A Maçonaria Inventada

Tradução José Filardo – Revisão Sergio Jerez

AS ORIGENS DA MAÇONARIA ESPECULATIVA: SITUAÇÃO DAS TEORIAS ATUAIS

Roger Dachez

Loja Renascença Traditionnelle N ° 118/119 abril-junho 1999

De todos os debates sobre a história da maçonaria, o que remete às origens da Maçonaria especulativa é um dos mais fundamentais. No entanto, este tema surgiu na França mais ou menos recentemente, e eu contribuí modestamente para divulgá-lo em 1989, publicando na Revista Renaissance Traditionnelle dois longos artigos, nos quais manifestei que se podia manter um debate sério sobre esta questão, expondo pela primeira vez em francês a essência dos estudos realizados até agora na Inglaterra e, desde o princípio dos anos setenta, na Escócia.

O simples fato de se levantar a questão das origens da Maçonaria especulativa e de mencionar a ausência de filiação direta com a Maçonaria operativa medieval como uma hipótese concebível, provocou em diferentes meios e em diferentes estudos reações abertamente hostis, algumas delas chegando até à irracionalidade.

Observo que, desde então, vários autores em diferentes estudos e trabalhos, consideraram útil mencionar este debate, já dado como inevitável e que, portanto, era preciso examinar, pelo menos, as teorias da substituição e a teoria clássica da transição, julgadas igualmente dignas dentro da Maçonaria.

É, obviamente, na Inglaterra e Escócia, em que se realizou todo um progresso considerável, embora não se possa negar que existem certas objeções e que estas são bem-vindas. No entanto, a emoção suscitada por este novo problema e o próprio fato de que até certo ponto estamos diante de um “debate sobre o debate,” obrigam-me, antes de abordar o cerne da questão, a voltar novamente, como um preâmbulo necessário, a tecer algumas considerações metodológicas que se aplicam ao conjunto deste trabalho.

Há trinta anos, nosso estudo endossou a posição definida em 1947 por dois grandes historiadores britânicos da Maçonaria, Knoop e Jones, expressas no prefácio da primeira edição de sua principal obra, A Gênese da Maçonaria:

“Primeiro – alertam os autores – embora até agora tenha sido habitual pensar a história da maçonaria como uma questão totalmente separada da história comum, justificando, assim, um tratamento especial, nós achamos que se trata de um ramo da história social, do estudo de uma determinada instituição social e das ideias que estruturam esta instituição, e que se deve abordá-la e escrevê-la exatamente da mesma maneira que a história de outras instituições sociais.”

Nós apresentamos essas observações, que adotamos sem reservas, convencidos de que não há outra maneira possível de se realizar pesquisa histórica. É, obviamente, uma importante escolha que, inevitavelmente, está longe de ser compartilhada pela unanimidade dos autores que trabalham na história maçônica.

Assim como a história de certas religiões e igrejas, quando tratada com a objetividade às vezes dolorosa do historiador, leva a conflitos com alguns fiéis que se recusam a olhar para a sua própria história, o que chamamos, por brincadeira, de “história secular” da Maçonaria também não conseguiu a adesão da unanimidade das mentes. Este é um risco do qual o historiador da Maçonaria deve ter plena consciência.

Por mais de 15 anos, o estudioso inglês John Hamill foi bibliotecário da Grande Loja Unida da Inglaterra e curador de seu fabuloso museu e seus arquivos. Em seu trabalho intitulado simplesmente The Craft, que após um profundo trabalho de revisão voltou a publicar em 1994, com o título de História da Maçonaria Inglesa, já expressava claramente esta dificuldade:

Há, portanto, dois tipos de abordagens para a história maçônica: a abordagem propriamente dita, como “autêntica” ou científica, segundo a qual uma teoria se fundamenta e é desenvolvida a partir de fatos verificáveis ou de documentos, e uma abordagem dita “não autêntica” que tenta colocar a Maçonaria no contexto das tradições de Mistério, buscando ligações entre os ensinamentos, a alegoria e o simbolismo da Maçonaria de um lado, e os das diferentes tradições esotéricas de outro. A falta de alguns conhecimentos sobre o período das origens da Maçonaria e a diversidade de abordagens possíveis pode explicar com segurança porque esse problema ainda é tão cativante.
[…] Se algum dia descobriremos as verdadeiras origens da Maçonaria é uma questão que permanece sem resposta.”.

Com esta perspectiva, gostaria de oferecer algumas reflexões sobre o problema das origens da Maçonaria especulativa. Mas o faço não apresentando catálogos pesados e enfadonhos de teorias mais ou menos fundamentadas e fatos ou documentos cuidadosamente analisados, mas como uma síntese de dez anos de trabalho, reflexões e pesquisas pessoais sobre este assunto.

Vulgata Maçônica: a teoria da transição

A tese mais antiga e mais difundida é aquela apresentada na maior parte das obras dedicadas à história maçônica na França, da qual compartilham espontaneamente a grande maioria dos maçons, e que, necessariamente, não examina a questão a fundo. É a teoria conhecida como transição.

Mesmo na rigorosa escola inglesa da Maçonaria, fundada no final do século passado por Gould e Hughan, ensinou-se por muito tempo essa teoria. Nas últimas décadas, seu partidário mais brilhante foi o estudioso Harry Carr, que tem sobre os outros historiadores da Inglaterra uma estimável posição de destaque intelectual.

Esta teoria afirma que, ao sair da Idade Média, a Maçonaria Operativa, que tinha então uma organização com lojas e rituais, sofreu certo declínio devido às mudanças econômicas que afetaram os ofícios da construção civil.

Na Grã-Bretanha, e em particular na Escócia no final do Renascimento, e ainda mais particularmente durante o século XVII, produziu-see uma transformação sensível da instituição. Homens estranhos ao ofício, que às vezes ocupavam cargos importantes na sociedade civil, intelectuais – voluntários dados à especulação alquimista de então, do neoplanismo nascido em Florença, no século XV, e da tradição Rosacruz, difundida desde o início do século XVII – tinham feito a sua entrada em lojas que naquela época se encontravam quase moribundas.

Estes Maçons Aceitos pouco a pouco foram aumentando seu número e sua influência a ponto de se tornarem a maioria no interior das lojas, chegando, em certa medida, a eliminar os maçons operativos, convertidos dessa maneira em estranhos dentro de sua própria instituição.

Esta Vulgata implica também algumas alternativas que, por vezes, integram o que poderia ser chamado de Lendas complementares.

A primeira destas lendas, por exemplo, é a dos Mestres Comacinos, pedreiros italianos misteriosos que, em virtude de franquias bem conhecidas que lhes foram concedidas pelo papa – e que justificariam assim a expressão maçom franco, ou livre – teriam atravessado a Europa, estendendo seus conhecimentos de arquitetura, esotéricos e geométricos, lançando as primeiras sementes da Maçonaria especulativa. Já mostrei em outro lugar, há alguns anos, de onde procede esta fábula sem qualquer base documental. No entanto, por força de cópias consecutivas sem comprovação das fontes, esta lenda adquiriu foros de verdade.

Outro componente, muitas vezes confuso, mas muito vivo na teoria da transição, é a hipótese do companheirismo. Não é o momento de mostrar em detalhes as contradições e inverossimilhanças. No entanto, esta hipótese repousa em grande parte em uma confusão grave, mas comum, sobre a Maçonaria operativa, já que esta poderia existir sob formas extremamente diversificadas, na Europa, desde a Idade Média, e, particularmente, na França, Inglaterra e Alemanha, com estatutos muito diferentes. A Guilda do Companheirismo propriamente dita, organização de origem essencial e exclusivamente francesa por um longo tempo, cujas origens históricas parecem certificadas até o século XV, mas sobre cujos usos, lembremo-nos, carece de informações substanciais ou confiáveis anteriores ao final do século XVIII.

Em todo caso, é importante ressaltar o fato de que a Maçonaria Especulativa foi formada sob condições ainda duvidosas, durante o século XVII, na Inglaterra, e jamais conheceu ou teve pontos em comum com a Guilda do Companheirismo, pelo menos neste momento da fundação.

Que se possa colocar alegar que são organizações vinculadas aos ofícios da construção civil – mas não exclusivamente à Guilda de Companheiros – nas semelhanças de formas e usos, não nos surpreende, mas devemos nos lembrar sempre do provérbio que todo historiador escrupuloso não deve esquecer: “comparação não é razão”.

Uma crítica radical da transição

Foi preciso esperar até os anos setenta para que se tivesse uma crítica decisiva e se fizesse avançar a teoria da transição. Foi o trabalho, em particular, de um notável pesquisador inglês: Eric Ward.

A crítica de Eric Ward assenta-se no sentido convencionalmente atribuído a algumas das palavras-chave usadas pela teoria da transição. Vou citar alguns exemplos:

Maçom, Maçom Franco ou Livre

A origem e o significado da palavra franco-maçom é um bom exemplo das ambiguidades exploradas pela teoria clássica. E. Ward foi capaz de mostrar de forma conclusiva que, contrariamente a todas as etimologias fantasiosas que ainda circulam hoje, a palavra franco-maçom (freemason) não pertence à Idade Média, pois é uma formação de duas palavras freestone mason canteiro (maçom) da pedra branca – designando um trabalhador que trabalha efetivamente como uma determinada pedra macia que se pode cortar e trabalhar de maneira muito detalhada.

Agora, se tomarmos os primeiros testemunhos relativos aos pedreiros não operativos ingleses século XVII, notamos que estes Maçons Aceitos são também indiferentemente designados pelas palavras Free Masons, ou Free-Masons, com ou sem hífen, mas sempre com duas palavras.

Tudo indica claramente que, a partir do final do século XVII e início do XVIII, os termos Aceito e Franco são equivalentes para designar os Maçons não operativos. Mas como observou E.Ward em uma análise muito inteligente, freemason não é Free-Mason. A palavra Free, em Free-Mason ou Free and Accepted (Maçom Livre e Aceito) simplesmente se refere ao fato de que esses “novos” maçons são “livres” em relação ao Ofício, ou seja, simplesmente estranhos à profissão…

Em resumo, a identidade fonética e a proximidade morfológica das palavras freemason (palavra muito antiga, derivada do anglo-normando, e ligada à prática operativa) e Free-Mason, não devem nos fazer esquecer a verdadeira dissimilaridade semântica, e não nos podem autorizar a buscar e introduzir uma relação de parentesco entre homens de eras diferentes, os quais traziam esses nomes, obviamente, por razões muito distintas.

As lojas operativas inglesas?

Outro problema levantado é o fato de que a Maçonaria especulativa tenha nascido na Inglaterra – no sentido exato do termo. Agora sabemos que não existe qualquer documento que dê provas de que pessoas estranhas à profissão tenham sido admitidas nas lojas operativas inglesas.

Por outro lado, a realidade das lojas operativas, no sentido que podemos dar à palavra loja, à luz da maçonaria especulativa – uma estrutura permanente, regular e controlando o Ofício em todos os pontos do território, com rituais específicos – é um fato problemático em solo inglês, uma vez que não há qualquer vestígio histórico disso.

Além disso, algumas raras lojas operativas curiosamente muito tardias, apenas conhecidas na Inglaterra, permaneceram operativas até o seu desaparecimento. Não se pode deixar de voltar ao estudo magistral de Knoop e Jones, O Maçom Medieval, cuja primeira edição remonta a 1933 e que, até onde sei, não foi superada. É notável que este trabalho tenha sido publicado por historiadores profissionais, fora dos círculos habituais de erudição maçônica e que somente na década de setenta tenha começado a exercer influência sobre eles, já que os dados estiveram disponíveis por 40 anos. A única coisa de quase certa é que, desde sua origem, lojas maçônicas que surgem na Inglaterra são puramente especulativas.

A Loja de Chester, que era, de fato, operativa e se desenvolveu em meados do século XVII, foi muito bem estudada pelos historiadores ingleses. Teve uma existência efêmera e é praticamente um “hapax[1]” na história maçônica inglesa.

Inclusive, no que diz respeito à famosa Acception de Londres, do século XVII, erroneamente descrita como uma loja, já que esse termo nunca aparece em seus anais e que também erroneamente é citada como uma prova da transição especulativa, devemos dizer que ninguém sabe quem tomou a iniciativa de fundá-la ou por que motivo. Este círculo de lojas constituído à margem da Companhia de Maçons de Londres foi a única guilda organizada conhecida na Inglaterra para o ofício de canteiro (maçom), e sua autoridade nunca ultrapassou a cidade de Londres.

Dentro da história a Acception maçônica deixa dois finos rastros documentais: em 1610, e, depois, em 1686, no relatório de Elias Ashmole. Não se conhece qualquer outra estrutura comparável na Inglaterra nesta época ou mesmo mais tarde. Parece ter sido uma espécie de clube que recebia, de acordo com a fórmula clássica de patrocínio muito conhecida também na Escócia, personalidades e notáveis que se revelassem úteis para o Ofício. Lembremo-nos, sobretudo, que os próprios operativos deviam ser admitidos no seio da loja, já que não eram membros de direito. E embora a Companhia dos Maçons de Londres tenha continuado até nossos dias, a Acception desapareceu sem deixar descendência conhecida.

Pode-se argumentar que as coisas que aparentam ser muito diferentes na Escócia, onde, desde o início do século XVII, a entrada de notáveis em lojas operativas organizadas parece certa. Teremos a oportunidade de voltar novamente a este caso, que é muito interessante. Observe-se, por agora, que a Escócia era, até início do século XVII, um país separado e até inimigo da Inglaterra, que muito poucas relações existiam entre ambos e que a existência de lojas operativas em Edimburgo ou Kilwinning, não explica, por si mesma, as circunstâncias do aparecimento de uma maçonaria puramente especulativa, na mesma época, no sul da Inglaterra.

A hipótese do empréstimo

A partir da crítica a esta teoria, nasceu, no início da década de setenta, o que pode ser chamado de contrateoria. Essencialmente negativa, pode-se dizer, ela não se propõe a solucionar de forma positiva a questão das origens da Maçonaria, mas sugere que a Maçonaria especulativa, contrariamente às afirmações da teoria da transição, teria deliberadamente pedido “emprestado” textos originais e práticas que pertenceram aos operativos, mas de forma completamente independente, sem filiação direta ou autorização.

A Maçonaria especulativa, portanto, teria mantido desde a sua fundação ligações puramente nominais ou, quando muito, laços alegóricos com os construtores das catedrais. Deixando, até certo ponto, a Maçonaria especulativa órfã de sua tradição fundadora, o questionamento levantado por E.Ward levou a erudição maçônica inglesa a buscar um modelo de substituição à teoria da transição, muito pouco operativa na sua formulação clássica. Ce chantier est toujours en cours”[2].

Novas perspectivas sobre os Antigos Deveres

Em 1986, o grande estudioso inglês Colin Dyer acrescentou ao questionamento de Ward outra proposta mais positiva.

Esta teoria baseia-se principalmente na revisão da origem dos Antigos Deveres (“Old Charges”), textos fundamentais da tradição maçônica inglesa. Sabe-se, de fato, que entre as duas versões mais antigas conhecidas do Regius e do manuscrito Cooke – ambos datados em torno de 1400 – e as versões posteriores (das quais existem mais de 130 até meados do século XVIII), há um período de silêncio documental que chega a aproximadamente 150 anos.

Por outro lado, a partir de 1580, houve novamente um número crescente de textos dos Antigos Deveres. Agora sabemos, a partir de uma menção feita pelo Manuscrito Ms. Sloane 3848, que que uma cópia dos Antigos Deveres foi usada para a iniciação de Elias Ashmole, em 1646, na Loja Warrington, e que aquele documento era uma espécie de ferramenta de trabalho essencial nas lojas especulativas inglesas, em particular para a iniciação.

Naquela época, a aceitação de um candidato era uma cerimônia muito simples e fácil de realizar. Isto é admitido como fato muito comum, especialmente sabendo-se que, no final do século XVI não existia, ao que parece, qualquer loja operativa.

A hipótese de trabalho proposta por C. Dyer é estudar o conteúdo destas novas versões dos Antigos Deveres, com o objetivo de obter um testemunho sobre o espírito e os usos especulativos ingleses que poderiam ter surgido ao mesmo tempo que aqueles textos, ou seja, muito antes do que geralmente se pensa.

Os dois textos mais antigos disponíveis hoje, para esta “segunda onda”, são o Ms Melrose, do qual se tem uma cópia datada de 1674, mas que afirma referir-se a um original – desconhecido até hoje – de 1581, e especialmente o Ms Grand Lodge No. 1 cuja data comprovada é 1583, e que são interessantes para um estudo comparativo de seu conteúdo com a versão antiga de referência que é o Ms Cooke.

As diferenças observadas são resumidas essencialmente em dois grupos:

1. Alguns certificam que estes documentos não tinham provavelmente uma utilidade operativa e que os autores provavelmente não pertenciam à profissão de pedreiro. Por exemplo, as condições antigas, referentes à obrigação para todo Mestre de Obra – isto é, de todo patrono – de proporcionar a substituição de qualquer trabalhador que não realizasse o seu trabalho em tempo, pagar a ele por seu trabalho, foram simplesmente eliminadas.

2. Outras obrigações fazem o seu aparecimento, e têm significados religiosos e morais interessantes:

–      A obrigação de servir ao Senhor para quem ele trabalha é substituída por um juramento de lealdade “a Deus e à Santa Madre Igreja”. Note-se que este compromisso figurava no Ms Cooke sob a fórmula: “Deus, a Santa Igreja, e todos os Santos”.

–      A remoção desta última menção tem, obviamente, um significado religioso provável, uma vez que ela prevê que todo Pedreiro nunca deve cair no erro ou heresia de não ser, em qualquer circunstância, um homem discreto e prudente.

Ao todo, as diferenças observadas entre os dois conjuntos de textos levam C. Dyer a concluir que, após um silêncio de mais de cem anos, o MS Grand Lodge n º 1 não é de modo algum uma simples cópia, mais ou menos abreviada, de Cooke, mas um documento completamente diferente, que introduz muitas regras que já não se referem diretamente à prática operativa, mas tem um caráter especificamente religioso e moral.

O estudo mais detalhado da ortografia utilizada para os nomes bíblicos mostrados no Ms Grand Lodge, por outro lado, demonstra similaridade com os das Bíblias publicadas na Inglaterra após a Reforma, o que indica que ele foi escrito por volta de 1540.

Deste estudo resulta a proposta de uma hipótese segundo a qual o Ms Grand Lodge seria um dos primeiros textos, de uma longa série, utilizados a partir dos anos 1540-1580 por um grupo de homens conhecidos ao longo do século XVIII sob o nome de maçons especulativos ou maçons aceitos.

Agora, a história religiosa da Inglaterra do século XVI pode nos fornecer elementos susceptíveis de apoiar esta tese. Durante todo este período, todos os que expressaram convicções religiosas opostas ao poder existente perderam a vida nas fogueiras.

Esta rotina em tempos especialmente turbulentos fez com que algumas comunidades muito diferentes mergulhassem na discrição em suas práticas, ou mesmo no segredo.

É durante os anos 1560 a 1570 que a crise religiosa atinge seu ponto culminante. Estes anos foram caracterizados, em particular, pelos diferentes conflitos que assolavam a Escócia e a “deposição” teórica de Elizabeth pelo papa em 1570. Paralelamente a estes acontecimentos, os estudiosos da história religiosa da Inglaterra propuseram a existência de um movimento geral criado dentro da Igreja da Inglaterra, e cujo objetivo era orientá-la para o campo da Reforma.

Até 1570, de acordo com o historiador britânico J.E. Neal, tratava-se de uma verdadeira “organização secreta”, que deveria proceder com cautela devido às pressões dos mais moderados e devido às exigências expressas pela Rainha. Este movimento deveria conseguir a formação de uma seita independente da origem da igreja Congregacional.

O certo é que a situação daquele tempo levou a grupos diferentes, com convicções morais e religiosas bem definidas, a atuar sob a forma de organizações mais ou menos secretas.

Parece muito provável, se nos basearmos na tese de C. Dyer e de vários escritores ingleses atuais, que o movimento que deu origem à Maçonaria especulativa teve claramente sua origem em motivações religiosas daqueles momentos. O estudo comparado de Antigos Deveres estabelece em particular que este movimento, aparentemente secreto e que a história religiosa da época torna compreensível, já não tinha qualquer ligação com a Maçonaria operativa, uma vez que ele teria se estabelecido por volta de 1560 ou 1580, precisamente no momento em que os conflitos religiosos atingiram o seu clímax.

As Múltiplas Teorias

Por cerca de vinte e cinco anos, diversos autores têm realmente se alternado na formulação de uma teoria alternativa que possa racionalizar o conjunto de provas documentais que possuímos com relação ao período histórico que envolve o nascimento da Maçonaria especulativa, e que seja capaz de superar as objeções de E.Ward. Eles indicam um certo desânimo por parte dos pesquisadores e nos mostram o papel muito fértil da crítica devastadora de E. Ward. Foi levada a cabo a releitura de todos os documentos disponíveis sobre a história da Maçonaria inglesa à luz desta nova proposta.

Conseguiu-se, dessa forma, propor uma teoria política ligada aos acontecimentos da guerra de 1640-1660 na Inglaterra, acompanhada de uma teoria religiosa que também explorou o papel da caridade e da sociabilidade das primeiras sociedades de ajuda mútua nascidas no século XVII entre os artesãos, além do papel desempenhado pela dissolução das comunidades monásticas após a Reforma inglesa de 1534.

É evidente que nenhuma destas teorias é convincente. Todas tiveram o imenso interesse em promover uma redescoberta dos fundamentos históricos da Maçonaria Inglesa, em não confundir mais o seu desenvolvimento, com o da que Maçonaria Escocesa. É precisamente desta última surgiu uma nova teoria.

A chave escocesa: David Stevenson, em The Origins of Freemasonry

Em 1988, apareceram duas obras do erudito escocês David Stevenson. Estas, por sua vez, trouxeram consigo uma completa revisão da questão controversa das fontes da Maçonaria especulativa.

É quase impossível resumir a tese sustentada pelo autor, sem o auxílio de documentação farta e confiável. No entanto, descreverei as linhas essenciais.

Em 1598-1599, um alto funcionário da Coroa escocesa, William Schaw, Supervisor Geral dos Maçons e Intendente dos Edifícios do Rei, edita uma série de regulamentos que organizam, sobre novas bases, a profissão de pedreiro na Escócia.

Os Estatutos Schaw criam uma rede de lojas regionais com jurisdição geograficamente definida, e dão a estas lojas, cujos procedimentos operacionais foram bem definidos, a responsabilidade de dar aos trabalhadores os dois graus da Profissão: Aprendiz-Iniciante (Entered-Apprentice), geralmente após um aprendizado simples que durava cerca de sete anos, onde recebiam o grau que lhes permitia procurar livremente trabalho com um Mestre, ou seja, com um empregador. O Companheiro de Ofício (Fellowcraft) dessa forma afirmava seu total domínio da Profissão, mas, sobretudo, lhe era permitido postular eventualmente a entrada na Guilda de Mestres, denominada Incorporation, distinta da loja e uma organização puramente civil e política, que se apresentava como uma espécie de sindicato de patrões, controlando, por sua vez, tanto o Ofício quanto a Cidade.

Em um trabalho notável e consciente, D. Stevenson mostra que esta organização foi profundamente inovadora e estritamente inerente à Escócia. Nunca, nem na Escócia nem antes na Inglaterra, havia existido tal sistema. Ao dotar a loja de um estatuto legal, uma personalidade moral, uma existência real e ao definir o papel de seus Oficiais (Wardens ou Vigilantes ou Diáconos), os Estatutos Schaw evidenciam ter lançado as bases estruturais que mais tarde se transformariam, no resto da Escócia, na Maçonaria especulativa.

A contribuição mais notável de D. Stevenson, no entanto, é mostrar que, ao contrário da versão propagada pelas teorias clássicas, o fenômeno da Aceitação – tomando emprestada uma expressão puramente inglesa nunca usada na Escócia – conhecido por permitir a substituição progressiva dos operativos pelos especulativos nas lojas, nunca ocorreu na Escócia no século XVII.

Analisando cuidadosamente as listas de membros dessas lojas e examinando sua história ao longo de várias décadas, D. Stevenson mostra que as lojas escocesas permaneceram essencialmente, e durante muito tempo, como operativas. No entanto, e este é outro ponto novo e essencial, mostra também que desde o início algumas personalidades, incluindo o famoso Robert Moray, certamente próximo da escola de pensamento hermética, neoplatônica e rosacruz – seja qual for o significado deste último rótulo – têm estudado, na Escócia, sobre estas lojas. Sua organização relativamente discreta, se não secreta, e o conhecimento da existência de alguns ritos lhes interessaram, embora suas incursões documentadas nestas lojas, ao longo do século, sejam extremamente raras e geralmente efêmeras.

Resta dizer, e esta é provavelmente a principal conquista dos trabalhos de D. Stevenson, que a prática excepcional, mas inegável, de receber como membros honorários pessoas estranhas ao Ofício nessas lojas – onde estes novos aceitos talvez não mais voltariam – pode criar um contingente, embora provavelmente numericamente pequeno, de “pedreiros livres”, podendo, dessa forma, transportar e transmitir uma Maçonaria que estava aberta para que eles a transformassem em função de seus próprios interesses intelectuais. Portanto, é extremamente interessante ter em conta que Robert Moray, um dos primeiros “especulativos” conhecidos da Maçonaria, foi recebido, em 1640, em uma loja temporária, constituída à margem de uma guerra, em território inglês. Um fato que devemos registrar é a existência da enigmática Loja Warrington, igualmente temporária, que recebeu Ashmole seis anos mais tarde, à margem da mesma guerra, situada muito ao norte da Inglaterra…

A Escócia não inventou a Maçonaria especulativa. Criou, sob a liderança de William Schaw, as estruturas de uma maçonaria operativa bem organizada que servirá indiscutivelmente de modelo para a maçonaria especulativa que se organizará no início do século XVIII. Fez, especialmente, com que pedreiros não-operativos, que nunca tinham pertencido ao Ofício, assegurassem que este frágil frasco pudesse ser usado além da “fronteira do norte” (Northern Border) e que, colocando o pé em solo inglês, pudesse espalhar-se. Desse modo pode-se compreender porque a maçonaria inglesa do século XVII é ao mesmo tempo especulativa.

 

 

Rumo a uma teoria sintética

Muitas questões ainda estão pendentes sobre este assunto tão complexo. Ainda há muitos enigmas a serem desvendados e muitos pontos ainda permanecem obscuros. O que pode ser dito é que agora temos os elementos de uma teoria sintética sobre as origens da Maçonaria especulativa, por cuja me formulação me dediquei durante vários anos. Gostaria agora de me arriscar a lançar as bases diante de vocês, consciente de propor um modelo sujeito a críticas e que irá necessariamente ser alterado.

A Maçonaria operativa na Grã-Bretanha e no resto da Europa desenvolveu-se em uma civilização pouco comunicante e estruturada em torno de poderes locais, em uma época em que os organismos de vocação nacional, como se os descreveria hoje, não faziam qualquer sentido.

Havia, na Inglaterra, trabalhadores mais ou menos qualificados, experientes, chefes e Mestres de Obra. Havia os canteiros de obras que podiam ocupar a vida inteira de um pedreiro para quem o ofício se resumia na construção de uma catedral da qual ele não havia visto ser colocada nem a primeira pedra e nem veria a conclusão. E isso exigiria necessariamente a transmissão dos conhecimentos sobre as obras. Assim, os Companheiros, mais antigos, formavam os mais jovens, os Aprendizes. Eram homens simples, analfabetos, não tinham sequer um sobrenome: eram João, o Construtor ou Edwin de Chester. Havia lojas que davam apoio ao edifício em construção, onde se guardavam as ferramentas, onde se descansava, onde se conversava sobre os problemas da obra e os projetos do dia seguinte. Temos algumas descrições sobre isso. Havia também planos, utilizando-se o solo nivelado para desenhar o esquemas ou modelos. Havia uma ordem social e religiosa, onde os clérigos eram essenciais.

Para organizar os contigentes de pedreiros, escreveram textos e regulamentos, e para dar significado ao trabalho destes homens, procuraram nas antigas crônicas, incluindo Pierre Comestor e Polychronicon, para escrever uma história que seria a dos Maçons. Sabemos bem que o poema Regius foi escrito provavelmente por um sacerdote do Priorado de Lanthony. É dele que constava o famoso ensinamento das lojas operativas, além, é claro, o conhecimento específico para o exercício de própria profissão, de forma natural e sem mistério. Havia também alguns costumes, certas cerimônias de caráter religioso, como tudo na Europa da Idade Média. Um trabalhador de um canteiro de obras jurava respeitar a Deus, à Santa Igreja, ao seu Rei e ao Mestre da obra, onde a Bíblia lhe era apresentada.

Eis tudo o que é conhecido das lojas inglesas operativas da Idade Média ou seja, canteiros de obras que duravam anos, até décadas, que nasciam, viviam e morriam pedreiros. Isso é tudo que sabemos, porque certamente é tudo o que existe para se saber. A hipótese de uma rede desconhecida de lojas iniciáticas e secretas, cuja existência e ensinamentos teriam escapado aos olhos do historiador é absolutamente insustentável, pelo menos quando nos esforçamos para permanecer no campo da história.

A partir dos século XVe depois no século XVI, em função da Reforma, o Ofício sofreu profundas transformações: muitas grandes obras, muitas catedrais, e os pedreiros foram cada vez mais servindo aos particulares, nobres e burgueses da época, e o faziam sozinhos ou com outros companheiros. O patrão agora era chamado de Mestre. A loja não tinha mais razão de ser, pois o novo tipo de obras não a tornava necessária. Isso explica por que as lojas operativas não deixaram quaisquer vestígios na Inglaterra: porque não existiam…

Porém nem tudo era fácil,  porque havia muitos pedreiros e naqueles tempos a doença podia atingir a qualquer momento, em qualquer lugar, e não  existia proteção social, pelo menos fora da Igreja. E esta é a razão pela qual, em toda a Europa, em todos os burgos, em todas as cidades, em todos os ofícios – não só o dos pedreiros – se desenvolveu mais a solidariedades natural, muitas vezes baseadas em uma profissão ou grupo social, o que se supõe ser a base das irmandades, e cujo objetivo principal objetivo era a assistência mútua: Mutualidade e Beneficência. Mantinha-se um fundo de dinheiro em comum e assim podia-se conseguir um enterro decente para uma pessoa falecida e apoiar até certo ponto sua viúva e seus filhos, ou buscar emprego para aqueles que estavam temporariamente privados dele. É isso que provavelmente Sir Robert Plot evoca, em 1686, em seu livro História natural de Staffordshire, quando menciona o testemunho, quase único para época, de uma organização chamada Maçonaria que diz que “funciona em todo o país“. A descrição que ele dá corresponde mais a uma sociedade fraterna de ajuda mútua a trabalhadores em dificuldades. Não menciona coisa alguma sobre o resto.

Em Londres, a poderosa Companhia dos Maçons, especifica da capital, durante o século XVII acolhia benfeitores escolhidos entre os notáveis da cidade, visando a enriquecer o seu fundo de ajuda. Essas irmandades municipais ainda existem, e algumas delas não mudaram sua vocação original: não eram Operativas, e, no entanto, não se tornaram especulativas, pois essa seria uma mudança muito radical.

Essa era a situação até o final do século XVII, na Inglaterra.

Em Londres, no início do século XVIII, pouco antes da primeira reunião da primeira Grande Loja, descobrimos algumas raras lojas – havia apenas quatro em 1717 – cuja composição e atividade parecem corresponder em muitos aspectos ao esquema mencionado de alguma atividade mutualista e caritativa.

Ignoramos, neste momento, que usos rituais tinham ou seguiam as diferentes lojas. Tudo leva a pensar que eram muito simples, como a loja onde Elias Ashmole foi iniciado ouvindo a leitura de um manuscrito dos Antigos Deveres e fez seu juramento.

Havia a Escócia, distante e brumosa, inimiga hereditária e tão diferente da Inglaterra.

Não se sabe muito como os pedreiros estavam organizados naquele pequeno país, muito pouco povoado e muito pobre, onde as catedrais não eram numerosas como na Inglaterra. Sabe-se, contudo, que até o final do século XVI, um alto funcionário do estado escocês, William Schaw, concebeu uma organização administrativa radicalmente nova, regulamentando de forma muito precisa os grupos de pedreiros, legislando sobre suas relações com os Mestres – os patrões – e agrupados em poderosos sindicatos municipais chamados Incorporations.

Os pedreiros já não eram livres na organização de Schaw, uma vez que deviam estar, necessariamente, ligados a uma seção territorial, uma instância precisa que, retomando o uso de uma antiga palavra presente na tradição do Ofício, recebeu o nome de loja, dando-se a ela, no entanto, um novo significado e um sentido muito distinto. Como seus colegas ingleses, os escoceses tinham a prática de receber em suas lojas, como patronos, protetores e benfeitores, personalidades que não retornavam novamente à loja, mas que podiam ajudar o Ofício, às vezes dando trabalho aos trabalhadores. Estes Cavalheiros Maçons, como eram chamados na Escócia (nunca por outro nome), não tinham qualquer vínculo duradouro com as lojas, pois nada tinham a fazer nelas e, por outro lado, também não eram incentivados a participar de suas reuniões, que por sua vez, eram raras, visto que as lojas escocesas se reuniam uma ou duas vezes por ano, no máximo, para tratar de assuntos administrativos.

A Escócia é um país singular. Conquistada em 1560 por um calvinismo radical, mas habitada por homens curiosos e apaixonados por filosofia e misticismo, e que muitas vezes gozavam da proximidade de um rei. Dentre eles se inclui o próprio W. Schaw. Foi lá que, em meados do século seguinte, se encontrava também outra personalidade maçônica: Robert Moray. Alguns deles estavam entre os Cavalheiros Maçons que, como já foi dito, nunca voltavam a colocar os pés na loja em que foram recebidos. No entanto, havia algo que lhes interessava vivamente: um ritual e uma tradição.

Nessa época, nas Ilhas Britânicas assim como em todo o continente, esses elementos eram essenciais na vida social. Muitos eventos sociais eram ritualizados, muitas vezes com uma evidente conotação religiosa. Assim, os pedreiros escoceses recebiam os Aprendizes e Companheiros com a ajuda de um ritual, embora muito rudimentar, com base no qual prometiam proteger os segredos do reconhecimento e que lhes permitiam garantir o privilégio de emprego e a proteção da ajuda mútua aos pedreiros devidamente registrados, e não aos Cowans, como chamavam na Escócia os pedreiros independentes, ou aqueles que não estavam filiados a qualquer loja. Todo o segredo se justificava desta forma, puramente utilitária, mas que era essencial em um país pequeno, onde a vida era difícil e o emprego extremamente raro.

Alguns dos Cavalheiros Maçons ávidos por investigações filosóficas, e eram muito sensíveis ao eco do neoplatonismo renascentista e às proclamações misteriosas dos primeiros manifestos Rosacruzes na segunda década do século XVII, queriam poder se reunir para fazer deles o objeto de seus trabalhos e pesquisas. Por uma questão de discrição, por gosto pelo mistério, pela sedução dos rituais estranhos e antigos que haviam conhecido, talvez tenham decidido se agrupar tomando emprestadas as formas simbólicas e rituais dos pedreiros escoceses – que também partilhavam um segredo – embora soubessem que o segredo dos pedreiros não fossem profissionais e operativos. Estes grupos eram poucos e errantes e independentes entre si. Esta era a situação na Escócia e também no norte da Inglaterra, como mostra o caso Ashmole, em meados de final do século XVII.

Observe-se aqui que o problema principal é, então, explicar como em princípios do século XVIII, em Londres, aparece, quase saída do nada documental, uma Maçonaria não operativa, que já não estava ligada à profissão de pedreiro, mas organizada em padrões muito próximos dos padrões da Maçonaria Escocesa.

O elo perdido deve ser encontrado. Fará com que um dia se encontrem maçons livres, sem lojas como Ashmole e Moray, de ascendência escocesa direta ou indireta e de lojas livres, como a Masonry inglesa descrita no final do século XVII por Robert Plot. Note-se que o efeito é como o de um jogo de transparências onde se sobrepõem estes dois aspectos das origens profundamente diferentes e, com isso, se obtém um retrato bastante preciso da primeira Maçonaria inglesa dos anos 1717-1723. Indicam que uma data importante, 1707, não deve ser negligenciada. É o Ato de União, que transformou definitivamente a Escócia e a Inglaterra em um único reino, o que, finalmente, permitiu uma abertura real, embora lenta e desconfiada de cada um dos países com relação ao outro.

Recordemos, finalmente, apenas para abrir uma última pista e arriscar mais uma abordagem, que um dos protagonistas, se não o mais importante pelo menos o mais conhecido desta primeira Maçonaria Inglesa, foi o pastor Anderson, de origem escocesa, nativo de Aberdeen, e cujo pai tinha pertencido à loja daquela cidade…

Paro por aqui.  Queria, depois de ter estudado arquivos, documentos e testemunhos, contar-lhes uma história, esperando que ela não ficasse muito longe da história real. Sombras passaram diante de nossos olhos, séculos transcorreram, e as antigas gerações viveram sem ser capazes de nos desvendar totalmente seu mistério. Embora o véu tenha sido parcialmente levantado, uma parte obscura ainda permanece: saibamos respeitá-la e não nos entreguemos às quimeras.  A busca das origens é sempre um desafio: às vezes o historiador deve renunciar provisoriamente ao seu direito de entender tudo, mas nada o impede, como homem, de continuar esperando tudo.

 

Para ter o PDF do artigo clique DACHEZ – A MAÇONARIA INVENTADA


[1] Hápax, em português. Palavra ou expressão de que só existe um único exemplo, em determinada língua, época ou autor. N.T.

[2] Este projeto ainda está em curso. N.T.

Publicado on julho 3, 2012 at 10:51 am  Deixe um comentário  

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