Adolf Hitler & Nacionalismo cristão: Programa de Cristianismo Positivo dos Nazistas

Tradução José Filardo

Por Austin Cline, About.com Guide

Adolf Hitler & Nacionalismo Cristão:

A imagem popular dos nazistas é que eles eram fundamentalmente anticristãos, enquanto cristãos devotos eram antinazistas. A verdade é que os Cristãos alemães apoiaram os Nazitas, porque eles acreditavam que Adolf Hitler era um presente de Deus ao povo alemão. O cristianismo alemão foi um movimento religioso divinamente sancionado, que combinava a doutrina cristã e o caráter alemão de uma forma única e desejável: O verdadeiro cristianismo era alemão e ser alemão era ser cristão.

O que foi o Cristianismo Positivo?:

O programa do partido NSDAP afirmava em parte: “Exigimos a liberdade de todas as confissões religiosas no Estado, na medida em que ela não comprometam sua existência ou entrem em conflito com os costumes e os sentimentos morais da raça germânica. O partido como tal representa o ponto de vista de um cristianismo positivo, sem dever-se a uma determinada confissão…” O cristianismo positivo aderia às doutrinas ortodoxas básicas e afirmava que o cristianismo deve fazer uma diferença prática e positiva na vida das pessoas.

O antissemitismo cristão:

O antissemitismo era um aspecto importante do estado nazista, mas os nazistas não o inventaram; ao invés disso, eles se basearam nos séculos de antissemitismo cristão e extensa teologia antissemita na comunidade cristã da Alemanha. Os nazistas acreditavam que o Judaísmo era mais que apenas uma religião, uma posição que foi apoiada por líderes religiosos, que forneceram aos nazistas os registros batismais e de casamento para ajudar a identificar judeus convertidos.

O anticomunismo cristão:

O anticomunismo foi provavelmente mais fundamental para a ideologia Nazista que o antissemitismo. Muitos alemães estavam com medo do comunismo e viam Hitler como sua salvação cristã. A ameaça comunista pareceu muito real porque os comunistas tinham tomado a Rússia no final da I Guerra Mundial e rapidamente assumiram o controle da Baviera. O partido nazista também era intensamente antissocialista, no sentido de que o socialismo tradicional era ridicularizado como ateu e judaico.

Antimodernismo cristão:

Fundamental para compreender a popularidade do nazismo com os cristãos é a condenação de tudo o que é moderno pelo nazismo. A Alemanha, após a I Guerra Mundial, era considerada uma república ateia, secular, materialista que traiu todos os valores tradicionais e crenças religiosas da Alemanha. Os cristãos viam o tecido social da sua comunidade se desfazendo e os nazistas prometeram restaurar a ordem atacando o ateísmo, a homossexualidade, o aborto, o liberalismo, a prostituição, a pornografia, a obscenidade, e assim por diante.

Cristianismo Protestante & Nazismo:

É amplamente reconhecido que os protestantes foram mais atraídos pelo nazismo que os católicos. Isto não era verdadeiro em toda a Alemanha, mas não podemos ignorar o fato de que os protestantes, não católicos, produziram um movimento (Cristãos Alemães) dedicado à mistura de ideologia Nazista e a doutrina cristã. Mulheres protestantes eram especialmente atraídas pelo nazismo devido ao seu conservadorismo cultural e a promoção dos papéis sociais femininos tradicionais. O nazismo era não-denominacional, mas os protestantes favoreceram isso.

Cristianismo Católico & Nazismo:

Logo no início, muitos líderes católicos criticaram o nazismo; depois de 1933, a crítica transformou-se em apoio e elogio. Semelhanças entre nazismo e católicos eram o anticomunismo, antiateísmo e antissecularismo. As igrejas católicas ajudaram a identificar judeus para o extermínio. Após a guerra, líderes católicos ajudaram ex nazistas a voltar ao poder (nazistas eram melhores que socialistas). O legado de catolicismo da Alemanha nazista é a cooperação, a não resistência; a ausência de defesa de princípio, mas uma defesa do poder social.

Resistência cristã ao nazismo:

Muitas vezes, “resistência” cristã eram esforços para exercer maior controle sobre as atividades da Igreja. As igrejas cristãs estavam dispostas a tolerar a violência generalizada contra judeus, o rearmamento militar, as invasões de Nações estrangeiras, a proibição de sindicatos, a prisão de dissidentes políticos, a detenção de pessoas que não tinham cometido crimes, a esterilização de deficientes, etc. Isso inclui a Igreja Confessional. Por quê? Hitler era visto como alguém restaurando valores tradicionais e a moralidade para a Alemanha.

Cristianismo em particular, cristianismo em público:

Hitler e os nazistas somente apelaram ao cristianismo como uma manobra política e enfatizaram o cristianismo em público sem a intenção de promover o cristianismo na realidade? Não há qualquer evidência de que Hitler e altos nazistas somente apoiaram o cristianismo para consumo público. Observações privadas sobre religião e Cristianismo eram as mesmas que as observações públicas, indicando que eles acreditavam no que diziam e pretenderam agir como alegavam. Os poucos nazistas que apoiaram o paganismo o fizeram publicamente, sem apoio oficial.

Adolf Hitler, nazismo e o problema do nacionalismo cristão:

A avaliação tradicional de cumplicidade cristã no Holocausto e outros crimes nazistas enfoca o grau a que os cristãos se permitiram ser utilizados para fins nazistas, mas isso pressupõe uma distinção entre Nazistas e cristãos que não existiu. Os cristãos apoiaram ativamente a agenda nazista. A maioria dos nazistas era cristã devota e acredita-se que a filosofia nazista era animada pela doutrina cristã.

Os cristãos, hoje, acham implausível que sua religião pudesse ter alguma coisa em comum com o nazismo, mas eles precisam reconhecer que cristianismo — incluindo o seu próprio — é sempre condicionado pela cultura em torno dele. Para os alemães no início do século XX, o cristianismo foi frequentemente profundamente antissemita e nacionalista. Este foi o mesmo terreno que os nazistas encontraram tão fértil para a sua própria ideologia — teria sido incrível que os dois sistemas não encontrassem muita coisa em comum e fosse incapaz de funcionar juntos.

Os cristãos nazistas não abandonaram as doutrinas cristãs básicas, tais como a divindade de Jesus. Sua crença religiosa mais estranha foi a negação do Judaismo de Jesus, mas ainda hoje há cristãos na Alemanha que objetam quando o Judaismo de Jesus é enfocado. Os cristãos nazista não seguiam uma versão idiossincrática do cristianismo, nem foram “infectados” com ódio e nacionalismo. Tudo sobre o cristianismo nazista já existia no cristianismo alemão antes que os nazistas entrassem em cena.

As ações de Hitler e dos nazistas foram tão “Cristãos” quanto aquelas das pessoas durante as cruzadas ou a Inquisição. Alguns líderes nazistas preferiram uma religião teísta neo-pagão ao invés do Cristianismo, mas isso nunca foi oficialmente endossado pelo partido nazista ou por Adolf Hitler. Os cristãos podem não gostar de ver o nazismo como tendo alguma coisa a ver com o cristianismo, mas a Alemanha viu-se como uma nação fundamentalmente cristã e milhões de cristãos na Alemanha apoiaram entusiasticamente Hitler e o partido nazista, em parte porque eles viam ambos como encarnações de ideais cristãos e alemães.

 

Publicado on fevereiro 2, 2013 at 10:43 am  Comments (3)  

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3 ComentáriosDeixe um comentário

  1. Olá
    O desapego “das coisas do alto” de certos ritos pode levar o maçom a ser materilasta. No Brasil o REAA parece ser mais próximo da espiritualidade.

    abrç Roberto Tyler Gald

    • Brother Roberto,

      Permita-me discordar. “coisas do alto” devem ser tratadas em igrejas. Maçonaria nada tem a ver com “coisas do alto”. No Brasil o REAA (Religião Escocesa Antiga e Alienada) é o maior responsável pela guinada da maçonaria para o reacionarismo e o conservadorismo.

      Ainda que não seja realmente maçonaria – não sou eu quem digo, é Findel – e sim uma ordem de cavalaria, os escocistas insistem em praticar seus rituais dentro da maçonaria.


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