Caso Carlton Lille: DSK, putas e… maçons

Tradução José Filardo

Por  François Koch

À margem no caso Dominique Strauss-Kahn, maçons aparecem neste caso de lenocínio. Os juízes estimam que ela esconde uma verdadeira rede. Informação ou intoxicação?

crlton lille

Quando o caso Carlton estourou, os maçons envolvidos foram suspensos pelos responsáveis das potências relacionadas. Mas o escândalo já tinha manchado toda a instituição.

afp.com / Philippe Huguen

DSK, sexo e Maçonaria  … Mais de um ano depois do início do  caso chamado “do Carlton”  sabe-se um pouco mais sobre os antecedentes deste caso de lenocínio, em que diversos protagonistas contribuíram para fornecer prostitutas ao antigo chefe do FMI. Os próprios juízes de instrução não escreveram em uma ordem datada do final de 2011, que eles viam o trabalho de uma “redes de maçons, libertinos e políticos”? Mesmo não havendo qualquer evidência até agora de que as potências estejam envolvidas enquanto organizações, a superexposição de “irmãos” dá as escândalo de Lille um certo cheiro de enxofre. Em um meio habituado à discrição, tal revelação provoca desordem, e suscita muita amargura do lado das lojas do norte da França.

Um engôdo para ajudar a “derrubar” bares de acompanhantes

De fato, o “casting” tem com que intrigar os juízes:  seis dos oito indiciados por “lenocínio agravado com formação de quadrilha” são maçons  . Quatro deles pertencem ao Grande Oriente de França (GODF):  René Kojfer  , 70 anos, um ex-encarregado de relações públicas do hotel Carlton;  Francis Henrion  , 46 anos, ex-diretor do estabelecimento;  Emmanuel Riglaire  , 44 anos, advogado, e David Roquet, 44 anos, um ex-executivo de uma subsidiária da  Eiffage  (Empresa de construção). Detalhe importante: os três primeiros pertence à mesma loja de Lille (Les Amis Reúnis), o quarto é filiado à loja Themis de Cambrai. O Comissário de Divisão  Jean-Christophe Lagarde  , outra personalidade local envolvida, por sua vez, é, por sua vez, membro da Grande Loja da França (GLDF). Quanto a  Fabrice Paszkowski  , 45 anos, proprietário de uma empresa do setor paramédico, ele é membro da Grande Loja e Tradicional e simbólica Opera (GLTSO). Apenas o próprio DSK e o proprietário da Carlton, Hervé Franchois, não são maçons.

Os protagonistas, no caso Carlton Lille

Dominique Alderweireld, chamado “Dodo la Saumure” – este francês de 62 anos, nascido em Annoeullin (Norte) possui pelo menos oito “bares” na Bélgica, onde a prostituição é tolerada. Alguns de seus protegidos participaram das “festas finas” com DSK. Dodo, preso em 2 de outubro relacionado com um caso belga, foi liberado em 10 de janeiro. Ele é suspeito de ter participado de tráfico internacional de seres humanos, o que contestam seus advogados, Drs. Etienne Wery e Sorin Margulis.

Beatrice Legrain – 38 anos de idade, esta mulher de Lille de sobrenome “Bea” é a companheira de Dodo la Saumure. Ela está presa em Bruges (Bélgica). Seu advogado, Dr. Carl Defuster, apelou de sua detenção. Ela participou de noites íntimas com DSK.

Fabrice Paszkowski – este empresário de Lenz de 44 anos, especializado na venda de equipamentos médicos é suspeito de ter organizado as noites “galantes” de DSK. Fabrice Paszkowski foi indiciado e preso em 21 de outubro por lenocínio agravado por formação de quadrilha, fraude, conspiração e uso indevido de ativos corporativos. Ele foi libertado sob fiança no início de fevereiro.

Militante socialista, Paszkowski conheceu DSK por meio do filho de Jacques Mellick, ex-prefeito (PS) de Béthune. Este último foi colocado em detenção em janeiro para ser ouvido como simples testemunha.

 David Roquet  – Diretor de uma filial da Eiffage, a gigante francesa de construção de obras públicas no Norte foi indiciado por lenocínio agravado. Ele também foi indiciado por “uso indevido de ativos corporativos” e “fraude”, porque suspeita-se que tenha pago a título de honorários profissionais, as viagens e festas finas de DSK no valor de pelo menos 50 000 euros. David Roquet assegura, pela voz do seu advogado, Dr. Eric Dupond-Moretti, que a Eiffage estava informada de suas práticas, o que o grupo nega. Ele foi liberado no final de janeiro 2012.

Jean-Claude Menault – Chefe de segurança pública do Norte, este policial de alta patente, considerado de esquerda, encontrou-se com Dominique Strauss-Kahn em Washington em dezembro de 2010, para discutir segurança. Mas ele se recusou a participar da noite de libertinagem que se seguiu. Aos 62 anos, ele foi colocado em aposentadoria antecipada.

Jean-Christophe Lagarde – Este comissário de Divisão de 47 anos dirigida a segurança de Lille. Próximo de DSK, ele o aconselhava em matéria de segurança, e participou de várias noitadas com ele na França e em Washington. Acusado de “lenocínio agravado por formação de quadrilha” e ” mau uso dos ativos corporativos”, foi libertado sob fiança e suspenso de suas funções.

M. – Esta mulher jovem de 38 anos, mãe de duas crianças, prostituiu-se muito cedo, sob a influência, diz ela, de sua irmã. Ela era acompanhante em uma rede internacional, que tinha ricos clientes do Oriente Médio. Em março de 2010, ela foi convidada para uma festa “libertina” com DSK em Paris. Ela agora está aposentada da prostituição e usa véu. Defendida pelo Dr. Gérard Laporte, M. se constituiu como parte civil no processo.

Emmanuel Riglaire – Este advogado de 41 anos é uma figura conhecida entre os advogados de Lille. Ele foi indiciado por “lenocínio agravado” em 13 de outubro, mas deixado em liberdade. Um de seus clientes, M. garante ter recebido seus serviços em troca de favores sexuais. O advogado também tem ligação com  David Roquet  que organizou um encontro com DSK em Paris.

Francis Henrion – O diretor do Hotel Carlton, 45 anos, é suspeito de ter acobertado atividades de prostituição em seu estabelecimento, um dos mais luxuosos de Lille. Seu advogado, Dr. Frank Berton obteve sua liberação em 9 de novembro.

Hervé Franchois – O proprietário do Carlton, 70 anos, foi indiciado e preso por “lenocínio agravado por formação de quadrilha”.

René Kojfer  – Encarregado das Relações Públicas do Carlton, este septuagenário foi indiciado por lenocínio. Ele é suspeito de ter facilitado o encontro entre prostitutas e clientes. Apesar dos repetidos pedidos de seu advogado, Dr. Christopher Snyckerte de libertação devido à sua saúde, ele só foi libertado da prisão no final de janeiro.

* * *

Para entender o funcionamento do grupo e as suas ligações com a maçonaria, é preciso olhar, primeiro, para o seu pivô: René Kojfer, o homem de comunicação – e de muito mais coisas – no Carlton. Sem dúvida, o interessado no sentido do apoio fraterno. “Quando o  Comissário Lagarde chegou a Lille , eu o ajudei a encontrar um apartamento “, disse ele ao L’Express. No processo, ele também deu-lhe acesso às “sessões de loja” (encontros rituais) de sua loja (um simples visitante) … e às “garotas” de seu amigo belga Dodo la Saumure, cafetão muito conhecido em Outre-Quiévrain. As mesmas garotas que, posteriormente, farão a  viagem a Washington com Dominique Strauss-Kahn  .

René Kojfer, adepto da mistura de gêneros e de pessoas não hesitou em propor noitadas festivas aos seus amigos e seus “irmãos”. Assim, em 2010, ele foi convidado a almoçar com o famoso Dodo em Tournai, Bélgica, acompanhado por  Eric Vanlerberghe  , 65 anos. Personagem incrível em que este policial aposentado convertido em detetive particular e residente no … Carlton antes da eclosão do caso. Este membro da loja Themis era um dos dignitários nacionais do GODF no final dos anos 90.

Estou com Kojfer, você quer uma vagabunda?

Durante este mesmo jantar bem regada, um policial francês em serviço, ele mesmo afiliado à Themis aparece entre os convidados. Naquele dia, Kojfer aproveita a oportunidade para “consumir uma garota”, de acordo com a fórmula usada, depois diante dos juízes. Um pouco mais tarde, quando telefona a um amigo, Vanlerberghe se apoia em, gritando: “Estou com Kojfer, você quer uma vagabunda?” Esta pergunta custou a Vanlerberghe ser “testemunha assistida” na investigação sobre a rede do Carlton alimentada por Dodo.

É que a partir de Janeiro de 2011 o telefone de Kojfer estava sob escuta pelos investigadores franceses, que se renderam às exigências de seus colegas belgas, ansiosos por encurralar seu compatriota cafetão. Aos poucos, eles descobrem assim a vida de Kojfer. Um verdadeiro thriller… Desde os anos 70, ele serve, com efeito, de engodo para ajudar a polícia, especialmente seu amigo Eric, para “derrubar” os bares de acompanhantes. A dupla tinha uma estratégia incomparável Kojfer fingia ser o cliente, “subia” com uma garota, e seu companheiro esperava que o casal ficasse nu para intervir em flagrante delito.

Em 1981, este mesmo Vanlerberghe apadrinha Kojfer na Themis em Cambrai. Dez anos mais tarde, este último consegue sua transferência para a loja  Merlin de Douai , depois para a Amis Réunis de Lille. Ele era ali, portanto, ativo? Seus “irmãos”, talvez ansioso para se distanciar, o descrevem como muito pouco assíduo. “Isso é falso”, protestou o interessado, embora admitindo que tivesse falado em loja apenas uma vez em dez anos. “Eu sou um benfeitor da Maçonaria”, ele continua, ofendido. “Eu apadrinhei de cinco a oito irmãos em lojas! ” Principalmente policiais …

“Os juízes têm uma fixação na maçonaria”

O caso do Carlton se resumiria assim, a uma história de falsos irmãos indolentes? “Os juízes têm uma fixação na maçonaria”, irrita-se vagamente Kojfer. Mas como se surpreender quando se sabe que sua carreira cruzou e cruza ainda com muitos “irmãos”? Assim, ao final de 2011, enquanto estava na prisão, o hospitaleiro judeu que o visita é da GLDF. Outro exemplo? Para escrever suas “Memórias” intituladas O Homem do Carlton (publicação esperada, segundo ele, para janeiro), Kojfer afirma ter “escolhido como editor um membro da GLNF [Grande Loja Nacional Francesa].”

Enquanto isso, a personagem continua a intrigar. Ele tornou-se um tal catalisador de fantasias que alguns o imaginam como organizador de vastas viagens sexuais. Assim, em 2011, o jornal Nord-Eclair afirmava, com base em um testemunho anônimo, que após as reuniões “maçônicas, os ônibus partiam regularmente da Rue Thiers [que abriga o templo das lojas de Lille] para os bordéis de Dodo la Saumure”. “A publicação desta fofoca infame era monstruosa”, indignam-se os irmãos de Nord-Pas-de-Calais entrevistado por L’Express. Segundo  Jacques Mutez  , assistente (PRG) do prefeito de Lille no comércio e artesanato, a origem do boato é identificável: “Devido a uma parceria com a Loja Charite do Grande Oriente da Bélgica, os membros de nossa loja, La Lumière du Nord, reúnem-se uma vez por ano em Charleroi para uma sessão ritual comum, não para orgias sexuais! ‘

Estes foram três erros de escolha, especialmente Kojfer 

Quando o caso Carlton estourou, os responsáveis pelas potências afetadas suspenderam os envolvidos.  Guy Arcizet naquela época Grão Mestre do GODF declarou em La Voix du Nord  : “Quando nos expomos a este tipo de comportamento, somos tão culpados pelo mesmo motivo que os padres pedófilos na igreja. O escândalo mancha toda a instituição. ” O alto dignitário esperava assim circunscrever o escândalo a desvios individuais. Mas, o mal estava feito, e demora a cicatrizar. “Os membros da Amis Réunis choraram”, diz um maçom de renome na região, “lendo na imprensa que sua loja era um antro de libertinos”. Estes irmãos sofreram mais porque a sua “oficina”, nascida em 1976 de uma cisão da Evolution Morale, é considerada austera. Eles odeiam as canções obscenas durante os jantares festivos, enquanto outros aceitam de bom grado a indecência. Claramente, se a moral de Kojfer, de Henrion e de Riglaire tivessem sido conhecida quando eles chegaram, a entrada deles na loja teria sido vetada. Muitos irmãos de Lille afirmam: Estes são três erros de escolha, especialmente Kojfer. “Eu me pergunto o que ele estava fazendo na maçonaria”, até mesmo se surpreende David Roquet, ex-executivo de uma filial da Eiffage, diante dos juízes.

E, no entanto, o que faria Kojfer sem os irmãos? Sua suspensão o privou da Amis Réunis. “Eles me decepcionaram, só um deles me traz notícias.” Se ele for absolvido pelos tribunais, já anunciou seu retorno: “Eu voltarei à maçonaria … mas provavelmente na Bélgica.”

Mais perto de Dodô.

Publicado on janeiro 15, 2013 at 4:22 pm  Comments (1)  

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