A Fusão da G.L. e do G.O. de FRANÇA em 1799

Tradução J. Filardo

Alexandre Roëttiers de Montaleau     (1748-1807)

 

Em 21 de maio de 1799, os comissários das partes contratantes reuniram-se e elaboraram a seguinte concordata:

No 21o. dia do 3o. mês do ano da V.L, 5799.

Nós, os comissários reunidos dos GG. OO. de França, com sede em Paris, exibimos nossos respectivos poderes que emanam do O. ao qual somos ligados, de onde resultou que de um lado, foram nomeados os IIr.’. Darmancourt e Conard, presidentes, e os IIr.’. Duvillards e Houssement, e, por outro lado, os IIr.’. Montaleau, Presidente, Augebault, grande orador e Bernault, grande experto, com a finalidade de preparar os meios de reconciliação e de união entre os dois OO., para ser um todo indivisível, e tudo em benefício da arte maçônica e a prosperidade da Ordem, concordamos com os seguintes artigos, a saber:

Art. I. – A inamovibilidade é abolida;

Art. II. – Os VV. atualmente inamovíveis continuarão em suas funções por nove anos consecutivos.

A Loja terá a faculdade, após o termo dos referidos nove anos, de mantê-lo no mesmo cargo. Se a L.’. nomear um novo V., o antigo V. desfrutará do título de fundador honorário; ele receberá as mesmas honras que o V. titular.

Art. III. – Os oficiais até então nomeados pelo V. sozinho serão, no futuro, nomeados pelos membros da L. e por escrutínio.

Art. IV. – As duas associações reunidas perpetuamente, realizarão sua sessão nas instalações situadas na rue du Vieux-Colombier.

Art. V. – Seus arquivos serão reunidos ali.

Art. VI. – Todas as LL. das duas associações corresponderão ao centro comum, cujo endereço direto será o ’Grand Netori’; o registro incluirá o nome das LL., VV. e deputados das duas associações com as quais a correspondência será estabelecida.

Art. VII. – As constituições trazendo a natureza de inamovibilidade serão recolhidas; elas serão ou reconstituídas relatando o presente Tratado de união e a data original da constituição, ou simplesmente vistadas nos termos do artigo primeiro, que estingue a inamovibilidade; a reconstituição ou visto ficarão à escolha do V.

As constituições que não ostentarão o caráter de inamovibilidade serão simplesmente vistadas: a L .’. terá o direito de ser reconstituída.

Art. VIII. – Os oficiais, VV. e deputados de ambas as associações gozarão das mesmas prerrogativas. Os oficiais componentes do G.O., representados pelos IIr.’. Darmancourt, Conard, Duvillards e Houssement, poderão ser adjuntos, até as novas nomeações, aos cargos de Secretário Geral, Hospitaleiro Geral, arquiteto verificador e aos Oradores, secretários, mestres de cerimônias, primeiro experto e experto de câmaras.

Art. IX. Em virtude dessa união, todos os Maçons, detentores de certificados emitidos por cada uma das associações, serão recebidos nas respectivas LL..

Dado e traçado por nós, comissários nomeados acima, no dia, mês e ano acima mencionado, etc.

Em 23 de maio de 1799, o GO deu sua adesão a esta Convenção.

Em 09 de junho seguinte, a Grande Loja, reunida extraordinariamente em assembleia confirmou seus comissários, e os autorizou a prosseguir com as operações que eles tinham iniciado com a Associação representada pelo V.Ir.’. Montaleau.

Finalmente, em 22 de junho, esta reunião foi consumada no seio do G.O., reunido extraordinariamente para a confirmação deste grande ato. Os detalhes podem ser lidos na ata impressa nessa ocasião. Vamos extrair o seguinte trecho, que pintará melhor do que poderíamos dizer, o entusiasmo que este momento excitou.

Um ruído regular é ouvido na porta do Templo … os IIr.’. Vigilantes anunciam o R. corpo componente do GO de Clermont… Todos os IIr.’. de pé e à ordem, espada na mão, o Templo brilhante, agora em todas as suas luzes, os CC. II.’. são admitidos sob a abóbada de aço, ao som de golpes de malhetes. Sua entrada ordenada anuncia a solenidade dos trabalhos do dia. Duas colunas regulares, precedidas pelos Mestres de Cerimônias do GO se estendem ao sul e ao norte até os primeiros degraus do Oriente, e são terminadas no ocidente pelos presidentes, oradores e outros oficiais desse corpo fraternal. A grande Venerável não tem expressões suficientes para demonstrar a estes IIr.’. todos os sentimentos que a entrada deles provoca em sua alma. O respeitável Ir.’. Darmancourt, presidente do Oriente de Clermont, se fez ouvir e desenvolve seu coração, de modo a não deixar dúvidas do lado de sua associação, que a satisfação era igual e recíproca.

O C Ir,’. Duvillards, presidente do mesmo Oriente, imitando o Ir.’. Darmancourt aumenta e expande todas as vantagens já universalmente sentidas… A grande Venerável Montaleau, ansioso para ver acontecer os primeiros momentos da união há tanto tempo desejada, convida todos os IIr.’. de um e outro Oriente a se entrelaçar e cimentar esta união com o beijo fraternal. O coração se regozija então com todos os seus direitos; o Ir.’. se lança em direção ao Ir.’. e o beijo mais maçônico e mais fraternal é o penhor e selo da amizade mais durável. A voz de todos os IIr.’., neste momento feliz, só tem um som para abençoar a solenidade, e pedir ao GA do Universo que defenda até os séculos mais distantes, de ali jamais fazer a menor alteração.

Esta cena, tão sensível quanto interessante terminada, o grande Venerável fez ouvir seu malhete para colocar a oficina em ordem de trabalho; e, tendo convidado as principais luzes das duas associações para ornamentar o Oriente, os IIr.’. Mestres de cerimônias ali conduz os IIr.’. Darmancourt, Milly, Conard, Paulmier e Gaume, e em seguida o grande Venerável convidou toda a Assembleia a se juntar a ele para coroar aquele augusto momento com um triplo vivat; que foi executado pela bateria mais regular, e: A PARTIR DESSE MOMENTO FOI PROCLAMADO O ÚNICO GRANDE ORIENTE DE FRANÇA, com novos aplausos.

Depois de todo esse trabalho, depois de todos esses atos brilhantes da mais sagrado e sincera união, o Ir.’. Grande Orador tornando-se o órgão do G.O único e indissolúvel na França, pronunciou um discurso tão digno de sua alma quanto da solenidade do dia, etc.

Aqui está o início deste discurso, pronunciado por M. Angebault, um dos comissários do G. O. distinguido Maçom, e cujo espírito conciliador poderosamente ajudou os do Sr. Montaleau.

Este é daqueles eventos que, por sua extrema simplicidade, têm direito para excitar nossa surpresa, tanto quanto aqueles que são acompanhados de circunstâncias mais extraordinárias. Duas sociedades, irmãs em aparência, muito divergentes na realidade conceberam o projeto de se reunir; uma vez que esta reunião foi feita; alguns artigos foram suficientes para eliminar todos os germes de discussão para reconciliar todas as pretensões. Tal é, em poucas palavras, meus IIr.’., a história de uma reunião inutilmente tentada há mais de trinta anos, e que parecia por seu sucesso, apresentar as maiores dificuldades.

Graças sejam dadas ao G.A. do Universo! Nós reconhecemos todos os dias que ele tira, quando lhe agrada, dos poderes o Conselho e a sabedoria, e que ele empresta à sua discrição as luzes e sua razão aos fracos. Mais ainda da tribo de Ruben e Levi; mais da seita de Ali e Omar; mais de Roma e de Genebra. Nós só reverenciaremos o mesmo incensário; nós só queimaremos o mesmo incenso, etc. “

A reunião dos dois GG. OO foi comemorada com esplendor, juntamente com a festa da ordem, em 28 de junho de 1799. O G. O. enviou as atas a todas as lojas, com esta circular:

À Glória do G.’.A.’. do Universo.

O G. O. de França

a todos os LL. RR. da Rep. Francesa.

Saúde, Força, União.

Desde mais de trinta anos, existiam no O.’. de Paris dois

GG.’… OO.’. e ambos criavam LL.’. na França sob “títulos distintivos e orientavam seus trabalhos.

Estes dois GG.’. OO.’. reivindicavam a supremacia; os Maçons de um não eram admitidos na outra. A entrada do Templo, em vez de ser a da concórdia, tornava-se a de discórdia.

Os IIr.’. invocavam em vão os princípios inatos da Maçonaria, de que todo M.’. é M.’. em todos os lugares.

O profano recebido como M.’. em uma L.’. que se dizia regular ficava muito atônito, ao se apresentar à entrada do Templo de outra L.’. e ser considerado como M.’. irregular; e não lhe era autorizado participar naquela oficina.

Esta exclusão injusta diminuía seu zelo, e até mesmo o levava a abandonar nossa sublime arte.

Em vão, vários oficiais de ambos os GG.’. OO.’. haviam tentado em 1773 reunir-se apenas para formar apenas um, e ver finalmente cessar essas dissensões.

A discórdia, este inimigo implacável, agitava as serpentes, sacudia sua tocha sobre as nossas cabeças.

Gênios benéficos desses dois GG.’. OO.’. finalmente se armaram contra eles e conseguiram aniquilá-los para sempre, arrancando-lhes suas tochas, esmagando sob seus pés essas vis serpentes.

Os nomes destes gênios beneficentes serão gravados para sempre em nossos corações e nos anais da Maçonaria.

Vocês os encontrarão gravados nos documentos impressos abaixo.

Vocês certamente verão com o mesmo sentimento que nós, a reunião que teve lugar no vigésimo segundo dia desse mês entre estes dois GG.’. OO.’.; eles formam agora um único. Todo senso de prioridade, supremacia, distinção frívola desapareceu. Nossa sessão de São João próximo passado foi e será um dos mais bonitos dias da M.’.; mais de cento e cinquenta MM.’. de uma e outra associação juraram mutuamente união, fraternidade, amizade, reunião, felicidade, para sempre duradouras. O beijo da paz foi dado mutuamente por todos os IIr.’. com uma efusão de coração que garante para sempre a sinceridade.

Nós lhes enviaremos todos os documentos que comprovam esta feliz reunião. Incessantemente, nós lhes passaremos nossos regulamentos, onde vocês encontrarão algumas mudanças trazidas pelas circunstâncias.

Vamos juntar aí o quadro alfabético de LL.’. destas duas associações, que graças ao GADU formam agora um único feixe de luz.

Nós convidamos vocês a aceitar e acolher fraternalmente, a partir deste dia até o envio do quadro, todos os IIr.’. que justifiquem pertencer a um ou outro G.’.O.’.

Nós temos o favor de ser, para os NM a VC

MM.’. CC. ‘. IIr.’.,

seus carinhosos e dedicados II.’.. as OOf. e MM.’. do G.’.O.’. de França.

F. ROETTIERS-MONTALEAU, P. câmara de administração.

RF ANGEBAULT, P. câmara de simbolismo.

RF MILLY, P. câmara de graus.

RF DOISY, Or. da Câm. De Adm.

OUDET RF, RF SAVARD, Secretários Gerais

F. DARMANCOURT, G. M. de Cerimônias.

Dado e traçado no G.’. O.’. de França, lugar muito brilhante, muito regular, muito forte, onde reina a união, a paz e a harmonia, neste vigésimo oitavo dia do quarto mês do ano da V.’.L.’. 5799 e 10 Messidor ano 7, da era Rep.’..

Foi assim que terminaram estes longos debates. O resultado desta reunião foi o consenso geral de todas as lojas maçônicas francesas com o sistema introduzido em 1772, tal como existe no plano atual.

Esta época feliz, preparada por um grande número de anos determinado pelas consequências dessas revoluções que mudam os homens e as coisas, atestará por muito tempo que seja qual for a divergência de opiniões, os Maçons, estes filhos uma mãe comum, não podem nunca beber eternamente o veneno do ódio, e que mais cedo ou mais tarde eles finalmente se reconciliam quando aqueles que os dirigem somente tem como objetivo a glória da Ordem ou o interesse da humanidade.

Graças ao gênio de Roettiers, todas essas divisões foram extintas, e o G.’. O.’. de França, reforçado pelo consentimento unânime de todas as Lojas, apresenta hoje um corpo tão imponente quanto respeitável por sua regularidade e sua sabedoria, a bela composição de seus Grandes Oficiais, e o grande número de Lojas e Capítulos de sua constituição.

Publicado em:

http://montaleau.over-blog.com/article-rite-francais-de-la-fusion-de-la-gl-et-du-go-en-1799-42924071.html

 

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Publicado on julho 19, 2017 at 11:58 am  Comentários desativados em A Fusão da G.L. e do G.O. de FRANÇA em 1799  
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