Banco do Vaticano: Escândalos em série

Tradução José Filardo

Le Monde.fr | 24.05.2012

O Instituto para Obras de Religião (IOR), mais conhecido sob o nome de “Banco do Vaticano“, cujo presidente foi forçado a renunciar na noite de quinta-feira, 24 maio, conheceu vários escândalos enormes durante a sua história.

O papel do IOR, fundado em 27 de junho de 1942 pelo Papa Pio XII, é oficialmente gerenciar as contas de ordens religiosas e associações católicas. Seus ativos são estimados em cerca de 5 bilhões de euros e seus clientes são padres, freiras, Conferências Episcopais, fundações e ministérios distribuídos pelo mundo inteiro. Suas atividades são cercadas de total sigilo.

  • A falência do Banco Ambrosiano

Escândalo mais importante remonta a 1982, com a falência do banco Ambrosiano. Este estabelecimento, do qual o IOR era acionista majoritário, havia pedido a falência, deixando um buraco de 1,4 bilhões de dólares.

O inquérito revelou que o banco Ambrosiano reciclava o dinheiro da máfia siciliana, em conexão com uma loja maçônica ilegal (chamada “P2”) que trabalha para a CIA, a agência de inteligência dos EUA.

Roberto Calvi, apelidado o “Banqueiro de Deus”, diretor do Ambrosiano no momento da falência e membro da loja P2, foi encontrado enforcado sob a ponte de Blackfriars, em Londres, no dia 18 de junho de 1982.

  • O “caso Sindona”

Alguns anos depois, explodiu o “caso Sindona”. A investigação criminal, revelou em seguida, que o IOR colaborou com Michele Sindona, “banqueiro” da Cosa Nostra, a máfia siciliana desde 1957. Preso em 1986, Sindona foi envenenado na sua cela, depois de ter bebido café contendo cianeto.

Suspeito de estar diretamente envolvido nesses diferentes escândalos, o arcebispo norte-americano Paul Marcinkus continuou, no entanto, a ser diretor do Banco do Vaticano durante dezoito anos, entre 1971 e 1989, graças aos apoios sucessivos dos papas Paulo VI e João Paulo II.

Este último se opunha sistematicamente aos pedidos dos magistrados italianos que queriam interrogar  Marcinkus, morto em 2006.

  • Ettore Gotti Tedeschi, especialista em ética das Finanças

Em 2009, o IOR nomeou presidente Ettore Gotti Tedeschi, representante na Itália do grupo espanhol Santander, substituindo Angelo Caloia. O Sr. Gotti Tedeschi, especialista em ética das finanças, foi escolhido para colocar em ordem as contas do IOR.

Mas, em setembro de 2010,  Gotti Tedeschi e seu diretor geral, Paolo Cipriani, foram colocados sob investigação por violação de uma lei italiana contra a lavagem de dinheiro. Se eles não eram suspeitos de lavagem de dinheiro sujo, eles foram criticados por omissões que envolviam movimentações de fundos totalizando 23 milhões de euros. O Ministério Público italiano, no mês de junho seguinte, tinha suspendido quaisquer suspeitas.

Em 30 de dezembro de 2010, o Papa Bento XVI criou uma Autoridade Financeira para lutar contra a lavagem de dinheiro sujo e o financiamento do terrorismo, e para se colocar, em conformidade com as normas internacionais.

Ver também:

Desdobramentos do escândalo da Santa Sé

 

Publicado on maio 24, 2012 at 6:42 pm  Comments (2)  

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2 ComentáriosDeixe um comentário

  1. […] de alívio na banca vaticana, no palácio de são bento, e chora de dor mais do que um […]

  2. ensinando o pai nosso ao vigário,tres são os fatores de produção, terra, trabalho e capital, assim temos quatro tipos de capitalismo, o capitalismo produtivo,que são as indústrias que proporciona trabalho e emprego, o capitalismo especulativo que paga 1% e empresta a 10%, o capitalismo do vicio que são as fábricas de bebidas alcoolicas e as de cigarros,que rendem muito impostos ao governo, e o capitalismo de estado que arrecada impostos do sistema capitalista, para usá-lo para o bem ou para o mal, portanto é um sistema financeiro do salve-se quem puder///.


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