Catedrais Góticas: Marcas da Presença Humana

José Filardo  M.'. M.'.

Catedrais góticas me fascinam! Sou capaz de entender perfeitamente o objetivo delas de elevar os homens, de conduzir o olhar para o alto, para o divino.

Mesmo não sendo um crente, sinto vontade de ajoelhar-me toda vez que me vejo dentro de um desses monumentos que para mim são monumentos à capacidade construtiva do Homem e à habilidade dos maçons operativos cujas ferramentas e costumes inspiraram a Maçonaria Moderna.

E pensando nesses milhares de maçons desconhecidos, eu sempre procuro encontrar os sinais de suas presenças, além da manifestação esplêndida que o conjunto arquitetônico nos mostra.

Especificamente, refiro-me às marcas que o maçom esculpia nas pedras que produzia, para que se computasse o seu pagamento. Esse costume, ou técnica construtivo-administrativa das guildas de pedreiros deram origem ao Mark Mason, uma ordem de Maçonaria de graus filosóficos que vem crescendo no Brasil, que transmite lições de moral e ética em alegorias ritualizadas baseadas na construção do Templo de Salomão. Nela o maçom é ajudado a escolher uma marca de maçom e lhe é apresentada uma extensão do mito Hirâmico relacionado com a fabricação, perda e reencontro da pedra angular da Arca Real daquele grau.

Este é um quadro que ajuda a situar a Ordem dos Maçons de Marca na constelação de ordens de pedigree anglo-saxão.

Quadro das Ordens Anglo Saxãs complementares do simbolismo (Craft)

Quadro das Ordens Anglo Saxãs complementares do simbolismo (Craft)

Estive recentemente a perambular pelo interior de Portugal, onde se encontram exemplares maravilhosos dessa arte, onde o gótico se manifesta com todo o seu esplendor. E em suas pedras encontrei as assinaturas ou Marcas daqueles pedreiros.

Percorremos o norte de Portugal onde vimos alguns exemplares de grandes construções nas quais estiveram envolvidas as guildas de pedreiros da Idade Média.

Alguns exemplos:

Mosteiro de Alcobaça

Mosteiro de Alcobaça

Mosteiro de Batalha

Mosteiro de Batalha

Sé de Coimbra

Sé de Coimbra

Igreja de São Francisco (Porto)

Igreja de São Francisco (Porto)

Igreja em Guimarães, o Berço de Portugal

Igreja em Guimarães, o Berço de Portugal

Sé de Braga, tão velha que se cunhou a expressão

Sé de Braga, tão velha que se cunhou a expressão “Mais velho que a Sé de Braga”. Múltiplos estilos se sucedem em sua construção.

Torre do Castelo Templário de Tomar

Torre do Castelo Templário de Tomar

Mosteiro dos Jerônimos onde se encontram os túmulos de Fernando Pessoa, Luiz de Camões, Vasco da Gama e outras figuras importantes

Mosteiro dos Jerônimos onde se encontram os túmulos de Fernando Pessoa, Luiz de Camões, Vasco da Gama e outras figuras importantes

Sé de Lisboa

Sé de Lisboa

Museu do Carmo, em Lisboa. Foi parcialmente destruída no grande terremoto de 1755 e não foi reconstruída, perdendo o teto e transformada em museu.

Museu do Carmo, em Lisboa. Foi parcialmente destruída no grande terremoto de 1755 e não foi reconstruída, perdendo o teto e transformada em museu.

Torre do Castelo de São Jorge, construído inicialmente pelos Mouros e posteriormente pelos cristãos.

Torre do Castelo de São Jorge, construído inicialmente pelos Mouros e posteriormente pelos cristãos.

Em todas elas encontramos os sinais da presença humana, quais cicatrizes indeléveis nas obras de arte que cada maçom realizou e pela qual seria pago. Realizado o trabalho e entregue a peça, registrava-se a produção e pagava-se o obreiro.

Ao sul, em Lisboa, Alcobaça, Batalha, Coimbra, Sintra predomina o calcário

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incluindo uma curiosa swastica de 700 anos de idade:

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e ao norte Braga, Porto, Viseu, Tomar temos o granito:


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No Museu do Carmo, constatamos uma curiosa assinatura datada de cerca de 1780 (quando da primeira tentativa de reconstrução da igreja destruída, onde o obreiro manteve a tradição, e assinou a peça “Moniz”.

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E assim, ficou perpetuado na pedra polida…

Publicado on outubro 12, 2015 at 2:36 pm  Comments (1)  

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  1. showwww…parabens pelo conteúdo e pelas fotos


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