Igreja em Crise: O Papa Benedito Polarizou Mais que Uniu

Tradução José Filardo

 Um Comentário por  Peter Wensierski

DPA

O Papa Benedito XVI anunciou sua demissão na segunda-feira, tornando-se o primeiro papa a renunciar ao papado em 619 anos.

A Alemanha comemorou quando Joseph Ratzinger foi escolhido papa em 2005. Oito anos mais tarde, no entanto, muitos estão contentes de vê-lo ir. Ele foi uma figura profundamente polarizada em seu país natal e bloqueou na Igreja Católica o lançamento de uma renovação tão necessária.

 

Papst Benedikt XVI. gibt Pontifikat am 28. Februar auf

Desde sua eleição, em Abril de 2005, Benedito XVI tem sido uma figura divisiva. A euforia com a eleição de um papa bávaro que primeiro varreu a Alemanha há muito tempo já se apagou. Com todo o respeito ao primeiro papa a renunciar voluntariamente em centenas de anos: Nos oito anos em que permaneceu na Santa Sé, o papa fez mais para polarizar do que unificar os católicos em seu país de origem.

Benedito XVI nunca conseguiu crescer além de seu antigo eu, o professor de teologia conservador Joseph Ratzinger. O papa não construiu pontes como um Pontifex Maximus deveria. Aqui na Alemanha, sua eleição levou a uma divisão cada vez maior dentro da Igreja. De um lado estão os defensores desapontados de uma reforma há muito necessária. De outro, os fundamentalistas, os defensores da tradição e auto-nomeados guardiães da fé, que querem fazer voltar o relógio para antes do Concílio Vaticano II, e procuram a salvação em uma Igreja autoritária e hierárquica do passado.

Confiança perdida

Alguns na Alemanha já estão falando de um cisma dentro da Conferência dos Bispos. Durante seus anos no cargo, o Papa Benedito impulsionou a ala reacionária da comunidade católica, com seus grupos dissidentes frequentemente obscuros, mais do que seu antecessor o fez – seja com sua aproximação com os ultra-conservadores Irmãos Pios, sua bronca aos teólogos renegados ou seu carinho pela Missa Tradicional. Seus esforços para enfrentar os escândalos de abuso que abalaram a Igreja Católica em todo o mundo foram muito escassos, muito tardios. Nem nos Estados Unidos, Irlanda nem na Alemanha ele e seus bispos conseguem recuperar a confiança perdida na esteira deles.

Sob um papa alemão, não menos, a reputação da Igreja chegou ao mais baixo nível de todos os tempos na Alemanha, no início de 2013. De acordo com um estudo realizado pelo Instituto Sinus, até mesmo os católicos mais leais não confiam em seus próprios bispos. Uma vez saudado como um chefe da Igreja sofisticado, ele se transformou em um líder que vagou pelo cenário internacional de  um infeliz equívoco a outro  . Até mesmo amigos íntimos e antigos colegas disseram que um homem como Joseph Ratzinger não tem estofo para chefiar uma comunidade de um bilhão de pessoas.

Para os católicos na Alemanha que não podiam suportar críticas à trajetória de Benedito XVI, o papa era um poderoso aliado. Aqueles que secretamente testaram a adesão de  Hospitais católicos  à liturgia oficial; aqueles que clandestinamente gravaram os sermões de padres na Alemanha para derrubá-los; aqueles que procuravam difamar um professor de teologia em Roma – estes auto-proclamados guardiães da fé sempre enviaram suas denúncias diretamente a Benedito e seu secretário, Georg Gänswein. Eles sabiam que consequências para aqueles acusados de delitos seriam rápidas.

Embaralhando as Cartas

A renúncia de Benedito XVI, no entanto, agora altera a distribuição das cartas. As estruturas de poder podem mudar como resultado, embora pouco, quando um novo papa, possivelmente, até mesmo de outro continente, abençoar o mundo a partir da Basílica de São Pedro nesta Páscoa. É uma perspectiva que enche muitos líderes católicos na Alemanha, com esperança, outros com medo.

O papa, porém, tomou algumas medidas para garantir que seu legado político continuará em Roma – particularmente através de sua nomeação do ex-arcebispo de Regensburg, Gerhard Ludwig Müller. Como chefe da Congregação para a Doutrina da Fé, Müller é uma garantia tosca e pronta de estrita ortodoxia em posições centrais do Vaticano. E há bem pouco tempo, Benedito XVI elevou seu secretário particular, Georg Gänswein, ao status de bispo. O amável Gänswein, que até mesmo apareceu na capa da edição italiana da Vanity Fair , agora está sendo lançado como uma possibilidade de liderar um bispado na Alemanha – possivelmente como o sucessor do Cardeal Joachim Meisner, o poderoso líder conservador da diocese de Colônia.

No entanto, com todo o respeito pela decisão surpreendente feita por um velho de 85 anos de idade doente e fraco, muitos na Alemanha há muito ansiava por um fim à era Ratzinger, não importando quem poderia sucedê-lo. Só o futuro dirá se os bispos alemães terão mais confiança do que antes para seguir um caminho mais independente. Mas, certamente, haverá mais espaço para assumir riscos.

Na verdade, a renúncia de Benedito XVI oferece à Igreja Católica na Alemanha uma nova chance de se libertar do torpor criado por este papa paternalista e talvez, finalmente, encontre uma maneira de começar a resolver a profunda crise enfrentada pelos católicos alemães.

separador

 

http://www.spiegel.de/international/world/benedict-resignation-could-be-good-news-for-german-catholics-a-882734.html

 

Anúncios

The URI to TrackBack this entry is: https://bibliot3ca.wordpress.com/2013/02/12/igreja-em-crise-o-papa-benedito-polarizou-mais-que-uniu/trackback/

RSS feed for comments on this post.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: