A Maçonaria em França

Tradução José Antonio de Souza Filardo M.´. I.´.

Por quase três séculos, a Maçonaria é a sociedade secreta mais discutida. Esta sociedade iniciática desperta grande interesse, no entanto a Maçonaria é muito pouco conhecida.
Na verdade, ela esconde tanto suas origens quanto seus objetivos. Apesar de todos estes mistérios, a Maçonaria pretende ser muito mais uma fraternidade elitista e discreta do que realmente secreta.

As origens da Maçonaria

A palavra “Maçonaria” é ambígua, porque ela se refere a duas coisas bem diferentes:

Uma sociedade corporativa chamada “maçonaria operativa” enraizada na Idade Média européia e, provavelmente, muito além. Sabemos hoje que a filiação entre os maçons e companheiros é muito complexa.

Uma sociedade de pensamento chamada “Maçonaria especulativa” que é a herdeira direta da primeira.

A maçonaria, em primeiro lugar operativa (construtores medievais), admitia (séculos XVI – XVII) membros estranhos à arte de construir, antes de se tornar especulativa, quando é fundada em Londres em 1717, uma “Grande Loja” cujas constituições permanecem sendo a Carta da Maçonaria Universal. A longa disputa interna, originária de uma cisão, terminou em 1813 com o Ato de União, constituindo a atual Grande Loja Unida da Inglaterra considerada a Grande Loja-mãe de todas as grandes lojas do mundo.

A Maçonaria foi introduzida em torno de 1725 na França por emigrantes Jacobitas. Apesar de algumas dificuldades com a polícia, as lojas têm uma rápida expansão, mas também experimentam uma cisão e dificuldades.

Em 1773 foi fundado o Grande Oriente, autoridade central destinada a restaurar a ordem. No século XIX, as duas principais obediências são o Grande Oriente e o Supremo Conselho do Rito Escocês Antigo e Aceito, fundado em 1804.

A Grande Loja de França, fundada em 1894, conserva a fórmula do Grande Arquiteto do Universo que não é mais reconhecido pelo Grande Oriente desde 1877.

Em 1913, E. de Ribaucourt ressuscita uma maçonaria regular na França e constitui a Grande Loja nacional independente e regular, que assume em 1948 o novo nome da Grande Loja Nacional Francesa (GLNF), única obediência francesa reconhecida pela Grande Loja da Inglaterra.

Estas cisões explicam a diversidade de ritos e graus maçônicos.

 O Espírito da Maçonaria

No século XVII, na Inglaterra, as guerras religiosas eram devastadoras. É neste contexto que homens adeptos da tolerância criaram espaços de livre intercâmbio onde todas as religiões pudessem se reunir.
Os fundadores empregavam o vocabulário e os costumes das antigas guildas de pedreiros. Estes homens sabiam, então, esculpir a pedra mole, chamada “free stone”.
Então, eles foram chamados de “free stone masons” ou “freemasons” que quer dizer maçons.

Mas os novos maçons não são construtores de edifícios, mas “cavalheiros”. Eles defendem, antes de tudo, os valores da tolerância, humanismo e fraternidade.

Entre os maçons famosos podem-se citar Benjamin Franklin, Mirabeau, Jules Ferry, Winston Churchill (de 1905 a 1908), Montesquieu, Voltaire, Arthur Conan Doyle, Mozart, Louis Armstrong, Ford e Citroën.

Os fundadores da Maçonaria moderna reivindicam a herança de todos os construtores que vieram antes deles.
Eles desenvolveram, assim, uma viagem iniciática que vai do grau de aprendiz ao de mestre, como o faziam os construtores antigamente.

A iniciação maçônica

A partir da iniciação, o profano se torna um iniciado. O profano é recebido com uma venda nos olhos e sofre as provas da terra, da água, do vento e do fogo. Ele morre simbolicamente para renascer como maçom e se torna um aprendiz.

Esta primeira fase pode durar de vários meses a vários anos. Durante todo esse tempo, o aprendiz deve permanecer em silêncio, a fim de compreender as regras de funcionamento da loja.

Quando ele se torna companheiro, pode exercer o seu direito de falar. A partir dai, ele pode passar a mestre e aprofundar seu envolvimento.

No século 18, esses três graus foram enriquecidas por uma pirâmide de altos graus. Assim, o Rito Escocês Antigo e Aceito, que é o mais praticado em todo o mundo, inclui 33 graus, de aprendiz até Soberano Grande Inspetor Geral.

Muitos títulos evocam os Templários, por exemplo, “Grande Comandante do Templo”, mas também os Rosacruzes “Cavaleiro Rosa-Cruz”.

Estes são empréstimos, mas não há qualquer afiliação real entre os Templários ou os Rosacruzes e a Maçonaria.

 À frente de cada loja encontra-se um venerável, assistido por um conjunto de oficiais. No comando de cada obediência existe um Grão Mestre. O Grão-Mestre da Grande Loja da França é assistido por um Conselho Federal, o Grande Oriente por um Conselho da Ordem, que exerce o poder real. Uma vez por ano é realizado a Sessãoo (ou Assembléia) da Grande Loja, chamada “convento” na Grande Loja da França e no Grande Oriente. As obediências feminina ou mista, que existe na França e em outros lugares não são reconhecidas pela Grande Loja Nacional de França. O Grande Oriente de França as reconhece e, inclusive, tem lojas femininas entre suas lojas.

Os símbolos da Maçonaria

Esta sociedade tem muitos símbolos que devem permitir que os membros se entendam além das barreiras sociais.
Alguns deles são herdados da Cabala ou do hermetismo, mas a maioria vem das ferramentas dos pedreiros. O esquadro que simboliza a retidão moral e o compasso que simboliza o auto-controle.

A inspiração bíblica é recordada pelas duas colunas que adornam a entrada das lojas.

Encontram-se igualmente o sol e a lua, porque os maçons trabalham “do meio-dia à meia noite”.

As ações da Maçonaria

As relações da Maçonaria com a Igreja Católica Romana sempre foram difíceis. Repetidamente condenada pelos papas nos séculos XVIII e XIX, a Maçonaria parece beneficiar-se desde o Concílio Vaticano II, por parte dos católicos, de um julgamento mais favorável, Roma, entretanto, permanecendo reticente, particularmente com relação às lojas “anticlericais”.

É verdade que no século XIX, os maçons franceses são em sua maioria anticlericais. Eles participam ativamente na França do debate sobre a laicidade nas escolas.
Muitos políticos são maçons.

Os irmãos assumem um engajamento republicanos e serão as vítimas de uma “caça às bruxas”. Em 1922, o Partido Comunista proíbe seus membros de serem maçons.
A Igreja Católica excomunga os membros. Esta medida somente será levantada em 1983.***

Durante a Segunda Guerra Mundial, o governo Vichy lançou uma campanha anti-maçônica e dissolveu as obediências maçônicas francesas.

Muitos maçons foram deportados e mortos nos campos de concentração. A tal ponto, que a partir de 1945, a Maçonaria dizimada, levará várias décadas para reconstituir suas fileiras.

Os números são estimados hoje em mais de 6 milhões, principalmente nos Estados Unidos.

As Lojas na França são em sua maioria Associações nos termos da Lei 1901 e não há segredo os nomes dos membros, arquivados na Prefeitura. As Lojas maçônicas reúnem mais de 120 000 pessoas, federadas em várias obediências:

  • O Grande Oriente de tendência secular
  • A Grande Loja mais espiritualista
  • A Grande Loja feminina
  • O Direito Humano, a maior obediência mista
  • A Grande Loja Nacional Francesa mais tradicionalista

É certo que alguns maçons quiseram usar sua qualidade de membro para fins políticos ou econômicos. Alguns tiveram relações tempestuosas com a justiça. Esses desvios de conduta que nada mais são que reflexos de nossa sociedade e não da Maçonaria em si são, mesmo assim, pontos negativos que lançam suspeitas sobre uma sociedade profundamente humanista.

V.B (20.06.2006)

*** Em 1983, o Cardeal Sepe escreveu uma carta aos maçons americanos na qual dava a impressão de que a excomunhão fora levantada. Mas, naquele mesmo ano, o Vaticano publicou uma nota assinada pelo atual Papa Benedito 16, então prefeito para Congregação para a Doutrina da Fé, Joseph Cardinal Ratzinger, na qual reiterava a excomunhão dos católicos que se filiarem à Maçonaria.

http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_19831126_declaration-masonic_po.html

http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_19850223_declaration-masonic_articolo_po.html

Os maçons americanos, alienados, preferiram ignorar esta manifestação da Santa Sé e adotar a interpretação do Cardeal Sepe, desautorizada pelo Vaticano. (Nota do tradutor)

 Fontes bibliográficas

Histoire de la franc-maçonnerie française, Paris, PUF, R.Dachez, 2003.

Encyclopédie de la franc-maçonnerie, Paris, E.Saunier,

Le livre de Poche, 2000. Les Sociétés Secrètes, Editions Larousse 2005.

Les origines mystérieuses de la franc-maçonnerie, Editions Atlas, 1982.

Publicado originalmente em: http://www.dinosoria.com/franc-maconnerie.htm

Publicado on julho 13, 2011 at 2:28 pm  Deixe um comentário  

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