Cosmogonia Perene: O Simbolismo da Roda (Última Parte)

FEDERICO GONZALEZ

Tradução S.K. Jerez

 

A Iniciação

Consideramos a Roda como símbolo do movimento e do cíclico, na sua forma temporal, e também como centro e como eixo, na forma espacial. Neste último caso, todos os povos tradicionais situaram suas cidades, seus templos, inclusive suas casas, em pontos significativos da paisagem amorfa, ou seja: do caos e do vir a ser. Esses pontos são centros específicos de geração e irradiação de uma cultura por considerar-se que conectam precisamente com outros planos da realidade, de forma vertical, e se manifestam nesseomphalos. Desse modo igualmente se expandem de maneira horizontal os conhecimentos obtidos por inspiração dos deuses.

O que é válido para o círculo também o é para o quadrângulo; a figura do quadrado, por ser a de uma contração, ou solidificação do círculo, se presta especialmente para a arquitetura, e seu simbolismo é o de fixar um espaço significativo no transcorrer do tempo. Afirma Mircea Eliade que: “A criação do mundo se converte no arquétipo de todo gesto humano criador, qualquer que seja seu plano de referência. Vimos que a instalação em um território reitera a cosmogonia. Depois de se ter deduzido o valor cosmogônico do Centro, se compreende melhor agora por que todo estabelecimento humano repete a Criação do Mundo a partir de um ponto central (o “umbigo”). À imagem do Universo que se desenvolve a partir de um centro e se estende para os quatro pontos cardeais, a cidade se constitui a partir de uma encruzilhada”. E também: “O verdadeiro Mundo se encontra sempre no “meio”, no “centro”, pois ali se dá uma ruptura de nível, uma comunicação entre as duas zonas cósmicas”. Já citamos alguns casos de símbolos do eixo, ou do pólo, ainda que em princípio tudo aquilo que denote verticalidade está associado a ele; no plano estaria representado particularmente pela cruz svastika, – segundo opinião de autores qualificados – símbolo tradicional, ao qual coube ser um exemplo típico da degradação da mentalidade simbólica contemporânea. A árvore é assemelhada à verticalidade, ou seja, à ruptura de nível, e também à irrupção da vida, à geração e frutificação no plano horizontal. Esta Árvore da Vida foi conhecida unanimemente – ou seus equivalentes poste ritual, obelisco, coluna, menir – presente tanto na Cabala Hebraica – cujo Modelo do Universo, constituido pelas sephirot (= numerações), se denomina precisamente assim – como na civilização maia, cuja árvore sagrada era a ceiba, que ainda hoje está plantada em meio à praça central dos povos dessa área; também para egípcios, gregos, romanos, celtas, e aborígenes norte-americanos, africanos e australianos.

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