Consultório Maçônico

Marcello Marroquim Borinato commented on Considerações Sobre o Rito Moderno ou Francês

Uma Pergunta meu ir.’., não acho nem nunca achei o Rito Moderno um rito Ateu. Adorei sua matéria e deixo uma pergunta que me deixou curioso e n é de hoje. O rito Moderno aceita a iniciação de Ateus em seus quadros? T.’.F.’.A.’.

Meu caro brother Borinato,

Primeiro é preciso informar que o Irmão Onias, autor do artigo faleceu no início desse ano de 2013.

Mas, respondendo à sua pergunta, o Rito Moderno tem esse nome não porque ele é mais recente ou um aperfeiçoamento dos ritos maçonicos antigos. Na verdade, o nome certo é Rito dos Modernos ou Francês.

Como você já deve saber, houve na Inglaterra, depois da fundação da Grande Loja de Londres, uma grande reação de maçons ligados às lojas da Irlanda e Escócia, com relação à primeira das Obrigações de uma Maçom, inscrita na constituição de 1723, onde se lia:

SOBRE DEUS E RELIGIÃO
“Um Maçom é obrigado, por dever de ofício, a obedecer a Lei Moral; e se ele compreende corretamente a Arte, nunca será um estúpido ateu nem um libertino irreligioso. Muito embora em tempos antigos os Maçons fossem obrigados em cada País a adotar a religião daquele País ou nação, qualquer que ela fosse, hoje se pensa mais acertado somente obrigá-los a adotar aquela religião com a qual todos os homens concordam, guardando suas opiniões particulares para si próprios, isto é, serem homens bons e leais, ou homens de honra e honestidade, qualquer que seja a denominação ou convicção que os possam distinguir; por isso a Maçonaria se torna um centro da união e um meio de conciliar uma verdadeira amizade entre pessoas que de outra forma permaneceriam em perpétua distância.”

Essa neutralidade revolucionária e genial inserida em uma instituição em um mundo de obscurantismo irritou os tradicionalistas que reagiram criando uma outra grande loja e apelidando os maçons da Grande Loja de Londres de “modernos”, em contraposição à posição deles que seriam os “antigos”.

Em 1813 as duas grandes lojas, cada uma delas comandada por um de dois irmãos da nobreza – os duques de Kent e de Sussex – chegaram a um acordo e introduziram a obrigatoriedade da crença em um ser supremo a quem apelidaram Grande Arquiteto do Universo e impuseram a obrigatoriedade da presença da bíblia nas lojas maçônicas.

Note que na Constituição há apenas uma referência “se ele compreende corretamente a Arte, nunca será um estúpido ateu nem um libertino irreligioso” que, segundo a história, tinha endereço certo: o Duque de Wharton que era um libertino irreligioso.
Mas, se refletirmos sobre essa frase, temos que a Arte somente é compreendida depois que se entrou na Ordem, com os ensinamentos dela, logo o que se sugere é que mesmo que o neófito não acredite no começo, no final ele não será um “estúpido ateu nem um libertino irreligioso” porque terá visto a luz ao final de sua senda dentro da Ordem. (Essa é minha interpretação)

Enquanto esses acontecimentos se desenrolavam na Inglaterra, a Maçonaria seguia um curso independente no Continente, para onde havia sido transplantada pela corte escocesa de James Stuart que fugira da Inglaterra em 1688 depois de ser deposto na Revolução Gloriosa.

Ali, na França, maçonaria era um festival de graus e lojas independentes, onde imperava o “achismo” e a imaginação. Era moda na corte.

Os franceses, conhecidos por seu espírito independente tão bem demonstrado por Voltaire e Rousseau, não aceitavam as imposições da Inglaterra e decidiram criar um novo rito que recuperasse o espírito da constituição de 1717 e criaram o Rito dos Modernos, mais liberal.

Posteriormente, ainda em nome da liberdade de consciência pregada pela Maçonaria, eliminaram a figura do gadu imposta pelos ingleses.

Finalmente, respondendo à sua pergunta, o Rito Moderno respeita as convicções de cada um. Ele não faz perguntas sobre assuntos pessoais e deixa à loja a decisão de aceitar ou não um candidato ateu, assim como deixa à loja a decisão de iniciar mulheres.

É claro que dependerá da Potência na qual a loja do Rito Moderno esteja inserida. Se for uma Potência Machônica, não poderá iniciar mulheres, se for uma Potência Maçônica então ela poderá iniciar nossas irmãs.

Assim, tem-se que o Rito Moderno como tal inicia ateus.

um TAF

Filardo, M.´. I.´.
Loja Fernando Pessoa 4001 – RM – GOB/GOSP

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Published in: on outubro 18, 2013 at 7:39 am  Comments (4)  

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4 ComentáriosDeixe um comentário

  1. Parece-me que a iniciação ou não de mulheres independe do rito praticado; trata-se de uma orientação escolhida pela Potência Maçônica considerada. Muitas são as mulheres iniciadas no REAA, por exemplo.

  2. e realmente para que tudo esteja justo e perfeito e preciso acreditar em deus

    *Ricardo Gomes.*

    Em 18 de outubro de 2013 07:39, BIBLIOT3CA

  3. […] Antonio Carlos De Oliva Maya commented on Consultório Maçônico […]

  4. Interessante sua diferenciação entre Potência machônica e maçônica. Então, como pertencemos ao GOB, somos MACHÔNICOS? Gostaria de conhecer alguns comentários seus sobre a Maçonaria mista. Afinal, hoje as mulheres estão em todos os campos de trabalho, são policiais, garis, advogadas, políticas, médicas e até Presidentes da República ou militares ou pilotas de Boing e aviões de guerra. Por que não podem ser maçons ou maçonas.

    TFA

    Maya


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