O altar dos juramentos, espaço atemporal em uma loja efêmera

Tradução José Filardo

Publicado 17 de maio, 2017-por Magali Aime

“Que surpresa quando com os olhos vendados sou conduzido ao pé do altar dos juramentos. Eu me interrogo. Por que um altar, enquanto a Maçonaria é secular e permite a cada uma a liberdade de culto? Será que fiz a escolha certa? Pode ser que eu tenha me enganado? Eu, nascido em uma família ateia, senti-me de repente, em uma armadilha! ” conta Philippe. Ele descobriu, é claro, respostas às suas perguntas depois de ser maçom por quase trinta anos! É verdade que no dia da iniciação, frases, palavras, gestos podem semear a dúvida e levar a se perguntar o que o futuro reserva.

 

Então, e este altar?

Desde a Antiguidade, um altar é uma mesa sagrada dedicada ao sacrifício, a realização de rituais, e destinado a oferendas. De madeira ou pedra, um altar é sempre erguido em honra de … para adorar uma divindade ou celebrar um culto. Os Iaveistas de Israel pensavam que o altar devia ser feito de pedra bruta e se situar fora do recinto do lugar sagrado. Entre os católicos celebra-se a missa ali. A palavra altar por metonímia lembra Igreja, culto, clero, sacrifício. Ele se lembra do dia de sua iniciação e conta que “então, ainda com os olhos vendados, fizeram-me me aproximar do altar dos juramentos, a palavra altar realmente não me foi dita. Eu apenas sentia o aspecto sagrado da minha ação. Pois para mim, aproximar-me de um altar continua a ser um ato sagrado, um sentimento certamente devido à minha educação religiosa! Nesse caso, sobre o altar das lojas maçônicas nenhum sacrifício é celebrado no sentido religioso do termo.

 

E o juramento?

Para o dicionário Larousse, um juramento é “a afirmação solene de alguém para atestar a verdade de um fato, a sinceridade de uma promessa, o compromisso de cumprir os deveres do seu cargo. ”

Os maçons compreendem rapidamente que o juramento é de suma importância na sua ação. Mas no dia da iniciação, talvez não perceba imediatamente a tríade que ele implica: o propósito do juramento, as testemunhas desse juramento e a pena que seu desrespeito o sujeitará. Se hoje é a expressão “compromisso sobre a honra” é menos utilizada, ele mantém um valor muito alto. Jean-Michel, entretanto, nos diz que “a palavra juramento me impressionou muito. O que eu ia assumir, que juramento eu ia fazer? Uma inquietude me invade e levei algum tempo para entender que este juramento liga infalivelmente o novo iniciado à Maçonaria Universal. Ele representa aos meus olhos a promessa feita a si mesmo, o respeito à lei do silêncio e a divisão entre o homem profano e o iniciado”.

O altar dos juramentos

Durante a abertura dos trabalhos, é habitual e consistente com a tradição ver o esperto, um oficial da loja, colocar ritualmente as três grandes luzes sobre o altar dos juramentos: o esquadro, o compasso e o livro da Lei sagrada ou a Declaração de princípios. De acordo com o ritual, o altar não se situa sempre no mesmo lugar. Ele pode estar sobre o Oriente e se torna então “o altar do venerável”, ou ao pé dos três degraus ou, ainda, no meio do templo. Mas, independentemente da sua localização, é sempre ali que o maçom presta os juramentos próprios de seu caminho de busca. A partir de sua iniciação, muitas vezes ele será conduzido diante o altar dos juramentos, especialmente em sua passagem de grau ou sua instalação no Oriente. Cada rito tem seu ritual onde juramentos ou obrigações serão prestados.

“Só depois de um ano de aprendizado que eu percebi a importância das obrigações que eu tinha assumido diante do altar dos juramentos. Um desafio para mim. Serei capaz de solidariedade, de fraternidade, de justiça, de devoção ao meu país, à minha família, de apoio aos mais fracos, de respeitar o segredo maçônico e defender o secularismo? Verdadeiros desafios. Felizmente avançamos juntos apoiados uns aos outros por nossa cadeia de união por meio da fé e da esperança que nos ajudam a progredir. A Maçonaria é para mim uma aventura rica e maravilhosa, mesmo que ela exija bastante esforço. ”

A Ken Follett, romancista, de quem podemos nos perguntar se ele não seria um filho da viúva, vamos deixar a palavra final: “Prestar juramento é colocar sua alma em perigo. Nunca faça um juramento, a menos que seja capaz de morrer a cometer perjúrio”.

 

Publicado em: https://www.fm-mag.fr/article/tradition/lautel-des-serments-1531

 

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Published in: on maio 27, 2017 at 4:32 pm  Deixe um comentário  

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