JOIAS NA COROA: A América do Sul espanhola

Tradução José Filardo

A história da revolução bem sucedida na América do Sul é um dos menos previsto dos eventos daquela época. A atitude espanhola em relação às suas “possessões” no Hemisfério Sul era bastante agressiva. Os recursos naturais do continente deviam ser arrancados da terra e enviados à Espanha para forrar os cofres do rei.

As pessoas estavam em um dos três grupos; escravos, índios e brancos. Os supervisores do governo nativo eram enviados da Espanha. Quase todas as facetas do governo e do comércio eram conduzidas por espanhóis nativos; e todos os livros e materiais didáticos eram enviados da Espanha. Nenhuma editora ou institutos importante de ensino era autorizado no continente. Até mesmo o clero era restrito em sua instrução de acólitos nativos. [[xiv]]

Uma forma de ignorância universal era incentivada e tolerada. As mais ricas das famílias Criollas enviariam seus filhos à escola na Espanha e enquanto lá, eles, possivelmente, teriam a oportunidade de conhecer o Rei e a corte real e, possivelmente, ter a oportunidade de visitar uma parte do continente; Roma, França, etc.)

Uma das primeiras coisas que estes filhos dos ricos e da classe “dominante” da América do Sul notaria ao desembarcar era a consciência estrita de raça que eles iriam encontrar. Vocês devem se lembrar de que o status social da América do Sul era baseado em raça e pureza racial [[xv]] e, portanto, qualquer um que não fosse um puro imigrante “peninsular” da Espanha ou das Ilhas Canárias era menosprezado.

Este sentimento consciente, e não era equívoco, de que aqueles vindos do Hemisfério Sul, mesmo os das mais respeitadas famílias Criollas eram inferiores e não muito “espanhóis” deixaria uma impressão duradoura nos futuros revolucionários, e seria mais uma de uma série de pontos para suas futuras ações.

A EDUCAÇÃO CONTINENTAL:

Embora esses novos visitantes coloniais à Espanha possam não ter recebido o tipo de recepção que esperavam, houve uma série de pessoas que estavam mais felizes em conhecê-los. Um pequeno número de salões existia em Espanha nesta época. O efeito óbvio da Inquisição era que a quantidade desses pontos de encontro intelectual informal era muito limitada, em contraste com a França, ou mesmo a Inglaterra. O rei e os padres da Igreja ainda exerciam uma grande censura sobre o avanço intelectual da Espanha. No entanto, havia uma reunião de organizações semi-secretas na Espanha na época que teria um grande impacto sobre os recém-chegados do hemisfério sul.

Mackey atribui a formação da Maçonaria na Espanha, em 1728, a expatriados ingleses e outros interessados ​​espanhóis locais. [[xvi]] Ela tinha um número considerável de seguidores, suficientes para fundar o Rito Escocês ali em 1809. [[xvii]] Ao seguir nosso cronograma, isso deve mostrar que qualquer indivíduo de mesma mentalidade viajando na Espanha na época teria encontrado uma série de lojas “regulares” de tamanho bastante bom operando sob a constituição, ou orientação da Inglaterra.

Sabendo como sabemos, que um grande número de maçons dessa época eram recrutados na baixa nobreza, nas classes altas, comércios especializados e militares, estes “americanos” (como eram chamados durante a revolução), entrariam em uma das mais influentes redes de contatos não só intelectual e social, mas de negócios e política.

Propor que estas lojas contemporâneas nada fizeram além de fomentar rebeliões seria contradizer a premissa deste trabalho. O que podemos ver é a oferta desta vasta rede, não por algum ditame da Grande Loja, mas pela oportunidade de se associar a esta possivelmente inatingível fonte de contatos. Devemos nos lembrar que quase todos os negócios eram feitos por meio de “cartas de apresentação”, portanto, alguém tinha de escrever essas cartas para que uma pessoa fosse convidada a se encontrar com outra pessoa desconhecida ou normalmente inatingível para elas.

A consciência de classe nunca deve ser subestimada nesta época e até mesmo o Duque mais igualitário teria vacilado em convidar um estranho de menor distinção à sua casa ou escritório. Em segundo lugar, isso oferecia uma oportunidade de viajar ao exterior e encontrar pessoas simpáticas e, no caso dos revolucionários, pessoas simpáticas que tinham apoio financeiro ou contatos governamentais.

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Há uma pintura da época usada como ilustração no livro de Mark A. Tabbert, mostrando o barco “Lincoln” entrando no porto com uma bandeira maçônica hasteada (pág. 165), a justificativa é que alguém à bordo está entrando no porto e está interessado em ter uma reunião maçônica. Este sentimento é ecoado em “Capitão Corajoso” de Kipling, quando um dos tripulantes do navio vai até um navio francês para uma reunião maçônica.

O significado desta pintura é duplo: 1). O fato é que esse tipo de evento era um evento comum nos portos. Maçons de todos os pontos da bússola podiam se reunir com seus irmãos quando no porto e trocar informações e contatos. As rotas marítimas de comunicação eram muito mais rápidas naquele tempo que o correio normal (se existisse em sua comunidade em particular) e isso permitia 2.) A capacidade do pensamento e comunicação maçônicos viajar por toda esta rede de portos e marinheiros e chegar ao destino desejado mais rápido e com mais precisão que as formas usuais de comunicação disponíveis. Isso pode ser especialmente importante quando a mensagem é oportuna ou se uma determinada pessoa ou documento deve estar em um determinado local com toda a velocidade possível.

Não que a mão política da maçonaria universal fosse a única coisa oferecida aos revolucionários; os britânicos e os seus agentes tinham outro motivo para querer a América do Sul “livre” do Rei de Espanha. Isto envolveu uma operação britânica chamada Plano Maitland. Este plano sob seu título original de plano Vansittart, devido ao nome de seu autor

Nicholas Vansittart conclamava os britânicos a invadir a América do Sul e acabar com o domínio espanhol. [[xviii]] O fato de que as lojas espanholas permitissem que agentes britânicos recrutassem prováveis revolucionários ​​(por conhecimento social) para liderar a revolta foi uma vantagem adicional da adesão à Maçonaria.

Deve-se notar, entretanto que esta atitude mercenária era a exceção e não a regra, e vemos muitos oficiais e políticos britânicos assistindo o movimento revolucionário muito depois de o governo decidir parar de apoiar o plano Maitland.

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Published in: on outubro 20, 2013 at 10:21 am  Deixe um comentário  
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