Navegar é preciso… viver não …

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(Originalmente Pompeu, depois Camões, depois Fernando Pessoa, depois Caetano Veloso, agora eu…)

CARAVELA

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Se cá chegastes, por desígnio do acaso, trazido por quaisquer ventos, trazido por Mestre Google, ou propositalmente,  chega-te, acomoda-te, escolhe um tema na lista e aproveita.
Se queres comentar, ó pá, fica à vontade pois cá não temos qualquer problema de discutir as questões relacionadas com a Liberdade, Igualdade e Fraternidade, ou qualquer outra questão.

Aproveita! 

O Editor


SEMINÁRIO EM SÃO PAULO

transhumanismo

Por que escrever

Tradução José Filardo

por George Orwell

orwellDeixando de lado a necessidade de ganhar a vida, eu acho que existem quatro grandes motivos para escrever, pelo menos para escrever prosa.  Eles existem em diferentes graus em cada escritor, e, em qualquer escritor as proporções podem variar de tempos em tempos, de acordo com o ambiente em que vive. São eles:

(i) puro egoísmo.

Desejo de parecer inteligente, de ser comentado, de ser lembrado após a morte, para obter suas própria revanche contra os adultos que você desprezava na infância, etc., etc. É trapaça para fingir que isso não é um motivo, e um motivo forte. Escritores compartilham essa característica com cientistas, artistas, políticos, advogados, soldados, homens de negócios bem sucedidos – em suma, com toda a crosta superior da humanidade.  A grande massa de seres humanos não é agudamente egoísta. Após a idade de cerca de trinta anos, eles quase abandonam a sensação de serem indivíduos – e vivem principalmente em função dos outros, ou simplesmente sufocados sob trabalho penoso. Mas há também a minoria de pessoas talentosas, voluntariosas que estão determinadas a viver suas próprias vidas até o fim, e os escritores pertencem a esta classe. Escritores sérios, eu diria são, em geral, mais vaidosos e egocêntricos do que jornalistas, embora menos interessados em dinheiro.

(ii) Entusiasmo estético.

A percepção da beleza no mundo exterior, ou, por outro lado, nas palavras e seu arranjo correto. Prazer no impacto de um som sobre outro, na firmeza da boa prosa ou no ritmo de uma boa história. Desejo de compartilhar uma experiência em que se sente ser valiosa e que não deve ser desperdiçada. O motivo estético é muito débil em um monte de escritores, mas mesmo um escritor panfletário ou escritor de livros didáticos terá palavras para animais e frases que apelam a ele por razões não-utilitárias; ou ele pode achar importante a tipografia, largura das margens, etc. Acima do nível de um guia ferroviário, nenhum livro é totalmente livre de considerações estéticas.

 (iii) Impulso histórico.

Desejo de ver as coisas como elas são, descobrir fatos verdadeiros e armazená-los para o uso da posteridade.

 (iv) Propósito político.

Usando a palavra “político” no sentido mais amplo possível.  Desejo de empurrar o mundo em uma certa direção, alterar a ideia de outras pessoas sobre o tipo de sociedade por que eles devam se esforçar. Mais uma vez, nenhum livro é genuinamente livre de viés político.  A opinião de que a arte nada deve ter a ver com política é em si uma atitude política.

Isso pode ser visto como aqueles vários impulsos devem fazer guerra uns contra os outros, e como eles devem variar de pessoa para pessoa e de momento para momento.

Published in: on agosto 19, 2016 at 11:33 am  Comments (1)  
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Considerando a média de idade dos maçons…

7 fatos sobre a próstata que todos os homens (e as mulheres que os amam) precisam saber

Todos os homens terão, mais cedo ou mais tarde, que lidar com esta glândula traquinas

Por Larry Schwartz / AlterNet

Tradução José Filardo

Crédito da foto: Shutterstock.com

Se existe um órgão que provoca críticas mistas de homens em todos os lugares, é a próstata. A próstata é a glândula que produz o sêmen, o meio fluido que protege e nutre as células de esperma. De um lado, a próstata pode ser uma parte integrante de qualquer orgasmo intensamente prazeroso . Por outro lado, diferente do câncer de pele, nenhum outro câncer é tão presente em homens que o câncer de próstata, que atinge 1 em 7 homens em suas vidas. Se você é Afro descendente, suas chances são ainda maiores de que você sofrerá (e 2,5 vezes mais provável que você vá morrer dele). Em geral, mais de 180 mil homens desenvolverão esse tipo de câncer em 2016, e desses, mais de 25 mil morrerão da doença. A má notícia para os homens sobre o câncer de próstata é que quanto mais você envelhece, mais provável é que você vá desenvolvê-lo. A boa notícia é que suas chances de sobrevivência são realmente bastante decentes.

Leia mais em: https://bibliot3ca.wordpress.com/considerando-a-media-de-idade-dos-macons/https://bibliot3ca.wordpress.com/considerando-a-media-de-idade-dos-macons/

Published in: on agosto 8, 2016 at 11:24 am  Comments (1)  
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O Vaticano e a Maçonaria, a crônica de um mal-entendido

Tradução José Filardo

PAROLE 15

por  Jean-François Maury

Podemos falar de guerra, quando perguntamos sobre as relações conflitantes entre o Papado e a Maçonaria? Neste caso, nem armas nem sangue, apenas idéias e concepções do homem e do mundo diferem. A Igreja condenou. As razões têm variado ao longo dos séculos. Às vezes políticas, às vezes morais, às vezes doutrinais, elas se adaptaram ao contexto do tempo.

Isso não começou ontem, nem no século XVIII. Na verdade, tudo começa com o nascimento do companheirismo. Sabemos que na Idade Média, as primeiras irmandades eram de natureza religiosa. As guildas ou gildas formavam-se em torno de um “patrono”, ou seja, um santo padroeiro que, segundo a tradição, tinha praticado o ofício.

Essas irmandades rivalizavam-se financiando dentro da igreja ou da catedral, capelas finamente decoradas, mas o seu verdadeiro papel era fraternal, auxílio para viúvas, ajuda para os órfãos e apoo aos feridos no canteiro de obras. A Igreja condenou rapidamente estas confrarias, vendo nelas rival de sua onipotência.

As razões políticas para a excomunhão

No início do século XVIII, quando o iluminismo faz nascer ideias de liberdade que sacodem o jugo de uma religião de Estado, a Maçonaria especulativa que se espalha preocupa a Igreja: para os Bispos é uma heresia, mas para o papado, ela é uma conspiração.

Na verdade este tem, desde 756, um estado que lhe entregou Pepino, rei dos francos, quando de sua vitória sobre os Lombardos. Trata-se do “Patrimônio de São Pedro”. Ao longo dos séculos, ele cresceu e no século XVIII, os Estados Pontifícios são vastos: são limitado a norte pelos pequenos ducados de Parma e Modena, a oeste pelo Grão-Ducado do Toscana, ambos sob influência austríaca, enquanto que ao sul o reino das duas Sicílias fica mais próximo da coroa espanhola. O poder dos Papas sendo tanto temporal quanto espiritual, eles tentam aumentar a sua influência e subjugar os movimentos clandestinos que possa comprometer seu domínio.

Também Clemente XII não hesita em fulminar em 28 de abril de 1738, a Bula In eminenti condenando uma organização que ele não conhece, mas que lhe parece sediciosa. E a Bula declara perfidamente: “Se suas ações eram irrepreensíveis, eles não se desnudariam com tanto zelo à luz. ”

 

Como o demonstra o Padre Ferrer Benimeli desnudando os arquivos secretos do Vaticano, as verdadeiras razões para essa excomunhão são políticas. Trata-se menos de evitar “os grandes males que surgem em geral essas associações sempre prejudiciais à tranquilidade do Estado e à salvação das almas” que de devolver ao Grande Inquisidor de Florença, Paolo Ambrogio Ambrogi, a vantagem sobre os tribunais civis.

Para ocultar estas razões vergonhosas, a Bula se reveste de argumentos morais: acusações de “perversão” em relação aos maçons (não especificadas), sub-entendios sobre seu segredo, sem contar o juramento feito sobre a Bíblia que não poderia ser senão herético.

No entanto, conhecemos o destino desta Bula de excomunhão. Não registrada pelo Parlamento de Paris, como era o direito para todos ato pontificiais até a Concordata de 1801, ela nunca teve força de lei e tornou-se letra morta na França.

E será o mesmo para a bula de Bento XIV, Providas, promulgada em 15 de abril de 1751, que repete a condenação de seu antecessor. A novidade é o recurso à “assistência e [o] socorro de todos os príncipes e todos os poderes seculares católicos” para executar a sentença. Trata-se bem de organizar uma perseguição.

 

O argumento moderno

A hostilidade da Igreja não impediu, no entanto, que os maçons se desenvolvessem rapidamente: entre 1860 e 1869, há 182 lojas a mais (ou seja, um aumento de 160%), enquanto os papas sucessivos se empenham em condená-la sem procurar conhecê-la. E, no entanto, não faltam padres maçons no século XVIII!

E será Leão XIII, em sua longa “carta encíclica sobre a Maçonaria”, Humanum Genus (20 de abril 1884), quem desenvolverá o argumento moderno. A Humanum Genus começa por rejeitar, mais uma vez, “a sociedade dos maçons” no “Reino de Satanás”.

Seguem-se dois tipos de acusação: as novas políticas sobre a concepção que “os maçons se dedicam a vulgarizar e pela qual eles não param de lutar, a saber, que é essencial separar a Igreja do Estado ” (é preciso lembrar aqui a França radical do início da Terceira República), mas também uma defesa doutrinária.

Segundo a Humanum Genus, os maçons têm como missão “destruir de cima para baixo toda a disciplina religiosa e social que nasceu das instituições cristãs, e substitui-las por uma nova, adaptada às suas idéias, e cujos princípios e leis fundamentais são emprestados do naturalismo “(ver Auguste Comte). Ou “o primeiro princípio dos naturalistas é que em todas as coisas, a natureza ou a razão humana deve ser mestre ou soberana. Fora do que pode compreender a razão humana, não há nenhum dogma religioso ou verdade ou mestre na palavra de quem, em nome de seu mandato de ensino oficial, devamos ter fé. ” Essa crítica é constante a partir daí.

 

A Igreja sempre condena

Em 23 de Janeiro de 1983, a publicação do novo Código de Direito Canônico, promulgado por João Paulo II (Constituição Apostólica Sacrae disciplinae legis) levantou muitas esperanças. Finalmente, a Maçonaria já não era mais expressamente condenada! Mas a instituição que, em 1965, assume a continuação da Inquisição: a Congregação para a Doutrina da Fé, com, como prefeito, o cardeal Joseph Ratzinger, agora Bento XVI, fez uma última declaração oficial em 26 de novembro 1983: “O julgamento negativo da Igreja sobre as associações maçônicas permanece inalterado porque seus princípios foram sempre considerados inconciliáveis com a doutrina da Igreja”. 

O ponto central da incompatibilidade é a acusação de relativismo principalmente sobre o conceito de religião: uma “religião ‘com que todos os homens concordam’ implica uma concepção relativista da religião que não é compatível com a crença fundamental do cristianismo”. Assim, para os maçons, “todas as religiões são tentativas concorrentes de expressar a verdade sobre Deus, que em última análise, permanece inacessível”.

Quanto ao nome Grande Arquiteto do Universo, que é, no entanto, um dos “atributos” de Deus reconhecidos pela Igreja, a Congregação para a Doutrina da Fé “rejeita as relações com Deus em uma posição anterior ao deísmo”, enquanto que a idéia de tolerância, não seria, como parra os católicos,” a aceitação paciente que é devida aos outros homens”, mas “a tolerância em relação a ideias, por mais opostas que elas possam ser entre si ” o que “abala a atitude do católico na fidelidade à fé e no reconhecimento dos ensinamentos da Igreja. ”

Em relação ao conceito de verdade: todo o conhecimento objetivo seria negado pelos maçons. Finalmente, se os rituais são, obviamente, estigmatizados, o que é também, surpreendentemente, é a preocupação dos maçons com o desenvolvimento ético e espiritual, descrito como “absoluto e separado da graça”. Quanto à formação da consciência e do caráter fornecida pela Maçonaria, a Igreja não pode “aceitar que uma formação deste tipo seja levada em conta por uma instituição que lhe é estranha. ” Tudo está claramente dito. Trata-se de justificar a exclusão, não de se reaproximar e, por enquanto, nenhuma reconciliação está à vista.

Padre e Maçom

A proibição está ainda em vigor. Nada foi feito ali, para alterar este julgamento sem apelação: nem a intercessão dos sacerdotes proeminentes como Padre Riquet, jesuíta de prestígio e grande resistente; nem a defesa de maçons alemães que defendiam a perseguição sofrida dos nazistas e fielmente entregaram às autoridades eclesiásticas os seus rituais e seus chamados “segredos”, pensando erradamente em conseguir convencer; nem a coragem de alguns bispos que desafiaram seus superiores para aceitar o diálogo; nem o fato de que alguns religiosos são eminentes pesquisadores no domínio maçônico, como o dominicano Jérôme Rousse-Lacordaire, ou na Espanha, o jesuíta José Antonio Ferrer Benimeli.

O Vaticano permanece fechado.

 

Blasfêmia e conspiração entre os companheiros

A Igreja, a partir de 832 manifesta sua hostilidade contra as sociedades de companheirismo. O Arcebispo Hincmar de Rheims condena os banquetes organizados pelas irmandades profissionais acusando-os de ser apenas bebedeiras onde a ligação fraternal seria mais pagã que cristã!

A criação do Companheirismo será uma reação contra esse sistema em torno da ideia de um Tour de France: a liberdade de contratação, liberdade de aprendizagem e liberdade de passagem. A partir daí, as autoridades religiosas e civis farão de tudo para submeter esses insurgentes. Elas denunciam as cerimônias secretas praticadas nas Lojas, rituais variados, sinais e palavras de reconhecimento, todos se escondendo atrás de um segredo inaceitável tanto pelas autoridades católicas quanto civis. Para o Estado é uma conspiração; para os religiosos uma paródia blasfema da missa. Investigações são conduzidas que resultam em anúncios em púlpito em todo o reino da França, proscrevendo, sob as penas mais graves, o ingresso em sociedades de companheirismo. Foi dado, assim, o sinal para a perseguição. Em 1641 o bispo de Toulouse excomungou todos os companheiros.

Publicado 25 de junho de 2011

http://www.fm-mag.fr/article/90/le-vatican-et-la-franc-ma%C3%A7onnerie-chronique-dune-m%C3%A9connaissance

 

Compartilhar as riquezas, um ideal maçônico

Tradução José Filardo

partager

por  Bernard Ollagnier

Nas últimas semanas, a França foi colocada no centro de um pavimento de mosaico, onde a tragédia aparece ao lado da alegria, assim como o céu se divide entre tempestades e clareza.

O Estado Islâmico continua a sua obra de destruição e terror que leva um jovem de 25 anos a assassinar um casal de policiais. A cólera sindical permite aos violadores da democracia e da República violentar um hospital infantil. Milhões de franceses cantam as vitórias dos “blues”, enquanto outros preparam suas férias. Certamente, “e assim vai a vida”. Ou pelo menos assim se diz. Mas é essa uma razão para aceitar o inaceitável? Será essa uma razão para não trabalhar para construir um mundo melhor para a humanidade? O mundo em mudança desorienta a muitos. Os maçons se perguntam cada vez mais sobre quem os criou. Aqui estamos, assim, em grande agitação. Este é o momento de se manter firme sobre os valores subjacentes de humanismo para participar no desenvolvimento de novos modos econômicos e sociais. De fato, além da luta pelo respeito à liberdade de pensamento e de expressão, a questão da partilha da riqueza é essencial para construir um mundo melhor.

Muita violência vem da apropriação da riqueza por uma minoria. Esta riqueza distribuída de forma desigual entre os estados do norte e do sul, entre os chamados “emergentes” e os chamados “desenvolvidos” é, no entanto, o produto de homens e mulheres que a produzem com seu trabalho. O capitalismo aumentado das garantias sociais, sistema adotado pela Maçonaria, baseou-se na ideia de permitir à indústria proporcionar mais bens e conforto à população por meio de um financiamento de acionistas e não apenas por proprietários individuais. Este sistema parece esgotado pelos excessos do capitalismo financeiro e não mais atende às necessidades das pessoas. Mais grave, este esgotamento do capitalismo não em termos de produção, mas em termos de aceitação força milhares de pessoas a escolher ideologias extremas que afastam as bases da democracia e da República em toda a Europa e no mundo ocidental. Como corolário desta escolha, é fácil constatar o renascimento religioso não só na vida individual, como o entende o secularismo, mas mais e mais na escolha política; na França, recentemente ouvimos políticos confundir espiritualidade com religião. Se não trabalharmos por uma nova partilha da riqueza ou pela recuperação de um secularismo simples e aceito, então vamos conhecer mais e mais lágrimas e sangue.

A noção de economia do “co-” seduz, porque torna todos responsáveis, corresponsáveis, pelo menos na aparência, porque as atuais estruturas financeiras e legislativas não correspondem em nada a esse conceito. E a tentação é forte para os iniciadores do “co-” da tornarem-se rapidamente “bilionários”. Adaptar as leis e os bancos a esta nova forma de economia parece ser uma obrigação urgente. E o mesmo vale para cooperativas que encontram uma nova juventude à medida que os empresários nascidos no baby boom do pós-guerra transferem seus negócios. Mais de 700 000 empresas estão sendo transferidas a cada ano. Excelente viveiro para reviver uma nova economia.

Estas perspectivas merecem toda a atenção dos maçons que carregam os valores da solidariedade e da partilha. Não se trata de se afastar da Maçonaria especulativa, mas convocar irmãs e irmãos para trabalhando na partilha das riquezas. É simplesmente respeitar o compromisso de trabalhar pela felicidade da humanidade. Trata-se então de colocar a Maçonaria no centro da sociedade, como o motor do seu futuro, como o que fizeram os fundadores da Maçonaria moderna e seus sucessores durante três séculos.

Um grupo de maçons trabalha há mais de um ano sobre o tema da partilha da riqueza. Algumas orientações são dadas gradativamente dia após dia, depois de ouvir diferentes personalidades e depois de muito debate dentro do grupo. Em breve, teremos a oportunidade de comunicar os resultados. A questão central da abordagem humanista da economia continua a ser a linha diretriz do trabalho realizado. Na verdade, o humano expresso em atividade social dentro da economia desde o final do século 19, exige uma abordagem mais global do próprio funcionamento da economia. Este é o lugar onde se encontra o caminho a ser explorado pelos maçons. Um caminho que centenas de economistas como o francês Eric Berr, Philippe Aghion ou Sophie Jallais, sem esquecer Bernard Maris, vítima do massacre da Charlie Hebdo, exploram na Europa e América do Norte. Grande movimento que engloba o desenvolvimento africano, a redução da pobreza na Índia ou, ainda, os novos comportamentos dos Gafa (Google Apple Facebook Amazon). Estes últimos, de uma forma muito pragmática, procuram mostrar a “nova economia” social e solidária nesse trem de alta velocidade.

Palavras que falam aos maçons de hoje, como falaram com Condorcet, Mendes-France e Gustave Mesureur. O aperfeiçoamento a serviço do humano continua incessantemente.

Publicado em 06 de julho de 2016 – http://www.fm-mag.fr/article/actualite/partager-les-richesses-ideal-maconnique-1265

Published in: on julho 22, 2016 at 10:44 am  Comments (2)  
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Entre o Vermelho da Paixão e o Preto dos Carbonários

Tradução José Filardo

Stendhal

por Leslie Baumann

Percorrendo a Europa na esteira de Napoleão Bonaparte, apaixonado eterno de mulheres, onde cada uma era um reduto a conquistar, Stendhal escreveu muito mais do que a posteridade conservou, mas, por vezes, foi acusado de plágio … o que não é nada surpreendente, pois Henri Beyle, conhecido como Stendhal adorava destruir as pistas. Segundo as fontes, ele usou entre 70 e 100 pseudônimos diferentes para a publicação de seus livros e artigos, mas também como um jogo de sua vida cotidiana, pelo prazer de enganar. Através de suas obras, ele trazia à tona suas ideias republicanas e denunciava o obscurantismo político.
Fascinado por Napoleão Bonaparte a quem ele glorificou em seus feitos bélicos, admirador de Rousseau e suas reflexões sobre a legitimidade do poder, Stendhal não parou de cultivar a ambiguidade, em nome de uma busca sempre inacabada por liberdade.

Nascido em 1783 em Grenoble, Stendhal capta com seus olhos infantis todos os transtornos da revolução de 1789. Órfão aos 7 anos, ele se opõe rapidamente a seu pai e a seu tutor, o abade Raillane, um homem severo e sem bondade. “Eu odiava o abade, eu odiava meu pai, fonte da autoridade do abade, eu odiava ainda mais a religião em nome da qual eles me tiranizavam”. Ele se refugiava mais frequentemente na casa de seu avô, favorável à filosofia do Iluminismo, ávido leitor de Horácio e que lhe transmite uma admiração ilimitada por Rousseau. Uma admiração da qual Stendhal não afastará jamais completamente, mesmo depois de descobrir o que ele diz ser “uma fonte de charlatanismo em suas Confissões.” É assim, muito cedo que Stendhal sentiu o gosto da liberdade, aquela liberdade que lhe foi negada, e uma revolta contra a autoridade que se fez autoritarismo e que abusa de seu poder. Outra figura importante desse período foi o seu professor de matemática, o único jacobino de suas relações e que tinha conseguido o afeto do pequeno Beyle. Estas circunstâncias difíceis marcam o ponto de partida de uma dupla busca jamais satisfeita: a busca por amor e a busca pela liberdade.

Ler mais: https://bibliot3ca.wordpress.com/entre-o-vermelho-da-paixao-e-o-preto-dos-carbonarios/

O espírito da Maçonaria e o Espírito das leis

Tradução José Filardo

Montesquieu

por Jean-Moïse Braitberg

Jurista, filósofo, escritor e grande proprietário, Montesquieu, uma das grandes luzes de seu tempo era também um maçom ativo que privava da companhia dos primeiros fundadores da Ordem.

Aqueles que tinham idade suficiente para usá-lo, lembram-se do “Montesquieu,” a nota de 200 francos, que esteve em circulação de 1982 a 1998. Em ambos os lados, via-se em medalhão o busto do ilustre filósofo como um patrício romano. E ao redor, várias alegorias evocavam sua obra: Themis, a justiça, por Do Espírito das Leis, iluminuras orientais pelas Cartas Persas. O castelo de La Brede para evocar o local de seu nascimento. No entanto, faltavam nessa evocação certos símbolos… Porque além de Voltaire que foi muito pouco e muito tarde, Montesquieu não foi apenas o único Maçom do grande Iluminismo francês, mas ele o foi muito cedo e muito ativamente.

Charles-Louis de Secondat nasceu em 18 de janeiro de 1689 no castelo de La Brede na região de Graves, país de vinhedos, vacas e florestas na periferia sudeste de Bordeaux. Voltando sete ou oito gerações, ele teria tido, por sua avó paterna Anne Dubernet, (1) uma ascendência comum com Montaigne, através da mãe deste último, Antoinette Louppes de Villeneuve, que alguns autores pretendem que fosse uma judia espanhola. De fato, se não pelo sangue e a sonoridade do nome, há entre as duas glórias de Bordeaux, um parentesco real pelo espírito.

Ler mais: https://bibliot3ca.wordpress.com/o-espirito-da-maconaria-e-o-espirito-das-leis/

William Shakespeare – Muito Barulho por Nada ou Como Gostais?

Tradução José Filardo

por Francis Moray

1616-2016! O mundo celebra este ano o 400º aniversário da morte do “imortal (ainda!) Bardo de Stratford “, William Shakespeare. Mas por que a revista da Maçonaria deveria se meter nesse assunto? Simplesmente porque o dramaturgo não é desprovido de todo de conexão com a Maçonaria, que já gerou uma extensa literatura com o famoso ” Shakespeare, criador da maçonaria,” de Alfred Dodd (1933) no topo da pilha. É preciso dizer que do outro lado do Canal da Mancha, encontram-se maçons dispostos a torná-lo um de seus irmãos ou mesmo o pai da Maçonaria.

Essas supostas ligações foram trazidas à luz muito cedo e antes mesmo que muitas hipóteses e outros mistérios começassem a florescer em torno do dramaturgo. Sem poder aqui multiplicar os exemplos que o atestam, lembremo-nos que em 1723 (o mesmo ano da publicação das Constituições de Anderson), quando Pope e Sewell publicam a edição Bedson-Medley dos Sonetos de Shakespeare, o cabeçalho da página de rosto incluía um bom número de símbolos maçônicos, incluindo altos graus Cristão-cavalheirescos. E em julho de 1929, a primeira pedra do Teatro Memorial Shakespeare de Stratford, sua cidade natal, foi lançada pelo Pro-Grão-Mestre da Grande Loja Unida da Inglaterra, em pessoa, Lord Ampthill, na presença de 600 maçons em grande regalia, prova de que a Ordem, mas também as autoridades seculares emprestam uma certa dimensão maçônica a Shakespeare. Na França, é a partir de 1770 que seus primeiros tradutores, o bretão Jacques Merdy de Catuélan e Pierre Letourneur, eles mesmos maçons, apresentam o autor até então quase desconhecido neste lado do Canal, como o “irmão Shakespeare” para a sua promoção nas lojas.

Ler mais: https://bibliot3ca.wordpress.com/william-shakespeare-muito-barulho-por-nada-ou-como-gostais/

Published in: on julho 15, 2016 at 5:00 pm  Deixe um comentário  
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MAÇOM LÍDER EM SUA COMUNIDADE

 

José Filardo, Mestre Maçom.

 

No ambiente das lojas existe muita cobrança, principalmente por parte dos maçons mais jovens que ingressam agora na Maçonaria, no sentido de que “a Maçonaria precisa ser mais atuante e agir para alterar o estado de coisas calamitoso da sociedade”. A falta de resposta, tanto conceitual quanto prática tem levado um contingente grande de neófitos a abandonar a Ordem diante de sua inação.

A resposta padrão é que a Maçonaria nada faz, quem faz são os maçons.  Naturalmente essa resposta é muitas vezes utilizadas como muleta por maçons que não estão dispostos a arregaçar as mangas e realizar alguma coisa além de ler ritual e comer pizza depois da sessão. Mas, ela é verdadeira na medida em que a instituição congrega um universo multifacetado de homens das mais diversas posições políticas, sociais e econômicas.

Assim, sob pena de se fracionar ou criar rupturas fratricidas, a Maçonaria enquanto instituição deve se abster de interferir no curso dos acontecimentos.

O que ela faz é criar condições para que seus membros possam discutir aspectos da sociedade, atingir consensos e valendo-se do amplo “networking” que a Ordem oferece, reunir recursos para, então, atuar em seu meio e modificar coisas, sempre de acordo com os princípios que norteiam a instituição a que pertencem.

A Maçonaria, por sua vez, ajusta-se ao ambiente político e social do país onde está organizada. Dessa forma, temos a Maçonaria Britânica que está a serviço do Establishment, na forma de um braço do poder monárquico. A Maçonaria Francesa arvorou-se em defensora da República secular e visa proteger a França de interferências que possam deturpar os valores republicanos. No Brasil, infelizmente, ela se perdeu em lutas intestinas e cismas que a fracionaram e que a paralisam irremediavelmente. E nesse vácuo ideológico medram comportamentos e atitudes extremamente lesivos à imagem da Ordem, cerrando fileiras com ideologias espúrias, reacionárias, retrógradas e antipatrióticas.  Uma instituição que criou a República e que sempre louva a Justiça e a Democracia, colocou-se como força apoiadora de um golpe de estado que derrubou um governo democraticamente eleito e emprestou seu apoio a um judiciário golpista que cometeu injustiças no atacado e no varejo.

Além do mais, a falta de comando unificado e de conteúdo ideológico conduz seus membros a comportamentos entrópicos, voltados unicamente para a vida em loja, para o exercício do ritual como um fim e não como meio de praticar algo mais importante, qual moldar o mundo à sua imagem e semelhança.

Isso posto, os maçons que ainda não se esclerosaram, que ainda não foram acometidos da paralisia que invadiu a Maçonaria querem ver alguma ação.  Querem grãos-mestres proativos, executivos, que não fiquem apenas recebendo comendas, medalhas e homenagens, mas que realmente inspirem o “povo maçônico” a arregaçar as mandas e partir para o trabalho.

E como podem os maçons atuar na sociedade?

Tudo depende do poder temporal de que cada um dispõe, de sua posição no arcabouço da sociedade e de sua disposição e desprendimento. Mas, por menos poder e posição que cada um tem, a união faz a força.

Cada maçom tem o dever de assumir uma posição de liderança em sua comunidade. Ponto final.

Não há “veja bem…”, ou qualquer raciocínio que afaste esse imperativo categórico. Em sua igreja (se for religioso), sua APM, em seu sindicado, em seu clube, em seu condomínio, seu partido político, em sua cidade, estado e país.

Nas cidades maiores, onde existem bairros, um canal efetivo são as “Sociedades Amigos de Bairro”, onde se pode realizar um trabalho eficiente de encaminhamento de problemas às autoridades encarregadas de resolvê-los.

Segurança é o item mais importante em todas as comunidades.  O maçom precisa participar dos organismos de interface com as autoridades de segurança pública, como os Consegs, por exemplo.

Também no quesito segurança, começa a se popularizar uma ferramenta muito interessante que é alavancada por ferramentas de redes sociais como WhatsApp, Skype e outras: os programas Vizinho Solidário, onde são criados grupos interligados que se comunicam em situações de emergência ou preventivamente para afastar perigos localizados.

Não é fácil, é verdade.  Eu mesmo venho tentando alavancar um esquema desse tipo em nosso bairro e esbarramos com a atitude típica do paulistano: arredio, misógino, avesso ao contato humano. Tentamos organizar a ASSOVIO- ASSOCIAÇÃO DE VIZINHOS ORGANIZADOS (o projeto pode ser visto em http://www.assovio.wordpress.com ) cujo projeto está patinando por falta de apoio.

Mas, voltaremos a insistir em sua implementação, agora que surgiu apoio em forma de uma empresa de eventos, a quem interessa ter um parceiro no bairro.  Estamos muito otimistas.

Sonhar não custa nada, e podemos sonhar que um dia os maçons comandarão centenas de ASSOVIOS no território nacional, realizando uma parte daquilo que se espera da Maçonaria.

SELO ASSOVIO A2

 

MAÇONARIA DA GERAÇÃO Y: COMO AQUELES EM SEUS VINTE E TRINTA ANOS ESTÃO MUDANDO A MAÇONARIA

Tradução José Filardo

Publicado em 4/5/2016 na Revista Oficial da GLUI – Freemasonry Today

CRUCIAL E FELIZMENTE OS MILENARES ESTÃO SE TORNANDO MAÇONS

Aqueles com menos de trinta anos constituem, atualmente, apenas dois por cento dos maçons britânicos. Isso pode parecer insignificante – a não ser quando você note que eles também são precisamente a única faixa etária na maçonaria cujos números estão crescendo.

A participação de pessoas com menos de trinta anos está atualmente em alta de 7,65 por cento. Compare isso com uma diminuição em todas as outras faixas etárias – pouco mais de dez por cento para as pessoas nos seus 40 anos, sete por cento das pessoas nos seus 50 anos, e pouco menos de dez por cento para as pessoas em seus 60 anos.

Este é um alívio significativo de um dobre de finados para todos nós. No Reino Unido, um pico do pós-guerra empurrou nossos números para mais de meio milhão de maçons.

Nos últimos anos, não somos nem metade disso – 228.000 em 2011, 214.000 em 2013.

Continuar a ler: https://bibliot3ca.wordpress.com/maconaria-da-geracao-y-como-aqueles-em-seus-vinte-e-trinta-anos-estao-mudando-a-maconaria/

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