.

De um lado está a legitimidade da Maçonaria que vem através de rituais sem idade, atemporais, são tempos que poderíamos dizer estão suspensos em usos rituais imemoriais; e que por sua vez são a negação de toda a história: o universo e a decoração familiar da maçonaria que se desdobra dentro de uma ahistoricidade permanente, onde apenas conta o significado perene dos símbolos e dos ritos. Essa é a ambivalência da Maçonaria.

Mais realidade é inevitável, teimosa e, em parte, vem para roubar o ideal que nós expressamos. É inútil, e até mesmo vão, negar que a Maçonaria é uma instituição social que ao longo de toda a sua história foi se compondo e construindo com os valores de seu tempo, integrando as preocupações humanas e as especificidades culturais que pululam nas lojas que a compõem. Tudo isso, por outro lado, muito confrontado com questões de poder e os discursos de legitimação que não se relacionam apenas ao Templo de Salomão, ou às antigas tradições ambíguas, mas também em acreditar que ela tem uma autenticidade jurídica que justifica sua autoridade perante as instâncias que pretende assumir. Em uma palavra, ela se faz política.

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Rito e a arte da conversação em loja

Tradução José Filardo

por Jean-Pierre Dupuis

Kung Fu Zu

O fundador do pensamento chinês, Kung Fu Zu (Confúcio) e o enciclopedista amigo de Voltaire, o Abade Morellet, cada um em seu estilo e em sua própria maneira mostram pela primeira vez a importância do rito para a segunda arte da conversação como pré-requisitos para as relações humanas e seu bom funcionamento. Isto irá deliciar os maçons …

Inquestionavelmente, estão bem a importância do ritual e a arte da conversação no coração da prática maçônica e de sua formação, que o maçom trabalha em sua loja simbólica. Ao diabo, então, as oficinas seniores, pois mesmo nos graus simbólicos o maçom não perde seu tempo e ganha em humanidade sempre que ele é assíduo …

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À sombra dos mitos – Sinais de reconhecimento, segredo, fraternidade…

Tradução José Filardo

por François Cavaignac

A Maçonaria, cuja originalidade consiste em misturar ritual e reflexão, tradição e modernidade, simbolismo e solidariedade, não escapou do mito. Ela tem uma dúzia de histórias ou referências míticas que ela emprestou do fundo cultural judaico-cristão e que lhe permitiu desenvolver uma visão particular do mundo.

Em relação à mitologia clássica, ela selecionou seus temas preferidos: ela não destaca Édipo, Sísifo ou Eros, Zeus ou os Titãs, Orfeu e o submundo, belas deusas e ninfas imprevisíveis, heróis metamorfoseados, monstros fabulosos ou histórias de amor e incesto. Mas encontramos o crime (assassinato de Hiram), tantas vezes presente nas relações entre os deuses pagãos; encontramos a questão da transmissão do conhecimento (as duas colunas) colocada por Prometeu ou Hermes; encontramos a culpa do homem envolvendo a vingança de Deus (o Dilúvio e a Torre de Babel).

Basta dizer que a mitologia maçônica, apesar de dimensões restritas, não pertence menos à mitologia universal. Ela pode se articular em torno de três eixos: primeiro, a construção do Templo, imagem fantasista do templo de Salomão. Este edifício é tanto o próprio templo interior de cada maçom que deve dominar sua natureza, e o templo exterior representado pela Cidade ideal; em todos os casos, assume-se que permanece inacabado. Em segundo lugar, a lenda de Hiram, transposição de múltiplos arquétipos, retomada parcial do mito de Ísis e Osíris, símbolo da transcendência diante da finitude humana, realização de um destino e esperança de uma ressurreição. Finalmente, o mito de cavalaria que não só penetrou o ritual desde o grau de aprendiz (cerimônia de iniciação), mas também promove os valores tradicionais atribuídos a esta instituição: honra, coragem, lealdade, generosidade, altruísmo. Tal como o conjunto da sociedade, o fascínio cavalheiresco também permeia a Maçonaria.

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O Olho da Providência [1] no simbolismo maçônico

Sérgio Koury Jerez

Diferentemente de alguns dos símbolos adotados na maçonaria, como o compasso, o esquadro e outros que notadamente são artefatos criados pelo homem e de uso corrente na maçonaria operativa, o Olho da Providência contido dentro de um triângulo é, em si mesmo, um símbolo de símbolos, que procura, de um modo peculiar, nos transmitir a ideia de onisciência do Grande Arquiteto do Universo.
Para entendê-lo – e nesse particular ele se comporta como os demais símbolos – é preciso que empreendamos uma longa viagem ao passado, embora saibamos que sua origem real estará sempre além, nos confins do tempo, da capacidade humana de documentar ideias.
Egípcios, acádios, assírios e babilônios
Começamos, como qualquer pesquisador que queira entender a simbologia adotada pelas sociedades ocidentais, a procurar as raízes do Olho da Providência nas civilizações antigas, em especial na egípcia e suas contemporâneas da Mesopotâmia. E, na nossa caminhada, vamos acabar por constatar que em todas as culturas originárias daquela região, como as dos assírios, babilônios e acádios, além dos próprios egípcios, reverenciava-se um deus que era representado por um anel alado.

Anel alado Assírio (foto tirada no Museu Britânico por Robin Edgar)

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Published in: on fevereiro 25, 2017 at 11:18 am  Deixe um comentário  
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Reflexão necessária diante dos golpes e ataques que a democracia vem sofrendo nesses tempos difíceis.

Precisamos reinventar a democracia, ou simplesmente tomar a palavra ao pé da letra?

Tradução José Filardo

por Henri Pena-Ruiz

A democracia é, literalmente, a soberania do povo, isto é, seu poder sobre si mesmo, sua autodeterminação. A etimologia grega é esclarecedora: considerada como conjunto humano organizado em comunidade política, em cidade (polis em grego), o povo se chama demos. E a capacidade que o povo tem de se organizar autonomamente se chama Kratos, termo que designa de maneira geral o poder de fazer. A democracia, o poder de auto regulação do povo se combina com a ideia de soberania popular consagrada por Rousseau: as pessoas dão-se sua própria lei em vez de a impor como um comando por uma instância superior.

Desconforto na democracia

Hoje, é questionável se a democracia ainda existe. Certamente, os encantos abundam. E referências aos direitos formais e a eterna invocação do Estado de direito. Mas quais são ainda os poderes efetivos do povo, quando se combinam desvios pouco inocentes que invalidam na prática uma democracia incessantemente exaltada em teoria? A soberania efetiva do povo ainda é respeitada? As liberdades formalmente reconhecidas não são esvaziadas de sua substância, devido a relações de poder econômicas e sociais? Margaret Thatcher, lançado certa vez, sobre o neoliberalismo “Não há alternativa”, não invalida ela a ideia de escolha democrática? A deliberação coletiva ainda faz algum sentido quando especialistas não eleitos, raramente neutros sugerem e, finalmente, impõem orientações coletivas, dando-as como absolutamente necessárias? A construção europeia, que deveria unir as nações em nome da democracia, não a desrespeita ao retirar dos povos as principais áreas de sua soberania? Estas questões controversas se colocam, confirmadas por uma crescente dúvida sobre o caráter democrático de nossas sociedades. É preciso pensá-las à luz da história passada e presente.

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Jesuítas Bretões na fonte da Maçonaria Francesa?

Tradução José Filardo
por Francis Moray

Um dos “quadros de missão” jesuítas usados no final do século XVII – Antes do advento da Maçonaria Moderna

Jesuíta! Maçom! Dois termos raramente associados – exceto pelos adeptos das fantasias de teoria da conspiração ou um Umberto Eco no Cemitério de Praga. Duas palavras raramente associadas, certamente, mas a quantidade de elementos que sugerem que seria preciso – e até provável – desenterrar a questão das ligações – reais ou imaginárias – entre a Maçonaria e Companhia de Jesus.

Com frequência, nos recantos mais obscuros da Maçonaria – obscuros porque menos explorados – não é incomum ver a sombra dos jesuítas. Jesuítas que, antes de serem rebatizados com esse nome, chamavam-se entre si de “companheiros” …

Certamente, a eventualidade de conexões reais entre jesuítas e maçons seria suficiente para irritar ambos os lados, que em parte esse site de busca quase deixa abandonada e esta história ainda está largamente por escrever. Deste ponto de vista, o estudo particular do eventual impacto que puderam ter os missionários da Companhia na Grã-Bretanha, nos séculos XVII e XVIII sobre a futura maçonaria em gestação, principalmente sobre a metodologia dos painéis de loja que não deixa de ressoar com nosso assunto.

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Sobre a “Construção” de Conhecimento e o Conhecimento de “Construção”

Traduzido por J. Filardo
Por Daniel Jacobi (Universidade Goethe de Frankfurt)

Desde sua chegada às Relações Internacionais (RI), cerca de 20 anos atrás, a ideia de ”construção social da realidade” estabeleceu-se firmemente na disciplina. Apesar de reconhecer que nem tudo foi construído socialmente, ”incluindo, por exemplo, o sabor do mel e o planeta Marte ” (Hacking, 1999:25), a noção erudita de que o ”social” está no cerne da (re) produção da ordem tomou o centro da cena. Com isso, inúmeros conceitos inovadores, tais como normas, ideias e identidades entraram oficialmente em nosso vocabulário, junto com a promessa de permitir um melhor estudo do “político”. No entanto, infelizmente, ao invés de embarcar em novos caminhos teóricos ou empíricos, muitos estudiosos apenas “derramaram os padrões emergentes de pensamento no antigo molde” (Wight 2002: 40) e pararam qualquer dimensão processual inerente ao novo vocabulário.

O conceito de conhecimento tem estado repetidamente na ponta receptora deste dilema. Muito frequentemente emprestado de sociólogos fenomenologicamente preparados e dos suspeitos costumeiros para a legitimação do desvio construtivista, Peter Berger e Thomas Luckmann, o conceito de conhecimento aparece com destaque como um ponto de acesso ao estudo da dimensão social da política internacional.

Ler mais: https://bibliot3ca.wordpress.com/sobre-a-construcao-de-conhecimento-e-o-conhecimento-de-construcao/

Published in: on fevereiro 12, 2017 at 3:54 pm  Deixe um comentário  
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A corda de 81 nós: uma visão operativa

Irmãos: Lincoln Gerytch
Sérgio K. Jerez
Ulisses Pereira da Silva Massad
Loja Nova Esperança, 132 – Oriente de São Paulo

Nós, como nós,
atados no fio da vida,
unidos, mas sempre sós,
elos do eterno, medida.

Nós, de S.K.Jerez

A arte da cordoaria e os nós

O uso de cordas, cordões, nós e laços pelo homem se confunde com a sua própria história. Fundamentais para a evolução da espécie e extremamente valiosos para o estabelecimento de sua supremacia sobre outros animais, o desenvolvimento destes recursos como parte do ferramental de sobrevivência humano só deve ser posterior, na escala tecnológica – se o for – ao emprego de pedras, paus e ossos pelas comunidades primitivas. Supõe-se – já que não há provas materiais disso – que mesmo o Homo habilis, que viveu entre 2,5 e 1,6 milhões de anos atrás, na África oriental, já fosse capaz de realizar atividades básicas de cordoaria e entrelaçamento de fibras.

Os primeiros materiais para confecção de cordas devem ter sido trepadeiras, cipós, peles de animais, cabelos, junco, cânhamo, tendões e tripas. Inicialmente, elas devem ter sido utilizadas para confeccionar abrigos, leitos em árvores e atar coisas a serem transportadas, e deve ter se passado um longo tempo até que os nossos ancestrais percebessem o seu valor no desenvolvimento de artefatos de caça, pesca, ataque e defesa.

Os arcos e flechas, por exemplo, que requerem o uso técnicas apuradas para produção de cordas e elaboração de nós, só vieram muito depois. Não se sabe ao certo onde se originaram, mas os vestígios mais remotos de seu uso foram encontrados em Angola, datando de aproximadamente 30 mil anos.

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Reis Magos, zoroastrismo e Maçonaria

Tradução José Filardo

por Yves BOMATI

Em 6 de janeiro, a Epifania celebra os três reis magos vindos do Oriente para prestar homenagem ao Cristo, recém-nascido em Belém. A viagem deles não é questionada, mesmo se a festa que ela gera consista na partilha alegre de um bolo de “Reis”. O que é a “Epifania”? Quem são estes magos guiados por uma estrela? E em que este episódio está relacionado com a maçonaria?

A Epifania e os Magos do Oriente

Doze dias depois do Natal, a Epifania, palavra que significa, segundo a etimologia grega, “aparição”, marca o retorno percebido da luz após o solstício de inverno. Que vêm, portanto, fazer ali os Reis Magos, nem hebreus, nem gregos, nem romanos, na lenda cristã?

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Published in: on janeiro 25, 2017 at 11:13 am  Comments (1)  
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